As cerimónias em memória de André Matsangaice, disse o SG da Renamo, Ossufo Momade, servem para recordar a morte daquele que “foi o arquitecto da democracia multipartidária em Moçambique”.
“Queremos uma democracia com liberdade política. Existem lugares onde os partidos da oposição não são deixados exercer as suas actividades. Vai à província de Gaza, verá o que acontece. A Frelimo não deixa a oposição fazer seus trabalhos. Mas nós deixamos a Frelimo trabalhar onde temos capacidade de impedir que a Frelimo entre. Podíamos ter o mesmo comportamento, mas não o fazemos. Um dia isso vai acabar. O dia 1 e 2 de Setembro é fruto do que estamos a fazer” – SG da Renamo.
A “prisão domiciliária”, passe a expressão, a que tem estado sujeito o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, na cidade de Nampula, impediu-o de vir a Maputo para juntar-se aos demais membros do partido e comemorar a passagem dos 31 anos da morte de André Matsangaice, tido como o fundador da Resistência Nacional de Moçambique que viria a evoluir para a sigla RENAMO ao deixar voluntariamente de ser movimento armado, depois do Acordo Geral de Paz de 04 de Outubro de 1992, em Roma, com a imposição da queda do regime monopartidário que forçou. Acabaria por transformar-se em partido ao iniciar-se a implementação do regime democrático pluralista.
As cerimónias centrais da recordação de Matsangaissa decorreram no Gabinete Presidencial da Renamo, mas foram dirigidas pelo secretário-geral do partido, Ossufo Momade.
Desde Janeiro do corrente ano que o líder da Renamo vive confinado numa residência particular no centro da cidade de Nampula, Rua das Flores.
A casa onde vive Dhlakama está permanentemente cercada por agentes da Força de Intervenção Rápida, um dos ramos da Polícia. Estão fortemente armados com instrumentos de guerra. No interior do perímetro da casa de Dhlakama, este está protegido também pela sua guarda pessoal fortemente armada.
Tanto a Renamo quanto o Governo, oficialmente dizem que o líder da Renamo está em Nampula por vontade própria, mas a verdade manda dizer que a situação em que vive aquele dirigente do maior partido da oposição é de uma verdadeira prisão domiciliária que a qualquer momento pode tornar-se dramática apesar da situação estar a ser desprezada como provável situação de risco.
As pessoas que entram na casa onde vive o dirigente da Renamo, quando saem, são inquiridas pela Polícia. Isso acontece mesmo com jornalistas que entram na casa para entrevistar Dhlakama. A estes até lhes são confiscados gravadores e outros instrumentos de trabalho. Já aconteceu por várias vezes.
Matsangaissa desmontou o marxismo
As cerimónias em memória de André Matsangaice, disse o SG da Renamo, Ossufo Momade, servem para recordar a morte daquele que “foi o arquitecto da democracia multipartidária em Moçambique”.
Matsangaice, contam combatentes que participaram no mesmo combate, morreu em cima de uma tanque do exército governamental do regime de partido único imposto pela Frelimo, ao tentar incendiá-lo, na Vila da Gorongosa (então Vila Paiva de Andrade), a 17 de Outubro de 1979.
Anos antes estivera aprisionado na chamado “Campo de Reeducação” de Sacuzo, no sopé da Serra da Gorongosa, na zona de Cande. Fugira de lá para dar início ao processo através do qual seria criado o MNR, depois RNM e depois RENAMO.
“Esta data representa a vitória da luta que fizemos durante os 16 anos. Representa a vitória da democracia multipartidária que conquistámos”.
“Falar de Matsangaissa é falar de um herói moçambicano que entregou a sua vida para o bem-estar deste povo”, afirmou ainda o SG do Partido Renamo.
Desafios actuais
Entretanto, Momade disse que a tal democracia multipartidária não está a ser vivida na sua plenitude. “Queremos uma democracia com liberdade política. Existem lugares onde os partidos da oposição não são deixados exercer as suas actividades. Vai à província de Gaza, verá o que acontece. A Frelimo não deixa a oposição fazer seus trabalhos. Mas nós deixamos a Frelimo trabalhar onde temos capacidade de impedir que a Frelimo entre. Podíamos ter o mesmo comportamento, mas não o fazemos. Um dia isso vai acabar. O dia 1 e 2 de Setembro é fruto do que estamos a fazer”, disse Momade.
Dhlakama não está em prisão
Quanto à ausência do presidente da Renamo nas cerimónias centrais da recordação de Matsangaissa, Ossufo Momade disse que se trata de uma estratégia partidária e recusou que o seu líder esteja em prisão domiciliária.
“O presidente Dhlakama é um general. Se ele se sentisse mal, teria feito algo para se livrar. Quando falamos com ele diz que está livre, consegue ir onde quiser. Não está aqui por uma estratégia do partido. Ele está a festejar em Nampula e até é melhor lá porque não está na ponta do país. Está perto de todas as partes, pode chamar os delegados de Tete, Zambézia, Sofala, Manica, facilmente”, disse terminando. (Borges Nhamirre)
Tuesday, 19 October 2010
Renamo comemora 31 anos da morte de Matsangaice com Dhlakama “exilado”
Monday, 18 October 2010
O Ultimo Adeus a Joao Carimo
Quelimane parou literalmente para acompanhar a ultima morada, aquele que foi um dos seus mais predilectos filhos, o Professor, Jornalista, e ultimamente Assessor Municipal para a Area de Comunicacao e Marketing, Joao Carimo. De facto foram mais de duas centenas de municipes que se deslocaram ao Cemiterio da Igreja dos Santos Anjos de Coalane para despedirem-se de Joao Carimo.
Na ocasiao foram lidas tres mensagens, das quais uma do Sindicato Provincial de Jornalistas, outra do Municipio e a ultima de amigos e ex-colegas, que destacavam o brio profissional, entrega e camaradagem de Joao Carimo, nas diversas esferas em que ofereceu o seu saber, tendo comecado pelo seu percurso de estudante, seminarista no Seminario do Bom Pastor em Nicoadala, no professorado, jornalismo, onde ascendeu a funcao de delegado da Radio Mocambique em Inhambine e finalmente a de funcionario e assesssor municipal.
Pio Matos, o Edil da Cidade nao encontrou palavras para descrever aquele que era nao apenas um funcionario, mas um dos mais chegados colaboradores, estratega e conselheiro!
As nossas sinceras condolencias a familia enlutada!
Um abraco, MA
Zambezia de Luto, Faleceu JOAOA CARIMO, um Zambeziano de Gema!
Eram duas da manha de Domingo quando uma mensagem sorrateira invadiu meu celular. A mensagem vinha nua e crua! Faleceu Joao Carimo! Nao quis acreditar que o Destino nos havia separado! Nao quis acreditar
De repende senti uma calafrio que me invadiu do cabelo aos pes! Sem ter pedido, meu subconsciente comecou a rolar o filme da nossa amizada. Uma amizade e cumplicidade que se perdem no tempo.
Conheci Joao Carimo na 'famosa mesa' do Sindicato Nacional de Jornalistas, ha mais de 15 anos. Ele na altura a trabalha para o Sindicato e eu estudante universitario. Conheci-o pela mao do entao Secretario Geral da SNJ/ONJ, Hilario Matusse. E desse encontro fluiu uma amizade que resistiu as intemperies da vida e que tinha como base e denominador comum, o amor a terra e a patria que nos viu nascer! Fiquei a saber que fora aluno de minha mae na Escola dos Santos Anjos de Coalane, e colega do meu tio materno, Paulo Alculete, entretanto falecido a menos de um ano(Que Deus o deia a paz eterna)
Sempre que me deslocava a Quelimane, ou quando Joao Carimo se deslocava a Maputo eram infaliveis nossos encontros cumplices, para passarmos em revista os ultimos desenvolvimentos na provincia da Zambezia.
O ultimo desses encontros deu-se ha sensivelmente 45 dias aquando da sua ultima visita a Maputo, para onde se deslocara para uma consulta de rotina, naquele que viria a ser a nossa derradeira despedida!
Neste momento de despedida ficam adiados para sempre nossos sonhos comuns! O de ver Quelimane respirando o ar puro da marginal dos bens sinais! Uma cidade dentada e sem burracos e muiton menos piscinas municipais! O sonho de ver produzido na Zambezia um jornal impresso que fosse orgulho da classe jornalistica e nao so! O sonho de ver a nossa cidade re-erguida dos escombros a que foi votada!
Para isso Joao Carimo nao tinha maos a medir, tentando fazer omoletes sem ovos, razao pela qual juntou-se ao elenco do Edil Pio Matos, como Assessor!
O nosso derradeiro encontro foi no Hotel Santa Cruz. Apesar dos afazeres que tinha, nao resisti a chamada do meu amigo e irmao. Conversamos longamente e pusemos os pointos nos iis. Mas como sempre muita coisa ficara por alinhavar e uma vez mais marcamos um encontro para Quelimane, encontro que esse que nao sabiamos que nao se realizaria!
Quando cheguei a Quelimane, como sempre liguei ao Joao mas a linha dava um toque continuo. dada a ma qualidade das linhas quer da Vodacom quer da Mcel em Quelimane nao me preocupei. Pensei que ostoques continuos se devessem a qualidade dos servicos telefonicos. Ate que um amigo comum me informou que o meu amigo se encontrava de baixa. Quis visita-lo mas disseram-me que estava em estado grave e que nao eram permitidas visitas! Dias depois recebia a triste noticia! Joao Carino partira sem nos dizer ADEUS!
Joao, amigo e irmao, descanse em paz!
MA
LAnçamento de Livro

O IESE convida todos os interessados para o lançamento do livro “Economia Extractiva e Desafios da Industrialização em Moçambique”, organizado por Luís de Brito, Carlos Castel-Branco, Sérgio Chichava e António Francisco, e editado pelo IESE.
A obra analisa os padrões de industrialização em Moçambique como proxy para a compreensão mais geral dos padrões de acumulação económica em Moçambique e discute como é que estes padrões são estruturados pela natureza extractiva da economia.
O livro contém sete artigos, cobrindo temas como os padrões de industrialização, os indicadores de sustentabilidade dos mercados internacionais, as tecnologias de informação e a adaptação de tecnologias, os problemas de produtividade agrícola e o emprego rural.
A apresentação do livro será feita por um painel composto por Carlos Castel-Branco, Rogério Ossemane, Mário Machungo e Thomas Selemane.
Data: 21 de Outubro (5ª Feira)
Horário: 17.00 – 18.30
Local: Indy Village
Thursday, 14 October 2010
A Proposito da ultima remodelacao governamental
Muito foi dito e escrito sobre a ultima remodelacao governamental e ainda mais sera dito e ou escrito!
Apos muita reflexao ficou-me o seguinte!
1-Que e positivo, que tenha havido esta mexida, pois se tem dito que aguas paradas nao movem moinho. E o governo ja mostrava sinais de falta de imaginacao! Estava e retirada face aos ultimos acontecimentos, especialmente depois da 'Greve do Povo maravilhoso'! Alias algumas mexidas eram esperadas desde que findou o primeiro mandado de AEG.
2. Em segundo lugar, dizer que apesar de tardia, esta 'mexida' permitiu ao chefe de estado ganhar algum folego e quica alguma legitimidade que lhe permitira, querendo, dar passos mais seguros! Explicamo-nos. Ja aquando da formacao do primeiro governo de AEG, afirmara-mos que a filosofia 'politica no comando' deveria ser seguida com muita prudencia, pois corria-se o risco de, como aconteceu com outras politicas neste e noutros paises com o nosso nivel de desenvolvimento, ser mal interpretada a varios niveis, relegando a competencia tecnica para a gaveta. Ou seja haveria o risco de criar-se um ambiente onde o unico criterio de competencia era o 'numero de vivas' que determinado quadro dava antes mesmo do chefe abrir a boca! Dissemos na altura, que nao era apropriado para paises como Mocambique, que tem uma cultura institucional na melhor das hiposteses nascente e na pior titubiante, ariscar tanto. Para ilustrar o que diziamos na altura, dissemos que nao se deveriam colocar 'professores a plantar batatas, e ou a gerir diplomatas, agricultores a fazer policiamento e a gerir homens da Lei e ordem e por ai em diante!
'Politica no comando' e uma filosofia interessante mas a sua aplicacao em contextos terceiromundistas deve ser acautelada! Aqui a abordagem da economia politica e particularmente encorajada. Alguns analistas discordavam e davam exemplos de paises como o Reino Unidoe outros, que se davam ao lixo de nomear pessoas nao formadas para areas criticas de governacao. esqueceram-se esses analistas que e muito mais facil pilotar um aviao automatico do que faze-loa olho nu! E mais, e preciso recordar sempre que na concepcao de politicas e imperioso ter em conta que havera sempre resistencia da parte dos burocratas, que muitas vezes tem interesses distintos dos detentores de orgaos publicos que geralmente sao eleitos e por isso tem o dever de responder as ansiedades do eleitorado!
(Continua)
'Estive com Deus e com o diabo', afirma mineiro resgatado

MINA SAN JOSE, Chile (AFP) - Mario Sepúlveda, o segundo mineiro resgatado durante a operação de retirada de 33 trabalhadores presos em uma mina do norte do Chile, afirmou que nos 69 dias sob a terra esteve "com Deus e com o diabo".
"Estive com Deus e estive com o diabo. Me agarrei a Deus, peguei a melhor mão. Sempre soube que Deus iria nos salvar", disse.
Com 39 anos, Sepúlveda foi o primeiro mineiro a dar entrevista após o resgate iniciado na madrugada de quarta-feira.
"Não nos tratem como artistas nem jornalistas. Quero ser tratado como mineiro", completou.
Bastante extrovertido, ele fez as declarações ao lado da esposa e dos dois filhos após o exame médico inicial na mina San José, pouco depois do resgate.
O grupo passou 69 dias preso a mais de 600 metros de profundidade.
Sepúlveda também agradeceu a equipe de resgate.
"Eles nos recuperaram; nós entramos com a loucura, a experiência, mas todo o resto foi feito pelos profissionais".
"A vida me tratou de maneira dura, mas aprendi", concluiu de maneira reflexiva.
Monday, 11 October 2010
LAnçamento/VENDA do Livro "Economia Extractiva e Desafios da Industrialização em Moçambique"
Apesar do atraso, finalmente sai o livro "Economia Extractiva e Desafios da Industrialização em Moçambique". O livro contem um artigo sobre productividade agricola e emprego rural, da minha autoria!
E a noticia do lancamento do livro nao poderia ter chegado em melhor altura. Ela chega no dia do meu aniversario. Obrigado pelo presente Prof. Dr. Carlos Nuno Castel'Branco.
O IESE convida todos os interessados para o lançamento do livro "Economia Extractiva e Desafios da Industrialização em Moçambique", organizado por Luís de Brito, Carlos Castel-Branco, Sérgio Chichava e António Francisco, e editado pelo IESE.
O enfoque do livro é a analise dos padrões de industrialização como proxy para a compreensão mais geral dos padrões de acumulação económica em Moçambique e a discussão de como estes padrões são estruturados pela natureza extractiva da economia. O livro discute, ainda, desafios de transformação desse padrão de acumulação e industrialização.
Os sete artigos que compõem o livro discutem, criticamente, os padrões de industrialização, os indicadores de sustentabilidade económica, o acesso a mercados internacionais, as tecnologias de informação e a adaptação de tecnologias, os problemas de produtividade agrícola e o emprego rural.
A apresentação do livro será feita por um painel composto por Carlos Nuno Castel-Branco, Rogério Ossemane, Mário da Graça Machungo e Thomas Selemane.
Data: 21 de Outubro de 2010 (5ª Feira)
Horário: 17.00 - 18.30
Local: Indy Village
MEU Aniversario!
Foi a alguns anos atras que vim ao mundo! Fruto de um casamento entre os senhores Victoriano Lopes de Araujo e Ines Mario Alculete. Ele filho de Lopes de Araujo e de Lucinda Soloela. Meu avo paterno era natural da Ilha de Ionge, pertencente na altura ao Posto de Maquival. A minha avo materna, Lucinda era de Colongone, na outra margem do rio, tambem pertencente a Maquival.
Minha mae e produto hibrido nharinga-machuabo, sendo filha do lado paterno de Mario Alculete, natural da Maganja da Costa, e de Victoria Arijuane, de Irregele, Namacata. Sei que a minha bis-avo materna chamava-se Monica e vivia onde hoje esta a residencia dos meus pais no Bairro Coalane Segundo, na Cidade de Quelimane.
Pedira a alguns anos atras a meus pais para que fossem um pouco mais a fundo na minha arvore geneologica, pois e sempre bom saber de onde viemos para que com alguma seguranca possamos caminhar para desafios futuros!
Nasci na cidade de Quelimane, onde aprendi a pescar e a cacar totanegras! Em jeito de brincadeira, tenho dito e ate prova em contrario acredito que fui concebido na ´Noite de Nupcias´! Aritmeticamente falando, meus pais casaram-se a 10 de Janeiro e eu nasci nove exactamente nove meses depois,a 11 de Outubro!
Na Escola Primaria de Coalane, fiz as primeiras duas classes ( A pre-primaria e a primeira). Tive a sorte de ter a minha mae como minha professora na primeira classe. Confesso que na sala de aulas nao consegui nunca, apesar do esforco titanico, chamar-lhe de senhora professora, para azar meu, pois essa indiscricao valeu-me algumas ...! Para ela era minha mae!
Aos sete anos passei (a familia toda passou pois minha mae terminara o curso de professores do magisterio primario e tinha que leccionar no Centro de Professores primerios de Nicoadala) para a sede da entao Localidade de Nicoadala, onde terminei a primeira classe. Localidade sim, pois na altura Nicoadala era uma localidade do Distrito de namacurra! Aos oito anos passei para a Escola Anexa ao Centro de Formacao de Professores Primarios de Nicoadala (Ex-Seminario Menor de Bom Pastor) onde terminei com o meu ensino Primario. A escola Anexa era uma escola privilegiada porque adstrita ao Centro de Formacao de Professores Primarios. Os nossos docentes eram seleccionados a dedo, ou seja so os melhores discentes de cada curso eram 'colocados´ a leccionar na escola. E mais, tinhamos o privilegio de 'testar' os 'instruendos' nas suas aulas practicas! o meu divertimento favorito era ´testar´e ´pregar´partidas aos ´instruendos´!
Lembro-me de um que nao tendo a resposta a minha pergunta ficou 'estatelado´ na sala de aulas sem abrir a boca ate que terminase o periodo lectivo! Claro que chumbou! o que tounou a minha turma numa especie de ' no go area´ para os incautos ´instruendos´!
Confesso que o periodo na Escola Anexa foi o mais feliz da minha vida! Eu e meus irmaos (Rosa, Paulo, e Tete), eramos os unicos filhos de instrutores a residir no Centro, pois a minha mae era a unica instrutora do Centro! Os outrso instrutores tinham suas familias a residir na Cidade de Quelimane! Por causa disso, passei a maior parte do meu tempo livro ou na biblioteca, onde trabalhava meu pai, ou entao nas aulas de educacao fisica dos 'instruendos'! Foi assim que aprendi a jogar quase todas as modalidades que faziam parte do curriculum dos 'instruendos': voleyball, tenis de mesa, atletismo, damas, xadrez! e ja aos dez anos jogava confortavelmente com eles!
Jogavamos a bola, quase todos os dias! E aos Sabados, porque as salas de aula eram cobertas de capim tinhamos que cortar capim para cobrir as salas de aulas! Os bancos eram troncos e muitas vezes quando chovia nao tinhamos aulas ou porque entrava agua da chuva pelo tecto ou entao pelas janelas! Tinhamos as actividades culturais! Confesso que fui um eximio dancarino de 'macwaela'! Apenas o Joao Mussamacha batia-me na arte da macuela!
A pouco e pouco outros instrutores foram trazendo suas familias. Apareceram os filhos do instrutor Ricardo de Jesus Maria (o Inocencio, Ricardo), os do Instrutor Candrinho (Jose).
O meu colega mais antigo destas lides e o Rogerio Jucundo, um dos poucos que a par dos meus irmaos, do Jose Candrinho e do Dominguinho (um ou dois anos depois da nossa classe), cometemos a proeza de caminhar ate a universidade!
A competicao para a continuacao de estudos era durissima. A minha escola so tinha dois lugares. Explico-me. Na altura a unica escola secundaria no distrito era a Malingune na sede do Distrito de Namacurra a cerca de 40 quilometros, que meu pai teve que fazer a pe para proceder a minha matricula!. E a minha Escola, tinha apenas dois lugares, o que queria dizer que so os dois melhores estudantes de cerca de 40 tinham o direito de continuar a estudar! Nao me esqueco da competicao para fazer parte da dupla que continuaria a estudar! lembro-me de alunos brilhantes com o Joao Amaina, o Luis Nomeado, a Gloria, que tiveram que ficar e viram seus sonhos adiados!
Do meu ano, da 4a Classe, Eu e o Rogerio Jucundo fomos apurados e seguimos ao lar da Escola Secundaria de Malinguine em Namacurra.
Mas isso e estoria para outro dia, pois ja vou atrasado para uma consulta!
Um abraco,
MA
Friday, 8 October 2010
NAO é PARA TCHONADOS
Aprendamos com os nossos kambas angolanos quanto "valem" as nossas preciosas filhas! Não vacilem! Quem te avisa teu amigo é!
LISTA DE PEDIDO DE ALAMBAMENTO (lobolo)
PARTE PATERNA DA NOSSA FILHA JOANA DOMINGOS RAFAEL (JOANINHA)
1º - Multa de Abuso de engravidar a nossa querida filha (estudante); 130.000,00 AKZ
Acompanhada de 2 Carradas de areia
2 Carradas de Britas
200 Sacos de cimento
2º - Carta de pedido para noivar a nossa querida filha, no valor de 125.000,00 AKZ
Acompanhada de 10 garrafa de whisky de 12 anos
Para agradecer a resposta da carta de pedido: 2s garrafões de vinho tinto importado
3º - Outros deveres para o alembamento:
1-Saudação------ 10 grade de cerveja importada
2-Entrada-------- 10 grade de cerveja importada
3-Conversa------ 5 grade de cerveja importada
4-Saída----------- 12 garrafão de vinho
5-Fechar o caminho-- 5 grade de cerveja nacional
4º - Carta para pedido de factura de alembamento: 116.000,00 AKZ
5º - Valor para alembamento da nossa querida filha: 175.000,00 AKZ (1.000,00 USD), acompanhado com os seguintes artigos:
13 grades de cerveja
13 grades de gasosa
13 garrafões de vinho
13 garrafas de whisky de qualidade
2 animal vivo (um porco grande), acompanhado de
12 garrafões de vinho importado do Alentejo – Portugal
6º -Vestuário:
1- Um cobertor para Avó, acompanhado de 1 garrafa de aguardente Bagaceira.
2- Fato completo do Pai, cor de cinza, comprado numa loja de qualidade
3- Um par de sapatos nº 41 ( Atenção: Não comprar na praça)
4- Uma camisa de manga comprida e gravata, acompanhada com 2 garrafões de vinho.
5- Três peças de pano Super Wax de origem Holandesa, 3 lenços de cabeça e 3 pares de chinelas nº 37, acompanhados de 1 grade de cerveja Cuca e uma grade de Fanta de laranja.
6- Uma caçadeira para o avô que está no mato a caçar macacos.
7º - Virem preparados:
Virem preparados para o caso de mais alguma multa (atraso, não cumprimento das regras e falar sem os mais velhos lhe darem a palavra)
CUMPRA-SE!
A Família Paterna da noiva Joana Domingos Rafael (Joaninha)
O Tio Principal: João Nervo
General do MPLA contraria dizendo que Neto não é herói nacional
Luanda - As declarações de Rui Falcão em nome do Bureau Político do MPLA exaltaram os nervos até de militantes que consideram um ultraje a linha política do Partido. Depois dos ex -comandos, foi a vez de antigos combatentes do MPLA que se sucederam em visita as instalações do F8 para depositarem moções de repúdio. Com o General Silva Mateus, aproveitamos realizar esta entrevista sobre o circuito integrado do MPLA.
*Félix Miranda
Fonte: Folha8
Acusações de Rui Falcão é infantilismo
Folha 8 - Como coordenador da União das Tendências, qual é a sua opinião o MPLA actual está em comunhão com aquilo que foram os ideias do 4 de Fevereiro?
General Silva Mateus – O MPLA actual está muito longe, deixou de existir, deixou de ser aquele MPLA, isto a partir de 77 a quando do 27 de Maio. Teríamos que recuar um bocadito, para dizer que as crises verificadas ao longo da existência política ou administrativa do MPLA dão ênfase e ilustram claramente o desvio que houve. Actualmente o MPLA está dividido em duas alas. A ala presidencialista que é dirigida pelo Engenheiro José Eduardo dos Santos e a outra ala que é a União de Tendências coordenada por mim. Ora, a diferença é que os elementos que hoje fazem parte do MPLA tendência presidencialista não são militantes, estes elementos na sua maioria não são maquisardes e não são políticos dos anos 60/ 70. Todos eles apareceram depois do 25 de Abril, quando já tínhamos dado a machadada ao colono. E quando surge o 27 de Maio, então tudo foi por água abaixo. O 27 de Maio veio para definir as alas, para clarificar o que se estava a passar no seio do MPLA.
F8 – O que é que realmente acontece na sequência do 27 de Maio?
GSM - A partir dali, os militantes consequentes, os verdadeiros militantes do MPLA, uns foram mortos, outros silenciados e outros afastados, outros ainda afastaram-se. E essa é a maioria dos verdadeiros militantes do MPLA que estão cá fora comigo na Tendência. A outra parte que compõe a ala presidencialista do PR, não são militantes, são pára-quedistas, bajuladores. Aliás, nós não os classificamos como militantes do MPLA, são sim militantes de JES. E com o MPLA até nem se identificam, porque se eles tiverem os estatutos, os regulamentos, o programa do MPLA então verão que estão a defender o contrário das decisões saídas nos órgãos do próprio MPLA dirigido pelo JES. O programa diz uma coisa e na prática vemos outra, o que demonstra que estão desnorteados, estão sem rumo, não sabem o que fazer. Estão somente a bajular o JES e garantir o seu pão, manter os lugares que ocupam para o enriquecimento ilícito e continuarem a desprezar o povo angolano e os militantes do MPLA.
F8 – Desde quando existe a União de Tendências e o porquê?
GSM – União de Tendências surgiu um bocado antes do 4º Congresso do MPLA, em 93/94. Ao longo daquele tempo, fomos enviando cartas à direcção do partido, nomeadamente ao gabinete do presidente do MPLA, ao secretariado permanente, ao Secretário-geral. Só que durante anos eles foram lendo, foram fazendo as suas conjecturas, não deram importância, até que em Fevereiro 2007, numa reunião do Comité Central dos dias 8, 9 e 10 de Fevereiro, o presidente do MPLA, abre-se e excede-se e laconicamente diz que circulam documentos escritos por elementos que se intitulam como tendências do MPLA, mas não dão a cara, não são visíveis, não sabemos quem são e onde estão. E ele apelava para que se fizesse um combate rigoroso contra essas pessoas para que fossem denunciadas, numa espécie de lançar intimidação. Nós nos reunimos e fizemos sair o Manifesto que distribuímos a todos órgãos. Na mesma semana que o JES se pronunciou, os órgãos da comunicação social, privados e estatais fizeram referência a tudo isso. O Manifesto foi bem assinado por mim. Mas até o Presidente dos Santos dizia que não éramos militantes do MPLA, o que é um abuso e uma brincadeira, quando bem me identifico: Silva Simão Mateus, maquisarde, porque entrei no MPLA em 68, tinha 22 anos, sou quadro político militar do MPLA com formação política. Fui credenciado em 75 como activista político e fiz todo um trabalho a volta do MPLA, não só como militar, mas também na área política e tenho a patente de General. Estes documentos eu próprio fui levar ao gabinete do Presidente do MPLA, entreguei ao Secretário-geral, ao vice-presidente do MPLA e fiz chegar estes documentos a todas as províncias, aos secretariados provinciais do partido para que tivessem conhecimento.
F8 – Porquê que depois disso tudo sois desprezados?
GSM – Aí onde está o problema. É que José Eduardo, confrontado perante a evidência e o nosso posicionamento, se calou. Não só ele se calou como todo o executivo, ninguém fala de nós. Tentaram-nos ignorar sem nos dar valor. Mas se fosse para fazer um confronto directo, eles perderiam.
F8 – Nem para as conferências sois convidados!
GSM – Outro problema. Houve o congresso passado, viu o que aconteceu. Tentamos aparecer não declaradamente como tendência nessas conferências provinciais, mas dentro já do nosso posicionamento.
F8 – Como críticos?
GSM – Este posicionamento foi levado ao extremo pela direcção do JES. Veja bem que o próprio Secretário de Luanda Bento Bento, e o Roberto de Almeida, referiram-se as conferências provinciais em como tinha havido problemas. Os elementos que tinham sido eleitos não apareceram, os elementos que deviam comparecer não apareceram, substituíram todos os elementos que tinham um pronunciamento contrário, uma visão diferente, para que não aparecessem no Congresso. Mesmo assim, chegamos lá, porque no Congresso viu-se o que se viu. O presidente do MPLA experimentou aquele charme de fazer listas, houve alguém que lhe perguntou: fazer listas como, se aqui só há um candidato único? A resposta foi taxativa: é que aqui há indivíduos que querem concorrer para o MPLA. Isto foi-me dito por delegados que estiveram lá. JES ficou envergonhado porque foi-lhe dito que o elemento que quer a cadeira do MPLA é o Silva Mateus e não está aqui dentro.
F8 – Quer dizer: vocês não se limitam a criticar o MPLA, vão mais longe, assumir os destinos do partido.
SGM – O que pretendemos é democratizar o MPLA. José Eduardo dos Santos não pode ser o único candidato natural. Os militantes não aceitam isto. Os bajuladores, os militantes dele é que dizem que ele é único.
F8 – Não estão a pedir o impossível. Qual o vosso plano?
GSM – Nós queremos democratizar o MPLA com a eleição dos órgãos gerentes do MPLA. O presidente do MPLA tem de ser eleito em listas variadas, não nomeado, o Secretário-geral tem que ser eleito, e então depois vamos ver a questão do vice-presidente.
F8 – A sociedade civil não vos conhece, vocês nunca desenvolveram acções para que os angolanos saibam quem sois e que no seio do MPLA finalmente também há divergências?
GSM – Pois, ali é que está o problema. A imprensa toda é controlada pelo MPLA da ala do presidente JES. Nós fazemos acções de massas e, passa a publicidade, nós fazemos como as testemunhas de Jeová. Andamos de porta em porta a passar nossa mensagem. Pouco importa que a rádio ou a televisão digam que estamos a trabalhar. E agora com muito maior incidência porque todos aqueles que se querem ainda considerar militantes sabem que estamos a ser enganados pelo actual presidente do partido.
F8 – Recebemos ontem também um porta-voz de Nambuangongo, que diz ser antigo combatente e estão furiosos porque Dino Matross chegou lá e começou a injuriar dizendo que estavam a enganar porque não havia os 5 000 maquisardes que diziam ter, etc. No vosso entender, o pensamento de Agostinho Neto está defraudado, ou também sois contra aquilo que ele apregoava para os destinos de Angola?
GSM – Vamos ver aqui algumas situações. A União de Tendências é o acumular das quatro siglas que até ao momento foram a revolução do MPLA. Se estiver atento os nossos quatro emblemas, há um que é o Movimento Popular de Libertação de Angola, há um que é do Partido do Trabalho e por aí em diante. Para dizer que o MPLA Movimento, parou em 77. De 77 à 82 estava o MPLA Partido de Trabalho, depois dali para cima, houve outras. Estas pessoas, cada uma a seu tempo, foram militantes do MPLA. É aí onde JES diz, não, este já não é militante. O próprio Dino Matross, quando fala de maquisardes, gostaria que ele fosse mais responsável. Tenho uma entrevista há tempos atrás, que ele deu ao Cruzeiro do Sul, onde diz que ainda é cedo para que todos os angolanos tenham o pão na mesa. Ora, se um indivíduo com 60 anos ainda não tem o pão na mesa, Dino Matross que diga quando é que o angolano vai ter.
F8 – Logo, há razão quando esses indivíduos de Nambuangongo se revoltam?
GSM – Não é só o problema de Nambuangongo e de Dino Matross.
F8 – Sobre Agostinho Neto?
GSM - Quanto a Agostinho Neto, ele tinha boas intenções, mas não conseguiu materializá-las porque morreu, ou melhor, foi morto, assim é que se diz. Foi morto porque depois de ele ter mandado matar os fraccionistas e quando viu que essas pessoas que estavam em frente a caçar os ditos netistas tinham excedido, então Agostinho Neto extingue a DISA e queria prender alguns dirigentes. Quando esses se aperceberam, deram-lhe cabo, mataram-lhe para que não fossem na cadeia. Neto não completou com seu programa, mas José Eduardo tinha por obrigação dar sequência e fazer reformas para acomodar socialmente todo o angolano. O que é que nós verificamos: os discursos todos de JES que apontavam para o neo-colonialismo, etc., hoje estão na evidência. Afinal JES levou o país ao neo-colonialismo afrente do MPLA e nós não podemos dizer que isso foi um mero acaso. Não! Foi propositado. JES fê-lo conscientemente para que este povo fosse hoje o que é. Portanto, um povo num país rico e um dos mais pobres do mundo.
F8 – Então, é apologista daqueles que criticam a actual direcção como não sendo a inspiração dos angolanos?
GSM – Certo. Vejamos: se o governo é dirigido pelo partido MPLA, enquanto não haver transparência e democratização no seio do próprio partido que dirige o Estado e o país, o país também não pode caminhar. Nós somos contestatários do partido internamente, mas apologistas da melhoria desta desgovernação do país. Uns dizem opositores, nós somos críticos, contestatários dos actos administrativos, mesmo políticos que o MPLA comete.
F8 – Mas vocês só estão reduzidos ao Sambizanga?
GSM – Nós não estamos reduzidos ao Sambizanga. Diríamos que estamos implantados em todo o país. Em termos de estruturas, estamos a todos níveis do próprio MPLA. Porque o JES não pode pensar que todos os elementos que estão no Bureau Político e no Comité Central, são todos bate palmas para ele. Não. Estão lá só para garantir o pão. Internamente, não estão com ele. Porque eles dizem, Silva Mateus, tenha calma, isso vai mudar. E eu pergunto: quando, se estamos a ficar velhos. Claro, eles não se manifestam, mas nós não podemos esperar por milagres, temos de fazer o nosso trabalho. Os órgãos de comunicação social privados, também têm medo de abordar esta questão, mas é preciso que não tenham medo, é preciso que vocês dêem oportunidades para falarmos.
F8 – Está a querer dizer que tanto o senhor General, como eu que faço esta entrevista, a nossa vida está em risco?
GSM – A minha vida não pode estar em risco não.
F8 – E a minha?
GSM – A tua também não fica. Você só está a retransmitir aquilo que eu estou a transmitir. Você não tem nada a ver com aquilo que eu estou a dizer.
F8 – Então porquê este liberalismo de seus camaradas que lá no Bureau Político, no Estado Maior das FAA que se fecham em copas e não querem manifestar descontentamento?
GSM – Não manifestam, primeiro porque temem represálias. Não diria represália física, mas monetária, represália social. Veja bem: eu não devo nada ao JES, nunca recebi nada, apesar de haver tentativas para tal. Agora, há indivíduos que até o telefone, a casa, o carro, a renda vem do JES. Logo, se as condições que têm é graças a JES, e se o JES corta, porque é capaz disso, pois é um elemento reservista, rancoroso, ele passa à mendigo.
F8 – Reservista como, pode consubstanciar?
GSM – Quero dizer, ele marca as pessoas. Pode não exercer uma represália no imediato, mas daqui por seis meses, um anito, ele pode te tocar.
F8 – Mas, até aqui ninguém consegue apontar o dedo acusador, uma mácula em termos de assassinato...
GSM – Mas é o regime. O regime é eduardista, o regime é do JES. Quando destroem o Roque, quando morre gente, é tudo JES. É preciso termos noção de responsabilidade. Nos outros países, nós vimos. E se tivermos que nos ater aquilo que fomos ouvindo ainda há uns dez, quinze anos atrás, tudo o que era feito na UNITA era em nome do Savimbi. Savimbi aqui, Savimbi acolá, mas o Savimbi pelo que eu saiba, nunca matou ninguém directamente, mas no entanto tudo era atribuído a ele. Aqui o JES é o responsável de tudo o que acontece de bom e de mau. E agora institucionalizou com a Nova Constituição onde ele aparece como Chefe do Executivo. Aqui, os méritos ou desméritos são para JES.
F8 – Outra coisa. Não estão com ciúmes da FESA. A FESA tomou Angola, é praticamente a cabeça, a executora, a administração do próprio MPLA. Como pobres, como é que vocês pensam fazer a vossa revolução interna?
GSM – Os pobres fazem sim revolução. Porque a própria direcção do MPLA dirigida pela ala de JES sabe que nós nas matas por um lado e a quando do 25 de Abril por outro, o povo não tinha dinheiro, o povo não era rico, mas conseguiu fazer uma revolução que travou exércitos regulares compostos de vários arsenais, mas nós povo, com catanas, machados e bengalas, conseguimos correr com eles, não só de Luanda, do país inteiro. Por isso, eles não podem subestimar-nos, não podem pensar que por sermos pobres amanhã não poderá haver uma revolução. Haverá sim, haverá aqui em Angola uma revolução de ajuste social, pode levar tempo. Já disse há um tempo atrás, que o próprio MPLA fomenta o racismo ao privilegiar os brancos e mulatos em detrimento da maioria que são os pretos. Já em tempos fiz uma entrevista a dizer que não nos iríamos assustar se um dia acordássemos a batatadas entre pretos e mulatos. Entretanto, o MPLA ainda não disse o porquê que eu disse aquilo ou o porquê que eu não disse.
F8 – Certamente chamaram-lhe racista!
GSM – Não chamaram racista coisa nenhuma. Aliás, eu sou amigo de brancos e mulatos e aí é onde está o problema. Os meus conselheiros mesmo a nível da União de Tendências são brancos e mulatos. Eles próprios temem por esta situação, eles próprios vêm que é preciso que haja mudança, de facto.
F8 – Mudança sim senhor. Mas o conselheiro maior devia ser a população. Contudo, esta população parece que não vai muito naquilo que são os vossos ideais. O dinheiro parece estar a pesar mais alto. Pensava-se que com o Roque, a coisa entraria em ebulição, não aconteceu, deram a prova do que são! Vocês não temem cavalgar sós sem este apoio indispensável?
GSM – Não estamos a cavalgar sós. Precisaríamos acções de massas? Vai chegar o tempo, vai chegar o dia em que teremos acções de massas.
F8 – Não estou a insinuar nada!
GSM – Não é o caso. Já tenho dito isso. Porque para acordarmos a batatadas, tem que haver uma antecedência de acção de massas. Isto pode ser evitado, mas não inevitável. E tem se dito que tudo tem um tempo. Os maiores ditadores, os fascistas que já conhecemos a nível mundial, caíram com um sopro e quando chegou o dia ou a hora de cair, não tiveram forças para fazer nada. JES está protegido por cinco ou seis mil militares só da sua guarda que é uma outra coisa. Mas se Deus quiser quando tiver que ser tocado, estes guardas desaparecem, não fazem nada. Eles próprios também vivem a conjuntura social. Nós não estamos a cavalgar sozinhos.
F8 – E sobre a polémica Roque?
GSM - Agora, o problema do Roque, das demolições das casas e de tudo de mal contra este povo, o povo não reage, mas está tendo tudo isso em conta e a espera de uma oportunidade. Se hoje disser que vamos fazer uma insurreição popular, muitos podem não concordar comigo e até certo ponto têm razão. Agora o MPLA está consciente que é preciso agirmos no voto. JES encurralou-se porque se ele escudou-se na sigla do MPLA, porque quem vota no MPLA, vota no JES e em simultâneo, está enganado. Estamos a ver que nós os verdadeiros militantes do MPLA teremos que apelar ao voto contrário. Porque se você votar no MPLA, vai votar no JES, então vamos ter que penalizar um bocadinho o nosso MPLA, pelo menos por 5 ou 10 anos, porque só assim poderá haver equilíbrio e mudança.
F8 – Outra questão. A sucessão já está preparada, só falta adivinharmos se será entre os próprios filhos, ou os mais próximos. Fala-se entre nepotismo e oligarquia, mas vocês não estão no Mapa. Vossa posição?
GSM – A nossa posição é a seguinte: várias vezes já anunciamos que temos um candidato para defrontar o candidato da ala JES. É o MPLA versus MPLA.
F8 – De quem se trata?
GSM – Na devida altura vão saber. Até porque o actual presidente do MPLA ainda não sabe se ele será o próximo cabeça de lista.
F8 – É o Vice-presidente?
GSM – Não. O Nandó está do lado do JES, não tem nada a ver connosco. Trata-se de uma pessoa que tem todos os atributos que na devida altura vai aparecer. Ali sim, vamos ver de que lado vai pender a balança. Quanto aos filhos dele, já dissemos, se o próprio JES está em conflito connosco e nós ainda estamos vivos, como é que vai deixar um dos filhos para o substituir, não estamos numa monarquia. Mas se assim for, então preparem as armas porque vamos voltar a guerra. Estão a gozar com isso.
F8 – Senhor Silva Mateus. A política não manda Angola, quem manda Angola é o dinheiro. Vocês não têm o dinheiro, eles têm de mais.
GSM – Mas é fácil também buscarmos o dinheiro. Porque se formos no estrangeiro e firmarmos alguns acordos, segundo o qual nós vamos derrotar esses homens, trazemos dinheiro também, promessas e alguns financiamentos. Porque todos eles sabem que mais tarde ou mais cedo este regime cai. O regime já está podre, só falta um empurrãozito para cair.
F8 – Qual é a vossa relação com outros partidos políticos?
GSM – Estamos bem. Já fizemos sair uns documentos, deploramos apenas alguns comportamentos e o pronunciamento de indivíduos que nem sequer deviam falar em nome do MPLA, o caso do homem da informação do MPLA, Rui Falcão. Não sei de onde veio, não sei se é do 25 de Abril. Se quiser fazer um confronto em termos de militância, estou disposto, tanto televisivo ou a nível de rádio, inclusive para quem quer que seja que se considera militante do MPLA. Portanto, o nosso relacionamento com outros partidos da oposição é bom. Enquanto eles são da oposição, nós somos contestatários. Ora, a oposição e contestação, podem acertar algumas ideias para avançarmos sobre determinados princípios que beneficiam todos nós. Não há nenhum problema nisso.
F8 – Diz que não está de acordo com o Rui Falcão?
GSM - Estava a dizer que o Falcão disse que a UNITA está a fazer, o Samakuva, isto é infantilismo, porque ele não disse nada e o Falcão ao acusar Samakuva devia ter dito, Samakuva disse isto e aquilo. Estou aqui a dizer, mais tarde ou mais cedo e quando estivermos aborrecidos com esta situação, vamos sair à rua. Com machados ou picaretas, vamos sair à rua. Então que morramos todos.
F8 – Agora é que vão dizer, que estão a incitar a desobediência civil.
GSM – Não estou a incitar a desobediência civil coisa nenhuma.
F8 – Assume o que está a dizer?
GSM – Assumo o que estou a dizer, isto um dia poderá acontecer quando nos fartarmos.
F8 – O problema é que vão dizer que Silva Mateus é maluco, não está bom da cabeça!
GSM – Muitos pensaram que eu fosse maluco. Eu sou responsável e estou dentro das minhas faculdades mentais, e o próprio JES sabe.
F8 – Para comemorar o aniversário do PR durante um mês, fez-se festas, com a FESA inauguraram hospitais, escolas, um bom exercício de imagem. Estamos em plena comemoração do 17 de Setembro, dia do herói nacional. Não há ciúmes?
GSM – A FESA tem feito trabalho que o governo devia fazer. Mas tudo isso para dizer que não é o governo, é José Eduardo, e JES é a FESA. A FESA vai fazendo em nome de JES quando devia ser o governo a fazê-lo. Tudo isso na devida altura será também bem visto. Temos estado a dizer que tudo o que se faz, tem o seu termo. Basta um dia que as coisas virarem, esta FESA pode ser extinta, desaparece. Nós vimos até países onde inclusive depois os nomes foram proibidos de serem pronunciados. Aqui não há FESA, nem Zédú, nem coisa nenhuma. Quanto ao Agostinho Neto, nós já dissemos várias vezes, que Agostinho Neto não é herói nacional, é herói do MPLA. Porque tudo que Agostinho Neto fez de bom para este povo, este país, foi diluído no 27 de Maio. Agostinho Neto mandou matar tudo, a fibra flor de Angola, num total de 80 mil elementos. Por isso não pode ser herói. Herói sim de matança. Ali talvez eu concorde com isso.
F8 – Última questão. Segundo se cogita, Francisca do Espírito Santo rua de Luanda, vai entrar um militar e General como o senhor Silva Mateus, parece que a intenção é de tentar calar todas essas reivindicações. Luanda é a capital, não pode ter confusão. Não teme que Higino Carneiro venha a criar obstáculos ao vosso projecto?
GSM – Falando de Higino Carneiro, ele que apareça para fazermos o Chek-up da nossa militância, tanto a nível político como a nível militar. Porque eu sou um militar não do 25 de Abril. Sou um militar desde 1968, Não tememos nada porque os generais não comandam tropas, dirigem, quem comanda tropas são os sargentos e capitães e os capitães estão connosco. E a própria tropa, a própria polícia que pensam que um dia vão sair contra o povo, não vão sair. Porque estes mesmos militares e polícias, seus pais, mães, também estão lá no musseque a sofrer connosco. Então é preciso que eles tenham consciência disso. Aqui não há mais armas, não há mais intimidações, não há mais violência física, vamos fazer confronto ideológico, confronto de ideias.
F8 – Mas eles ignoram tudo isso, tal como ignoram a todos vocês!?
GSM – Que ignorem até que um dia o povo vai lhes ignorar. De momento vão nos ignorando, nós vamos fazendo o nosso trabalho, até que um dia o povo também lhes vai ignorar.
F8 - Uma mensagem muito breve para o povo no geral e os militantes do MPLA em particular?
GSM – Aos militantes do MPLA é terem calma. Vamos aguardar, até 2012 nas próximas eleições, vamos ter um candidato. Para o povo angolano é preciso ter calma, o Rui Falcão é que está a incitar, não é a UNITA ou Samakuva. Porque nós vimos em 77, o agudizar de algumas palavras, isto e aquilo quando finalmente em segredo, eles estavam a preparar o ambiente psicológico para depois matarem. Porque o bater no ferro quente, veio muito antes do próprio 27 de Maio, já se falava. Não sei se ele falou em nome da direcção do MPLA, porque eu gostaria que a direcção do MPLA se pronunciasse.
F8 – Foi depois da reunião do Bureau político em que esteve presente o PR e que ele foi o porta-voz.
GSM – Então, é uma assunção da ala presidencialista do JES. Devem ver que estes pronunciamentos anunciam o prelúdio de mais qualquer coisa. Por isso, povo angolano, vamos ter calma, vamos gerir esta fase com ponderação, não responder a insultos, não fazermos provocações, mas sem nos intimidarmos e nos calarmos em função a situações que consigamos detectar ou ouvir.
Setembro2010
Letter from David

Dear Manuel,
We have come to Birmingham this week with a very clear message: the challenges facing Britain today - a war in Afghanistan, huge national debts at home, public services that desperately need change, social breakdown - require the whole country to pull together to meet them.
Conservatives and Liberal Democrats have formed a government which puts the national interest first, stopping all the bickering and point-scoring to work together for the good of our country.
But overcoming our national problems needs more than two parties coming together. In my speech today - which you can watch here - I said we need a coalition of the British people: a cross-country recognition that we all have a part to play.
Watch our latest Party Political Broadcast: Working together in the national interest
Take our plans to strengthen our economy. This government is doing its bit - not just by dealing with the deficit and restoring sound finances - but by encouraging enterprise through incentives like the Enterprise Allowance and more attractive business taxes.
But the success of our economy depends ultimately on people playing their part - entrepreneurs seizing these opportunities, creating wealth, jobs and opportunities for others. A pro-enterprise government and pro-active, go-getting people: together we will build a strong, prosperous economy.
So this is our message and this is our aim: not just to do our duty as a government, but to stir a spirit of national unity and resolve; to lift the national heart to the challenges we share.
A Opiniao de Adelson Rafael
Província da Zambézia: “Um diamante por lapidar”?
Adelson Rafael, Académico:
adelson.rafael@gmail.com
O diamante é uma forma alotrópica do carbono, de fórmula química C. O diamante recebeu este nome devido a sua dureza (do grego adamas = indomável). É considerado perdurável justamente por não haver nada comparável a sua dureza, sendo o mais resistente material de ocorrência natural que se conhece, com uma dureza de 10 (valor máximo da escala de Mohs). Diferente do que se pensou durante anos, os diamantes não são eternos pois o carbono definha com o tempo, mas os diamantes duram mais que qualquer ser humano. Suas características peculiares fizeram com que o diamante não fosse talhado durante muitos anos. A lapidação consiste em talhar a pedra em bruto visando ressaltar sua cor e brilho naturais. As gemas apresentam beleza, cor, dureza, durabilidade e esplendor, qualidades estas que permitem fazer com que elas atinjam altos valores, tanto as que se encontram no estado bruto por lapidar quanto as lapidadas. O Lapidário deve ser um artesão habilidoso, que precisa usar o seu bom senso, adquirido com longos anos de experiência, para apresentar a beleza completa de um diamante. Segundo os padrões da “Federal Trade Commission” (USA, 1986), um diamante perfeito é aquele no qual não aparecem imperfeições.
A Província da Zambézia, com 13% da superfície total do País, tem uma área de 103.127 Km², é a segunda maior província de Moçambique, e a segunda mais populosa com 3.892.854 habitantes (Censo de 2007), ou seja, aproximadamente 18,92% da população total de Moçambique, representando um aumento de 31,1% em apenas dez anos. O topónimo Zambézia foi criado em 1858 por decreto régio, abrangendo as capitanias de Quelimane e “Rios de Sena” (o Zambeze). O que hoje chamamos província da Zambézia foi durante muito tempo o “distrito de Quelimane”, criado em 1817, extinto e incorporado no de Sena em 1829 e reposto em 1853. Dando crédito aos indicadores sócio demográficos e macro económicos da província da Zambézia apresentados pelo relatório nacional do desenvolvimento humano referente ao ano de 1999, a província da Zambézia apresentava a dez anos atrás o menor índice de desenvolvimento humano (IDH) em Moçambique, possuía a esperança de vida a nascença mais baixa de todas as províncias: 38 anos para as mulheres e 36 anos para os homens; taxa de mortalidade infantil (0-5 anos) mais altas do País (306,2 óbitos por mil nados vivos); taxa de analfabetismo (70,3%); A economia representava cerca de 10% do PIB de Moçambique, mas o orçamento (Corrente e de investimento) atribuído a Zambézia foi 3,1% do orçamento geral de estado total, o que correspondia a USD 5,00 per capita; O perfil provincial da Zambézia indicava uma incidência da pobreza de 68,1%, isto é, cerca de 2,1 milhões de pessoas no ano de 1997 viviam abaixo da linha da pobreza.
Segundo de características seleccionadas, os resultados do Inquérito de Indicadores Múltiplos (2008) mostram que a taxa liquida de frequência escolar nas crianças em idade escolar primária (6-12 anos de idade) na província da Zambézia é 83%; taxa liquida de frequência escolar entre crianças de 13 – 17 anos é 8,1%; Crianças com idade para frequentar o ensino secundário frequentado o ensino primário (57,4%); Taxa de conclusão do ensino primário (6,4); Taxa de transição para o ensino secundário (67,4%). Note-se que Zambézia tem a relação alunos por professor no ensino primário mais elevada do País (88 alunos por professor) sendo a media nacional (73 alunos por professor), e o maior rácio no distrito de Milange (150 alunos por professor) de acordo com o Relatório comum (9º Reunião Anual de Revisão, 27 de Março de 2008 realizada em Maputo).
A província detém o maior número de escolas incompletas – 471, seguida da província de Nampula com 238 escolas, dentro as 1200 escolas identificas pelo EFA – Fast Track Iniciative (O Fundo Catalítico é patrocinado pelos doadores activos no sector de educação em Moçambique, sendo que a sua gestão ficará a cargo do Banco Mundial, funcionando como um acréscimo aos compromissos que os referidos doadores já concederam para o orçamento da educação de Moçambique em 2008 e 2009, estes fundos advêm da promessa assumida pelos parceiros internacionais durante a Conferência Mundial de “Educação para Todos”, realizada em Dacar no ano 2000) como um desafio a eliminar a curto prazo. A taxa de analfabetismo da população adulta a nível da província é 62,6%, que demonstra ser um dado preocupante, apesar da redução que se tem vindo a observar.
De acordo com o relatório “Pobreza & Bem – Estar em Moçambique (3ª Avaliação Nacional)” aprovado pelo Conselho de Ministros no dia 21 de Setembro de 2010, que apresenta uma avaliação quantitativa da situação da pobreza em Moçambique em 2008/09 e suas tendências associadas, que foi elaborado com base nos dados do Inquérito aos Orçamentos Familiares realizado entre Setembro de 2008 a Agosto de 2009, que apresenta indícios sólidos de um progresso significativo de uma quantidade de indicadores não-monetários de pobreza tanto a nível nacional como regional, mas que a província da Zambézia (26 pontos percentuais) e Sofala (22 pontos percentuais) destacam-se como as duas províncias com os maiores aumentos nos índices de incidência da pobreza desde 2002/03. Tanto em zonas rurais como urbanas, as províncias de Sofala e Zambézia demonstram as maiores quedas em termos de pobreza na óptica de consumo, o que corresponde a uma queda no número médio de refeições declaradas consumidas [Indicadores de pobreza baseados em bens alimentares: (i) o número médio de refeições por pessoa por dia; e (ii) a proporção de bens alimentares no consumo total, onde famílias com uma proporção maior que o limiar predeterminado são classificadas como pobres], fundamentada na Lei de Engel que afirma que “à medida que o rendimento aumento, a proporção do rendimento gasta na alimentação diminui”.
Diante do exposto nos parágrafos precedentes, evidenciando os dramáticos indicadores sócio demográficos e macro económicos da província da Zambézia, convém partilhar e evidenciar os programas relevantes que ocorreram no mesmo período na província:
Na sequência da avaliação Plano Estratégico de Desenvolvimento da Província da Zambézia (2001 – 2005), o Governo da Província da Zambézia, elaborou o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Província da Zambézia para o período de (2006 – 2010), instrumento orientador com vista ao desenvolvimento da província, tendo como fundamentação dos objectivos estratégicos da província, em termos de macro objectivos, a médio e longo prazos, continua a ser a redução da incidência da pobreza absoluta. Na prossecução deste objectivo e no que se refere a política macroeconómica são relevantes os seguintes objectivos específicos: (a) Promoção da estabilidade macroeconómica; (b) Promoção do crescimento económico; (c) Aumentar os rendimentos dos produtores, particularmente agrícolas; (d) Melhoria da gestão das finanças públicas; (e) Incremento de cobranças de receitas; (f) Melhoria de afectação de recursos; (g) Aumentar o acesso e a qualidade dos serviços sociais básicos que possam melhorar os níveis de vida das populações; (h) Modernizar a administração pública e promover a boa Governação; (i) Capitalizar o comércio externo e as relações transfronteiriças, e regionais com base nas vantagens comparativas que a província apresenta e em termos de desenvolvimento rural: (a) promoção da gestão produtiva e sustentável dos recursos naturais e do ambiente; (b) Aumento da competitividade, produtividade e acumulação de riqueza rural; (c) expansão do capital humano, inovação e tecnologia; (d) Diversificação do capital social, eficácia e eficiência institucional;
O que deu errado? Os objectivos estratégicos eram exageradamente ambiciosos ou irrealistas?
A província da Zambézia continua “hibernando”, como um diamante por descobrir, e talvez num futuro que desejo breve, um “diamante por lapidar”, pois os avanços foram insuficientes nos últimos dez anos, se usarmos os indicadores de progressos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), diria simplesmente que não houve nenhum progresso de realce e significativo. A província da Zambézia precisa de uma clarividente visão estratégica, grandes investimento e cometimento para a redução da incidência da pobreza absoluta como mecanismo de reversão dos péssimos indicadores sócio económicos. Na ausência de maior coerência e harmonização, os esforços correm risco de não serem suficientes para a redução da incidência da pobreza na provincia da zambezia, pois são necessárias acções – distintas, porem, relacionadas – para o alinhamento dos programas, das politicas, das estratégias visando a união em favor dessa luta.
Zambézia, se a visão estratégica de redução da incidência da pobreza pelo qual seguimos ate hoje não nos levou a local nenhum, mudemos de estratégia. E, se for preciso mudar de novo, façamos. Não importe quantas vezes erremos, o que importa é o quanto estamos aprendendo com o nosso erro para encontrar a melhor estratégia de redução da incidência da pobreza. Chegou a hora de ousar e actuar de forma decisiva. Qualquer outra atitude seria impensável. Zambézia não se pode dar ao luxo de falhar mais uma vez. Longe de esgotar o assunto, a presente analise ora apresentada espera ter fornecido insumos para futuras discussões sobre a visão estratégica requerida num futuro breve para talhar esse “diamante” em bruto visando ressaltar todo o potencial que possui.
A Opiniao de Antonio Nucifora
Sobre os tumultos em Moçambique: Será que os subsídios são a solução?
Os recentes tumultos em Maputo foram provocados pelos aumentos no custo de vida e os mesmos levantarem preocupações sobre a possível repetição da crise mundial de alimentos e combustíveis de 2008.
Mas desta vez os tumultos foram pelo menos causados tanto em resultado de políticas nacionais mal concebidas assim como da volatilidade dos preços a nível internacional.
Nas vésperas das eleições de Outubro de 2009, o governo adoptou políticas populistas de manter a taxa de câmbio sobrevalorizada, ao mesmo tempo que subsidiava o preço dos combustíveis, e congelava qualquer aumento nas tarifas de bens de utilidade pública.
Estas intervenções foram progressivamente desfeitas em 2010. Nos doze meses até Julho de 2010 o metical depreciou por aproximadamente 30 por cento em relação ao Dólar dos EUA e o ao rand Sul-Africano, e por cerca de 20 por cento em relação ao Euro.
O impacto destes ajustes foi piorado pela tendência da subida dos preços dos alimentos e combustível nos recentes meses, resultando num aumento rápido no custo de vida. Isso criou dificuldades significantes para os mais pobres, que já batalham para adquirir alimentos e satisfazer necessidades básicas.
Assim quando um novo círculo de aumentos nos preços foi anunciado para 6 de Setembro, incluindo tarifas da água e electricidade, mas o mais importante sendo um aumento de aproximadamente 20 por cento no preço de pão, despoletaram protestos violentos.
O governo fez uma volta-face rápido e restabeleceu os subsídios, realçando que tal era necessário para proteger os pobres. Não existem muitas dúvidas de que esta foi uma medida sábia para se tranquilizar a situação, e projectar uma resposta adequada de longo prazo. Mas estes subsídios não são nenhuma panaceia para os pobres. Na realidade, eles são altamente regressivos.
Aproximadamente 70 por cento do dinheiro gasto em subsídios sobre os combustíveis vai para os 20 por cento da população mais rica, e quase nenhum desse chega aos pobres (vide o gráfico)1. Aproximadamente 60 por cento dos subsídios para a consume da electricidade doméstica beneficia o quintile mais rico e somente 4 por cento beneficia o quintile mais pobre. Mesmo no caso do pão, tanto quanto 42 por cento do subsídio sobre a farinha de trigo beneficia o quintile mais rico e somente 6 por cento atinge o quintile mais pobre.2
Para se estar seguro, as medidas que o governo introduziu alguns semanas atrás eram mais a favor dos pobres: os aumentos nas tarifas de serviços foram congelados para volumes de consumo baixos, mas foram mantidos para níveis de consumo mais altos; de igual forma a remoção da tarifa (muito baixa) sobre a importação do arroz só será para o arroz de 3a classe. Em relação ao combustível, o governo anunciou a intenção para passar a subsidiar o transporte urbano que é claramente menos caro e melhor virado para os pobres que o actual subsídio sobre o diesel indiscriminado.
Porém, o ponto geral é que os actuais subsídios (sobre o combustível, electricidade, água, e agora pão) beneficiam principalmente aos ricos. O governo deveria substituir estes subsídios com programas de protecção social melhor dirigidos que realmente beneficiam o pobre.
Agora que a situação está tranquilizada, o governo precisa encorajar um debate aberto sobre realmente quem beneficia dos actuais subsídios. Esta também seria uma oportunidade para focalizar no problema real, isto é que apesar do crescimento muito alto da taxa do PIB, a actual estratégia de desenvolvimento de Moçambique não funciona.
O actual modelo de desenvolvimento que focaliza em investimento público em infra-estruturas, que atrai mega projectos (que são de capital intensivo), e que aumenta o acesso aos serviços públicos (educação, saúde, água e electricidade, e mais recentemente combustível subsidiado) não está trazendo o almejado aumento no emprego e produtividade que se exige para reduzir a pobreza.
É necessária uma estratégia de crescimento económico com base no trabalho intensivo para se reduzir a pobreza e melhorar as condições de vida.3
A diversificação da economia em sectores de trabalho intensivo (agricultura, agro-processamento, manufactura, turismo, etc) e o aumentando da competitividade da produção doméstica para substituir as importações e diversificar as exportações requer uma nova estratégia focalizada em eliminar as barreiras ao investimento privado (tanto nacional como estrangeiro).
Para alcançar esse estágio, Moçambique precisa remover a quantia excessiva de regulamentos que restringem a actividade económica, simplificar o regime comercial e fiscal, reduzir os custos de contratar e despedir trabalhadores, melhorar as qualidades da sua mão-de-obra, eliminar a rigidez sobre o uso da terra, fortalecer a logísticas dos transportes e os padrões de qualidade, enquanto mantém políticas macroeconómicas sãs (políticas fiscal, monetária e cambial).
Enquanto que a curto prazo há boas razões para manter alguns (melhor dirigidos) subsídios, acelerar reformas para esta nova estratégia de crescimento económico seria a melhor resposta a longo prazo para os tumultos.
Nota: Esta é a versão traduzida em Português. Caso haja imprecisões, por favor de consultar o texto original em Inglês.
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1 World Bank (2008). Higher Food and Fuel Prices: Impacts and Responses for Mozambique. Report No. 47455-MZ. Washington. D.C.
2 As políticas convulsivas que afectam os derivados dos cereais (incluindo pão) merecem uma atenção especial. As tarifas de importação e o IVA sobre os produtos alimentares foram eliminadas (ou reduzidas para 2,5 por cento), excepto em relação aos 20 por cento de tarifa (15 por cento para os países da SADC) sobre cereais moídos (farinha de trigo e de milho). Tal resulta na subida dos preços do trigo a nível nacional que é pago pelos consumidores nacionais e protege/beneficia a indústria de moagem nacional (principalmente constituída por 4 companhias). Este subsídio vale cerca de 0,3 por cento do PIB (o que é mais do que é gasto anualmente em programas de protecção social). Seria possível reduzir o preço da farinha de milho e de trigo a nível nacional através da simples remoção desta tarifa sobre os cereais moídos (possivelmente em paralelo ao apoio directo à indústria moageira para permitir um ajuste gradual desta indústria para a concorrência internacional). No lugar disso, o Governo decidiu manter a tarifa, o que mantém o preço da farinha e pão artificialmente alto e a introduzir um subsídio em separado às padarias por forma a voltar a baixar o preço nacional do pão.
3 World Bank (2010). Mozambique Country Economic Memorandum: Reshaping Growth and Creating Jobs through Trade and Regional Integration. Washington. D.C.
A Opiniao de Antonio Nucifora
On the riots in Mozambique: Are subsidies the solution?
Submitted by Antonio Nucifora on Thu, 2010-09-30 14:21
Portuguese version here
The recent riots in Maputo were triggered by increases in the cost of living, and they raised concerns of a possible repeat of the 2008 food and fuel price crisis around the world.
But this time the riots were at least as much the result of misguided domestic policies as of international price volatility.
In the run up to the October 2009 elections, the government pursued populist policies of keeping the exchange rate overvalued, subsidizing fuel prices, and freezing any increases in tariffs of public utilities.
These interventions have been progressively undone in 2010. In the year to July 2010 the metical depreciated by approximately 30 percent with respect to the US Dollar and the South African rand, and by some 20 percent against the Euro.
The impact of these adjustments was compounded by the upward trend in food and fuel prices in recent months, resulting in a rapid increase in the cost of living. This created significant difficulties for the poorest, already struggling to buy food and basic necessities.
So when a new round of price increases was announced for September 6, including water and electricity tariffs, but most important an approximately 20 percent rise in the price of bread, violent protests erupted.
The government did a swift u-turn and reinstated the subsidies, emphasizing that this was necessary to protect the poor. There is little doubt that this was a wise measure to calm down the situation, and design an adequate long-term response. But these subsidies are no panacea for the poor. In fact, they are highly regressive.
Approximately 70 percent of the money spent on fuel subsidies goes to the richest 20 percent of the population, and almost none of it reaches the poor (see graph)1. Approximately 60 percent of subsidies for household electricity consumption benefit the richest quintile and only 4 percent benefit the poorest quintile. Even in the case of bread, as much as 42 percent of a subsidy to wheat flour benefits the richest quintile and only 6 percent reaches the poorest quintile.2
To be sure, the measures the government introduced a few weeks ago were more pro-poor: the increases in utility tariffs were frozen for low consumption volumes, but were maintained for higher consumption levels; similarly the removal of the (very low) import tariff on rice was only for 3rd class rice. On fuel, the government announced the intention to move to subsidizing urban transport which is clearly less costly and better targeted to the poor than the current blanket diesel subsidy.
However, the general point is that the existing subsidies (to fuel, electricity, water, and now bread) mostly benefit the rich. The government should replace these subsidies with better targeted social protection programs that really benefit the poor.
Now that things have calmed down, the government needs to encourage an open debate about who really benefits from the existing subsidies. This would also be an opportunity to focus on the real problem, namely that despite very high GDP growth rates, Mozambique’s current development strategy is not working.
The current development model focusing on public investment in infrastructure, attracting mega projects (which are capital intensive), and increasing access to public services (education, health, water and electricity, and more recently subsidized fuel) is not bringing the needed increase in jobs and productivity required to reduce poverty.
A more inclusive, labor-intensive economic growth strategy is needed to reduce poverty and improve living standards.3
Diversifying the economy into labor-intensive sectors (agriculture, agroprocessing, manufacturing, tourism, etc) and increasing the competitiveness of domestic production to replace imports and diversify exports requires a new strategy focused on eliminating the barriers to private investment (both domestic and foreign).
To achieve this, Mozambique needs to remove the excessive amount of regulations that restrain economic activity, simplify the trade and tax regime, reduce the costs of hiring and firing workers, improve the skills of its labor force, eliminate the rigidity in land tenure, strengthen transport logistics and standards, while maintaining sound macroeconomic policies (fiscal, monetary and exchange rate policies).
While in the short-term there are good reasons to maintain some (better targeted) subsidies, accelerating the speed of reforms for this new economic growth strategy would be the best long-term response to the riots.
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1 World Bank (2008). Higher Food and Fuel Prices: Impacts and Responses for Mozambique. Report No. 47455-MZ. Washington. D.C.
2 The convoluted policies affecting wheat products (including bread) merit a special mention. Import tariffs and VAT on food products have been eliminated (or reduced to 2.5 percent), except for a 20 percent tariff (15 percent for SADC countries) on milled grains (wheat and maize flour). This results into higher domestic price of flour which is paid by domestic consumers and protects/benefits the domestic milling industry (the bulk of which is constituted by 4 companies). This subsidy is worth about 0.3 percent of GDP (that is more than is spent annually on social protection programs). It would be possible to reduce the domestic price of wheat and maize flour by simply removing this tariff on imported milled grain (possibly to be combined with temporary direct assistance to milling industry to allow a gradual adjustment of this industry to external competition). Instead the government has decided to maintain the tariff, which keeps the price of flour and bread artificially high, and to introduce a separate subsidy to the bakeries in order to lower back the domestic price of bread.
3 World Bank (2010). Mozambique Country Economic Memorandum: Reshaping Growth and Creating Jobs through Trade and Regional Integration. Washington. D.C.
Tuesday, 28 September 2010
Estaremos no mesmo pais??
Ha sensivelmente 15 dias que me encontro na ex-Cidade de Quelimane! Mas ja me sinto como se estivesse a viver no seculo XX! As ruas sao nao apenas um pesadelo, como uma enorme dor de cabeca tanto para os pedestres, ciclistas condutores de veiculos motorizados ou nao! O ar esse, faz-me recordar algumas vilas! Quando um carro passa, os transeantes levam as maos as narinas para evitar sorver toneladas de poeira!
Celular? Essa invencao apenas serve para adornar as pastas das senhoras. por dia os celulares funcionam quando muito duas horas ao dia!
Os bancos, esses miseros servidores publicos funcionam quando muito tres horas por dia, devido a cronica falta de sistema!
A TVM local, dizem as mas bocas que ficou muda porque a EDM cortou a energia eletrica, alegadamente por falta de pagamentos!
O caro leitor ja deve estar a perguntar, sera que algo funciona em Quelimane?
Tirando o restaurante Grelha, a Radio Quelimane FM, nao sei se existira nesta cidade algo que funcione como deve ser!
Como chegamos a este porto?
Um abraco desabafante,
MA
Friday, 24 September 2010
IANSA Update 23.09.10
* German gun owner goes on trial in Winnenden
* Canada: Vote result on Long Gun Registry
* 21 September International Day of Peace
* USA: Armed domestic violence
* Brazil: Disarming the Mind
* Other news: IANSA reforms and the recruitment of a new Director
Last week in Germany, Joerg Kretschmer, the father of a teenager who shot dead 15 people and then himself on 11 March 2009 at Albertville Secondary School in Winnenden, went on trial. He is accused of violating German gun laws by failing to properly secure and store his 9mm Beretta pistol, the gun used by his son. Following the school shooting, the German government introduced an amnesty for illegally held weapons, and over 200,000 guns were handed in. The trial is expected to last 27 days.
www.iansa.org
On 22 September, Members of parliament in Canada voted 153 to 151 to defeat Bill C-391 that would have ended the country's mandatory registry for rifles and shotguns. This means that Canadians must continue to report ownership of weapons to the firearms registry, ensuring that data remains accessible to law-enforcement authorities. "I think many of us will be relieved for a couple of days, but we have a prime minister who has said he is committed to dismantling the registry, we have opposition parties talking about measures they plan to introduce. We won't rest", said Wendy Cukier, President of the Coalition for Gun Control at a press conference following the vote.
http://www.guncontrol.ca/English/Home/C391/C391.htm
The IANSA network once again demonstrated its energy and commitment by joining others around the world to mark the International Day of Peace (IDP) on 21 September, a global call for ceasefire and non-violence. This year is also the African Union's Year of Peace and Security in Africa and the UN International Year of Youth. This year's IDP also coincided with the launch of The African Decade for Women, from 2010-2020.
http://www.iansa.org/whats-new/idp2010.htm
In the USA, black females murdered by men are most often killed with a gun, almost always by someone they know according to the new Violence Policy Center (VPC) report. 'When Men Murder Women: An Analysis of 2008 Homicide Data' details national and state-by-state information from the USA on female homicides involving one female murder victim and one male offender. Firearms - especially handguns - were the most common weapon used. "These findings alarmingly demonstrate how domestic violence can escalate to homicide. More resources need to be made available to protect women and prevent such tragedies", said Kristen Rand, VPC Legislative Director.
http://www.vpc.org/studies/wmmw2010.pdf
In Brazil, Instituto Sou da Paz is selecting two projects by young people to 'Disarm the Mind' with a focus on gun control and alternatives to armed violence. "Armed violence kills each year more than 34 000 people in Brazil. The spread of the culture of armed violence is still great. Homicides, suicides and accidents happen every day with guns", says Alice Andres Ribeiro, Project Coordinator. "So we are looking for ideas to help raise awareness of the importance of the topic in a lively, interesting and dynamic way", she added.
http://www.soudapaz.org/Default.aspx?alias=www.soudapaz.org/jovememacao
Other news:
As you may know, we are entering an exciting phase of reforms which will change the way IANSA works and how members are involved in decision making to further strengthen and build our movement. All of the reform documents and details of the process are on the IANSA website at: http://www.iansa.org/iansa_restructure_docs.htm
The deadline for nominations to the new IANSA Board is 30 September. The current Board will select new Board members by 31 October 2010.
We have started the process of contacting each of you to establish your new membership status according to the new Membership Categories and Criteria.
We are also planning to change the IANSA website and need your feedback. We would like the new site to reflect your needs. Please write to us at Ranveig.Svenning@iansa.org to tell us if there is any particular part of it that you currently use and would like us to keep.
We are recruiting a new Director to provide strategic and dynamic leadership to the network from the London-based Secretariat. Closing date for applications: 18 October 2010
http://www.iansa.org/jobs/documents/iansa_director_JD_2010.pdf
Please send your news and stories for the Update to ranveig.svenning@iansa.org
A Opiniao de António Zefanias
O 25 de Setembro será no sábado
Ohh antigos Combatentes digam-nos a verdade
O país assinala este sábado a passagem dos 46 anos do inicio da luta de libertação nacional, que se assume ter iniciado a 25 de Setembro de 1964.
Só que durante este tempo todo, fomos ouvindo coisas atrás de coisas. Ou seja, para ser mais directo, aqueles que se dizem protagonistas desta luta, vem cada um a sua maneira, dizer o que pensa.
Os livros dizem uma coisa, claro, estes livros produzidos e que fomos usando para aprender o ABC, mas por vezes sentimo-nos traídos por aquilo que aprendemos e aquilo que nos dizem.
Por exemplo, há um debate que questiona a autoria ou 'paternidade do primeiro tiro a Alberto Chipande, tiro esse que alegadamente deu inicio a luta de libertação nacional. Alias, ele mesmo tem o dito.
Mas nos últimos tempos, há também uma outra face, como a do General Bonifácio Gruveta Massamba, que diz não entender porquê o seu companheiro Chipande, estar reclamar a autoria do primeiro tiro.
Pegando nas suas palavras, ditas no dia 7 de Setembro de 2010, numa palestra dada aos estudantes da Universidade Mussa Bin Bique, Gruveta, diz que ouviu o primeiro tiro a partir de Lugela, onde esteve Eduardo Nihia.
Naquela tarde, a sala “gelou” de alegria, porque as palavras de Gruveta, um respeitado general na reserva, vieram levantar mais um debate. Pena é que depois um grupo de pessoas, veio defender outra 'verdade', mas em vão pois, as palavras do General já haviam saído.
Dai que este 25 de Setembro, que se assinala neste sábado, peço para falarem a verdade pelo menos, porque assim também não é bom. Estão a espera de quem oh combatentes.
Na Zambézia: Director da Educação assaltado
Enquanto Jose Pereira, director provincial de Educação e Cultura da Zambézia, desdobrava-se em falar de desmantelamento de esquemas no seu sector, os malfeitores entravam na sua casa e na direcção provincial. O que se passa? Será simples concidência?
Quelimane (DZ)- Trata-se do director provincial de Educação e Cultura na Zambézia, José Luís Pereira, que nos últimos dias não anda sossegado.
Pereira, foi assaltado a pouco menos de duas semanas, por um grupo de malfeitores que entraram na sua residência, tendo lhe retirado alguns bens.
Fontes próximas ao Diário da Zambézia, informaram que na altura da ocorrencia, o director Pereira estava ausente da Cidade de Quelimane, em mais uma missão de serviço no distrito nortenho de Gurúe, onde esteve a orientar mais um Conselho Coordenador do seu sector.
Assalto também na Direcção Provincial
José Luís Pereira, deve estar com as calcas molhadas e ao que tudo indica, o sono não vem nos últimos dias, porque depois de sofrer assalto na sua residência, os malfeitores, também seguiram a mesma linha.
Numa noite, houve assalto na Direcção Provincial de Educação e Cultura, onde os meliantes, fizeram refém o guarda em serviço. E para lograrem os seus intentos, os mesmos, vandalizaram a rede de vedação e dai entraram no interior do recinto. Como o guarda estava imobilizado, porque tinha os membros, a boca e a vista amarrados para evitar socorro, os meliantes, escangalharam viaturas e tiraram alguns bens, incluindo uma motorizada de um dos funcionários.
Coincidência?
Os assaltos a residencia de Jose Luis Pereira bem como a Direccao Provincial de Educação e Cultura na Zambézia, surgiram logo depois de este ter aparecido em ecrãs de televisão, dizendo que já havia desmantelado uma rede, ou seja, havia sido detectada a fonte onde as famosas horas extras começavam. O director da Educação avançou que os protagonistas destas fraudes financeiras são funcionários da sua direcção, dai que seguintes os procedimentos, os mesmos já foram encaminhados aos órgãos de justiça para os devidos efeitos.
E não só, a fonte sublinhava também que no âmbito destas operações levadas a cabo, foi encontrada uma “máquina” de fabrico de certificados falsos. Quer dizer, havia um grupo de funcionários que se dedicavam a emissão de certificados falsos.
Depois destas aparições parece que os lesados não terão gostado. Não se sabe ao certo quais as motivações, mas a verdade é que José Luís Pereira, director da Educação, foi assaltado na sua própria residência, localizada numa area considerada 'segura'.
Este é o primeiro assalto por nos registado à residencia de um membro do Governo provincial.…………………………...DZ
Thursday, 23 September 2010
International Finance Corporation
Contactos:
Em Maputo
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Em Johannesburg
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Programas de Serviços de Assessoria do IFC associam-se ao BCI para apoiar 200 Mulheres Empresárias em Moçambique
Maputo, Moçambique, 14 de Setembro de 2010 — O IFC, um membro do Grupo do Banco Mundial, anunciou hoje a assinatura de um acordo com a duração de dois anos, com o Banco Comercial e de Investimentos (BCI), com vista a expandir o acesso ao seu programa de PME’s através das ferramentas de formação e informação sobre gestão de negócios conhecidas por Business Edge e SME Toolkit, a 200 mulheres empresárias, o que vai ajudá-las a melhorar a sua capacidade de gestão empresarial facilitando o acesso a mercados e a recursos financeiros.
Os Programas Women in Business (WIN) e SME Management Solutions (SMS) do IFC vão associar-se para providenciar as ferramentas Business Edge e SME Toolkit a mulheres empresárias durante os próximos dois anos. A componente de formação vai abarcar tópicos como Gestão de Custos, Orçamentação, Planeamento de Negócios, Acesso a Oportunidades de Mercado, Gestão de Clientes, Vendas e Estratégias de diferenciação de mercados.
As mulheres empresárias moçambicanas serão divididas em três grupos: 1) Mulheres em condições de aceder a empréstimos, com negócio estabelecido e que tenham sido clientes do BCI durante os últimos 3 anos; 2) Mulheres com relações de mais de 3 anos com o BCI e 3) Mulheres sem qualquer relacionamento com o BCI mas com potencial para se tornarem clientes.O BCI é um cliente de investimento do IFC
Zouera Youssoufou, Chefe de programa Women in Business do IFC, disse: “Esta é uma excelente oportunidade para o IFC trazer toda a variedade do seu trabalho de assessoria para apoiar mulheres na área de negócios em Moçambique. Estamos muito entusiasmados com a parceria com o BCI e esperamos ter um grande impacto em Moçambique”.
O IFC vai trabalhar estreitamente com os seus 7 parceiros de implementação em Moçambique, nomeadamente a Escola Superior de Negócios e Empreendedorismo de Chibuto (ESNEC/UEM), Sociedade de Investimentos (GAPI), Formoprojectos, EUROSIS - Consultoria e Formação em Gestão, PROCESS - Consultoria e Formação, International Capital Corporation (ICC) e a BKSC, para ajudar a organizar eventos educacionais, identificar necessidades de formação, adaptar conteúdos, gerir as actividades de formação, garantir a sua qualidade, acompanhar e avaliar o impacto da formação.
Sobre o IFC
O IFC, um membro do Grupo do Banco Mundial, cria oportunidades para as pessoas vencerem a pobreza e melhorarem as suas vidas. Fomentamos um crescimento económico sustentável nos países em desenvolvimento, através do apoio ao desenvolvimento do sector privado, mobilização de capitais para empresas privadas e provisão de serviços de assessoria e mitigação de riscos a negócios e governos. Em 2009, os nossos novos investimentos totalizaram $14.5 biliões, ajudando a canalizar capitais para países em desenvolvimento durante a crise financeira. Para mais informação, visite www.ifc.org.
Sobre o Business Edge
O “Business Edge” é constituido por uma variedade de soluções práticas e flexíveis de formação em gestão, especialmente desenhadas para melhorar o desempenho de pequenas e médias empresas e gestores médios de negócios.
Até ao momento, o Business Edge expandiu-se por mais de 30 países e mais de 120 000 empresários foram formados através de uma rede de 350 formadores certificados. O Business Edge é flexível na sua aplicação e está a reduzir a falta de conhecimentos de populações muito diferenciadas, muitas vezes mal ou mesmo não servidas. 24% de todos os formandos BE são mulheres, os países afectados pela IDA/conflito representam 59% das regiões actualmente servidas pela BE e 26% de todos os formandos BE são provenientes de países afectados por conflitos, como o Iraque e o Iémen.
Parcerias recentes com bancos, instituições de micro-finanças e grandes empresas estão a apresentar novas oportunidades. Foram fornecidos serviços personalizados da BE a clientes, bem como a distribuidores e fornecedores em cadeias de valor empresariais, e a gestores médios. Para mais informações visite www.businessedge-africa.com.
Sobre o SME Toolkit
O SME Toolkit (www.smetoolkit.org) foi lançado pelo IFC em 2002. Na África Subsahariana, a rede do SME Toolkit cobre o Benim, Quénia, Ruanda, Madagáscar, Nigéria, Senegal, África do Sul e Zâmbia. Estes sítios permitem que vários utentes procurem e naveguem em conteúdos, listem os seus negócios e criem páginas Web num directório de negócios acessível. Os utentes podem igualmente ligar-se através da participação em fóruns comunitários de várias línguas sobre tópicos chaves de gestão de negócios. O conteúdo da SME Toolkit pode também ser distribuído em CD-ROM e telemóveis. Em 2006, o IFC associou-se ao IBM (www.ibm.com) para fortalecer e expandir as capacidades do Toolkit.
A nível global, até agora o SME Toolkit está disponível através de 31 locais na Web em mais de 17 línguas em todo o mundo em desenvolvimento. Em muitos destes mercados, não existem, em online, outros recursos de apoio, comparáveis, para as pequenas empresas e em línguas locais. O Toolkit recebe mais de 4.5 milhões visitantes individuais. Para mais informações visite www.smetoolkit.org.
A Opiniao de Ismael Mussa

MDM: Jogos Africanos deviam ser repensados
O Movimento Democrático de Moçambique diz que a questão da organização dos Jogos Africanos devia ser repensada. “... são por aí 250 milhões de dólares que estão a ser investidos para estes jogos. Temos que repensá-los em nome da poupança”.
Nesta edição, o secretário-geral do MDM, Ismael Mussá, em nome do seu partido, apresenta um plano que, na sua óptica, deveria ser seguido pelo governo, visando fazer uma “verdadeira poupança” dos dinheiros públicos, no âmbito das medidas de austeridade anunciadas pelo governo.
Na qualidade de secretário-geral do Movimento Democrático de Moçambique, qual é a análise que faz das decisões anunciadas pelo governo, visando minimizar o custo de vida das pessoas?
Acho que o Governo tomou aquelas decisões num ambiente de muita emoção. Era um momento de nervosismo, agitação e muita emoção, e acabou, se calhar, por tomar estas decisões erradas. O que seria correcto era apresentar as ditas medidas e mostrar em números o que estas medidas trariam, em termos de poupança e contenção para o país. O Executivo deve, de imediato, apresentar à Assembleia da República uma proposta de Orçamento Rectificativo, onde deve demonstrar com clareza que vai poupar X e que o mesmo será aplicado neste e naquele projecto. Só assim é que nós, na qualidade de parlamentares, poderemos fiscalizar, porque o orçamento é aprovado em forma de lei. Neste momento, nenhum deputado estará em altura de compreender as medidas tomadas, o que irá dificultar a sua fiscalização.
Na óptima do MDM, o que deve ser feito para melhorar estas medidas...
Primeiro, essas medidas devem ser transformadas em números. Aliás, essas medidas são de curto prazo, e o que todos nós não sabemos é o que vai acontecer pós-Dezembro, uma vez que as medidas terminam nesse mês. É aí onde todos esperamos por uma resposta a longo prazo do Governo, para se resolver esta questão.
O MDM concorda com o subsídio de 200 meticais por cada saco de trigo?
É preciso reparar, primeiro, que o problema do preço do pão não está no trigo. Está em vários outros factores como a luz e a água que, por sinal, não baixaram para estes escalões. Mais, para aqueles cidadãos fora de Maputo, há que adicionar ainda os custos de transporte. Portanto, o subsídio ao trigo não é sustentável.
Mas ao invés de criticar apenas (...), quais são as propostas do MDM?
Achamos, por exemplo, que a questão da organização dos Jogos Africanos devia ser repensada. Se a memória não me atraiçoa, são por aí 250 milhões de dólares que estão a ser investidos para estes jogos. Temos que repensá-los em nome da poupança. Outra questão tem que ver com as presidências abertas. Apesar de achar que é importante que o presidente dialogue com as populações, mas não deve o fazer via aérea, pois é dispendiosa. O que acho é que o presidente devia repensar nas viagens aéreas e começar a ir por terra. Por exemplo, para visitar a zona centro, pegava voo para Beira e depois usava carro para escalar os restantes distritos de Sofala e de Manica. O mesmo poderá fazer voando para Nampula e visitando os outros distritos, como fazia o presidente Samora e é mais viável hoje. A terceira grande redução de custos é na estrutura do Governo, dado que a actual é muito pesada. Por exemplo, ao invés de termos 28 ministérios (28 ministros e 26 vice-ministros), podemos fundir alguns e, pelos cálculos, teríamos apenas 13.
Fonte: O País online - 20.09.2010