Wednesday, 17 August 2016

QUELIMANE VAI BENEFICIAR DE HABITAÇÕES RESISTENTES AOS EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS.




As Mudanças Climáticas tornaram-se num dos maiores desafios do século XXI. O mundo tem registado um aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos como ondas de calor intenso, cheias, inundações, ciclones e secas que poderão ainda agravar-se no futuro. A sociedade e sobretudo as cidades costeiras que albergam grandes aglomerados populacionais têm que desenhar e implementar planos visando melhor adaptação ao novo contexto sob o risco de ver todos os seus esforços de desenvolvimento comprometidos.
Em Moçambique, a cidade de Quelimane por exemplo, tem sido bastante vulnerável aos efeitos das Mudanças Climáticas. Situada abaixo do nível médio das águas do mar e no estuário do rio dos Bons Sinais (ou rio Cua Cua) e de outros cursos das sub-bacias do rio Zambeze e Licungo. A cidade de Quelimane tem sofrido com os efeitos das marés, da intrusão salina*, da erosão costeira e regularmente de inundações, cheias e dos ventos fortes com impactos desastrosos na vida dos habitantes e na estrutura administrativa. A maioria da população vive em habitações caracterizadas por fraca capacidade de resistência aos efeitos das Mudanças Climáticas mencionados, muitas vezes devido a falta de conhecimento dos procedimentos e das técnicas de construção recomendáveis, segundo as características da zona e perigos.
É neste contexto que o Programa da USAID de Adaptação das Cidades Costeiras às Mudanças Climáticas (CCAP, sigla em Inglês), em parceria com a UN-Habitat e o Conselho Municipal de Quelimane e as comunidades locais, iniciaram uma série de actividades visando a construção de 12 infraestruturas modelos com capacidade de resistir às cheias, ciclones, ventos fortes, erosão costeira, entre outros.
As infraestruturas a serem concebidas incluirão sistemas de captação de águas pluviais e modelos de latrinas compatíveis com as áreas cujo lençol freático é alto, como forma de reduzir o risco de contaminação do solo e de águas subterrâneas. Estas infraestruturas serão construídas com a activa participação da comunidade e servirão como demostração para que as comunidades e outras entidades repliquem as técnicas e procedimentos utilizados e massifiquem a construção de edifícios melhorados, seguros e resilientes aos efeitos das mudanças climáticas.
Para assegurar o envolvimento das comunidades foram organizados seminários participativos visando o desenho e pré-validação dos protótipos das infraestruturas a serem construídas. Em seguida foram treinados mais de 50 membros dentre os quais mestres de construção, artesões locais e líderes da comunidade local sobre as técnicas de construção de casas mais resistentes aos efeitos da Mudanças Climáticas. Após o treinamento, os participantes formarão equipes de trabalho que contribuam para a construção das primeiras quatro casas modelo no Bairro de Icidua. O lançamento da pedra das primeiras casas modelos terá lugar em Setembro do ano em curso.
*intrusão salina é a penetração da água salgada do mar na zona da água doce.



QUELIMANE VAI BENEFICIAR DE HABITAÇÕES RESISTENTES AOS EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS.
As Mudanças Climáticas tornaram-se num dos maiores desafios do século XXI. O mundo tem registado um aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos como ondas de calor intenso, cheias, inundações, ciclones e secas que poderão ainda agravar-se no futuro. A sociedade e sobretudo as cidades costeiras que albergam grandes aglomerados populacionais têm que desenhar e implementar planos visando melhor adaptação ao novo contexto sob o risco de ver todos os seus esforços de desenvolvimento comprometidos.
Em Moçambique, a cidade de Quelimane por exemplo, tem sido bastante vulnerável aos efeitos das Mudanças Climáticas. Situada abaixo do nível médio das águas do mar e no estuário do rio dos Bons Sinais (ou rio Cua Cua) e de outros cursos das sub-bacias do rio Zambeze e Licungo. A cidade de Quelimane tem sofrido com os efeitos das marés, da intrusão salina*, da erosão costeira e regularmente de inundações, cheias e dos ventos fortes com impactos desastrosos na vida dos habitantes e na estrutura administrativa. A maioria da população vive em habitações caracterizadas por fraca capacidade de resistência aos efeitos das Mudanças Climáticas mencionados, muitas vezes devido a falta de conhecimento dos procedimentos e das técnicas de construção recomendáveis, segundo as características da zona e perigos.
É neste contexto que o Programa da USAID de Adaptação das Cidades Costeiras às Mudanças Climáticas (CCAP, sigla em Inglês), em parceria com a UN-Habitat e o Conselho Municipal de Quelimane e as comunidades locais, iniciaram uma série de actividades visando a construção de 12 infraestruturas modelos com capacidade de resistir às cheias, ciclones, ventos fortes, erosão costeira, entre outros.
As infraestruturas a serem concebidas incluirão sistemas de captação de águas pluviais e modelos de latrinas compatíveis com as áreas cujo lençol freático é alto, como forma de reduzir o risco de contaminação do solo e de águas subterrâneas. Estas infraestruturas serão construídas com a activa participação da comunidade e servirão como demostração para que as comunidades e outras entidades repliquem as técnicas e procedimentos utilizados e massifiquem a construção de edifícios melhorados, seguros e resilientes aos efeitos das mudanças climáticas.
Para assegurar o envolvimento das comunidades foram organizados seminários participativos visando o desenho e pré-validação dos protótipos das infraestruturas a serem construídas. Em seguida foram treinados mais de 50 membros dentre os quais mestres de construção, artesões locais e líderes da comunidade local sobre as técnicas de construção de casas mais resistentes aos efeitos da Mudanças Climáticas. Após o treinamento, os participantes formarão equipes de trabalho que contribuam para a construção das primeiras quatro casas modelo no Bairro de Icidua. O lançamento da pedra das primeiras casas modelos terá lugar em Setembro do ano em curso.
*intrusão salina é a penetração da água salgada do mar na zona da água doce.

Wednesday, 10 August 2016

Porque as negociacoes nao avancam?

 Se a memoria nao me trai, foi Sergio Vieira quem uma vez disse que em Lusaka a delegacao da FRELIMO descobriu que estava a negociar com alguem sem poder! Mandou Aquino de Braganca a Lisboa para saber quem detinha o verdadeiro poder e exigiu que as negociacoes fossem com os que detinham poder! E tivemos os Acordos de Lusaka! Nao se negoceia com quem nao tem poder! ! Nyussi nao e o interlocutor valido! Quem quer negociar de verdade, negoceia com Chipande, o Dono do Poder! E mais nao disse. MA

Eureka: Finalmente a Uniao Europeia e os parceiros da cooperacao acorda do longo e profundo sono!


Caros/as defensores/as de Direitos Humanos,

A União Europeia criou desde Dezembro de 2015, um mecanismo para apoio aos defensores de direitos humanos que estejam em situação de risco.

Através do mecanismo, que é gerido por um consorcio de 12 organizações da sociedade civil, defensores de direitos humanos em todo mundo têm a possibilidade de beneficiar de apoio financeiro para cobrir despesas de emergência, nomeadamente:

·         Assistência legal, em caso de processo
·         Assistência médica e medicamentosa, incluindo acompanhamento psicológico,  caso tenham sido alvo de violência ou ataques
·         Reforço da segurança pessoal
·         Realocação temporária  para um outro país
·         Outras despesas relevantes, dependendo do tipo de risco e ameaças

Para aceder ao apoio, deverão aceder ao sitio online: https://www.protectdefenders.eu/en/index.html

Na página encontrarão o formulário que deve ser preenchido, além da linha de apoio que está disponível 24/24: +353 (0) 1 21 00 489

Poderão ainda contactar o mecanismo pelo email: contact@protectdefenders.eu

A informação da página está em inglês( além de Francês, alemão e Espanhol), mas a equipa poderá prestar assistência em Português, assim como disponibilizar o formulário traduzido mediante vossa solicitação.

O mecanismo pode ser activado por qualquer pessoa, não havendo a necessidade de comunicar ou envolver a Delegação da União Europeia em Moçambique.

Por favor, divulguem a informação pelas vossas redes de contactos.

Em caso de dúvidas, podem endereça-las através deste endereço:  DELEGATION-MOZAMBIQUE@eeas.europa.eu

Tuesday, 9 August 2016

Um amigo pediu e ai vai! Um abraco patriotico, MA

Carta a um Irmao no Polo Norte!

Mano Elisio Macamo, Parece que “De facto o habito nao faz o monge”!

Escrevo-lhe numa altura em que o pais esta literalmente a arder! No
sul as temperaturas alcancaram os 44 graus, uma temperatura recorde
nos ultimos 20 anos. Nas tres provincias do Sul do pais, o pais esta a
arder, fruto do famoso El Nino que esta a devorar as cabecas de gado
as catadupas! Nas quatro provincias do Centro do pais, o pais tambem
esta literalmente a arder, com balas reais e viaturas queimadas! O
Cheiro putrfato de corpos humanos e o pao nosso de cada dia em Sabe,
Tsangano, Gorongosa, Muxumgwe, Nhamapadza! Enquanto isso o Norte do
pais afunda literalmente com chuvas ininterruptas!
Deve ser lindo ver este filme envidrado em quatro paredes fugindo a
neve! Para nos outros in loco, nao e nada facil digerir porque temos
familiares que circulam na N1, e noutras rodovias que fazem este pais!
Do mesmo jeito que temos primos e irmaos que vivem no Sul do pais onde
apascentavam gado e que hoje estao nao so desempregados como
sub-nutridos! No Norte parece o diluvio divino! Sera este o
Apocalipse?

Tudo isto a proposito do seu artigo a que tive acesso via facebook com
o titulo ‘O habito nao faz o monge”. Quero comecar por concordar com o
Professor Elisio Macamo quando afirma que ‘...se pergunta a si proprio
como e que certas pessoas conseguem chegar aos lugares cimeiros de
certas instituicoes’! Exemplos, parece haver muitos, comecando pela
Alta Magistratura da Nacao, passando pelos servicos publicos,
Assembleia da Republica, Conselho de ministros, Governos Provinciais,
Academia e quica se tivermos como base apenas este artigo, o proprio
Professor Elisio Macamo,!
Nao quero dissertar nem duvidar da sua carreira, quero apenas e com
base apenas neste artigo duvidar, claro, metodicamente, sobre a logica
da verborreia que vomitou contra os cristaos e a igreja Catolica.
Infiro que o autor pretendia subrepticiamente, com isso, desacreditar
a proposta de alguns sectores da sociedade, que veem e acreditam que a
Igreja, incluindo a Catolica, pode, como no passado recente,
desempenhar um papel importante na gestao e quica resolucao do actual
conflito armado entre a Renamo e Governo. Acontece que para isso e
preciso um esforco intelectual mais elaborado e nao basta uma tertulia
desportiva de fim de semana! Me pareceu uma falacia argumentativa
querer desvalorizar o papel e o esforco de uma entidade reputada como
o e a igreja catolica, so porque um dos seus antigos funcionarios ou
representantes disse o que se diz dizer que disse! Nao vou entrar no
debate sobre o que o Bispo disse ou deixou de dizer! Isso fi-lo e
falo-ei em forum proprio! Tambem nao vou entrar no debate sobre o que
e ser cristao (bom ou mau) (A Conferencia Episcopal pode com mais
propriedade e competencia responder, querendo) ou quais foram o
criterios e ou qualidades que levaram a Paulo VI e a Santa Se a nomear
Dom Jaime Goncalves Arcebispo da Beira (A isso cabe o Vaticano ou o
Nuncio Apostolico acreditado em Mocambique responder! Com a
nobelissima logica do Professor, teriamos que perguntar aos
Presidentes Guebuza e Nyussi e a Universidade Catolica Portuguesa, que
galardoaram Dom Jaime, porque e que o fizeram! E tambem teria que
perguntar a Assembleia Municipal de Quelimane que sob proposta do
conselho Municipal aprovou em 2015, o nome de Dom Jaime, entre outras,
para uma das suas ruas!
Sendo Cristao Catolico Apostolico praticante, a minha conversa hoje,
sera leve, pois trata-se de mais um Domingo de Quaresma! Hoje, nao
queria me confessar perante o Pai Todo Poderoso, sem ter feito a parte
que me cabe na esperanca de, caso cometa algum pecado, possa ser
contemplado no respectivo pacote perdoativo do dia! Sendo Domingo, dia
dedicado a familia e a Deus, nao vou sacudir a poeira da minha
biblioteca, e muito menos dos meus arquivos, cingindo-me levemente a
lexis sem embrunhar-me o suficiente e bastante no etimus! O “ pai dos
burros actual”, o wiki..., nao leaks mas o pedia sera a minha base
bibliografica! Vamos ao que interessa!
No seu artigo ‘O habito nao faz o monge” ,diz inter alia, o meu bom
amigo Elisio que ‘...ser Bispo, Cardeal ou mesmo Papa depende menos de
competencia tecnica. E continua, ‘...se dependesse disso todos Papas
seriam professores de teologia como foi Ratzinger’ diz ainda o meu
amigo que “e e a igreja que este individuo representa que e chamada a
fazer a mediacao”. Acrescentando que ‘uma parte do conflito vai ser
mediadora”
Entre nos, Professor,” nao estara a sua menteigualmente tao
torturada”, pois a nosso ver, tambem parece que o Professor “faz parte
de muitos na Perola do Indico” e na diaspora cujo odio a Renamo – “com
ou sem razao, nao importa - tolda a vossa mente e impede-os de
analisarem a situacao do pais como ela merece ser analisada e de forma
util para a ideia de Mocambique que eles proprios poderiam ter?

Sera que o Professor consegue digerir o artigo que assina, agora que a
possivel ‘babalaza intelectual’ de uma sexta feira quaresmatica tenha
passado? Acha mesmo que o caso do Arcebispo da Emeritus da Beira e
suficientemente robusto para aferir e concluir que ‘ser Bispo, Cardeal
ou mesmo Papa depende menos de competencia tecnica? Afinal o que e
competencia tecnica na Igreja? E ser Professor de Teologia? Ou ha
outras competencias tecnicas que em conjunto habilitam a um padre a
ser designado Bispo, Cardeal ou Papa? Sera o meu amigo assim tao
ignorante dos preceitos e practicas da igreja que duvida que haja
competencias tecnicas na nomeacao dos Bispos, cardeais e Papas? Nao
quero com isso dizer que todos os bispos possuem competencia tecnica
ou outra, mas aferir o contrario com base numa frase de um Bispo
Emeritus me parece metodologicamente questionavel!

Dizia eu que fui ao wikipedia e este, rapida e julgo, competentemente
me disse; ‘ Emeritus (/ᵻˈmɛrᵻtəs/; feminine emerita or emeritus;
plural emeriti (masc.) or emeritae (fem.); abbreviation emer.) (Latin
ēx, "out of", and meritus, "merit"), in its current usage, is an
adjective used to designate a retired professor, pastor, bishop, Pope,
president, prime minister, or other personages’. Ou seja que no uso
corrente, emeritus e um adjective usado para designer um Professor,
pastor, bispo, papa, president ou primeiro ministro, ou outras
personagens.
E mais disse-me o ‘ pai dos burros’ que em alguns casos este titulo e
conferido automaticamente a todas as pessoas que se retiram num
determinado posto, mas em outras circunstancias, o grau so e conferido
caso o titular tenha prestado um servico extraordinario. Nem sempre o
termo Emeritus, diz o wiki, significa que a pessoa deixou de exercer
todas as suas funcoes, podendo continuar a exercer algumas funcoes.

Do que se pode aferir, na maioria dos casos o titulo Emeritus e
atribuido a alguem no fim da sua carreira ou seja depois de reformar!
No caso da Igreja Catolica, diz o wikipedia “When a diocesan bishop or
auxiliary bishop retires, the word "emeritus" is added to his former
title, i.e., "Archbishop Emeritus of ...", "Bishop Emeritus of ...",
or "Auxiliary Bishop Emeritus of ...ou seja “Quando um bispo diocesano
ou auxiliary reforma, a palavra “emeritus’ e adicionada ao seu titulo
anterior, i.e.”Arcebispo Emerito de...” ou Bispo Auxiliar Emerito de
...”

Temos como bem disse o bom do Elisio, o Pope Emeritus Benedict XVI que
desde que se retirou, nunca mais ouvimos falar dele! O Arcebispo Dom
Alexandre, quando se reformou dedicou-se quase exclusivamente a
criacao da Universidade Sao Tomas. O Bispo Dom Bernardo, que por estar
enfermo abdicou do posto, ao contrario de Dom Dinis Sengulane que como
Arcebispo Emeritus tem assumido posicoes politicas, aceite cargos
partidarios (Conselho de Estado) e parece continuar a pregar nas redes
sociais (STV) e se a memoria nao nos trai foi ate muito recentemente
um dos mediadores do processo de paz, julgamos nos a titulo e risco
pessoal e nao da igreja Anglicana! Porque se o fosse em termos da
igreja Anglicana diriamos que a igreja Anglicana e da Frelimo, o que
nao seria verdade! Ou seria Professor?

Quando Dom Dinis Sengulane rezou nas matas na presenca de Dhlakama
mencionando o nome de Nyussi ninguem, que eu saiba, atribuiu essa reza
que alguns consideraram satanica e o prenuncio dos acontecimentos do
dia 09 de Outubro 2015, a Igreja Anglicana.
Do mesmo modo que quando a 09 de outro de 2015, a residencia de
Dhlakama foi assaltada na Beira, Dom Dinis Sengulane foi chamado pelos
municipes da Beira de ‘Judas Escariotes’ ninguem chamou tais nomes a
Igreja Anglicana, o que demonstra que ate os provavelmente nao
eruditos municipes da Beira conhecem o significado da palavra
Emeritus!

Confundir as palavras de um Bispo reformado com as da Igreja que ele
representou nao so nao me parece erudito, como me parece deselegante
para quem exige alta moral etica e competencia tecnica a outre! A
nosso ver so pode ser produto de desatancao, partidarismo,
engrachismo, efeitos babalazaicos de uma sexta feira mal passada, ma
fe ou entao como o proprio Elisio diz, pode significar que de facto,
nem sempre o habito faz o monge! Ou sera do frio amigo Professor?

Em economia temos tido o cuidado de explicar aos nossos estudantes
para terem cuidado com as falacias (ou sofismas) comuns do raciocinio
economico, pois e facil para um principiante confundir a razao exacta
que esta na origem de um acontecimento ou sobre o impacto das
politicas na economia! Dentre as mais comuns temos mencionado a falaca
do post hoc, a falha em manter o resto constante, a falacia da
agregacao entre outras! Se quisesse emprestar o raciocinio economico a
pseudo analise do Professor, poderia sem grande esforco situa-la muito
perto da Falacia da Agregacao, onde muitos principiantes caem pois
‘admitem que o que e verdade para uma parte de um sistema tambem e
verdade para o conjunto! Ou seja quando admitimos que o que e verdade
para uma parte tambem o e para o todo, podemos ter caido na falacia da
agregacao! Ou seja o meu caro amigo, acha que o facto de o emeritus
Dom Jaime(parte) ter tido uma opiniao na sua optica infeliz,
desqualifica a Igreja Catolica (o todo ou o sistema) de participar nos
esforcos para a restauracao da PAZ na nossa patria amada!
Nao sendo principiante, o que tera levado o meu caro amigo e Professor
a rocar a logica da falacia da agregacao?


Um abraco Patriotico,

Manuel de Araujo
Cidadao Comum e Municipe Simples da Cidade de Quelimane

To



---------- Forwarded message ----------
From: MANUEL ARAUJO
Date: 2016-02-21 18:06 GMT+02:00
Subject: Carta a um Irmao no Polo Norte
To: Mocambiqueonline , Mozambique Online


Carta a um Irmao no Polo Norte!

Mano Elisio Macamo, Parece que “De facto o habito nao faz o monge”!

Escrevo-lhe numa altura em que o pais esta literalmente a arder! No
sul as temperaturas alcancaram os 44 graus, uma temperatura recorde
nos ultimos 20 anos. Nas tres provincias do Sul do pais, o pais esta a
arder, fruto do famoso El Nino que esta a devorar as cabecas de gado
as catadupas! Nas quatro provincias do Centro do pais, o pais tambem
esta literalmente a arder, com balas reais e viaturas queimadas! O
Cheiro putrfato de corpos humanos e o pao nosso de cada dia em Sabe,
Tsangano, Gorongosa, Muxumgwe, Nhamapadza! Enquanto isso o Norte do
pais afunda literalmente com chuvas ininterruptas!
Deve ser lindo ver este filme envidrado em quatro paredes fugindo a
neve! Para nos outros in loco, nao e nada facil digerir porque temos
familiares que circulam na N1, e noutras rodovias que fazem este pais!
Do mesmo jeito que temos primos e irmaos que vivem no Sul do pais onde
apascentavam gado e que hoje estao nao so desempregados como
sub-nutridos! No Norte parece o diluvio divino! Sera este o
Apocalipse?

Tudo isto a proposito do seu artigo a que tive acesso via facebook com
o titulo ‘O habito nao faz o monge”. Quero comecar por concordar com o
Professor Elisio Macamo quando afirma que ‘...se pergunta a si proprio
como e que certas pessoas conseguem chegar aos lugares cimeiros de
certas instituicoes’! Exemplos, parece haver muitos, comecando pela
Alta Magistratura da Nacao, passando pelos servicos publicos,
Assembleia da Republica, Conselho de ministros, Governos Provinciais,
Academia e quica se tivermos como base apenas este artigo, o proprio
Professor Elisio Macamo,!
Nao quero dissertar nem duvidar da sua carreira, quero apenas e com
base apenas neste artigo duvidar, claro, metodicamente, sobre a logica
da verborreia que vomitou contra os cristaos e a igreja Catolica.
Infiro que o autor pretendia subrepticiamente, com isso, desacreditar
a proposta de alguns sectores da sociedade, que veem e acreditam que a
Igreja, incluindo a Catolica, pode, como no passado recente,
desempenhar um papel importante na gestao e quica resolucao do actual
conflito armado entre a Renamo e Governo. Acontece que para isso e
preciso um esforco intelectual mais elaborado e nao basta uma tertulia
desportiva de fim de semana! Me pareceu uma falacia argumentativa
querer desvalorizar o papel e o esforco de uma entidade reputada como
o e a igreja catolica, so porque um dos seus antigos funcionarios ou
representantes disse o que se diz dizer que disse! Nao vou entrar no
debate sobre o que o Bispo disse ou deixou de dizer! Isso fi-lo e
falo-ei em forum proprio! Tambem nao vou entrar no debate sobre o que
e ser cristao (bom ou mau) (A Conferencia Episcopal pode com mais
propriedade e competencia responder, querendo) ou quais foram o
criterios e ou qualidades que levaram a Paulo VI e a Santa Se a nomear
Dom Jaime Goncalves Arcebispo da Beira (A isso cabe o Vaticano ou o
Nuncio Apostolico acreditado em Mocambique responder! Com a
nobelissima logica do Professor, teriamos que perguntar aos
Presidentes Guebuza e Nyussi e a Universidade Catolica Portuguesa, que
galardoaram Dom Jaime, porque e que o fizeram! E tambem teria que
perguntar a Assembleia Municipal de Quelimane que sob proposta do
conselho Municipal aprovou em 2015, o nome de Dom Jaime, entre outras,
para uma das suas ruas!
Sendo Cristao Catolico Apostolico praticante, a minha conversa hoje,
sera leve, pois trata-se de mais um Domingo de Quaresma! Hoje, nao
queria me confessar perante o Pai Todo Poderoso, sem ter feito a parte
que me cabe na esperanca de, caso cometa algum pecado, possa ser
contemplado no respectivo pacote perdoativo do dia! Sendo Domingo, dia
dedicado a familia e a Deus, nao vou sacudir a poeira da minha
biblioteca, e muito menos dos meus arquivos, cingindo-me levemente a
lexis sem embrunhar-me o suficiente e bastante no etimus! O “ pai dos
burros actual”, o wiki..., nao leaks mas o pedia sera a minha base
bibliografica! Vamos ao que interessa!
No seu artigo ‘O habito nao faz o monge” ,diz inter alia, o meu bom
amigo Elisio que ‘...ser Bispo, Cardeal ou mesmo Papa depende menos de
competencia tecnica. E continua, ‘...se dependesse disso todos Papas
seriam professores de teologia como foi Ratzinger’ diz ainda o meu
amigo que “e e a igreja que este individuo representa que e chamada a
fazer a mediacao”. Acrescentando que ‘uma parte do conflito vai ser
mediadora”
Entre nos, Professor,” nao estara a sua menteigualmente tao
torturada”, pois a nosso ver, tambem parece que o Professor “faz parte
de muitos na Perola do Indico” e na diaspora cujo odio a Renamo – “com
ou sem razao, nao importa - tolda a vossa mente e impede-os de
analisarem a situacao do pais como ela merece ser analisada e de forma
util para a ideia de Mocambique que eles proprios poderiam ter?

Sera que o Professor consegue digerir o artigo que assina, agora que a
possivel ‘babalaza intelectual’ de uma sexta feira quaresmatica tenha
passado? Acha mesmo que o caso do Arcebispo da Emeritus da Beira e
suficientemente robusto para aferir e concluir que ‘ser Bispo, Cardeal
ou mesmo Papa depende menos de competencia tecnica? Afinal o que e
competencia tecnica na Igreja? E ser Professor de Teologia? Ou ha
outras competencias tecnicas que em conjunto habilitam a um padre a
ser designado Bispo, Cardeal ou Papa? Sera o meu amigo assim tao
ignorante dos preceitos e practicas da igreja que duvida que haja
competencias tecnicas na nomeacao dos Bispos, cardeais e Papas? Nao
quero com isso dizer que todos os bispos possuem competencia tecnica
ou outra, mas aferir o contrario com base numa frase de um Bispo
Emeritus me parece metodologicamente questionavel!

Dizia eu que fui ao wikipedia e este, rapida e julgo, competentemente
me disse; ‘ Emeritus (/ᵻˈmɛrᵻtəs/; feminine emerita or emeritus;
plural emeriti (masc.) or emeritae (fem.); abbreviation emer.) (Latin
ēx, "out of", and meritus, "merit"), in its current usage, is an
adjective used to designate a retired professor, pastor, bishop, Pope,
president, prime minister, or other personages’. Ou seja que no uso
corrente, emeritus e um adjective usado para designer um Professor,
pastor, bispo, papa, president ou primeiro ministro, ou outras
personagens.
E mais disse-me o ‘ pai dos burros’ que em alguns casos este titulo e
conferido automaticamente a todas as pessoas que se retiram num
determinado posto, mas em outras circunstancias, o grau so e conferido
caso o titular tenha prestado um servico extraordinario. Nem sempre o
termo Emeritus, diz o wiki, significa que a pessoa deixou de exercer
todas as suas funcoes, podendo continuar a exercer algumas funcoes.

Do que se pode aferir, na maioria dos casos o titulo Emeritus e
atribuido a alguem no fim da sua carreira ou seja depois de reformar!
No caso da Igreja Catolica, diz o wikipedia “When a diocesan bishop or
auxiliary bishop retires, the word "emeritus" is added to his former
title, i.e., "Archbishop Emeritus of ...", "Bishop Emeritus of ...",
or "Auxiliary Bishop Emeritus of ...ou seja “Quando um bispo diocesano
ou auxiliary reforma, a palavra “emeritus’ e adicionada ao seu titulo
anterior, i.e.”Arcebispo Emerito de...” ou Bispo Auxiliar Emerito de
...”

Temos como bem disse o bom do Elisio, o Pope Emeritus Benedict XVI que
desde que se retirou, nunca mais ouvimos falar dele! O Arcebispo Dom
Alexandre, quando se reformou dedicou-se quase exclusivamente a
criacao da Universidade Sao Tomas. O Bispo Dom Bernardo, que por estar
enfermo abdicou do posto, ao contrario de Dom Dinis Sengulane que como
Arcebispo Emeritus tem assumido posicoes politicas, aceite cargos
partidarios (Conselho de Estado) e parece continuar a pregar nas redes
sociais (STV) e se a memoria nao nos trai foi ate muito recentemente
um dos mediadores do processo de paz, julgamos nos a titulo e risco
pessoal e nao da igreja Anglicana! Porque se o fosse em termos da
igreja Anglicana diriamos que a igreja Anglicana e da Frelimo, o que
nao seria verdade! Ou seria Professor?

Quando Dom Dinis Sengulane rezou nas matas na presenca de Dhlakama
mencionando o nome de Nyussi ninguem, que eu saiba, atribuiu essa reza
que alguns consideraram satanica e o prenuncio dos acontecimentos do
dia 09 de Outubro 2015, a Igreja Anglicana.
Do mesmo modo que quando a 09 de outro de 2015, a residencia de
Dhlakama foi assaltada na Beira, Dom Dinis Sengulane foi chamado pelos
municipes da Beira de ‘Judas Escariotes’ ninguem chamou tais nomes a
Igreja Anglicana, o que demonstra que ate os provavelmente nao
eruditos municipes da Beira conhecem o significado da palavra
Emeritus!

Confundir as palavras de um Bispo reformado com as da Igreja que ele
representou nao so nao me parece erudito, como me parece deselegante
para quem exige alta moral etica e competencia tecnica a outre! A
nosso ver so pode ser produto de desatancao, partidarismo,
engrachismo, efeitos babalazaicos de uma sexta feira mal passada, ma
fe ou entao como o proprio Elisio diz, pode significar que de facto,
nem sempre o habito faz o monge! Ou sera do frio amigo Professor?

Em economia temos tido o cuidado de explicar aos nossos estudantes
para terem cuidado com as falacias (ou sofismas) comuns do raciocinio
economico, pois e facil para um principiante confundir a razao exacta
que esta na origem de um acontecimento ou sobre o impacto das
politicas na economia! Dentre as mais comuns temos mencionado a falaca
do post hoc, a falha em manter o resto constante, a falacia da
agregacao entre outras! Se quisesse emprestar o raciocinio economico a
pseudo analise do Professor, poderia sem grande esforco situa-la muito
perto da Falacia da Agregacao, onde muitos principiantes caem pois
‘admitem que o que e verdade para uma parte de um sistema tambem e
verdade para o conjunto! Ou seja quando admitimos que o que e verdade
para uma parte tambem o e para o todo, podemos ter caido na falacia da
agregacao! Ou seja o meu caro amigo, acha que o facto de o emeritus
Dom Jaime(parte) ter tido uma opiniao na sua optica infeliz,
desqualifica a Igreja Catolica (o todo ou o sistema) de participar nos
esforcos para a restauracao da PAZ na nossa patria amada!
Nao sendo principiante, o que tera levado o meu caro amigo e Professor
a rocar a logica da falacia da agregacao?


Um abraco Patriotico,

Manuel de Araujo
Cidadao Comum e Municipe Simples da Cidade de Quelimane




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21 Feb


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Subject: Carta a um Irmao no Polo Norte
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Convite: Palestra sobre a Historia da Guerra nas provincias da Zambezia e Nampula, o Caso dos Naparamas

O Conselho Municial da Cidade de Quelimane e o Centro de Estudos Mocambicanos e Internacionais (CEMO) tem a honra de convidalo/a a participar na palestra a ser proferida pela  Professora Corinna, da Universidade Leiden na Holanda (PhD Yale University, USA) a ter lugar hoje, Terca feira, dia 09 de Agosto de 2016, no Salao Nobre do Conselho municipal da Cidade de Quelimane.

A palestra subordina-se ao tema "Historia da Guerra na Zambezia e Nampula, o Caso dos Naparamas'.

Encontre abaixo uma nota biografica da Professora

A sua presenca sera apreciada. passe a palavra,

Manuel de Araujo



Dear colleagues,

Please find my short bio below:

I’m an assistant professor of International Relations at the Institute of Political Science at Leiden University in the Netherlands. I study civil wars and the emergence of informal institutions of security governance. My current research focuses on community mobilization against insurgent violence, the formation of militias—parties to armed conflict that are neither incumbents nor insurgents—and their impact on civil war dynamics. I’m also broadly interested in African politics, transnational aspects of civil wars, and peacekeeping. I have conducted field research in Mozambique, Zambia, and Malawi.

I received my PhD from Yale University, and prior to that studied at Free University Berlin and Sciences Po Paris.

The lecture will be about my field research for my dissertation that I conducted here in Mozambique on the history of war in Zambezia and Nampula, and the role of the Naparama.

Sunday, 31 July 2016

Thomas Selemane



Desmistificando a governação visionária 2004-2014[i]

Thomas Selemane

A década de 2004-2014 foi a que mais transformações políticas, sociais e económicas trouxe a Moçambique pós-independente e pós-guerra civil. Conhecidas por toda a gente, porque vividas por todos, variando na dimensão e intensidade consoante a classe política, social e económica a que cada pessoa pertence, essas transformações foram detalhadamente analisadas e estão agora sistematizadas nestas 144 páginas de João Mosca, Máriam Abbas e Natacha Bruna, com o título “Governação, 2004-2014: Poder, Estado, Economia e Sociedade.”

O período analisado no livro 2004-2014 coincide com aquele em que foi Armando Guebuza foi Presidente de Moçambique. Mesmo assim, os autores decidiram não incluir o nome do ex-Presidente da República no título do livro, porque como eles justficam “o dilema da decisão foi o de saber, até que ponto o Presidente foi um elemento decisor sem o qual, ou sendo outro, o percurso de Moçambique no período estudado pudesse ser diferente.”(ver pág. 5). Portanto, este não é um livro sobre Armando Guebuza, mas sim sobre o percurso feito por Moçambique nos últimos dez anos a nível de governação, poder, Estado, economia e sociedade.

Nos cinco capítulos que compõem este livro - Estado e Sociedade, 1o capítulo; Economia Política da Governação entre 2004-2014, 2o capítulo; Evolução da Economia, 3o capítulo; Educação e Saúde, 4o capítulo; e Considerações Finais no último capítulo – os autores desconstroem o processo de articulação entre os recursos do Estado disponíveis, as tensões sócio-políticas e os conflitos económicos vividos em Moçambique naqueles 10 anos, em contraposição com as opções tomadas no processo do chamado “combate à pobreza”, que já tinha sido “absoluta” mas depois deixou de sê-la mesmo sem ter sido reduzida.

No 1o Capítulo do livro, Estado e Sociedade (págs11-47), os autores radiografam o percurso das liberdades e direitos dos cidadãos, particularmente as liberdades de expressão e de associação, liberdade de imprensa, o Estado de direito, as eleições e as estabilidades social e militar.

No período em análise (2004-2014), como notam Mosca, Abbas e Natacha Bruna, Moçambique assistiu o crescimento de movimentos retrógrados de ataque às vozes críticas (ver págs. 12-15), ao assassinato de carácter com cunho racista. Os moçambicanos foram estratificados em diferentes camadas, tendo existido“os de gema, os originários, os apóstolos da desgraça, os tagarelas e os delirantes” e outros inomináveis. A par da deterioração da liberdade de expressão e de imprensa, a partidarização (ou em rigor, a frelimização) do aparelho do Estado foi oficializada (ver pág. 28) tendo atingido níveis alarmantes.

Ainda no 1o capítulo, no ponto referente ao “Estado, economia e sociedade” (págs. 33-37), os autores chamam à atenção para as promiscuidades entre os interesses públicos e privados, que “se misturam de forma consciente com o objectivo de formar uma classe média endinheirada mas não empresarial”. Ou como diria o actual vice-ministro da indústria e comércio, “Moçambique só tem empresários de cartões de visita.”

Como notam os autores, os aspectos apresentados neste capítulo representam a continuidade do regime ideológico de direita adoptado após as reformas de 1987, e alguns aspectos são explicados por factores que remontam à constituição da FRELIMO (Movimento, em 1962) e do Estado moçambicano em 1975 (ver págs. 46-47).

É preciso lembrar que foi durante a era visionária de 2004-2014 que Moçambique retornou à guerra, conheceu o fenómeno dos raptos, reviveu os crimes de “delito de opinião” transaccionados como “crimes de atentado à segurança do Estado”, e viu o seu futuro hipotecado em dívidas ocultas cujas consequências reais e completas ainda estão por ser vistas.

O 2o Capítulo (Economia Política da Governação 2004-2014) seguido do 3o Capítulo (Evolução da Economia) são os que escalpelizam as componentes económicas da década 2004-2014, nomeadamente, “o reforço do papel do Estado através do investimento em empresas públicas monopolistas e de sectores estratégicos em paralelo com o alargamento de um mercado desregulado e não fiscalizado”.

O período analisado neste livro coincide com aquele em que Moçambique se tornou “novo rico” em recursos minerais, particularmente gás natural, areias pesadas, carvão mineral e sinais de ocorrência de petróleo. A política económica promovida naquela década promoveu um capitalismo sem capitalistas (ver pág. 53), uma réplica, no dizer dos autores, do que se viveu no país após a independência nacional: “um marxismo-leninismo” sem ou com poucos marxistas.

Essa política económica tinha um duplo objectivo (ver pág. 70): “primeiro, manter e reproduzir o controlo do poder de Estado pela elite da Frelimo que o instrumentalizou para a constituição de grupos económicos; e segundo objectivo, reforçar o poder repressivo e de controlo/clima de medo social para manter a crise de baixa intensidade (...)” O crescimento económico foi excepcional ao longo da década visionária, mas também foi paradoxal, pois não conseguiu reduzir a pobreza. E a saga das dívidas ocultas veio dizer-nos que, no fundo, em termos económicos, o que foi feito aos moçambicanos foi essencialmente uma burlacapaz de apagar tudo o que podia ser considerado positivo daquele período.

O 4o capítulo do livro, dedicado à “Educação e Saúde” (págs. 116-131) mostra que houve uma expansão significativa dos serviços de educação e saúde, porém não correspondidas com o desejável padrão de qualidade, ao mesmo tempo que se acentuaram as desigualdades regionais no acesso a esses serviços.

No concernente à educação, no período estudado, registou-se uma tendência crescente dos gastos públicos por escola até ao ano de 2010, tendo atingido o seu pico naquele ano, com valores de “aproximadamente 970 mil meticais por escola no país” (ver pág. 124). 

Na componente de saúde, conforme ilustra o gráfico 49 (Unidades sanitárias por região) – ver pág. 127, aproximadamente 67% das unidades sanitárias do país encontram-se concentradas em somente três províncias: Cidade de Maputo, Sofala e Manica, que curiosamente não são as mais populosas do país. Aliás, o gráfico seguinte: 50, na mesma pág. 127, mostra a gravidade da desigualdade de acesso aos serviços de saúde. As duas províncias mais populosas, Nampula e Zambézia, apresentam os números mais altos de habitantes para cada unidade sanitária.

O último capítulo do livro (5Capítulo, págs. 134-137) apresenta as “considerações finais”, apesar de cada um dos outros capítulos conter um resumo na sua parte final. Chamo à vossa atenção para o facto de a leitura desse capítulo não poder substituir a leitura dos demais capítulos, que como referi aqui, cada um deles possui um vasto leque de informação detalhada e análise profunda, revelando o alto grau de conhecimento e domínio das matérias neles tratadas pelos três autores.

Para terminar, devo referir que João Mosca, Máriam Abbas e Natacha Bruna adoptam neste livro uma metodologia de análise de economia política e sua relação com as políticas económicas e a governação que definiram o leito do caudal do desenvolvimento de Moçambique nos últimos dez anos assente no contexto histórico, social e político. Uma análise feita assim “com os pés no chão” e com consulta a 85 fontes bibliográficas, é robusta não somente porque permite compreender melhor a realidade e os contornos das principais decisões tomadas pela governação, mas também porque permite identificar as implicações dessas decisões no médio e longo prazos. 

E essa é a maior contribuição deste livro: a identificação e explicação sem subterfúgios do que se passou em Moçambique entre 2004 e 2014, por outras palavras, o decifrar do verdadeiro legado da governação a nível das relações de poder – na adopção do método de “dividir para reinar” e de encontrar sempre culpados “de dentro e de fora” para justificar os seus próprios falhanços. 

Ademais, este livro é uma grande contribuição para a compreensão do processo moçambicano dos últimos 10 anos na configuração do Estado, na manutenção da estrutura económica nacional de altos níveis de crescimento do PIB sem redução da pobreza, do reforço do pior do que existe no modelo de desenvolvimento neoliberal, de capitalismo de periferia dependente de poupanças externas e da delapidação de recursos naturais (produtos mineiros, florestais, faunísticos e marinhos), de “facilitações e comissões” nos negócios, e de uma sociedade  de medo e de desespero em que vivemos hoje.

Os efeitos da governação da década passada estão e estarão sempre presentes no Estado, na economia e na sociedade moçambicana. Por isso, este é um livro que vale a pena ter e ler! Espero que os mil exemplares desta tiragem inicial se esgotem entre hoje e amanhã!

Bem hajam os autores!!!
Muito obrigado pela vossa atenção!!!







[i] Texto de apresentação do livro “Governação, 2004-2014: Poder, Estado, Economia e Sociedade” de João Mosca, Máriam Abbas e Natacha Bruna. Título da responsabilidade do apresentador do livro e não dos autores.