Thursday, 23 September 2010

Sector privado: Banco Mundial sugere medidas mais eficazes


As agências envolvidas no desenvolvimento do sector privado no país devem direccionar os seus apoios a objectivos concretos de forma a se produzir resultados mais consentâneos com as necessidades do país. Esta é uma das principais sugestões avançadas em Maputo pelo Banco Mundial no seu mais recente estudo sobre a estratégia dos pólos de desenvolvimento adoptada pelo Governo.

Organismo financeiro mundial aponta que, no geral, é necessário adoptar uma série de iniciativas transversais, a nível nacional, com vista a apoiar a estratégia dos pólos de desenvolvimento. Tais iniciativas incluem planos para melhorar o clima de negócios; racionalização das agências do sector público que prestam apoio às instituições privadas; intensificação da coordenação interministerial e nacional/local; maior supervisão, transparência e responsabilização dos mega-projectos e medidas reforçadas para parcerias público-privadas para além de um envolvimento dos privados e dos parceiros de desenvolvimento na conceptualização, desenho e implementação da estratégia.

Constitui objectivo deste estudo, que se centra em sub-regiões situadas nos três principais corredores de desenvolvimento, nomeadamente Beira, Maputo e Nacala, assistir o Governo na concepção e implementação de estratégias de pólos de crescimento em sub-regiões seleccionadas, com base em programas correntes e propostos e em experiências internacionais.

No que toca à racionalização das agências do sector público que prestam apoio às instituições privadas, o Banco Mundial centra a sua análise ao Centro para a Promoção do Investimento (CPI); o Instituto para a Promoção das Exportações (IPEX); o Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME); os balcões de atendimento único; a Unidade de Apoio ao Sector Privado, sob a tutela do Ministério da Indústria e Comércio (MIC); e os departamentos provinciais do mesmo ministério.

Avança que enquanto o MIC tem por objectivo central as reformas do clima de negócios, a agenda da reforma é mais ampla do que qualquer ministério individualmente e todos os ministérios-chave precisam de se empenhar na remoção dos entraves ao crescimento do sector privado.

No que tange à melhoria do clima de negócios, o documento salienta que em coordenação com o Banco Mundial o Governo irá acelerar esforços, a nível nacional, destinados a eliminar a burocracia envolvida para o início e o desenvolvimento de negócios e racionalizar os procedimentos de licenciamento relacionados com a actividade económica; implementar a nova Lei das Falências, uma vez aprovada pelo Parlamento; consolidar os procedimentos de registo de propriedade; e simplificar os procedimentos de desalfandegamento para facilitar o comércio transfronteiriço.

Acredita-se que a execução destas medidas a nível local pode receber apoio no âmbito da estratégia dos pólos de crescimento. No entanto, existem outras reformas críticas para tornar a economia competitiva e entre elas contam-se a melhoria do acesso à terra, modernização da legislação laboral, simplificação da administração tributária, reforço da protecção aos investimentos e intensificação da aplicação dos contratos.

Fonte: Notícias

Índice de Ambiente de Negócios (IAN)

A edição 2010 do Índice de Ambiente de Negócios (IAN) indica que, dos factores analisados, os ligados às infra-estruturas e serviços são os que registaram o índice mais elevado. Assim sendo, as melhorias verificadas foram nos serviços de comunicação, fornecimento de água e energia e nos transportes aéreos. Esta componente influenciou positivamente o entendimento dos empresários inquiridos, sobre o IAN no país. O documento reconhece o crescimento da economia nacional, mas aponta os elevados índices de corrupção, de criminalidade e limitado acesso ao crédito como aspectos que minam o ambiente de negócios no país.

Por outro lado, a KPMG refere, no estudo, que os principais factores que contribuíram para a deterioração das percepções sobre o ambiente de negócios em 2010 estão relacionados com os actos de governação e Governo, nomeadamente: nível de criminalidade, crime organizado, corrupção e excesso de burocracia.

Em relação ao IAN por província, Niassa teve a melhor classificação, seguida da província de Inhambane. O índice mais baixo foi para a província de Maputo.

Segundo Paulo Mole, apresentador da pesquisa, o facto de Niassa estar em primeiro justifica-se pela variação do impacto das medidas económicas por província. Ou seja, o impacto que uma estrada tem no Niassa é diferente do impacto que a mesma teria em Maputo. Esta situação gera um aumento nas expectativas dos empresários em relação ao ambiente de negócios.

A posição do Niassa é, também, justificada pela percepção positiva dos factores de ordem legal e aos ligados à mão-de-obra.

Os sectores nos quais os empresários continuam a depositar um “elevado nível de confiança” são de energia e comercialização de combustíveis, banca, leasing e seguros e hotelaria e turismo. No entanto, o comércio e serviços, indústria e alimentação e bebidas que, na edição de 2009, estiveram no topo em termos de nível de confiança, foram os que apresentaram os menores índices no presente estudo.

Fonte: O País

Actualización IANSA 16.09.10

* Canadá: Voto para un registro de Armas Largas

* Nuevo informe sobre el tráfico de armas de fuego entre EEUU-México

* Colombia: Semana por la Paz

* Otras noticias: blog de FESPAD; CERAC en Twitter, ‘New Route’ sobre exportación de armas; La Red Africana de Paz y Conflicto; y Puntos de Acción del Mes para el Consejo de Seguridad de la ONU



El 22 de septiembre, Miembros del Parlamento de Canadá votaron en un intento de parar el Proyecto de Ley C-391 que tiene por objeto terminar con el requisito de registrar rifles, escopetas y fusiles de francotirador. Actualmente existen más de 7 millones de armas largas registradas en Canadá y se perderían todos los datos de registro actuales si el Proyecto de Ley C-391 es aprobado. En adición, el Proyecto de Ley no realiza provisiones para restablecer el requisito de que los establecimientos de venta mantengan un inventario de sus ventas de armas ligeras, un requisito en vigor en Canadá desde 1977.

www.iansa.org



Según un informe proporcionado por el Instituto Mexicano del Centro Woodrow Wilson y el Instituto Transfronterizo de la Universidad de San Diego, aproximadamente 4.976 armas de fuego fueron traficadas desde EEUU a México en 2009. El informe incluye una investigación sobre los tipos de armas usadas por los cárteles de la droga y los métodos principales utilizados para traficar estas armas hasta México. Reconoce que los gobiernos de ambos países están realizando un trabajo sin precedentes para resolver el problema, y realiza recomendaciones para fortalecer los esfuerzos.

http://bit.ly/d5cD2i



En Colombia ha tenido lugar una Semana para la Paz del 5 al 12 de septiembre para promover los esfuerzos de miles de personas que actualmente trabajan por la paz en el país. Este año la semana se centró en los supervivientes de la violencia por arma ligera y el conflicto armado.

http://www.redepaz.org.co



Otras noticias:



El 3 de septiembre, la Fundación de Estudios para la Aplicación del Derecho (FESPAD) en El Salvador organizó un evento con otros grupos para compartir su experiencia llevando a cabo un trabajo con un alto grado de impacto empleando muy pocos recursos. FESPAD ha creado un blog y realiza un llamamiento a otras organizaciones para que contribuyan.

http://hombrescontralaviolencia.blogspot.com



El Centro de Recursos para el Análisis de Conflictos (CERAC) ha creado 3 páginas en Twitter en las que publicarán noticias e información sobre el conflicto en Colombia, iniciativas para la reducción de la violencia por armas ligeras y desarme; y sobre su propio trabajo.

http://www.cerac.org.co



Ya se encuentra disponible la última edición de 'New Route: A journal of Peace Research and Action'. Este número se centra en las exportaciones de armas e incluye artículos sobre el Tratado de Comercio de Armas por el Embajador Roberto García Moritán de Argentina, así como perspicaces visiones de miembros de IANSA, incluido Borghild Tønnessen-Krokan, Consejero de Paz y Seguridad Humana en el Foro para el Medio Ambiente y Desarrollo; Allison Pytlak, Coordinador del Programa Religiones por la Paz y el Desarme y Peter Brune, Secretario General del Comité Sueco para Afganistán.

http://www.life-peace.org/sajt/filer/pdf/New_Routes/nr201003.pdf



La Red Africana de Paz y Conflicto invita a presentar trabajos nuevos y trabajos para su re-edición que estén relacionados con cualquier aspecto de paz y conflicto en África. Se considerarán documentos de investigación, ensayos fotográficos, informes de formación/talleres/conferencias y críticas de cine.

http://africapeace.org



El Grupo de Trabajo de las ONG sobre Mujeres, Paz y Seguridad ha publicado sus Puntos de Acción del Mes para septiembre de 2010 sobre Mujeres, Paz y Seguridad par el Consejo de Seguridad de la ONU. Los Puntos de este mes, incluyen recomendaciones sobre situaciones en países como Afganistán, RDC, Liberia, Nepal, Sierra Leona y Somalia.

http://womenpeacesecurity.org/media/pdf-MAP_September2010.pdf



Por favor envíe sus historias para la actualización a ranveig.svenning@iansa.org

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IANSA – Red Internacional de Acción contra las Armas Ligeras www.iansa.org

A OPINIAO DE INACIO NOA

PORQUÊ NÃO TEM “ROSTO” AS MANIFESTAÇÕES DE SETEMBRO
A busca pelo rosto das manifestações que eclodiram nas cidades de Maputo e Matola e que tiveram uma extensão pouco significativa por pequenos pontos do sul do país, constituí o grande factor de estudo por vários actores sociais, sobretudo para se chegar a uma conclusão evidente do que se reivindica e como observar uma solução para o que se reivindica.

Porém, o facto de não se encontrar facilmente um rosto para esta manifestação é a partida sinónimo de que ela está sendo executada pela sociedade, por todos nós, apenas com a diferença de alguns tomarem atitudes mais exacerbadas e até mesmo arruaceiras se assim quisermos apelidar, mas que não deixam de ter o seu impacto destrutivo, assim como, o seu impacto no âmbito do task force politico junto do Governo.

Quando levanto a hipótese de emprestar um rosto invisível (a sociedade) para estas manifestações, sou obrigado a trazer alguns exemplos que melhor clarificam esta tese. É preciso estarmos conscientes que as mensagens que foram circulando pelos telemóveis, não escolhiam sequer idade, côr, filiação política, grupo étnico ou linguistico e elas foram disseminadas dentro dum raio, apelando a um determinado comportamento, e como resultado desse apelo, os transportadores semi-colectivos vulgos xapas, nos dias 1 e 2 de Setembro não circularam, as autoridades policiais emitiram uma declaração pública afirmando não ter recebido nenhum pedido de realização de manifestação, os órgãos de comunicação social já tinham escalonado suas equipes de reporters pelos bairros para cobrir as manifestações como também o fizeram as forças policiais fortemente armadas.

Ora, essa descrição acima feita conduz-nos a uma situação em que fica claramente vísivel que no seio dos actores sociais ao nível de Maputo afinal estavam todos preparados e avisados para as manifestações, não se sabendo apenas por onde elas haveriam de deflagar. Bastou o cenário ter iniciado, rapidamente se repercurtiu um pouco por todos os bairros e o material ha muito preparado para esta manifestação foi usado com grande facilidade.

Facto interessante é que a sociedade invisível, mentora da manifestação emitiu o seu comunicado via sms “ não vamos parar antes que o governo anuncie a redução ou manuntenção dos preços”, e sentimos que essa sms chegou ao governo ou melhor que os canais de comunicação entre o governo e os manifestantes há muito tinha sido definido.

Foi em razão desse dialogo que S.Excia o Presidente da República emitiu seu comunicado apelando a calma, declaração antecedida por reuniões do bureau politico do partido no poder e dia seguinte do encontro tão esperado do Conselho de Ministros, que terminou com um comunicado que não respondia as reclamações da “sociedade invísivel”, e pelo contrário chamavam a sociedade moçambicana ao trabalho para aumentar o nível de produção interna e elevar as exportações.

Do ponto de vista de análise política, há vários aspectos a sublinhar, primeiro dos quais que este fenómeno representa o emergir ainda que numa fase latente de uma consciência social colectiva, em que classe baixa e media convergem as suas preucupações e chamam a “elite política” a uma governação sobre pressão, uma situação para o qual as autoridades políticas não estão preparadas e é preciso sublinhar que não há treino possível para controlar uma convulsão social. Contudo é preciso reconhecer que alguns segmentos politicos marginalizaram os impactos de uma escalada a todos os níveis de produtos de primeira necessidades, de services básicos enfim uma subida em todos e a todos os níveis.

Por outro lado, outra leitura que somos chamados a fazer é o contexto em que as manifestações eclodem, em que estamos perante a um agravamento dos preços sem equilibrio sobre os salarios, sobretudo o salário minímo, numa conjuntura em que o metical vai derrapando face as moedas estrangeiras sobretudo o rand moeda de importação, não há quem se salve, esta situação afecta aos politicos de esquerda aos de direita, afecta ao polícia, ao medico, ao investidor ao cliente, sendo este o factor que conduz a que a manifestação tenha sido levada a cabo pela sociedade em geral.

Citando o comunicado do Conselho de Ministros, sobre o levantamento das manifestações quando se refere que “Dos actos destrutivos, resultantes da agitação, do dia 01 de Setembro, resultaram em elevados danos humanos e materiais, e outros prejuízos, nomeadamente, 6 mortos, 288 feridos, 23 estabelecimentos danificados e saqueados, 12 autocarros vandalizados sendo um totalmente destruído, dois vagões contendo milho e cimento saqueados, cinco viaturas e duas motorizadas queimadas, quatro postes de transformação de energia queimados e duas bombas de combustível vandalizadas. Em termos globais, estes prejuízos, da avaliação preliminar, estimam-se em 122 milhões de Meticais, montante correspondente a uma perda de pelo menos, 3.910 postos de trabalho” me parece que com deste levantamento não se pode apenas dizer que esses actos só podem ser perpetrados por marginais, vandalos e oportunistas, devemos também procurar reflectir a caracterização da sociedade produtiva em Moçambique e concretamente nas cidades de Maputo e Matola, para podermos compreender que estes grupos constituem a maior parte da sociedade, e que a questão de desemprego e de falta de oportunidade leva a estas situações, e se quisermos ir mais longe, se não trabalharmos urgentemente para reverter o quadro, chegaremos a conclusão de que este é o rosto visível das cidades de Maputo e Matola.

Precisamos recordar José Craveirinha, quando se refere que Chamanculo é para Maputo o que Maputo é para Moçambique, para responder alguns segmentos sociais que se perguntam se os preços sobem em todo o país, porquê apenas na cidade de Maputo e Matola é que se registam as manifestações. Para os analistas políticos isso não deve ser difícil de explicar mas para os decisores políticos, que se agarram a dimensão do país e reconhecem os esforços que desenvolvem custa-lhes perceber que a paralisação das cidades de Maputo e Matola são em termos reais a paralisação do país todo e que precisamos com urgência estudar a criação desta conciência social colectiva porque a consolidação pode criar ainda boas surpresas boas e más.

É preciso sublinhar que até a hora do fecho deste texto, ainda se registavam algumas situações anómalas em alguns pontos, e pior do que isso, ainda não se tinha encontrado o rosto desta manifestação, mas contrariamente aos dias anteriores registou-se uma trégua colectiva e os segmentos sociais tentavam voltar a normalidade numa actuação surpreendente, isto é, como se todos vivessemos na mesma casa e programassemos as coisas na hora do jantar.

Dicas ao Governo para começar a poupar

Do blog do Custodio Dumas pedi por 'emprestado', com a devida venia, a seguinte entrada:

'Circula nos e-mail maputenses um texto da autoria desconhecida, que contém as propostas bastante razoáveis, na minha modesta opinião, de como o Governo moçambicano poderá facilmente poupar nos inúmeros gastos do Estado, que sobremaneira pesam no nosso erário público.


Eis o texto do patriota desconhecida(o) que poderá servir de reflexão:

1. Menos presidências abertas, logo menos helicópteros alugados. Quanto custam? Quantas escolas primárias ter-se-iam construído pelo valor do aluguer desses famosos helis?
2. Já alguém reparou quantas viaturas compõem a escolta presidencial, que inclui ambulância e bombeiros? Se houver um acidente em pleno centro da cidade capital, de certeza que não há ambulância e bombeiros para acudir as vítimas.
3. Já alguém passou, por exemplo, defronte à residência oficial da Governadora da Cidade de Maputo (cruzamento das Av. Julius Nyerere e Mao Tsé Tung)? Se passar, por lá verá sempre à disposição uma viatura da polícia. No entanto, se alguém for importunado em pleno centro de Maputo, a polícia não dispõe de viatura para se deslocar ao local e proteger o pacato cidadão.
4. Menos ministérios, menos gastos, mais eficácia e mais eficiência. Para quem não sabe, basta imaginar os valores que envolvem o gabinete do ministro (viaturas, regalias, despesas de representação, assessores), vice-ministro (viaturas, regalias, despesas de representação, assessores), secretárias, despesas correntes (água, energia, comunicações, economato, etc, etc).
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Veja-se a seguir como poderia ser um governo suficiente quanto baste:
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►Ministério das Finanças
●Secretaria de Estado do Tesouro
●Secretaria de Estado da Administração Pública
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►Ministério da Defesa
●Secretaria de Estado dos Combatentes
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►Ministério dos Negócios Estrangeiros
●Secretaria de Estado da Cooperação
●Secretaria de Estado das Comunidades
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►Ministério da Economia
●Secretaria de Estado da Energia
●Secretaria de Estado do Turismo
●Secretaria de Estado da Indústria
●Secretaria de Estado do Comércio
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►Ministério das Obras Públicas
●Secretaria de Estado da Habitação
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►Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas
●Secretaria de Estado da Agricultura
●Secretaria de Estado do desenvolvimento Rural
●Secretaria de Estado das Pescas
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►Ministério da Saúde►Ministério do Trabalho
●Secretaria de Estado do Trabalho
●Secretaria de Estado da Mulher e Acção Social
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►Ministério dos Transportes e Comunicações
●Secretaria de Estado dos Transportes
●Secretaria de Estado das Comunicações
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►Ministério da Cultura, Juventude e Desportos
●Secretaria de Estado da Cultura
●Secretaria de Estado da Juventude
●Secretaria de Estado dos Desportos
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Do exemplo acima, é possível ver que há ministérios que só existem para acomodar os “camaradas”, senão vejamos:
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●Ministério da Função Pública
●Ministério da Administração Estatal
●Ministérios dos Combatentes●Ministério da Mulher e Acção Social
●Ministério do Planificação e Desenvolvimento
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5. Redução dos Institutos Públicos e “Fundos”. Por acaso já alguém se interrogou o que fazem os famosos “Fundos”:
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●Fundo do Fomento Pesqueiro
●Fundo do Fomento Mineiro
●Fundo do Fomento p/ Habitação
●Fundo de EstradasEtc, etc, etc.
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São muitos “Fundos” sem fundo que drenam dinheiros do erário público para sabe-se lá o quê.
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6. O que fazem os famosos SP (Secretários Permanentes). Há-os em todos os ministérios, governos provinciais, governos distritais, etc, etc.
7. Talvez pucos saibam, mas cada vez que o PR se desloca, por exemplo, a uma província, instala-se na residência oficial do governador local. E cada vez que tal acontece, mesmo que por um dia, o recheio da casa é totalmente refeito. Já alguém imaginou quanto dinheiro isto envolve?
8. O que fazem as Assembleias Provinciais? Que mais valia trazem para o enriquecimento da nossa vida pública? Mais gastos, mais acomodação de “camaradas”, tudo pago pelo erário público;
9. Caros o anúncio do “congelamento” do aumento dos ordenados dos titulares de cargos públicos não passa de uma manobra de folclore político para entreter os menos atentos. O Governo sabe que o problema não reside aí. Mais do que congelar, é preciso CORTAR na despesa pública, muito desperdício que o Estado incorre desnecessariamente.
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Por hoje fico por aqui, para a semana trarei outras dicas para ajudar.

Basílio Muhate candidata-se a Secretário-Geral da OJM




O JOVEM Basílio Muhate manifestou ontem formalmente a intenção de se candidatar ao cargo de secretário-geral da Organização da Juventude Moçambicana (OJM). Muhate pretende imprimir nova dinâmica no seio da organização, motivando-a para enfrentar os desafios da actualidade: pobreza, habitação, empreendedorismo e o elevado custo de vida.
Maputo, Terça-Feira, 21 de Setembro de 2010:: Notícias


A conferência nacional que vai eleger os novos órgãos directivos da OJM está programada para os dias 28 a 31 de Outubro, em lugar ainda por indicar, segundo apurou o “Notícias”, de fontes ligadas à organização. O processo de apresentação de candidaturas começou ontem e deverá prolongar-se até ao dia 30. Basílio Muhate foi o primeiro a manifestar tal intenção, segundo soube a nossa Reportagem.

Aliás, ele próprio confirmou e disse pretender ser o primeiro a chegar ao cargo, caso hajam outras candidaturas.

Economista de profissão, Basílio Muhate concorre à sucessão de José Patrício que não se pode recandidatar para o segundo mandato por impedimento estatutário. Ou seja, José Patrício já ultrapassou a idade estabelecida para o efeito, que vai dos 18 aos 35 anos.

Através da sua mandatária, Suzete Dança, membro da OJM e deputada da Assembleia da República pelo círculo eleitoral da província do Maputo, Basílio Muhate manifestou a intenção de ser secretário-geral da organização junto do Conselho Jurisdicional representado pelo respectivo presidente, Sérgio Chone e pelo secretário nacional, Rui Mapatse.

Interrogado pela nossa Reportagem sobre as suas motivações ao concorrer para o cargo, Basílio Muhate disse que pretende resgatar o entusiasmo da juventude vivido nos tempos de Zacarias Kupela, Leonardo Candeeiro, Gaspar Sitoe e mais recentemente de José Patrício, potenciando os aspectos positivos para que a OJM se reafirme e se consolide como seiva da nação.

“Quero que a OJM seja parte integrante da solução dos problemas do país, do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico. Quero uma OJM mais aberta e inclusiva, englobando os diferentes estratos sociais. Quero uma OJM à altura de enfrentar os desafios da actualidade: a pobreza; a habitação, o desemprego, o elevado custo de vida. Quero juntar toda a camada juvenil para atacarmos estes problemas”, disse Basílio Muhate.

O candidato a secretário-geral da OJM explicou que a sua candidatura tem o suporte de toda a camada juvenil do país e manifestou o desejo de que as eleições sejam livres, justas e transparentes.

Basílio Muhate é membro da OJM desde 2002. Mas antes esteve filiado à Organização Continuadores. É membro do Conselho de Jurisdição Nacional da organização, membro do Comité da Cidade do partido Frelimo e do Comité de Distrito Kampfumo. Filiou-se à Frelimo em 1999. Para além de economista é docente e afirma que o seu “cavalo de batalha” enquanto secretário-geral será o diálogo.

Poema de Fernando Pessoa (*)

UM DIA...

Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim...
do companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja
pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nas cartas
que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto
se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo...

Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
"Quem são aquelas pessoas?"
Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
- "Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrima abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes
daquele dia em diante.

Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a
sua vida isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não
deixes que a vida
passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de
grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem
morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!"

(*) Fernando Pessoa, poeta português, engenheiro electrotécnico

Friday, 17 September 2010

COMUNICADO DO OBSERVATÓRIO ELEITORAL

1. Nós, membros das organizações da sociedade civil integrantes do Observatório Eleitoral (OE), designadamente a AMODE, CEDE, CCM, CISLAMO, Conferência Episcopal da Igreja Católica, FECIV, LDH e OREC, desejamos partilhar com a sociedade reflexões sobre as recentes manifestações ocorridas principalmente nas cidades de Maputo e Matola.

2. Muitas pessoas maioritariamente jovens fizeram-se à rua nos dias 1 e 2 de Setembro de 2010, para expressar o seu descontentamento devido à crescente carestia de vida consubstanciada pela galopante subida dos preços dos produtos básicos, nomeadamente: pão, energia e água. De início, as manifestações pareciam querer exprimir uma mera contestação à alta de preços, paulatinamente, acabaram se assumindo como que uma revolta popular à ordem estabelecida.

Assim, nos dias supramencionados criou-se um ambiente de grande tensão social, caracterizado por violência física de parte-à-parte, entre os agentes da polícia e os manifestantes. À medida que a onda de contestação foi crescendo infra-estruturas públicas e de privados tornaram-se alvos dos manifestantes. Por exemplo, alguns armazéns de produtos alimentares, instalações de fornecimento de energia e de combustível foram sujeitos a saqueamento.

Segundo preconiza o artigo 51 da Constituição da República, “todos os cidadãos têm direito à liberdade de reunião e manifestação nos termos da lei”; porém é sabido que o procedimento para a realização da manifestação poderá não ter observado os trâmites previstos, se calhar devido ao medo e receio dos promotores virem a sofrer represálias, incluindo a não viabilização da referida manifestação.

Já era público, principalmente das autoridades policiais, de que no dia 1 de Setembro de 2010 iria decorrer uma manifestação de contestação à alta de preços, facto comprovado pelo porta-voz do Comando Geral da Polícia, ao declarar que a sua realização não seria tolerada.

No entender do Observatório Eleitoral, desta atitude das autoridades da lei e ordem, ao invés de acalmar os ânimos, eventualmente pode ter surtido um efeito contrário, de atiçar a vontade resoluta dos manifestantes de se fazerem à rua. À semelhança das manifestações dos madjermanes ou das campanhas eleitorais, em que os agentes da lei e ordem têm garantido protecção e segurança para os manifestantes, bem como a manutenção da tranquilidade e segurança públicas, a polícia podia ter procedido de maneira igual.

O resultado do exacerbamento de posições, por parte dos agentes policiais, por um lado, e dos manifestantes, por outro, saldou-se na perda de vidas humanas, maior parte das quais inocentes, incluindo a da criança de 11 anos que regressava da escola e foi atingida por uma bala.

3. Em primeiro lugar, endereçamos as nossas condolências às famílias que perderam os seus entes queridos, e expressar a nossa solidariedade com votos de rápidas melhoras aos feridos.
• Queremos deixar expressos os nossos votos de louvor e apreço, ao Governo pelas medidas de contenção de preços, contenção de despesas públicas e de austeridade na atribuição de regalias aos dirigentes, anunciadas no dia 7 de Setembro de 2010.
• Apelamos para um diálogo real, tolerância e inclusão social, virtudes que devem caracterizar o acto de bem servir e governar, devem ser usados pelos governantes para se aproximarem mais dos governados em todos os níveis da governação.
• Encorajamos que todas as forças vivas da sociedade adoptem formas mais eficazes de educação e formação das crianças e jovens de modo a se interessarem por coisas boas e invulneráveis a actos e acontecimentos de maldade.
• Conscientes de que as medidas tomadas, embora positivas, não resolvem em definitivo a situação de penúria e fome das populações, o Observatório Eleitoral apela ao Governo, em permanente articulação com a sociedade, para uma postura mais preventiva de crises, para a adopção de políticas mais inclusivas, tendentes a maior envolvimento dos cidadãos independentemente da sua filiação partidária, para o aumento da produção e produtividade e benefício das oportunidades económicas, num clima de maior confiança entre governantes e governados.

Maputo, 09 de Setembro de 2010

Wednesday, 15 September 2010

MUSSA BIN BIQUE (usando o reporter da STV) tenta apagar o fogo ateado pelo General Gruveta

Em vão

• Aparição pública do director num canal televisivo, só cheira encomenda


Quelimane (DZ)- A Universidade MUSSA BIN BIQUE, delegação de Quelimane, tenta mas em vão, apagar no fogo ateado pelo General na reserva Bonifácio Gruveta, no dia 07 de Setembro do ano em curso, quando este foi convidado a dar uma palestra subordinada ao tema “Percurso do movimento Independentista de Moçambique”.
Numa acção de claro escovismo, o director daquela universidade veio num canal de televisão independente, no dia 12 do mês e ano em curso, alegar que os factos relatados pelo nosso jornal no dia 8 de Setembro, não são verídicos.
Alawe Cheia, director daquela Universidade, sem vergonha tentou mas com um extintor sem substancia apagar o fogo.
Vamos aos factos
O que nos torna incrédulos é que o director da MUSSA BIN BIQUE, vem sem vergonha neste canal privado desmentir algo que ele próprio reconhece que foi dito, quando alega num comunicado sem timbre da instituição (o que logo a prior mostra má fé), sem assinatura, diz que o Diário da Zambézia destorceu factos da palestra que ele assume que o tema não é este que o DZ avançou. Será?
Num outro passo, Alawe diz que o DZ mentiu ao escrever que o General Gruveta, não disse que a guerra não terá iniciado em Chai e muito menos Alberto Joaquim Chipande, teria sido o autor do famoso primeiro tiro.
Mais ainda, o director da universidade diz que o orador teceu vários elogios a obra do Sérgio Vieira “Participei, Por isso testemunho”.
Ora bem, não percebemos como é um director duma universidade não tem domínio da língua portuguesa. Mas se for o caso justifica-se. Alias, sugerimos que veja as imagens na televisão pública que foram passadas num dos noticiários.

Nossas inquietações
Sabido que a palestra foi pública e o Diário da Zambézia recebeu o convite para cobrir o evento (vide), a atitude da universidade visa claramente limpar uma imagem pálida, isto porque por aquilo que vimos neste canal privado, nem sequer o General Gruveta, desmentiu os factos e muito menos assumiu. Por outro lado, inquieta-nos o facto deste pobre comunicado emitido pela Universidade ir cair nas mãos de um órgão que nem sequer esteve na palestra, ao invés de pelomenos desmentir os factos a partir do órgão que avançou com a notícia. Por o conhecimento público e dos nossos leitores, naquele dia 7 de Setembro, na sala de conferências do ex-IMAP, estiveram presentes dois órgãos de comunicação social, neste caso o Diário da Zambézia e a Televisão Pública, mas nada.

Nosso posicionamento
Face ao lambebotismo que assistimos através das imagens exibidas, reiteramos mais uma vez que o General Bonifácio Massamba Gruveta, disse claramente que tem duvidas que seja o seu compatriota Joaquim Alberto Chipande, o autor do primeiro tiro. Aqui, os presentes riram-se e pediram para que ele fosse mais claro, foi dai que o orador simplificou dizendo que “ele já deu várias entrevistas sobre o primeiro tiro, quem ouviu, ouviu e quem não ouviu paciência”-estivemos a citar as palavras do General Gruveta, gravadas em áudio em nossa posse.
Gostaríamos porem, através deste, apelar a Universidade, neste caso a sua direcção para não se precipitar, porque o fogo que o general ateou, não se apaga com um extintores de pequeno calibre, como estão a tentar fazer. Lembrar ao director Alawe que as palavras do General Gruveta, tem um impacto nacional e ate internacional, porque ele faz parte da história deste país, que a MUSSA BIN BIQUE, tenta sem sucesso, tal como outros tantos, fazem para apagarem.
No fim, queremos mais uma vez dizer que aquilo escrevemos, obtivemos na sala onde se deu a palestra. (AZ)

Festival (de Camarao) de Zalala adiado?

Algo parece nao estar a andar como deveria ser no turismo da Zambezia! Para quem tinha duvidas, os rumores que circulam nos bairros da Cidade de Quelimane sobre o possivel adiamento (mais uma vez) dao conta de que nao sera desta vez que teremos o famoso 'Festival do Camarao de Zalala' a tempo e horas!

Normalmente o festival tem decorrido em Agosto, para coincidir com a euforia do Dia da Cidade de Quelimane (21 de Agosto), mas este ano o mesmo foi adiado primeiro para Outubro e agora segundo fontes nao oficiais, parece que o mesmo sera 'empurrado' para Novembro!

As famigeradas obras de melhoria da estrada Quelimane-Zalala estao ainda no quilometro tres dos cerca de 40! Com este andar as obras estarao terminadas em Junho de 2011, a tempo para o 'Festival de 2011'!

E caso para perguntar: Mano Meque Quo va dis turismo na Zambezia?

Um abraco,

MA

4 agentes da PRM desabafam sobre os acontecimentos de 1 e 2 de Setembro 2010

Num depoimento emocionante, quatro agentes revelam com exclusividade ao @Verdade o enredo do 1 e 2 de Setembro, as ameaças aos jornalistas, as balas perdidas, as dificuldades da profissão, o “negócio” da escolta e a dor de disparar no rosto de um problema que também é o deles: as manifestações contra o custo de vida…

João Sem Vontade*, com 7 anos na Polícia, foi um dos agentes da lei e ordem que reprimiu as manifestações populares de 1 de Setembro contra o custo de vida, mas nem por isso deixa de ser vítima da alta de preços de bens de primeira necessidade. “Um polícia recebe 3500 meticais e um saco de arroz de 50 quilos custa 1550”, afirma
cabisbaixo. Obede Carlos*, funcionário da Polícia há dez anos, não fala do preço do arroz, mas diz que cortou, por conta do custo de vida, o sabão líquido das suas despesas mensais. O frigorífico, por exemplo, “já não funciona 24 horas porque a energia também subiu”.
Jacinto Jacinto*, com 13 anos na corporação, não sabe o que é comprar um saco de arroz de 50 quilos há cinco anos. “Compro o saco de 25 quilos porque se optar pelo de 50 fico sem dinheiro para o carvão, o açúcar e para o transporte”, diz.

Silvério Silvério*, há 16 anos na Polícia, concorda com Jacinto, mas acrescenta que “por este andar, em Dezembro trocaremos o saco de 25 quilos pelo de 10. O arroz sobe todos os dias”, desabafa.

Balas perdidas

“Aquelas pessoas manifestaram-se por nós (polícias) já que não podíamos estar no meio delas”, garante. A seguir mostra que a AKM é uma arma muito traiçoeira. “Um tiro para o ar pode, no caso de encontrar uma parede ou um objecto sólido, ganhar outra direcção e atingir uma pessoa mortalmente”, justifica João, numa alusão ao facto de, na sequência dos protestos, a opinião pública ter acusado, na generalidade, os polícias de ter atirado para matar. “O que não quer dizer que os polícias tenham atirado em exclusivo para o ar. Houve colegas que dispararam para a população e até para pessoas indefesas”, comenta Silvério.

Na verdade, diz Jacinto Jacinto*, que trabalhou num dos pontos onde a manifestação popular foi mais violenta, Xiquelene, “a Polícia não tinha como conter os ânimos, os manifestantes atiraram pedras. O carro da terceira esquadra ficou sem o vidro traseiro. Alguns comandantes ficaram feridos. Não é verdade que usamos apenas balas de borracha. Em Xiquelene, por exemplo, o carro da Polícia não voltou por causa dos
manifestantes. Voltou porque já não tinha balas, tanto reais como de borracha”, esclarece. O bairro do Jardim e Magoanine completam com Xiquelene o trio que elevou a violência aos níveis mais altos nos dias 1 e de Setembro. O bairro do Triunfo e Av. Acordos de Lusaka vêm na segunda divisão da violência.

No Xiquelene, por exemplo, para a Polícia chegar até a ponte que fica no fundo do mercado, na Av. Julius Nyerere, foi preciso a intervenção de uma coluna.

Morreram mais do que dizem Depois dos protestos, os números oficiais contavam 13 mortos e 400 feridos, mas João não acredita. “Morreram mais pessoas, mas os dados
não foram avançados.” Em alguns casos a Polícia foi negligente e Obede
cita o que aconteceu no bairro Luís Cabral, onde um jovem foi perseguido e atingido mortalmente com balas reais.

Polícia também é povo

“Trabalhamos 30 dias e o salário só dura três ou cinco”, diz e acrescenta: “Muitos dos que queimaram pneus e atiraram pedras fazem contas para chegar ao fim do mês.” Por isso, garante, “não é fácil estar por detrás da arma que dispara contra o povo. Até porque esse povo “é nossa imagem e semelhança”. Aliás, “quem não tem pão somos
nós; quem reclama o custo de vida somos nós; o gás e o arroz subiram para o povo e, como deve calcular, com o salário do polícia não é possível não sentir os efeitos desse problema. Por isso, não é difícil concluir que, apesar do fardamento, também somos parte do povo.

Efectivamente, “é fácil condenar, mas antes é preciso compreender que, se fosse possível, estaríamos do lado dos que reclamavam pelo custo de vida. Bem no fundo, nós estávamos a torcer para que tudo desse certo”, refere. Na verdade, “disparar contra o povo foi um acto de dor”, afirma.

No entanto, as manifestações, no entender de João, não pararam por conta da acção da Polícia. O povo não se organizou para o efeito e as pessoas que estavam na rua vivem de pequenos biscates. “O dinheiro que fazem na rua serve para resolver problemas imediatos e, passados dois dias, já não tinham o que comer e foi por isso que voltaram ao trabalho”, acredita.

Os agentes ouvidos pelo @Verdade concordam com as manifestações, desde que não sejam violentas. “Apoiaremos uma greve pacífica”, diz João Sem Vontade. “Se as pessoas cruzarem os braços e não fizerem nada, como os madgermanes, a Polícia não tem razões para reprimir esse tipo de greve”, acrescenta Obede Carlos.

O trauma

Quando Silvério entrou para a Polícia, jamais pensou que o preço do sonho de manter a ordem pública, cultivado por milhares de jovens moçambicanos como ele, se tornaria uma cicatriz, gravada para sempre na sua vida sob a forma de um trauma. “Não me consigo esquecer do Hélio”, confessa. Estava no carro de onde saiu o tiro que o atingiu.
Silvério só não diz quem disparou. “Éramos muitos e é difícil saber de quem foi o tiro nestas circunstâncias. No entanto, vou viver com a incerteza de ter sido meu. É uma marca me que vai perseguir até à cova. E o pior é que não era alguém que estava na manifestação. Soube pelos jornais que se tratava de um estudante. Como é que podes viver em paz quando as imagens mostram sangue e livros?” Acrescenta: “Talvez
Hélio tivesse, um dia, a instrução que eu não tive.”

Uma profissão miserável

Obede Carlos fala abertamente sobre os perigos da profissão. “A Polícia não tem meios para reprimir o crime. Não temos protecção nenhuma e estamos à mercê dos malfeitores. Não temos subsídio de risco e o salário, já se sabe, é uma vergonha. Isto é uma profissão para sobreviver.” João não gosta do que faz e se pudesse arranjava outro trabalho, mas confessa que não tem “outro modo de vida”. Silvério é
ainda mais contundente: “Se eu morrer a minha família fica na maior desgraça.”

Silvério diz que a situação melhorou mas reconhece que os meios não são os mais adequados. “Actualmente conseguimos cobrir a cidade por causa das viaturas, mas não é normal o polícia fazer 24 horas de serviço, sem descanso e refeição.
Como não é possível regressar aos nossos lares para passar as refeições, temos de gastar o nosso dinheiro para nos alimentarmos.
Nestes dias temos direito a alimentação, mas é só por conta das manifestações”, revela João. Depois disto, “o luxo vai acabar.”

Segundo as nossas fontes, alguns membros da corporação trabalharam mais do que 72 horas. Obede, com o dedo em riste, diz que é um deles.
“Trabalhei terça, quarta, quinta”. Jacinto afirma que “o polícia, por norma, trabalha 24 horas, mas mesmo isso é desumano. Ninguém trabalha 24 horas”. No entender de João, isso é escravatura. Aliás, algumas mortes podem ser explicadas pelo cansaço dos homens da lei. “Olha para o caso de Obede quando enfrentou a população já tinha mais de 24 horas. Que discernimento é que ele tinha para lidar com a situação?”

Andar com arma é um risco

Apesar de reconhecerem que os polícias não têm meios para a sua defesa pessoal julgam que “não ter arma é uma protecção. Quando as pessoas sabem que tens uma arma perseguem-te e corres o risco de ser assassinado, mas o pior é quando te roubam a arma. Como justificas?

* Nomes fictícios

Posição da UNAC

Perante as Manifestações Populares dos Dias 1 e 2 de Setembro de 2010

NÃO À VIOLÊNCIA! NÃO À REPRESSÃO!
SIM À SOBERANIA ALIMENTAR!

Nos passados dias 1 e 2 de Setembro, assistiu-se em alguns bairros populares da cidade de Maputo, capital de Moçambique, e na cidade da Matola, uma cidade da cintura industrial de Maputo, a manifestações populares de grande violência, saque de bens alheios, públicos e privados, por parte de alguns elementos da população, e a uma repressão muito violenta da parte das forças policiais, podendo se deplorar a morte, por bala, de treze pessoas confirmadas, entre as quais duas crianças.

A UNAC, União Nacional de Camponeses, condena tanto o uso da repressão cega e da força letal por parte das forças da ordem, como a destruição gratuita de imóveis, veículos, bombas de gasolina e outras estructuras físicas por parte de elementos da população. Além disso, a UNAC deplora profundamente a morte de inocentes, que se encontravam no local errado na hora errada. Nossos votos para que, num país que se diz “ estado de direito”, uma situação destas não se repita NUNCA MAIS.

Um dos elementos que estão na origem desses levantamentos populares é a subida do preço do pão – quase simultánea com o incremento das tarifas de energia eléctrica, do fornecimento da água potável e dos combustíveis (esses últimos tendo conhecido incrementos regulares nos passados meses). A tensão no seio do povo já estava presente há meses devido ao aumento do custo da vida. Lamentamos que mais uma vez, quem é de direito não se tenha dado conta até as manifestações da semana passada acontecerem.

O pão, embora Moçambique não seja produtor de trigo, tornou-se um alimento diário básico para milhares de famílias moçambicanas do meio urbano. Sabe-se que o trigo, tal como outros bens alimentícios, é cotado nas bolsas mundiais, tornando-se assim um bem com valor muito volátil e sujeito à especulação, que depende dos altos e baixos dos mercados. No presente caso, o aumento do preço do trigo a nível mundial, seria derivado, entre outros motivos, do corte no seu fornecimento pela Rússia, que foi vítima, nas passadas semanas, de incêndios de grande amplitude, que atingiram as zonas produtoras desse cereal. Como então se justifica que incêndios no mato Russo possam ter consequências tão desastrosas para populações africanas, e mais particularmente moçambicanas?

Avaliando a situação que acabamos de assistir no nosso País (que provavelmente repetir-se-á não só em Moçambique mas também noutros países africanos, tal como aconteceram, em 2008 e pelos mesmos motivos, as chamadas “revoltas da fome” com o aumento do preço do arroz em vários pontos do continente e não só) fica óbvio que “há algo de podre no reino da globalização”. De realçar que mais uma vez, os países do chamado “terceiro mundo” são vítimas das crises que o “mundo desenvolvido” produziu. Daí nossas fortes dúvidas se realmente é esse o modelo que nós, os chamados “países pobres”, devamos seguir.

Como UNAC, reiteramos hoje o que temos estado a exigir a nível nacional, mas também a nível internacional dentro da Via Campesina: os nossos governos – e o governo moçambicano em particular - têm que levar a cabo compromissos políticos a longo prazo, por forma a reconstruir as economias alimentares nacionais. Os países doadores têm um peso extremamente grande no orçamento geral do País. Apelamos aos Governos destes países para observarem os compromissos de Paris e Accra no que concerne ao respeito pela soberania nacional na definição da agenda do nosso País.

A grande prioridade deve ser dada à produção alimentar doméstica para minimizar a dependência do mercado internacional. Os camponeses e pequenos agricultores devem ser estimulados, através de melhores preços para seus produtos e mercados estáveis, para produzir alimentos para si, para suas comunidades e para as cidades. Isto significa um aumento do investimento na agricultura do sector familiar, em pequenas e médias explorações para fazer face ao mercado interno, assim como medidas para controlar as importações baratas de bens alimentares.

A UNAC quer insitir aqui no termo “agricultura camponesa”, por oposição à “agricultura de grande escala virada a exportação”: a agricultura camponesa significa que ela basea-se nos camponeses e nas camponesas, que desempenha uma função social e cultural, zela por uma produção alimentar de qualidade, orgânica e adaptada aos hábitos e costumes alimentares locais, livre da especulação nas bolsas mundiais.

A UNAC insiste na necessidade de se olhar de forma mais positiva para a agricultura camponesa. As políticas neoliberais foram gradualmente formatando a alguns de nós, de que “os camponeses só produzem para a subsistência”, portanto “não é com eles que se pode dar o salto qualitativo para o desenvolvimento e o que é preciso é que a agricultura seja negócio e mais negócio”, daí a paranóia da agricultura de grande escala ou “agribusiness”. Vários exemplos em defesa desta argumentação nos são apresentados e que, portanto, é ela que devemos seguir. Isto é o que se propaga e implementa nos países ditos desenvolvidos e não só.

O que acontece é que as crises alimentares vão sucedendo uma a outra periodicamente à medida que se avança nesta direcção. É verdade, todavia, que os países que praticam este modelo produzem muito mais do que necessitam, mas uma grande parte da sua população passa fome. Um exemplo muito badalado deste modelo é o da nossa vizinha África do Sul. Sabe-se, todavia, que neste país há milhões a passarem fome e até em alguns casos pior que nas nossas zonas rurais, disso não se fala. É aqui onde está o problema.

O sector familiar beneficiando de incentivos e com políticas que levem ao seu crescimento - acesso ao crédito, terra, água, tecnologias, serviços adequados de extensão - pode produzir muito mais, assim como, logo à partida, contribuir grandemente para a distribuição. A produção e a distribuição vêm em cadeia. Não é necessário que os produtores de alimentos sejam comerciantes especuladores de comida para dar um forte contributo ao desenvolvimento sustentável e à Soberania Alimentar dos povos. Isto é que deve ser profundamente analisado, porque erro maior, é permanecer no erro!

Acontecimentos como os da semana passada em Moçambique corroboram com a nossa perspectiva de luta: os alimentos não são uma mercadoria qualquer. É inaceitável que uma população, na sua maioria pobre, fique à mercê dos mercados mundiais para comer ou não comer, quando um País como Moçambique possui terras e recursos naturais mais que suficientes para assegurar alimentos, tanto para o campo como para as cidades.

Saudámos as medidas anunciadas pelo Governo Moçambicano no passado dia 7 de Setembro, para conter os aumentos de preços e acalmar os espíritos. No entanto, solicitamos o Governo para avançar com medidas sustentáveis a longo prazo, para que as que foram tomadas não passem de meros paliativos, sem que todo o sistema alimentar do nosso país seja revisitado. Solicitamos ainda o Governo para melhorar os mecanismos de colaboração com os camponeses e as camponesas nos planos governamentais para o futuro.

Como UNAC, nosso dever e nossa missão é de continuar a lutar para que as familias moçambicanas, das cidades e do campo, enfim, nosso País como um todo, alcance a Soberania Alimentar.


NÃO Á VIOLÊNCIA! NÃO À REPRESSÃO!
SIM À SOBERANIA ALIMENTAR!


Camponeses Unidos Sempre Venceremos

Maputo, 8 de Setembro de 2010

UNAC
Rua Valentim Siti, N° 30, R/C
Maputo
Tel: 21 306 737
Email: unac.adv@gmail.com

Trigo apodrece sem mercado em Manica (E esta?)




Enquanto isso, em Maputo o preço do pão sobe devido à escassez de trigo

Manica (Canalmoz) – Cerca de sete mil toneladas de trigo produzidas na província de Manica, na campanha agrícola 2008/2009, não foram comercializadas devido à falta de mercado. Os cereais correm o risco de apodrecer nos celeiros da população, enquanto no resto do país há escassez de trigo.
A informação foi anunciada pelo director provincial da Agricultura de Manica, Dinis Lissave, que diz que o trigo foi usado como recurso para alimentar as populações de outras regiões da província, onde houve problemas de produção de outros cereais como o milho, mapira, mexoeira e arroz.
Segundo a fonte, na campanha agrícola 2007-2008, a produção do trigo naquela parcela do país foi de 1132 toneladas. A fonte acrescenta que nesta campanha, a comercialização foi feita junto dum organismo designado MEREC, mas os produtores e compradores divergiam em relação ao preço.
Na província de Manica, cerca de dois mil produtores encontram-se empenhados na cultura de trigo e na presente campanha agrícola espera-se que a produção desta cultura seja de 8350 toneladas, no quadro do contributo da província para a eliminação do défice do trigo no país.
No entanto, segundo indicou o director provincial da Agricultura de Manica, Dinis Lissave, ainda não há garantias sobre quem poderá se responsabilizar pela compra deste trigo que se prevê que seja produzido nesta parcela do país. A fonte afirma que o sector que dirige está a intermediar no sentido de encontrar uma empresa que se possa responsabilizar por adquirir este volume de produção (8350 toneladas) da presente campanha em Manica, a qual termina no final do mês que vem.
Esta situação acontece num momento em que o Governo central importa o trigo para alimentar a capital do país e outras províncias. O facto revela uma grande desintegração da economia nacional, a falta de infra-estruturas de transporte dos produtos, bem como a incapacidade de quem de direito de mobilizar os recursos nacionais para trabalharem sob a mesma direcção.
A nível daquela província, a cultura do trigo está a ser praticada nos distritos de Gondola, Sussundenga, Manica, Mossurize e Báruè.
A colheita da produção referente à presente campanha está ainda em curso. As autoridades do sector de Agricultura em Manica, segundo o respectivo director, estão a monitorar a colheita e a procura de compradores, tudo sem integração com o resto do país. E depois o governo acusa o povo de não produzir.

(José Jeco)

A Opiniao de Noé Nhantumbo

Canal de Opinião: por Noé Nhantumbo

GOVERNO É PARA GOVERNAR, NÃO PARA SE COLOCAR NAS “ALTURAS”!

Beira (Canalmoz) - Quando estão à procura do voto popular até parecem “farinha do mesmo saco”. Mas logo que se fazem eleitos é vê-los fugirem dos governados como se estes tivessem peste bubónica ou sarna.
Pode-se argumentar que a opção declaradamente despesista encontrada pelo PR como forma de auscultar o povo e sua sensibilidade face aos problemas nacionais tem validade e justifica-se. Só que indo pela via da avaliação dos resultados de tais exercícios de “presidência aberta” pode-se também concluir que o Presidente da República está relegando para as margens, a função de uma cadeia de funcionários governamentais que custam milhões de meticais ao erário público.
Que fazem os ministros e os governadores perante um quadro em que só é importante esperar pela visita do PR para verificar como estão funcionando as estruturas governamentais aos mais diversos níveis?
Se temos um Primeiro-ministro que não exerce funções executivas ou que é mais um coordenador de uma equipa económica governamental será que faz sentido prático possuir tal cargo? Um regime presidencialista como o nosso, tem de comportar-se como tal e não sobrecarregar o orçamento através de uma miríade de nomeações de titulares de cargos públicos que no final só servem para “preencher o saco” e encarecer as despesas para manutenção de tal máquina governativa. Há que inventar novas formas de compensar os que se empenharam na campanha eleitoral, se é esse o propósito ainda que despesista.
É de revisitar o modelo de governo que temos e de, com urgência, aferir-se o que é mais adequado para as condições do país.
Não há camarão que justifique a existência de um ministério e nem em tal ministério tem significado a criação de condições de maior sustentabilidade e desenvolvimento da actividade pesqueira e dos recursos pesqueiros nacionais. Praticamente, os empresários moçambicanos que se dedicavam a pesca estão votados a falência. Todo o negócio da pesca industrial e semi-industrial está resumido à presença de japoneses e espanhóis em ‘joint-ventures’ obscuras com alguns nacionais e o estado. Não prestam contas a ninguém ou os moçambicanos em geral não sabem nem querem saber – dá muito trabalho! – a quantas é que anda este sector.
O dossier da agricultura nacional está condenado a uma cooperação com uma FAO que ainda não resolveu os problemas mundiais de carência de alimentos. Nenhum dos países que alcançou o pleno desenvolvimento de suas agriculturas se baseou na hipoteca das ideias nacionais sobre o assunto. A confiar na FAO e nos seus consultores está claro que jamais haverá produção nacional. Afinal tudo está envolvido numa teia de interesses em que mais interessa vender o que a Argentina produz em carne do produzir em Moçambique.
O milho amarelo dos EUA serve objectivos de política externa óbvios e também é uma forma eficaz de garantir votos eleitorais nos EUA. É proteccionismo. Confiar nos campeões jamais nos levará para a estrada da independência alimentar.
Se não há clarividência nem regulação do sector florestal, se não se consegue ultrapassar conceitos de uma intervenção no sector baseada num departamento governamental forte e todo-poderoso, que se encarrega da distribuição de insumos e das políticas para o sector, continua-se no passado e não se libertam as forças produtivas sociais.
O Ministério de Agricultura não se pode encarregar da importação e distribuição de insumos agrícolas ou de juntas de bois. Isso cabe ao sector comercial que se não existe ou foi destruído, deve ser reconstituído. Se não há empresas estatais agrárias também o ‘prucurement’ para o funcionamento do sector deve não estar nas mãos do estado. Não se pode aceitar as regras do mercado só quando convém. Tem sido aquela vontade de controlar tudo e todos que por vezes condena e inviabiliza o desenvolvimento nacional.
Agricultura é feita por agricultores e se não existem em número suficiente há que fomentar a sua existência, criando políticas apropriadas que levem muitos moçambicanos a investir nela e não no luxo e em mansões.
É preciso criar as condições para que o mercado funcione e consequentemente haja interesse em investir no sector. Já há uma massa crítica de fundos nacionais que bem poderia significar a aceleração completa do actual quadro anacrónico.
Turismo e Meio Ambiente, Recursos Minerais e Energia podem funcionar perfeitamente combinados e com poupanças para os cofres do Estado. Alargou-se ou integrou-se o âmbito de actuação do Turismo para também abarcar as florestas e parques naturais, mas terá sido criada a base burocrática e de recursos humanos especializados para o sector?
Juventude e Desportos em muitos países não constituem um ministério. Os jovens com educação sob moldes curriculares adequados às necessidades de desenvolvimento do país podem abordar e enfrentar o mercado de trabalho sem ter que esperar por favores do patronato privado ou estatal.
A multiplicação de organizações supostamente destinadas a velar pelos interesses dos jovens tem-se revelado uma plataforma para a realização de agendas políticas. São mais alicerces para acção política e para assegurar a existência de uma base de mão-de-obra para a execução de campanhas político-eleitorais. Não tem aparecido nenhuma liderança das organizações juvenis que signifique apoio ao surgimento de ideias e seu debate profundo no seio da juventude de modo a que esta consiga situar-se nos tempos de hoje e projectar o seu futuro no quadro de uma sociedade solidária e responsável.
Sem ser imiscuir-se na contratação de um treinador para a selecção nacional de futebol que mais faz o sector de Desportos do Ministério da Juventude e Desportos? Contra as regras da FIFA e contra a liberdade de actuação das federações desportivas temos assistido a alguma agenda política contrariando o que está plasmado nas regras.
Só agora com a crise é que surgem ideias sobre fiscalização de preços. Antes onde estava a inspecção do Ministério da Indústria e Comércio? Onde estava a inspecção do Ministério dos Transportes e Comunicações quando as operadoras de telefonia móvel sabotaram o acesso de seus clientes ao serviço de SMS? Foi do próprio ministério que saiu a ordem? O governo a parar o país em vez de o fazer andar?
Onde estava a mesma quando os cabritos transportados pelos CCFB (Caminhos de Ferro da Beira) morreram alegadamente asfixiados na linha de Sena? Quem se responsabiliza perante os cidadãos quando estes não são servidos de acordo com o estabelecido?
Como são geridas as empresas públicas e para onde vão as receitas que arrecadam? Será que o governo quando vai ao Parlamento explica como são utilizadas as receitas das empresas públicas?
Como é que funciona a comunicação social pública e quais são os critérios utilizados para garantir que os cidadãos sejam servidos como se espera de um serviço público pago pelo público? Face a queixas periódicas de interferência política na comunicação social pública como a associação de inauguração de instalações da TVM em Nacala com a presença do membro da Comissão Política da Frelimo, Manuel Tomé, que tem feito o executivo nacional e o Parlamento?
O que parece beneficiar politicamente uns como é o caso, produz também os seus efeitos adversos como a impunidade que se instala e progride a olhos vistos. Quando não se governa com transparência a coisa pública, acaba-se por se intoxicar o ambiente e favorecer o estabelecimento de condições que promovem o tráfico de influências que como se sabe é o catalizador mais importante da corrupção no país.
E já é tempo suficiente deste ou qualquer outro governo que venha aí, entender que esta corrupção vai estar sempre em linha directa de confrontação contra as aspirações discursivas de combate contra a pobreza.
Os governados exigem simplesmente que este governo e os que venham amanhã e depois governem sem nunca esquecer que o seu mandato é popular e é a este povo que devem todos os seus actos.
O povo é o primeiro a compreender as dificuldades e a aceitar sacrifícios mas isso tem uma moeda de troca, que é a capacidade de quem governa estar sempre em sintonia com os governados e saber escutar o tempo todo, os sinais que constantemente são emanados das diversas esferas sociais.
Vamos abraçar o trabalho como via única de ultrapassarmos as dificuldades de hoje mas vamos também ser capazes de abordar a governação sem tabus nem limitações que só servem para esconder fraquezas, incapacidade, preguiça e arrogância de alguns governantes.
Quem governa jamais deve esquecer que não passa disso e não é mais do que um servidor dos cidadãos principescamente pago por estes.
Afinal governar é trabalhar e neste caso o patrão é o povo...

(Noé Nhantumbo)

Tuesday, 14 September 2010

Ao “encerrarem” serviço de SMS

Operadoras de Telemóveis terão violado direitos de liberdade de expressão

— Instituto para a Liberdade de Expressão (FXI), com sede na África do Sul

Pretoria (Canalmoz) - O Instituto para a Liberdade de Expressão (FXI), como sede na África do Sul, considera que caso se confirmem notícias recentemente divulgadas, segundo as quais a operadora de telemóveis, ‘Vodacom Moçambique’, cumpriu com uma ordem do governo moçambicano para encerrar os serviços SMS durante os protestos ocorridos em Maputo, tal constituiria uma violação dos direitos de liberdade de expressão dos cidadãos moçambicanos.
O director executivo do FXI, Ayesha Kajee, é citado pela agência sul-africana de notícias, SAPA, a dizer que uma vez que a «Vodacom South Africa» funciona nos termos das leis sul-africanas e da Constituição da África do Sul, seria de esperar que as suas operações em países estrangeiros obedecessem às mesmas normas.
As operadoras Vodacom Moçambique e MCel terão sido instruídas pelo Instituto Nacional de Telecomunicações a encerrar os serviços de SMS como forma de se neutralizar a campanha de protestos via SMS que deflagrou na capital do país a 1 do corrente. Durante dias, o serviço de SMS dos utentes pré-pago, nas duas operadoras de telefonia móvel, esteve bloqueado. Todos os outros serviços funcionaram normalmente.
Os revoltosos são essencialmente utentes do ‘pré-pago’ e usam sobretudo o serviço de SMS.

(Redacção)

Para aliviar revolta de 1 de Setembro

Medidas foram tomadas num “estado altamente emocional e de aflição” do Governo

– SG do MDM, Ismael Mussa

“Medidas do género foram anunciadas, mas nunca implementadas” “Não há condições para fiscalizar o cumprimento das medidas do Governo” – alerta o deputado da Assembleia da República

Maputo (Canalmoz) – As medidas anunciadas a semana passada pelo Governo, com vista a aliviar o custo de vida, são de difícil fiscalização por parte dos parlamentares, na medida em que não há clareza sobre o que, efectivamente, será feito, e o que o Estado visa poupar com a implementação das mesmas. Este alerta é do deputado Ismael Mussa, secretário-geral do MDM.
Para Mussa, as medidas do Governo da dupla Armando Guebuza/Aires Aly – este primeiro-ministro, não passam de simples enunciados que visam acalmar ânimos. Por exemplo, até hoje, ainda não está clara a modalidade dos subsídios ao trigo, lembra o deputado do partido liderado pelo edil da Beira, Daviz Simango.
Outra questão tem a ver com o corte nas despesas públicas que a par de outras medidas carecem de um orçamento rectificativo que deve ser submetido, até Outubro, à Assembleia da República para a aprovação, refere.
“Só depois da aprovação do orçamento rectificativo será possível fiscalizar as referidas medidas”, diz Ismael Mussa. Até agora, o parlamento está de mãos atadas para agir, esperando pela boa vontade do Executivo, acrescenta.
O secretário-geral do MDM afirma depois que as medidas recentemente tomadas pelo Governo não são, nem de longe nem de perto, suficientes para baixar o elevado custo de vida. Aliás, Mussa entende que essas medidas foram tomadas num “estado altamente emocional e de aflição” do Governo.

Medidas do género foram anunciadas, mas nunca implementadas

Ismael Mussa diz que muitas das medidas que foram anunciadas recentemente pelo Governo, em consequência das manifestações de 01 e 02 de Setembro, tinham sido anunciadas em Maio de 2009, pelo mesmo executivo, “mas até aqui ainda não foram implementadas com resultados conhecidos”. Mussa questiona a frieza do Governo em vir anunciar as mesmas medidas que os moçambicanos já conheciam embora ainda não disponham de resultados da sua implementação no passado. Fala, por exemplo, da racionalização da despesa corrente (corte de regalias), que foi anunciada em 2009 e que, sem resultados, voltou a ser anunciada este ano. Ismael pergunta: Quanto dinheiro o Estado poupou com esta medida?

“Estamos a repetir as mesmas coisas”

“Estamos a repetir as mesmas coisas”, afirma, acrescentando que tudo leva a crer que o Governo anuncia e não implementa. “Voltaram, por exemplo, a anunciar a promoção do pão feito com trigo e farinha de mandioca, mas já anunciado em 2008, e até hoje não há resultados”, clarifica.

Propostas do MDM

Este dirigente da oposição avança algumas propostas que na óptica do seu partido ajudariam a dar novas perspectivas à economia moçambicana. Mas antes afirma que em sua opinião, está eminente a falência técnica da economia nacional.
Mussa diz que o Governo deveria avançar com medidas drásticas com vista a reduzir os gastos públicos, eliminando, por exemplo, estruturas supérfluas e fundir ministérios. Assim, segundo explicou, criaríamos estruturas mais coesas e mais flexíveis, mais eficientes, e, acima de tudo, menos dispendiosas.
Acrescenta ainda que o Governo devia eliminar as “presidências abertas”, os vice-ministros, os ministros na presidência, e os representantes do Estado nos órgãos autárquicos, entre outras medidas.

(Matias Guente)

Castel-Branco chumba discurso de Guebuza



Pobreza da população gera riqueza de alguns

“A Pobreza dos moçambicanos não é mental nem espiritual” – afirma o economista e director do IESE, para quem o discurso do chefe do Estado Armando Guebuza visa esconder a real origem da pobreza que afecta mais da metade dos moçambicanos Castel-Branco vê na origem do discurso do chefe do Estado uma estratégia para evitar a responsabilização do Governo pelo fracasso das políticas macroeconómicas. Nas palavras de Castel-Branco, para além de ser utilizada como um recurso de colecta de ajuda externa, “a pobreza é um instrumento para manter o Poder com base na aplicação da ajuda externa em serviços públicos”, bem como “na distribuição do dinheiro para projectos individuais dos governantes”.

Maputo (Canalmoz) – O director-geral do Instituto Estudos Sociais e Económicos (IESE), Carlos Nuno Castel-Branco, refutou o discurso propalado pelo chefe do Estado, segundo o qual, a pobreza dos moçambicanos é mental. O economista considera que este tipo de discurso é um desvio propositado de Armando Guebuza que visa desviar as verdadeiras razões da pobreza no país.
Castel-Branco fez estes pronunciamentos à margem da publicação das obras: “Pobreza, Desigualdade e Vulnerabilidade em Moçambique”; e Protecção Social: Abordagens, Desafios e Experiências para Moçambique”, da autoria de pesquisadores da IESE, em Maputo.
Os comentários de Castel-Branco surgiram no decurso da apresentação de obras do IESE. Para o economista e investigador, é importante que os moçambicanos não se deixem enganar pelo discurso “miserabilista” de “pobreza mental” do chefe do Estado e encarem a pobreza “como um fenómeno social, que pode ser suprido com base em padrões de produção, distribuição e acumulação da riqueza”.
Segundo Castel-Branco, dizer que a pobreza é “mental” ou “espiritual”, é “culpabilizar as pessoas pobres devido à sua condição social”. Com este tipo de discursos, o chefe do Estado “faz com que a pobreza se torne um problema pessoal e não um fenómeno social”, considera o economista.

Discurso estratégico para fugir as responsabilidades

Castel-Branco vê na origem do discurso do chefe do Estado uma estratégia para evitar a responsabilização do Governo pelo fracasso das políticas macroeconómicas.
Castel-Branco mostra outra tendência de discurso do chefe do Estado, de rotular de invejosos os que criticam padrões económicos do Governo.
“Será que acelerar o crescimento económico com base em exportação de recursos naturais e a construção de infra-estruturas de apoio ao desenvolvimento da economia extractiva, associada aos incentivos fiscais não é uma das premissas que gera mais pobreza e mais riqueza ao mesmo tempo? Será que o aumento de preços dos bens básicos de consumo não reduz a oportunidade e opções de desenvolvimento de pessoas singulares no país?”, questiona o economista.

Pobreza da população gera riqueza de alguns

Num outro desenvolvimento, o professor universitário diz que a pobreza dos moçambicanos é usada pelo Governo como recurso para conseguir financiamentos externos, que depois são aplicados nos programas de combate à mesma. Segundo a nossa fonte, é evidente que “se a pobreza é um substituto para chancelas fiscais dos recursos naturais por gerar ajuda externa, então o Estado moçambicano pode subsidiar multinacionais”, todavia “já não pode subsidiar o pão, o transporte, etc.”, disse referindo-se aos mega-projectos que não pagam impostos em Moçambique, sob pretexto de promover o desenvolvimento, quando na leitura do economista, não trazem algum alívio à pobreza.
Nas palavras de Castel-Branco, para além de ser utilizada como recuso de colecta de ajuda externa, “a pobreza é um instrumento para manter o Poder com base na aplicação da ajuda externa em serviços públicos”, bem como “na distribuição do dinheiro para projectos individuais dos governantes”.

E se os mega-projectos pagassem impostos?

Como tem defendido em diferentes ocasiões, Castel-Branco voltou a afirmar que a isenção fiscal aos mega-projectos é prejudicial ao país.
“O subsídio ao pão custa ao Governo protelar a construção de 10 escolas”. “Quantas escolas secundárias poderiam ser construídas? E quantos subsídios para o pão e transporte poderiam ser introduzidos se a Mozal, a SASOL, entre outras empresas, pagassem impostos que deveriam pagar?”.

Os livros

Os dois livros do IESE são de carácter científico. O livro “Pobreza, Desigualdade e Vulnerabilidade em Moçambique”, contém um total de sete artigos que se debruçam sobre a pobreza, com enfoque no “discurso político oficial sobre a pobreza” baseado nas intervenções do chefe do Estado, Armando Guebuza.
O outro livro – “Protecção Social: Abordagens, Desafios e Experiências para Moçambique” – equaciona diferentes abordagens e debates sobre a protecção social em Moçambique no contexto dos padrões de acumulação de riqueza locais. E é composto por oito artigos que se debruçam sobre o enquadramento institucional e económico da protecção social no país.

(Inocêncio Albino)



2010-09-14 07:03:00

A Opiniao de Jeremias Langa


Segunda-feira, Setembro 13, 2010
O bom senso do Governo à sustentabilidade das suas decisões

O passo dado esta semana foi importantíssimo para aliviar o sofrimento das pessoas no imediato, não há dúvida. Mas temos que nos questionar em relação à sustentabilidade das decisões tomadas, pois amanhã, podem ser um grande embaraço à economia.


O Governo anunciou, esta semana, um pacote de 27 medidas de fundo para atenuar o custo de vida dos cidadãos das classes média-baixa e baixa, fortemente fustigados pelas últimas subidas de preços.


Para lá do impacto prático e real, que tem algumas das medidas tomadas, na subsistência de muitas famílias, sobretudo não aumentar preços de água, pão e energia, o simples facto de o Governo ter levado a sério as preocupações decorrentes das manifestações de 1 e 2 de Setembro e não ter embarcado nos discursos triunfalistas, de cortesães do poder, de que “está tudo bem” e que estas manifestações não eram representativas do pensamento da maioria dos moçambicanos, por terem ocorrido apenas em Maputo, é um agradável sinal de que as pessoas que governam este país compreenderam o que se está a passar. Compreenderam, sobretudo, que já passou o tempo em que eram sempre os outros os culpados dos nossos problemas, das nossas incapacidades.


Por isso, convenhamos: a mão externa que levou aos levantamentos populares de 5 de Fevereiro de 2008 e de 1 e 2 de Setembro de 2010 é a nossa incapacidade de prevermos convulsões sociais por nos convencermos de que estamos no bom caminho; a nossa impotência em materializarmos na vida dos cidadãos o crescimento e a estabilidade económicas do país; a nossa incapacidade para promovermos um diálogo são entre governantes e governados. O resto são cantigas.


Fez bem, por isso, a meu ver, o Governo ao não fazer ouvidos de mercador, mesmo às críticas menos católicas. Mostra que, ao contrário do que tinha deixado transparecer nos últimos dias, está, afinal, sensível aos problemas dos seus cidadãos e às opiniões diferentes das suas.


Há quem veja as decisões do Governo como uma cedência, uma fraqueza, um recuo. Não partilho dessa ideia. Pelo contrário, sou da opinião de que, ao decidir como decidiu, o Governo mostra que teve a leitura certa dos acontecimentos, percebeu que os governantes são servidores e quando os servidos não estão satisfeitos, cabe aos que governam satisfazê-los, mudar. O povo é que nunca muda. Por isso, um Governo recuar para satisfazer aqueles que o elegeram, é, a meu ver, sinal de grandeza, de elevação.


No caso do pão, da energia e da água, as medidas tomadas têm o mérito de atingir as pessoas que, de facto, careciam, pois, há cidadãos, neste país, para quem ter água, luz e pão ainda é luxo. Já o congelamento dos aumentos salariais e outras regalias dos principais dirigentes do Estado e dos gestores de topo das empresas públicas e participadas do Estado, é de um simbolismo político de efeito transcendental. Transmite a moralizadora ideia de que também os governantes estão disponíveis a consentir os sacrifícios que tanto pedem ao povo, dispõem-se a viver mais proximamente ao estilo do povo.


É certo que o real impacto desta medida, nas finanças públicas, não é nada extraordinário, mas é inegável o seu alcance político. Vincula os próprios membros do Governo e gestores da coisa pública de forma efectiva no desiderato de combate à pobreza. É, por isso, provavelmente, das medidas de impacto político mais importantes que se tomam nos 35 anos da nossa independência.


Poder-se-ia ir mais longe? Poder-se-ia, claro. Afinal, a estrutura de despesa governamental não se mostra em sentido de redução do deficit. Antes pelo contrário. Ainda há pouco, o Estado emitiu títulos de dívida no mercado para fazer face às despesas e isso fará, certamente, disparar a dívida pública. Por isso, no lugar de uma política de austeridade tímida, o Governo deveria avançar com medidas de corte mais de fundo, eliminando instituições supérfluas e aglutinando ministérios dispensáveis em poucos. Uma estrutura mais enxuta, mais flexível, mais eficiente e, mais importante ainda, menos dispendiosa. Porque o Estado não pode pedir contenção aos cidadãos e continuar ele próprio a gastar mais do que (não) produz – as receitas fiscais cobrem apenas 51% das despesas totais, na sua maioria despesas que têm a ver com remunerações. Os restantes 49% vêm de donativos e empréstimos.


O passo dado esta semana foi importantíssimo para aliviar o sofrimento das pessoas no imediato, não há dúvida. Mas temos que nos questionar em relação à sustentabilidade das decisões tomadas, pois amanhã, podem ser um grande embaraço à economia. Subsidiar pão, combustíveis, energia e água (sim, porque, não aumentando as tarifas, as empresas de electricidade e de água ficaram privadas de receitas com que contavam e que deverá vir de algum lado, agora – repassando-a a consumidores de maior capacidade financeira através do sistema de subsídios cruzados ou de subsídios vindos do próprio governo) é uma tarefa hercúlea para um orçamento que, como vimos acima, 49% das suas despesas são cobertas por donativos e empréstimos.


E, para agravar, se o Governo deu subsídio aos consumidores, terá de fazê-lo também aos produtores. São eles, afinal, que quando terminar a anestesia agora dada, terão de garantir a sustentabilidade das decisões ora tomadas. Urge, por isso, que o governo aproveite esta trégua e avance, seriamente, para soluções estruturais. É agora, pois, tempo de transformar o jargão “aumentar a produção e produtividade” em algo concreto.


E isso passa, de alguma forma, por atacar as distorções da nossa economia, apostarmos na competitividade, copiando dos outros, se necessário. Afinal, estamos apenas na posição 127 entre 135 países no Índice de Pobreza Humana da ONU. Atrás de nós, só mesmo estados falhados como Serra Leoa, Afeganistão ou Guiné Bissau. Muito pouco, na verdade.


E é tão importante gerarmos grandes transformações no nosso tecido produtivo, quanto antes, porque os próximos tempos não serão, propriamente, agradáveis. A entrada de vários milhões de novos consumidores provenientes da Ásia e da América Latina vai criar dificuldades inegáveis à economia mundial por via do aumento da procura nos mercados internacionais. O que quer dizer que os preços dos bens essenciais terão tendência a subir. E aí, os primeiros a sofrer são sempre as populações pobres de países pobres como nosso, que não têm como aumentar a sua renda para suportar aumentos repentino, como os que vivemos. Daí a premência de pensar para lá de Dezembro.


Regressando ao ponto de partida: bem ou mal, o Governo fez a sua parte nesta crise. O mesmo não se pode dizer dos partidos políticos da oposição e da Assembleia da República. Num período social crítico no país, os deputados não foram capazes de convocar uma sessão extraordinária para ajudar a encontrar soluções para os seus eleitores. Deixaram o Governo, sozinho, reunir e decidir. Sucede que algumas decisões tomada pelo Governo têm impacto directo no Orçamento de Estado aprovado pela própria Assembleia da República. Sobretudo nas questões fiscais, nesta crise, o Governo assumiu como acto consumado (está a negociar já com moageiras e panificadores quanto lhes vai dar de subsídios) compromissos de reorientação orçamental, sem ter o aval de quem aprova o orçamento – o parlamento. Noutra geografia política, imagine-se a crise política, se as propostas do Governo, entretanto apresentadas ao público, não passassem depois no parlamento.


Fonte: O País online - 10.09.2010

A Opiniao de João Mosca

Crise de competência

ECONOMICANDO


A palavra crise tem sido amiúde utilizada nas últimas semanas. Crise económica (desvalorização do metical, subida de preços, taxas de juro, etc.). Crise social. O último texto do Economicando referia-se à crise da maioria da elite moçambicana e da política. Este artigo dedica-se à crise de competência.
Entende-se por competência de uma pessoa, grupo ou organização, a capacidade existente de alcançar os objectivos pretendidos (eficácia), com o mínimo de recursos (eficiência, definida como a relação entre o output e o input, incluindo o factor tempo), de forma competitiva (capacidade de conquistar mercados e a preferência dos actores do lado da procura) e com a realização de um bem ou serviço de qualidade.
Revêem-se um conjunto de factos e realizações recentemente acontecidos ou previstos em Moçambique e verificar sobre a competência dos actores envolvidos. Optou-se entre outros, pelos seguintes casos.


• Previam-se benefícios derivados da realização do mundial de futebol na África do Sul. Moçambique não mereceu a preferência de qualquer selecção nacional para estagiar , ao contrário das expectativas difundidas. O estádio do Zimpeto não foi nem está concluído. Os novos edifícios do aeroporto de Maputo sofrem sucessivas derrapagens financeiras, rupturas de recursos e interrupções nas obras. A fronteira única com a África do Sul entrou em funcionamento após a conclusão do mundial. A entrada de turistas devido à proximidade da África do Sul ficou muito aquém do expectável nos discursos e as entradas e saídas de pessoas de Maputo que se deslocavam à RAS para assistir a alguns jogos distorcem as estatísticas já por si com números baixos.
• A realização dos jogos da CPLP em Maputo parece ter sido um fracasso desportivo (4º lugar para Moçambique). Campos com balneários não apresentáveis. Relvados de campos e pistas de atletismo em estado lastimoso.
• A realização do mundial de hóquei em patins previsto para Maputo foi cancelado e mudado para outro país por atraso na preparação de infra-estruturas e demais condições logísticas. O organismo nacional veio angelicamente a público referir não compreender a decisão do organismo que dirige a modalidade a nível mundial.
• A novela do corpo técnico da selecção nacional somou trapalhadas, confusão de funções e mandatos institucionais mesclados com claras dificuldades relacionais entre pessoas.
Mas não é só no desporto:
• Pelo que se foi conhecendo dos órgãos de informação, a anunciada mudança da FACIM para Marracuene foi adiada. Problemas nas relações de trabalho, de despedimentos reclamados pelos trabalhadores e dúvidas sobre a especulação imobiliária dos terrenos.
• Numa reunião recente, o Magnífico Reitor da UEM anunciou a mudança da faculdade de agronomia para o Sabié. Sem condições para a instalação da faculdade (infra-estruturas pedagógicas, acomodação de docentes, estudantes e funcionário, etc.), a decisão diz-se ser irreversível e para cumprir. Se assim for e da forma como se anuncia, será provavelmente mais um passo contra a qualidade do ensino superior que tão mal tem sido tratada.
• As forças policiais têm dificuldades em reduzir a onda dos crimes, incluindo do violento e muitas vezes de detectar e deter os criminosos.
• Quando existe uma visita de um responsável a um território (distrito ou província), os informes locais revelam sempre elevadas taxas de crescimento da produção agrícola. A soma de todas essas taxas ao longo dos últimos anos, certamente que não resultaria na queda de cerca de 40% da produção de alimentos per capita nos últimos cinquenta anos (em Estratégia de Desenvolvimento Rural, MPD).
Também há situações interessantes na política.
• Comerciantes na Zambézia são multados por não estarem presentes no comício do governador aquando da sua visita a um distrito. Parece-se voltar ao tempo em que era quase obrigatório ir aos comícios. Recordei-me de um caso num distrito de Cabo Delgado após a independência, também envolvendo um comerciante, que foi “arrancado” do seu quarto, transportado na sua cama e obrigado a assistir ao comício deitado no meio da multidão.
• A divulgação por um governador provincial do seu número de telemóvel em pleno comício para que qualquer cidadão lhe pudesse telefonar não tem qualificação. Os conceitos de demagogia e populismo são insuficientes para reflectir o acto. Deixa-se ao leitor a atribuição da palavra/conceito que lhe pareça mais ajustado.
• O posicionamento de responsáveis da FRELIMO acerca da propriedade do Museu da Revolução tem pouca consistência. Ninguém nega o papel da FRELIMO no processo Moçambicano após 1962. Mas duvida-se da monopolização dos processos apenas a uma organização, seja qual for e em que realidade acontecer. Admitindo-se que não é incorrecto utilizar o conceito e a palavra revolução (o que é duvidoso), muitas organizações e pessoas que não eram nem são da FRELIMO nela participaram. Em linguagem politica oficial, foi o povo que fez e revolução “unido e organizado pela FRELIMO”. Mas o povo não é a FRELIMO nem esta é o povo. Mais, um museu que procura ser o espelho de uma época da história, é património de um povo, é um bem público que a todos os cidadãos pertence. É legítimo poder haver um museu da FRELIMO mas a revolução, se houve, não é património monopolista de uma organização. FRELIMO, revolução e povo são coisas distintas.
Este conjunto de factos irrefutáveis revelam claramente incompetências, porque: (1) ou objectivos não foram alcançados, ou foram-no fora dos prazos; (2) a eficiência não é representada por derrapagens financeiras e ruptura de recursos; (3) a qualidade dos resultados e dos produtos (bens e serviços) são aquém do previsto.
Mas não menos grave que as incompetências medidas pela ineficácia, ineficiência, baixa competitividade e fraca qualidade dos produtos e serviços, são as trapalhadas organizativas, a mescla de inconsistência, incoerência e arrogância de alguns discursos e decisões, a descoordenação institucional, a ausência de programação e de rigor na realização das tarefas. Em resumo, crise de competência.
Quando escrevia duvidei acerca do título deste texto. Evitou-se a palavra vergonha. Mas de facto, tudo isto, é também uma vergonha. Para quem a tem! Porque também há crise de vergonha.


SAVANA – 10.09.2010

Entrevista com o economista Luís Magaço

Segunda-feira, Setembro 13, 2010


Custo de vida: Saída está no incentivo à produção e produtividade – Luís Magaço, economista e pesquisador social a-propósito das medidas adoptadas semana passada pelo Governo


UMA semana depois do anúncio das medidas de contenção de preços de alguns produtos de primeira necessidade e das despesas públicas, Luís Magaço, economista e pesquisador social, vem a público defender que para complementar estas decisões, o Governo deve agora adoptar uma postura de incentivo à produção e à produtividade para que o país possa continuar a crescer nos níveis a que se encontra hoje. Numa entrevista que publicamos de seguida, Magaço refere ainda que para o combate à corrupção, a independência do judicial, a criação de infra-estruturas sociais e a adopção de políticas cambiais e fiscal, que facilitem o negócio, devem estar no topo das acções governamentais. Sobre as decisões tomadas, o nosso interlocutor diz que elas foram as mais acertadas para o momento, muito embora se mostre contra a criação “constante” de subsídios à economia, como por exemplo, os adoptados para manter o preço do pão, baixar os serviços de abastecimento de água e energia eléctrica, ou de manutenção de custos, ao consumidor, de combustíveis.


NECESSÁRIO QUANTIFICAR MEDIDAS DE AUSTERIDADE


NOTICIAS (NOT) – Que resultados práticos, as medidas anunciadas pelo Governo, vão trazer para, efectivamente, aliviar o custo de vida das pessoas mais carenciadas no país?


Luís Magaço – Vamos colocar este assunto em duas vertentes. A primeira, são as medidas de contenção do custo de vida, nomeadamente, congelamento do preço do pão, água e energia, aqui incluímos as medidas que facilitam a ligação da água, o acesso à energia eléctrica, entre outras. Estas medidas têm impacto imediato. O que é que isso significa? Significa que a população vai basicamente continuar a poder adquirir os serviços e os bens ao mesmo preço. Devido ao facto destas medidas terem impacto imediato, penso que, de maneira efectiva, respondem às grandes preocupações das massas. Depois temos a segunda vertente, cujas medidas focalizam a redução da despesa pública, que eu não consigo ainda fazer a ligação com as medidas de contenção de custos. Não consigo fazer a ligação porquê? Primeiro, porque não conheço a dimensão numérica dessas medidas. Não sei o que essas medidas representam em termos de valor. Significa que o Governo está a tentar alcançar uma poupança de um milhão de dólares? De dez milhões de dólares? De cem milhões de dólares? Então, não é possível aferir esta avaliação através do comunicado do Conselho de Ministros. E, por outro lado, não sei se de facto as medidas de contenção das despesas respondem ou não às de contenção de custos.


NOT – Que impacto é que a contenção do custo de vida (manutenção e até baixa de preço) vai ter nos sectores de produção, por exemplo, na área panificadora ou de tratamento de água?


LM – Vamos chegar lá…por isso é que eu comecei por designar estas duas áreas – uma sobre a manutenção dos preços e outra sobre a contenção de despesas do Estado. Julgo que esta última é uma medida apropriada. Chegou quando chegou, mas penso que deveria ter chegado muito mais cedo, sem estar ligada à contenção de custos. Aliás, é por isso que eu vejo pouca ligação. Vejo ainda menos ligação porque não consigo numerar o volume dos subsídios que vão ser concedidos aos produtores e aos prestadores dos serviços cujos preços foram reduzidos para depois saber se o que se está a poupar cobre as necessidades, para um “perfect match” (encaixe perfeito). Isso não consigo saber porque aqui faltam números.


NOT – Lembro-me, por exemplo, das declarações públicas do Ministro da Indústria e Comércio que disse, por exemplo, que os subsídios indirectos ao pão custariam ao Estado mais de 46 milhões de dólares norte-americanos anuais, dinheiro que, segundo ele, daria para construir 10 escolas secundárias …


LM – Também ouvi essa questão mas continuamos a ouvir informações soltas, isoladas. Ainda não temos acesso à uma informação em conjunto…


NOT – (…) E mostra-se imperioso que o Governo faça tal informe?


LM – Claro que é imperioso, para sabermos onde é que vão buscar as receitas para sustentarem os subsídios. Porque se não soubermos donde vêm as receitas, não saberemos se os subsídios são sustentáveis a curto prazo, a médio prazo ou mesmo a longo prazo.


SUBSIDIAR NÃO É A MELHOR OPÇÃO


NOT – Das medidas anunciadas, o Governo decidiu suspender temporariamente a sobretaxa da importação de açúcar. Que impacto essa medida vai ter no país, tendo em conta que Moçambique produz açúcar?


LM – Eu gostava de não entrar na polémica do açúcar. Mas acompanhei a discussão através dos produtores e distribuidores de açúcar. Não estão satisfeitos com esta decisão porque dizem que ela lhes vai tirar mercado, uma vez que torna o açúcar importado mais barato. Mas, como disse, reservaria estes comentários para os que trabalham na área e podem fazer a defesa da sua causa. O que posso dizer é que os produtores de açúcar estão furiosos com esta medida e acham que deveriam ter sido ouvidos antes desta decisão ser tomada.


NOT – No que respeita ao trigo, a medida adoptada garante a produção de um pão de qualidade, pois, comentários há que dizem que os panificadores poderão manter o preço do pão, reduzindo o seu tamanho e até peso…


LM – (risos) Também já discutimos esse assunto… eu tenho sempre muito cuidado com medidas que preconizam a introdução de subsídios aos produtos. Falei há semanas sobre o subsídio ao combustível. Eu sempre disse que isso era como dar “um tiro no próprio pé”. Subsidiar um produto durante um mês, dois meses, é compreensível por que se trata de uma medida devidamente acautelada em termos de tempo e visa resolver um problema imediato. Agora, fazer desta medida de curto prazo uma acção de médio prazo, não é bom para a economia como se está a ver no caso do combustível, cujos subsídios tiveram uma duração prolongada. E, qual foi o resultado disso? É o que vemos hoje. O preço de combustível puxou a inflação para cima. E de que maneira? Puxou a inflação de uma maneira violenta. Daí que eu sou favorável às medidas de apoio à produção, de apoio à expansão de mercados. Eu sou apologista de medidas de redução dos custos de transacção. Por exemplo, retirar as inspecções desnecessárias, retirar o conjunto de custos que o produtor tem, cuja presença encarece muito o produto final ao consumidor. As medidas avançadas agora pelo Governo, penso eu que são a resposta imediata à situação que se gerou com as manifestações e que constituem um primeiro passo para o relançar da economia nacional. São medidas que se não forem bem equacionadas, temporizadas em termos de prazos, a sua eficácia pode não ser a esperada. Também penso eu que o Governo está a responder à esta situação em partes. Primeiro veio a público apelar à calma e dizer que não era viável para a economia alterar os preços. Depois, numa segunda resposta, veio anunciar medidas que atenuam o sofrimento da população, ao mesmo tempo dar exemplo de si próprio, das suas despesas, mostrando como eles, pessoalmente, são afectados com esta situação. Portanto, bom exemplo de que a situação não só afecta ao povo, mas também aos governantes. Foi uma boa resposta de curto prazo…


NOT – …e a médio e longo prazos?


LM – Acho que a médio prazo haverá outras medidas. Haverá outros anúncios porque julgo que existe uma equipa que está a trabalhar no assunto. São cinco ministros, não é? São cinco ministérios que estão a trabalhar e, com certeza, virão com números para sustentar as suas posições.




MELHORAR A COMUNICAÇÃO


NOT – Nos últimos anos verificamos que a pressão social é cada vez mais forte sobre a economia. Pela segunda vez em menos de dois anos o Governo teve de tomar decisões económicas com base na pressão social. Como evitar esse tipo de pressão na economia?


LM – Não sei se se pode evitar. O Governo não pode contrariar, por exemplo, as forças do mercado. Se o preço de combustível a nível internacional está a subir, ele não pode baixar; se o preço de insumos para a produção de cimento para a construção civil está a subir no mercado internacional, o Governo não pode baixar o preço de cimento...então, eu não vislumbro uma medida que não seja a que acabei de dizer agora, ou seja, que não seja o aumento da produção. Aliás, cabe aqui ao Governo melhorar a comunicação com a população. Outro dia alguém perguntava o que andavam a fazer as organizações comunitárias? Nomeadamente, o chefe do bairro? O chefe das 10 casas? Será que não tinham conhecimento dos movimentos que haviam em volta da preparação das manifestações? As pessoas não moram no espaço. Vivem em locais conhecidos. O chefe das 10 casas sabe do movimento que há em seu redor. Ele sabia que as pessoas andavam descontentes. Que se melhore a comunicação, a articulação, a coordenação das estruturas administrativas e a população que ai é possível enfrentar o problema antes dele “aquecer”.


NOT – A falta de comunicação pode estar por detrás da realização destas manifestações ...


LM - Eu acho que faltou diálogo e faltou capacidade das autoridades locais em se comunicarem com o povo. Não se organiza uma revolta destas em algumas horas. Isto foi programado. Houve alguém que me disse, dias antes, que uma semana antes da manifestação começou a ver pneus distribuídos em vários pontos. Isso criou suspeitas. Isto aconteceu porque alguém organizou. Alguém mobilizou. Num ambiente destes, basta mobilizar 10 a 20 pessoas para os outros seguirem. Depois, os que organizaram podem ir para casa descansar que o movimento vai auto gerar-se. Em segundo lugar, significa que o conceito de organização de massas (sindicatos, ONG's...) é um movimento falido; é um movimento morto. Significa que o papel dos sindicatos foi totalmente ignorado pela população. Os sindicatos a única coisa que fizeram foi dizer que não tinham nada a ver com isto. Mas não abordou o problema. Na minha opinião, até poderiam dizer que não tinham nada a ver com as manifestações, mas deveriam chamar a atenção para quem de direito no sentido de resolver o problema levantado, que é o custo de vida. Nestas manifestações, ficou provado que os sindicatos não representam a classe dos que trabalham, nem dos que não trabalham.


COMO OPERACIONALIZAR AS DECISÕES TOMADAS ?


Nesta conversa com o “Notícias”, Luís Magaço questionou a forma de operacionalizar as medidas anunciadas semana passada pelo Governo, defendendo uma explicação clara dos governantes sobre a maneira como os produtores e provedores de serviços cujos produtos viram os seus preços reduzidos ou mantidos. Para a nossa fonte, é imperioso que estes esclarecimentos sejam feitos nos próximos dias de modo a não se quebrar a produção, nem a qualidade dos serviços prestados.


NOT – Essa informação sobre as metas de poupança e dos subsídios a serem atribuídos também iria facilitar a fiscalização da implementação das medidas anunciadas…


LM – Exactamente. Ademais, há um problema que se coloca aqui, que é a questão da operacinalização destas medidas. Como é que se operacionalizam estas medidas, do ponto de vista do provedor de serviços e do produtor. Isto é, por exemplo, eu vou manter os preços baixos, mas como é que eu recebo os subsídios? Como é que se mede as necessidades? Quais são os instrumentos criados para se levar a cabo este processo? Em relação aos provedores de água e de luz e em relação a outros provedores de serviços básicos, de que maneira é que estes se vão beneficiar dos subsídios para que os preços se mantenham nos novos níveis. Temos aqui as questões operacionais, que deverão estar ligadas com a contenção das despesas. O Governo disse que os presidentes e membros dos Conselhos de Administração das empresas públicas vão receber os seus salários apenas em meticais. O que isso significa? Se eu recebo seis mil dólares vou trocá-los em Meticais mas não reduzi o custo. Isto para dizer que se eu fosse um membro de um Conselho de Administração contratado para receber seis mil dólares, dos quais metade recebo em meticais e a outra parte em dólares, com esta medida, vejo-me obrigado só a converter os dólares em meticais. Vou receber tudo em meticais e pronto! Para mim a situação não mudou. Em termos de contenção de despesas não reduziu o custo e, consequentemente, esta medida foi apenas uma mudança da situação monetária da despesa.


NOT – No que respeita à contenção da despesa, o Governo é claro quando diz congelar o aumento dos salários e subsídios…


LM - …isso é outra coisa. Congelamento significa que não aumentam, não significa que não se mantém o que existe. Quando se diz fazer melhor gestão das viagens em classe executiva; quando se diz redução das viagens ao estrangeiro e domésticas; Como é que se quantifica isso? Como é que se operacionaliza isso? Eu tenho um programa anual, sei lá, sou um director-nacional, um administrador distrital ou governador provincial. Tenho 10 viagens anuais por fazer. O que significa a redução das viagens? Significa que tenho de seleccionar metade delas? Só posso fazer 70 porcento desse número? Alguém virá analisar o programa que tenho e depois vai dizer-me quais as viagens que devo fazer, de acordo com a importância que atribuir a cada uma delas? Há aqui uma série de questões operacionais que não estão claras, como não há uma meta financeira do tipo vamos reduzir a despesa em cem milhões de dólares. Não sei como se vai alcançar este objectivo.
CONTINUAR A CRESCER


De acordo com o nosso entrevistado, a aposta do país a médio prazo é garantir condições para que a economia continue a crescer ao ritmo que tem feito até agora. Para tal, Magaço defende a implementação três principais medidas, nomeadamente, acelerar as acções de combate à corrupção; garantir cada vez mais a independência do sistema judicial face aos poderes político e legislativo, para além do Governo apostar na edificação de infra-estruturas como estradas, energia eléctrica, abastecimento de água, entre outras que também possam garantir maior investimento estrangeiro na economia nacional.


NOT – A médio prazo, na sua opinião, quais as medidas prioritárias?


LM – A médio e longo prazos o país tem de continuar a crescer. A economia tem de crescer. Há muito pouco para inventar. Uma economia que cresce 9.5 porcento ao ano tem muito pouco por inventar. Tem de manter o seu ritmo de crescimento. É fundamental. O país tem de continuar a produzir mais. Neste momento, o PIB anda à volta dos 10 milhões de dólares, ano. Manter este nível do PIB e fazer com que o “PIB per capita” continue a crescer e tentar não descer muito no “Raking do Big Business”. A revista “Business Monitor” divulgou ontem (quinta-feira) o seu último relatório, no qual diz que Moçambique, em África, está na 23ª posição no que respeita ao desenvolvimento económico e social. Penso que o objectivo deve ser de nos posicionarmos nos 10 primeiros lugares, porque é nestes primeiros dez países para onde se orientam os principais investimentos. Nós temos de tentar subir do 23º para o 10º lugar. Temos de tentar saber o que os outros fazem melhor do que nós, que atrai o investimento estrangeiro nos seus países.
NOT – Para atingirmos o objectivo de uma cada vez maior produção e produtividade, qual é que acha que deve ser o papel do Governo no incremento desta medida?
LM - Essa medida para ser exequível tem de haver com um conjunto de acções que devem ser acauteladas pelo Executivo. Por exemplo, o que é que vem constantemente nos relatórios de instituições internacionais como principais impedimentos à expansão do negócio e atracção do investimento no nosso país? É a corrupção. É a independência e eficácia do sistema judicial. Depois tem outros factores, como por exemplo, infra-estruturas, disponibilidade de energia eléctrica....por exemplo, o projecto das areias pesadas de Chibuto esteve muito tempo em banho-maria porque naquela zona não havia energia eléctrica suficiente para a sua exploração. Então, temos um conjunto de medidas macroeconómicas que devem ser observadas. Portanto, é necessário combater a corrupção (que é fundamental); aprimorar a qualidade da justiça e simplificar a burocracia das instituições. A par destas acções temos de ter uma política monetária e cambial favorável ao negócio. Neste momento está-se a discutir um regulamento cambial que os empresários não gostam. Temos de criar condições que facilitem o negócio; que simplifiquem as operações cambiais; uma Lei de Trabalho que seja favorável ao trabalho e não ao emprego.


NOT – Outra grande aposta do Executivo é fortificar e estabilizar a moeda nacional...


LM - Uma moeda não se estabiliza por si mesma. A prova disso é o Zimbabwe. A moeda se estabiliza com produção. Ela funciona na paridade das forças do mercado. Nós podemos querer ter o Metical forte mas sem produção??? A não ser que seja uma medida administrativa. Mas o movimento objectivo das variações do mercado e de força é que devem estabilizar a moeda. A moeda não vai estabilizar porque queremos e a prova disso é o Zimbabwe, cujo país tentou manter a moeda local sem produção e o que aconteceu? Verificámos inflações milionárias e hoje nem se quer tem moeda. Tem o rand, o dólar americano, e também o metical a circularem...


POVO NÃO TEM CONFIANÇA NOS PARTIDOS POLÍTICOS?


AS organizações da sociedade civil, incluindo os sindicatos, perderam totalmente a sua credibilidade junto dos cidadãos. Esta é uma das conclusões do nosso interlocutor quando convidado a fazer uma leitura do modo como as manifestações de 1 e 2 de Novembro ocorreram:


NOT - Não só os sindicatos e outras organizações sociais foram excluídas do processo de luta da população. Também os partidos políticos foram “excluídos” do processo...


LM- Sim, onde estavam os partidos políticos? Em muitos países, os movimentos reivindicativos são liderados pelos partidos políticos. Isto significa que o povo não tem confiança nestas instituições; nem na sua capacidade de mobilização, nem na sua capacidade de defesa de políticas públicas favoráveis à situação dos mais desfavorecidos. Portanto, a população ignorou estas entidades e avançou pela voz natural do povo.


NOT - Como explica que estas manifestações tenham eclodido, com maior força, em Maputo e Matola, onde, por sinal, os preços são mais baixos que no resto do país, particularmente no interior?


LM - Eu acho que está apenas ligado ao facto de em Maputo existir mais informação. É na capital do país, onde a informação sobre os direitos das pessoas são bastante conhecidas; a Imprensa está aqui presente com mais força e a população tem vários instrumentos de dissuasão da violência e das prisões arbitrárias. Acho que é uma questão de educação e de informação entre as pessoas e destas terem mais confiança nas capacidades cá, do que numa aldeia.


NOT – Os partidos políticos, sindicatos e outras organizações de defesa de massas foram “excluídos” deste processo. Face a esta realidade, que papel para estas instituições daqui para frente?


LM – Estas organizações têm agora um período curto para reflectir bem sobre o que “querem da vida”. Devem reflectir bem se, de facto, representam alguém ou não. Aliás, uma comunidade bem informada e dialogante não trai as suas estruturas. Não faz as coisas à margem das estruturas que existem. Essa comunidade avança, com responsabilidade e em concordância com a estrutura criada. Aliás, avança em concordância e obedece às chefias escolhidas. Se estas manifestações não tiveram a liderança dessas organizações é porque estas quebraram os laços com a comunidade. É por isso que vimos essas manifestações quase que desordenadas, mas que trouxeram a mensagem da população. Tudo o resto não sabemos. Não havia agenda, não havia um grupo mas havia a mensagem - o custo de vida é alto.


NOT – A nova postura das organizações da sociedade civil passa pela mudança das lideranças actuais?


LM - Não sei, mas passa pela mudança da abordagem do seu papel. Mas, se calhar, em algumas tal mudança deva existir.


Mussa Mohomed


Fonte: Jornal Notícias - 13.09.2010