Wednesday, 19 January 2011

ACIDENTE DE MBUZINI QUE VITIMOU SAMORA



Estados Unidos mantiveram comunicações entre Tupolev e Maputo sob escuta
– revela biografia de Pik Botha

Pretoria (Canalmoz) - As comunicações via rádio entre o Tupolev presidencial e a Torre de Controlo do Aeródromo de Maputo estiveram sob escuta dos Estados Unidos na noite do acidente de Mbuzini em que perdeu a vida o então chefe de Estado moçambicano, Samora Moisés Machel. A revelação vem contida na biografia do antigo ministro sul-africano dos negócios estrangeiros, Pik Botha, publicada em Dezembro último na África do Sul.
Segundo a autora da obra biográfica «Pik Botha and His Times», pouco depois do despenhamento do Tu-134A em Mbuzini, os investigadores da parte sul-africana receberam de entidades americanas a transcrição das referidas comunicações. A autora cita o investigador-chefe do acidente, pela parte sul-africana, como tendo dito que “os americanos mantinham a frequência sob escuta”. A frequência em causa era a do sistema de comunicações rádio de alta frequência utilizado pela Torre de Controlo do Aeroporto de Maputo para comunicar com aeronaves. O livro não fornece pormenores sobre a forma e o local onde foi efectuada a escuta, mas esta função cabe, em princípio, à NSA (National Security Agency), organismo norte-americano responsável pela recolha e análise de comunicações e transmissões em territórios estrangeiros.
Para além dessa transcrição, acrescenta a autora do livro, os investigadores sul-africanos também dispunham de outra, idêntica, obtida pela Base Aérea de Hoedspruit, situada junto à fronteira com Moçambique.
A transcrição permitiu aos investigadores de imediato detectarem falhas da tripulação do Tupolev presidencial. Efectivamente, no primeiro contacto com a Torre de Controlo do Aeroporto de Maputo, após ter entrado no espaço aéreo moçambicano, o Tupolev forneceu a hora prevista de chegada, o número de passageiros a bordo, o aeroporto de origem, e a autonomia da aeronave desde o momento de descolagem de Mbala, na Zambia. Nessa primeira comunicação, o operador de rádio do Tupolev pedia à Torre de Controlo para informar a quem de direito que “levava a bordo o No. 1”, numa referência ao Presidente Samora Machel.
Todos estes dados constam do plano de voo, que por norma deve ser efectuado antes da partida de uma aeronave. Tratando-se de um voo VIP, o plano de voo do avião transportando o presidente Samora Machel deveria ter sido efectuado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros moçambicano, com pelo menos 24 horas de antecedência. O fornecimento desses dados a cerca de 30 minutos da hora prevista de aterragem em Maputo era uma indicação clara de que a tripulação do Tu-134A não havia cumprido com um requisito elementar da navegação aérea, pondo em perigo a aeronave e a vida dos passageiros.
Posteriormente, em Moscovo, foi possível proceder à transcrição (e tradução do russo para o inglês) dos registos do gravador de cabine (CVR) do Tupolev que depois foi sincronizada com a transcrição da gravação da Torre de Controlo do Aeródromo de Maputo, ficando os investigadores com uma ideia mais clara do sucedido nos últimos 30 minutos do fatídico voo, em particular a acumulação de erros e falhas por parte da tripulação, o que viria a causar a colisão do aparelho contra os montes dos Libombos em Mbuzini. (ver transcrição integral de ambas as gravações em

www.samoramachel.com/transcricaoo_CVR_ATC.pdf
)

(Redacção)

Tuesday, 18 January 2011

Chatham House, Independent thinking on international affairs

The New Politics of Water- Water security and economic growth in emerging economies

Tuesday 14 and Wednesday 15 June 2011-A Chatham House international conference


Can the emerging economies achieve water security?

Enhancing water security and productivity is a key aim for governments, business and civil society. Register now and join senior figures from governments, business and international organizations, as well as expert commentators to discuss crucial issues such as:

* The flashpoints for transboundary water
* The case for, and barriers to, national regulatory frameworks for water allocation
* How regional resources – energy, food and water – can be used to best effect
* The private sector as water stewards
* New business models and structures to unlock investment in water.




Read the agenda


Speakers


Trevor Manuel



Trevor Manuel*
Minister in the Presidency: National Planning
South Africa


HRH Prince El Hassan bin Talal



HRH Prince El Hassan bin Talal
Jordan
Margaret Catley-Carlson


Margaret Catley-Carlson
Patron
Global Water Partnership
* in principle



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If you are interested in becoming a sponsor for this event, please contact Alison Archer on
+44 (0)20 7314 3643 or email aarcher@chathamhouse.org.uk



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MELIMO: MOVIMENTO DE ESTUDANTES LIBERAIS DE MOÇAMBIQUE

Centro de Estudos Moçambicanos e Internacionais
MELIMO e o Movimento de Estudantes Liberais de Moçambique
Av. Zedequias Manganhela, nº 593, 3º Andar esquerdo, porta 2, Caixa Postal 1092, telefax nº + 258 21 301522, Maputo-Moçambique.

e a UNIVERSIDADE POLITÉCNICA- Instituto Superior de Humanidades e Tecnologias – ISHT Quelimane

CONVITE

Exmo(a) Senhor (a),


O MELIMO em coordenação com o Instituto Superior de Humanidades e Tecnologias – ISHT Quelimane, vão lançar um DVD: Ideias de Liberdade e um CD: Ideas for a Free Society, contendo mais de 100 livros e artigos científicos, em formato electrónico e um vídeo interessante, nas línguas Inglesa e portuguesa, sobre economia, gestão, direito, política, governação e globalização.

Este lançamento vai decorrer num evento público, no dia 17 de Janeiro de 2011, Segunda-feira, a partir das 15:30 horas, no anfiteatro da Universidade Politécnica, Cidade de Quelimane.

Durante o evento teremos um debate sobre “Os Desafios e Perspectivas de Desenvolvimento de Uma Juventude Empreendedora: O Caso da Província da Zambézia”

Neste contexto, temos a honra e o prazer de convidar a V. Excia a participar neste evento de lançamento público do CD e DVD.

Nota: O CD e o DVD serão distribuidos gratuitamente aos presentes!

Quelimane, aos 13 de Janeiro de 2011


O Coordenador Geral do MELIMO
N. Henriques Viola


O Director do ISHT
Prof. Dr. Marcos Lourenço

Sunday, 16 January 2011

CONVITE

ZALALA BEACH LODGE E SAFARIS

Avenida da Liberdade nº 288, telefone 242117055; 847212061

Quelimane-Zambézia

CONVITE

Para:

Convite para Cerimonia de Entrega e Inauguração de Quatro Salas de Aulas construidas pela FDZ e a ZBLS na Escola Anexa ao Instituto de Formação de Professores Primarios de Nicoadala

A Fundacao para o Desenvolvimento da Zambezia (FDZ) em parceria com a Zalala Beach Lodge & Safaris (ZBLS), no ambito da sua resposabilidade social, construiram no ano transacto quatro salas de aulas de raiz na Escola Anexa ao Instituto de Formacao de Professores Primarios de Nicoadala. As salas foram igualmente equipadas com 100 carteiras para estudantes e docentes.

Assim, em coordenacao com a administracao do Distrito de Nicoadala e as autoridades provinciais de educacao, a FDZ e a ZBLS pretendem efectuar a entrega dos edificios as autoridades competentes pelo que vem por este meio convidar a V.Excia a participar do evento ( ver o programa em anexo) .

Sem outro assunto do momento, sobscrevemos-nos os ensejos para apresentar os protestos da nossa elevada consideração.

Manuel de Araújo
Vice-Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Zambézia (FDZ) e Socio-Gerente da Zalala Beach Lodge and Safaris, Lda (ZBLS).




PROGRAMA DE ENTREGA DAS SALAS DE AULAS DA ESCOLA ANEXA NICOADALA

10:00.h................................... Chegada dos convidados
10:15.h................................... Discurso de boas vindas directora da Escola
10:30.h................................... Intervenção da Comunidade
10:45.h................................... Intervenção Administrador do Posto
11:00.h................................... Intervenção do representante dos estudantes
11:15.h................................... Discurso do representante da Fundação para o desenvolvimento da Zambézia (FDZ)
11:30.h................................... Intervenção da Representante do Governo Distrital
11:45.h................................... Intervenção do Representante do Ministério de Educação
12:00.h.................................. Corte de fita
12:10.h.................................. Actividades Culturais e Poesia
12:20.h.................................. Conversa com os jornalistas
12:30.h.................................. Lanche - Confraternização
14:30.h.................................. Fim

Breaking News Alert:

Doctors remove Gabrielle Giffords's breathing tube
January 15, 2011 5:07:56 PM
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Doctors on Saturday removed Rep. Gabrielle Giffords's breathing tube, replacing it with a tracheotomy tube and freeing her from the ventilator, and could soon know if she can speak.

http://link.email.washingtonpost.com/r/U38ITL/RN11DD/MYE3O/GH787P/OCD2Z/MQ/h

For more information, visit washingtonpost.com

Letter from Michelle!

Manuel --

The Rev. Martin Luther King, Jr., is usually remembered for his heroic leadership of the civil rights movement -- he led the successful Montgomery bus boycott, delivered the "I Have A Dream" speech at a time when such words were still controversial, and ultimately gave his own life to the cause of equality.

But Dr. King was much more than a civil rights champion -- he was a man who lived his entire life in service to others, speaking out against poverty, economic injustice, and violence. Wherever he saw suffering, he did what he could to help, no matter who it was that needed him or why they were in pain. Through his leadership, he showed us what we can accomplish when we stand together.

Each January, we remember Dr. King on his own holiday -- and one of the best ways to preserve his legacy is to engage in service ourselves. As Dr. King told us, "Life's most persistent and urgent question is: 'What are you doing for others?'"

That's why this Monday, January 17th, Organizing for America volunteers will be participating in service projects all across the country in Dr. King's honor. There will be food drives, neighborhood clean-ups, education projects, blood drives, and more.

Will you find and sign up for an event in your area, and help make this country an even better place?

This movement is about so much more than politics -- it is about coming together through progress, change, and community. Lifting each other up in dedication and service is one of the best ways not only to honor Dr. King, but to honor each other. By giving service a new role in this country, we can establish a new foundation for our economy and a brighter future for our children.

That is why service is key to achieving our national priorities, and why Barack recently helped out at a Boys and Girls Club service event. Since moving to Washington, D.C., two years ago, he and I have gotten to know the community through similar service projects, including past Martin Luther King Day events. I treasure those opportunities, and I look forward to another one next week. Every time we pitch in, we get so much back, and always learn amazing things from our neighbors.

All of us have something to contribute, and all of us can make a meaningful difference in someone's life. It's a great way to remind others that they are not forgotten, and to remind ourselves that there are always things we can do.

Please help Barack and me honor the legacy of Dr. King, and join us in service to our country once again this year:

http://my.barackobama.com/MLKday

Thanks,

Michelle

Movimento pela erradicação da corrupção

To: Members in Movimento pela erradicação da corrupção
Lançamento do blogue do "Movimento ANTI-Corrupção"

A proveito para divulgar que já se encontra online o blogue do Movimento Anti-corrupção . Este será um espaço onde a informação sobre o tema do combate à corrupção estará disposta de um modo mais perene. Haverá também sempre havendo a possibilidade de receber comentários e opiniões de quem o pretenda fazer.
Call to Action
Movimento ANTI-Corrupção
Link: Movimento ANTI-Corrupção
View Link

Letter from Boris!


Dear Manuel,

Boris Johnson, the Mayor of LondonThe Evening Standard has today revealed that 2010 saw the lowest murder rate in London since 1978. These new figures from the Metropolitan Police also show a decrease in knife and race hate murders in the last year.

Boris Johnson's first priority as Mayor was to make the capital safer by tackling crime. The figures tell their own story - crime has fallen since Boris was elected:

* Crime has fallen by 5.8%
* Murders have fallen by an average of 25%
* 9,500 knives have been taken off the streets
* Youth crime has fallen by 11%
* Robberies have fallen by 19%

Boris Johnson has proved he is a Mayor who tackles the big issues, unlike his predecessor Ken Livingstone, who repeatedly blamed the media for rises in crime, famously saying, "If it bleeds, it leads."

Let's keep working together to make London an even safer, greater city.

Have a great weekend,
The Back Boris Team

Saturday, 15 January 2011

MELIMO: MOVIMENTO DE ESTUDANTES LIBERAIS DE MOÇAMBIQUE


Centro de Estudos Moçambicanos e Internacionais
MELIMO
Movimento de Estudantes Liberais de Moçambique
Av. Zedequias Manganhela, nº 593, 3º Andar esquerdo, porta 2, Caixa Postal 1092, telefax nº + 258 21 301522, Maputo-Moçambique.

e

UNIVERSIDADE POLITÉCNICA
Instituto Superior de Humanidades e Tecnologias – ISHT Quelimane

CONVITE

Exmo(a) Senhor (a),


O MELIMO em coordenação com o Instituto Superior de Humanidades e Tecnologias – ISHT Quelimane, vão lançar um DVD: Ideias de Liberdade e um CD: Ideas for a Free Society, contendo mais de 100 livros e artigos científicos, em formato electrónico e um vídeo interessante, nas línguas Inglesa e portuguesa, sobre economia, gestão, direito, política, governação e globalização.

Este lançamento vai decorrer num evento público, no dia 17 de Janeiro de 2011, Segunda-feira, a partir das 15:30 horas, no anfiteatro da Universidade Politécnica, Cidade de Quelimane.

Durante o evento teremos um debate sobre “Os Desafios e Perspectivas de Desenvolvimento de Uma Juventude Empreendedora: O Caso da Província da Zambézia”

Neste contexto, temos a honra e o prazer de convidar a V. Excia a participar neste evento de lançamento público do CD e DVD.

Nota: O CD e o DVD serão distribuidos gratuitamente aos presentes!

Quelimane, aos 13 de Janeiro de 2011


O Coordenador Geral do MELIMO
N. Henriques Viola


O Director do ISHT
Prof. Dr. Marcos Lourenço

MELIMO: MOVIMENTO DE ESTUDANTES LIBERAIS DE MOÇAMBIQUE


Centro de Estudos Moçambicanos e Internacionais
MELIMO
Movimento de Estudantes Liberais de Moçambique
Av. Zedequias Manganhela, nº 520, 3º Andar esquerdo, porta 2, Caixa Postal 1092, telefax nº + 258 21 301522, Maputo-Moçambique.

e

UNIVERSIDADE POLITÉCNICA
Instituto Superior de Humanidades e Tecnologias – ISHT Quelimane



Lançamento do DVD: Ideias de Liberdade e CD: Ideas for a Free Society , contendo mais de 100 livros e artigos científicos
Data e Hora: 17 de Janeiro de 2011, 15:30 Horas
Local: Anfiteatro da Universidade Politécnica – Instituto Superior de Humanidades e Tecnologias (ISHT), Cidade de Quelimane


PROGRAMA DO EVENTO
HORAS -- ACTIVIDADE -- INTERVENIENTES
15:30-15:45hrs -- Chegada e Registo dos Participantes Comité Organizador
15:45-15:55hrs Boas Vindas - Dr. Marcos Lourenço (Director da A Politecnica – Quelimane )
15:55-16:25hrs -- Lançamento do DVD: Ideias de Liberdade e CD: Ideas for Free Society -- N. Henriques Viola (Coordenador Geral do MELIMO)
PAINEL

16:25-17:50Hrs -- Debate: “Os Desafios e Perspectivas de Desenvolvimento de Uma Juventude Empreendedora: O Caso da Província da Zambézia” -- Orador: Prof. Dr. Manuel de Araújo (Presidente do CEMO)
Comentador: Prof. Dr. Marcos Lourenço (Director da A Politecnica – Quelimane )
Moderador: N. Henriques Viola (Coordenador Geral do MELIMO)
ENCERRAMENTO
17:45-17:50Hrs -- Considerações Finais e Agradecimentos -- N. Henriques Viola (Coordenador Geral do MELIMO)
Apoios:

ORDEMLIVRE.ORG E INTERNATIONAL POLICY NETWORK

Contactos alternativos:
827567896
e-mail: henriquesviola@gmail.com

Capa do Canal de Mocambique

Friday, 14 January 2011

A Opinião de Noé Nhantumbo

SOBERANIA NACIONAL OU SIMPLESMENTE ALEGAÇOES?
Onde estão o Conselho de Estado, o Conselho Nacional de Defesa e Segurança e quejandos? Ontem uma traineira e amanhã o que será?

Beira (Canalmoz) - O actual quadro nacional no que refere a sua política de defesa e segurança deixa de facto muito a desejar. Um país que se queira funcional e estável não pode continuar a guiar-se por fórmulas que revelam a ausência de políticas para os diversos sectores que conformam o Estado.
Os diversos órgãos que constitucionalmente tem como função garantir que a soberania e integridade territorial do país sejam preservadas e protegidas parece que pontificam pelo “combatido deixa-andar”. Ou será simplesmente que tudo foi uma questão de cumprir com o formulado na Constituição e na verdade não há interesse nem vontade política de accionar os mecanismos institucionais existentes para debater assuntos de interesse nacional, sua segurança, estabilidade e desenvolvimento consequente?
Quem tem medo de consultar e recorrer às ideias e opiniões dos outros? Porquê?
Não se pode nem se pode aceitar que as coisas aconteçam por improviso e que todo um povo seja sujeito a uma governação desnorteada, feita a “favor do vento” ou por impulsos de pessoas que confundem o País com o “seu quintal” ou com os seus interesses privados.
Como dizer que possuímos um governo responsável quando tal governo nem se lembra de que as fronteiras nacionais são sagradas e que a sua defesa e protecção constituem a obrigação primeira de qualquer formulação ou modelo de governação?
Como entender que as decisões orçamentais nunca se lembram de alocar fundos para o equipamento consistente e adequado de suas forças de defesa e segurança?
Como aceitar que um País com mais de 800 mil quilómetros quadrados de superfície não possua um só helicóptero militar funcional ou avião de intercepção?
Como aceitar que tal País não possua Marinha de Guerra equipada e pronta para fazer valer seus direitos e defender com eficácia suas águas territoriais?
Como aceitar que um governo de um País com cerca de três mil quilómetros de plataforma banhada pelo Oceano Índico descure de tal maneira a sua Marinha de Guerra que ela se limite a uns barquitos de borracha insufláveis que qualquer inimigo elimina com uma simples arma de chumbo atirado por pressão de ar?
Ausência de guerra não significa descurar a organização e equipamento das Forças Armadas como está a fazer o Governo.
De que soberania estão os governantes de Moçambique falando quando se revelam incapazes de defender as fronteiras nacionais da invasão de traficantes de toda a espécie?
Que dizer de um país que ao mínimo desastre tem de recorrer a ajuda internacional? Seja um incêndio, seja um naufrágio, seja uma situação de seca ou de inundações, tudo é tratado de forma leviana, inconsequente.
Afinal de que soberania nos estão falando quando quase tudo que se mostram capazes de fazer é estender a mão? Sem intervenção dos outros nada se faz, nada acontece. Até para limpar o lixo das cidades recorrem a consultoria externa. Onde está o orgulho nacional?
Ou julgam que soberania é sinónimo de negócios que contribuem para aumentar as fortunas pessoais?
Já é tempo de parar e pensar?
Quem se dá ao luxo de se fazer transportar de helicóptero em “presidências abertas” ou fechadas deve possuir o senso de orçamentar as despesas do Estado à medida das necessidades nacionais de Defesa e Segurança.
O discurso de soberania nacional que é legítimo, perde qualquer sentido e utilidade quando tudo o que fazem as autoridades competentes contraria os pronunciamentos e a real soberania nacional.
Não se pode persistir na prática comprovadamente errada de colocar dossiers nacionais de interesse público no segredo sob alegação de que são assuntos estratégicos e de natureza sensível quando no quotidiano se observa que as mesmas pessoas não mostram sensibilidade alguma com a porosidade de nossas fronteiras nem com a atribuição de vistos de residência e autorização de trabalho para qualquer tipo de diversos cidadãos estrangeiros que entram no país sob as mais diversas alegações, tantas delas aparentemente benévolas mas que acabam sendo malévolas e perigosas.
Governar comporta obrigações inalienáveis e responsabilidades. É preciso mudar e com urgência. Os políticos não se podem entreter com a discussão de assuntos que normalmente se circunscrevem a promoção de suas regalias no Parlamento e nos cargos. Há dinheiro para benesses mas nunca há dinheiro para o que é prioritário. Estranho!...
A situação é grave na esfera de definição do que é interesse estratégico nacional e do que é salvaguarda da soberania e integridade territorial.
Ou lutamos para a normalização governativa e exigimos no dia-a-dia que nossos políticos se situem no que é de real interesse do país ou estamos condenados a ser tomados por “país das bananas” sem seriedade alguma.
Cada um que queira faz o que o que quer entre nós e nada acontece porque quem se diz governo está preocupado com tudo menos governar.
Quando chegavam avisos de que a pirataria somali iria chegar à nossa costa marítima o que foi feito de relevo para contrariar isso? O que se faz de concreto para contraria a entrada de emigrantes somalis e outros no nosso País? Será só trânsito o que fazem ou possuem outras intenções? Que fazem os nossos serviços de segurança e que planos possui o governo para abordar questões actuais e de abordagem urgente como a migração ilegal?
Não andará o Governo a usar os serviços de segurança do Estado para missões contra cidadãos nacionais no interesse do partido no Poder em vez de tratar da verdadeira segurança nacional e da defesa da soberania e dos cidadãos?
No Parlamento, os chamados representantes do povo já se debruçaram sobre a situação séria que são os “buracos” na segurança nacional? Ou só estão preocupados com votar pelo aumento de suas mordomias?
Se queremos ser tomados a sério e como País sério e comprometido com o seu próprio desenvolvimento temos de demonstrar seriedade todos os dias e não ocasionalmente...

(Noé Nhantumbo)

“O Governo não deve usar rendimentos dos recursos nacionais para fazer festa”



– diz o economista norte-americano, Jeffrey Sachs, em palestra, em Maputo
Quando olho para as condições de Moçambique hoje, vejo que a má nutrição continua a afectar as crianças. O índice de mortalidade infantil prevalece. Cerca de 500 crianças morrem em cada 100 mil nascimentos. É chegado o momento de investirmos nas aldeias e criarmos, através da agricultura, as condições de sobrevivência dos pobres – Doutor Jeffrey Sachs “O meu medo é que daqui a algum tempo a terra seja arrancada das mãos dos camponeses e concentrada em alguns empresários. Se isso acontecer, Moçambique terá uma sociedade triste.” “Devem ter uma estratégia integrada para o desenvolvimento do meio rural. Agricultura, Educação, Saúde e Infra-estruturas, interligados. Isto, o país deve ter uma estratégia para os próximos 10 a 15 anos. Assim, usaremos o nosso crescimento económico de 10% para benefício próprio. Se fizermos isto. As próximas pesquisas sobre a pobreza não mostrarão índices tão preocupantes quanto agora”.

Maputo (Canalmoz) – O economista e Professor de Desenvolvimento Sustentável e de Gestão Pública, na Universidade de Columbia em Nova York, Jeffrey Sachs, está em Maputo e ontem proferiu uma palestra na Universidade “A Politécnica” subordinada ao tema “Moçambique e a Economia Global”. Jeffrey falou do estágio actual da economia moçambicana, falou do futuro, pelo menos até ao fim da presente década, e deixou recomendações para que “os recursos do país sirvam a todos”.
A palestra do economista norte-americano foi presenciada por altas personalidades da esfera económica e política nacional. Joaquim Chissano (ex-presidente da República), Luísa Diogo (ex-primeira-ministra), Pascoal Mucumbi (ex-primeiro-ministro), António Fernando (ex-ministro da Indústria e Comércio) são algumas figuras que, entre académicos, deputados, empresários e estudantes, assistiram à palestra do Professor norte-americano.

Crescimento económico não se reflecte na vida das pessoas

Jeffrey não poupou palavras. Começou por descrever Moçambique como uma economia emergente, cujos principais recursos são a terra, recursos minerais e recursos humanos. Destacou o crescimento económico médio anual “de aproximadamente 10%”, mas disse que este crescimento “não se reflecte nas condições de vida das comunidades”.
“Moçambique registou grande progresso económico nos últimos anos. Mas grande parte deste crescimento tem um impacto muito baixo para as pessoas. Os índices de pobreza continuam muito altos. As doenças e analfabetismo continuam com índices altos”, disse o académico e deixou recomendações.
“Não pode haver só crescimento de cima para baixo, mas também de base para o topo. Creio que, nos próximos anos, Moçambique vai precisar de uma estratégia de investimento integrado para garantir a distribuição da riqueza nacional por todos. Deve haver também investimentos nas famílias para fazer as partes de economia crescerem juntas”, recomendou.
De seguida, abordou área por área. Agricultura, Educação, Saúde e Infra-estruturas e Mega-projectos, são as áreas que o Professor norte-americano considera fundamentais para um “desenvolvimento integrado, inclusivo que começa da base para o topo e não de cima para baixo”.

Falta investimento na Agricultura

“Quando olho para as condições de Moçambique hoje vejo que a má nutrição continua a afectar as crianças. O índice de mortalidade infantil prevalece. Cerca de 500 crianças morrem em cada 100 mil nascimentos. É chegado o momento de investirmos nas aldeias e criarmos, através da agricultura, as condições de sobrevivência dos pobres”, propôs Jeffrey Sachs.
O economista e Professor de Desenvolvimento Sustentável e de Gestão Pública, na Universidade de Columbia em Nova York, descreveu, entretanto, a parca agricultura moçambicana.
“A média de produção em Moçambique continua uma tonelada por hectare. Isto é, um terço (1/3) da média dos países desenvolvidos. Moçambique ainda não teve a sua Revolução Verde. O camponês está a utilizar a colheita do ano passado para semente deste ano. E está dependente da chuva”.
Depois da descrição, o economista disse que esta realidade “é o resultado da falta de investimento na agricultura”.
“O camponês não pode fazer uma agricultura melhorada porque não tem meios. E não tem credibilidade para ter acesso ao crédito bancário”.
Nesta situação, considerou que os pequenos camponeses locais serão absorvidos por grandes camponeses estrangeiros que irão se apoderar da terra.
“Eles vêm da China, da Arábia Saudita. Chegam aqui, compram terra. Se permitirem isto, vão ter uma sociedade triste. Terá desigualdade em termos de posse de terra. Promovam os vossos próprios camponeses”, recomendou.
Nessa perspectiva o Professor de Desenvolvimento Sustentável e de Gestão Pública desafiou o Governo a subsidiar a agricultura dos pequenos camponeses, encorajar os camponeses a formar cooperativas agrícolas, criar rede com os mercados e melhorar as infra-estruturas.
Disse que a produção de comida “vai permitir a melhoria da saúde da criança e o alcance do desenvolvimento da base para o topo”. “Isto custa dinheiro, mas é necessário”, rematou.

Não há formação na Saúde

Quanto à Saúde, Jeffrey começou por recordar que “muitas causas da mortalidade em Moçambique são preveníveis”.
“A Malária é tratável, mas as crianças morrem porque não há médicos. O sistema de saúde precisa de formação, de técnicos e capacitação das comunidades. Custa dinheiro, mas não é oneroso”, disse.
“É preciso capacitar membros das comunidades nas aldeias sobre a saúde. Usar as universidades para verificar as crianças mal nutridas; acompanhar a saúde na comunidade, se tem rede mosquiteira. Isto não é muito caro, mas não é grátis. O mercado privado nunca vai fazer isto, só o Estado”, vaticinou.

Implantar tecnologia nas escolas

Sobre a Educação, a dissertação do economista norte-americano incidiu no uso das tecnologias no meio rural.
“É preciso termos escolas primárias ligadas à internet. Podemos usar a “Banda Larga” sem fio, com a participação das telefonias móveis. Isto vai garantir que, nas comunidades, haja internet”. Se não tem energia eléctrica, vamos instalar painéis solares para fazer funcionar os computadores. Isto não é gratuito, mas não é oneroso”, disse.

Infra-estruturas

Em relação às infra-estruturas disse que Moçambique deve começar a pensar num corredor de desenvolvimento que ligue o norte e o sul do país.
“Precisamos do corredor Norte-Sul. Podemos ter portos, mas não temos corredor Norte Sul ou Corredor de Moçambique”, disse. E quanto aos corredores actualmente existentes, que cortam o país no sentido vertical, Jeffrey disse que os mesmos devem beneficiar as comunidades por onde passam.
“Os corredores existentes não devem ser só para os transportadores de carvão, mas também para os camponeses. Por onde passam devem beneficiar os camponeses. Devem ser usados pelos camponeses”, referiu.

Lucros dos grandes projectos devem ser usados por todos

Quanto aos rendimentos dos grandes projectos, que os considerou principais fontes do crescimento da economia moçambicana, o académico disse que os lucros devem ser partilhados por todos os moçambicanos e “não devem ser usados para as festas dos governantes”.
“Deve haver transparência nos sistemas de tributação para que isto seja usado por todos. Se a empresa não quer pagar impostos, vai delapidar recursos em 5 anos e não há-de haver desenvolvimento. E se o país estiver a ter bons rendimentos, então devem ser partilhados por todos. O Estado deve usar os recursos que colecta (dos grandes projectos) para beneficiar o povo. Deve haver benefício mútuo. O Governo deve usar este rendimento para construir escolas e hospitais e não para fazer festa”. Era o economista e Professor de Desenvolvimento Sustentável e de Gestão Pública, na Universidade de Columbia em Nova York, Jeffrey Sachs, a opor-se ao que muitos têm vindo a apelidar de “grande farra”.
“Deve ficar claro para onde vai o dinheiro dos grandes projectos. Se este dinheiro está a ser canalizado para a agricultura, se está a beneficiar os pobres”, disse bastante aplaudido pelos presentes, principalmente pelos estudantes da A Politécnica e académicos presentes.


Metas e prazos para Moçambique

O economista americano, que desde 2002 é Conselheiro do Secretário-Geral das Nações Unidas para o cumprimento das Metas do Milénio, deixou metas para Moçambique.
“Devem ter uma estratégia integrada para o desenvolvimento do meio rural. Agricultura, Educação, Saúde e Infra-estruturas, interligados. Isto, o país deve ter uma estratégia para os próximos 10 a 15 anos. Assim, usaremos o nosso crescimento económico de 10% para benefício próprio. Se fizermos isto. As próximas pesquisas sobre a pobreza não mostrarão índices tão preocupantes quanto agora”, disse.
Houve espaço para algumas questões por parte da plateia, mas as respostas foram essencialmente de aprofundamento do que já havia dito na alocução.

(Borges Nhamirre)

MELIMO: Lancamento de CD e DVD de mais de 100 Livros e artigos cientificos Liberais em Quelimane


MELIMO: Lancamento de CD e DVD de mais de 100 Livros e artigos cientificos Liberais em Quelimane, Mocambique e debate sobre: "Os Desafios e Perspectivas de Desenvolvimento de uma Juventude Empreendedora: O caso da Província da Zambézia"
Orador: Prof. Dr. Manuel de Araújo (Presidente do CEMO)
Comentador: Prof. Dr. Marcos Lourenço (Director da Politécnica – Quelimane)
Moderador: N. Henriques Viola (Coordenador Geral do MELIMO)
Segunda-feira 15:30, Cidade de Quelimane: Anfiteatro da Universidade Politecnica,
Os CDs e DVDs serão distribuídos gratuitamente aos presentes!

Editorial: “Candongueiros” versus “elite” no Poder

Com estes predadores “o pouco que temos torna-se ainda menos”

Maputo (Canalmoz) As famílias moçambicanas continuam a pagar mais impostos do que as empresas. Do valor total das receitas de rendimento, arrecadado pela Autoridade Tributária de Moçambique em 2010, as pessoas singulares contribuíram com 98%, enquanto as empresas tiveram um contributo de apenas 2%. Isto significa que o Estado cobra mais às pessoas singulares, que trabalham para o sustento das suas famílias, e deixa na “frescura” certas empresas, entre elas os grandes projectos, obviamente. Mas mais caricato ainda é que apenas 10% da população activa paga impostos. E é este o tal País de “sucesso” governado por pessoas de “sucesso” há 35 anos. Francamente! Andam a querer enganar quem?
De quem é, afinal, a grande parte das empresas que não pagam impostos? Serão empresas de membros da oposição ou de cidadãos comuns que nem sequer querem saber dos partidos e de politiquices? Alguém pode acreditar que se fosse esse o caso o Governo as deixaria em paz?
Haverá dúvidas de que as empresas que se esquivam do fisco são da tal “elite” no Poder que não se cansa de repetir que não há alternativa para ela em Moçambique?
As que não pagam ao fisco não serão empresas de quem diz que este País está no “bom caminho”?
Não serão empresas de quem usa o Estado para “olear” os seus negócios privados?
Ah!, sim, agora está mais claro de onde vem tanto “sucesso”…
Se todos não pagássemos impostos haveria muitos mais moçambicanos com grandes casas e carros de grandes marcas.
Compreende-se agora melhor por que é que as grandes empresas beneficiam de isenções fiscais.
Percebe-se melhor a razão de ser das “zonas francas”, como por exemplo a de Nacala.
Temos vindo a dizer que a dita “elite” do actual Poder, que tantas vezes nos tem sido apresentada como “a salvação da Pátria”, não passa de um bando de parasitas – com o devido respeito pelas honrosas excepções.
Agora é evidente que realmente estamos rodeados de autênticos “chulos” – que querem eternizar os cidadãos do País como otários – a “chuparem o sangue fresco” dos que para a esmagadora maioria dessa “corte” não passa de “manada” – o “nosso maravilhoso Povo”.
O corajoso presidente da Autoridade Tributária de Moçambique, Dr. Rosário Fernandes, foi capaz de nos trazer números que evidenciam o trabalho de grande mérito que ele e a sua equipa estão a realizar.
Mas se esses números revoltam qualquer ser humano com repelência pelos “predadores” do erário público (quais bodes amarrados!), esses mesmos números também nos renovam a esperança, de forma sem precedentes. Porque também esses números nos permitem concluir que não estamos no “fio da navalha”, mas apenas no início de uma caminhada que tornará o sonho, de País viável, uma realidade, se formas capazes de juntar forças forem efectivamente empreendidas para o mais rapidamente possível se retirar do Poder os autênticos chupistas “que se aproveitam das dificuldades materiais que temos para aumentá-las e servirem-se delas”, como diziam os “camaradas” Feliciano Gundana e Aranda da Silva, na 11.a Sessão da Assembleia Popular, em Abril de 1983, ao indignarem-se contra os “candongueiros”. Lembram-se? Ainda se lembram “camaradas”? Ainda se lembram de terem dito que “o pouco que temos torna-se ainda menos com os candongueiros”? E com os chupistas, os chulos de hoje, os predadores do Estado, não será a mesma coisa? O pouco que temos torna-se ainda menos, com os pendurados no Estado, ou não será?
Lá diz o ditado: “o tempo é um grande juiz!”…
Chupam-nos a nós e chupam os cidadãos dos países doadores que apesar das suas próprias dificuldades ainda se dispõem a ajudar Moçambique.
Esses números revelados por Rosário Fernandes, apesar de nos mostrarem o nível de “castração” – permitam-nos a rudeza do termo – a que o punhado de “chulos” que se auto-intitula “insubstituível” nos está a sujeitar há vários anos – sem o mínimo de respeito até por tantas centenas de milhar de antigos combatentes da luta de libertação nacional e da luta pela institucionalização de uma Constituição que respeitasse os mais elementares direitos humanos e o pluralismo democrático – esses números da Autoridade Tributária, dizíamos, mostram-nos que ainda podemos acreditar que o País tem futuro. Porque ainda há muitos para pagarem impostos se realmente este País passar a ser governado por gente sensata e capaz, que siga políticas viradas para o verdadeiro interesse nacional, singular e público, sem que os governantes façam do Estado a sua própria machamba.
Está claro que o futuro depende exclusivamente de se afastar dos centros de decisão a chamada “elite” actual que afinal não passa de um autêntico bando de predadores do erário público que se reproduz exponencialmente.
Por outro lado, se as empresas apenas contribuem para o erário público com 2%, essas empresas naturalmente são do grupo de presas fáceis e não pertencerão, obviamente, a quem está próximo do Poder.
Estar próximo do Poder é por aqui que se vê o que vale. Por aqui se vê que vale realmente a pena estar próximo do Poder. Vale para não se pagarem os devidos impostos. Mas a pergunta a fazer-se é: serão estes os patriotas? De que Pátria? E não terá já chegado o dia que a ganância dos mais graduados já não dá para até os outros se safarem? Não estará a guerra das estrelas para nos levar para o mesmo abismo de uma Somália, de um Sudão, ou de uma Costa do Marfim?
Quem parte os dentes aos “cabritos” para nos salvar?
Será muito difícil perceber-se que a solução para Moçambique está mais próxima do que pode parecer?
Será muito difícil perceber que no dia em que tivermos um governo de cidadãos livres do “complot” actualmente instalado, muito embora possam parecer “menos competentes”, se não tiverem compromissos com quem hoje foge ao fisco, o País imediatamente poderá ascender a níveis de receita que possam catapultar o Estado Moçambicano para níveis de estabilidade financeira muito maiores e dependermos menos da ajuda externa?
Não estará a solução de Moçambique mais perto do que alguns podem imaginar?
Não bastará afastar os “chulos” para de facto podermos passar a usufruir do tal futuro melhor tantas vezes prometido como tantas vezes adiado?
Se realmente se acabar com os privilégios que só os tem quem anda colado ao dito “Poder”, não será que o Orçamento de Estado deixará imediatamente de ser deficitário? Cortes decisivos no supérfluo não viraria o rumo da história de um dia para o outro, qual varinha mágica?
Se o Estado for capaz de promover a realização das aspirações de quem está no informal porque apenas não tem outro modo de vida, o País não caminhará logo mais firme?
O que é hoje estar no formal? Não será trabalhar para alimentar parasitas?
Se todos os que hoje andam a “chular” o Estado pendurados no partido no Poder passarem a pagar impostos não será que esta grande aflição em que vivemos presentemente se converterá em maior fôlego financeiro do Estado para poder promover o desenvolvimento do País e aliviar-se de facto a pobreza?
Não será porque os grandes projectos fazem parte dos rendimentos de quem “governa” que há tanta hostilidade em reverem-se as isenções fiscais?
E porque razão os grandes projectos escolhem sempre figuras de proa do regime para se ancorarem? Não será isso a mais sofisticada forma de corrupção? Se isso não é corrupção, o que é? Afinal quem são os professores da corrupção?
Por quanto tempo mais é que terão de ser os cidadãos anónimos nacionais e dos países doadores a alimentar a “força activa e desestabilizadora da sociedade”, como dizia Feliciano Gundana em 1983 referindo-se aos “candongueiros” a que hoje se comparam os predadores do Estado?

(Canalmoz / Canal de Moçambique)

Matalane cede espaço para funeral do filho

Os restos mortais do Mestre Malangatana, pintor-mor e ícone das artes e cultura do país, vão hoje a enterrar em Matalane, em Maputo, sua terra-natal, num acto de Estado que contará com a presença do Presidente Armando Guebuza, familiares, amigos e representantes dos diversos segmentos da sociedade.

De acordo com o programa, as exéquias iniciam às 10.00 horas com uma cerimónia religiosa seguida de apresentação de mensagens de condolências e do elogio fúnebre.

Neste contexto e por decisão do Conselho de Ministros, o país observa a partir de hoje luto nacional de dois dias, devendo a Bandeira Nacional ser içada à meia-haste.

A primeira parte das cerimónias fúnebres terá lugar no anfiteatro do Centro Cultural de Matalane, local onde durante todo o dia de ontem decorreu o velório em homenagem ao pintor, enquanto a segunda decorrerá no espaço da futura Fundação Malangatana.

Fazer o seu enterro em Matalane era umas das vontades do finado manifestadas em vida.

O ícone da pintura moçambicana nasceu a 6 de Junho de 1936, na localidade de Matalane, distrito de Marracuene, onde começou a desenhar ainda em tenra idade com carvão ou com outros materiais que tivesse à mão até emigrar aos 12 anos para a então cidade de Lourenço Marques (hoje Maputo).

Conhecido pelos seus belíssimos quadros, antes de entrar para o mundo das artes plásticas Malangatana exerceu diversas profissões, como apanha-bolas no clube de ténis, empregado doméstico, pastor de gado e empregado de bar.

Na sua trajectória de vida lutou activamente pela independência, tendo sido preso pela Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE), torturado e, alcançada a independência, juntou-se ao Partido Frelimo, pelo qual viria a ser deputado na Assembleia Popular.

Em 1997 foi nomeado Artista pela Paz, tendo o director da UNESCO descrito Malangatana como “muito mais do que um artista, alguém que demonstra que existe uma linguagem universal, a linguagem da arte, que permite comunicar uma mensagem de paz”. Recebeu inúmeros prémios no seu percurso artístico.

As suas obras encontram-se espalhadas pelo mundo fora.

Fonte: Notícias

Thursday, 13 January 2011

Província da Zambézia



Obras do troço Mocuba-Nampevo na EN1 discutidas no Comité Provincial da Frelimo

Quelimane (Canalmoz) – Há já quatro anos que estão paralisadas as obras de reconstrução do troço Mocuba-Nampevo, na Estrada Nacional Número 1 (EN1), sendo um dos vários motivos para justificar a paralisação, a “incapacidade do empreiteiro TAMEGA, de prosseguir com as obras”. Neste momento, viajar na EN1, concretamente no troço referido, de cerca de 70 quilómetros, é um verdadeiro martírio. São, no mínimo, necessárias duas horas para atravessar aquele troço.
Após a retirada do empreiteiro que tinha a seu cargo as obras – a empresa de construção civil de origem portuguesa, TAMEGA –, muitos comentários se ouviram. Os residentes na Zambézia andam indignados. Concretamente especula-se que o troço Mocuba-Nampevo “não termina porque a Frelimo não goza de simpatias nesta zona”.
Muito recentemente, a Reportagem do Canalmoz esteve na província da Zambézia. A todo o custo tentámos colher alguma sensibilidade oficial sobre o ponto de situação das obras no troço em alusão. A Administração Nacional de Estradas (ANE) na Zambézia, não se predispôs a falar do assunto, alegadamente porque o respectivo delegado se encontrava de férias disciplinares. Fomos atendidos pelo Engenheiro Parruque, por sinal o “ponto focal” das mesmas obras. Informámos ao engenheiro Parruque que o assunto que nos levava a ANE era exactamente as obras do troço de que nos referimos e que sabíamos que ele era o “ponto focal”. Ele limitou-se apenas a dizer-nos: “eu não tenho autorização para falar à Imprensa e a única pessoa que pode falar é o director provincial das Obras Públicas e Habitação”. O engenheiro Parruque nada mais disse.

Tentámos igualmente colher alguma informação junto do director das Obras Públicas e Habitação da Zambézia, Cristóvão Furquia. Estivemos a deslocar-nos durante três dias ao gabinete de trabalho do director, mas este nunca esteve presente no seu gabinete. No primeiro dia, a secretária executiva do director garantiu-nos que poderíamos voltar na tarde do mesmo dia. Voltámos e o director continuava a não estar no gabinete. A novela repetiu-se por todos dias que tentamos falar com o director.

O assunto trata-se no Comité Provincial da Frelimo

Fomos ouvindo os citadinos da província da Zambézia e poucos quiseram abordar. É um tema tabu. Garantiram-nos que o assunto é actualmente tratado no Comité Provincial do partido no poder, a Frelimo.
Segundo apurámos na sede da Frelimo em Quelimane, junto de uma fonte bem identificada, mas que preferiu o anonimato, “este assunto é tratado aqui e pela camarada Luísa Diogo que se discute porque nós queremos arrancar com as obras nas vésperas das próximas eleições”.
A fonte explicou que “os esforços que têm sido feitos actualmente são apenas para atrapalhar o público porque aquilo nunca vai terminar sem cumprir com os interesses da Frelimo”.
Em Quelimane, sem sucesso, procurámos falar com a Frelimo, mas não foi possível porque as figuras competentes não se encontravam nas instalações do “partidão”.
Enquanto as obras vão sendo adiadas para que a sua conclusão possa acontecer por alturas das próximas eleições de modo a que o Partido Frelimo possa daí tirar alguns dividendos políticos, os acidentes vão se sucedendo no troço em referência. Luto e elevados prejuízos materiais é o que está a resultar da irresponsabilidade que continua a prevalecer por parte das autoridades que têm a seu cargo evitar tanta desgraça que por ali continua a ocorrer.

(Aunício da Silva)

Movimento de Estudantes Liberais de Moçambique

Av. Zedequias Manganhela, nº 593, 3º Andar esquerdo, porta 2, Caixa Postal 1092, telefax nº + 258 21 301522, Maputo-Moçambique.



Debate sobre:
“Os Desafios e Perspectivas de Desenvolvimento de Uma Juventude Empreendedora: O Caso da Província da Zambézia”

Concept Note

1. Introdução

O Movimento de Estudantes Liberais de Moçambique (MELIMO) é um projecto de estudantes universitários de Moçambique que se ocupa da estimulação do espírito empreendedor e de livre iniciativa entre os estudantes universitários. O MELIMO congrega várias Associações de Estudantes Universitários, incluíndo a EUNAZA ()em coordenação com o Centro de Estudos Moçambicanos e Internacionais (CEMO).

No âmbito do lançamento do CD: Ideas for a Free Society e do DVD Ideias de Liberdade, contendo uma colectânea de mais de 100 livros e artigos cieínficos, em formato electrónico, nas línguas portuguesa e inglesa para oferta aos estudantes universitários e jovens profissionais da Zambézia, organizamos um debate com o tema “Os desafios e perspectivas de desenvolvimento de uma juventude empreendedora: O caso da província da Zambézia”, a decorrer no dia 17 de Janeiro de 2011, pelas 15:30Horas no Anfiteatro da Univeridade Politécnica, na Cidade de Quelimane.


2. Ideia geral do debate


Moçambique é um país em via de desenvolvimento, com necessidades e carencias típicas. Todavia, nos últimos anos foram alcancados resultados positivos nas áreas sociais e económicas, principalmente no sector da educação. Há cada vez mais crianças e jovens na escola, há cada vez mais escolas primárias e secundárias. As universidades estão, até, em alguns distritos do país. Reduzindo deste modo a pressão que existia sobre as então poucas universidades, antes concentradas na capital do país, Maputo.

Entretanto, tendo sido dado este passo, surgem novos desafios. Há cada vez mais jovens formados sem emprego. Salvo raras excepções, como é o caso dos formados no curso de medicina, os que se formam nas várias faculdades tem cada vez menos certezas sobre o seu futuro emprego. Ademais, a escassez de emprego é apenas a ponta do iceberg. O cada vez crescente número de formados somado ao êxodo rural e a taxa crescimento da população também aumenta a demanda por serviços e infra-estruturas como habitação, transportes, saúde, segurança, energia eléctrica, água, saneamento, etc.
Neste contexto de alta demanda, se por um lado exige-se do Estado maior dinamismo na resposta a estas situações, por outro, espera-se que os cidadãos (principalmente os jovens) procurem e encontrem soluções extra-estatais em virtude da alta demanda e consequente redução da capacidade de resposta do estado.

Portanto, sem descurar do papel do estado, há necessidade de encontrar-se soluções que transformem os jovens e os estudantes, em particular, em actores principais e primários na solução dos dilemas que os apoquentam.

Moçambique é um país jovem, que ficou independente após uma luta armada de libertação nacional, que teve aspectos heróicos muito importantes. Logo em seguida o país mergulhou-se numa guerra brutal, entre moçambicanos, que só terminou em 1992.
Certamente que existem lições importantes que os jovens devem aprender com a sua historia, quer seja para apreender e replicar exemplos de abnegação e sucesso como também para evitar as falhas do passado.

A capacitação para o empreendedorismo é certamente uma das poucas saídas que os jovens e o país em geral têm para sair desta encruzilhada. Neste processo, apesar de o Estado ter um papel fundamental, a principal fatia de labuta vai para os jovens e empreendedores. Num contexto de saturação do Estado como é o nosso, são os jovens que devem encontrar caminhos extra-estatais para a resolução dos seus problemas. Entre os principais meios certamente podem estar as parcerias entre os estudantes, empresários, sociedade civil, etc. Há necessidade de usar o dinamismo e conhecimentos técnicos adquiridos na universidade para empreender e criar inovações no mercado por parte dos jovens e aliar com as capacidades financeiras e experiências dos empresários já estabelecidos e da sociedade civil.

É portanto, nesta conjuntura de procura de soluções que melhorem a vida dos cidadãos moçambicanos e dos jovens estudantes e jovens profissionais em particular, que organizamos este debate entre os empresários, académicos, estudantes universitários e jovens profissionais da província da Zambézia.

Que soluções ou sinergias podem ser encontrados dentro da sociedade civil para dar respostas aos anseios da juventude?

Será que a juventude está preparada para assumir um papel mais dinâmico na solução dos seus problemas? Se sim, quais as capacidades? Como aproveita-las da melhor maneira? Se não, como dotá-los destas capacidades? Como fazer com que os jovens apostem na livre iniciativa? Que oportunidades existem a nível dos mercados que possam ser aproveitadas pelos estudantes e jovens profissionais?

3. Objectivos do debate

O objectivo geral deste debate é:
• Juntar estudantes, empresários e académicos na procura de soluções para os problemas da juventude e da economia da Zambézia.

Objectivos específicos:
• Discutir os melhores mecanismos de interacção entre estudantes e empresários no desenvolvimento de soluções empreendedoras para a economia de Zambézia;
• Identificar mecanismos de interaccao entre os estudantes universitários ou jovens profissionais e os empresários e a sociedade civil da Zambézia.
• Idenfificar os prováveis papeis de cadaactor no desenvolvimento, desde o Estado, a Sociedade Civil, Academias, etc.
• Identificar os desafios de desenvolvimento da juventude estudantil activa na província da Zambézia.


4. Metodologia Usada para o Debate

O debate procurará fazer uma combinação de diferentes métodos e técnicas interactivas, explorarando igualmente, a técnica documental, essencialmente, material bibliográfico, com vista a proporcionar aos participantes do debate, alguns subsídios teóricos, factuais, praticos e actuais, que possam alimentar análises e debates construtivos e mais profundos.
Com efeito será constituído um painel de debate, composto por um moderador, um orador e dois comentadores, onde procurar-se-á debater a temática proposta sob os diferentes prismas e pontos de vistas. O moderador terá o papel de orientar o debate, cabendo ao orador fazer uma abordagem sistematizada do tema em debate e os comentadores farão uma análise crítica da abordagem do orador e adicionarão alguns comentarios pertinentes sobre a temática. Uma maior relevância, será dada ao método qualitativo e analítico, na perspectiva de analisar e trocar ideias a volta da temática em análise. À plateia caberá a função de colocar perguntas aos painelistas e tecer alguns breces comentários, com vista a tornar o debate mais interactivo, participativo e inclusivo.

5. Fundo de tempo

Interveniente Actividade Tempo atribuído
Moderador:
• Apresentação do tema e moderacao • Até 10 minutos
Orador:
• Apresentação da comunicação
• Respostas • 15 minutos

• 15 minutos
Comentadores:
• Considerações
• Respostas • 1 x 7 minutos
• 2x 6 minutos
19 minutos
Plateia Perguntas e considerações • 30 minutos
Total ------------------------------- • 89 minutos



6. Proposta de Programa

HORAS ACTIVIDADE INTERVENIENTES
15:30-15:45hrs Chegada e Registo dos Participantes Comité Organizador

15:45-15:55hrs Boas Vindas Dr. Marcos Lourenço (Director da A Politecnica – Quelimane )

15:55-16:25hrs Lançamento do DVD: Ideias de Liberdade e CD: Ideas for Free Society N. Henriques Viola (Coordenador Geral do MELIMO)

PAINEL

16:25-17:50Hrs Debate: “Os Desafios e Perspectivas de Desenvolvimento de Uma Juventude Empreendedora: O Caso da Província da Zambézia”

Orador: Dr. Manuel de Araújo (Presidente do CEMO)

Comentador: Dr. Marcos Lourenço (Director da A Politecnica – Quelimane )

Moderador: N. Henriques Viola (Coordenador Geral do MELIMO)

ENCERRAMENTO

17:45-17:50Hrs Considerações Finais e Agradecimentos N. Henriques Viola (Coordenador Geral do MELIMO)

Contactos Alternativos:
Cell: 827567896
E-mail: henriquesviola@gmail.com

Tuesday, 11 January 2011

Empresa indiana “Jindal Poly Films” obtém concessão carbonífera em Moçambique

Pretoria (Canalmoz) - A empresa Jindal Poly Films, do grupo indiano B C Jindal, anunciou que a sua subsidiária Jindal Resources (Mozambique) obteve a concessão de um bloco em Moatize para prospecção e exploração de carvão.
O bloco tem uma área de 1480 hectares, onde se estima existam 150 milhões de toneladas de reservas de carvão.
A Jindal Poly Films informou igualmente que uma sua outra subsidiária, a Jindal Metal and Mining, entrou numa parceria com uma empresa moçambicana para a prospecção, exploração e extracção de carvão, num bloco onde se estima existam 300 milhões de toneladas de carvão térmico.

(Redacção / macauhub)

As ligações perigosas do general João Américo Mfumo


Submundo do crime

Maputo (Canalmoz) - João Américo Mfumo, antigo combatente da luta de libertação nacional, ex-membro do governo de Moçambique, general na reserva e antigo comandante da força aérea moçambicana, actualmente um próspero empresário e presidente da Câmara de Comércio de Moçambique, está envolvido, através de mais um dos seus empreendimentos empresariais, com dois cidadãos estrangeiros com um passado tenebroso nos seus países, a Zâmbia e a África do Sul, respectivamente. Numa exaustiva investigação, o Canalmoz apurou os contornos dos negócios do general Mfumo.
Com a constituição da Intratek, Mfumo, em representação da firma Ocirema, juntou-se a Ibrahim Sildky Yusuf, um cidadão de nacionalidade zambiana, baseado na África do Sul, que é procurado pelas autoridades daquele país, devido a fraudes, entre outros crimes. Yusuf, também conhecido por Iboo, já respondeu em tribunal em Lusaka, por envolvimento no tráfico de Mandrax nos anos oitenta. Outro sócio de Mfumo é Ralph Pietersen, um cidadão sul-africano, antigo integrante das Forças Armadas, que já foi citado no envolvimento no tráfico de armas.
João Américo Mfumo, com interesses empresariais em várias áreas, já foi cônsul honorário da Indonésia em Maputo – título actualmente detido por Noor Momade, PCA da agência de viagens COTUR.
A 5 de Maio do ano passado (2010), o general Mfumo foi baleado por desconhecidos, na sua quinta em Marracuene, tendo sido socorrido de imediato para o Hospital Central de Maputo, segundo noticiou alguma imprensa moçambicana. A Polícia ficou de informar a sociedade sobre as motivações do crime, mas até agora ainda nada se sabe, pelo menos publicamente, sobre as razões do baleamento que, por pouco, tirava a vida ao general.
Quem é João Américo Mfumo e quais são os seus interesses empresariais?
Após a Independência de Moçambique, João Américo Mfumo foi nomeado governador da província de Nampula. Com o início do roncar das armas iniciado pela Renamo contra o então governo monopartidário da Frelimo, Mfumo teve que voltar para o teatro das operações, como operativo, onde chegou ao posto de comandante da força aérea.
O histórico da Força Aérea de Moçambique é repleto de obscuridades. Após o final da guerrilha que opunha o exército governamental e os rebeldes da Renamo, os motores da sua frota de helicópteros e aviões de combate foram vendidos e ninguém foi penalizado. O processo para a penalização dos então autores da venda ilícita dos motores das Forças Armadas, nunca chegou a ter desfecho.
O então magistrado, Alberto Nkutumula, pai do actual vice-ministro da Justiça do Governo liderado por Armando de Guebuza, nomeado então para dirigir as investigações do caso, foi assassinado com a sua esposa às portas da província de Maputo.
João Américo Mfumo, presentemente general na reserva, tem uma multiplicidade de interesses económicos em diversos sectores da economia desde 1988, quando junto a outros cidadãos de nome Natvalal Kanje e Dalpalal, constituíram a Sociedade Geral Africana de Importação e Exportação, Limitada – SOGA.
Em 1991, junta-se ao falecido Carlos Pereira Klint (fundador da RTK – Rádio e Televisão Klint, que então foi o primeiro canal de Televisão privado em Moçambique), constituíram a SEMINA – Sociedade de Exploração Mineira Limitada.
No mesmo ano (1991), João Américo Mpfumo junta-se a um cidadão de nome Emílio Faizer Abdula Ibraimo, e constituem a COPRAL - Cosmética, Perfumaria e Produtos para o Lar, Limitada.
Em 1993, com os cidadãos Castigo João Chivite, Graig Mark Woolward e Brett Graig Woolward constituíram a Clínica Cruz Limitada.
Em 1995, com Stefan Tache, Sílvia Aurel Dragomir e o general na reserva Bonifácio Gruveta Massamba, constituíram a EMAGRO, Limitada, com sede na Zambézia, uma sociedade com objecto social nas áreas agro-pecuárias, agro-industriais.
Em 1997, com os cidadãos Philip Lee Scott Gray, Samuel Whitaker e Maria Fernanda Rocha Lopes constituíram a SUBSAHRA - Consultoria, Serviços e Comércio, Limitada que se dedica à prestação de serviços de consultoria em todas as áreas de actividade económica, incluindo intermediação comercial; Importação, exportação e comercialização de todo o tipo de produto para o consumo público e de equipamentos para actividades comerciais, industriais ou agrícolas; representação e agenciamentos; gestão de propriedades; indústria e agricultura em geral; produção gráfica, incluindo impressão e edição de publicações, revistas e livros.
Em 1998, Mpfumo junta-se a José Maria Sousa Pilar, e constituíram a Sociedade Pesqueira de Angoche, Limitada, com sede naquele distrito provincial de Nampula.
Em 1999, Mpfumo junta-se com o cidadão Inácio Macuácua, e constituem a sociedade de transportes TRANSAUSTRAL, Limitada. No mesmo ano (1999), junto com Nerci Laimone Ndlovu, Pascoal José Nhalungo e Hermínio Morais (ex-general da Renamo), constituíram A Mozaminas, Limitada, uma sociedade que tinha pretensões na área de desminagem, mas tal projecto não chegou a ganhar forma.
Em 2001, com Manuel Machado Barbosa, António Fernandes Tavares Novo e Fernando Brás Lourenço constituíram a Mozmat, Limitada., uma sociedade com interesses nas áreas da engenharia e construção civil.
Em 2003, com Ghassan Ali Ahmad e Ingrid Blache Fabienne Lasoen constituíram a HOME CENTER, Limitada. Esta sociedade, de acordo com os registos oficiais, sofreu várias alterações na quotização e em 2008 a cidadã Ingrid Blache desligou-se da sociedade, sendo presentemente sócios Américo Mfumo e Ghassan Ahmad.
Em 2005, com Sam Yafoufi, Robin Alfred Yaghi e Ali Moahamed Ali Yahfoufi constituíram a MID - Group Maputo Investiment Development, Limitada, uma sociedade com interesses na consultoria nas áreas de contabilidade, turismo, hotelaria, informática, rent-a-car, etc.
No mesmo ano (2005), novamente com Sam Yafoufi e Ali Moahamed Ali YAhfoufi, constituíram a Princess Cinderella Kindergarten And Primary School, Limitada, uma instituição de ensino privado baseada na capital.
Em 2006, com os cidadãos Christos Erasmus Nel, January Boy Masilela, Ralph Pietersen (o cidadão sul-africano citado no tráfico de armas), Jacob Isreal Mabena e Paulino José Macaringue (actual chefe de Estado Maior General da FADM), constituíram a Broham Moçambique, Limitada, uma sociedade com interesses na agricultura e turismo.
No mesmo ano (2006), com Bonifácio Gruveta Massamba (também general na reserva e primeiro governador da Zambezia), João dos Santos Ferreira, Joaquim Ribeiro Pereira de Carvalho (PCA das TDM), José Phahlalea Moyane (ex-governador de Maputo), Domingos Fondo (General na Reserva), Jacob Jeremias Nyambir, Zacarias João Chichavi, Victória Daniel Paulo, João Facitela Pelembe, Lopes Tembe Ndelana, Tome Eduardo e Mussagu Daude Jeichande, constituíram a ACLL - Investimentos, Participações e Gestão, SARL. Esta sociedade é uma holding constituída quase que quimicamente nos mesmos moldes da SPI, a holding da Frelimo, com vários interesses económicos.
Em 2008, novamente com Ali Yahfoufi e Hussein Mohamed Ali Yahfoufi e Wafa Shaimam, constituíram a Coral Investimentos, Limitada, uma sociedade com interesses na indústria hoteleira.

Empresas de Mfumo devedoras de créditos do Tesouro

O general Mfumo, através da TransAustral, beneficiou de um crédito avaliado em 38.300 mil meticais em 2000, segundo o relatório-parecer da Conta Geral do Estado (CGE), auditada pelo Tribunal Administrativo (TA). No ano seguinte foi buscar mais 61 milhões de meticais. Desde 2001 a esta parte, a TransAustral ainda não reembolsou nenhum valor.
João Américo Mpfumo tem igualmente uma empresa denominada Sociedade Geral Africana de Importação e Exportação (SOGA). Em 2000, Mpfumo foi ao Tesouro buscar financiamento para a SOGA avaliado em 23.870 mil meticais, valor que ainda não foi pago, segundo documento do Tribunal Administrativo (TA).
Mas o relatório do TA referente a Conta Geral do Estado de 2001, publicado em 2003, indica que no caso da empresa SOGA, constatou-se que, efectivamente, quem recebeu os 23.870 mil meticais foi a TransAustral Lda, detida por Mpfumo, com a finalidade de comprar viaturas para transporte de passageiros, para a cidade de Maputo.
Actualmente, esta frota de viaturas de transporte de passageiros praticamente desapareceu da circulação na cidade de Maputo. A última conta do TA relativa a CGE de 2008, não faz referência aos devedores do Tesouro, ficando deste modo sem se saber quem já amortizou as suas dívidas, como no caso do general Mfumo.

Câmara de Comércio de Moçambique

Em 2009, o general na reserva foi eleito presidente da Câmara de Comércio de Moçambique, cujo mandato em frente dos destinos desta agremiação deverá terminar ainda este ano.
Este novo elenco foi empossado numa cerimónia que aconteceu no Clube dos Empresários no dia 15 de Julho de 2009, e contou com a presença do então ministro da Indústria e Comércio, António Fernando, e de vários representantes do sector público e privado.
Para a presidência da Câmara foi empossado o general João Américo Mpfumo, representante da empresa Maputo Investment Developmenmt, para a vice-presidência Romão Domingos Pinto, da SOCAIL.
O Conselho Fiscal da entidade passou a ter na presidência a firma de auditoria, Ernest & Young, a primeira vogal é ocupada pela Audiconta Lda e a segunda vogal pelo Banco Comercial de Moçambique (BCI).
Do Conselho Consultivo da Câmara passaram a fazer parte as empresas: Petromoc, Manica Lands Corporation; Premier Group; JCF Procampo; Electricidade de Moçambique (EDM); COTUR (o PCA deste empresa de agenciamento de Viagens, Noor Momade, é o actual Cônsul Honorário da Indonésia em Moçambique); Pescamar e Ester Muchope (estas vão representar as áreas de exportação, importação, agricultura, serviços, transporte, indústria, pescas e transição, respectivamente).

Yusuf Ibrahim Sildky

O parceiro do general Mfumo, o zambiano Yusuf Ibrahim Sildky, comummente tratado por Iboo, está a ser procurado pela Comissão de Repressão às Drogas (DEC) para ajudá-los nas investigações de uma fraude de 29 mil dólares americanos, obtidos a partir da Assembleia Nacional daquele país, há dois anos. O dinheiro foi obtido através do sistema de Euro Cards. A referida Comissão pretende que Iboo esclareça também numa investigações sobre o roubo de bens fora da Zâmbia no ano passado, que foram encontrados na sua posse.
A investigação do Canalmoz apurou de reputadas fontes em Lusaka que Iboo há muito tempo não visita o seu país natal, furtando-se assim das autoridades.

Intratek

A Intratek foi matriculada na conservatória do registo comercial de Maputo, sob o Número Único de Entidades Legais (NUEL) 100086484. Celebraram a escritura da sociedade pela ordem: Ralph Pietersen, João Américo Mfumo (em representação da firma OCIREMA) e Yusuf Ibrahim Sildky.
O capital subscrito foi de 20 mil meticais, dividido pelos sócios nas seguintes proporções: Yussuf 51%, Ralph 26% e Ocirema 23%.
No acto da matrícula, Ralph Pietersen, apresentando o passaporte número 455536388, emitido na África do Sul, aos 29 de Setembro de 2005, declarou-se solteiro maior, sul-africano e residente neste cidade (Maputo).
Por seu turno, João Américo Mfumo, apresentando o Bilhete de Identidade número 110233175V, emitido pelo arquivo de identificação civil de Maputo, aos 19 Julho de 2001, declarou-se casado com Gertrudes Mfumo, em regime de comunhão de bens adquiridos e que actuava no acto em representação de Ocirema, com sede em Maputo, avenida Paulo Samuel Khamkomba, número 946.
Já Yussuk apresentou-se como solteiro, natural da Zâmbia, residente, portador do passaporte ZH 86422 emitido em Lusaka e que no acto do registo se encontrava “acidentalmente nesta cidade”.
Esta investigação não conseguiu encontrar o registo físico da Intratek. O código comercial em vigor em Moçambique obriga desde 2005, a que as entidades que se registem, devem, obrigatoriamente, indicar o endereço físico e posteriormente colocar nas páginas amarelas.

Reacção

Durante a investigação que resultou no presente artigo, contactámos o general que se manifestou surpreso com o manancial de informação sobre os seus parceiros na Intratek.
“Estou a ouvir pela primeira vez sobre isso”, disse Mfumo tendo acrescentado que “quando faço negócios, faço com o princípio de boa fé. Não sabia do passado desses meus sócios, mas vou procurar saber”.
No ano passado, o semanário Mail & Guardian, que se edita em Joanesburgo, dava conta que Iboo, o homem da Zâmbia, havia vencido um concurso público em Kwazulu Natal sobre a provisão de serviços de circuncisão, num processo repleto de zonas de penumbra. (Luís Nhachote)