
Pedi a opiniao de um amigo sobre meu blog. Um daqules amigo de verdade, daqueles que nao hesitam em dizer-nos a verdade. Ele foi premptorio: 'Nada de desculpas esfarrapadas! Tens que ter um blog a altura!' Aceitei o desafio! Prometo trazer esse blogue a altura em 2010! Um blogue onde partilho algumas reflexoes sobre mim, sobre o nosso pais (Mocambique) , o nosso continente (Africa) e quica sobre o mundo! Desde ja estao convidadas/os a troca e debate de ideias, pois cogito ergo sum!

' 'Fui militante da Frelimo ate uma altura em que houve esquecimento reciproco. Eles se esqueceram de mim e eu deles. tenho um cartao em casa ... adormecido" Esta frase e atribuida a Mia Couto Alguem confirma?
Era uma vez, nas
longínquas terras africanas, existia um reino para lá do comum. Algumas
pessoas chamavam-no “Pérola do Índico” e outras
simplesmente “Pátria de Heróis”. Mas havia uns que preferiam designá-lo “Guebuzistão”. Pouco importa o nome, bem poderia ser “Pátria Amada” ou “Pátria Qualquer Coisa”, mas tinha de ter um Rei.
O
Soberano, de nome desconhecido, tinha quatro paixões (só não se sabe se
é nesta ordem), designadamente helicóptero, piripiri, cachimbo e
ampliar o seu património (financeiro)
pessoal para lá de insuportável, adquirindo participações nas poucas
empresas que movimentavam a economia daquele reino. Mas há quem fala de
uma quinta paixão: adorava ser bajulado.
Como todo o Rei, ele tinha os seus funcionários – verdadeiros mestres em reproduzir o discurso da sua majestade – que fingiam estar a preocupados com o bem-estar do povo, quando, na verdade, acomodavam a corrupção e o nepotismo.
Diga-se, o reino parecia um covil de abutres com as unhas cravadas na garganta dos súbditos que eram forçados a viver à intempérie, sem transporte, um sistema de saúde condigno e uma educação decente.
Apesar
de as estatísticas mostrarem, vezes sem conta, o crescimento da
economia local, os súbditos continuavam a morrer de fome, miséria (i)
merecida e doenças curáveis. Mas o Rei cinicamente continuava a repetir até à náusea – qual um robô programado – qualquer coisa como
: “Estamos no bom caminho, rumo à prosperidade”.
Quando o povo pedia pão e água, o Rei e os seus sequazes serviam excessivamente NADA, quando não eram overdoses de promessas e discursos cheios de nada e de nenhuma coisa.
Nas suas habituais brincadeiras e com o apoio dos seus títeres, começou por falar de “Revolução Verde” que morreu antes de nascer, inventou a história de “Jatropha” que continua sem pernas para andar e, mais tarde, forjou uma tal de “Cesta Básica” que ninguém chegou a ver.
Aliás,
para entreter e domesticar o povo, compôs uma canção intitulada
“Auto-estima” e decidiu dividir o reino em três gerações. Engendrou
ainda uma guerra que denominou “Combate à Pobreza Absoluta” e, até
então, ninguém sabe em que estágio se encontra a luta. Mas uma coisa é
certa: ninguém deu o primeiro tiro, até porque os soldados de ontem não
têm motivos para lutar, uma
vez que levam uma vida abastada.
Cansado de receber o atestado de estupidez que era passado a todos os súbditos daquele reino, um jovem desconhecido decidiu rebelar-se. Sem
escudo,
apenas com uma azagaia, dispôs-se a fazer frente à monarquia e todos os
meios de repreensão modernos ao seu dispor. Chamaram o rapaz à razão,
mas ele fez orelhas moucas.
Inebriado pelo apoio que recebia do povo, o jovem seguia, sem escudo (apenas
com azagaia), desferindo violentos golpes ao regime. Num certo dia,
quando se preparava para arremessar mais uma lança, caiu nas mãos dos
carrascos. Foi encarcerado.
Motivo: levava consigo uma erva que naquele reino era proibida.
Paradoxalmente, prenderam-no por transportar apenas quatro gramas de uma planta proibida, mas ninguém prende os guardiões do Rei que exportam impune e sistematicamente FLORESTAS DE MADEIRA PROIBIDA para o reino de Bruce Lee.
Contudo, há quem
acredite que foi mesmo por causa do instrumento de combate. Dois dias depois, o rapaz foi liberto, mas não se sabe se ele viverá feliz para sempre.
PS: Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
De visita de trabalho a alguns municipios da Africa Oriental sou bafejado por quatro noticias que me preocupam! Alias que preocupam a qualquer mocambicano. Estamos a falar do assalto ao Chefe do Estado Maior das Forcas Armadas (e consequente perda de um computador e de tres pistolas), a perseguicao dos medicos grevistas mesmo depois de terem parado com a greve, o anuncio de quase retorno a guerra pela lideranca de Renamo e a continuacao das avarias propositadas no recenseamento eleitoral. A somar a estas inquetacoes e para contrastar com a 'Paz de Kigali', recebo no meu celular a noticia do espancamento do meu colega e amigo, Erias Lukwago, Presidente do Municipio de Kampala a semelhanca dos espancamentos que o actaul Primeiro Ministro do Zimbabwe, Morgan Tsvanguirai recebeu ha alguns anos atras. Estas noticias, que parecem separadas parece terem algo em comum - A escola politica de Dar es Salam, onde tanto Guebuza, Mugabe como Museveni beberam a 'arte da violencia'!
Ha dois meses reportei neste blog algo estranho - a realizacao de uma conferencia de governos locais da Commonwealth em Kampala, sem que Erias Lukwago, o Presidente do Municipio de Kampala, a cidade anfitria, fosse convidado! como e que uma organizacao do calibre da Commonwealth pode cometer uma 'gaffe' destas?
Para perceber os contornos desta aberracao visitei o meu colega, que explicou em primeira mao o que estava a acontecer em Kampala e pelos vistos nao foram precisos mais de dois meses para que a leitura do meu colega se consubstanciasse! Ha duas semanas tambem em Kampala, Yoweri Museveni mandou o seu filho, que e o chefe das forcas especiais, invadir dois jornais de Kampala (O Monitor e Red Pepper) mantendo-os encerrados por mais de duas semanas, alegadamente por terem publicado uma carta do seu Chefe de inteligencia que se encontra foragido algures em Londres!
Em casa, noto que definitivamente Armando Emilio Guebuza inspirado nas tacticas de Museveni, que tambem nao quer abdicar do poder (e tem a sua esposa como ministra) e de Mugabe, nao quer (tambem) abdicar do poder! Para isso vem ensaiando varias estrategias, (1) lancou a esposa no terreno para testar a sua popularidade no intuito de emular o modelo (Argentino) Kisner (esqueceu-se que O Kisner morreu logo depois da esposa tomar posse), (2) projectou a milionaria filha (Museveni tem o seu irmao bem como o filho bem posicionados na hierarquia militar) e o testa de ferro no Comite Central, (3) ensaiou um balao de oxigenio que pomposamente chamou de 'Revisao da Constituicao', com o intuito de tentar forcar um terceiro termo ou entao ensaiar um 'Modelo Putin', e para tal colocou Mulembwe como bode espiatorio, (4) 'provocou' a Renamo em Muxungue, (5)mandou prender e espancar o Secretario Geral da Renamo, com o intuito de arranjar um pretexto para uma possivel reaccao da Renamo que o possibilitaria a declarar um 'Estado de emergencia' e assim adiar quer as autarquicas quer as parlamentares e presidenciais, (6) ensaiou negociacoes para testar a possibilidade de um acordo com a Renamo para instituir um governo de transicao adiando assim sine die as eleicoes, (7) infiltrou seus sequazes da ONP e outros da securocracia na CNE e no STAE, (8)nomeou governadores e ministros de pe descalso e sem medula espinal, (9) acantonou no congresso de Pemba todos os que ousavam usar seus cerebros... e (10) expurgou a lideranca da ala juvenil do seu partido abrindo assim caminho para a sua consagracao vitalicia no comando da Frelimo e quica do pais!
O que nos preocupa nesta sequencia de eventos nao e o 'barulho dos maus', incluindo Guebuza, Paunde, Pacheco e companhia mas o silencio "dos bons" dentro (Mulembwe, Comiche, Katupha, Gamito, Jorge Rebelo) e fora da Frelimo, da Sociedade Civil, Os Bispos, os Sheiks, os jornalistas, a Comunidade Internacional, dos academicos e outros que em qualquer sociedade sa deveriam no minimodistanciar-se de tais praticas! Parec que nos esquecemos todos de que Hitler, foi eleito democraticamente e pouco a pouco foi construindo um estado monstruoso que acabou destruindo a Alemanha!
Nao menosprezemos a capacidade destruidora da Escola de Dar Es Salam desde Guebuza, Museveni, Mugabe, Zuma e companhia limitada! Quando pessoas da 'craveira' de Mazula fazem corro a estes atropelos e porque de facto o doente esta em coma!... e como para bom entendedor meia palavra basta, ficamos por aqui lembrando ovelho ditado- 'diga-me com quem andas que te direi quem es'!
E mais nao disse! Assante Sana!
Um abraco de Nairobi, Manuel de Araujo
“E assim, sem que
tenhamos alcançado nenhum acordo, estando deveras insatisfeitos, a AMM e
a CPSU, em respeito pela dor e sofrimento do povo solidário, declaram,
hoje, dia 15 de Junho de 2013, a suspensão da greve geral dos
profissionais de saúde!”
Maputo (Canalmoz) – Ao fim
de 27 dias consecutivos de greve, os profissionais de saúde (médicos,
enfermeiros e outros técnicos) anunciaram a “suspensão” da paralisação
no Sistema Nacional de Saúde, sem que tenham chegado ao consenso com o
Governo.
No documento enviado ao Canalmoz pela Associação Moçambicana dos Médicos
(AMM) não se especifica se as negociações que vinham decorrendo com o
Governo continuam ou não com a suspensão da greve. Alega-se “respeito
pela dor e sofrimento do povo solidário” para a suspensão da greve.
Eis o documento na íntegra
A Associação Médica de Moçambique (AMM) e a Comissão dos
Profissionais de Saúde Unidos (CPSU) convocaram no dia 20 de Maio uma
greve geral dos funcionários de saúde, como último recurso legalmente
consagrado na Constituição da República (CR) para fazer valer os seus
direitos e resgatar a dignidade dos profissionais de saúde. Respeitando
todos os dispositivos legais, incluindo um pré-aviso de 7 dias, a AMM e
CPSU, pautaram sempre pela transparência, legalidade e abertura total e
completa a um diálogo franco, aberto e concreto, que foi traduzido num
diálogo infrutífero por parte do Governo.
Garantindo sempre os
serviços mínimos, os profissionais de saúde souberam agir de forma
solidária a esta causa que tinha, tem e terá sempre interesses
colectivos, lícitos e legítimos como prioridade. Cedo, nos apercebemos
que a causa transcendia as fronteiras do sector saúde, abarcando todas
as outras classes de profissionais do sector público. Percebíamos, a
cada dia que passava, que, de uma forma ou de outra, a dignidade era e é
um horizonte nosso que pretendemos alcançar.
O apoio e solidariedade
dos moçambicanos sobressaiu e esteve visivelmente patente ao longo
destas quatro semanas, sendo exemplos as várias manifestações que
tiveram lugar e, mostrou o quão somos unidos e temos ideais herdados e
bem patentes, ideais estes que remontam da luta de libertação nacional,
cujo exemplo foi a marcha pela dignidade realizada hoje.
O primeiro
passo para o alcance de algo é sempre sonhar. Sonhamos, acreditamos e
fizemos! Fizemos chegar nossos ensejos à toda nação moçambicana. Nem as
ameaças e intimidações destruíram nossos sonhos.
Assim, queremos aqui
agradecer publicamente todo este apoio e solidariedade dos moçambicanos
aos profissionais de saúde. Souberam cuidar de quem cuida! Souberam
cuidar de quem salva!
A justiça social e equidade não é um sonho
utópico. De utópico apenas tem a arrogância de quem não percebe. O
carácter oculto e aparentemente inexistente de uma atitude insensível
sobressaíram. Ouvimos, vimos e testemunhamos actos que só sabíamos
existir nos livros da história universal e em particular de Moçambique.
A
dor de um profissional de saúde em greve jamais deverá ser interpretada
de forma leviana. A nós nos dói esta situação! É uma dor incalculável,
que nos atrevemos a comparar à dor de um bisturi rasgando nossa pele sem
a devida preparação psicológica e sem anestesia. Mas sentimos esta dor,
minuto após minuto, hora após hora, dia após dia, durante estes 27
dias.
No entanto, também percebemos e compreendemos a dor dos
Moçambicanos, que sempre mostraram a sua solidariedade, e de forma
paciente souberam esperar pela resolução deste diferendo que opunha os
profissionais de saúde e a entidade patronal.
E assim, sem que
tenhamos alcançado nenhum acordo, estando deveras insatisfeitos, a AMM e
a CPSU, em respeito pela dor e sofrimento do povo solidário, declaram,
hoje, dia 15 de Junho de 2013, a suspensão da greve geral dos
profissionais de saúde!
Apelamos que não se deixem intimidar por
levantamentos de processos disciplinares. A greve é legal, sendo um
direito constitucionalmente consagrado. As faltas marcadas são
justificadas! Estas tentativas de intimidação devem ser imediatamente
reportadas quer à CPSU, quer à AMM, a todos os níveis, que para o efeito
tem um departamento jurídico para o devido tratamento.
Felicitamos a
todos os profissionais de saúde, pela coragem e determinação que
tiveram e mantém, dando os primeiros passos rumo à dignidade e à
valorização da nossa classe.
Maputo, aos 15 de Junho de 2013
(Redacção)
