Monday, 13 July 2009

A OPINIAO DE ROGÉRIO N. MEMBAWAZE

Empreendedorismo: a solução do desemprego juvenil (Concl.)

Sr. Director!

No início do século XIX o economista francês Jean-Baptiste Say, “revolucionou” o conceito de empreendedor, passando a ser entendido como o indivíduo capaz de provocar mutações substanciais em processos produtivos, movendo, por exemplo, os recursos económicos de uma determinada área de baixa (produtividade) para uma outra de maior produtividade.


No limiar do século seguinte, isto é, no século XX, Joseph Schumpeter, austríaco, viria a definir esse indivíduo como o que reforma ou revoluciona o processo ‘criativo-destrutivo’ do capitalismo, por meio de desenvolvimento de nova tecnologia ou do aprimoramento de uma antiga: o real papel da inovação. Seriam, na perspectiva deste economista, esses indivíduos os agentes de mudança na economia.

A partir daí, o termo empreendedor/empreendedorismo jamais parou de ser objecto de várias ilações e teorizações até aos dias de hoje. Mas o que importa neste momento já não é tanto a sua definição, mas sim a sua assunção, por parte das instituições públicas e privadas, que o empreendedorismo, pelo menos numa perspectiva micro-económica, deve ser visto como uma das alternativas viáveis, se não a única, ao sector formal da economia, para milhares de jovens e adultos desempregados.

Em face desta realidade, que nos impele à acção, é importante compreender que a essência do empreendedorismo/empreendedor está na percepção e no aproveitamento das novas oportunidades no âmbito dos negócios e isso se relaciona, intimamente, com a criação de uma nova forma de uso dos recursos nacionais, na qual eles são deslocados do âmbito de sua aplicação tradicional e sujeitos a novas combinações e dinâmicas inovadoras.

Entretanto, apesar das várias abordagens teóricas em torno do fenómeno de empreendedorismo/empreendedor, entendo que ele pode “encarnar-se” em qualquer um de nós, pois o que mais importa é que se tenha espaço, os meios, principalmente, materiais e financeiros, para tudo o resto naturalmente ir acontecendo, como inovadores, como sonhadores, enfim, como empreendedores, por este imenso e rico Moçambique, em direcção ao auto-emprego estável e catalisador da economia nacional.

É muito importante que se comece a compreender que em países como Moçambique, onde os factores que concorrem para a pauperização das pessoas são multiformes, a força empreendedora não só é necessária para o bem de quem empreende, como também produz efeitos multiplicadores em benefício da sociedade, em geral, na medida em que o que resulta dele acaba tendo efeitos, primeiro, na vida da comunidade onde este se encontra inserido e, segundo, porque desta segue a extensão do país inteiro, transformando-se em força motriz do sector formal da economia global, para o seu crescimento/desenvolvimento, a exemplo da China.

Em situação de crise de emprego, justificada pelo aumento galopaste de desemprego estrutural e não mais conjuntural, a promoção de micro-empresas, por parte de empreendedores incentivados, como suporte de estratégia da política activa de emprego, é, sem dúvidas, o atalho mais seguro para se assegurar a milhares de jovens que procuram pelo seu primeiro emprego, essa fonte de rendimento, sem a qual o jovem é propenso a crises de "opção".

Nesta busca de soluções alternativas ao sector formal da economia, ocorre-me a ideia de que o conjunto das escolas de artes e ofícios, técnico ­ profissionais, a par dos centros de formação profissional, públicos e privados que ainda, infelizmente, estão em número insuficiente, a avaliar pelo volume dos jovens desempregados e daqueles que anualmente se juntam a estes, poderia, assim entendo, ser, não diria a única opção boa, mas a mais viável, do ponto de vista lógico, enquanto os dias para uma opção melhor não chegam.

A tarefa destes "espaços ­ escolas - oficinas", se assim se pode chamar, seria de proporcionar aos jovens em busca do seu primeiro emprego e outros desempregados, qualificações profissionais no domínio dos ofícios tradicionais e de outros que o contexto sócio-cultural justificasse, permitindo, deste modo, a criação do próprio emprego ou a contratação por conta de outrem.

Seria nestes espaços/oficinas, em minha opinião, que os jovens acabariam redescobrindo-se a si mesmos, no sentido de começarem a entender e assumirem-se empreendedores, dados à luta pelo bem de si próprios, da sua comunidade e do povo, em geral.

Por isso, é hora de transformarmos o conceito de empreendedor/empreendedorismo em coisa com um valor muito especial, que se ajuste à realidade objectiva do jovem moçambicano que precisa ter em suas mãos o destino de um mundo multifacetado, com altos e baixos, que só ele vai imprimir a dinâmica necessária e à altura dos seus dotes, pois nunca ninguém vai ousar pôr em causa o seu talento, o seu saber e saber-fazer, a sua proactividade, associados, como é óbvio, à sua lealdade e amor à Pátria Amada, o nosso belo Moçambique.

Maputo, Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009. Notícias

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