Thursday, 8 September 2011

Dança tradicional em vias de extinção em Lugela


  
Texto: António de Almeida
Foto: António de Almeida


Se por um lado a globalização trouxe algo de bom, por outro está a desmoronar o mosaico cultural em várias partes do globo terrestre e principalmente na África que se tornou num continente de experiencias modernas e Moçambique faz parte de uma África experimental.
A província da Zambézia já foi um grande bastião da cultura moçambicana, onde todo o mundo vinha colher dela a cultura de um povo, mas hoje, nem se quer sobra um museu que possa dignificar a província da Zambézia. Essa abordagem faz parte de um resultado de uma entrevista feita no distrito de Lugela, no posto administrativo de Namagoa, onde nos tempos se praticava uma dança tradicional muito concorrida e denominada Essequere, segundo um ancião da comunidade e pastor da Igreja do 7º dia, Gonçalves Bernardo Suate.


A dança é praticada por um grupo misto, composto por homens e mulheres, onde fazem uma roda humana e as pessoas dançam no meio da roda, onde entram aos pares para a devida representação.
A dança tem como objectivo, animar festas familiares como casamentos e outros rituais, bem como serve para invocar os espíritos dos antepassados nas cerimónias tradicionais, mas nunca foi usada para os rituais de iniciação.
Entretanto, esta dança está em vias de extinção por não estar a ser praticada, tudo porque os mais velhos acreditam que os jovens de hoje preferem danças bem mais modernas em detrimento da dança essequere. Um outro ponto que leva a dança a não ser praticada, é a falta de instrumentos harmónicos que contribuem para que seja criado o ritmo para que as pessoas se movimentem dançando. 
Neste caso, algumas pessoas no posto administrativo de Namagoa, reconhecem que muitas das vezes não é a falta de instrumentos, mas as pessoas ficam estacionárias em busca de ajuda para aquisição de instrumentos que elas próprias podem fabricar para que tal ritual não se extinga. Para outras, o governo não tem politicas culturais localizadas capazes de desenvolver o mosaico cultural.
Esta abordagem foi feita a partir do princípio que tais instrumentos são muita das vezes compostos por um almofariz, paus, e a indumentária não tem tanto rigor e pode-se usar roupas quaisquer.
Entretanto, Gonçalves Bernardo Suate, ancião entrevistado pela nossa reportagem, reconhece que neste momento, só o posto administrativo de Namagoa pratica tal dança, mas sem muita frequência, o que pode estar na origem da extinção da referida dança tradicional.
A província da Zambézia tem vindo a registar um forte crescimento de músicos locais, que deveriam explorar mais os ritmos tradicionais para enquadrarem as suas líricas e contribuir para a evolução dos ritmos tradicionais como uma identidade.
O que acontece é que não se sabe ao certo quais os ritmos musicais tocados pelos músicos da nova geração.
Todavia, procuramos conversar com alguns jovens da nossa província, sobre essa falta de investigação, ao que responderam que faltam de meios para se fazer uma pesquisa aprofundada, para que se adquira profundo conhecimento sobre os ritmos tradicionais. Os jovens acreditam que não é tão fácil assim tocar com perfeição ritmos tradicionais, se o que se pretende é valorizar a identidade dos zambezianos.
Para os músicos, não existe nenhum apoio por parte das autoridades culturais, como forma de impulsionar as investigações rítmicas. Para os entrevistados, eles nem se quer acreditam que o sector da cultura esteja a fazer algo que possa contribuir para o enriquecimento do mosaico cultural na Zambézia.

O que diz o sector da cultura?

Fontes que declinaram ser identificadas da casa da cultura da Zambézia, entendem que os argumentos dos jovens músicos são feitos sem cabimento e que eles deveriam ser mais proactivos nos seus objectivos, procurarem mostrar que de facto tem vontade de fazer pesquisa dos ritmos tradicionais e desenharem um bom projeto das referidas pesquisas.
Contudo, reconhecem que o sector da cultura na Zambézia anda desprovido de numerários o que muitas das vezes faz com que a cultura vergue sem atingir as metas de desenvolvimento pretendidas.
Sobre este episódio, muitas das vezes o que se tem notado, são os jovens músicos a procurarem sua sorte, compondo músicas e canções sem que as autoridades que deviam ser competentes apoiassem aos músicos.


Opinião de algumas individualidades


Algumas pessoas por nós abordadas, reconhecem que os ritmos tradicionais na Zambézia estão mesmo a extinguir-se não só por falta da prática, mas também por falta de valorização.
Elas acham que o que está na origem de tudo isso é a falta de promoção de eventos culturais na província e recordam que noutros tempos, podia-se ver danças tradicionais aos domingos no bairro Brandão, mas hoje não se vê mais tais divertimentos.
Os nossos entrevistados foram unânimes em afirmar que a juventude hoje, pouco se preocupa em saber quais são os nossos valores socioculturais e acabam perdidos se direcção nenhuma para seguir.
Para essas pessoas, ainda não existem músicos, mas sim curiosos que pretendem emergir no mundo da música sem antes fazerem um estudo adequado dos ritmos tradicionais.

Quais os ritmos tocados pelos nossos músicos?

Não se sabe ao certo quais são os ritmos tocados pelos músicos.
O que se tem ouvido são ritmos distorcidos, sem nenhuma composição musical, canções completamente pejorativas e muitas das vezes insultuosas que ferem sensibilidade de muitas pessoas que escutam tais músicas e canções.
 Se por um lado está a vontade de compor, por outro está a vontade de lançar ao público, para ser conhecido, mesmo que o produto não esteja finalizado, os músicos actuais pouco se importam com a qualidade da coisa.
 Esta abordagem foi feita por Teodoro Mais Tempo, musico nascido em Quelimane e actualmente a residir na cidade de Maputo, onde tem produzido para muitos cantores da actualidade.
Para Mais Tempo, nem mesmo os que ele produz, têm pressa de ter um mercado e pouco se preocupam com a qualidade. Isso sob o ponto de vista do músico, é um desnorteio total por parte de quem se diz músico.
Mais Tempo diz ainda que para fazer música de qualidade, é necessário ter em mente que hoje a música já não é simplesmente cultura, mas é também ciência e deve contudo, ser estudada de forma mais contundente e só assim é que se pode de facto herdar ritmos ricos que a nossa terra tem como identidade.

Declaração da Embaixada dos E.U.A.

Em resposta a artigos recentes da imprensa sobre a designação pelo Departamento de Tesouro dos E.U.A. de Mohamed Bachir como um Barão de Drogas, incluindo informações errôneas sobre o processo, a Embaixada dos E.U.A. gostaria de reiterar que o Sr. Bachir é um traficante de drogas significativo.  O Sr. Bachir permanece na lista de indivíduos e instituições proibidas de interacção com o sistema financeiro dos E.U.A.  Vários pontos relacionados com o caso justificam um esclarecimento:

1.      A Designação de Barão de Drogas tem dois níveis: o nível mais alto, a que o Sr. Bachir pertence, é reservado para indivíduos e instituiçoes com envolvimento significativo no tráfico de narcóticos.  O segundo nível, com um número maior de designados, inclui indivíduos e organizações que fornecem, facilitam, recebem instruções de, ou recebem benefícios significativos de um Barão de Drogas do Nível 1.  Indivíduos do Segundo Nível podem ser retirados após confirmação que ligações com indivíduos do Nível 1 foram cortados.  Durante os dez anos da existência da lei, os únicos indivíduos retirados de qualquer uma das listas pertenceram ao Nível 2, depois de terem cortado as ligações com o traficante.  Nenhuma designação do Nível 1 foi alguma vez feita de forma errônea.  Existe uma enorme distinção entre indivíduos do Nivel 1 e do Nível 2.

2.      O processo para apelar a uma designação do Departamento do Tesouro é claro e aberto a qualquer pessoa em qualquer uma das listas.  Entendemos que o Sr. Bachir começou com o processo de apelação, e esperamos que ele forneça as informação solicitada sobre as suas actividades comerciais.  Em muitos casos, designados do Nível 1 não fornecem a informação solicitada porque isso poderia revelar a verdadeira natureza dos seus negócios.  O processo de apelação é o único mecanismo reconhecido para um Barão de Drogas ser retirado da lista.

3.      Registamos o apuramento de violações aduaneiras, cambiais e de leis fiscais, que frequentemente são considerados fortes indicadores de contrabando e outras actividades ilegais, feitas pela Procuradoria Geral da República.  Não foi surpresa para nós que estas violações tenham sido descobertas, e esperamos que mais investigações possam apurar o que essas acções ilícitas escondiam.

4.      Os Estados Unidos e outras nações estão preocupadas com o crescente problema de Moçambique de tráfico de drogas. Relatórios e apreensões recentes destacam a necessidade de tomar esta questão a sério e dedicar recursos suficientes, e vontade política para acabar com esta prática perniciosa que ameaça a estabilidade duramente conquistada aqui em Moçambique.

5.      Por uma questão de política, o governo dos E.U.A. não partilha informação que leva a uma designação com qualquer governo estrangeiro, e a nossa postura relacionado com o Sr. Bachir não é exclusiva a Moçambique. Essa política, porém, não deve ser confundida com falta de informação para fazer uma designação.  Temos plena confiança nos fundamentos para a designação do Sr. Bashir, examinados por sete agências do governo dos E.U.A.

6.      Cooperamos com Moçambique, numa variedade de áreas, incluindo segurança marítima, defesa, tráfico de pessoas, saúde e outras iniciativas que fortalecem a nossa parceria para lidar não só com o tráfico de drogas, mas também outros desafios transnacionais.  Os Estados Unidos valorizam a nossa relação construtiva e positiva com o governo de Moçambique. Esta designação foi dirigida a um indivíduo envolvido em actividades corruptas, não a um governo ou povo.
Maputo, 8 de Setembro de 2011.

Friday, 2 September 2011

 Estas as verdades sobre a Líbia e Muammar Khadafi, bom fazer a leitura e compreender os porquês da guerra mundial entre os aliados de sempre  contra Khadafi 

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Presidente Rwandês responsabiliza governantes africanos por intervenções estrangeiras
Notícias - Angola24horas
paul-kagame 23500O Presidente rwandês, Paul Kagamé, considerou que a intervenção militar das potências internacionais nos países em crise em África, baseando-se nos casos da Côte d’Ivoire e da Líbia, é a "consequência dum fracasso coletivo e individual dos dirigentes africanos".
« Quando alguns Estados africanos criam eles próprios as condições duma ingerência externa nos seus próprios assuntos, a sua responsabilidade é inteira. Se a nossa própria fraqueza e a nossa má governação nos expõem à manipulação, é inútil queixar-se», declarou Paul Kagamé em entrevista à revista « Jeune Afrique » a publicar segunda-feira.
Na Côte d’Ivoire, afirmou Kagamé, as imagens da detenção de Laurent Gbagbo « inspiraram-me uma espécie de tristeza quanto à maneira como se faz e concebe a política em África ».
« Quanto mais olho mais vejo, detrás , a sombra do cenarista estrangeiro. O facto de que 50 anos após as independências, o destino do povo ivoiriense, da sua economia, da sua moeda, da sua vida política estejam ainda controlados pela antiga potência colonial põe problema. É isto que estas imagens mostram antes de tudo”, afirmou o Presidente rwandês.
Paul Kagamé indicou que se França interveio na Côte d’Ivoire foi devido à incapacidade da União Africana e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) a resolver a crise neste país, acrescentando que é a consequência dum « fracasso coletivo e individual » dos Africanos.
« Qual é, enquanto Africanos , a nossa parte de responsabilidade?", interrogou-se o chefe do Estado rwandês. “Que imagem a própria África dá ao resto do mundo? Pensamos que o espetáculo dum Exército estrangeiro, mesmo sob cobertura onusina, intervindo nas ruas duma capital africana é uma boa coisa? Por que nós, Africanos, deixamo-nos que se nos criem este tipo de situações? Temos a coragem de nos olharmos num espelho? », questionou-se.

O que há por trás da invasão da Libia

Escrito por  Emerson Leal
Libia
Em recente reunião do Conselho Parlamentar da Europa (CPE), Svetlana Goriatcheva, da delegação russa, não conseguiu segurar sua indignação e soltou o verbo. Em tradução livre, disse: "Senhoras e senhores parlamentares, há três dias estamos aqui falando do sexo dos anjos. Enquanto isto, bombas caem às dezenas nas cabeças dos líbios, misturando sangue e areia. Sinceramente, não entendo a reação passiva e indiferente dos senhores".
Goriatcheva afirmou que as potências centrais protegem os ditadores amigos dos EUA e da União Européia que estão massacrando, com a ajuda da Arábia Saudita, manifestantes que nas ruas exigem mais democracia e melhores condições de vida. 'Não vejo aqui ninguém exigindo a cabeça desses ditadores'.
Disse mais: 1. Querem a cabeça de Kadafi porque "ele se negou a prorrogar os contratos de fornecimento de petróleo" nas mesmas condições de antes, como exigiam a França, Inglaterra, Itália e Espanha. 2. A Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, que estabeleceu a zona de exclusão aérea na Líbia, 'além de não prever a participação da OTAN nas operações, está sendo interpretada com uma amplitude absolutamente fora de propósito'.
Os senhores membros do CPE engoliram em seco. Mas, há outra causa, além do petróleo, sobre a qual a jornalista Ellen Brown chama a atenção no Asia Times Online. Em síntese, como diria Hamlet, há muito mais coisas entre o céu e a terra do que possa imaginar nossa vã filosofia.
Alertas da jornalista: 1. Contradição – enquanto o Conselho de Segurança da ONU trabalhava "febrilmente" para condenar os ataques de Kadafi contra 'manifestantes', o Conselho de Direitos Humanos elaborava "um relatório carregado de elogios à Líbia, no quesito de direitos humanos". 2. O general (da reserva) Wesley Clark disse que "10 dias após o 11 de setembro de 2001, os EUA tinham planos de invadir 7 países em 5 anos: Iraque, [Afeganistão], Síria, Líbia, Somália, Sudão e Irã".
Pois é, "os líbios têm tratamento médico gratuito; a educação é universal e gratuita; ao casar, cada casal líbio recebe um empréstimo sem juros de US$ 50 mil; agricultores são isentos de impostos; gasolina e pão são subsidiados; etc, etc."
Já afirmei que a revolta na Líbia não é do povo, mas sim de um grupo de oposição organizada e armada principalmente pelos EUA para derrubar Kadafi e tomar o poder. A importante revelação sintetizada por Ellen Brown: "Robert Wenzel, do Economic Policy Journal, afirmou que nunca antes ouvira falar de rebeldes que, com alguns dias de rebelião, já criaram um banco central!".
Qual o mistério do banco central 'dos rebeldes'? É que Kadafi, como Saddan, se negou a aceitar o dólar como moeda internacional e passou a exigir euros. Pior, conclamou os países africanos a criar uma nova moeda: o dinar-ouro. EUA e UE quase enfartaram. Sarkozy declarou que "a Líbia se transformou numa ameaça à segurança financeira internacional".
O xis da questão, é que nestas condições as potências centrais perderiam os meios de manipular os preços internacionais. Cortar o pescoço de Kadafi (como o de Saddan) e fundar um banco central subalterno na Líbia é a forma de 'cortar o mal pela raiz'. E tome tomahawk na cabeça do povo líbio.
Emerson Leal – Doutor em Física Atômica e Molecular e vice-prefeito de S. Carlos.

Petróleo? Que nada! Imperialismo quer o Banco Central da Líbia

Caso o governo Kadafi caia, será interessante observar se o recém-criado banco central líbio associar-se-á ao Banco de Compensações Internacionais, se a indústria líbia do petróleo será imediatamente privatizada e vendida a investidores globais e se continuará a haver água, educação e assistência médica universais e gratuitas na Líbia.

Por Ellen Brown

Vários comentaristas e analistas de economia já observaram o estranho fato de os rebeldes líbios terem tido tempo, em plena rebelião, para criar, em março, seu próprio banco central ‘rebelde’ – antes até de haver governo ou Estado. Robert Wenzel escreveu no Economic Policy Journal: “Mais um recorde, para o livro Guiness. Nunca antes ouvi falar de rebeldes que, com alguns dias de rebelião, já criaram um banco central. O movimento sugere que haja algo mais, naqueles rebeldes, além do exército de voluntários, e que podem estar em ação, ali, projetos muito mais sofisticados” (em http://www.economicpolicyjournal.com/2011/03/libyan-rebels-form-central-bank.html).

Alex Newman escreveu, no New American: “Em declaração distribuída semana passada, os rebeldes líbios relataram resultados de reunião realizada dia 19/3. Dentre outros informes, os supostos rebeldes esfarrapados anunciaram “a designação do Banco Central de Benghazi como autoridade monetária competente para definir as políticas monetárias da Líbia, o qual terá sede provisória em Benghazi” (em http://www.thenewamerican.com/world-mainmenu-26/africa-mainmenu-27/6915-libyan-rebels-create-central-bank-oil-company).
 
Newman citou o editor-chefe da rede CNBC John Carney, que comentou: “Parece-me que seja a primeira vez no mundo, que grupo revolucionário cria banco central ainda durante os combates pelo poder político. Sinal de o quanto são poderosos os banqueiros centrais que estão surgindo nesses tempos extraordinários”.

Outra anomalia também chama a atenção, na justificativa para que os EUA alinhem-se oficialmente ao lado dos rebeldes. Fala-se das violações dos direitos humanos, mas há contradições. Segundo artigo publicado na página internet da rede Fox News, dia 28/2:
“Enquanto a ONU trabalha febrilmente para condenar o ataque de Muamar Kadafi contra manifestantes, o Conselho de Direitos Humanos preparava-se para divulgar relatório carregado de elogios à Líbia, no quesito direitos humanos.

O relatório registra aumento de oportunidades educacionais e louva a posição oficial de fazer dos direitos humanos ‘uma prioridade’ para aprimorar ‘o quadro constitucional’. Vários países, entre os quais o Irã, Venezuela, Coreia do Norte, Arábia Saudita e Canadá, deram notas positivas à Líbia no quesito proteção legal aos cidadãos – os mesmos que agora se estariam levantando contra o governo e sendo cruelmente atacados pelo mesmo governo” (em http://nation.foxnews.com/united-nations/2011/03/01/un-poised-praise-libyas-human-rights-record).

Sejam quais forem os crimes pessoais de Kadafi, o povo líbio parecia viver muito bem. Uma delegação de médicos russos, ucranianos e bielorrussos escreveu carta aberta ao presidente Dmitry Medvedev e ao primeiro-ministro Vladimir Putin da Rússia, em que dizem que, depois de habituados à vida na Líbia, são de opinião que poucos países vivem em condições tão favoráveis quanto os líbios: “[Os líbios] têm tratamento médico gratuito e seus hospitais oferecem o que há de melhor, no mundo, em tratamentos e equipamentos médicos. A educação é universal e gratuita, muitos jovens recebem bolsas de estudo no exterior, pagas pelo Estado. Ao casar, cada casal líbio recebe empréstimo sem juros de 60 mil dinares líbios (cerca de US$ 50 mil), como auxílio do Estado para constituir família. Há empréstimos oficiais sem juros e, pelo que vimos, sem prazo. Dados os subsídios que o Estado paga, o preço de carros é muito inferior ao que se vê na Europa e praticamente todas as famílias têm carro. Gasolina e pão são subsidiados e baratíssimos, e os agricultores são isentos de impostos. O povo líbio é pacífico e calmo, não é dado a beber e os líbios são muito religiosos (em http://alexandravaliente.wordpress.com/2011/03/26/nato-u-s-war-crimes-open-letter-from-citizens-of-ukraine-belarus-and-russia-working-and-living-in-libya/)”.

Os médicos insistem que falta informação à comunidade internacional sobre a luta contra o regime. “Quem, afinal, se rebelaria contra o governo que vemos aqui?” – perguntam.

Ainda que muito disso não passe de propaganda, não há como negar pelo menos uma grande realização do governo de Kadafi: há água farta para a população, e gratuita. O Estado construiu um grande aqueduto que traz água ao deserto e implantou na Líbia o maior e mais caro projeto de irrigação que há no mundo (o Projeto “Grande rio feito pelo homem” [ing. GMMR, Great Man-Made River] custou US$ 33 bilhões). Na Líbia, a água é muito mais crucialmente importante para os cidadãos, que o petróleo.

O GMMR abastece 70% da população com água potável e para irrigação, bombeada do imenso Sistema Aquífero de Arenito Níbio, do sul até as áreas urbanizadas no litoral, localizadas ao norte, a 4 mil quilômetros de distância da fonte. Isso, pelo menos, não há dúvidas de que o governo de Kadafi fez bem feito.

Outro argumento que se tem usado para explicar o ataque à Líbia é que se trataria “do petróleo”, ideia que também apresenta inúmeras contradições. Como observou o National Journal, a Líbia produz apenas 2% do petróleo mundial. Só a Arábia Saudita, só ela, tem capacidade para aumentar a oferta de petróleo e suprir qualquer demanda que se criasse pela falta do petróleo líbio, e mesmo que a Líbia fosse varrida do mapa. Além do mais, se se trata de petróleo, por que tanta pressa para criar um novo banco central?

Outros dados intrigantes voltam a circular na Internet, mostrando entrevista realizada em 2007, pela página Democracy Now, com o general da reserva Wesley Clark. Naquela entrevista, o general Clark diz que 10 dias depois do 11 de setembro de 2001, um general lhe disse que já estava tomada a decisão de invadir o Iraque. Clark conta que a notícia o supreendeu e que perguntou por quê. “Não sei”, foi a resposta, “acho que é porque ninguém sabe o que fazer!”. Mais tarde, o mesmo informante contou ao general Clark que havia planos para invadir sete países em cinco anos: Iraque, Síria, Líbano, Somália, Sudão, Líbia e Irã.

O que há de comum entre esses sete países? Os que estudamos o sistema bancário e os bancos centrais em todo o mundo sabemos que nenhum desses países aparece na lista dos 56 países filiados ao Bank for International Settlements (BIS) [Banco de Compensações Internacionais; é o ‘banco central’ dos bancos centrais; organização internacional responsável pela supervisão bancária, que visa “promover a cooperação entre os bancos centrais e outras agências na busca de estabilidade monetária e financeira” mundial, com sede na Basileia, Suíça (NTs, com informações de http://pt.wikipedia.org/wiki/Banco_de_Compensa%C3%A7%C3%B5es_Internacionais)]. Se não fazem parte do BIS, esses países estão fora do campo regulatório dos banqueiros centrais reunidos no BIS, na Suíça.

Os renegados mais resistentes são precisamente a Líbia e o Iraque – dois países que já foram diretamente atacados. Kenneth Schortgen Jr, escrevendo em Examiner.com, observou que “seis meses antes de os EUA atacarem o Iraque, o Iraque passou a exigir euros, em vez de dólares, nas vendas de petróleo – o que converteu o Iraque em ameaça mortal, porque ameaçava o domínio do dólar como moeda internacional de reserva, na modalidade de petrodólar” (em http://wn.com/pre_market_movers_february_4th,_2011?orderby=relevance&upload_time=today)

Segundo matéria publicada em jornal russo dia 28/3/2011, “Bombing of Líbia - Punishment for Ghaddafi for His Attempt to Refuse US Dollar” (em http://kir-t34.livejournal.com/14869.html), Kadafi fez movimento semelhante ao dos iraquianos: começou a recusar dólares e a exigir euros, e conclamou os países árabes e africanos a usar uma nova moeda, o dinar de ouro. Kadafi planejava conseguir que toda a África, seus 200 milhões de habitantes, passassem a viver com essa nova moeda única.

Ao longo do ano passado, vários países árabes e muitos países africanos aprovaram a nova moeda. Restaram contra só a África do Sul e alguns países da cúpula da Liga Árabe. A iniciativa não foi vista com bons olhos pelos EUA e pela União Europeia; o presidente Nicolas Sarkozy declarou que a Líbia seria ameaça à segurança financeira da humanidade. Kadafi não se impressionou e prosseguiu na sua campanha para criar uma moeda da África.

Com o que, afinal, podemos voltar ao mistério do novo banco central ‘rebelde’ na Líbia. Em artigo publicado em Market Oracle, Eric Encina escreve:

“Fato raramente mencionado pelos ‘especialistas’, ‘comentaristas’ ‘analistas’ ou políticos ocidentais é que o Banco Central da Líbia é 100% banco público. Hoje, o governo da Líbia cria a própria moeda, o dinar líbio, graças ao uso que dá ao seu banco central público nacional. Ninguém pode dizer que a Líbia não seja nação soberana, rica em recursos naturais e capaz de comandar o próprio destino econômico. O principal problema dos cartéis dos bancos globais é que, para negociar com a Líbia, têm de negociar através do Banco Central líbio e em moeda nacional líbia. Nessas condições não têm controle sobre a negociação nem meios para manipular os preços e condições de negociação.

O objetivo de derrubar o Banco Central Líbio (CBL) não aparece nos discursos de Obama, Cameron e Sarkozy, mas não há dúvidas de que é objetivo prioritário na agenda da grande finança globalista: incluir a Líbia na lista de países financeiramente obedientes” (em http://www.marketoracle.co.uk/Article27208.html).

A Líbia não tem só petróleo e água. Segundo o Fundo Monetário Internacional, o banco central líbio mantém lastro de cerca de 144 toneladas de ouro. Com esse tipo de moeda-lastro, quem precisa de BIS, FMI e seus ‘aconselhamentos’?

Dadas essas evidências, é preciso agora considerar mais de perto as regras do Banco de Compensações Internacionais e o efeito que têm nas economias locais. Artigo que se lê na página do BIS na internet (http://www.bis.org/about/index.htm) declara que os bancos centrais reunidos na Rede de Governança dos Bancos Centrais devem manter, como seu objetivo único ou básico, “preservar a estabilidade de preços”.

Devem ser independentes dos governos nacionais, para garantir que nenhuma consideração política interfira no funcionamento. “Estabilidade de preços” significa manter suprimento estável de moeda, mesmo que isso implique castigar a população com pesadíssimas dívidas externas. Os bancos centrais ‘coligados’ são encorajados a não aumentar o suprimento de moeda mediante emissão de dinheiro e devem usar o dinheiro em benefício do Estado, diretamente ou mediante empréstimos.

Em artigo de 2002 em Asia Times Online, intitulado “The BIS vs national Banks” (14/5/2002), Henry Liu dizia:

“As regulações do BIS têm o único objetivo de fortalecer o sistema bancário internacional privado, mesmo que à custa das economias nacionais. O BIS faz para os sistemas bancários nacionais o mesmo que o FMI fez aos regimes monetários nacionais. Economias nacionais que sirvam aos interesses da finança globalizada deixam de servir a interesses nacionais.

 ... o FDI [ing. foreign direct investment, investimento estrangeiro direto] com valor nominal em moedas estrangeiras, quase sempre o dólar, condenou muitas economias nacionais a um desenvolvimento sem equilíbrio, voltado para exportar, sobretudo para gerar pagamentos em dólar aos investidores estrangeiros diretos, com mínimo benefício às economias nacionais” (http://www.atimes.com/global-econ/DE14Dj01.html).

E acrescentava: “Se se aplica a “Teoria do Dinheiro do Estado” de Knapp, qualquer governo pode pagar com a própria moeda todas as necessidades do seu próprio desenvolvimento, para manter o pleno emprego sem inflação”. A “Teoria do Dinheiro do Estado” refere-se a dinheiro criado por governos, não por bancos privados.

A pressuposição da lei que manda não tomar empréstimos do próprio banco central do governo é que esses empréstimos seriam inflacionários, e que tomar empréstimos do dinheiro que haja em bancos estrangeiros ou do FMI não seria inflacionário. Mas, hoje, todos os bancos criam de fato o dinheiro que emprestam, seja dinheiro público ou privado. A maior parte do dinheiro novo, hoje, vem de empréstimos bancários. Tomar empréstimos do próprio banco central governamental tem a vantagem de que o empréstimo é praticamente sem juros. Já se sabe que se se eliminam os juros, o custo dos projetos públicos cai em média 50%.

Tudo faz crer que o sistema líbio funciona desse modo. Segundo a Wikipedia, entre as funções do Banco Central da Líbia está incluída a de “emitir e regulamentar os créditos e moedas circulantes na Líbia” e “gerenciar e emitir todos os empréstimos estatais”. O banco central da Líbia, público, pode administrar e administra a moeda nacional e faz empréstimos com vistas a atender, em primeiro lugar, os interesses do Estado líbio.

Só assim se entende que a Líbia tenha recursos para oferecer educação e atendimento médico universal e gratuito, e para dar a cada novo casal, como presente de núpcias, US$ 50 mil em empréstimo que o Estado faz, sem juros. Só assim se entende que o país tenha tido meios para pagar os US$ 33 bilhões que lhe custaram o projeto do GMMR. Hoje, os líbios temem que os ataques aéreos da Otan cheguem aos aquedutos desse projeto, o que, sim, geraria mais um desastre humanitário.

Difícil crer, nesse quadro, que os ataques à Líbia tenham a ver exclusivamente com o petróleo. Quase certamente têm a ver, também, com a independência radical do banco central líbio. Com energia, água e crédito abundante para desenvolver a infraestrutura para que energia e petróleo sejam postos a serviço do bem estar dos líbios, a Líbia pode sobreviver à distância das garras dos financiadores/credores estrangeiros. E aí, afinal, está a real ameaça que a Líbia traz: a Líbia pode provar ao mundo que é possível fazer o que a Líbia faz.

Inúmeros países não têm petróleo, mas estão em desenvolvimento novas tecnologias que podem tornam nações não produtoras de petróleo independentes, em termos energéticos, sobretudo se os custos para construir a infraestrutura são reduzidos à metade, porque os empréstimos saem do próprio banco central nacional e público, gerido em nome de interesses públicos. A independência no campo da energia libertará os governos da rede dos banqueiros internacionais, e da necessidade de direcionar a produção doméstica para os mercados estrangeiros, para pagar o serviço das dívidas.

Caso o governo Kadafi caia, será interessante observar se o recém-criado banco central líbio associar-se-á ao Banco de Compensações Internacionais, se a indústria líbia do petróleo será imediatamente privatizada e vendida a investidores globais e se continuará a haver água, educação e assistência médica universais e gratuitas na Líbia.

Fonte: Asia Times Online

Thursday, 1 September 2011

A Opiniao de Huang Shejiao

The saga of a continent called Africa, by Huang Shejiao (China Daily)

The 2011 "Failed State Index", prepared by the Fund for Peace and published by Foreign Policy, has put seven African countries - Somalia, Chad, Sudan, the Democratic Republic of Congo, Zimbabwe, the Central African Republic and Cote d'lvoire - among the top 10. Even according to the United Nations, 33 of the 48 most "underdeveloped" countries are in Africa. This should give an idea of how backward Africa is.



We don't know the purpose why think tanks publish such lists or why they take the trouble to prepare such data. But an investigation to find why so many African countries are part of the "Failed State Index" may be worth the effort.



After being under Western powers' colonial rule for decades, African countries started gaining independence in the 1960s, one weak economy after another. Led by some good-intentioned politicians and with the help of friendly countries, African people have made every effort to rebuild their countries despite beginning from scratch.



Though they face many obstacles on the way to true economic development, African countries have made some outstanding achievements. This has boosted the confidence of many visionary African leaders to restore the past glory of the continent. On the whole, the future of Africa looks promising today.



But the early 1990s saw a sudden change in the stability of the international situation. The democratization wave started by the Western world has swept across many African countries. Forces inside and outside Africa have used it to stir unrest leading to turmoil in some countries. The road to failure of the "loser countries" began in the 1990s, and Somalia was one of the first to suffer.



After the legal president of Somalia was overthrown by a rebel group in January 1991, the political situation in Somalia got from bad to worse, tearing the country apart. The country entered into political anarchy in 1992, which has lasted until today. Though a caretaker government was set up in Somalia in 2004, it could not control the situation.



In Zimbabwe, land reform upset the Western world because it affected the interest of the whites. Zimbabwean President Robert Mugabe once knighted by the queen of the United Kingdom, an honor reserved for a few, has become a dictator overnight, and the West has tried every means possible to overthrow him, unsuccessfully though.



Cote d'lvoire, a country that the West once referred to as the "window of the African economy", has now become a "loser country".



It has long been a common practice among Western powers to adopt all kinds of measures to suppress and punish "disobedient" African countries, or any non-Western country for that matter. The West tries every method and scheme to make the governments of such countries lose their people's confidence and establish control over them by helping opposition forces to seize power in the name of democratization.



Another of their methods is to impose sanctions on such countries to weaken their economies, which cause material shortage, inflation, currency devaluation and make life hard for the people, and blame everything on the governments.



Besides, Western countries openly support insurgents and government change, the latest example of which is Libya. The Western powers refuse to hold peaceful talks and negotiations over the crisis in Libya with representative bodies such as the United Nations and the African Union and have kept bombarding Libya regardless of the loss of civilian life.



Also, the Western powers always use one pretext or another to delay aid to African countries. Instead of honoring their promise that they keep making from time to time as a "goodwill" gesture, they warn African countries not to accept investment from emerging economies, which thwarts mutually beneficial cooperation between African and emerging countries.



Under such pressure, some African countries that lack the ability to withstand risks cannot afford severe sequential damage and become victims of strikes and demonstrations, which result in further social and political disruption.



Needless to say, the ones who should be held responsible for Africa's failure are the Western powers, which are still playing the colonial power game. And all the while they keep laying the blame on African countries, and even release lists with humiliating rankings to lower African nations' confidence and morale further.



The harsh reality is that the West does not want the revival of Africa, because it is afraid that an economically and politically developed African continent would cease to be their playground. The Western powers are desperate to maintain their control over Africa, and the ranking list is just part of their design to continue their game.



The author is a researcher with the China International Studies Research Fund.





(China Daily 08/04/2011 page9)

Moçambique: A Controversa Cesta Contra a Pobreza


TraduçõesEste post também está disponível em:

English · Mozambique: The Controversial Basket Against Poverty
Français · Mozambique : Controverse sur le panier contre la pauvreté
Español · Mozambique: La controvertida canasta contra la pobreza
Malagasy · Mozambika: Ilay Kitapo Hiadiana Amin'ny Fahantràna Niteraka ResabeThe Controversial Basket Against Poverty
繁體中文 · 莫三比克:抗貧爭議
简体中文 · 莫三比克:抗贫争议
A vida está cada vez mais cara um pouco por todo mundo. Os preços dos produtos alimentares de base estão altos, e o petróleo não pára de aumentar. Em Moçambique, uma das medidas propostas pelo Governo para atenuar o impacto da subida de preços na vida dos moçambicanos gerou polémica aos olhos dos cidadãos - o Subsídio à Cesta Básica, com o objectivo de:
a) Assegurar o acesso do agregado familiar a alimentos básicos;
b) Contribuir para manutenção de uma alimentação saudável e equilibrada;
c) Proteger a capacidade de compra do indivíduo e agregado familiar contra eventuais aumentos de preços dos alimentos;
d) Contribuir para estabilidade económica do agregado familiar de baixa renda;
e) Contribuir para estabilidade social do país.
Familia só come batata doce. (ONDE? QUANDO?) Foto por Miguel Mangueze, usada com permissão
"Familia só come batata doce". Foto por Miguel Mangueze, usada com permissão
A proposta do Governo do Presidente Armando Guebuza, tinha data de início prevista para o mês de Junho, mas apesar de todas expectativas o seu “aborto” foi sentenciado no passado dia 16 de Junho. Citando o Primeiro Ministro Aires Aly, o bloguista Carlos Serra escreveu “o país está estável por isso não precisa da cesta. Só falta saber por que em Março o governo a introduziu”.
Muitos descrentes e alguns crédulos vinham a manifestar-se desde as últimas semanas na blogosfera e redes sociais sobre a proposta.
Cesta básica e igualitária?
Numa série de vídeos vox-pop no Youtube, eram postos em causa os critérios de eligibilidade da “Cesta Básica”, que levava alguns a crer que o seu carácter seria discriminatório, já que o seu Manual de Procedimento apontava que esta se dirigia às:
Camadas Sociais de Baixa Renda (que vivem nos municípios de Pemba, Lichinga, Nampula, Quelimane, Tete, Chimoio, Beira, Inhambane, Xai-Xai, Matola e Maputo e tem rendimento individual igual ou inferior a 2.500,00Mts (cerca de 83 USD) por mês ou o rendimento per-capita do agregado familiar inferior ou igual a 840,00Mts(cerca de 28 USD))
A falta de clareza e de informação sobre a abrangência social da iniciativa foi muito criticada. Cremildo Maculuve, jornalista, céptico em relação ao “critério de elegibilidade dos beneficiários”, escreveu no seu mural da rede social Facebook sobre a quem presumia que a cesta básica iria beneficiar:
a cesta básica só poderá ser dada (…) aos que têm um emprego formal. Cenário mais sombrio, mas não descartável é que esta cinja-se aos funcionários públicos, o que, à partida – se olharmos para o número de funcionários públicos e multiplicarmos pelo número dos que beneficiam directamente dos seus rendimentos - excluirá perto de 90 por cento da população moçambicana.
Noutra nota no Facebook, o jornalista Matias de Jesus Júnior também se questionou sobre os destinatários da medidas proposta para aliviar a escalada de custo de vida:
acredito que aqui estão a abrir um fosso imaginável, isto porque a mesma é socialmente injusta ou descriminatória. Afinal quem é o povo moçambicano, é somente o funcionário público ou também aquele desempregado, privado e o informal
Vários cidadãos recordaram grupos específicos que não têm direito à Cesta Básica em vídeos vox-pop, como Moisés, funcionário público da educação, que afirma que a Cesta não beneficia os professores, e Anacleto, um estudante, que apesar de considerar a “ideia da cesta básica boa”, fez questão de não esquecer os muitos “vendedores informais” que não seriam abrangidos.
Na aldeia moçambicana de Madamba (província de Tete) os locais mantêm o negócio de caça e venda de ratazanas na berma da estrada. Uma espetada de 6 a 7 ratazanas custa 10 meticais (20 cêntimos de euro). Foto de Vlad Sokhin copyright Demotix (29/09/2010)
Na aldeia moçambicana de Madamba (província de Tete) os locais mantêm o negócio de caça e venda de ratazanas na berma da estrada. Uma espetada de 6 a 7 ratazanas custa 10 meticais (20 cêntimos de euro). Foto de Vlad Sokhin copyright Demotix (29/09/2010)
Num comentário no Jornal @Verdade, Vasco Muarauane, um cidadão moçambicano, recordava o art. 35 da Constituição, que se refere ao princípio de igualdade de direitos para todos os cidadãos, considerando que a “Cesta” seria implantada mediante um “Decreto com força de Lei”, por ignorá-lo, já que se estima que mais de 70 porcento da população moçambicana, maioritariamente vivendo nas zonas rurais, não será abrangida pela Cesta Básica.
Foi também mencionado o recente aumento nos salários, que impedem muitos de recorrer à cesta. Num vídeo vox-pop, Alzira Esperança, trabalhadora numa empresa privada, diz que “a cesta é uma desculpa para acalmar o povo” pois um aumento recente de 2.400 (dentro do critério da cesta) para 2.600 meticais faz com que muitos trabalhadores deixassem de ter acesso:
Os mesmos valores foram também questionados no vox-pop de Isilda, convicta que a diferença entre quem ganha 2.500  e quem ganhe 2600 é pequena e as dificuldades parecidas.
O bloguista Jonathan McCharty resumiu desta forma a verdade em torno da cesta:
Hoje podemos julgar, com certeza absoluta que, em toda a cronologia dos eventos, os anúncios feitos à volta da “Cesta Básica” tiveram sempre “a carroça à frente dos bois”!! Em nenhum momento houve um “critério de elegibilidade” definido!! Em nenhum momento houve um “plano de atribuição da cesta básica” traçado!! Em nenhum momento se sabia o que, de facto, se iria fazer!!
Crise de bens em contexto
Vendedores de pão no comboio de Nampula para Mutuáli, Moçambique, 2009. Foto de Rosino no Flickr (CC BY-SA 2.0)
Vendedores de pão no comboio de Nampula para Mutuáli, Moçambique, 2009. Foto de Rosino no Flickr (CC BY-SA 2.0)
Em 2008, depois do aumento do custo do pão e dos combustíveis haverem originado tumultos, o Governo de Guebuza decidiu congelar o preço dos combustíveis e subsidiar o custo do trigo para que as gasolineiras refletissem o custo real para os moçambicanos e o preço do pão fosse mantido. Em Setembro de 2010, os tumultos agravaram-se pelos mesmos motivos, na que ficou conhecida como a “revolta do pão“.

O que era claro para muito economistas foi admitido pelo Governo em Abril de 2011, na voz do Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia, que afirmou “o Governo não tem capacidade para manter as medidas de longo prazo que vinha implementando desde 2008, para conter a alta do custo de vida, ditado pelas crises de alimentos e financeira mundial”. A medida proposta viria no seguimento da conclusão a que o Governo chegou, considerando que é ineficaz aumentar os salários dos trabalhadores pois pode induzir o aumento dos preços e corroer o poder de compra.
Uma apreciação do Fundo Monetário Internacional, na voz do seu representante em Moçambique Victor Lledó, dizia que:
A cesta básica tenta atender a linha do sistema de protecção social básica, mas ao nosso ver e de vários parceiros ainda carece de refinamento e quiçá repensar a sua estrutura básica, dado alguns factores que podem comprometer a sua implementação e seus objectivos
O docente Manuel de Araújo, pouco crente em relação aos subsídios enquanto solução para aliviar a escalada no custo de vida, apela à necessidade de uma reflexão profunda sobre o impacto da sua adopção:
Não quero aqui dizer que todo e qualquer subsidio e mau e que portanto não deve ser equacionado! Quero apenas chamar a atenção sobre as implicações e quiçá as distorções que os subsidios podem trazer a economia se não forem adequadamente equacionados!
Escrito por Jornal @Verdade

Brasil: Governo Moçambicano Cede Terras a Latifundiários

TraduçõesEste post também está disponível em:

Italiano · Mozambico: il Governo cede terre a latifondisti brasiliani
Français · Mozambique : Le gouvernement cède des terres à des grands propriétaires brésiliens
English · Brazil: Mozambique Cedes Land to Brazilian Agribusiness
O governo de Moçambique está cedendo o uso de 6 milhões de hectares - o que corresponde a dois terços de Portugal - para agricultores brasileiros plantarem soja, algodão e milho no norte do país africano - nas províncias de Niassa , Cabo Delgado, Nampula e Zambézia. A ideia é aproveitar a experiência brasileira no cerrado, onde, a partir da década de 1960, a fronteira agrícola avançou rumo ao interior, com a pecuária extensiva e latifúndios de soja.
O cultivo de soja já consumiu 80% de todo o cerrado brasileiro. Imagem: Leonardo Freitas via Open Democracy (CC BY-SA 2.0).
O cultivo de soja já consumiu 80% de todo o cerrado brasileiro. Imagem: Leonardo Freitas via Open Democracy (CC BY-SA 2.0).
No Brasil, essa interiorização da atividade agropecuária custou a devastação de 80% do cerrado, que é reconhecido como a savana mais rica do mundo em biodiversidade. A degradação deste bioma, que ocupa um quarto do território brasileiro, vem soterrando e poluindo as principais bacias hidrográficas do país, localizadas justamente nessa região - que é considerada a caixa d'água do Brasil.
Com a oferta do governo moçambicano, a fronteira agrícola brasileira tem a perspectiva de atravessar o oceano Atlântico rumo à savana africana. Para o geógrafo Eli Alves Penha, autor do livro “Relações Brasil-África e Geopolítica do Atlântico”, as “similaridades ecológicas e culturais” levam a um “encaixe ecológico” entre Brasil e o continente africano.
Em entrevista para a Editora da Universidade Federal da Bahia, Penha comenta, entre outros assuntos, a afirmação do especialista em agricultura do Quênia, Calistou Juma, que “para cada problema africano existe uma solução brasileira. “Eu diria que a recíproca também é verdadeira”, completa Penha.
O agronegócio brasileiro, baseado no esgotamento dos recursos naturais, agora vislumbra exportar o modelo insustentável de sementes geneticamente modificadas, manejo degradante do solo e latifúndios explorados às custas de um modelo falido de reforma agrária. Ainda em 2006, o site Repórter Brasil já apontava um novo caminho para a fronteira agrícola brasileira:
A rápida degradação do solo é um exemplo [de perdas irreversíveis à região]. De acordo relatório da Conservação Internacional, o plantio tradicional da soja, como é feito no Cerrado, causa a perda de cerca de 25 toneladas de solo por hectare ao ano. Caso fossem aplicadas técnicas de conservação, como a aragem mínima, o número poderia ser reduzido a 3 toneladas por ano.
Para Rosane Bastos [bióloga integrante da Rede Cerrado], a improdutividade pode impulsionar a destruição de outros ecossistemas: “se os grandes produtores ficarem sem solo, vão subir para a Amazônia”, prevê.
A maioria da população de Moçambique vive no campo. O país é um dos mais empobrecidos do mundo, com 70% dos habitantes abaixo da linha da pobreza. Imagem: The International Livestock Research Institute (ILRI) no Flickr (CC BY-NC-SA 2.0)
A maioria da população de Moçambique vive no campo. O país é um dos mais empobrecidos do mundo, com 70% dos habitantes abaixo da linha da pobreza. Imagem: The International Livestock Research Institute (ILRI) no Flickr (CC BY-NC-SA 2.0)
Não é de hoje que o governo do Moçambique espreita acordos para aumentar a produtividade agrícola, como reportou o Global Voices nos meses de janeiro e julho de 2010. Na ocasião, o site Repórter Brasil já anunciava a preocupação com as comunidades tradicionais de Moçambique:
A Constituição de Moçambique decreta que todas as terras do país são propriedade do Estado, que pode conceder autorização de uso a empresas por períodos de 50 anos. Essa concessão, no entanto, está condicionada à ausência de comunidades tradicionais no território. Pelo jeito, lá, como no Brasil, boas leis não são garantia de boas práticas.
Um dos requisitos do governo de Moçambique para a concessão das terras é o emprego de 90% de mão de obra nacional nas lavouras. Em pelo menos metade da área ofertada pelo governo aos brasileiros vivem camponeses em pequenas propriedades. Moçambique é um dos 49 países mais empobrecidos do mundo, com 70% da população abaixo da linha da pobreza, e onde os agricultores têm grande dificuldade em aceder a crédito para a produção de comida.
A estrutura fundiária e as aquisições de terras por corporações estrangeiras em países africanos foi alvo de estudo da Organização das Nações Unidas, de acordo com texto da Fundação Verde.
O documento pontualiza que as aquisições (de modo geral feitas na África mediante contratos de aluguel de meio século ou um século inteiro pelo que nada se paga) podem constituir um benefício ao supor investimentos estrangeiros. Também pode acarrear atração tecnológica, incremento da produtividade agrária e criação de emprego e de infra-estrutura. Mas, assim como estão sendo levados a cabo, com precárias consultas à população local, falta de transparência e sem garantir nos contratos os compromissos de investimento, emprego ou desenvolvimento de infra-estruturas, supõe colocar em risco o modo de vida de milhares de pequenos agricultores ou pastores, cuja existência depende da terra.
O neocolonialismo brasileiro em Moçambique certamente não contribuirá com o desenvolvimento socialmente justo deste país. Se, por um lado, o Brasil pode oferecer conhecimento técnico para o cultivo de sementes na savana africana, por outro o país tem a oferecer um modelo insustentável de agronegócio, baseado na monocultura, na degradação ambiental e na concentração de terras nas mãos de poucos.
Escrito por Adriano Rangel

As Sierra Leone celebrates its 50th birthday, a look back

By Paige McClanahan, Correspondent / August 24, 2011




Freetown, Sierra Leone

Four years after stepping down as Britain's premier, Tony Blair is taking lessons learned in office and applying them in Africa.


West Africa Rising: Can big infrastructure projects help Sierra Leone lure investors?

West Africa Rising: Leaders tout Sierra Leone's first value-added factory since the war

.Mr. Blair is pioneering a new approach to aid here, bringing in teams of young consultants to work with government officials as they tackle their country's thorniest policy challenges. Blair's organization, the Africa Governance Initiative (AGI) has one underlying goal: to get things done.



"I came to the conclusion at the end of my time in office that aid was very important, but actually governance was as important – and governance not simply in the sense of honesty or transparency, but governance in the sense of effectiveness, of capacity," Blair told the Monitor. "With any of these countries, you can get a thousand consultancy reports that tell you what to do; that's essentially not very hard to work out. The question really is how to do it," he added.



Think you know Africa? Take our geography quiz.



And that's what his teams of young advisers – many of them recruited from firms like McKinsey and J.P. Morgan – are trying to figure out in Sierra Leone, Liberia, and Rwanda, the three countries where AGI operates. In Sierra Leone, AGI has helped bring electricity to Freetown and implement a program of free health care for pregnant women and children under age 5. They're also supporting small farmers and working to attract private investment.



At the same time, Blair interacts with the presidents of the three countries, offering advice and serving as a sounding board for ideas. Those personal relationships are critical to AGI's effectiveness, he says.



"[AGI] only works if the president wants it to work, and if the president's really anxious to just get in the best lessons from abroad," Blair says, adding: "One advantage of being a former leader is that you know what it's like to sit in the seat."



As helpful as Blair's relationships may be, their importance to AGI's work may ultimately curtail the organization's influence.



"What's behind AGI is an individual, not an institution," says Mia Seppo, the head of the United Nations Development Program in Sierra Leone. She notes that if Sierra Leone's current president, Ernest Bai Koroma, is voted out in next year's election, Blair could lose access to key policymakers.



AGI's focus on delivering results has been effective, Ms. Seppo adds, noting that Blair and company have done "an excellent job," especially in attracting investment. But, she says, "you can't brush aside institution-building" – the types of reforms that will bring lasting changes to the way the government is run. "In a sense, you need to combine the focus on results with public-sector development."



Blair says he chose to focus his work in Africa because the continent "needs it most," but also because the region has enormous potential. "I think there is a buzz about Africa today that is different," he says, adding that the continent is "on the cusp of a big change."

End-game in Libya



Going, going…

The fall of Muammar Qaddafi will transform Libya, the Middle East and NATO

Aug 27th 2011
from the print edition



..

.

THE climax of Libya’s six-month-old revolt was not only televised via satellite but also text-messaged. Shortly after armed rebels captured the state telecoms company during their entry into the capital, Tripoli, on August 21st they sent a note to millions of mobile-phone users saying “Long live free Libya”. Then they added the equivalent of $40 to all accounts and restored the country’s internet connection, which had been cut at the start of the rebellion.



Earlier in the day, thousands of fighters had rushed from the west and south into the surprisingly lightly defended city, accompanied by television crews and cheered on by dancing crowds. They were aided by rebels hiding in suburbs, troops arriving by sea and NATO aircraft. In Green Square, previously the scene of countless stage-managed rallies in support of the old regime, Tripolitans tore down pictures of Colonel Muammar Qaddafi, their ruler for the last 42 years and the world’s longest-reigning dictator. Benghazi, the rebel capital at the other end of the country’s coastline, was illuminated by fireworks as hundreds of thousands of people celebrated in the streets (see article).



In this section

»Going, going…

How to avoid a double dip

The cartel problem

No modern-day Mahatma

Let them come

Reprints



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NATO

Libya

Moammar Gadhafi

But the fight is not quite over. As The Economist went to press, troops loyal to the dictator still resisted fiercely, using heavy weapons inside Tripoli. They appear to be well-organised, even claiming that letting the rebels into the city was a ploy. That seems unlikely. The rebels now control large parts of the capital. The colonel is hemmed in. His rule has undoubtedly ended. Men loyal to him control only a few towns across the sparsely populated country. Aided by NATO, the rebels should be able to rout them or negotiate a surrender.



The meaning of victory



The toppling of Colonel Qaddafi—no matter whether he is eventually tried, killed or exiled—will be a boon to the Middle East and Western powers that supported the rebels. The implications for Libya itself are less clear and in part depend on whether Qaddafi loyalists will disperse and keep their weapons or agree to disarm. To become a rule-based democracy—the stated goal of all the various rebel groups—Libya must avoid an Iraqi-style insurgency, as well as disputes among the new rulers.



Helpfully, Libya has no sectarian divide. Its society is relatively homogeneous but grievances abound after four decades of oppression. Revenge killings loom, as well as tribal conflicts and large-scale looting, given the lack of physical security at the moment. The fall of Saddam Hussein in Iraq and the Taliban in Afghanistan showed that a temporary power vacuum can lead to long-term instability and undermine the formation of a functioning state.



The impact of Libya’s liberation on the rest of the Arab world looks clearer. What counts there is the dethronement of a tyrant. It will lift spirits in Syria, where another reformist revolt is under way. It will also give renewed drive to Egyptians and Tunisians who toppled their dictators several months ago but have since been grappling with constitutional change. Libya will inject new momentum into the Arab spring—raising hopes that decades of stagnation and repression can be ended.



Libya will have an impact on NATO too. The military alliance that faced down the Red Army might have been expected to crush the clumsy forces of Colonel Qaddafi in days. Instead it took five months of fighting and 17,000 air sorties. An embarrassment for NATO? Not at all. The alliance has had a good war so far (who said “stalemate” not long ago?) and is winning the best kind of victory given the circumstances: one achieved mostly by Libyans themselves. Rebels entered the capital without a single Western soldier visible on the ground (though there were some special forces). NATO air attacks, as well as weapons supplied by friendly Gulf states, aided the rebels. But they alone manned trenches, which will give them added legitimacy in months to come.



War with restraint



The surprising length of the Libya campaign is a result of tactics employed on both sides. The colonel managed to hold out until now because he fights without restraint. This contrasts markedly with NATO. Its pilots have bombed selectively, keeping collateral damage to a minimum. Despite what pro-regime propagandists say, few civilians have been killed from the air. British and French generals, who led the campaign, rightly paid much attention to the interception of supplies to pro-Qaddafi forces, successfully weakening them over time.



Most important, NATO avoided “mission creep”, the dread of modern military forces. There is no sign so far that alliance ground troops will follow in the path of pilots as they did in Afghanistan, where a 2001 air campaign against the Taliban allowed a weak and divided opposition to take over, only later to need rescuing. Libya may still require peacekeepers but nobody is yet volunteering NATO for the task.



The moral and legal case for a limited intervention in Libya has not come undone as many critics predicted, though that may change if the country implodes under rebel control and the West is forced to deploy troops. In March, when pro-Qaddafi forces threatened to annihilate Benghazi, Western powers built a broad coalition to save it. Some squabbling inevitably followed, but Americans, north Europeans, Turks and Gulf Arabs did not fall out, as the colonel had hoped (and as they did over Iraq). Instead NATO developed a new—and desperately needed—modus operandi.



Libya is the first alliance campaign where America took a back seat. Europeans—with some shameful exceptions—carried most of the burden. This division of labour, in select circumstances, could be a template for future operations. But this does not mark the return of liberal interventionism. The bitter lessons of Kabul and Baghdad will be remembered far longer than any triumph in Tripoli.



Use the interactive "carousel" to browse all our coverage of Middle Eastern unrest through graphics.What comes next? Many hands toppled Libya’s bombastic colonel. Even more will be needed to clean up after him. The West has much technical expertise to offer—for example to restore the country’s battered oil infrastructure. The United Nations could send peace monitors to reassure Qaddafi supporters. If needed, other Arab states should provide peacekeepers. In the meantime, NATO might conduct a public investigation into the air campaign to show its bombs killed few civilians.



As during the revolt, most heavy lifting now will be done by Libyans. The first priority of the rebels-turned-rulers must be physical security to stave off anarchy and looting. Next ought to come the formation of a truly representative government, starting perhaps with a national forum of community leaders from all regions to show inclusiveness. The rebels have said all the right things about reconciliation. To show they mean it and to lessen the chance of a pro-Qaddafi revolt, they should invite a few loyalists to join their government.



At the same time, justice needs to be seen to be done to avoid disaffection among rebel fighters who sacrificed much and will soon be asked to give up cherished weapons. If caught alive, Colonel Qaddafi must be tried, either in Libya or at the International Criminal Court in The Hague. On balance, the first would be preferable: the more responsibility Libyans take for their future, the better.



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