Friday, 21 November 2014

Recordando o barbaro assassinato de Max Love!

Faz hoje um ano que o músico Max Love foi assassinado a sangue frio pela Guarda Pessoal do Governador da Província da Zambézia, Joaquim Veríssimo! Esta morte é apenas uma dentre várias que caracterizam os processos eleitorais em Moçambique!
Desde 1994 sistemática e ciclicamente as nossas eleições são baptizadas com sangue de inocentes! Assim foi em 1994! Assim foi em 1999! Assim foi em 2004! Assim foi em 2011 e como não deixaria de ser assim foi em 2013 e 2014! Neste país que se pretende democrático a nossa festa eleitoral é sempre seguida de violência, mortes, luto e sangue! Sempre que há eleições a festa que as deveria caracterizar num estado de direito democrático é transformada em luto para muitas famílias! Enquanto uns celebram as Vitórias com gargalos de champanhe outros as testemunham com o sangue de seus entes e queridos! Foi assim em Montepuez onde cerca de 40 apoiantes da Renamo morreram asfixiados numa penitenciaria!  Foi assim em Mocimboa da Praia quando também apoiantes da Renamo foram enviados desta para o melhor por terem ousado desafiar o poder! Foi assim em Sofala este ano onde um jovem foi baleado por ter cumprido com o seu direito cívico de denunciar uma fraude!  Tudo isto com a conivência silenciosa da Comunidade Internacional que vende seu silêncio de ouro em troca de poços de gás, carvão,rubis e outras riquezas! As mesmas mãos assassinas que na década 1960 e 1970 liquidaram durante a luta armada irmãos nossos como Filipe Magaia, Razao, Simango, Celina, na década 1980 e 1990 voltaram a atacar, quais monstros selvagens ( vampiros que se alimentam de Sangue) e levaram as vidas de Carlos Cardoso, Siba Siba Macuacua, continuam a trazer luto e dor a famílias moçambicanas! E quando pensávamos que a sua sede e saga anguinária estava satisfeita eis que para saciala inventaram a guerra de Satungira e  Muxungue onde dezenas de moçambicanos perderam suas vidas e seus bens!  Como explicar o silêncio cúmplice das autoridades políticas, governamentais, jurídicas, parceiros de Cooperação e quiçá a sociedade civil?
Como justificar este silêncio mórbido sobre crimes hediondos que arrepiariam a qualquer ser humano? O único crime do jovem Max Love foi ter subido num camião e através da sua arte, cantar, colocar no ar o sentimento do povo Quelimanense! Será crime neste país celebrar de forma pacífica a Vitória de un candidato? Cade a justiça senhor Presidente? Cade a justiça senhores presidentes dos tribunais provincial da Zambézia, de Nampula e quiçá do Tribunal Supremo agora de férias pagas pelo erário público na praia do Wimbe? Não cabe na vossa agenda de "Balanço da Justiça" um parágrafo sobre a vida de Max Love? A final para que serve a nossa Constituição da República?  Ou haverá Moçambicanos da  primeira e Moçambicanos da terceira, aqueles cujas vidas nada valem? Aqueles que semeiam a morte hoje e seus cúmplices não clamam por justiça quando a espada da justiça firme e resoluta descer dos céus para se impor na terra! Aqueles que connosco rezam nas igrejas em tempos eleitorais mas na promiscuidade da noite prometem a morte e a materializam! Quando o Chefe de Estado se recusa a  respeitar a memoria de um jovem inocente barbaramente assassinado como o fez na Praca dos Herois no doa 7 De Abril de 2014 e tempo de citar George Orwell, de facto 'os porcos triunfaram! Ao Max Love e a todos os jovens da geração do Max Love aqui fica a nossa singela homenagem e o nosso juramento: não descansaremos enquanto os mandantes e os executores deste hediondo crime não forem trazidos a barra da justiça! Elabo edji djaani? Djeewu! Ontonga baani? Diiyo!
Manuel de Araújo

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