Friday, 11 June 2010

Savana: A hora do fecho

ULTIMA

Num escândalo menos público que o caso MBS, há anos, os gringos dos impostos e das alfândegas fizeram um raide a Maputo contra uma rede que exportava roupa de marca confeccionada com rótulo”made in Mozambique”, beneficiando das isenções AGOA. O que alertou Washington foram os números que entravam no país e a indústria de confecções praticamente paralisada. Do lado de cá. Um dos “ricaços” da altura, com grandes ligações à bufaria e apontado como fazendo parte da rede, viu-se praticamente na miséria e teve que imigrar.

Numa outra operação também pouco conhecida, esteve a viver em Moçambique nos anos 90 o filho do grande narcotraficante colombiano Pablo Escobar Gaviria. O jovem era menor à altura da morte de Escobar e esteve entre nós com o nome de Marroquin Santos. Hoje vive em Buenos Aires e exerce a profissão de arquitecto. A sua estória foi passada para película.

A lista da OFAC (os tais que perseguem MBS) é seguida por quase todos os bancos que mantêm, directa ou indirectamente, relações com os EUA. Cliente na lista significa convite para fechar as contas. A semana passada houve conclave de emergência nos “big four” de Maputo para estudarem a situação.

Como não há muito tempo, um dos bancos de tradição anglo-saxónica, por instrução do seu departamento de auditoria, convocou as casas de câmbio do país para lhes comunicar que a ausência de contabilidade organizada e auditada, significava encerramentos de contas.

As salas de câmbio e operações externas dos bancos nacionais aventam dificuldades adicionais nas operações de comércio externo para entidades visadas pela OFAC. Mesmo que as importações ou as transacções não se façam directamente a partir dos EUA, uma parte dos bancos correspondentes das instituições de Maputo fazem passar as suas operações por bancos americanos. Contudo, há sempre o recurso a “traders” fantasmas, o que coloca mais um desafio sobre o banco central...

Em toda esta confusão há os que deitam contas à vida, há os que choram ... e os que rezam. Como nas mesquitas pobres dos subúrbios de Maputo fazem-se orações para afastar as acusações que pesam sobre o patrono de muitos apoios e peregrinações a Meca. Há outros que se dizem incomodados e vão sugerindo mudanças na hierarquia da comunidade. Os gringos a fazer estragos ...

E nos bancos, mesmo com preocupação, há um da segunda liga que anunciou resultados esta semana. Foram só três milhões de verdinhas de lucro numa instituição que começou vocacionada para o micro crédito.

Ainda na banca que está a dar, está para breve o lançamento do megabanco, fruto da cooperação e das linhas de crédito tugas, com senhores respeitáveis de avental à mistura. Um antigo timoneiro do banco central é suposto de abocanhar a cadeira maior na nova instituição. Com filhotes da nomenklatura como fauna acompanhante.

O cunhado JZ, que tanto orgulho causa entre os nossos tradicionalistas por comer fora de casa, de acordo com o que a tradição lhe pede, descuidou-se e agora tem escândalo dentro de casa. O seu guarda-costas, se calhar na mesma tradição, foi petiscar no galinheiro do chefe...


Em voz baixa
Suprema ironia do Mundial, os campos de futebol de Moçambique não foram aprovados para os jogos-treino das estrelas, mas os “Mambas” foram à África do Sul jogar futebol num campo de criquete desnivelado e sem relva apropriada. Quem paga a factura escolhe ...

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