Thursday, 8 April 2010

À luz do Processo de Bolonha : UEM reforma currículo do curso de Jornalismo

O CURRÍCULO de formação de jornalistas em Moçambique precisa abranger áreas diversificadas de conhecimento de forma a desenvolver, no futuro profissional, a habilidade de questionar e aprofundar os factos com que são confrontados no contacto com as fontes de informação.
Maputo, Quinta-Feira, 8 de Abril de 2010:: Notícias


Paralelamente e segundo tese defendida esta semana durante a mesa-redonda sobre a reforma do currículo do curso de Jornalismo na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), as instituições vocacionadas à formação de jornalistas devem se posicionar mais próximas do mercado e das empresas jornalísticas, propiciando o necessário diálogo e actualização permanente em torno da profissão.

Organizado pela Escola de Comunicação e Artes (ECA) da UEM, com apoio da USAID, Agência norte-americana de Apoio ao Desenvolvimento Internacional, o debate tinha em vista recolher subsídios à reforma curricular do curso de Jornalismo, recentemente lançada naquele estabelecimento de Ensino Superior. A perspectiva, segundo soubemos, é adequar o actual padrão de formação de jornalistas à dinâmica da profissão, com enfoque para questões de ética.

A reforma curricular em curso na UEM tem suporte na Declaração de Bolonha, criada em 1999 com o objectivo de tornar inteligíveis e comparáveis as formações ministradas no Ensino Superior dos países subscritores. O Processo de Bolonha preconiza, no essencial, graus académicos comparáveis e compatíveis, um sistema de créditos e dois ciclos de estudo de pré-doutoramento.

Ao abrigo das reformas em curso na UEM, a ECA deverá introduzir um novo currículo para o curso de licenciatura em Jornalismo a partir do próximo ano, abandonando o actual que vem sendo implementado desde a abertura da Escola de Comunicação e Artes, em 2004. No novo currículo o curso de jornalismo na UEM, à semelhança de outros ministrados naquela instituição pública terá a duração de três anos para o primeiro ciclo e outros dois para o segundo, este último equiparado ao actual nível de Mestrado.

Sobre a consistência do currículo de formação de jornalistas, Fernando Gonçalves, do Fórum de Editores de Moçambique, mostrou-se crítico em relação ao nível de domínio e tratamento da língua portuguesa por parte dos jornalistas, sugerindo que esta questão mereça uma abordagem particularmente atenta no contexto do currículo de formação daqueles profissionais. Segundo afirmou, a língua portuguesa é o principal instrumento de trabalho do jornalista moçambicano e não o computador, o bloco, gravador ou a esferográfica.

Por seu turno, Tomás Vieira Mário, presidente do MISA-Moçambique, começou por defender que o jornalismo é uma arte que tem método e metodologia próprias, acrescentando que o jornalista tem uma responsabilidade editorial pública, ao contrário dos autores de Blogs que nalgum momento são apresentados como aqueles que colocam em causa a relevância do jornalismo como profissão.

A perspectiva do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), na voz do seu secretário-geral, Eduardo Constantino, é que se promovam mais reflexões conjuntas sobre o currículo de formação de jornalistas em Moçambique, assumindo que algo mais precisa ser feito tanto pelos profissionais no activo há vários anos, como por aqueles que experimentam o primeiro contacto com a profissão.

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