Wednesday, 20 March 2013

Comunicado: deixou-nos o Dr Mussa Rodrigues!

Condolências á família do músico Dr. Mussa Rodrigues.

Em nome do Conselho Municipal, dos Munícipes de Quelimane, da minha família, e em meu nome pessoal, endereço as minhas mais sentidas condolências, à família do músico e compositor Mussa Rodrigues, ocorrido na madrugada do dia 19 de Março de 2013na sua residência, nesta cidade.
Neste momento de dor, solidarizamo-nos com a família, amigos e todos que directa ou indirectamente, estavam ligados a esta figura, através de suas canções tocantes, por espelharem a nossa realidade social.
O Dr. Mussa Rodrigues foi e continuará a ser aquele homem que jamais o esqueceremos pelos seus feitos, pela sua sagacidade e paixão pela música que influenciaram aos músicos da nova geração a aderirem aos ritmos tradicionais que são a nossa identidade.
Hoje a nossa música, a nossa cultura, a nossa cidade e quiçá o nosso país está de luto por esta perda irreparável, porque jamais teremos nos nossos palcos a presença do mais conceituado músico zambeziano, que conquistou os fãs do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico, quando brindou a todos nós com “Nós somos cantores.”
Dr, Mussa Rodrigues, hoje partes deixando um grande vazio entre nós; mas faremos das tuas canções a nossa eterna fonte de inspiração.
Estou ciente que neste momento de dor, de tristeza e de luto, precisamos de unir forças, para ultrapassar o peso que nos vai na alma e orar a Deus para que ilumine a esta família que hoje derrama um pranto que será indelével na história de todos nós.
Amigo, nos momentos mais difíceis era em ti que buscávamos as forças, nas horas de incerteza, era nas tuas melodias que nos inspirávamos e retemperávamos as nossas energias para o combate.
Juntos lutamos para libertar a nossa terra e juntos continuaremos a ser “cantores moçambicanos da província da Zambézia”. Até sempre amigo!
Quando naquela manhã ardente de 04 de Março te disse ate já, nada adivinhava que aquela seria a última vez que nos disseste com ternura. “Gostaria de ter um dia inteiro consigo, como fiz com Pio Matos.” Não sabia que já sabias que não seria possível. Que aquele seria o nosso último e derradeiro encontro, a nossa última despedida, o nosso último adeus. Descanse em paz amigo! Faremos das tuas músicas o nosso hino guerreiro, a poção mágica no combate pela dignificação da nossa terra! Amigo Dr. Mussa Rodrigues obrigado por tudo.
Ficaremos eternamente endividados pela contribuição que deste a nossa musica, a nossa cultura e ao nosso povo!
Paz a sua Alma!
Quelimane, aos 19 de Março de 2013
O PRESIDENTE

Manuel A. A. L. de Araújo

Monday, 21 January 2013

Kangamba: o Criminoso Candidato do MPLA

Por , julho 13, 2012 · Comments (13)
Durante o acto de homenagem e apresentação da candidatura do presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, a 23 de Junho passado, no estádio 11 de Novembro, poucos perceberam a sombra e o verdadeiro poder de um outro dos Santos.
No palco montado no exterior do estádio, onde desfilavam conceituados cantores angolanos e onde o Presidente deveria ter falado às multidões, outro nome adornava o cenário, em dois grandes cartazes junto ao palco: o do controverso empresário Bento Kangamba, de seu nome próprio Bento dos Santos, de 47anos.
Aquele acto foi, afinal, mais um golpe magistral de campanha pessoal do auto-denominado empresário da juventude e presidente do Kabuscorp F.C., que concorre ao cargo de deputado nas eleições previstas para o próximo dia 31 de Agosto. O referido candidato é o secretário do comité provincial de Luanda do MPLA para organização e mobilização periférica e rural de Luanda.
Como Bento Kangamba adquiriu tanto poder para, inclusive, usar um acto destinado ao Presidente José Eduardo dos Santos, um obreiro do culto de personalidade, para sua auto-promoção? Esta questão conduz a uma outra mais preocupante e de gravidade nacional. Como um indivíduo condenado pela justiça, com cadastro criminal, pode concorrer ao cargo de deputado?
A presente investigação traz a lume o extraordinário percurso de Bento Kangamba, para quem a lei e as instituições do Estado, incluindo a presidência, sujeitam-se à sua colorida e sinistra personalidade.
A Lei e os Crimes
A Constituição angolana, promulgada pelo Presidente José Eduardo dos Santos, a 21 de Janeiro de 2010, estabelece, como inelegíveis a deputados, dentre outros, os cidadãos “que tenham sido condenados com pena de prisão superior a dois anos” (Art. 145º, nº 1, e).
A 27 de Outubro de 2000, o Tribunal Supremo Militar condenou o então brigadeiro na reserva, Bento dos Santos, mais conhecido por Bento Kangamba, a uma pena única de dois anos e oito meses de prisão maior, por cúmulo jurídico, como autor de crime de conduta indecorosa, burla por defraudação e dois crimes de falsificação de documentos. O empresário foi ainda condenado a pagar uma indemnização no valor de US $427,531 à empresa portuguesa Filapor – Comércio Internacional Lda, com sede em Portugal, que foi vítima de burla.
O caso remonta a Março de 1996, quando o então coronel das Forças Armadas Angolanas (FAA) e logístico da 16ª Agrupação do Comando Operacional do Cuango, Bento dos Santos, fraudulentamente importou à Filapor, mercadoria no valor de US $267,532 em nome da Direcção da Logística do Estado-Maior do Exército. Na realidade, conforme o Acórdão do Tribunal Supremo Militar, os contentores de “óleo alimentar, atum, sardinha, frigoríficos, mobiliário diverso, colchões e equipamento desportivo” destinavam-se à candonga. “Todas as mercadorias foram recebidas por Bento dos Santos “Kangamba”, comercializadas por si, em proveito próprio, nos mercados informais da cidade de Luanda e em localidades das províncias da Lunda-Norte, Lunda-Sul e Moxico, não efectuando o pagamento devido à empresa do seu fornecedor ou seus sócios em Luanda”, lê-se no Acórdão.
Sobre a condenação e a atitude do condenado em não pagar a indemnização, o então ministro da Defesa, general Kundy Paihama, escreveu, a 17 de Dezembro de 2001, ao então secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal, Luís Amado. “Expresso o meu sentimento de reprovação pela prática criminosa do réu supracitado cujo comportamento mereceu condenação do Supremo Tribunal Militar (…).” O ministro sugeriu os passos legais para o ressarcimento da dívida ao empresário Manuel Lapas, sócio-gerente da Filapor, a quem Bento dos Santos, ou simplesmente Bento Kangamba, havia enganado com documentos falsos que lhe conferiam poderes para negociar em nome da Direcção Logística do Estado-Maior do Exército.
No ano seguinte, a 19 de Junho de 2002, o Tribunal Supremo condenou Bento Kangamba à pena de quatro anos de prisão maior, por crime de burla por defraudação, bem como ao pagamento de uma indemnização de US $75 mil às empresas Nutritiva e Lokali.
Por sua vez, a 7 de Maio de 2012 , um tribunal de Sintra, Portugal, ordenou a penhora de bens detidos por Bento dos Santos, o Kangamba, nesse país europeu, para a execução da dívida de mais de um milhão de euros que este deve a Manuel Lapas. Entre os bens penhorados constam um apartamento de Bento Kangamba na freguesia de Oeiras, duas viaturas de luxo Mercedes-Benz e seis contas bancários no Millenium e Banco Espírito Santo, com um valor irrisório e total de €15,035.
Ironicamente, o auto-proclamado empresário da juventude é, em Lisboa, um simples assalariado da firma Lapigema – Lapidação e Comércio de Gemas, Lda, sedeada no Estoril. Com a categoria profissional de prospector de compras, o general Bento dos Santos aufere, em Portugal, um salário mensal de €485. Por se tratar de um valor correspondente ao salário mínimo nacional, em Portugal, a sua entidade patronal, Lapigema, declarou, a 17 de Maio passado, que o referido salário é “impenhorável”, excusando-se, desse modo, de executar a Ordem Nº. PE/333/2012, do Processo 11249/12.3TSNT, sobre a revisão do Acórdão do Tribunal Supremo Militar de Angola que condenou o antigo logístico. Para o efeito, a empresa confirmou o pagamento, a Bento Kangamba, do salário correspondente ao mês de Abril, tendo anexado o recibo de remunerações em carta dirigida ao executor da penhora.
Certamente, a ligação do candidato a deputado do MPLA, Bento Kangamba, à Lapigema será alvo de diligente investigação, noutra ocasião.
Em entrevista recente à Rádio Ecclésia, Bento Kangamba justificou a sua prisão, em termos pouco compreensíveis, como uma invenção de pessoas invejosas. “Fui preso porquê? Porque em 97-96, eu dei a cara como pessoa que tem dinheiro, para defender a greve dos professores e da educação. E as pessoas mais invejosos da vida, que não gostam de defender a vida das populações.”
Como Bento Kangamba tem conseguido pisotear a lei? Na entrevista à Rádio Ecclésia foi peremptório: “Neste país eu sou mais do que ministro!”
Na sequência da condenação, pelo Tribunal Supremo Militar, em 2000, o MPLA expulsou Bento Kangamba do seu comité central e da suas fileiras. No entanto, em 2009, o MPLA readmitiu no seu comité central, mais uma vez, o militante que havia saneado por práticas criminosas.
Em 2010, Bento Kangamba passou a fazer parte da família presidencial ao desposar Avelina Escórcio dos Santos, filha de Avelino dos Santos, o irmão mais velho de José Eduardo dos Santos. O chefe de Estado brindou a cerimónia de alembamento com a sua presença. Para padrinho, Kangamba escolheu uma figura do círculo presidencial, o general Higino Carneiro, membro do Bureau Político do MPLA e chefe-adjunto da sua bancada parlamentar.
José Eduardo dos Santos, na qualidade de comandante-em-chefe das FAA, promoveu, em Abril passado, Bento Kangamba ao grau militar de general de três estrelas. Apesar de ter passado à reforma, antes da condenação em 2000, este membro do Comité Central do MPLA tem vindo a ser promovido, no exército, sem justificação aparente.
O Braço Longo do Regime
A 7 de Março, passado, o vice-presidente do clube de futebol do general Kangamba, Raúl Mendonça, dirigiu pessoalmente um grupo de milícias que raptou, junto a uma estação móvel da Polícia Nacional no Cazenga, em Luanda, os jovens Mário Domingos e Kimbamba. Estes têm organizado manifestações exigindo a demissão do Presidente José Eduardo dos Santos.
“Eu agarrei-me a uma barra da estação móvel da polícia e os atacantes deram-nos choques eléctricos, espancaram-nos e tiraram-nos os telemóveis e os documentos em frente aos agentes da polícia, que apenas assistiram sem fazer nada”, disse Mário Domingos.
As vítimas foram em seguidas apresentadas a Raúl Mendonça, vice-presidente do Kabuscorp F.C. “O Sr. Raúl prometeu-nos dinheiro para pararmos de organizar manifestações contra o Presidente José Eduardo dos Santos”, explicou Mário Domingos.
O general Bento Kangamba tem sido acusado, em várias ocasiões, de estar por detrás das milícias pró-dos Santos que têm perseguido os líderes do movimento contestatário com violentos ataques e raptos. A 4 de Junho o general Kangamba negou, em declarações à Rádio Ecclésia, qualquer envolvimento com as milícias. “Fui promovido a general de três estrelas para comandar milícias? Isto é falta de respeito. É inveja”, disse.
No entanto, Mário Domingos e Kimbamba presenciaram quando Raúl Mendonça deu ordens ao seus capangas. “Ele disse que nós éramos indivíduos teimosos, que queríamos ser heróis e morrer pelo povo. Então ele disse aos homens dele que se livrassem de nós.” Os atacantes levaram as víctimas para um aterro.
Mário Domingos disse ainda: “Naquele local fomos torturados com choques eléctricos e pancadaria. Mas à volta havia pessoas que ouviram os nossos gritos e vieram ver o que se passava. Eles levaram-nos para os carros outra vez e levaram-nos para um outro aterro, mais deserto, onde continuaram a torturar-nos, mas também ali haviam pessoas que nos ouviram gritar”.
A Inelegibilidade do Candidato
Como pode o Tribunal Constitucional, que foi minucioso na recusa de candidaturas da oposição, ao ponto de remeter alguns processos para investigação criminal, ter permitido a candidatura de Bento Kangamba, que ocupa o 60º lugar na lista do MPLA? Que certidão de registo criminal terá Bento Kangamba apresentado ao Tribunal Constitucional?
Poderia ser invocado o argumento de uma amnistia, uma vez que o Presidente José Eduardo dos Santos, desde 2000, decretou várias. Todavia, afasta-se essa possibilidade, até porque o condenado cumpriu pena na Comarca de Luanda e a sentença continua a ser executada, ora em Portugal. O próprio Tribunal Supremo Militar justifica, no Acórdão referente ao caso, que as amnistias declaradas para os crimes militares não se aplicam aos crimes de burla por se tratarem, estes, de crimes comuns e, para o efeito, cita o disposto no Artº 49º da Lei sobre os Crimes Militares (Lei 4/94). O referido artigo estabelece que “os crimes de corrupção, roubo, furto, peculato, abuso de confiança e burla, previstos na lei penal comum quando praticados por militares, serão punidos com as penas previstas na mesma lei, agravadas de um terço.” Assinaram o Acórdão, os juízes e oficiais generais António dos Santos Neto, Augusto da Costa Carneiro e Adolfo Aníbal Rasoilo. O primeiro exerce actualmente o cargo de juiz-presidente do Tribunal Supremo Militar, o segundo serve como juíz do Tribunal Supremo.
As decisões do presidente do MPLA e da República, José Eduardo dos Santos, têm demonstrado a sua falta de respeito para com a legislação em vigor, por si próprio promulgada e de acordo com a sua vontade política. A submissão da candidatura de Bento Kangamba é apenas mais uma das suas arbitrariedades.
Será que o Tribunal Constitucional, ao menos, terá coragem e dignidade suficiente para se pronunciar publicamente sobre o caso? Ou serve apenas para excluir os malquistos da oposição?

Wednesday, 16 January 2013

"Eu matei Samora"

 * Eu matei SAMORA...???*

 "Eu matei Samora"
 Maria Pons, correspondente em Joanesburgo Um ex-agente dos serviços
 secretos militares do antigo regime
 sul-africano do «apartheid» assumiu publicamente ter estado envolvido na
 morte de Machel. Numa entrevista exclusiva publicada pelo semanário
 «Sowetan Sunday World», o ex-agente afirmou que participou nos planos que
 causaram a morte, em Outubro de 1986, num desastre de avião, ao antigo
 Presidente moçambicano, Samora Machel, bem como a outras 33 pessoas. Hans
 Louw, um assassino profissional ao serviço do Civil Cooperation Bureau
 (CCB), um departamento de operações especiais daqueles serviços secretos,
 concedeu a entrevista na prisão, onde se encontra desde 1997, a cumprir uma
 pena de 22 anos, por ter morto um membro da mafia grega. Ele e um outro
 agente são acusados de outros seis homicídios e 70 tentativas de homicídio.
 Louw afirma que a morte de Machel não resultou de um acidente e que não foi
 por acaso que o avião em que este seguia, um Tupolev de fabrico soviético
 vindo de Lusaca (Zâmbia) em direcção a Maputo, caiu nas colinas em Mbuzini,
 perto da fronteira sul-africana com
 Moçambique.



 "Eu fazia parte da equipa de reserva, armada com mísseis terra-ar, que
 seriam utilizados caso o primeiro plano falhasse", disse Louw, que afirma
 ter também colaborado nos relatórios e trâmites burocráticos da morte de
 Machel. Segundo o ex-agente, havia um plano A, que devia desviar o Tupolev
 da sua rota por meio da emissão de falsos sinais de rádio, o que
 efectivamente aconteceu. Crente de que estava a baixar em direcção a
 Maputo, o piloto russo conduziu, de facto, o avião para território
 sul-africano, onde acabou por despenhar-se nas montanhas de
 Lebombo, na região de Mbuzini.



 Louw acusa os serviços secretos militares do regime do «apartheid», a que
 pertencia na época, de terem emitido os falsos sinais. O mesmo método,
 denunciou Louw, teria depois servido para abater um avião militar angolano
 em 1989. Em 1987, uma comissão de investigação sul-africana declarou que o
 desastre se devia a um erro do piloto, que também morreu no desastre.
 Depois do fim do «apartheid», também a Comissão para a Verdade e
 Reconciliação
 investigou o desastre, mas não publicou os resultados. Nessa altura,
 apurou-se que a causa do acidente foi, efectivamente, a emissão de falsos
 sinais.



 A pedido de Graça Machel e Nelson Mandela, a morte de Samora Machel está
 agora a ser investigada pela equipa especial de investigações «The
 Scorpions». Louw confessou ainda que no princípio dos anos 90 distribuiu
 armas
 para semear violência nos comboios interurbanos no Rand oriental próximo
 de Joanesburgo, com armas provenientes de Moçambique. Depois de se demitir
 das forças especiais, foi mercenário em Angola e na Serra Leoa com a
 empresa sul-africana Executive Outcomes, oficialmente dissolvida em 1998,
 mas que continua a actuar sob outros nomes.


 E disse que estava arrependido do seu "passado sangrento" e que, por isso,
 queria "pôr tudo em pratos limpos". As suas revelações são apenas a ponta
 do icebergue.

Tuesday, 15 January 2013

Suponho que o meu amigo Eduardo nao se importa se eu publicar este texto! Um abraco, MA



AS COISAS QUE EU GOSTARIA QUE O GOVERNO OUVISSE
POR Eduardo White

Tenho que ser homem todos os dias e poeta quando escrevo. Apesar de me pesar o primeiro, dói-me mais o segundo. Hoje é segunda-feira e a vida me chama e duras batalhas me esperam para que as enfrente. Suo, já, de percebê-las tão vivificadas, tão bem nutridas, tão prontas para me fazerem frente. Eu venho débil da poesia e o poeta, cuja insónia tanto me prejudica, nem percebe que necessito de descanso, que preciso desse repouso tão necessário às lutas que hoje pressinto travarei. Escreve desalmadamente como se  fossem todas as palavras esgotarem-se, todos os versos abandoná-lo. Chamo por ele mas nem disso se apercebe. Tenho o corpo cansado, os olhos avermelhados, a cabeça gasta de tanto tê-la emprestada. Entre a correria dos poemas que dele transcrevo, passam-me, tempestivas, as imagens do que tenho por realizar mais daqui a bocado, do que tenho que exercer para comprar cigarros e livros e as coisas necessárias para que a casa seja uma casa e nela possamos habitar-nos. Por outro lado, existe o amor que amamos. A mulher que nos mantém a amizade e nos suporta os maus humores, a desarrumação que fazemos, a preguiça que mostramos para os trabalhos domésticos dos quais nos abstemos. A mulher que amamos é o amor de que não nos furtamos, é essa energia que não pagamos, é esse equilíbrio que tanto necessitamos. Por isso, digo-lhe repetidamente:
Deixa que eu descanse para que possa ganhar o almoço, os livros, o tabaco, o whisky, as flores que temos para oferecer. E ele não me ouve e, por isso, eu bem gostaria de viver à custa dele. Todavia, é de todo impossível essa realidade. Bem que tentámos, mas são tão ruins os versos e são tão poucos os que ainda se leem que logo, logo, desistimos.
Vou eu trabalhar? Pergunto-lhe.
Vai tu, diz-me ele daquele seu ar altivo e daquela pobreza visível que não se lhe esconde. E eu olho-o só, olho-o só porque mais não tenho o que lhe dizer e porque, cá em casa, também, é o único facto que nos resta assim tão encantado. É um bom homem, este nosso poeta. E' um pouco desequilibrado, diga-se a verdade, no entanto, é também o nosso amor que me pede para que o deixe ficar, embora lhe pese a idade e o cansaço de não ter pensado naquilo. Este poeta é uma sombra que me persegue, é uma cruz que carrego. Ama quem amo, vive por mim alimentado e ainda lhe registo os filhos que procria na minha cama. Estou cansado. Verdadeiramente cansado. Não dele, que ele é um facto, mas das coisas que escreve, das horas que me rouba e, sobretudo, desse seu modo tresloucado. Não posso dizer basta. Não tento e nem por tentativa ouso. O amor necessita dele, o amor no seu todo, e se o poeta parte, esse infiel escrevinhador embriagado, a vida, aqui, não terá sentido, não será esse fardo que eu e o amor carregamos e que nos faz viver embora seja tão pesado.
Apesar de tudo, hoje o País que parece infeliz, acordou bonito e brilhante e a cheirar a maresia que o mar lhe traz. Olho-o da janela da flat aonde moro, da mesma janela aonde tanta vezes o choro e o celebro e o beijo e há uma luminosidade impregnante em tudo, até nos dois bêbedos que passam a caminho de casa, ou não ou talvez. Mas vão de mãos dadas e cambaleantes e há nisso uma certeza cumpliciada, a de serem felizes, assim, a de estarem tristes se for tal razão esse outro modo de se verem. Vão pela avenida cinzenta e molhada, deserta de muita gente mas habitada de tudo, dos pardais que nela debicam os restos do lixo, das flores sem nome mais abertas ao orvalho e à frescura que sopra como se Deus tivesse a boca aqui. E vão indissimuláveis, cantando, enquanto às janelas dois pais infelizes os invejam a liberdade e a coragem. Vão estonteantemente andando, presos a essa ébria amizade na qual a manhã os casa. Hoje e' um dia que até eu que não gosto e estou com a alegria à mesa embora me pese aqueles meninos na rua ao lado, esses filhos da falsa burguesia cujo destino seria a miséria mas o Pais não quis, que o sujam com a sua arrogância e com o pó que os seus carros levantam nos peões que dão e que a soruma faz. Estou com a alegria à mesa, dizia, e com ela converso e troco carinhos, porque, decerto, o dia terá um encanto mágico mesmo que alguns médicos que sempre estiveram em greve, no meu Pais, na ética a que faltam, na arrogância branca das suas batas, o demonstrem agora mais nitidamente e não se importem com os doentes que morrem, com as crianças que não terão direito a exercer os homens que serão amanhã, porque a greve é que está com saúde e elas não, como sempre, porque nunca a tiveram, mas o dia é mágico, torno a dizer, e é um dia bonito. Especial, hoje, porque não sei bem porquê, ou saberei mas ainda não percebi. Um dia que espero o amor prevaleça em tudo que ele tocar e seja dito e seja feito e seja exercido como se o País se fosse renovar, nas maternidades, nas fábricas que não param, nas padarias, nos transportes públicos, nos restaurantes, nas barracas, nas igrejas, nos cinemas, em todos aqueles lugares onde hajam homens e mulheres para quem este dia é um dia de trabalho e nós podemos passá-lo felizes e sem, injustamente, os lembrar. Bom dia a esses amigos e cidadãos e compatriotas, obrigado por esse dia fluminoso e obrigado a vocês, aí, e que hoje vos brilhe a alma como brilhara', certamente, o dia.
Por é m, há coisas que eu gostaria o Governo ouvisse. Acabei de escrever um texto sobre o que pensava iria ser, para nós,  o ano em que agora entramos face aos acontecimentos que se estão a dar. Um deles é este marketing todo que as estruturas governamentais estão a fazer, desde há um tempo a esta parte, sobre as riquezas que estão a ser descobertas no País, que toda a gente, de um modo ou de outro, sabia e sabe que há, mas não tinha a confirmação de um pronunciamento oficial. De forma que, agora, toda a gente tem talheres para o banquete e a mesa nem ainda esta' arrumada e nem o boi morto e já se começa a partilhar o que há e efectivamente não existe. Por outro lado, a riqueza que há e não é partilhável e que se ostenta por aí a torto e a direito, aos olhos de um Povo que o Poder pensa ter problemas de uma cegueira em avançado grau de progressividade, e que, em face disso, pouca importância dá ao que os menininhos nomeados para os cargos de alta direcção persistem em fazer, essas orgias de ostentação, essas falácias todas das suas argumentações quando tem que se justificar sobre o que fazem mal, está a levar o País para um estado de dilatação muito pouco saudável. Se há riqueza por explorar e o que se precisa é de trabalho para a trazer ao benefício social, também há a que já há e não é correctamente partilhada. Se não se redistribui o que se tem com equidade, certamente não se redistribuirá o que vai haver. E se uns usufruem dela, não é salutar que a maioria não comparticipe dos benefícios que ela da' e traz a essa pequena maioria que não se cansa de se mostrar sem pudor nenhum. Necessário é, quanto antes, que o Poder se administre de bom senso, se fortaleça de justiça e competência para que pare e se redefina nas suas linhas de orientação quanto à saúde do Pais, no seu todo. Cada vez mais nos abeiramos de uma violenta convulsão social, com resultados muito feios, e os meninos tecnocratas que abundam nas direcções dos Ministérios e enchem a língua do Povo com as suas histórias rocambolescas de excessos e excentricidades, deveriam pensar mais no futuro do que se masturbarem como se masturbam com as regalias que o presente lhes dá. Pelos vistos, e se eles pensarem bem, com tão poucos aviões que a LAM tem, caso haja a porcaria que estão a provocar, com a sua indiferença e arrogância, não lhes restarão lugares em avião nenhum que os salve por via aérea. E, deste modo, como estão distraídos a partilharem e a partilharem-se, nem repararam que por mar, então, só mesmo a nado é que se safariam se soubessem nadar, porque nem barcos se lembraram de comprar em todos estes anos. E o que parece, aqui, neste texto, uma brincadeira, pode tornar-se, de repente, numa realidade gritantemente assustadora. Já é tempo de se mexerem e darem-se ao trabalho de trabalhar ao invés de estarem sempre a lêr e a transcrever os mesmos relatórios que se escrevem há anos para nos dizerem o que já ouvimos, também, faz anos. E nem nisso são originais, esses senhores. Reflictam, analisem e ajam. O que precisamos é de um governo que aja de imediato antes que faça o Povo por ele. E aí, a coisa não me parece que venha a ter os resultados que teriam se fossem eles a faze-lo. Um barril de pólvora a pulsar desta maneira, como o é o nosso País, é passível de um estrondoso e explosivo acidente “cardiovascular”. E, por falar nisso, os médicos já estão na sua greve. E depois  temos quem? Os enfermeiros? Os estudantes? Os funcionários públicos? Bom, nem quero arriscar a dar palpites que me arrepio todo. Ponham-se a suar, por favor, e a fazer o que devem fazer a bem da Nação e do Povo. Este País merece um Futuro melhor, mas melhor para todos e não só para alguns.

Toma que te dou: Luísa Diogo exila-se em Washington ou Londres ou Polokwane


- Senhora Luísa Diogo, será verdade que vai abandonar Moçambique?
- Porquê? -
Diz-se, intramuros, nos cafés e nos corredores políticos, nacionais e internacionais, que a senhora está frustrada com a cúpula da Frelimo, em particular com o Presidente Armando Guebuza, que, segundo informações que temos, considera déspota.
- Não faz parte da minha formação usar adjectivos pessoais para classificar alguém, fui educada para respeitar os humanos independentemente da sua classe e porte e, por causa disso mesmo, nunca chamaria o Presidente Guebuza de déspota, jamais disse isso e nunca considerei que o Presidente Guebuza fosse um déspota.
- Mais vai exilar-se ou não?
- Onde? Gosto muito do meu país apesar de muitas injustiças que imperam por aqui. É muita pena, gostaria de dar o meu contributo a nível de outros patamares, mas há pessoas que se incomodam com aqueles que pensam verdadeiramente no povo, no desenvolvimento humano.
- Algumas figuras de peso na economia e política de Moçambique dizem que a senhora já falou em ir viver em Washington, Londres ou em Polokwane...
- Se um dia tiver que ir para um desses lugares ou para outro qualquer, não será, com certeza, pelo despotismo do Presidente Guebuza, mas, sim, por defesa dos meus princípios.
- Então, mesmo que não o queira explicitar, acaba por reconhecer, implicitamente, agora, nestas suas palavras, que Armando Guebuza é um déspota!
- Sabes de onde vem o vento?
- Não, não sei.
- Sabes para onde vai o vento quando sopra?
- Também não sei.
- Pois é! Eu sou como o vento, não sabes de onde venho, nem para onde vou, só ouves o meu ruído. Eu sou a árvore que nunca trepaste para arrancar o meu fruto e saboreá-lo.
- Não percebi nada destas palavras, senhora Luísa Diogo!
- É isso! O Presidente Guebuza também não percebeu a minha frontalidade.
- Tem pena dele?
- Tenho pena das mulheres deste país que são hasteadas nos anais políticos, sem saberem que o próprio Presidente saiu do ventre delas, e elas vão rebocadas, como sempre o foram.
Recebem mensagens dos políticos e repetem-nas em todos os lugares onde estão, sem inteligência, e vêm para aqui com fachos sem combustível próprio.
Eu recusei-me a ser uma bóia que espera, no mar, pelo abastecimento impingido, por isso estou aqui.
A minha mãe disse-me, ainda com o cordão no meu umbigo, que eu seria um candelabro. Ninguém me pode apagar, ninguém me vai apagar, aqueles que nascem do espírito jamais serão apagados.
- Qual é, para si, no nosso país, a mulher que será o protótipo das mulheres do amanhã?
- São todas as mulheres deste chão, desde o momento que elas recusem a manipulação.
- A Alice Mabota também é manipulada?
- Já te disse que a minha formação não me permite adjectivar pessoas.
- Mas o que é que a senhora acha da Alice Mabota?
- Nunca conversei com ela em privado, para percebê-la melhor, por vezes estamos em presença de algo que cintila, sem querer dizer que temos à nossa ilharga o ouro.
- Estará a dizer que a Alice Mabota só brilha?
- O que estou a dizer é que este país precisa de todas as mulheres, sem reboque. Elas têm de pensar e tomar decisões sobre o que querem.
Os políticos dizem uma coisa hoje e amanhã vamos perceber que o que eles disseram ontem não é o que estão a fazer hoje. Uma mulher tem de ter uma única palavra até ao fim. A mulher é a dona da Existência.
- O seu marido, o senhor Albano Silva, tem-lhe dado espaço para estender esta sabedoria que a senhora tem?
- Não sabia que eu era sábia.
- Só para terminar, vai-se exilar ou não? - Onde?
- Em Londres, ou em Washington ou em Polokwane!
- Eu não fui nascida para viver no exílio mas, se um dia isso tiver que acontecer, volto para Nhabulebule, em Tete, para sentir, de novo o cheiro do meu cordão umbilical que a minha mãe enterrou nas raízes da maior maçaniqueira que ainda hoje está lá.



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“Onde se cruzam os teus talentos com as necessidades do mundo, aí está a tua vocação”
Aristóteles

CARNAVAL @2013 na Cidade de Quelimane

Decorre de 02 a 08 de Fevereiro de 2013 aquele que e considerado como sendo o "Maior e Melhor Carnaval de Mocambique"!

Venha e participe nesta grande festa! Nao perca!

Thursday, 10 January 2013

2013: Novo Ano, Calcas Novas?

Iniciamos um novo ano! E altura de agradecer a todos aqueles que durante o ano transacto nos visitaram e colaboraram connosco! 2012 foi un ano dificil, duro mas compensador! Duro porque os desafios que tinha pela frente quer a nivel pessoal, quer a nivel familiar, quer a nivel profissional eram enormes! Mas com a ajuda de muitos de voces pude superar os desafios e consolidar as conquistas! Aprendi muito e como pessoa penso que tambem cresci! Contudo, fgostaria de pedir aos amigos e outros para que continuem com a mesma paciencia porqu ainda tenho muitas arestas por limar! Ainda tenho muitos defeitos alguns dos quais dificeis de limar! Quero aqui e agora confessar que durante o ano transacto ofendi a muita gente, magoei a tantos outros voluntaria e involuntariamente! A todos esses quero pedir as minhas mais sinceras desculpas e peco encarecidamente que me perdoem! A minha esposa, aos meus filhos, peco que me perdoem pelo pouco tempo e a pouca atencao que lhes tenho dedicado! Aos meus pais, aos meus irmaos, aos meus amigos, aos meus colaboradores agradeco a paciencia que tem tido comigo e com as minhas accoes! E tambem quero pedir a eles, publicamente para que continuem a ser os meus melhores conselheiros, porque a tarefa que tenho pela frente e dura, quase herculea! Em 2011, juntos fizemos um acto heroico: vencer as primeiras eleicoes autarquicas intercalares na historia de Mocambique! Quero agradecer ao Presidente Davis Simango, a direccao do MDM, aos demias quadros, membros e simpatizantes por terem tomado a corajosa decisao de propor a minha candidatura a tao importante desafio, apesar de na altura nao ser membro formal do partido!! Sao poucos os partidos no mundo, e porque nao em Africa que teriam tao grande coragem e arrojo! Pouquissimos sao os partidos em Mocambique que tomariam tal atitute! Isso mostra sem margem para duvidas que o MDM e a sua lideranca sao um partido maduro, corajoso e que olha em primeiro lugar para o INTERESSE NACIONAL! Bem haja pois Presidente Daviz Simango, bem haja o MDM!

como dizem os ingleses, last but not least, permitam-me dar um abraco do tamanho do mundo aos municies de Quelimane, pela coragem que tiveram em dizer BASTA! Esta coragem surpreendeu nao so aos mais incautos como tambem aqueles que em plena televisao ou outros media juravam a pes juntos que tal milagre nao aconteceria! Como nos narra a biblia, quando Deus quer, nao vontade que nao se materialize: de facto, o ' Pequeno David venceu o monstruoso Golias', escrevendo com letras de ouro um facto historico singular que ninguem apagara na historia da nossa jovem democracia: pela primeira vez um partido politico, o MDM venceu um pleito eleitoral municipal intercalar!
Um abraco patriotico, Dinoutamaalelani!

Manuel de Araujo

Sunday, 11 November 2012

Festival de Zalala!

Decorre de 09 a 11 de Novembro de 2012 o Festival de Zalala que depois do Carnaval de Quelimane, e o maior evento cultural Zambeziano! De acordo com os organizadores espera/se que passem pelas lindas pras de Zalala cerca de 22 mil pessoas!

Discurso de Obama!

Se alguém aí ainda dúvida de que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores continua vivo em nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa democracia, esta noite é sua resposta.
É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas em um número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez em suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer esta diferença.
É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados.
Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de estados vermelhos e estados azuis.
Somos, e sempre seremos, os EUA da América.
É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem céticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direção à esperança de um dia melhor.
Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA.
Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.
O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Agüentou sacrifícios pelos EUA que sequer podemos imaginar. Todos nos beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.
Parabenizo a ele e à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles para renovar a promessa desta nação durante os
próximos meses.
Quero agradecer a meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de trem de volta para sua casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.
E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.
Sasha e Malia amo vocês duas mais do que podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que está indo conosco para a Casa Branca.
Apesar de não estar mais conosco, sei que minha avó está nos vendo, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite.
Sei que minha dívida com eles é incalculável.
A minha irmã Maya, minha irmã Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a todos vocês. E a meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história dos EUA da América.
A meu estrategista chefe, David Axelrod, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho.
À melhor equipe de campanha formada na história da política. Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir. Sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.
Nunca pareci o candidato com mais chances. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. Nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston.
Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20 à causa.Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram para trás suas casas e seus familiares por empregos que os trouxeram pouco dinheiro e menos sono.
Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater nas portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um Governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.
Esta é a vitória de vocês. Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim. Fizeram porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para dar a vida por nós.
Há mães e pais que passarão noites em claro depois que as crianças dormirem e se perguntarão como pagarão a hipoteca ou as faturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária de seus filhos.
Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reparadas. O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos em um ano nem em um mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.
Prometo a vocês que nós, como povo, conseguiremos.
Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minha quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas. Mas, sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que nos afrontam. Ouvirei a vocês, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedirei a vocês que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.
O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de outono.
Esta vitória em si não é a mudança que buscamos. É só a oportunidade para que façamos esta mudança. E isto não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de sacrifício.
Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas um com o outro.
Lembremos que, se esta crise financeira nos ensinou algo, é que não pode haver uma Wall Street (setor financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre.
Neste país, avançamos ou fracassamos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram nossa vida política há tanto tempo.
Lembremos que foi um homem deste estado que levou pela primeira vez a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional.
Estes são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite, fazemos com certa humildade e a determinação para curar as divisões que impediram nosso progresso.
TAnnen MAury, eFeComo disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não devem romper nossos laços de afeto.
E àqueles americanos cujo apoio eu ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei seu presidente.
E a todos aqueles que nos vêem esta noite além de nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, a aqueles que se reúnem ao redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo, nossas histórias são diferentes, mas nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana.
A aqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. A aqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-nos.
E a aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica de nossa nação vem não do poderio de nossas armas nem da magnitude de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.
Lá está a verdadeira genialidade dos EUA: que o país pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos nos dá esperança sobre o que podemos e temos que conseguir amanhã.
Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta.
Ela se parece muito com outros que fizeram fila para fazer com que sua voz seja ouvida nestas eleições, exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, em uma era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos - por ser mulher e pela cor de sua pele.
Esta noite penso em tudo o que ela viu durante seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, às vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.
Em uma época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.
Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos. Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.
Ela estava lá pelos ônibus de Montgomery, pelas mangueiras de irrigação em Birmingham, por uma ponte em Selma e por um pregador de Atlanta que disse a um povo: “Superaremos”. Podemos.
O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação. E este ano, nestas eleições, ela tocou uma tela com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar.Podemos.
EUA avançamos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer. Portanto, esta noite vamos nos perguntar se nossos filhos viverão para ver o próximo século, se minhas filhas terão tanta sorte para viver tanto tempo quanto Ann Nixon Cooper, que mudança virá? Que progresso faremos?
Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.
Para dar emprego a nosso povo e abrir as portas da oportunidade para nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança.
E quando nos encontrarmos com o ceticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.
Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os EUA da América.

Wednesday, 24 October 2012

A OPINIAO DA REDACCAO DO JORNAL A VERDADE: Carta Aberta ao Presidente da República e da Frelimo




Vozes - @Hora da Verdade

Escrito por Redação

Terça, 18 Setembro 2012 20:33

“Nunca corte o que você puder desatar” – Joseph Joubert Wiliam James costumava pregar a «vontade de acreditar». Pela nossa parte, nós cidadãos atentos, gostaríamos de pregar «o desejo de duvidar.» Aquilo que é preciso não é vontade de acreditar mas o desejo descobrir que é exactamente o contrário. Permita-nos, senhor Presidente, que em nome de todos os Cidadãos Atentos deste país, o saudemos primeiro pelo seu trabalho e, segundo, que nos conceda a “licença democrática” para escrever as linhas que se seguem.



Era uma vez, senhor Presidente, dois países no Estado moçambicano: Um chamava-se Moçambique e outro Frelimo de Guebuza. Ás vezes os dois parecem-se um só, mas isso, está claro que não passa de uma mera ilusão de óptica criada pelos chineses e pelos ocidentais e evidentemente pelas multinacionais que projectam a suas sombras ampliadoras sobre Moçambique de tal modo que parecem mais importantes do que realmente são.



O país da Frelimo, sim, da Frelimo de Samora, Chissano, a vossa Frelimo, tem a idade dos cartões de abastecimento, dos fuzilamentos sem justa causa, dos assassinatos sem rosto e nós, seus cidadãos, principalmente os atentos, estamos, primeiro já cansados da vossa história mal contada e de palavras como “Bandido Armado”, “Futuro Melhor”, “Força da Mudança” e, segundo, cansados de competir convosco, a Frelimo de Guebuza, e de tentar parecer maior do que vocês!



No entanto, temos a certeza de que em breve, o Povo moçambicano se reunira do Maputo a Rovuma e pronunciará a única palavra mágica que vocês não conseguem suportar – a palavra NÃO – e assim os anos de faz de conta chegarão ao fim e o país da Frelimo de Guebuza será desfeito e um novo país tomará o seu lugar. Tudo dependerá, senhor Presidente, de uma reunião que terá lugar dentro de dias.



É estranho, senhor Presidente, que o primeiro a prevenir Moçambique no tempo de Samora, quando o país caminhava na ilusória segurança atrás da linha entre o maioismo tipo deng xiao ping e o marxismo o tipo stalinista – foi o senhor e agora na sua liderança está entre uma espécie de mitológica linha entre o capitalismo selvagem e socialismo selvagem, atrás da qual repousa um país despreparado para enfrentar um mundo de moderna tecnologia e poderio económico assim como estava despreparada a Frelimo de 1980 para a guerra contra a Renamo.



Mas o certo é que o senhor Presidente, com a sua presença, sempre teve o quase fantástico dom de impedir que o Povo percebesse a diferença entre os dois países - Moçambique e Frelimo de Guebuza.



Em 1990, embora o país estivesse destroncado economicamente, com muitos moçambicanos apoiando a política do General Dlhakama , o senhor conseguiu convencer esses aliados do General de que Moçambique é igual a Frelimo.



Falou desde 2004 em nome de milhões de moçambicanos que nem sequer sabiam que existe mas cometeu um erro: formou o seu governo com os melhores apanhas bolas do Governo da outra Frelimo. Quer dizer, não se preparou convenientemente para assumir a cadeira de Estado mas sim para assumir a cadeira partidária.



Naqueles primeiros dias trágicos, o senhor era um homem que criou muitas expectativas, um homem que de certo modo tinha determinado apoio popular – mas graças à sua autoconfiança e inabalável determinação, em pouco tempo o senhor transformou a expectativa aos olhos do Povo em desilusão.



Caso único na história: um político “exilado internamente” na primeira Republica que conquistou à custa das fraquezas da liderança da segunda Republica, o seu próprio país – a Frelimo de Guebuza.



Em 2004, o senhor era talvez a figura mais credível para colocar Moçambique no rumo certo e moderno. Só que o senhor se deixou levar pela palavra “empresário de sucesso”. Agora, depois de tanto tempo, nós cremos, senhor Presidente, que a sua demissão pelo povo moçambicano significaria algo mais que a sua decisão de permanecer como Presidente da Frelimo.



Para muitos o senhor não deve continuar a alimentar ilusões quanto à sua permanência de governar Moçambique a partir da Frelimo. É altura de deixar o poder para ir tomar conta dos seus netos e negócios. O Povo sente que a sua saída voluntária é um sinal de que, na era da internet, os “grandes líderes” estão a ficar obsoletos.



É que a sua presença no leme de Moçambique já faz cada vez menos sentido, porque as suas prioridades já se confundem com negócios e política, e isso é incompatível com as inspirações do Povo e com um mundo em que a técnica das soluções económicas tende cada vez mais a assumir o poder, independente de toda a ideologia e toda a política. O Povo quer coisas práticas. Ter saúde, boa alimentação e educação, coisas possíveis que o seu país – Frelimo - pode conceder ao Povo, naturalmente.



Depois, é bem possível que a posteridade venha a considerar o senhor como o maior paradoxo do nosso tempo. Será que o capitalismo é a solução para o socialismo democrático? Nós, cidadãos atentos, já descobrimos atempadamente que a diferença entre o socialismo e o capitalismo está assente não só nos lucros excessivos do segundo mas esta na influência social que o acompanha e que tende a aumentar.



Senhor Presidente, o que o socialismo da Frelimo quer, entenda-se, é precisamente apanhar ambas as coisas. O lucro e a influência pois nesta fase, o seu país, a Frelimo como partido de índole socialista, acumulou e acumula todo o tipo de riqueza e influência mas descarrilou-se nos excessos. Perdeu-se entre os caminhos do capitalismo e socialismo.



Depois, como se dedica inteiramente ao seu país histórico, político e mitológico – essa “pérola do indico” (Frelimo), como o senhor o denomina – o senhor fez mais do que qualquer outra figura nacional para romper com o seu próprio passado histórico e cultural.



Temos consciência de que o senhor está a dar liberdade político-empresarial aos seus tentáculos para “capitalizar” Moçambique para resolver o problema do seu pais – Frelimo de Guebuza. Por exemplo, quando o senhor Presidente se encontrou com a “Movimento muçulmano” estava a pensar em “tentáculos”.



O encontro abriu um precedente grave e altamente perigoso. Porque é que nunca quis reunir-se com os Desmobilizados de Guerra, Madgermaene’s, trabalhadores dos Caminhos-de-Ferro e em menos de 48 horas depois de uma ameaça à “greve empresarial” fez o que todo o Povo pensava que não iria fazer, ou seja, reuniu-se com o “Movimento”?



Para nós, senhor Presidente, isso significou uma grande fraqueza, afinal de contas, o seu calcanhar de Aquiles deve ser um segredo muito importante que o “Movimento” possui e que pode ser divulgado a qualquer momento.



Ora, se com a sua atitude queria demonstrar que os muçulmanos lhe ficassem gratos e seguissem a sua orientação política, pode ter a certeza que poderá ficar frustrado pois eles já consultaram os seus livros sagrados e concluíram que o senhor não é nenhum “Maomé”, é simplesmente um Presidente do seu país – Frelimo de Guebuza.



O senhor esquece-se de que contribuiu no passado para que a Constituição da Republica do pais – Moçambique – fosse um instrumento que espelhasse as aspirações democráticas do Povo, como é que agora incompreensivelmente quer mudar primeiro a constituição do seu pais – Frelimo de Guebuza – para poder mudar também a nossa Constituição. Para que fins? Será que pretende pôr fim às “brincadeiras políticas” da sua oposição interna porque a externa já a colocou no “bolso democrático”?



O senhor Presidente sempre foi acusado desde o tempo do “24 horas-20 kilos” de ser anti-ocidental. No entanto, o maior serviço que hoje presta ao seu pais – Frelimo de Guebuza – recolhendo recursos de outro país – Moçambique – é enriquecer o Ocidente e empobrecer as futuras gerações.



E, agora, senhor Presidente, vamos de certeza absoluta, depois da realização do 10° Congresso do seu pais – Frelimo de Guebuza – dar uma boa risada lembrando que as suas “ambições ditatoriais” foram confirmadas.



O que vai restar amanhã, dessas “ambições”? Sabemos que o capitalismo durante a Luta Armada de Libertação Nacional sempre o repugnou. Como é que agora está aliado grosseiramente ao capital estrangeiro? Estará a pensar no desenvolvimento de Moçambique, no lucro ou na influência sócio política?



Sabemos que tem, senhor Presidente, todas as suas raízes profundamente cravadas no marxismo maioista ao estilo Deng Xiao Ping – uma Nação com dois sistemas (capitalismo e socialismo). Temos a plena consciência de que foi o senhor que cortou o esquema do paroquialismo marxista tradicional – quebrou o centralismo democrático – fila pelo poder, de facto não era a sua vez de liderar o seu pais – a Frelimo – era a vez do General Alberto Chipande.



Essa situação foi vista como uma “reforma” embora seja hoje acusado de concentrar demasiado o poder, e é exactamente o seu esforço para manter essa concentração que lhe causará brevemente a sua derrota. É que para os quadros e militantes do seu país – reforma é algo popular como reformar nipa.



Senhor Presidente, nós cidadãos atentos temos a certeza absoluta de que não dorme seguro porque se aproxima o ano de 2014. Um dia, vai ter que deixar a Ponta Vermelha, é uma certeza. Porque é que quer perpetuar-se no poder? Porque é que o seu secretário-geral diz as barbaridades políticas que diz?



Qual é a intenção? Porque é que quer cortar a tradição do seu país – Frelimo?! Porque é que agora quer sobrepor o valor individual ao colectivo? O senhor por acaso foi escolhido porque Chissano o escolheu como seu sucessor? Depois da morte de Mondlane como foi? Depois da morte de Samora como foi? Temos a certeza de que foi o colectivo que o escolheu com a anuência da “quadrilha política”, ou não foi? Porque é que agora tem que ser diferente? Reformas? Parece-nos que não é isso?



Senhor Presidente, diz um provérbio popular que os prudentes falam por que tem algo a dizer e os insensatos porque gostariam de dizerem qualquer coisa. Portanto, deixe que os seus camaradas escolham o seu sucessor agora no Congresso para desanuviar as vossas tensões internas. Não se intrometa pois se o vier a fazer, futuramente vai pagar muito caro.



Se no tempo de Chissano prendia-se somente directores, hoje no seu tempo prende-se ministros e no tempo do seu sucessor vai se prender quem? Presidentes da Republica, disso não tenha dúvidas e para o seu caso, esses seus camaradas que um dia traíram Chissano, caso não se comporte bem no Congresso, a partir de 2015 vai iniciar o seu “julgamento político atacando a sua filha, perceba isso.



Para tirar Chissano do poder atacaram politicamente o seu filho, quem não se lembra disso? O modus operandi é o mesmo. Fala-se agora de Nympine? Bastou o pai sair do poder para não mais se falar dele!



Nós, cidadãos atentos, sabemos porque é que afirmamos isso. Fomos nós que publicámos a programação da sua Presidência Aberta em Inhambane que por prudência o senhor alterou. Assim como está a reagir, o senhor corre sérios riscos de levar um golpe de Estado, disso não tenha dúvidas e porquê?....porque se esqueceu de que os conflitos internos são de base dupla.



Primeiro, porque as pessoas designadas para novos cargos precisam de reconhecer que os conflitos são internos e, segundo, precisam de certificar-se de que as suas acções baseiam-se na realidade. As acções do seu país – Frelimo de Guebuza - não são reais.



Depois as ordens que dá não são cumpridas! Porquê? Porque não tem na sua posse todos os factos pertinentes, daí que não tenha controlo sob as decisões de comando porque não tem acesso à execução e à sua respectiva operacionalidade. Por isso mesmo notamos, senhor Presidente, este anarquismo pessoal, partidário e executivo.



Há que revolucionar o seu país – Frelimo de Guebuza - em todos os sentidos, senhor Presidente, para revolucionar o outro pais – Moçambique, pois a única coisa que os seus mais próximos colaboradores fazem é “identificar o inimigo”.



Procuram coisas que um canalizador procura numa pia entupida. Uma revolução consciente, senhor Presidente, talvez seja uma coisa saudável no seio do Comité Central já que o processo sóciopolítico com a permanente globalização está a levar a “individualização” do seu próprio país – a Frelimo.



O Comité Central não está a produzir ideias, logo também não está a antever as crises (5 de Fevereiro de 2008 e 1 e 2 de Setembro de 2010). O facto de algumas figuras históricas criticarem publicamente os seus próprios camaradas é sinal de que as políticas traçadas nos intervalos dos congressos não estão a alterar a natureza dos seus membros, isto é, se os membros continuam lambebotistas, corruptos, se são camaleões vão continuar camaleões, se são do tipo deixa-andar, vão continuar do tipo deixa-andar.



E, agora, senhor Presidente, nós cidadãos vamos escrever aquilo que provavelmente lhe desagradará muito: suspeitamos que o senhor alterou a agenda do Congresso no que toca às discussão da sucessão para depois do Congresso com a intenção de perder.



Pois, contra as provas estatísticas, previsões e relatórios que indicavam derrota da sua facção, o seu secretário-geral e porta-voz anunciam conscientemente a sua intenção de não renunciar se os eleitores do Comité Central rejeitarem suas medidas “legislativas” Porquê? Porque o senhor de facto não quer sair.



Porque não está cansado de continuar a facturar! Porque o seu próprio insolúvel dilema é modificar o seu país – Frelimo - à custa de Moçambique. Porque todas as suas prioridades são materiais e a dos moçambicanos são morais e espirituais. Porque o senhor sabe que o Povo já não pode suportar mais a sua riqueza e da sua família (filhos e netos).



Suspeitamos muito que o senhor vai ter que sair a força porque esse é o único meio de evitar o fracasso político da Frelimo nos próximos tempos. A quadrilha política vai obrigá-lo a fazer isso. O senhor Presidente prometeu combater o deixa-andar, a corrupção, burocratismo e o crime organizado. Não conseguiu. Conseguiu sim colocar o capital estrangeiro em massa a explorar as riquezas naturais sem autorização do Povo.



O senhor pensou que enfrentava um país que fosse a Frelimo mas não é. Moçambique não é Frelimo e Frelimo não é Moçambique. Hoje os moçambicanos pensam em termos de melhores salários, empregos, habitação e tudo isso agora está numa caixa fechada lá na Pereira de Lago.



Resta-lhe ainda, senhor Presidente, 2 anos e tal de poder estatal porque o que conta em África é o poder estatal e não partidário. Resta-lhe tempo para que reflicta o bastante sobre tudo isso e mais alguma coisa. Não continue querendo o poder porque vai sair muito magoado deixando uma aura de rejeição e ingratidão.



Nós sabemos que quem controla o Estado e a maioria dos partidos políticos da oposição é a Frelimo mas também sabemos que não consegue controlar toda a Sociedade Civil, sobretudo a não seguidista. Esses sim um dia vão lhe criar uma grande surpresa. Os dias 1 e 2 de Setembro já foram um serio aviso.



Senhor Presidente não transforme dinheiro em votos porque o Povo moçambicano não tem dinheiro pois existem varias maneiras de se iluminar o Povo e a Frelimo. A Liberdade e a democracia que a própria Frelimo ajudou a conquistar não podem ser uma espécie de um pedaço de carvão ou uma garrafa de gás a ser mostrado como um osso para uns cães obedientes.



Lembrar senhor Presidente de que se alguns dos seus camaradas (Paundes, Edson e camaradas) têm o pretenso amor pela sua pessoa, camarada Presidente, engana-se pois tem que saber que para além do amor ser a melhor causa para galvanizar a vida social também leva à ruína social e política. Sabemos que precisa de manter-se no poder ou perto dele porque é uma estratégia de sobrevivência para consolidar o seu império empresarial.



Sabemos que controla o Corredor da Beira depois de ter sacrificado o General Alberto Chipande. Os interesses estratégicos do país estão a ser preteridos a favor dos interesses empresariais de Guebuza.



Sabemos que está a governar o país pensando na sucessão. Hoje, cada passo que dá leva em conta a questão da sucessão. As nomeações de ministros, governadores, pca’s estão dentro dessa lógica. O que quer é manter-se no poder a todo o custo e nem que seja por via partidária ou de um delfim. Os seus sinais de vitalidade demonstram isso mesmo, de que não se vai retirar. Uma pergunta, senhor Presidente: o seu projecto vai para além de 2030?.



Mas por outro lado, também sabemos que a única instituição que pode evitar isso é próprio seu país – a Frelimo de Guebuza. Só forças internas das Frelimo podem evitar isso. Não existem outras forças que possam travar esse ímpeto. A Frelimo é que tem legitimidade constitucional para viabilizar ou não um poder seu e dos seus mais próximos camaradas. Sabemos que o seu país - Frelimo - é um factor estratégico de sobrevivência porque não tem ideologia nem princípios.



Sabemos senhor Presidente que neste preciso momento sóciopolítico está a distribuir mais pobreza do que riqueza, está a distribuir menos justiça eleitoral, está a administrar mais corrupção do que combatê-la; está a apoiar-se mais no espírito do deixa-andar do que combatê-lo e de facto para melhor entendermos a sua figura socorremo-nos das palavras escritas do livro por acaso ainda não publicado ao qual nós cidadãos atentos tivemos acesso, Força e Fraqueza do Socialismo da Frelimo, do General K que diz o seguinte: (…) “ninguém ainda soube, como ele, evoluir através das malhas da lei sem deixar nunca de se conformar, a letra. Guebuza soube e sabe lutar contra o Estado.



E se o “Estado é o povo organizado” ; Guebuza passou e passa a vida em guerra constante com o povo e com a sociedade. Guebuza e seus aliados forçaram o Estado a deixar ao capital vida bastante para desenvolver todo o seu poder. E tão alto levam o seu poder, que chegam a submeter o Estado e a fazer dele o protector incondicional dos seus interesses particulares (…).



Como vê senhor Presidente, nós cidadãos atentos temos coragem para lhe dizer o que os outros não dizem porque queremos o seu bem. Discutimos, fazemos análises porque queremos que este pais cresça, queremos que as nossas crianças vão a escola todos os dias, mas também queremos justiça, uma normal distribuição da riqueza para todos.



Fizemos esta carta porque encontrámos argumento válidos para tal: se figuras proeminentes da nossa Sociedade fizeram cartas abertas ao líder da oposição, o General Afonso Dlhakama, funcionários anónimos das instituições ligadas às Forças de Defesa e Segurança e diversas organizações da Sociedade Civil elaboraram cartas abertas para si, porque não o Cidadão Atento escrever uma carta?!



Sim, temos duvidas e queremos ter “vontade de acreditar” mas também “desejo de duvidar” e ter duvidas não é ficar perdido, nem ser incapaz de decisão. Pode dar um pouco mais de trabalho do que ter certezas mas isso , senhor Presidente implica reflectir sobre diferentes cenários, superar alternativas, ouvir pontos de vista de terceiros e considera-los e mesmo arriscar opções, mas ao mesmo tempo , enriquecer dar-nos maior consciência dos pontos fortes e nossas fraquezas.



Discuta neste Congresso a sucessão para poder colocar o pais no rumo certo, tudo esta muito tenso, estamos todos sentados num barril de pólvora e sobretudo deixe que os delegados escolhem conscientemente o seu sucessor evidentemente com a anuência da quadrilha política.



Dizemos isso exactamente porque causa das palavras de Alberto Montaner - «Os nossos medíocres revolucionários nunca foram além de uma análise epidérmica dos males sociais. Eles excitam revoluções sangrentas como o fito de sanar as situações injustas. Não compreendem que, nestes tempos modernos, as revoluções mais profundas não são as que se desenvolvem em casernas ou nas montanhas mas em laboratórios e nos gabinetes da mais temível inteligência». Faça ai no Congresso pois lá fora a revolução esta prestes a explodir.



De modo que, senhor Presidente, o seu país – Frelimo de Guebuza nunca vai triunfar sobre Moçambique se não fizer uma revolução por dentro do seu país – Frelimo de Guebuza. Como dizia Albert Einstein: «Nos momentos de crise, só a imaginação é mais importante que o conhecimento», senhor Presidente, use a imaginação!



Senhor Presidente aconselhamos-lhe o seguinte: Não corte nada, não corte a sua amizade longa com os elementos da quadrilha politica, desate o que esta difícil e o que é que esta difícil? Debater a sucessão! Debata e de a sua opinião a bem da Frelimo e do Povo.



Senhor Presidente, pode ser que estejamos do mesmo lado mas que queiramos coisas diferentes. Percebemos que ser hoje da Frelimo é um acto de fé porque nos facilita muita coisa, mas o que nos queremos é a criação de uma verdadeira Frelimo, uma NOVA FRELIMO.



Para terminar, como sempre um pouco a reboque de Jesus Cristo, diremos: “perdoa-lhe Pai porque eles não sabem o que fazem”, mas nesta situação peculiar impunha-se uma emenda: “perdoa Guebuza, não pelo que ele vai fazer no Congresso mas pelo que não vai fazer”.









CIDADÃO ATENTO