Condolências á família do músico Dr. Mussa Rodrigues.
Em nome do Conselho Municipal, dos Munícipes de Quelimane, da minha
família, e em meu nome pessoal, endereço as minhas mais sentidas
condolências, à família do músico e compositor Mussa Rodrigues, ocorrido
na madrugada do dia 19 de Março de 2013na sua residência, nesta cidade.
Neste momento de dor, solidarizamo-nos com a família,
amigos e todos que directa ou indirectamente, estavam ligados a esta
figura, através de suas canções tocantes, por espelharem a nossa
realidade social.
O Dr. Mussa Rodrigues foi e continuará a ser
aquele homem que jamais o esqueceremos pelos seus feitos, pela sua
sagacidade e paixão pela música que influenciaram aos músicos da nova
geração a aderirem aos ritmos tradicionais que são a nossa identidade.
Hoje a nossa música, a nossa cultura, a nossa cidade e quiçá o nosso
país está de luto por esta perda irreparável, porque jamais teremos nos
nossos palcos a presença do mais conceituado músico zambeziano, que
conquistou os fãs do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico, quando
brindou a todos nós com “Nós somos cantores.”
Dr, Mussa Rodrigues,
hoje partes deixando um grande vazio entre nós; mas faremos das tuas
canções a nossa eterna fonte de inspiração.
Estou ciente que
neste momento de dor, de tristeza e de luto, precisamos de unir forças,
para ultrapassar o peso que nos vai na alma e orar a Deus para que
ilumine a esta família que hoje derrama um pranto que será indelével na
história de todos nós.
Amigo, nos momentos mais difíceis era em ti
que buscávamos as forças, nas horas de incerteza, era nas tuas melodias
que nos inspirávamos e retemperávamos as nossas energias para o combate.
Juntos lutamos para libertar a nossa terra e juntos continuaremos a
ser “cantores moçambicanos da província da Zambézia”. Até sempre amigo!
Quando naquela manhã ardente de 04 de Março te disse ate já, nada
adivinhava que aquela seria a última vez que nos disseste com ternura.
“Gostaria de ter um dia inteiro consigo, como fiz com Pio Matos.” Não
sabia que já sabias que não seria possível. Que aquele seria o nosso
último e derradeiro encontro, a nossa última despedida, o nosso último
adeus. Descanse em paz amigo! Faremos das tuas músicas o nosso hino
guerreiro, a poção mágica no combate pela dignificação da nossa terra!
Amigo Dr. Mussa Rodrigues obrigado por tudo.
Ficaremos eternamente endividados pela contribuição que deste a nossa musica, a nossa cultura e ao nosso povo!
Paz a sua Alma!
Quelimane, aos 19 de Março de 2013
O PRESIDENTE
Manuel A. A. L. de Araújo
Wednesday, 20 March 2013
Comunicado: deixou-nos o Dr Mussa Rodrigues!
Monday, 21 January 2013
Kangamba: o Criminoso Candidato do MPLA
No palco montado no exterior do estádio, onde desfilavam conceituados cantores angolanos e onde o Presidente deveria ter falado às multidões, outro nome adornava o cenário, em dois grandes cartazes junto ao palco: o do controverso empresário Bento Kangamba, de seu nome próprio Bento dos Santos, de 47anos.
Aquele acto foi, afinal, mais um golpe magistral de campanha pessoal do auto-denominado empresário da juventude e presidente do Kabuscorp F.C., que concorre ao cargo de deputado nas eleições previstas para o próximo dia 31 de Agosto. O referido candidato é o secretário do comité provincial de Luanda do MPLA para organização e mobilização periférica e rural de Luanda.
Como Bento Kangamba adquiriu tanto poder para, inclusive, usar um acto destinado ao Presidente José Eduardo dos Santos, um obreiro do culto de personalidade, para sua auto-promoção? Esta questão conduz a uma outra mais preocupante e de gravidade nacional. Como um indivíduo condenado pela justiça, com cadastro criminal, pode concorrer ao cargo de deputado?
A presente investigação traz a lume o extraordinário percurso de Bento Kangamba, para quem a lei e as instituições do Estado, incluindo a presidência, sujeitam-se à sua colorida e sinistra personalidade.
A Lei e os Crimes
A Constituição angolana, promulgada pelo Presidente José Eduardo dos Santos, a 21 de Janeiro de 2010, estabelece, como inelegíveis a deputados, dentre outros, os cidadãos “que tenham sido condenados com pena de prisão superior a dois anos” (Art. 145º, nº 1, e).
A 27 de Outubro de 2000, o Tribunal Supremo Militar condenou o então brigadeiro na reserva, Bento dos Santos, mais conhecido por Bento Kangamba, a uma pena única de dois anos e oito meses de prisão maior, por cúmulo jurídico, como autor de crime de conduta indecorosa, burla por defraudação e dois crimes de falsificação de documentos. O empresário foi ainda condenado a pagar uma indemnização no valor de US $427,531 à empresa portuguesa Filapor – Comércio Internacional Lda, com sede em Portugal, que foi vítima de burla.
O caso remonta a Março de 1996, quando o então coronel das Forças Armadas Angolanas (FAA) e logístico da 16ª Agrupação do Comando Operacional do Cuango, Bento dos Santos, fraudulentamente importou à Filapor, mercadoria no valor de US $267,532 em nome da Direcção da Logística do Estado-Maior do Exército. Na realidade, conforme o Acórdão do Tribunal Supremo Militar, os contentores de “óleo alimentar, atum, sardinha, frigoríficos, mobiliário diverso, colchões e equipamento desportivo” destinavam-se à candonga. “Todas as mercadorias foram recebidas por Bento dos Santos “Kangamba”, comercializadas por si, em proveito próprio, nos mercados informais da cidade de Luanda e em localidades das províncias da Lunda-Norte, Lunda-Sul e Moxico, não efectuando o pagamento devido à empresa do seu fornecedor ou seus sócios em Luanda”, lê-se no Acórdão.
Sobre a condenação e a atitude do condenado em não pagar a indemnização, o então ministro da Defesa, general Kundy Paihama, escreveu, a 17 de Dezembro de 2001, ao então secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal, Luís Amado. “Expresso o meu sentimento de reprovação pela prática criminosa do réu supracitado cujo comportamento mereceu condenação do Supremo Tribunal Militar (…).” O ministro sugeriu os passos legais para o ressarcimento da dívida ao empresário Manuel Lapas, sócio-gerente da Filapor, a quem Bento dos Santos, ou simplesmente Bento Kangamba, havia enganado com documentos falsos que lhe conferiam poderes para negociar em nome da Direcção Logística do Estado-Maior do Exército.
No ano seguinte, a 19 de Junho de 2002, o Tribunal Supremo condenou Bento Kangamba à pena de quatro anos de prisão maior, por crime de burla por defraudação, bem como ao pagamento de uma indemnização de US $75 mil às empresas Nutritiva e Lokali.
Por sua vez, a 7 de Maio de 2012 , um tribunal de Sintra, Portugal, ordenou a penhora de bens detidos por Bento dos Santos, o Kangamba, nesse país europeu, para a execução da dívida de mais de um milhão de euros que este deve a Manuel Lapas. Entre os bens penhorados constam um apartamento de Bento Kangamba na freguesia de Oeiras, duas viaturas de luxo Mercedes-Benz e seis contas bancários no Millenium e Banco Espírito Santo, com um valor irrisório e total de €15,035.
Ironicamente, o auto-proclamado empresário da juventude é, em Lisboa, um simples assalariado da firma Lapigema – Lapidação e Comércio de Gemas, Lda, sedeada no Estoril. Com a categoria profissional de prospector de compras, o general Bento dos Santos aufere, em Portugal, um salário mensal de €485. Por se tratar de um valor correspondente ao salário mínimo nacional, em Portugal, a sua entidade patronal, Lapigema, declarou, a 17 de Maio passado, que o referido salário é “impenhorável”, excusando-se, desse modo, de executar a Ordem Nº. PE/333/2012, do Processo 11249/12.3TSNT, sobre a revisão do Acórdão do Tribunal Supremo Militar de Angola que condenou o antigo logístico. Para o efeito, a empresa confirmou o pagamento, a Bento Kangamba, do salário correspondente ao mês de Abril, tendo anexado o recibo de remunerações em carta dirigida ao executor da penhora.
Certamente, a ligação do candidato a deputado do MPLA, Bento Kangamba, à Lapigema será alvo de diligente investigação, noutra ocasião.
Em entrevista recente à Rádio Ecclésia, Bento Kangamba justificou a sua prisão, em termos pouco compreensíveis, como uma invenção de pessoas invejosas. “Fui preso porquê? Porque em 97-96, eu dei a cara como pessoa que tem dinheiro, para defender a greve dos professores e da educação. E as pessoas mais invejosos da vida, que não gostam de defender a vida das populações.”
Como Bento Kangamba tem conseguido pisotear a lei? Na entrevista à Rádio Ecclésia foi peremptório: “Neste país eu sou mais do que ministro!”
Na sequência da condenação, pelo Tribunal Supremo Militar, em 2000, o MPLA expulsou Bento Kangamba do seu comité central e da suas fileiras. No entanto, em 2009, o MPLA readmitiu no seu comité central, mais uma vez, o militante que havia saneado por práticas criminosas.
Em 2010, Bento Kangamba passou a fazer parte da família presidencial ao desposar Avelina Escórcio dos Santos, filha de Avelino dos Santos, o irmão mais velho de José Eduardo dos Santos. O chefe de Estado brindou a cerimónia de alembamento com a sua presença. Para padrinho, Kangamba escolheu uma figura do círculo presidencial, o general Higino Carneiro, membro do Bureau Político do MPLA e chefe-adjunto da sua bancada parlamentar.
José Eduardo dos Santos, na qualidade de comandante-em-chefe das FAA, promoveu, em Abril passado, Bento Kangamba ao grau militar de general de três estrelas. Apesar de ter passado à reforma, antes da condenação em 2000, este membro do Comité Central do MPLA tem vindo a ser promovido, no exército, sem justificação aparente.
O Braço Longo do Regime
A 7 de Março, passado, o vice-presidente do clube de futebol do general Kangamba, Raúl Mendonça, dirigiu pessoalmente um grupo de milícias que raptou, junto a uma estação móvel da Polícia Nacional no Cazenga, em Luanda, os jovens Mário Domingos e Kimbamba. Estes têm organizado manifestações exigindo a demissão do Presidente José Eduardo dos Santos.
“Eu agarrei-me a uma barra da estação móvel da polícia e os atacantes deram-nos choques eléctricos, espancaram-nos e tiraram-nos os telemóveis e os documentos em frente aos agentes da polícia, que apenas assistiram sem fazer nada”, disse Mário Domingos.
As vítimas foram em seguidas apresentadas a Raúl Mendonça, vice-presidente do Kabuscorp F.C. “O Sr. Raúl prometeu-nos dinheiro para pararmos de organizar manifestações contra o Presidente José Eduardo dos Santos”, explicou Mário Domingos.
O general Bento Kangamba tem sido acusado, em várias ocasiões, de estar por detrás das milícias pró-dos Santos que têm perseguido os líderes do movimento contestatário com violentos ataques e raptos. A 4 de Junho o general Kangamba negou, em declarações à Rádio Ecclésia, qualquer envolvimento com as milícias. “Fui promovido a general de três estrelas para comandar milícias? Isto é falta de respeito. É inveja”, disse.
No entanto, Mário Domingos e Kimbamba presenciaram quando Raúl Mendonça deu ordens ao seus capangas. “Ele disse que nós éramos indivíduos teimosos, que queríamos ser heróis e morrer pelo povo. Então ele disse aos homens dele que se livrassem de nós.” Os atacantes levaram as víctimas para um aterro.
Mário Domingos disse ainda: “Naquele local fomos torturados com choques eléctricos e pancadaria. Mas à volta havia pessoas que ouviram os nossos gritos e vieram ver o que se passava. Eles levaram-nos para os carros outra vez e levaram-nos para um outro aterro, mais deserto, onde continuaram a torturar-nos, mas também ali haviam pessoas que nos ouviram gritar”.
A Inelegibilidade do Candidato
Como pode o Tribunal Constitucional, que foi minucioso na recusa de candidaturas da oposição, ao ponto de remeter alguns processos para investigação criminal, ter permitido a candidatura de Bento Kangamba, que ocupa o 60º lugar na lista do MPLA? Que certidão de registo criminal terá Bento Kangamba apresentado ao Tribunal Constitucional?
Poderia ser invocado o argumento de uma amnistia, uma vez que o Presidente José Eduardo dos Santos, desde 2000, decretou várias. Todavia, afasta-se essa possibilidade, até porque o condenado cumpriu pena na Comarca de Luanda e a sentença continua a ser executada, ora em Portugal. O próprio Tribunal Supremo Militar justifica, no Acórdão referente ao caso, que as amnistias declaradas para os crimes militares não se aplicam aos crimes de burla por se tratarem, estes, de crimes comuns e, para o efeito, cita o disposto no Artº 49º da Lei sobre os Crimes Militares (Lei 4/94). O referido artigo estabelece que “os crimes de corrupção, roubo, furto, peculato, abuso de confiança e burla, previstos na lei penal comum quando praticados por militares, serão punidos com as penas previstas na mesma lei, agravadas de um terço.” Assinaram o Acórdão, os juízes e oficiais generais António dos Santos Neto, Augusto da Costa Carneiro e Adolfo Aníbal Rasoilo. O primeiro exerce actualmente o cargo de juiz-presidente do Tribunal Supremo Militar, o segundo serve como juíz do Tribunal Supremo.
As decisões do presidente do MPLA e da República, José Eduardo dos Santos, têm demonstrado a sua falta de respeito para com a legislação em vigor, por si próprio promulgada e de acordo com a sua vontade política. A submissão da candidatura de Bento Kangamba é apenas mais uma das suas arbitrariedades.
Será que o Tribunal Constitucional, ao menos, terá coragem e dignidade suficiente para se pronunciar publicamente sobre o caso? Ou serve apenas para excluir os malquistos da oposição?
Wednesday, 16 January 2013
"Eu matei Samora"
* Eu matei SAMORA...???*
"Eu matei Samora"
Maria Pons, correspondente em Joanesburgo Um ex-agente dos serviços
secretos militares do antigo regime
sul-africano do «apartheid» assumiu publicamente ter estado envolvido na
morte de Machel. Numa entrevista exclusiva publicada pelo semanário
«Sowetan Sunday World», o ex-agente afirmou que participou nos planos que
causaram a morte, em Outubro de 1986, num desastre de avião, ao antigo
Presidente moçambicano, Samora Machel, bem como a outras 33 pessoas. Hans
Louw, um assassino profissional ao serviço do Civil Cooperation Bureau
(CCB), um departamento de operações especiais daqueles serviços secretos,
concedeu a entrevista na prisão, onde se encontra desde 1997, a cumprir uma
pena de 22 anos, por ter morto um membro da mafia grega. Ele e um outro
agente são acusados de outros seis homicídios e 70 tentativas de homicídio.
Louw afirma que a morte de Machel não resultou de um acidente e que não foi
por acaso que o avião em que este seguia, um Tupolev de fabrico soviético
vindo de Lusaca (Zâmbia) em direcção a Maputo, caiu nas colinas em Mbuzini,
perto da fronteira sul-africana com
Moçambique.
"Eu fazia parte da equipa de reserva, armada com mísseis terra-ar, que
seriam utilizados caso o primeiro plano falhasse", disse Louw, que afirma
ter também colaborado nos relatórios e trâmites burocráticos da morte de
Machel. Segundo o ex-agente, havia um plano A, que devia desviar o Tupolev
da sua rota por meio da emissão de falsos sinais de rádio, o que
efectivamente aconteceu. Crente de que estava a baixar em direcção a
Maputo, o piloto russo conduziu, de facto, o avião para território
sul-africano, onde acabou por despenhar-se nas montanhas de
Lebombo, na região de Mbuzini.
Louw acusa os serviços secretos militares do regime do «apartheid», a que
pertencia na época, de terem emitido os falsos sinais. O mesmo método,
denunciou Louw, teria depois servido para abater um avião militar angolano
em 1989. Em 1987, uma comissão de investigação sul-africana declarou que o
desastre se devia a um erro do piloto, que também morreu no desastre.
Depois do fim do «apartheid», também a Comissão para a Verdade e
Reconciliação
investigou o desastre, mas não publicou os resultados. Nessa altura,
apurou-se que a causa do acidente foi, efectivamente, a emissão de falsos
sinais.
A pedido de Graça Machel e Nelson Mandela, a morte de Samora Machel está
agora a ser investigada pela equipa especial de investigações «The
Scorpions». Louw confessou ainda que no princípio dos anos 90 distribuiu
armas
para semear violência nos comboios interurbanos no Rand oriental próximo
de Joanesburgo, com armas provenientes de Moçambique. Depois de se demitir
das forças especiais, foi mercenário em Angola e na Serra Leoa com a
empresa sul-africana Executive Outcomes, oficialmente dissolvida em 1998,
mas que continua a actuar sob outros nomes.
E disse que estava arrependido do seu "passado sangrento" e que, por isso,
queria "pôr tudo em pratos limpos". As suas revelações são apenas a ponta
do icebergue.
Tuesday, 15 January 2013
Suponho que o meu amigo Eduardo nao se importa se eu publicar este texto! Um abraco, MA
Toma que te dou: Luísa Diogo exila-se em Washington ou Londres ou Polokwane
- Senhora Luísa Diogo, será verdade que vai abandonar Moçambique?
- Porquê? -
Diz-se, intramuros, nos cafés e nos corredores políticos, nacionais e internacionais, que a senhora está frustrada com a cúpula da Frelimo, em particular com o Presidente Armando Guebuza, que, segundo informações que temos, considera déspota.
- Não faz parte da minha formação usar adjectivos pessoais para classificar alguém, fui educada para respeitar os humanos independentemente da sua classe e porte e, por causa disso mesmo, nunca chamaria o Presidente Guebuza de déspota, jamais disse isso e nunca considerei que o Presidente Guebuza fosse um déspota.
- Mais vai exilar-se ou não?
- Onde? Gosto muito do meu país apesar de muitas injustiças que imperam por aqui. É muita pena, gostaria de dar o meu contributo a nível de outros patamares, mas há pessoas que se incomodam com aqueles que pensam verdadeiramente no povo, no desenvolvimento humano.
- Algumas figuras de peso na economia e política de Moçambique dizem que a senhora já falou em ir viver em Washington, Londres ou em Polokwane...
- Se um dia tiver que ir para um desses lugares ou para outro qualquer, não será, com certeza, pelo despotismo do Presidente Guebuza, mas, sim, por defesa dos meus princípios.
- Então, mesmo que não o queira explicitar, acaba por reconhecer, implicitamente, agora, nestas suas palavras, que Armando Guebuza é um déspota!
- Sabes de onde vem o vento?
- Não, não sei.
- Sabes para onde vai o vento quando sopra?
- Também não sei.
- Pois é! Eu sou como o vento, não sabes de onde venho, nem para onde vou, só ouves o meu ruído. Eu sou a árvore que nunca trepaste para arrancar o meu fruto e saboreá-lo.
- Não percebi nada destas palavras, senhora Luísa Diogo!
- É isso! O Presidente Guebuza também não percebeu a minha frontalidade.
- Tem pena dele?
- Tenho pena das mulheres deste país que são hasteadas nos anais políticos, sem saberem que o próprio Presidente saiu do ventre delas, e elas vão rebocadas, como sempre o foram.
Recebem mensagens dos políticos e repetem-nas em todos os lugares onde estão, sem inteligência, e vêm para aqui com fachos sem combustível próprio.
Eu recusei-me a ser uma bóia que espera, no mar, pelo abastecimento impingido, por isso estou aqui.
A minha mãe disse-me, ainda com o cordão no meu umbigo, que eu seria um candelabro. Ninguém me pode apagar, ninguém me vai apagar, aqueles que nascem do espírito jamais serão apagados.
- Qual é, para si, no nosso país, a mulher que será o protótipo das mulheres do amanhã?
- São todas as mulheres deste chão, desde o momento que elas recusem a manipulação.
- A Alice Mabota também é manipulada?
- Já te disse que a minha formação não me permite adjectivar pessoas.
- Mas o que é que a senhora acha da Alice Mabota?
- Nunca conversei com ela em privado, para percebê-la melhor, por vezes estamos em presença de algo que cintila, sem querer dizer que temos à nossa ilharga o ouro.
- Estará a dizer que a Alice Mabota só brilha?
- O que estou a dizer é que este país precisa de todas as mulheres, sem reboque. Elas têm de pensar e tomar decisões sobre o que querem.
Os políticos dizem uma coisa hoje e amanhã vamos perceber que o que eles disseram ontem não é o que estão a fazer hoje. Uma mulher tem de ter uma única palavra até ao fim. A mulher é a dona da Existência.
- O seu marido, o senhor Albano Silva, tem-lhe dado espaço para estender esta sabedoria que a senhora tem?
- Não sabia que eu era sábia.
- Só para terminar, vai-se exilar ou não? - Onde?
- Em Londres, ou em Washington ou em Polokwane!
- Eu não fui nascida para viver no exílio mas, se um dia isso tiver que acontecer, volto para Nhabulebule, em Tete, para sentir, de novo o cheiro do meu cordão umbilical que a minha mãe enterrou nas raízes da maior maçaniqueira que ainda hoje está lá.
--
“Onde se cruzam os teus talentos com as necessidades do mundo, aí está a tua vocação”
Aristóteles
CARNAVAL @2013 na Cidade de Quelimane
Decorre de 02 a 08 de Fevereiro de 2013 aquele que e considerado como sendo o "Maior e Melhor Carnaval de Mocambique"!
Venha e participe nesta grande festa! Nao perca!
Thursday, 10 January 2013
2013: Novo Ano, Calcas Novas?
Iniciamos um novo ano! E altura de agradecer a todos aqueles que durante o ano transacto nos visitaram e colaboraram connosco! 2012 foi un ano dificil, duro mas compensador! Duro porque os desafios que tinha pela frente quer a nivel pessoal, quer a nivel familiar, quer a nivel profissional eram enormes! Mas com a ajuda de muitos de voces pude superar os desafios e consolidar as conquistas! Aprendi muito e como pessoa penso que tambem cresci! Contudo, fgostaria de pedir aos amigos e outros para que continuem com a mesma paciencia porqu ainda tenho muitas arestas por limar! Ainda tenho muitos defeitos alguns dos quais dificeis de limar! Quero aqui e agora confessar que durante o ano transacto ofendi a muita gente, magoei a tantos outros voluntaria e involuntariamente! A todos esses quero pedir as minhas mais sinceras desculpas e peco encarecidamente que me perdoem! A minha esposa, aos meus filhos, peco que me perdoem pelo pouco tempo e a pouca atencao que lhes tenho dedicado! Aos meus pais, aos meus irmaos, aos meus amigos, aos meus colaboradores agradeco a paciencia que tem tido comigo e com as minhas accoes! E tambem quero pedir a eles, publicamente para que continuem a ser os meus melhores conselheiros, porque a tarefa que tenho pela frente e dura, quase herculea! Em 2011, juntos fizemos um acto heroico: vencer as primeiras eleicoes autarquicas intercalares na historia de Mocambique! Quero agradecer ao Presidente Davis Simango, a direccao do MDM, aos demias quadros, membros e simpatizantes por terem tomado a corajosa decisao de propor a minha candidatura a tao importante desafio, apesar de na altura nao ser membro formal do partido!! Sao poucos os partidos no mundo, e porque nao em Africa que teriam tao grande coragem e arrojo! Pouquissimos sao os partidos em Mocambique que tomariam tal atitute! Isso mostra sem margem para duvidas que o MDM e a sua lideranca sao um partido maduro, corajoso e que olha em primeiro lugar para o INTERESSE NACIONAL! Bem haja pois Presidente Daviz Simango, bem haja o MDM!
como dizem os ingleses, last but not least, permitam-me dar um abraco do tamanho do mundo aos municies de Quelimane, pela coragem que tiveram em dizer BASTA! Esta coragem surpreendeu nao so aos mais incautos como tambem aqueles que em plena televisao ou outros media juravam a pes juntos que tal milagre nao aconteceria! Como nos narra a biblia, quando Deus quer, nao vontade que nao se materialize: de facto, o ' Pequeno David venceu o monstruoso Golias', escrevendo com letras de ouro um facto historico singular que ninguem apagara na historia da nossa jovem democracia: pela primeira vez um partido politico, o MDM venceu um pleito eleitoral municipal intercalar!
Um abraco patriotico, Dinoutamaalelani!
Manuel de Araujo
Sunday, 11 November 2012
Festival de Zalala!
Decorre de 09 a 11 de Novembro de 2012 o Festival de Zalala que depois do Carnaval de Quelimane, e o maior evento cultural Zambeziano! De acordo com os organizadores espera/se que passem pelas lindas pras de Zalala cerca de 22 mil pessoas!
Discurso de Obama!
Friday, 26 October 2012
Wednesday, 24 October 2012
A OPINIAO DA REDACCAO DO JORNAL A VERDADE: Carta Aberta ao Presidente da República e da Frelimo
Vozes - @Hora da Verdade
Escrito por Redação
Terça, 18 Setembro 2012 20:33
“Nunca corte o que você puder desatar” – Joseph Joubert Wiliam James costumava pregar a «vontade de acreditar». Pela nossa parte, nós cidadãos atentos, gostaríamos de pregar «o desejo de duvidar.» Aquilo que é preciso não é vontade de acreditar mas o desejo descobrir que é exactamente o contrário. Permita-nos, senhor Presidente, que em nome de todos os Cidadãos Atentos deste país, o saudemos primeiro pelo seu trabalho e, segundo, que nos conceda a “licença democrática” para escrever as linhas que se seguem.
Era uma vez, senhor Presidente, dois países no Estado moçambicano: Um chamava-se Moçambique e outro Frelimo de Guebuza. Ás vezes os dois parecem-se um só, mas isso, está claro que não passa de uma mera ilusão de óptica criada pelos chineses e pelos ocidentais e evidentemente pelas multinacionais que projectam a suas sombras ampliadoras sobre Moçambique de tal modo que parecem mais importantes do que realmente são.
O país da Frelimo, sim, da Frelimo de Samora, Chissano, a vossa Frelimo, tem a idade dos cartões de abastecimento, dos fuzilamentos sem justa causa, dos assassinatos sem rosto e nós, seus cidadãos, principalmente os atentos, estamos, primeiro já cansados da vossa história mal contada e de palavras como “Bandido Armado”, “Futuro Melhor”, “Força da Mudança” e, segundo, cansados de competir convosco, a Frelimo de Guebuza, e de tentar parecer maior do que vocês!
No entanto, temos a certeza de que em breve, o Povo moçambicano se reunira do Maputo a Rovuma e pronunciará a única palavra mágica que vocês não conseguem suportar – a palavra NÃO – e assim os anos de faz de conta chegarão ao fim e o país da Frelimo de Guebuza será desfeito e um novo país tomará o seu lugar. Tudo dependerá, senhor Presidente, de uma reunião que terá lugar dentro de dias.
É estranho, senhor Presidente, que o primeiro a prevenir Moçambique no tempo de Samora, quando o país caminhava na ilusória segurança atrás da linha entre o maioismo tipo deng xiao ping e o marxismo o tipo stalinista – foi o senhor e agora na sua liderança está entre uma espécie de mitológica linha entre o capitalismo selvagem e socialismo selvagem, atrás da qual repousa um país despreparado para enfrentar um mundo de moderna tecnologia e poderio económico assim como estava despreparada a Frelimo de 1980 para a guerra contra a Renamo.
Mas o certo é que o senhor Presidente, com a sua presença, sempre teve o quase fantástico dom de impedir que o Povo percebesse a diferença entre os dois países - Moçambique e Frelimo de Guebuza.
Em 1990, embora o país estivesse destroncado economicamente, com muitos moçambicanos apoiando a política do General Dlhakama , o senhor conseguiu convencer esses aliados do General de que Moçambique é igual a Frelimo.
Falou desde 2004 em nome de milhões de moçambicanos que nem sequer sabiam que existe mas cometeu um erro: formou o seu governo com os melhores apanhas bolas do Governo da outra Frelimo. Quer dizer, não se preparou convenientemente para assumir a cadeira de Estado mas sim para assumir a cadeira partidária.
Naqueles primeiros dias trágicos, o senhor era um homem que criou muitas expectativas, um homem que de certo modo tinha determinado apoio popular – mas graças à sua autoconfiança e inabalável determinação, em pouco tempo o senhor transformou a expectativa aos olhos do Povo em desilusão.
Caso único na história: um político “exilado internamente” na primeira Republica que conquistou à custa das fraquezas da liderança da segunda Republica, o seu próprio país – a Frelimo de Guebuza.
Em 2004, o senhor era talvez a figura mais credível para colocar Moçambique no rumo certo e moderno. Só que o senhor se deixou levar pela palavra “empresário de sucesso”. Agora, depois de tanto tempo, nós cremos, senhor Presidente, que a sua demissão pelo povo moçambicano significaria algo mais que a sua decisão de permanecer como Presidente da Frelimo.
Para muitos o senhor não deve continuar a alimentar ilusões quanto à sua permanência de governar Moçambique a partir da Frelimo. É altura de deixar o poder para ir tomar conta dos seus netos e negócios. O Povo sente que a sua saída voluntária é um sinal de que, na era da internet, os “grandes líderes” estão a ficar obsoletos.
É que a sua presença no leme de Moçambique já faz cada vez menos sentido, porque as suas prioridades já se confundem com negócios e política, e isso é incompatível com as inspirações do Povo e com um mundo em que a técnica das soluções económicas tende cada vez mais a assumir o poder, independente de toda a ideologia e toda a política. O Povo quer coisas práticas. Ter saúde, boa alimentação e educação, coisas possíveis que o seu país – Frelimo - pode conceder ao Povo, naturalmente.
Depois, é bem possível que a posteridade venha a considerar o senhor como o maior paradoxo do nosso tempo. Será que o capitalismo é a solução para o socialismo democrático? Nós, cidadãos atentos, já descobrimos atempadamente que a diferença entre o socialismo e o capitalismo está assente não só nos lucros excessivos do segundo mas esta na influência social que o acompanha e que tende a aumentar.
Senhor Presidente, o que o socialismo da Frelimo quer, entenda-se, é precisamente apanhar ambas as coisas. O lucro e a influência pois nesta fase, o seu país, a Frelimo como partido de índole socialista, acumulou e acumula todo o tipo de riqueza e influência mas descarrilou-se nos excessos. Perdeu-se entre os caminhos do capitalismo e socialismo.
Depois, como se dedica inteiramente ao seu país histórico, político e mitológico – essa “pérola do indico” (Frelimo), como o senhor o denomina – o senhor fez mais do que qualquer outra figura nacional para romper com o seu próprio passado histórico e cultural.
Temos consciência de que o senhor está a dar liberdade político-empresarial aos seus tentáculos para “capitalizar” Moçambique para resolver o problema do seu pais – Frelimo de Guebuza. Por exemplo, quando o senhor Presidente se encontrou com a “Movimento muçulmano” estava a pensar em “tentáculos”.
O encontro abriu um precedente grave e altamente perigoso. Porque é que nunca quis reunir-se com os Desmobilizados de Guerra, Madgermaene’s, trabalhadores dos Caminhos-de-Ferro e em menos de 48 horas depois de uma ameaça à “greve empresarial” fez o que todo o Povo pensava que não iria fazer, ou seja, reuniu-se com o “Movimento”?
Para nós, senhor Presidente, isso significou uma grande fraqueza, afinal de contas, o seu calcanhar de Aquiles deve ser um segredo muito importante que o “Movimento” possui e que pode ser divulgado a qualquer momento.
Ora, se com a sua atitude queria demonstrar que os muçulmanos lhe ficassem gratos e seguissem a sua orientação política, pode ter a certeza que poderá ficar frustrado pois eles já consultaram os seus livros sagrados e concluíram que o senhor não é nenhum “Maomé”, é simplesmente um Presidente do seu país – Frelimo de Guebuza.
O senhor esquece-se de que contribuiu no passado para que a Constituição da Republica do pais – Moçambique – fosse um instrumento que espelhasse as aspirações democráticas do Povo, como é que agora incompreensivelmente quer mudar primeiro a constituição do seu pais – Frelimo de Guebuza – para poder mudar também a nossa Constituição. Para que fins? Será que pretende pôr fim às “brincadeiras políticas” da sua oposição interna porque a externa já a colocou no “bolso democrático”?
O senhor Presidente sempre foi acusado desde o tempo do “24 horas-20 kilos” de ser anti-ocidental. No entanto, o maior serviço que hoje presta ao seu pais – Frelimo de Guebuza – recolhendo recursos de outro país – Moçambique – é enriquecer o Ocidente e empobrecer as futuras gerações.
E, agora, senhor Presidente, vamos de certeza absoluta, depois da realização do 10° Congresso do seu pais – Frelimo de Guebuza – dar uma boa risada lembrando que as suas “ambições ditatoriais” foram confirmadas.
O que vai restar amanhã, dessas “ambições”? Sabemos que o capitalismo durante a Luta Armada de Libertação Nacional sempre o repugnou. Como é que agora está aliado grosseiramente ao capital estrangeiro? Estará a pensar no desenvolvimento de Moçambique, no lucro ou na influência sócio política?
Sabemos que tem, senhor Presidente, todas as suas raízes profundamente cravadas no marxismo maioista ao estilo Deng Xiao Ping – uma Nação com dois sistemas (capitalismo e socialismo). Temos a plena consciência de que foi o senhor que cortou o esquema do paroquialismo marxista tradicional – quebrou o centralismo democrático – fila pelo poder, de facto não era a sua vez de liderar o seu pais – a Frelimo – era a vez do General Alberto Chipande.
Essa situação foi vista como uma “reforma” embora seja hoje acusado de concentrar demasiado o poder, e é exactamente o seu esforço para manter essa concentração que lhe causará brevemente a sua derrota. É que para os quadros e militantes do seu país – reforma é algo popular como reformar nipa.
Senhor Presidente, nós cidadãos atentos temos a certeza absoluta de que não dorme seguro porque se aproxima o ano de 2014. Um dia, vai ter que deixar a Ponta Vermelha, é uma certeza. Porque é que quer perpetuar-se no poder? Porque é que o seu secretário-geral diz as barbaridades políticas que diz?
Qual é a intenção? Porque é que quer cortar a tradição do seu país – Frelimo?! Porque é que agora quer sobrepor o valor individual ao colectivo? O senhor por acaso foi escolhido porque Chissano o escolheu como seu sucessor? Depois da morte de Mondlane como foi? Depois da morte de Samora como foi? Temos a certeza de que foi o colectivo que o escolheu com a anuência da “quadrilha política”, ou não foi? Porque é que agora tem que ser diferente? Reformas? Parece-nos que não é isso?
Senhor Presidente, diz um provérbio popular que os prudentes falam por que tem algo a dizer e os insensatos porque gostariam de dizerem qualquer coisa. Portanto, deixe que os seus camaradas escolham o seu sucessor agora no Congresso para desanuviar as vossas tensões internas. Não se intrometa pois se o vier a fazer, futuramente vai pagar muito caro.
Se no tempo de Chissano prendia-se somente directores, hoje no seu tempo prende-se ministros e no tempo do seu sucessor vai se prender quem? Presidentes da Republica, disso não tenha dúvidas e para o seu caso, esses seus camaradas que um dia traíram Chissano, caso não se comporte bem no Congresso, a partir de 2015 vai iniciar o seu “julgamento político atacando a sua filha, perceba isso.
Para tirar Chissano do poder atacaram politicamente o seu filho, quem não se lembra disso? O modus operandi é o mesmo. Fala-se agora de Nympine? Bastou o pai sair do poder para não mais se falar dele!
Nós, cidadãos atentos, sabemos porque é que afirmamos isso. Fomos nós que publicámos a programação da sua Presidência Aberta em Inhambane que por prudência o senhor alterou. Assim como está a reagir, o senhor corre sérios riscos de levar um golpe de Estado, disso não tenha dúvidas e porquê?....porque se esqueceu de que os conflitos internos são de base dupla.
Primeiro, porque as pessoas designadas para novos cargos precisam de reconhecer que os conflitos são internos e, segundo, precisam de certificar-se de que as suas acções baseiam-se na realidade. As acções do seu país – Frelimo de Guebuza - não são reais.
Depois as ordens que dá não são cumpridas! Porquê? Porque não tem na sua posse todos os factos pertinentes, daí que não tenha controlo sob as decisões de comando porque não tem acesso à execução e à sua respectiva operacionalidade. Por isso mesmo notamos, senhor Presidente, este anarquismo pessoal, partidário e executivo.
Há que revolucionar o seu país – Frelimo de Guebuza - em todos os sentidos, senhor Presidente, para revolucionar o outro pais – Moçambique, pois a única coisa que os seus mais próximos colaboradores fazem é “identificar o inimigo”.
Procuram coisas que um canalizador procura numa pia entupida. Uma revolução consciente, senhor Presidente, talvez seja uma coisa saudável no seio do Comité Central já que o processo sóciopolítico com a permanente globalização está a levar a “individualização” do seu próprio país – a Frelimo.
O Comité Central não está a produzir ideias, logo também não está a antever as crises (5 de Fevereiro de 2008 e 1 e 2 de Setembro de 2010). O facto de algumas figuras históricas criticarem publicamente os seus próprios camaradas é sinal de que as políticas traçadas nos intervalos dos congressos não estão a alterar a natureza dos seus membros, isto é, se os membros continuam lambebotistas, corruptos, se são camaleões vão continuar camaleões, se são do tipo deixa-andar, vão continuar do tipo deixa-andar.
E, agora, senhor Presidente, nós cidadãos vamos escrever aquilo que provavelmente lhe desagradará muito: suspeitamos que o senhor alterou a agenda do Congresso no que toca às discussão da sucessão para depois do Congresso com a intenção de perder.
Pois, contra as provas estatísticas, previsões e relatórios que indicavam derrota da sua facção, o seu secretário-geral e porta-voz anunciam conscientemente a sua intenção de não renunciar se os eleitores do Comité Central rejeitarem suas medidas “legislativas” Porquê? Porque o senhor de facto não quer sair.
Porque não está cansado de continuar a facturar! Porque o seu próprio insolúvel dilema é modificar o seu país – Frelimo - à custa de Moçambique. Porque todas as suas prioridades são materiais e a dos moçambicanos são morais e espirituais. Porque o senhor sabe que o Povo já não pode suportar mais a sua riqueza e da sua família (filhos e netos).
Suspeitamos muito que o senhor vai ter que sair a força porque esse é o único meio de evitar o fracasso político da Frelimo nos próximos tempos. A quadrilha política vai obrigá-lo a fazer isso. O senhor Presidente prometeu combater o deixa-andar, a corrupção, burocratismo e o crime organizado. Não conseguiu. Conseguiu sim colocar o capital estrangeiro em massa a explorar as riquezas naturais sem autorização do Povo.
O senhor pensou que enfrentava um país que fosse a Frelimo mas não é. Moçambique não é Frelimo e Frelimo não é Moçambique. Hoje os moçambicanos pensam em termos de melhores salários, empregos, habitação e tudo isso agora está numa caixa fechada lá na Pereira de Lago.
Resta-lhe ainda, senhor Presidente, 2 anos e tal de poder estatal porque o que conta em África é o poder estatal e não partidário. Resta-lhe tempo para que reflicta o bastante sobre tudo isso e mais alguma coisa. Não continue querendo o poder porque vai sair muito magoado deixando uma aura de rejeição e ingratidão.
Nós sabemos que quem controla o Estado e a maioria dos partidos políticos da oposição é a Frelimo mas também sabemos que não consegue controlar toda a Sociedade Civil, sobretudo a não seguidista. Esses sim um dia vão lhe criar uma grande surpresa. Os dias 1 e 2 de Setembro já foram um serio aviso.
Senhor Presidente não transforme dinheiro em votos porque o Povo moçambicano não tem dinheiro pois existem varias maneiras de se iluminar o Povo e a Frelimo. A Liberdade e a democracia que a própria Frelimo ajudou a conquistar não podem ser uma espécie de um pedaço de carvão ou uma garrafa de gás a ser mostrado como um osso para uns cães obedientes.
Lembrar senhor Presidente de que se alguns dos seus camaradas (Paundes, Edson e camaradas) têm o pretenso amor pela sua pessoa, camarada Presidente, engana-se pois tem que saber que para além do amor ser a melhor causa para galvanizar a vida social também leva à ruína social e política. Sabemos que precisa de manter-se no poder ou perto dele porque é uma estratégia de sobrevivência para consolidar o seu império empresarial.
Sabemos que controla o Corredor da Beira depois de ter sacrificado o General Alberto Chipande. Os interesses estratégicos do país estão a ser preteridos a favor dos interesses empresariais de Guebuza.
Sabemos que está a governar o país pensando na sucessão. Hoje, cada passo que dá leva em conta a questão da sucessão. As nomeações de ministros, governadores, pca’s estão dentro dessa lógica. O que quer é manter-se no poder a todo o custo e nem que seja por via partidária ou de um delfim. Os seus sinais de vitalidade demonstram isso mesmo, de que não se vai retirar. Uma pergunta, senhor Presidente: o seu projecto vai para além de 2030?.
Mas por outro lado, também sabemos que a única instituição que pode evitar isso é próprio seu país – a Frelimo de Guebuza. Só forças internas das Frelimo podem evitar isso. Não existem outras forças que possam travar esse ímpeto. A Frelimo é que tem legitimidade constitucional para viabilizar ou não um poder seu e dos seus mais próximos camaradas. Sabemos que o seu país - Frelimo - é um factor estratégico de sobrevivência porque não tem ideologia nem princípios.
Sabemos senhor Presidente que neste preciso momento sóciopolítico está a distribuir mais pobreza do que riqueza, está a distribuir menos justiça eleitoral, está a administrar mais corrupção do que combatê-la; está a apoiar-se mais no espírito do deixa-andar do que combatê-lo e de facto para melhor entendermos a sua figura socorremo-nos das palavras escritas do livro por acaso ainda não publicado ao qual nós cidadãos atentos tivemos acesso, Força e Fraqueza do Socialismo da Frelimo, do General K que diz o seguinte: (…) “ninguém ainda soube, como ele, evoluir através das malhas da lei sem deixar nunca de se conformar, a letra. Guebuza soube e sabe lutar contra o Estado.
E se o “Estado é o povo organizado” ; Guebuza passou e passa a vida em guerra constante com o povo e com a sociedade. Guebuza e seus aliados forçaram o Estado a deixar ao capital vida bastante para desenvolver todo o seu poder. E tão alto levam o seu poder, que chegam a submeter o Estado e a fazer dele o protector incondicional dos seus interesses particulares (…).
Como vê senhor Presidente, nós cidadãos atentos temos coragem para lhe dizer o que os outros não dizem porque queremos o seu bem. Discutimos, fazemos análises porque queremos que este pais cresça, queremos que as nossas crianças vão a escola todos os dias, mas também queremos justiça, uma normal distribuição da riqueza para todos.
Fizemos esta carta porque encontrámos argumento válidos para tal: se figuras proeminentes da nossa Sociedade fizeram cartas abertas ao líder da oposição, o General Afonso Dlhakama, funcionários anónimos das instituições ligadas às Forças de Defesa e Segurança e diversas organizações da Sociedade Civil elaboraram cartas abertas para si, porque não o Cidadão Atento escrever uma carta?!
Sim, temos duvidas e queremos ter “vontade de acreditar” mas também “desejo de duvidar” e ter duvidas não é ficar perdido, nem ser incapaz de decisão. Pode dar um pouco mais de trabalho do que ter certezas mas isso , senhor Presidente implica reflectir sobre diferentes cenários, superar alternativas, ouvir pontos de vista de terceiros e considera-los e mesmo arriscar opções, mas ao mesmo tempo , enriquecer dar-nos maior consciência dos pontos fortes e nossas fraquezas.
Discuta neste Congresso a sucessão para poder colocar o pais no rumo certo, tudo esta muito tenso, estamos todos sentados num barril de pólvora e sobretudo deixe que os delegados escolhem conscientemente o seu sucessor evidentemente com a anuência da quadrilha política.
Dizemos isso exactamente porque causa das palavras de Alberto Montaner - «Os nossos medíocres revolucionários nunca foram além de uma análise epidérmica dos males sociais. Eles excitam revoluções sangrentas como o fito de sanar as situações injustas. Não compreendem que, nestes tempos modernos, as revoluções mais profundas não são as que se desenvolvem em casernas ou nas montanhas mas em laboratórios e nos gabinetes da mais temível inteligência». Faça ai no Congresso pois lá fora a revolução esta prestes a explodir.
De modo que, senhor Presidente, o seu país – Frelimo de Guebuza nunca vai triunfar sobre Moçambique se não fizer uma revolução por dentro do seu país – Frelimo de Guebuza. Como dizia Albert Einstein: «Nos momentos de crise, só a imaginação é mais importante que o conhecimento», senhor Presidente, use a imaginação!
Senhor Presidente aconselhamos-lhe o seguinte: Não corte nada, não corte a sua amizade longa com os elementos da quadrilha politica, desate o que esta difícil e o que é que esta difícil? Debater a sucessão! Debata e de a sua opinião a bem da Frelimo e do Povo.
Senhor Presidente, pode ser que estejamos do mesmo lado mas que queiramos coisas diferentes. Percebemos que ser hoje da Frelimo é um acto de fé porque nos facilita muita coisa, mas o que nos queremos é a criação de uma verdadeira Frelimo, uma NOVA FRELIMO.
Para terminar, como sempre um pouco a reboque de Jesus Cristo, diremos: “perdoa-lhe Pai porque eles não sabem o que fazem”, mas nesta situação peculiar impunha-se uma emenda: “perdoa Guebuza, não pelo que ele vai fazer no Congresso mas pelo que não vai fazer”.
CIDADÃO ATENTO