Thursday, 11 November 2010

Saque às florestas em Nampula

Madeira de primeira classe é exportada em toros a partir do porto de Nacala

Segundo apurou o Canalmoz, isto acontece com a conivência das autoridades do sector da Agricultura, na província de Nampula

Nampula (Canalmoz) – Contrariamente ao estipulado pelo Governo, a madeira classificada como de primeira classe continua a sair do país em toros e não já processada como prevê a lei! Os agentes que se dedicam à exploração e comercialização de madeira, a partir do porto de Nacala, na província Nampula, ignoram a lei. Segundo apurámos “contam com a conivência de altas figuras do sector da Agricultura”, o que não tem merecido a devida atenção das autoridades a quem compete fiscalizar as infracções, designadamente dos funcionários do Estado.
De acordo com informações a que o Canalmoz teve acesso junto do Porto de Nacala, a madeira, cuja exportação só é permitida se tiver sido processada internamente, é empacotada em contentores em forma de toros e levada do país por navios, mas com guias de remessa que indica como sendo madeira serrada.
Fontes afectas ao Porto de Nacala dizem que a exportação de madeira proibida não é de hoje. “Isto vem desde há muito tempo. Há anos denunciámos e parecia que tinha parado, mas, na verdade, não havíamos descoberto a estratégia de empacotar toros de madeira de primeira classe, para exportação”.
As nossas fontes bem identificadas, mas que por temerem represálias pediram-nos o anonimato, denunciaram igualmente que “com esta prática corrupta, os dirigentes ganham muito dinheiro, carros de luxo, e são-lhes construídas casas de luxo em locais nobres das cidades de Nacala e Nampula”.
Estas denúncias são mais extensivas porque deixam claro que “o problema é do conhecimento de altas e grandes figuras da nomenklatura, mas nunca resolvem porque o porto de Nacala tira e mete tudo sem problema algum”.
Refira-se que a província de Nampula dispõe de capacidade para exploração de quarenta e dois mil metros cúbicos de Madeira por ano, mas actualmente está anotado que apenas estão em exploração oito mil metros cúbicos de madeira de primeira e segunda classes e de espécies especiais, nomeadamente, pau-rosa, tuli, jambir, umbila, chanfuta, metonha, metil muaca, pau-ferro, namuno e mucarala, por ano. Este facto, não constitui verdade, pois há números não inclusos nestas contas, ligados aos negócios das chefias, contam-nos pessoas muito metidas no assunto e que sugerem a intervenção urgente de autoridades com competência para repor a legalidade.

Chineses em frente e nacionais sacrificados

Mais adiante, ficámos a saber que muitas das empresas que fazem a exportação de madeira de primeira classe e de espécie especial não processada são pertença de cidadãos chineses que, para o efeito, pagam enormes gorjetas em dinheiro a fiscais e responsáveis do sector que superintende a área de florestas.
Todavia, as fontes que temos vindo a citar apontaram que “parece que aqui, neste país, as leis funcionam apenas para os nacionais e os estrangeiros fazem as coisas ao seu bel-prazer, sem que ninguém diga nada”, e, “quando denunciamos somos vítimas de ameaças e, vezes sem conta, os nossos negócios são negligenciados”, ou então, “ fecham-nos o mercado”.
Contudo, tentámos, sem sucesso, colher algum posicionamento da direcção provincial da Agricultura de Nampula. Vezes sem conta telefonámos e enviámos mensagens pelo celular ao chefe dos Serviços Provinciais de Florestas e Fauna Bravia, Imede Falume, mas este sempre se mostrou indisponível alegando sempre que está de viajem.
Na manhã de ontem, quarta-feira, deslocámo-nos às instalações da DPA em Nampula. O segurança em serviço que nos atendeu informou-nos que o chefe dos SPFFB ainda não tinha entrado. Era por volta das 11h30. Procurámos falar com o director, mas o segurança foi lá de voltou dizendo: “Tinha-me esquecido. O director está numa reunião” (sic).
Continuamos a aguardar pela disponibilidade dos responsáveis da DPA de Nampula, para que da parte do governo possa haver um esclarecimento público e se possa fechar o círculo de partes envolvidas neste negócio.

(Aunício da Silva)

2 comments:

Fijamo said...

1. Um autentico Take Away Chinês;

2. Zambézia e Nampula a Base dos Predadores Asiaticos;

3. Ninguem pensa no Aquecimento Global;

4. Regards,

5. Fijamo

ADECOR - Associacao para Desenvolvimento das Comunidades Rurais said...

Que se va ao inferno o ambiente, imagino que deve ser assim que estes tipos pensam