Monday, 16 February 2009

Ponte sobre o Zambeze


Foto MA11/08



Elias Paulo fala de sentimentos e factores que determinaram sucesso da empreitada
- Quando nós olhamos para trás sentimo-nos realizados, porque, bom, pelo menos contribuímos como profissionais na concretização de um grande sonho que este país tem, a ligação física do país;
- Decisão do Governo de criar uma unidade de gestão específica da empreitada baseada em Caia, provavelmente tenha contribuído sobremaneira para o sucesso da empreitada; para várias gerações.
Beira (O Autarca) – As obras de construção da ponte sobre o Rio Zambeze ligando Caia (Sofala) e Chimuara (Zambézia), com 2.376 metros de cumprimento, são até aqui consideradas uma empreitada de verdadeiro sucesso. Outros retratam a empreitada
uma maravilha de engenharia, a ponto de fascinar todas as pessoas que por ali
passam.
Iniciadas a 13 de Março de 2006 cuja execução está a cargo do Consórcio português Motangil/ Soares da Costa; fiscalização da Consórcia WSP/ GRID/ LBG; ambos sob acompanhamento directo de um gabinete de gestão específica criado pelo Governo
Moçambicano, entanto que dono da empreitada, as obras deverão estar concluídas
até 31 de Maio próximo.
Pormenor de uma das estacas da ponte, ainda em processo de enchimento Recentemente O Autarca esteve no Distrito de Caia, tendo entrevistado o director do referido gabinete de gestão específica do contrato, que nos falou dos factores que contribuíram para o tão sucesso da empreitada e, também, do seu sentimento entanto que profissional.
A personagem chama-se Elias Anlaué Paulo, moçambicano formado em Engenharia Civil pela University of East London, em Londres, Grã-Bretanha, depois de frequentar vários cursos e participado em tantos estágios profissionais em Moçambique, Suécia, Portugal, Quénia; afirmou:
“Com relação a aquilo que é o progresso da empreitada, eu acredito que primeiro a decisão que o Governo tomou no sentido de criar uma unidade de gestão específica deste contrato provavelmente tenha contribuído bastante, porque a unidade está baseada aqui em Caia, onde a obra está a ocorrer e estamos a acompanhar a empreitada duma forma mais envolvida. O segundo aspecto é que tanto nós donos da obra, como o empreiteiro e a fiscalização trabalhamos como uma equipa, para além dos nossos encontros regulares de coordenação, sempre que necessário encontramo-nos, reunimos e discutimos todos juntos e avançamos. Portanto, o ambiente de trabalho que existe, a
relação cordial entre o dono da obra, fiscalização e o empreiteiro também provavelmente possam contribuir para este sucesso como diz da empreitada”.
Elias Paulo que foi admitido nos princípios da década 80 para o quadro no Ministério das Obras Públicas e Habitação, Direcção Nacional de Água, sendo afecto ao Departamento de Gestão de Recursos Hídricos, onde para além de outras actividades, participou no estudo de intrusão salina nos rios Pungué, Save, Limpopo e Maputo,
dirigiu a ECMEP na altura em criação em Cabo Delgado, Inhambane entre 84/ 87/ 89, período em que beneficiou de um estágio em Portugal na Sociedade de Construções Soares da Costa, onde esteve envolvido nas obras de construção da auto-estrada do norte, no troço Mealhada – Águeda e na via rápida Valença – Monção (obras de terraplagagem e obras de artes – pontes e viadutos). No dia 30 de Junho de 1961 (a data do aniversário conscide com a do autor do artigo), no Posto Administrativo de
Micaúne, Distrito do Chinde, Província da Zambézia, filho de Anlaué Nanguô Muinde Paulo, faroleiro de profissão e de Elizarda de Jesus Maria, doméstica.
Casado com Julieta Felicidade Afonso Paulo (Socióloga de profissão) e pai de um filho, a mesma personagem que pelo seu feito constitui orgulho da capacidade técnica moçambicana, vêem duma família bastante numerosa, quarto filho da mãe (que teve 13
filhos, havendo gémios e trigémios) e oitavo do pai, de um total de 22 irmãos
(em Cabo Delgado e Zambézia).
Relação cordial entre o dono da obra, fiscalização e o empreiteiro contribuiram para o sucesso da empreitada Nomeado Director do Projecto da Ponte do Zambeze em Julho de
2004, nesta qualidade representa o Ministério das Obras Públicas e Habitação e a Administração Nacional de Estradas em todos os assuntos relacionados com a Ponte do Zambeze, gestão dos contratos da construção da ponte e da operação dos batelões que asseguram a travessia temporária entre Caia e Chimuara, nas províncias de Sofala e
Zambézia respectivamente e o Gabinete de Implementação do Projecto da Ponte do Zambeze.
Respondendo a nossa questão inicial sobre os factores que terão determinado o tão destacado sucesso da empreitada, Elias Paulo que frequentou o Curso Geral de Construção Civil em Quelimane e na Beira (entre 1977 e 1979), tendo sido graduado como técnico médio de Construção Civil, na especialidade de Vias de Comunicação e
Hidráulica, em 1982, pelo Instituto Industrial de Maputo (IIM), e em 1999
concluído a licenciatura do curso de Director Provincial das Obras Públicas e Habitação em Nampula a partir de 2000, no mesmo ano em que chefiou uma equipe multi-sectorial (Ministérios das Obras Públicas e Habitação, Transportes e Comunicações e
Interior) encarregue para a reabertura da estrada Chissano/ Chibuto, depois
das cheias que afectaram a região sul do País; no ano anterior na Administração
Nacional de Estradas, integrou a equipe que esteve envolvida no projecto
da N4 Maputo/Witbank.
O sentimento de satisfação que eu tenho é o que os meus colegas que fazem parte desta equipa também têm Um homem aparentemente calmo, dedicado, organizado, motivado
e bastante comunicativo, Elias Paulo conta que como nacional até é muito difícil descrever o que sente neste momento em que a obra do Zambeze está praticamente no fim. “É um sentimento de muita satisfação”.
Recorda que a obra que até finais de Dezembro último empregava 505 trabalhadores, dos quais 436 nacionais e 69 expatriados (incluindo trabalhadores dos sub-empreiteiros), teve várias etapas.
“No início tínhamos que começar e naturalmente a pressão era muito grande, mas, depois de uma dada altura, quando a obra começou a ganhar o seu ritmo normal, natural.

Eng. Elias Paulo, para quem como nacional até é muito difícil descrever o que sente neste momento em que a obra do Zambeze está praticamente no fim. É o sentimento de satisfação mente que a pressão foi reduzindo e quando nós olhamos para trás sentimonos realizados, porque bom, pelo menos contribuímos como profissionais
na concretização de um grande sonho que este país tem, portanto a ligação física
do país”.
Visivelmente emocionado pela oportunidade conferida de falar de si em relação a empreitada, Elias Paulo além do profundo sentimento de satisfação pessoal que manifestara, também transmitiu a mesma exaltação em nome dos colegas, por reconhecer que o trabalho que está sendo feito é um trabalho de equipe.
“Eu tenho uma vasta equipe de colegas que estamos aqui para assegurarmos que aquilo que sejam os interesses a favor de Moçambique sejam realizados dentro dos prazos acordados, com a qualidade acordada, portanto, penso que o sentimento que eu tenho
neste momento é o que os meus colegas que fazem parte desta equipa também têm”.
Ponte para várias gerações
Quanto a garantia da obra, do ponto de vista de longividade, Elias Paulo explicou que empreitadas desta natureza são concebidas para durar, desde que não tenham problemas de qualidade de construção, que não é o caso, pelo que assegura que temos uma ponte para várias gerações.
Refira-se que o custo da empreitada é de 78.6 milhões de euros, sendo co-financiada pela Comissão mentares) e o Governo de Moçambique com 12.8 (impostos e outras taxas).

A Europeia que comparticipa com 30 milhões de euros, Itália 20, Suécia 18.3, Japão 8.8 (para actividades complementares). Falume Chabane

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