
O RECÉM-ELEITO presidente da União Africana (UA), Mouammar Kadhafi, encerrou quarta-feira a cimeira desta organização proferindo críticas contra a democracia em África, apesar de ser um princípio consagrado na sua Acta Constitutiva. Para Kadhafi, o seu país, onde os partidos políticos são banidos, serve de melhor modelo para África.
Para fazer valer os seus argumentos, Kadhafi citou como exemplo a violência desencadeada depois das eleições quenianas, no ano passado, entre membros das etnias Kalenjin, Luo e Kikuyu, para explicar que as eleições podem conduzir os países africanos a um banho de sangue. “Após as eleições existem massacres, à semelhança daquilo que aconteceu no Quénia”, disse Kadhafi.
“Isso torna-nos cépticos com relação aos sistemas multipartidários que importamos. Os nossos partidos têm uma base tribal e isso resulta em derramamento de sangue”, insistiu.
Kadhafi, 66 anos, e que se encontra no poder há quatro décadas na Líbia, disse aos participantes na cimeira da UA, realizada em Addis-Abeba, que a multiplicidade de grupos étnicos torna o continente inadequado para governos democráticos.
Desde a fundação da UA em 2002, Kadhafi é o primeiro estadista da região da África do norte a assumir a presidência rotativa da organização continental. Ele foi eleito por aclamação na terça-feira, durante a cimeira de Addis-Abeba.
A posição que assume em relação à democracia em África, fere os princípios consagrados na Acta Constitutiva da UA, cujos objectivos incluem “a promoção de princípios democráticos e instituições, a participação popular e a boa governação”.
Por isso, no ano passado e sob a liderança do Presidente tanzaniano, Jakaya Kikwete, a UA suspendeu a Guiné-Conakry e a Mauritânia na sequência de golpes de Estado ocorridos naqueles dois países.
“Nós não temos nenhuma estrutura política em África, as nossas estruturas são sociais”, disse Kadhafi citado pela agência noticiosa Reuters.
As declarações de Kadhafi poderão gerar muita polémica em África, onde vários povos lutaram durante décadas a fio para uma maior abertura dos sistemas de governação.
Aliás, é muito provável que alguns activistas que lutaram pela introdução de democracias multipartidárias em países como África do Sul, Nigéria, Gana e Senegal venham a contestar vigorosamente a posição do novo presidente da UA.
A Federação Internacional para os Direitos Humanos reagiu já e disse na quarta-feira que “deplora” a eleição de Kadhafi, pois, segundo ela, o líder líbio continua a violar os princípios democráticos, direitos humanos, o estado de direito e boa governação.
Mas o presidente da Comissão da UA, Jean Ping, esclareceu que a eleição de Kadhafi foi democrática. Segundo as regras da UA, as posições cimeiras são rotativas entre as cinco regiões geográficas do continente.
Ainda na quarta-feira, durante os debates da UA sobre a crise financeira, o Presidente ugandês, Yoweri Museveni, advertiu que Kadhafi poderá representar apenas os seus “próprios interesses” em fóruns internacionais, razão pela qual sugeriu o envio do Presidente tanzaniano, Jakaya Kikwete, e do Primeiro-Ministro etíope, Meles Zenawi, à cimeira do G20, em Abril próximo, em Londres, para acompanhar o líder líbio.
Maputo, Sábado, 7 de Fevereiro de 2009. Notícias
Trump says US to pause operation to guide vessels through Strait of Hormuz
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"Project Freedom", which began less than 48 hours ago, will be halted
because progress has been made toward a deal with Iran, the US president
says.
2 hours ago
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