Quarenta anos depois, o país declara 2009 como ano do 1° Presidente da Frelimo
· Defensor da Unidade Nacional morto em circunstâncias pouco claras e até agora
inexplicáveis
“Como tudo começou”
“Diante da situação da ansiedade, as pessoas tendem a procurar a companhia de pessoas que estejam no mesmo estado de ansiedade, isto é, aquelas que estão em
condições idênticas de ameaça ou receio de futuros acontecimentos” – Schachter.
Durante os trabalhos de III Sessão do Comité Central de Abril de 1969, ao abordar de
forma retrospectiva sobre a questão das relações entre o então malogrado presidente
do movimento consigo próprio, na qualidade de vice-presidente, Simango chamou
a atenção para a peculiaridade dessas relações. Afirmou que não se devia definir essas realções de forma teórica, por palavras acções de cada um nessa relação, “porque é díficil trnasformar as acções em teórias”
Mondlane considerava Uria Simango como um indivíduo leal, sensato e dotado de senso
comum, mas a quem faltavam as qualidades dinâmicas de um líder político. Era demasido
cauteloso e lento em tomar decisões.
Esta valiação, embora não totalmente verídica, encaixa em parte na pessoa do Reverendo Simango. Simango falharia nos cálculos por ter levado uma “Bíblia” e não uma arma de fogo para a guerra.
Não possuia as condições morais para o nível de crueldade, sagacidade e ausência de escrúpulos que a luta pelo poder político e pela hegemonia étnica e regional
no interior da Frente da Libertação de Moçambique impunham. Viveria longos anos com a errada convicção de que o bom senso se sobreporia aos macabros actos dos seus companheiros, enquanto estes consolidavam as suas posições usando como via os actos mais ignóbeis possíveis para alcansar seus fins.
Uria Simango, não conheceu Mondlane aquando da sua estada em Lourenço Marques. Viria a conhece-lo apenas em Salisbúria em 1961, pela mào do bispo Ralph Dodge que o
levou à Igreja onde o Reverendo era Pastor. E nessa época, Uria Simango não chegou a entabular qualquer conversa de natureza política com o antropólogo e nem lhe dispensou uma atenção especial. Apenas viu o homem que acabava de emtrar na sua paróquia como mais um entre tantos outros que o bispo Ddge trazia para assistir às missas por ele presididas. Certamente, Simango não adivinhou que estava naquela
circunstância perante “um filho especial de um país especial” como a esposa de Mondlane caracterizaria o marido, 38 anos mais tarde. Mas as circunstâncias da vida poriam, um ano mais tarde, os dois homens na mesma trincheira. Analistas com ligeireza relações humanas em sociedade, vemos que a existência de um presidente e de
um vice-presidente numa organização social, política ou económica, pressupõe, à partida, estreita colaboração entre essas duas figuras principais. Qualquer
procedimento - voluntário ou involuntário – duma das partes, visando excluir a outra em assuntos ligados a organização, é vista pela parte excluída como sendo
traição ou má fé. É que nenhuma das partes admitirá que a sua contraparte discuta assuntos, ou até organize o objecto social que ambos representam superiormente com
terceiros (entenda-se sububalternos no interior da organização) antes dos dois colaboradores se sentarem e analisarem esses assuntos – quiçá, tirarem conclusões ou aproximarem os pontos de vista. O surgimento de situações deste género nas relações
humanas traz sempre, tarde ou cedo, descentralizações sociais.
O oportunismo de um grupo de indivíduos oriundos do sul de Moçambique e seus aliados
estratégicos no interior da Frente de Libertação de Moçambique, grupo esse que – parafraseando uma das nossas fontes – nas páginas que se seguem passará a ser designado por grupo, ala, ou equipa regionalista do sul, minaria gravemente as relações entre Eduardo Mondlane e Uria Simango poucos aon depois da fundação daquele movimento. Mas as desinteligências entre essas duas figuras principais no seio da
organização viriam a estar sob escurtínio público no início de 1965, sobretudo, após a morte de Filipe Samuel Magaia, em Outubro de 1966.
Poucos meses após o seu regresso definitivo dos Estados Unidos de America (EUA) em
1963, Mondlane ver-se-ia rodeado por um grupo de alguns indivíduos da etnia tsonga que, na sua maioria, não haviam participado na fundação da Frelimo, e nem pertenceram a nenhum dos três movimentos precursores do movimento. O grupo, com “boa
capacidade de forjar informações e intrigas” contra seus alvos, e enfrentado dificuldades de penetrar no órgão decisório do movimento (o Comité Central que
simultaneamente era o órgão legislativos e executivo) encontraria na pessoa de Eduardo Mondlane catapultá-los-ia ao órgão decisório da organização, dado que, para além de presidente do movimento, Mondlane era igualmente natural de sul de Moçambique e, culturamente da etnia tsonga.
* Esta é a primeira série de artigos extraidos do Livro “Uria Simango, Um homem uma
Causa”, da autoria de Bernabe Lucas Nkomo.
In Diario da Zambezia, 29.01.09
Questions still remain for BBC after damaging Gaza documentary
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Fallout from the film about Gaza's children is a reputationally damaging
mess, says the BBC's media editor Katie Razzall.
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