SADC, UMA CONSTELAÇÃO DE ESTADOS COM LÍDER HESITANTE OU SIMPLESMENTE FRACO?
Já durante a era do apartheid se falava de organizar a região nos moldes como acontece hoje. Isto é, a África do Sul como núcleo e outros países da região como satélites. Só que para os mentores desta ideia as coisas teriam que gravitar em volta de um país forte com influência e poderio respeitado pelos intregrantes do grupo.
Por força de circunstâncias históricas aconteceram alguns percalços que colocaram a África do Sul fora da primeira SADC. Com o advento do governo do ANC procurou-se ganhar o tempo perdido. Se na esfera económica não restam dúvidas de que isso foi conseguido já não se pode dizer o mesmo no domínio político. O tal núcleo depois de ter a liderança de Nelson Mandela jamais conseguiu produzir alguém com força e carisma sifuciente para sumplantar os outros líders da região e mostrar ou determinar o caminho a seguir. Não é somente a questão do petróleo de Angola ou a riqueza extraorinária da RDC em minérios de todo o tipo. Não é capacidade militar do Zimbabwe ou do Botswana. Tudo se ralaciona com a percepção ganha pelos governos e povos da região de que não necessiatam de um tutor ou patrão que determine como devem viver. Se isso é salutar já do ponto de vista político e da cooperação regional tem consequências que importa não esquecer. A SADC nos moldes em que foi criada, sob predominância de um alinhamento sustentado por um passado comum de luta pela libertação deixou de fora alguns critérios que agora se revelam importantíssimos. A falta de consonância política e a incapacidade de fazer os líderes regionais abraçarem um projecto de construção de democracia política credível está tendo consequências nefastas no sucesso da organização regional. Planos de liberalização e abertura do comércio estão falhando e encontrando uma resistência forte porque alguns dos integrantes simplesmente se recusam a alinhar ou porque em alguns casos se procurou colocar a carroça a frente dos bois. Se Angola com o peso do seu petróleo e forças armadas não entra no jogo torna-se muito difícil falar de comércio regional aberto. Se as trocas unicamente centram-se nas exportações sul-africanas tinha razão John Vorster quando definia a sua constelação de estados.
Quando os líderes multiplicam reuniões mas não conseguem produzir consensos práticos isso é indicativo de falta de liderança e de uma vontade política de resolver os assuntos. É preciso não ignorar que estes líderes que agora se mostram preocupados em produzir uma solução política para o caso do Zimbabwe são em geral os mesmos que ao abrigo de acordos secretos e de uma pretensa solidariedade apoiaram esforços e intervenções militares em alguns países membros da SADC. Quando por força de mudanças políticas notáveis e da força do voto popular, um dos libertadores é colocado fora da equação política surge um fenómeno de desrespeito dos preceitos democráticos. Isso não acontece por acaso. Existe uma cumplicidade irrefutável entre alguns companheiros das lutas de libertação na região. Existe uma intervenção de apoio incondicional a um companheiro de armas que se encontra sitiado pela vontade de um povo. O comportamento diplomático dos governos da SADC não acontece fora da perspectiva e de entendimentos políticos estabelecidos ao longo dos anos. Se perguntarem porque os nossos líderes se atrevem apoiar Mugabe a resposta tem de ser encontrada ao nível da história política e militar da região. São muitos os exemplos que se pode encontrar de apoios extra-legais e de intervenções externas que modificaram a história recente de alguns países.
Só que tudo isso está acontecendo na ausência de estratégia concertada e com futuro por parte dos que se julgam insubstituíveis entanto que poderes na região. Mbeki falhou porque pensava que cumpria uma obrigação histórica de proteger um libertador ou falhou porque ignorou que a situação já não é a mesma dos tempos da luta de libertação? Falhou porque cumpriu com algo concertado entre camaradas? Será que a estratégia de Pretória entanto que núcelo da SADC passava por não permitir que elementos hostis a sua política e interesses tomassem o poder? E daí a necessidade de adulterar os factos e impôr Mugabe a um povo que o votou para fora do poder?
Com ou sem resistência dos colossos da região uma nova mentalidade e entendimnto político estão emergindo na região. Os dias de Mugabe e gente como ele estão matematicamente contados. Podemos com segurança afirmar que em mais dois ciclos eleitorais o panorama político da região será outro e se a SADC entanto que organização regional não conseguir adaptar-se a mudança que se anuncia imparável corre o risco de desaparecer. Também pelo que ela realmente faz não deixará muitas saudades.
A região precisa urgentemente de ganhar uma credibilidade que seus líderes nem seus herdeiros estão conseguindo dar.
Projectos falhados de empowerment que na prática significaram a construção de impérios empresariais à custa do nepotismo e do tráfico de influências estão muito longe dos ideiais dos movimentos de libertação que um dia lideraram.
Chegou o tempo de reformar compulsivamente, através do voto popular, toda uma geração que já deu o que tinha a dar.
Noé Nhantumbo
Three reasons ships are not sailing through the Strait of Hormuz yet
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Experts say that there are significant obstacles preventing traffic from
returning to the levels seen before the conflict began – security, mines
and tolls.
23 minutes ago
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