Tuesday, 14 May 2013

Conferencia sobre Governacao Local da Commonwealth

Watch our conference video

The 2013 conference will provide a unique opportunity for local government policy-makers and practitioners. 
Conference flyer is out now!

Speakers include:
• HE President Yoweri Museveni, President of Uganda
• Rt Hon Helen Clark, Administrator, UNDP
• Dr Joan Clos, Executive Director, UN-Habitat
• Dr Richard Sezibera, Secretary-General, East African Community 


Register now

Uganda President Yoweri Museveni will open the conference on 14 May 2013.

Outline programme for conference and related events 

 

 

 

The 2013 Commonwealth local government conference will:
 

  • provide a high level forum for the discussion of the status of decentralisation around the world with a view to identifying good practice and international knowledge-sharing
  • influence policy and international thinking  on the post-2015 global agenda, focusing on poverty reduction and ensure efficient provision of local services
  • position local government to be an active partner in the post-2015 debate, notably as regards issues of well-being and social inclusion
  • engage directly with international development partners, including inputting into the UN consultation on the global development agenda and into the 2013 Commonwealth Heads of Government Meeting.
The conference will explore different models and approaches to developmental local government, with examples and case studies from across the Commonwealth. Read more about the conference

A Opiniao de Noé Nhantumbo

Canal de Opinião 
Por: Noé Nhantumbo 

  Estratégia de desgaste e entretenimento será a eleita?  
Conversem e digam tudo o que quiserem um ao outro mas não atrasem mais nada …

Beira (Canalmoz) - Ao governo de Moçambique e a liderança do partido Renamo queremos com veemência, apelar para que parem com o belicismo verbal e com demonstrações de força militar ou policial. Na verdade todos sabemos que nenhum dos dois possui tal força dissuasora. Contar com aliados e “camaradas históricos “, com hipotéticos concessionários de reservas minerais e outros recursos naturais, não é nem pode ser fonte de estratégia política.  
É de vossa responsabilidade histórica e inalienável assumirem com sentido patriótico, acima de todas as agendas que por ventura possam existir, alinharem por um discurso reconciliatório e promotor da paz e concórdia n país.
Os caminhos por uma paz que engaje e envolva, absorva e mobilize os moçambicanos só podem ser trilhados por aqueles que não receiam os diálogos fundamentais.
Os subterfúgios e a pretensa legalidade que alguns interlocutores procuram apresentar como base para a recusa de uma discussão ampla e aberta da verdadeira agenda nacional prenunciam tácticas esquivas e promotoras da intolerância política activa. Não é demais repetir    
O que nos possam trazer as negociações entre o governo de Moçambique e a Renamo é importante. Mas importa que se tenha a verticalidade de afirmar que o mais importante é preservar a paz e a estabilidade no país, independentemente do que sejam as agendas da Frelimo e da Renamo.
Estes dois partidos tiveram todo o tempo do mundo para limar diferenças e alinhavar seus objectivos de acordo com o que haviam acordado em Roma.
O actual jogo de forças entre os dois ex-beligerantes trazem à superfície uma realidade que sempre se procurou adiar e esconder. Todos sempre compreenderam que o AGP, sua implementação e cumprimento foram incompletos e impostos. Da parte externa nota-se uma pressão antiga para que a paz seja mantida a todo o custo. Internamente existe um forte interesse em assegurar que o status conquistado através da guerra não seja posto em causa por novos actores políticos.
Quem negoceia ou entra em diálogo hoje teve oportunidade soberana de colocar seus pontos de vista ao longo dos últimos vinte anos. Os que se queixam de não cumprimento do AGP sabem muito bem onde e quando as coisas falharam. Os detentores do poder que geralmente se recusam a ceder ou a considerar as reivindicações legítimas de seu adversário político, não ignoram que conseguiram encurralar tal adversário…
As opções na mesa são escassas na medida que a cedência continua a estar fora do baralho. Fortalecer posições e forças, consolidar as alianças externas, ganhar a batalha da opinião pública internacional, projectar uma imagem de força com o potencial de eliminar qualquer expressão do adversário nomeadamente na esfera militar estão a ser perseguidos pelo governo de modo paulatino mas permanente.
Deste modo aceitar conversar pode ser puro entretenimento numa perspectiva de adiar e alcançar tal posição estratégica. Existe aparentemente a convicção de que se pode arrastar o processo negocial e nesse sentido a Renamo até um ponto de viragem irreversível. Estando criadas as condições para uma confrontação directa e aberta então se interromperiam as negociações u dito dialogo e se avançaria para acções características de guerra.
Membros da Renamo no Parlamento e seus quadros seniores começariam a ser detidos onde fosse possível. Um estado de sítio seria declarado e seguido de supressão da liberdade de imprensa tudo em nome da segurança nacional e da manutenção da paz.
Esta é uma leitura do possível entre tantas outras possíveis.           
Protelar e condicionar a completa implementação do AGP favoreceu a estratégia da Frelimo na medida em que o status não sofreu alterações. A Frelimo continuou a governar e a controlar todos os principais organismos decisores no país.
O equilíbrio que parecia alcançado ao nível das forcas militares desmoronou-se logo que começaram as primeiras reformas ou colocação na reserva doa activos da FADM provenientes da Renamo.
Já ninguém ignora que as “fintas” de Joaquim Chissano foram cruciais para tudo o que aconteceu em seguida.
Os cordelinhos do poder esta firmemente nas mãos de membros da Frelimo o que proporciona toda uma vantagem estrategicamente importante. 
Dá a impressão de que não haverá cedências fundamentais em mais um encontro entre governo e Renamo. Se tomarmos em conta a postura habitual de um governo manifestamente centralizador e pouco dado a diálogos consequentes, teremos encontros sobre pontos, em que os participantes continuarão a apresentar-se em posições irredutíveis.
A fraqueza no entendimento político e na leitura do AGP entre os ex-beligerantes provocou uma situação de aparente vantagem para uns e desvantagem para outros.   
Obviamente que vivemos uma situação complexa e com todo potencial de se tornar violenta. Não interessa aos moçambicanos continuarem reféns de gente que já foi inimiga na frente da batalha. Os interesses e agendas de uns e outros apontam para uma única tese que é o poder a qualquer custo, mesmo que seja fora das regras prescritas pela democracia.
Há razões abundantes para duvidar e questionar da seriedade com se entregam e se envolvem em negociações, numa altura em que deveriam estar afinando suas estratégias para os pleitos eleitorais que se avizinham.
Parece que toda a sua estratégia estar apontada para a não realização das eleições.
Não temos dúvidas em afirmar que se trata de manobras dilatórias que desembocarão no prolongamento dos mandatos tanto dos edis como do próprio PR e a actual composição do Parlamento.
O que se ensaia em Moçambique já foi implementado em Angola numa situação em que as armas ainda se faziam ouvir.
Um Governo de Unidade Nacional também já havia sido proposto por algumas chancelarias ocidentais logo após a assinatura do AGP.
Havendo espaço para acordos mínimos quanto a participação nas eleições de todos os partidos políticos seriam criadas as condições para a continuação do processo politico nacional. A dúvida que paira no ar é se isso é realmente o que querem os que agora se encontram sentados discutindo.
É momento de envolvimento de todos s moçambicanos. Há que unir esforços e ideias para a manutenção da paz.
Aos parceiros externos representados por suas embaixadas em Maputo o apelo é que no mais estrito respeito pelas normas que regem as relações entre governos se empenhem na busca de soluções para um problema ou problemas que ajudaram a criar.
Qualquer descarrilamento do processo politico moçambicano terá consequências graves e de longo prazo.
Ninguém quer em seu prefeito juízo e responsabilidade ver nascer outro M23 em Moçambique.   
Há tempo e espaço para se encontrarem linhas de comunicação fortes e consistentes com a vontade nacional de paz, estabilidade e desenvolvimento.
Afastemos a guerra do nosso horizonte visual através de acções promotoras da confiança nacional.
Aqueles que acreditam numa vitória fácil e rápida em provável guerra no país estão redondamente enganados como se verificou na guerra civil anterior. Seria uma loucura que os moçambicanos permitissem que mentes perturbadas por anseios e ambições exacerbadas empurrassem seus compatriotas para a confrontação violenta de pois de experiencias tão amargas…
Os moçambicanos estão atentos e saberão julgar os culpados de qualquer derrapagem…
Esperamos que os negociadores se dispam de toda a presunção e discutam com a responsabilidade que recai sobre eles.
Quem tem a oportunidade de fazer a diferença e descarta só pode estar movido por uma agenda sinistra e lesa-pátria …. (Noé Nhantumbo)

Sunday, 12 May 2013

Mensagem por Ocasiao do Dia Mundial do Enfermeiro


 


CONSELHO MUNICIPAL
MUNICÍPIO DE QUELIMANE
PRESIDENTE



Mensagem por Ocasiao do Dia Mundial do Enfermeiro



Venerados Munícipes,
Prezadas Enfermeiras e Enfermeiros,
Minhas senhoras e meus senhores,

Celebramos hoje, 12 de Maio, o dia do Enfermeiro. Esta data surge em celebracao da vida e obra de Florence Nightingale, uma referencia mundial na enfermagem moderna e que viu a luz do dia a 12 de Maio de 1820.
De facto, a historia da Enfermagem nao estaria completa sem a mencao desta Grande Mulher, que ficou imortalizada devido a sua entrega a causa da Enfermagem bem como ao papel de pioneira e fundadora da primeira escola de enfermagem, no Saint Thomas Hospital, Inglaterra.
Florence Nightingale, tambem conhecida como a Dama da Lampada, cognome ganho durante a Guerra da Crimeia, era dotada de uma capacidade intelectual, tenacidade, perseveranca e integridade invejavel.
Para alem destes dotes, Florence era uma diplomata e negociadora sem par, o que lhe permitia operar e salvar vidas em varias frentes. O dominio de varias linguas, tais como o Ingles, frances, alemao, italianom grego e latim facilitou a insercao, a devocao e o brio professional desta mulher pioneira tendo desempenhado as suas actividades em varios paises desde a Italia, Egipto, Alemanha bem como na Guerra da Crimeia.
 Em 1856, em reconhecimento do seu trabalho, devocao e abnegacao a causa da enfermagem, Florence recebe um premio monetario do governo inglês, o que lhe permitiu abrir à Primeira Escola de Enfermagem, fundada no Hospital Saint Thomas, em 1859.
Caros compatriotas,
Irmas e irmaos Enfermeiros,

A Enfermagem e uma profissao milenar das mais respeitadas no mundo inteiro. Alguns escritos biblicos, como o Velho Testamento ja mencionavam a existencia desta profissao. O Enfermeiro para alem de cuidar, proteger e nutrir os doentes, sejam eles criancas, jovens, adultos, idosos, deficientes, tambem vela pelo bem estar do ser humano e da sociedade.
 A enfermagem surge e foi vista ate aos seculos V e VIII como uma pratica leiga, desenvolvida por religiosos. Em algumas regioes a enfermagem era considerada como uma pratica associada ao trabalho feminino e por isso indigna e sem atractivos para uma parte consideravel da sociedade.
Entretanto a partir do seculo XVI, a Enfermagem comeca a ser vista como uma actividade profissional institucionalizada e no seculo XIX na Inglaterra assume o estatuto de profissao moderna. Nos EUA, a ANA (American Nurses Association) define a enfermagem como "uma ciência e uma arte, levando em consideração que o objetivo principal do trabalho é o de cuidar dos problemas reais de saúde, por meio de acções interdependentes com suporte técnico –científico, bem como reconhecer o papel significativo do enfermeiro de educar para saúde, ter habilidades em prever doenças e o cuidado individual e único do paciente".
Irmas e irmaos Enfermeiros,
Celebramos esta data no nosso pais numa altura em que nos debatemos com problemas graves no nosso sistema de saude. Ha bem pouco tempo assistimos a greve dos medicos e soubemos da inquietacao dos enfermeiros que lutam dia e noite para salvar vidas apesar das precarias condicoes em que desempenham a vossa missao. Temos tambem acompanhadoa ‘greve silenciosa’ de muitos irmaos nossos que encontram no paciente o depositario da injustice salarial e das precarias condicoes de trabalho. Assistimos no nosso hospital provincial (por ser hospital de referencia) a deposicao especialmente as sextas feiras de dezenas senao centenas de compatriotas nossos provenientes varios pontos da nossa provincial colocado as parcas infrastruturas mas tambem o corpo de enfermeiros, medicos e outro pessoal tecnico a uma pressao sem limites. Nao e por acaso que o nosso hospital provincial recebeu o cognome de ”Casa mortuaria”
O quadro em termos de saude que paira no nosso pais, na provincia e na nossa autarquia quando estamos a dois anos do prazo dado pelos MDGs e deveras preocupante. De facto os indices que as estatisticas nos apresentam deixam a qualquer ser humano no minimo com preocupacao senao comiseracao!  Dados em nosso poder mostram que a nossa provincia e quica Cidade, apresentam os piores indices (em muitos indices estamos entre os tres ultimosno pais), senao vejamos.
A taxa bruta de mortalidade por mil na nossa provincia em 2012 e de 13,8 sendo a terceira pior depois de Manica e Cabo Delgado. O racio camas por 10.000 habitantes (2010) e de 0,54, enquanto que o racio populacao por pessoal de saude com formacao superior (2010) e de 35704 (a pior do pais). Ao que se refere as taxas de mortalidade os indices sao ainda mais assustadores: (1) mortalidade infantil 89,2 por mil nados vivos (a terceira pior do pais depois de Manica e Gaza), (2) mortalidade neonatal 60,1, (3) mortalidade pos neo natal 87,0, (4) mortalidade infantil 147, (5) mortalidade Juvenil 68,1,  (6) mortalidade infanto juvenil 205,2. Ou por outra em cada mil criancas que nascem, 205 morrem antes de atingir a juventude, um numero simplesmente assustador.
Estes dados fazem sentido se olharmos para os racios referentes a distribuicao de medicos, enfermeiros e pessoam com formacao superior: (1) Distribuicao de Medicos por 10.000 habitantes (2010) e a pior do pais 0,54, (2) Distribuicao de Enfermeiros por 10.000 habitantes e de 2,13.
Caros Municipes,
Prezadas e respeitadas irmas enfermeiras e irmaos enfermeiros
Cabe a cada um de nos, tudo fazer para mudar este cenario. Nos ao nivel do Municipio de Quelimane faremos o impossivel para que se cumpra o estatuido no Decreto 33, 2006,que inter alia reza que a ‘Saude Primaria devera ser gerida pelas autoridades autarquicas dentro da area da sua jurisdicao’.
Com esta reflexao pensamos nos termos contribuido para a valorizacao da profissao do ENFERMEIRO, na esperanca de que juntos possamos transformar esta nobre profissao numa devocao no espirito da Florence.
Parabens irmas e irmaos.
Saude para todos,

Manuel de Araujo
Presidente  

Wednesday, 20 March 2013

Comunicado: deixou-nos o Dr Mussa Rodrigues!

Condolências á família do músico Dr. Mussa Rodrigues.

Em nome do Conselho Municipal, dos Munícipes de Quelimane, da minha família, e em meu nome pessoal, endereço as minhas mais sentidas condolências, à família do músico e compositor Mussa Rodrigues, ocorrido na madrugada do dia 19 de Março de 2013na sua residência, nesta cidade.
Neste momento de dor, solidarizamo-nos com a família, amigos e todos que directa ou indirectamente, estavam ligados a esta figura, através de suas canções tocantes, por espelharem a nossa realidade social.
O Dr. Mussa Rodrigues foi e continuará a ser aquele homem que jamais o esqueceremos pelos seus feitos, pela sua sagacidade e paixão pela música que influenciaram aos músicos da nova geração a aderirem aos ritmos tradicionais que são a nossa identidade.
Hoje a nossa música, a nossa cultura, a nossa cidade e quiçá o nosso país está de luto por esta perda irreparável, porque jamais teremos nos nossos palcos a presença do mais conceituado músico zambeziano, que conquistou os fãs do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico, quando brindou a todos nós com “Nós somos cantores.”
Dr, Mussa Rodrigues, hoje partes deixando um grande vazio entre nós; mas faremos das tuas canções a nossa eterna fonte de inspiração.
Estou ciente que neste momento de dor, de tristeza e de luto, precisamos de unir forças, para ultrapassar o peso que nos vai na alma e orar a Deus para que ilumine a esta família que hoje derrama um pranto que será indelével na história de todos nós.
Amigo, nos momentos mais difíceis era em ti que buscávamos as forças, nas horas de incerteza, era nas tuas melodias que nos inspirávamos e retemperávamos as nossas energias para o combate.
Juntos lutamos para libertar a nossa terra e juntos continuaremos a ser “cantores moçambicanos da província da Zambézia”. Até sempre amigo!
Quando naquela manhã ardente de 04 de Março te disse ate já, nada adivinhava que aquela seria a última vez que nos disseste com ternura. “Gostaria de ter um dia inteiro consigo, como fiz com Pio Matos.” Não sabia que já sabias que não seria possível. Que aquele seria o nosso último e derradeiro encontro, a nossa última despedida, o nosso último adeus. Descanse em paz amigo! Faremos das tuas músicas o nosso hino guerreiro, a poção mágica no combate pela dignificação da nossa terra! Amigo Dr. Mussa Rodrigues obrigado por tudo.
Ficaremos eternamente endividados pela contribuição que deste a nossa musica, a nossa cultura e ao nosso povo!
Paz a sua Alma!
Quelimane, aos 19 de Março de 2013
O PRESIDENTE

Manuel A. A. L. de Araújo

Monday, 21 January 2013

Kangamba: o Criminoso Candidato do MPLA

Por , julho 13, 2012 · Comments (13)
Durante o acto de homenagem e apresentação da candidatura do presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, a 23 de Junho passado, no estádio 11 de Novembro, poucos perceberam a sombra e o verdadeiro poder de um outro dos Santos.
No palco montado no exterior do estádio, onde desfilavam conceituados cantores angolanos e onde o Presidente deveria ter falado às multidões, outro nome adornava o cenário, em dois grandes cartazes junto ao palco: o do controverso empresário Bento Kangamba, de seu nome próprio Bento dos Santos, de 47anos.
Aquele acto foi, afinal, mais um golpe magistral de campanha pessoal do auto-denominado empresário da juventude e presidente do Kabuscorp F.C., que concorre ao cargo de deputado nas eleições previstas para o próximo dia 31 de Agosto. O referido candidato é o secretário do comité provincial de Luanda do MPLA para organização e mobilização periférica e rural de Luanda.
Como Bento Kangamba adquiriu tanto poder para, inclusive, usar um acto destinado ao Presidente José Eduardo dos Santos, um obreiro do culto de personalidade, para sua auto-promoção? Esta questão conduz a uma outra mais preocupante e de gravidade nacional. Como um indivíduo condenado pela justiça, com cadastro criminal, pode concorrer ao cargo de deputado?
A presente investigação traz a lume o extraordinário percurso de Bento Kangamba, para quem a lei e as instituições do Estado, incluindo a presidência, sujeitam-se à sua colorida e sinistra personalidade.
A Lei e os Crimes
A Constituição angolana, promulgada pelo Presidente José Eduardo dos Santos, a 21 de Janeiro de 2010, estabelece, como inelegíveis a deputados, dentre outros, os cidadãos “que tenham sido condenados com pena de prisão superior a dois anos” (Art. 145º, nº 1, e).
A 27 de Outubro de 2000, o Tribunal Supremo Militar condenou o então brigadeiro na reserva, Bento dos Santos, mais conhecido por Bento Kangamba, a uma pena única de dois anos e oito meses de prisão maior, por cúmulo jurídico, como autor de crime de conduta indecorosa, burla por defraudação e dois crimes de falsificação de documentos. O empresário foi ainda condenado a pagar uma indemnização no valor de US $427,531 à empresa portuguesa Filapor – Comércio Internacional Lda, com sede em Portugal, que foi vítima de burla.
O caso remonta a Março de 1996, quando o então coronel das Forças Armadas Angolanas (FAA) e logístico da 16ª Agrupação do Comando Operacional do Cuango, Bento dos Santos, fraudulentamente importou à Filapor, mercadoria no valor de US $267,532 em nome da Direcção da Logística do Estado-Maior do Exército. Na realidade, conforme o Acórdão do Tribunal Supremo Militar, os contentores de “óleo alimentar, atum, sardinha, frigoríficos, mobiliário diverso, colchões e equipamento desportivo” destinavam-se à candonga. “Todas as mercadorias foram recebidas por Bento dos Santos “Kangamba”, comercializadas por si, em proveito próprio, nos mercados informais da cidade de Luanda e em localidades das províncias da Lunda-Norte, Lunda-Sul e Moxico, não efectuando o pagamento devido à empresa do seu fornecedor ou seus sócios em Luanda”, lê-se no Acórdão.
Sobre a condenação e a atitude do condenado em não pagar a indemnização, o então ministro da Defesa, general Kundy Paihama, escreveu, a 17 de Dezembro de 2001, ao então secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal, Luís Amado. “Expresso o meu sentimento de reprovação pela prática criminosa do réu supracitado cujo comportamento mereceu condenação do Supremo Tribunal Militar (…).” O ministro sugeriu os passos legais para o ressarcimento da dívida ao empresário Manuel Lapas, sócio-gerente da Filapor, a quem Bento dos Santos, ou simplesmente Bento Kangamba, havia enganado com documentos falsos que lhe conferiam poderes para negociar em nome da Direcção Logística do Estado-Maior do Exército.
No ano seguinte, a 19 de Junho de 2002, o Tribunal Supremo condenou Bento Kangamba à pena de quatro anos de prisão maior, por crime de burla por defraudação, bem como ao pagamento de uma indemnização de US $75 mil às empresas Nutritiva e Lokali.
Por sua vez, a 7 de Maio de 2012 , um tribunal de Sintra, Portugal, ordenou a penhora de bens detidos por Bento dos Santos, o Kangamba, nesse país europeu, para a execução da dívida de mais de um milhão de euros que este deve a Manuel Lapas. Entre os bens penhorados constam um apartamento de Bento Kangamba na freguesia de Oeiras, duas viaturas de luxo Mercedes-Benz e seis contas bancários no Millenium e Banco Espírito Santo, com um valor irrisório e total de €15,035.
Ironicamente, o auto-proclamado empresário da juventude é, em Lisboa, um simples assalariado da firma Lapigema – Lapidação e Comércio de Gemas, Lda, sedeada no Estoril. Com a categoria profissional de prospector de compras, o general Bento dos Santos aufere, em Portugal, um salário mensal de €485. Por se tratar de um valor correspondente ao salário mínimo nacional, em Portugal, a sua entidade patronal, Lapigema, declarou, a 17 de Maio passado, que o referido salário é “impenhorável”, excusando-se, desse modo, de executar a Ordem Nº. PE/333/2012, do Processo 11249/12.3TSNT, sobre a revisão do Acórdão do Tribunal Supremo Militar de Angola que condenou o antigo logístico. Para o efeito, a empresa confirmou o pagamento, a Bento Kangamba, do salário correspondente ao mês de Abril, tendo anexado o recibo de remunerações em carta dirigida ao executor da penhora.
Certamente, a ligação do candidato a deputado do MPLA, Bento Kangamba, à Lapigema será alvo de diligente investigação, noutra ocasião.
Em entrevista recente à Rádio Ecclésia, Bento Kangamba justificou a sua prisão, em termos pouco compreensíveis, como uma invenção de pessoas invejosas. “Fui preso porquê? Porque em 97-96, eu dei a cara como pessoa que tem dinheiro, para defender a greve dos professores e da educação. E as pessoas mais invejosos da vida, que não gostam de defender a vida das populações.”
Como Bento Kangamba tem conseguido pisotear a lei? Na entrevista à Rádio Ecclésia foi peremptório: “Neste país eu sou mais do que ministro!”
Na sequência da condenação, pelo Tribunal Supremo Militar, em 2000, o MPLA expulsou Bento Kangamba do seu comité central e da suas fileiras. No entanto, em 2009, o MPLA readmitiu no seu comité central, mais uma vez, o militante que havia saneado por práticas criminosas.
Em 2010, Bento Kangamba passou a fazer parte da família presidencial ao desposar Avelina Escórcio dos Santos, filha de Avelino dos Santos, o irmão mais velho de José Eduardo dos Santos. O chefe de Estado brindou a cerimónia de alembamento com a sua presença. Para padrinho, Kangamba escolheu uma figura do círculo presidencial, o general Higino Carneiro, membro do Bureau Político do MPLA e chefe-adjunto da sua bancada parlamentar.
José Eduardo dos Santos, na qualidade de comandante-em-chefe das FAA, promoveu, em Abril passado, Bento Kangamba ao grau militar de general de três estrelas. Apesar de ter passado à reforma, antes da condenação em 2000, este membro do Comité Central do MPLA tem vindo a ser promovido, no exército, sem justificação aparente.
O Braço Longo do Regime
A 7 de Março, passado, o vice-presidente do clube de futebol do general Kangamba, Raúl Mendonça, dirigiu pessoalmente um grupo de milícias que raptou, junto a uma estação móvel da Polícia Nacional no Cazenga, em Luanda, os jovens Mário Domingos e Kimbamba. Estes têm organizado manifestações exigindo a demissão do Presidente José Eduardo dos Santos.
“Eu agarrei-me a uma barra da estação móvel da polícia e os atacantes deram-nos choques eléctricos, espancaram-nos e tiraram-nos os telemóveis e os documentos em frente aos agentes da polícia, que apenas assistiram sem fazer nada”, disse Mário Domingos.
As vítimas foram em seguidas apresentadas a Raúl Mendonça, vice-presidente do Kabuscorp F.C. “O Sr. Raúl prometeu-nos dinheiro para pararmos de organizar manifestações contra o Presidente José Eduardo dos Santos”, explicou Mário Domingos.
O general Bento Kangamba tem sido acusado, em várias ocasiões, de estar por detrás das milícias pró-dos Santos que têm perseguido os líderes do movimento contestatário com violentos ataques e raptos. A 4 de Junho o general Kangamba negou, em declarações à Rádio Ecclésia, qualquer envolvimento com as milícias. “Fui promovido a general de três estrelas para comandar milícias? Isto é falta de respeito. É inveja”, disse.
No entanto, Mário Domingos e Kimbamba presenciaram quando Raúl Mendonça deu ordens ao seus capangas. “Ele disse que nós éramos indivíduos teimosos, que queríamos ser heróis e morrer pelo povo. Então ele disse aos homens dele que se livrassem de nós.” Os atacantes levaram as víctimas para um aterro.
Mário Domingos disse ainda: “Naquele local fomos torturados com choques eléctricos e pancadaria. Mas à volta havia pessoas que ouviram os nossos gritos e vieram ver o que se passava. Eles levaram-nos para os carros outra vez e levaram-nos para um outro aterro, mais deserto, onde continuaram a torturar-nos, mas também ali haviam pessoas que nos ouviram gritar”.
A Inelegibilidade do Candidato
Como pode o Tribunal Constitucional, que foi minucioso na recusa de candidaturas da oposição, ao ponto de remeter alguns processos para investigação criminal, ter permitido a candidatura de Bento Kangamba, que ocupa o 60º lugar na lista do MPLA? Que certidão de registo criminal terá Bento Kangamba apresentado ao Tribunal Constitucional?
Poderia ser invocado o argumento de uma amnistia, uma vez que o Presidente José Eduardo dos Santos, desde 2000, decretou várias. Todavia, afasta-se essa possibilidade, até porque o condenado cumpriu pena na Comarca de Luanda e a sentença continua a ser executada, ora em Portugal. O próprio Tribunal Supremo Militar justifica, no Acórdão referente ao caso, que as amnistias declaradas para os crimes militares não se aplicam aos crimes de burla por se tratarem, estes, de crimes comuns e, para o efeito, cita o disposto no Artº 49º da Lei sobre os Crimes Militares (Lei 4/94). O referido artigo estabelece que “os crimes de corrupção, roubo, furto, peculato, abuso de confiança e burla, previstos na lei penal comum quando praticados por militares, serão punidos com as penas previstas na mesma lei, agravadas de um terço.” Assinaram o Acórdão, os juízes e oficiais generais António dos Santos Neto, Augusto da Costa Carneiro e Adolfo Aníbal Rasoilo. O primeiro exerce actualmente o cargo de juiz-presidente do Tribunal Supremo Militar, o segundo serve como juíz do Tribunal Supremo.
As decisões do presidente do MPLA e da República, José Eduardo dos Santos, têm demonstrado a sua falta de respeito para com a legislação em vigor, por si próprio promulgada e de acordo com a sua vontade política. A submissão da candidatura de Bento Kangamba é apenas mais uma das suas arbitrariedades.
Será que o Tribunal Constitucional, ao menos, terá coragem e dignidade suficiente para se pronunciar publicamente sobre o caso? Ou serve apenas para excluir os malquistos da oposição?

Wednesday, 16 January 2013

"Eu matei Samora"

 * Eu matei SAMORA...???*

 "Eu matei Samora"
 Maria Pons, correspondente em Joanesburgo Um ex-agente dos serviços
 secretos militares do antigo regime
 sul-africano do «apartheid» assumiu publicamente ter estado envolvido na
 morte de Machel. Numa entrevista exclusiva publicada pelo semanário
 «Sowetan Sunday World», o ex-agente afirmou que participou nos planos que
 causaram a morte, em Outubro de 1986, num desastre de avião, ao antigo
 Presidente moçambicano, Samora Machel, bem como a outras 33 pessoas. Hans
 Louw, um assassino profissional ao serviço do Civil Cooperation Bureau
 (CCB), um departamento de operações especiais daqueles serviços secretos,
 concedeu a entrevista na prisão, onde se encontra desde 1997, a cumprir uma
 pena de 22 anos, por ter morto um membro da mafia grega. Ele e um outro
 agente são acusados de outros seis homicídios e 70 tentativas de homicídio.
 Louw afirma que a morte de Machel não resultou de um acidente e que não foi
 por acaso que o avião em que este seguia, um Tupolev de fabrico soviético
 vindo de Lusaca (Zâmbia) em direcção a Maputo, caiu nas colinas em Mbuzini,
 perto da fronteira sul-africana com
 Moçambique.



 "Eu fazia parte da equipa de reserva, armada com mísseis terra-ar, que
 seriam utilizados caso o primeiro plano falhasse", disse Louw, que afirma
 ter também colaborado nos relatórios e trâmites burocráticos da morte de
 Machel. Segundo o ex-agente, havia um plano A, que devia desviar o Tupolev
 da sua rota por meio da emissão de falsos sinais de rádio, o que
 efectivamente aconteceu. Crente de que estava a baixar em direcção a
 Maputo, o piloto russo conduziu, de facto, o avião para território
 sul-africano, onde acabou por despenhar-se nas montanhas de
 Lebombo, na região de Mbuzini.



 Louw acusa os serviços secretos militares do regime do «apartheid», a que
 pertencia na época, de terem emitido os falsos sinais. O mesmo método,
 denunciou Louw, teria depois servido para abater um avião militar angolano
 em 1989. Em 1987, uma comissão de investigação sul-africana declarou que o
 desastre se devia a um erro do piloto, que também morreu no desastre.
 Depois do fim do «apartheid», também a Comissão para a Verdade e
 Reconciliação
 investigou o desastre, mas não publicou os resultados. Nessa altura,
 apurou-se que a causa do acidente foi, efectivamente, a emissão de falsos
 sinais.



 A pedido de Graça Machel e Nelson Mandela, a morte de Samora Machel está
 agora a ser investigada pela equipa especial de investigações «The
 Scorpions». Louw confessou ainda que no princípio dos anos 90 distribuiu
 armas
 para semear violência nos comboios interurbanos no Rand oriental próximo
 de Joanesburgo, com armas provenientes de Moçambique. Depois de se demitir
 das forças especiais, foi mercenário em Angola e na Serra Leoa com a
 empresa sul-africana Executive Outcomes, oficialmente dissolvida em 1998,
 mas que continua a actuar sob outros nomes.


 E disse que estava arrependido do seu "passado sangrento" e que, por isso,
 queria "pôr tudo em pratos limpos". As suas revelações são apenas a ponta
 do icebergue.

Tuesday, 15 January 2013

Suponho que o meu amigo Eduardo nao se importa se eu publicar este texto! Um abraco, MA



AS COISAS QUE EU GOSTARIA QUE O GOVERNO OUVISSE
POR Eduardo White

Tenho que ser homem todos os dias e poeta quando escrevo. Apesar de me pesar o primeiro, dói-me mais o segundo. Hoje é segunda-feira e a vida me chama e duras batalhas me esperam para que as enfrente. Suo, já, de percebê-las tão vivificadas, tão bem nutridas, tão prontas para me fazerem frente. Eu venho débil da poesia e o poeta, cuja insónia tanto me prejudica, nem percebe que necessito de descanso, que preciso desse repouso tão necessário às lutas que hoje pressinto travarei. Escreve desalmadamente como se  fossem todas as palavras esgotarem-se, todos os versos abandoná-lo. Chamo por ele mas nem disso se apercebe. Tenho o corpo cansado, os olhos avermelhados, a cabeça gasta de tanto tê-la emprestada. Entre a correria dos poemas que dele transcrevo, passam-me, tempestivas, as imagens do que tenho por realizar mais daqui a bocado, do que tenho que exercer para comprar cigarros e livros e as coisas necessárias para que a casa seja uma casa e nela possamos habitar-nos. Por outro lado, existe o amor que amamos. A mulher que nos mantém a amizade e nos suporta os maus humores, a desarrumação que fazemos, a preguiça que mostramos para os trabalhos domésticos dos quais nos abstemos. A mulher que amamos é o amor de que não nos furtamos, é essa energia que não pagamos, é esse equilíbrio que tanto necessitamos. Por isso, digo-lhe repetidamente:
Deixa que eu descanse para que possa ganhar o almoço, os livros, o tabaco, o whisky, as flores que temos para oferecer. E ele não me ouve e, por isso, eu bem gostaria de viver à custa dele. Todavia, é de todo impossível essa realidade. Bem que tentámos, mas são tão ruins os versos e são tão poucos os que ainda se leem que logo, logo, desistimos.
Vou eu trabalhar? Pergunto-lhe.
Vai tu, diz-me ele daquele seu ar altivo e daquela pobreza visível que não se lhe esconde. E eu olho-o só, olho-o só porque mais não tenho o que lhe dizer e porque, cá em casa, também, é o único facto que nos resta assim tão encantado. É um bom homem, este nosso poeta. E' um pouco desequilibrado, diga-se a verdade, no entanto, é também o nosso amor que me pede para que o deixe ficar, embora lhe pese a idade e o cansaço de não ter pensado naquilo. Este poeta é uma sombra que me persegue, é uma cruz que carrego. Ama quem amo, vive por mim alimentado e ainda lhe registo os filhos que procria na minha cama. Estou cansado. Verdadeiramente cansado. Não dele, que ele é um facto, mas das coisas que escreve, das horas que me rouba e, sobretudo, desse seu modo tresloucado. Não posso dizer basta. Não tento e nem por tentativa ouso. O amor necessita dele, o amor no seu todo, e se o poeta parte, esse infiel escrevinhador embriagado, a vida, aqui, não terá sentido, não será esse fardo que eu e o amor carregamos e que nos faz viver embora seja tão pesado.
Apesar de tudo, hoje o País que parece infeliz, acordou bonito e brilhante e a cheirar a maresia que o mar lhe traz. Olho-o da janela da flat aonde moro, da mesma janela aonde tanta vezes o choro e o celebro e o beijo e há uma luminosidade impregnante em tudo, até nos dois bêbedos que passam a caminho de casa, ou não ou talvez. Mas vão de mãos dadas e cambaleantes e há nisso uma certeza cumpliciada, a de serem felizes, assim, a de estarem tristes se for tal razão esse outro modo de se verem. Vão pela avenida cinzenta e molhada, deserta de muita gente mas habitada de tudo, dos pardais que nela debicam os restos do lixo, das flores sem nome mais abertas ao orvalho e à frescura que sopra como se Deus tivesse a boca aqui. E vão indissimuláveis, cantando, enquanto às janelas dois pais infelizes os invejam a liberdade e a coragem. Vão estonteantemente andando, presos a essa ébria amizade na qual a manhã os casa. Hoje e' um dia que até eu que não gosto e estou com a alegria à mesa embora me pese aqueles meninos na rua ao lado, esses filhos da falsa burguesia cujo destino seria a miséria mas o Pais não quis, que o sujam com a sua arrogância e com o pó que os seus carros levantam nos peões que dão e que a soruma faz. Estou com a alegria à mesa, dizia, e com ela converso e troco carinhos, porque, decerto, o dia terá um encanto mágico mesmo que alguns médicos que sempre estiveram em greve, no meu Pais, na ética a que faltam, na arrogância branca das suas batas, o demonstrem agora mais nitidamente e não se importem com os doentes que morrem, com as crianças que não terão direito a exercer os homens que serão amanhã, porque a greve é que está com saúde e elas não, como sempre, porque nunca a tiveram, mas o dia é mágico, torno a dizer, e é um dia bonito. Especial, hoje, porque não sei bem porquê, ou saberei mas ainda não percebi. Um dia que espero o amor prevaleça em tudo que ele tocar e seja dito e seja feito e seja exercido como se o País se fosse renovar, nas maternidades, nas fábricas que não param, nas padarias, nos transportes públicos, nos restaurantes, nas barracas, nas igrejas, nos cinemas, em todos aqueles lugares onde hajam homens e mulheres para quem este dia é um dia de trabalho e nós podemos passá-lo felizes e sem, injustamente, os lembrar. Bom dia a esses amigos e cidadãos e compatriotas, obrigado por esse dia fluminoso e obrigado a vocês, aí, e que hoje vos brilhe a alma como brilhara', certamente, o dia.
Por é m, há coisas que eu gostaria o Governo ouvisse. Acabei de escrever um texto sobre o que pensava iria ser, para nós,  o ano em que agora entramos face aos acontecimentos que se estão a dar. Um deles é este marketing todo que as estruturas governamentais estão a fazer, desde há um tempo a esta parte, sobre as riquezas que estão a ser descobertas no País, que toda a gente, de um modo ou de outro, sabia e sabe que há, mas não tinha a confirmação de um pronunciamento oficial. De forma que, agora, toda a gente tem talheres para o banquete e a mesa nem ainda esta' arrumada e nem o boi morto e já se começa a partilhar o que há e efectivamente não existe. Por outro lado, a riqueza que há e não é partilhável e que se ostenta por aí a torto e a direito, aos olhos de um Povo que o Poder pensa ter problemas de uma cegueira em avançado grau de progressividade, e que, em face disso, pouca importância dá ao que os menininhos nomeados para os cargos de alta direcção persistem em fazer, essas orgias de ostentação, essas falácias todas das suas argumentações quando tem que se justificar sobre o que fazem mal, está a levar o País para um estado de dilatação muito pouco saudável. Se há riqueza por explorar e o que se precisa é de trabalho para a trazer ao benefício social, também há a que já há e não é correctamente partilhada. Se não se redistribui o que se tem com equidade, certamente não se redistribuirá o que vai haver. E se uns usufruem dela, não é salutar que a maioria não comparticipe dos benefícios que ela da' e traz a essa pequena maioria que não se cansa de se mostrar sem pudor nenhum. Necessário é, quanto antes, que o Poder se administre de bom senso, se fortaleça de justiça e competência para que pare e se redefina nas suas linhas de orientação quanto à saúde do Pais, no seu todo. Cada vez mais nos abeiramos de uma violenta convulsão social, com resultados muito feios, e os meninos tecnocratas que abundam nas direcções dos Ministérios e enchem a língua do Povo com as suas histórias rocambolescas de excessos e excentricidades, deveriam pensar mais no futuro do que se masturbarem como se masturbam com as regalias que o presente lhes dá. Pelos vistos, e se eles pensarem bem, com tão poucos aviões que a LAM tem, caso haja a porcaria que estão a provocar, com a sua indiferença e arrogância, não lhes restarão lugares em avião nenhum que os salve por via aérea. E, deste modo, como estão distraídos a partilharem e a partilharem-se, nem repararam que por mar, então, só mesmo a nado é que se safariam se soubessem nadar, porque nem barcos se lembraram de comprar em todos estes anos. E o que parece, aqui, neste texto, uma brincadeira, pode tornar-se, de repente, numa realidade gritantemente assustadora. Já é tempo de se mexerem e darem-se ao trabalho de trabalhar ao invés de estarem sempre a lêr e a transcrever os mesmos relatórios que se escrevem há anos para nos dizerem o que já ouvimos, também, faz anos. E nem nisso são originais, esses senhores. Reflictam, analisem e ajam. O que precisamos é de um governo que aja de imediato antes que faça o Povo por ele. E aí, a coisa não me parece que venha a ter os resultados que teriam se fossem eles a faze-lo. Um barril de pólvora a pulsar desta maneira, como o é o nosso País, é passível de um estrondoso e explosivo acidente “cardiovascular”. E, por falar nisso, os médicos já estão na sua greve. E depois  temos quem? Os enfermeiros? Os estudantes? Os funcionários públicos? Bom, nem quero arriscar a dar palpites que me arrepio todo. Ponham-se a suar, por favor, e a fazer o que devem fazer a bem da Nação e do Povo. Este País merece um Futuro melhor, mas melhor para todos e não só para alguns.

Toma que te dou: Luísa Diogo exila-se em Washington ou Londres ou Polokwane


- Senhora Luísa Diogo, será verdade que vai abandonar Moçambique?
- Porquê? -
Diz-se, intramuros, nos cafés e nos corredores políticos, nacionais e internacionais, que a senhora está frustrada com a cúpula da Frelimo, em particular com o Presidente Armando Guebuza, que, segundo informações que temos, considera déspota.
- Não faz parte da minha formação usar adjectivos pessoais para classificar alguém, fui educada para respeitar os humanos independentemente da sua classe e porte e, por causa disso mesmo, nunca chamaria o Presidente Guebuza de déspota, jamais disse isso e nunca considerei que o Presidente Guebuza fosse um déspota.
- Mais vai exilar-se ou não?
- Onde? Gosto muito do meu país apesar de muitas injustiças que imperam por aqui. É muita pena, gostaria de dar o meu contributo a nível de outros patamares, mas há pessoas que se incomodam com aqueles que pensam verdadeiramente no povo, no desenvolvimento humano.
- Algumas figuras de peso na economia e política de Moçambique dizem que a senhora já falou em ir viver em Washington, Londres ou em Polokwane...
- Se um dia tiver que ir para um desses lugares ou para outro qualquer, não será, com certeza, pelo despotismo do Presidente Guebuza, mas, sim, por defesa dos meus princípios.
- Então, mesmo que não o queira explicitar, acaba por reconhecer, implicitamente, agora, nestas suas palavras, que Armando Guebuza é um déspota!
- Sabes de onde vem o vento?
- Não, não sei.
- Sabes para onde vai o vento quando sopra?
- Também não sei.
- Pois é! Eu sou como o vento, não sabes de onde venho, nem para onde vou, só ouves o meu ruído. Eu sou a árvore que nunca trepaste para arrancar o meu fruto e saboreá-lo.
- Não percebi nada destas palavras, senhora Luísa Diogo!
- É isso! O Presidente Guebuza também não percebeu a minha frontalidade.
- Tem pena dele?
- Tenho pena das mulheres deste país que são hasteadas nos anais políticos, sem saberem que o próprio Presidente saiu do ventre delas, e elas vão rebocadas, como sempre o foram.
Recebem mensagens dos políticos e repetem-nas em todos os lugares onde estão, sem inteligência, e vêm para aqui com fachos sem combustível próprio.
Eu recusei-me a ser uma bóia que espera, no mar, pelo abastecimento impingido, por isso estou aqui.
A minha mãe disse-me, ainda com o cordão no meu umbigo, que eu seria um candelabro. Ninguém me pode apagar, ninguém me vai apagar, aqueles que nascem do espírito jamais serão apagados.
- Qual é, para si, no nosso país, a mulher que será o protótipo das mulheres do amanhã?
- São todas as mulheres deste chão, desde o momento que elas recusem a manipulação.
- A Alice Mabota também é manipulada?
- Já te disse que a minha formação não me permite adjectivar pessoas.
- Mas o que é que a senhora acha da Alice Mabota?
- Nunca conversei com ela em privado, para percebê-la melhor, por vezes estamos em presença de algo que cintila, sem querer dizer que temos à nossa ilharga o ouro.
- Estará a dizer que a Alice Mabota só brilha?
- O que estou a dizer é que este país precisa de todas as mulheres, sem reboque. Elas têm de pensar e tomar decisões sobre o que querem.
Os políticos dizem uma coisa hoje e amanhã vamos perceber que o que eles disseram ontem não é o que estão a fazer hoje. Uma mulher tem de ter uma única palavra até ao fim. A mulher é a dona da Existência.
- O seu marido, o senhor Albano Silva, tem-lhe dado espaço para estender esta sabedoria que a senhora tem?
- Não sabia que eu era sábia.
- Só para terminar, vai-se exilar ou não? - Onde?
- Em Londres, ou em Washington ou em Polokwane!
- Eu não fui nascida para viver no exílio mas, se um dia isso tiver que acontecer, volto para Nhabulebule, em Tete, para sentir, de novo o cheiro do meu cordão umbilical que a minha mãe enterrou nas raízes da maior maçaniqueira que ainda hoje está lá.



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“Onde se cruzam os teus talentos com as necessidades do mundo, aí está a tua vocação”
Aristóteles

CARNAVAL @2013 na Cidade de Quelimane

Decorre de 02 a 08 de Fevereiro de 2013 aquele que e considerado como sendo o "Maior e Melhor Carnaval de Mocambique"!

Venha e participe nesta grande festa! Nao perca!