Thursday, 3 May 2012

Denuncia: Estudantes moçambicanos na universidade internacional de África Cartum






Os estudantes moçamabicanos na universidade acima citada, vêm por este meio apresentar a situação em que se encontram.

Antes porém, queremos dar a conhecer ao governo que nesta universidade encontra-se um número de quarenta e cinco estudantes moçambicanos, sendo trinta e sete homens e oito mulheres admitidos em diversas faculdades, nomeadamente: enginharia, ciências puras e aplicadas, Informática, Medicina, Economia, Letras, Educação e Direito. De salientar que a vinda dos estudantes a esta universidade ocorre atravez de um concurso(exames de admissao), por intermédio de algumas personalidade a citar:

Yussufo Fabula- cell- 827073520

Tayob da Silva cadango-cell- 824516760

Tembo Luís-cell- 823881430

Adamo-cell- 843405061

Estas entram em cordenação com a universidade para os referidos processos.

É de confessar que de facto carecemos de termos apropriados para descrever o estilo da nossa vida neste país em geral e nesta universidade em particular, pelas dificuldades em que nos encontramos afogados, queremos nos referir de problemas financeiros assim como sociais.

Quanto aos problemas financeiros, a situação é extremamente caótica, que reflecte na falta de fundos para pagamento de vistos de estadia, propinas, material escolar, material de higiene individual, seguro de saúde, e não deixando de lado a falta da variação alimentar, visto que os estudantes têm único tipo de alimentação de um de janeiro a trinta e um de Dezembro de cada ano, Arroz e um caril muito esquisito(batata doce e abobora).

Como filhos de pobres somos obrigados a fazer trabalhos domésticos nas residências dos nativos para arrecadar, um certo valor para suportar a vida, e isso é um grande risco para nós, uma vez que é proibido exercer qualquer tipo de trabalho neste país, como prova disso temos alguns colegas que foram processados pela polícia por terem sido encontrados a fazerem biscatos nos arredores da capital.

Quanto aos problemas socias, é de aproveitar esta oportunidade, informarmos ao governo que os estudantes dividem-se em dois grupos totalmente opostos. Um destes grupos é constituido por quinze(15) estudantes a citar: Chame Chimo Chande, Nuhi Selemane Mubipili, Mamudo Ibraimo Ussumane, Jamilo Atumane Atibo, Aquil Aly Eugénio Raibo, Uaido Atumane Salimo, Suale Mustafa Adamo, Magide Rachide Equada, Saide Momade, Saide Abdul Aziz Cadango, Abdul Razak Alaue, Aminudin Nordine tayob, Anissa Juma Aliasse, Sabira jose Inácio, Fátima Abudo Amade, estes defendem as acções incorrectas dos responsáveis pelo envio dos estudantes, devido as relações existentes entre eles, visto que alguns são irmãos, sobrinhos e outros foram estudantes deles e sairam das suas mãos para este país. Daí que qualquer estudante que tenta falar das acções incorrectas dos responsáveis, estes ficam em defesa dos mesmos.

E o outro grupo é formado por estudantes que nao teem nenhuma relação com os responsáveis e sempre tenta trabalhar no sentido de eliminar este tipo de anarquías, e é constituído por trinta(30) estudantes a citar: Abdul Latifo Teixeira da Silva, Abacar Munonia Usseine, Agida Issufo, Alcamate Daial Dossa, Amiro Manuel Marques, Antonio Pedro Romão, Assane Ali Age, Adelia Alberto Manhamanha, Baptista João Botoelas, Benedita Atulale Muhemed, Crimildo Constantino Biriate, Farhanah Mohammad Anifo, Geraldo Francisco Viano, Humberto Pedro Amade, Ismael Rema Mussaia, Iate Anafa Iate, Julio João da Costa, Magaia João Albino, Mahomed Abdul Mitipo, Martinho Antonio Mualeleiane, Massude Abdala Imamo, Nequeirão Jacinto Adriano, Nino Jose Daudo, Nuro Alfredo Abacar Raja, Ossufo Abranches, Ossifo Abdul Razak Mahomed, Ruquia Abdulai, Saide Assumane Natala, Saide Muchade Rachide, Scharmila Mamudo Abdul Jalilo.

para sermos directos, os responsáveis pelo envio dos estudantes, estão contra o bem estar deste segundo grupo, isto porque depois da chegada dos estudantes no Sudão, descobrem que não se beneficiam de nenhuma bolsa de estudo, ou seja o funcionamento da bolsa esta associado à muitas obscuridades e intransparências, sendo a única condição de adquiri-la, aceitar a enquadrar-se no grupo dos tais responsáveis, grupo este que desconhecemos os seus objectivos. Daí que nao temos a referida bolsa.

De salientar que os referidos responsáveis e o seu grupo teem relações fortes aqui no Sudão em particular dentro desta universidade em que nos encontramos, de tal maneira que não somos capazes de enfrenta-los, porem tentamos por varias vezes comunicar com eles para o solucionamento da situação e não houve nenhum efeito, e o mais incrivel, mostram superioridade e protagonizam grandes ameaças de modo a não falarmos a verdade, alegando que, qualquer tentativa de queixa não teremos certificados após a graduação frizou isso perante os estudantes um dos filiados de nome Mamudo Ibraimo Ussumane, depois duma reunião que tivemos com um dos responsaveis. Ainda Mamudo adiantou que os nomes dos estudantes que intreviram na reunião foram entregues a direcção da universidade e aos responsáveis em Moçambique,tudo isso por termos pedido ao tal responsável para velar a nossa situação .

Sendo que as nossas reclamações não são levadas em consideração, optamos em fazer chegar ao governo um pedido de ajuda para a resolução do problema, atravez de uma carta enviada para o ministério de Educação e ministério da justiça e para o Intituto Nacional de Bolsas de Estudo, que tivemos somente uma resposta do INBE da parte do senhor director-adjunto nacional do INBE ''Miguel Inácio'', onde constava um pedido urgente da lista nominal dos estudantes e a localização dos referidos responsáveis, os quais enviamos a tempo e hora.

Passado quase um mes enviamos um pedido de parecer, para as instituições onde direccionamos as nossas cartas, com a excepção do ministério da Educação, que ate então não tivemos nenhum parecer .

Este silêncio e falta de parecer aumenta-nos atristeza e concretiza as palavras proferidas perante os estudantes por um dos responsáveis de nome Yussufo Fabula dizendo: “...VOCES ...ACORDEM...ESTÃO ADORMECIDOS...E NÃO LAVEM A CARA PARA BAIXO , MAS SIM PARA CIMA, PARA PODEREM VERAFRENTE...QUEM É O GOVERNO? NÓS SOMOS O GOVERNO, SE FIZEREM A CARTA AO GOVERNO, A CARTA VEM A NÓS ...QUEM DO GOVERNO QUE VAI JULGAR-NOS ? EU SOU ADVOGADO, ESTOU EM CONDIÇÕES DE ME DEFENDER A QUALQUER HORA, E VOCES ?QUEM E O VOSSO ADVOGADO ? E COMO SE NAO BASTASSE SOIS POBRES E MEDROSOS, QUEM DE VOS ESTÁ CAPACITADO PARA FALAR COM GOVERNO ? VEREMOS QUEM SERA OUVIDO PERANTE O GOVERNO...” as palavras foram muitas e magoantes.

Devido a gravidade da situação em que nos encontramos, pedimos ao governo que interfira na resolução do caso, o mais rápido possível.

Discurso do Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Quelimane, Por Ocasião do 1° de Maio, Dia Internacional do Trabalhador


                                                              MUNICÍPIO DE QUELIMANE

                                                               CONSELHO MUNICIPAL




SENHORA SECRETARIA PERMANENTE DO GOVERNO DA PROVÍNCIA DA ZAMBÉZIA,

SENHORES MEMBROS DO GOVERNO PROVINCIAL,

SENHOR PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL,

SENHOR REPRESENTANTE DO ESTADO NA AUTARQUIA DE QUELIMANE,

SENHORES VEREADORES DO CONSELHO MUNICIPAL,

SENHORES LIDERES COMUNITARIOS, E RELIGIOSOS,

SENHORES EMPRESARIOS,

PREZADOS TRABALHADORES, COLEGAS,

CAROS MUNÍCIPES,

MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES,



Já é nossa tradição dar as boas vindas aos nossos hóspedes, confortando-os com o nosso calor de afabilidade, com a nossa modéstia e franca hospitalidade e com a nossa contagiante alegria.



Sejam bem vindos a esta grandiosa festa, Ilustríssimos Convidados, Caros Munícipes, Minhas Senhoras e Meus Senhores.

Celebramos hoje mais uma data de honra, uma data para os nossos mestres, nossos operários, nossos trabalhadores do campo e dos diversos sectores de trabalho.



Celebramos uma data em que lembramos os fazedores e contribuintes decisivos do desenvolvimento do nosso País e Província, em geral, e da nossa Cidade, em particular, O Trabalhador.



O Trabalhador é a força motriz quer dos processos de crescimento economico quer do desenvolvimento. Hoje, reafirmamos o perfil do Trabalhador como sendo aquele que faz acontecer o progresso e galvaniza a sua luta conjugando-a com os esforços pela criação da riqueza, condicao sine qua non para a promoção do crescimento e desenvolvimento económico e social da terra que nos viu nascer.



Desde a proclamacao da Independência Nacional, e mesmo durante o jugo colonial, o Trabalhador almejou pela sua libertação incondicional de certo tipo de patrões, na tentativa de ver-se livre da tirania e dos abusos que infligem. Ontem como hoje, registamos com alguma apreensao a existencia de certo patronato que insist na violacao sistematica os direitos mais elementares dos trabalhadores. Assistimos a trabalhadores que sao expulsos, pelo simples facto de estarem a gozar um dos direitos consagrados na nossa lei mae, a Constituicao da Republica. Alias, por ocasiao do lancamento da semana do trabalhador, a OTM – Central Sindical, anunciou que mais de uma dezena de trabalhadores perderam os seus postos de trabalho, por estarem a exigir os seus direitos!

Estas constatacoes tornam a luta sindical uma necessidade imperiosa fazendo com que os trabalhadores se organizem a todo o custo, para a defesa dos seus direitos.

Excelências

Caros Convidados,

Prezados Trabalhadores,

Estimados Municipes,

Minhas irmas e meus irmaos,

Quando olhamos à nossa volta, quando percorremos o nosso espaço municipal e olhamos pelo nosso parque industrial moribundo, quedamo-nos num presságio desolador, vendo cada vez mais distante a possibilidade do advento de um emprego mais digno, com um salário mais justo, numa paz e justiça laboral. Peço aos meus pais, mães, irmãos e irmãs que nunca percam a esperança de voltar a ver melhores dias, porque deste pedastal onde me colocram vislumbro com prazer um “Verdejante e prospero Quelimane”, um Quelimane, onde nenhum municipe ira a cama sem pelo menos uma codea de pao; um Quelimane, onde o emprgo deixara de ser apenas apanagio dos eleitos, um Quelimane onde os taxis de bicicletas serao objecto de turismo e nao de martirio de irmaos nossos que das quatro da manha ate as vinte da noite, pedalam ao sol e a chuva para que possam alimentar seus entes e queridos, um Quelimane onde voltarao a roncar as maquinas das fabricas Sococo, Favezal, Madal, INCALA, Companhias da, Madal, Companhia da Zambezia, Efripel, Pescanova, Aquapesca, e muito mais! Um Quelimane onde as criancas deixaram de se sentar no chao ou em chamadas ‘carteiras especiais’, que mais os deformam do que formam! Um Quelimane onde a educacao de qualidade, e a saude condigna nao requeram espendiosas viagens para a capital do pais! Um Quelimane ond o Chuabo, que ja foi o Hotel Polana das zonas Centro e Norte voltara a reluzir e a receber com a hospitabidade chuabo seus ilustres e globalizados visitantes.



Prezados Trabalhdores,

Caros Municipes,

“Sindicatos pelo Emprego Digno, Salário Justo, Paz e Justiça no Trabalho”, é o lema deste ano, mas nós trabalhadores, gostaríamos de ver as nossas carências debeladas e as nossas vidas mais facilitadas, pois sabemos que milhares de trabalhadores desta urbe continuam a espera de um emprego, quanto mais salário justo, paz e justiça no trabalho que ainda está por vir?!



A aposta no sector informal nos conduz a uma reflexão que poderá nos dar alguma tranquilidade, mas continuamos a envidar esforços com vista a encontrar outros espaços de maior empregabilidade urbana, peri-urbana e sub-urbana.



Queremos fazer de Quelimane, a capital do “Emprego Digno, do Salario Justo e da Paz e Justica Laboral! Foi para isso e por isso que a 7 de dezembro de 2012 os trabalhadores de Quelimane votaram deliberada e inequivocamente na MUDANCA e essa MUDANCA que nos representamos.



De facto, a 7 de Dezembro de 2011, vocês, trabalhadores residentes e ou com domicilio laborar neste município, entraram para a historia municipal, provincial, nacional, continental e ate mundial, ao terem decido dizer CHEGA, BASTA!

Agradeço-vos pela coragem! Agradeço-vos pela sabedoria! Agradeco-vos pelos ensinamentos que vos trabalhadores de Quelimane deram ao pais, ao continente e ao mundo - Vos trabalhadores de Quelimane sois os artífices, os PROFESORES DA DEMOCRACIA MUNICIPAL.



Por isso, sendo esta a primeira vez que celebramos o Primeiro de Maio num espirito de MUDANCA, permita-me que vos agradeca: DINOUTAMAALELANI.





Alias, não poderia ser de outra maneira, pois sois repositorios dos mais dignos sentimentos e accoes patrioticas . QUELIMANE E FRUTO DE UMA MISCEGENACAO MILENAR, dada a sua localização geográfica que lhe permitiu começar com o processo de globalização muito antes de outros povos.

Nao foi por acaso que Vasco Da Gama, na sua lendária viagem que o levou a descobrir o :Caminho Maritimo para a India” parou por esta terra e baptizou o rio que a bafeja de “Rio Dos Bons Sinais”! Em reconhecimento dos "Bons Sinais" que encontrou nesta terra e que outros "visistantes' recusam-se a reconhece-los! Nao e por acaso que o adagio popular afigura que 'Pior cego nao e quem nao ve, o pior cego e aquele que nao quer ver'!

Minhas senhoras e meus senhores,

Este e outros marcos da nossa historia provam que a globalização não e um fenômeno novo nesta praca indica! E mais uma prova de que Quelimane e (co)-mãe se não (co)-pai deste processo tão compexo como inovador que e a globalização!



Prezadas trabalhadoras,

Prezados trabalhadores,



Caros colegas



Hoje e o nosso dia! Sim nosso dia, porque somos todos trabalhadores! Somos trabalhadores desta pátria de Mondlane, de Samora, de Chissano, de Guebuza, de Simango, de Dhlakama, De Matsangaissa, e de Bonifacio Gruveta Massamba - nosso HEROI! Somos pois trabalhadores moçambicanos com direitos e deveres, com responsabilidades pela melhoria das condições de vida de cada um de nos e de todos nos. Somos todos trabalhadores - os patrões, os empregados, os taxistas, os vendedores de rua e todos aqueles que no seu dia a dia, lutam para trazer pão a sua casa e para os seus! Todos nos, mas cada um a sua maneira trabalhamos para melhorar a nossa vida, para melhorar a vida dos próximos e porque não para melhorar a vida do nosso municipio, da nossa privincia e do nosso pais.



Estimados munícipes,

Seria injusto celebrarmos O Primeiro de Maio, sob o signo “Sindicatos pelo Emprego Digno, Salario Justo, Paz e Justica no Trabalho” , sem olharmos para aquilo que acontece a nossa volta, pois so um emprego digno nosso e daqueles que nos rodeiam, so um salário justo nosso e daqueles que nos rodeiam, so uma paz e justiça no trabaho nosso e daqueles que nos rodeiam fazem sentido!

A Luta por um salário justo e por melhores condições e centenária para não dizer milenar. O período esclavagista deve ter sdo o pior em termos d desrespeito dos direitos dos trabalhadores, onde estes eram coisificados e a vida humana não tinha valor nenhum. O escravo, incluindo a própria vida do escravo eram propriedade do Senhor!

Os percursores mais activos da luta pelo direitos dos trabalhores remontam do século XVIII. Sir Robert Peel introduziu em 1802, uma lei conhecida como o “English Factory Act” no parlamento britânico, que visava a restrição do uso da mao de obra infantil e as excessivas horas de trabalho nas fabrics d procesamnto do algodão nas minas. Em 1819 outra legislação foi provada que definia o 9 anos como a idade mínima para o trabalho nas fabricas de processamento do algodao.

A primeira euniao para discutir os princípios sobre os direitos dos trabalhadores teve lugar em Berna em 1980 e nele participaram apenas 14 paises.

Hoje a Organização Internacional do Trabalho, criada em 1919 sob os auspícios da Liga das Nações, e cuja missão original foi a de proteger os direitos dos sindicatos e dos trabalhadores depois da Primeira Guerra Mundial, tem mais d 174 paises membros.

Em Mocambique, a historia do movimento sindical remonta do período colonial onde dominavam os Sindicatos Nacionais, de caracter colonial. Já em 1976, e principlmente com a dissolução do ultimo Sindicato Nacional em 1979, foram criados os Conselhos de Producao, com a missão não de representar os interesses dos trabalhadores, mas sim de controla-los. Em 1983, foi criada a Organizacao dos Trabalhadores, OTM, como braço enato partido único como a única organização autorizada para ‘representar’ os trabalhadores mocambicanos.



As greves que ocorreram entre Janeiro a Marco de 1990, e o apático papel desempenhado pela OTM, como corolário do advento da democracia e do multipartidarismo abriu espaço para a criação de outros sincicatos. Na Segunda Conferencia Nacional realizada em 1990, a OTM separou-se oficialmente do partido único e proclamou-se Central Sindical.



Por isso apelamos aos trabalhadores para que revitalizem a OTM outros sindicatos para que deixem de ser instituições usadas e instrumentalizadas pelo patronato, e que passem a ser instrumentos de luta na promoção e defesa dos direitos dos trabalhadores. Na senda do recém aprovado instrumnto jurídico plo Conselho de Ministros que abre a possibiluidade da sindicalização d função publica ueo apelar a todos os trabalhadores da função publica para que não se coíbam e se sindicalizem. E mais aos funcionários do concelho Municipal de Quelimane convido-os a encetarem passos no sentido d serem os pimiros a sindicalizarm-se para a proteção dos seus direitos pois somos de copo e alma por “Sindicatos genuínos que lutam por um Emprego Digno, Salario Justo, Paz e Justica no Trabalho” !



Boas Festas Caros colegas, Trabalhadores,



Bem haja o 1° de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores.



Muito Obrigado.




Monday, 19 March 2012

Choveu a cantaros em Qulimane e a cidade esta de novo sitiada!

"Rapper" Azagaia afasta-se do partido MDM para proteger independência como artista




Qui, 15 de Março de 2012 12:50 .O mais conhecido "rapper" moçambicano, Azagaia, anunciou hoje (quinta-feira) a sua desvinculação do terceiro maior partido moçambicano, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), para "proteger a sua dependência como artista".











Em declarações à agência Lusa, Azagaia, nome artístico de Edson da Luz, confirmou a informação que divulgou em primeira mão na sua página de Facebook, em que anunciava o distanciamento do partido de Daviz Simango, presidente do MDM e do município da Beira, segunda maior cidade moçambicana.



"Comecei a apoiar o MDM, porque apoiava o Daviz Simango, mas após uma reflexão conclui que a melhor opção era mesmo distanciar-me. Fazer música para apoiar o MDM 'mata' o Azagaia", disse à Lusa o "rapper".





Azagaia encabeçou a lista do partido às parlamentares pelo círculo eleitoral da província de Maputo, sul do país, nas eleições gerais de 2009, não tendo conseguido a eleição.



O artista já teve problemas com a Justiça moçambicana devido ao conteúdo polémico das suas letras, que têm normalmente um cariz de sátira política

Saturday, 17 March 2012

A Opiniao de Eduardo White

E como hoje eh dia da poesia, vai, antecipada a sua pblicacao, esta carta a alguns descrentes camaradas boateiros, chulecos e lambistas militantes. Fica aqui o esclarecimento. Para eles, claro.




Sussurradamente, um amigo de infância pergunt...a-me se o facto de eu vir a Quelimane, convidado pelo Município, para lançar os meus livros, poder-se-ia entender como uma clara manifestação de apoio, da minha parte, ao MDM. Devo dizer-vos que fiquei não só atónito com esta pergunta como, igualmente, me indignei.

Ora, já aborrecido, digo ao meu amigo, que não estou nem nunca estive na arte com essa mentalidade taquenha e com essa visão dela como um grande curral. Acrescentei que, fora a homenagem a mim prestada com a presença, na altura, do Presidente Joaquim Chissano, pela Imprensa Universitária, a propósito dos meus 20 anos de carreira literária, esta que o Município de Quelimane me endossava, agora, através do seu convite, configurava-se-me como um gesto não só irrecusável como me engrandecia notoriamente.



Em oito ou doze anos da outra gestão, nunca tal oportunidade se concretizou e nem nunca partiu dela tal convite. E mais adiantei, dizendo-lhe,que indigno, mesmo, fora a atitude da OJM de há um tempo a esta data. A partidária organização juvenil nunca me entregou, já lá vão trinta e tais anos, o prémio correspondente ao facto de a letra do seu hino ser de minha autoria, muito embora tenha sido aprovada em conferência nacional e homologada publicamente pelo falecido Presidente Samora Machel.

A referida atitude constituiu, desde sempre, e até fatos em contrário, uma clara e desconfiada manifestação de racismo ou de outra segregação qualquer, em relação à minha pessoa e dizem-no os acontecimentos que se seguiram durante a aprovação do hino e que faço questão de aqui não mencionar de tão brejeiras e feias que foram. Quanto à minha indignação, face a isso, manifestei-a inúmeras vezes ao Zacarias Kupela e à Alcinda Abreu, em tempos, quando eram ambos Secretário e Vice-secretária Geral do Organização, e, depois, a outras figuras amigas do Partido de que sou simpatizante - do Partido que eu respeito, evidentemente, e não de um certo clube - como o sabem os que privam comigo e não só. Respostas? Um sorrisinho cínico de uns e os gestos conformados de outros.



Não obstante, o facto de me simpatizar com o Partido, e não com o clube, que cobre as minhas causas políticas, não me impede de ver o meu País como um todo, de privar com os meus amigos de outros quadrantes políticos e, sobretudo, de respeitar, amar e estar atento à vida da terra que me dá, por via dela, o direito à minha cidadania. Também, assim, nunca lambi babadamente os sapatos de ninguém, nunca aspirei a cargos políticos, bem como já tive, por me achar impreparado, a frontalidade e a humildade de recusar um convite para me candidatar a deputado. Mais: Na minha postura como escritor, faço por guardar a capacidade de criticar abertamente tudo o que sinto não estar correcto, quando o acho de direito e de legitimidade fazê-lo, sem que nunca, também, e é bom dizêr, tenha sofrido represálias visíveis quer desse Partido quer dos amigos que nele ocupam altas posições nos seus órgãos directivos ou governamentais.



Agora, o meu estatuto de criador cultural ou seja lá o que for, não se autoriza nem se cinge a esses condomínios político-partidários. Como exemplo, há muito que uma certa instituição a que estou filiado, me retirou da lista que propõe os seus convidados oficiais, como, também,por via disso, deixei de fazer parte da lista do protocolo do MNE para certas cerimónias de Estado e diplomáticas às quais era convidado. Confrontado com essa realidade, jamais me indignei e me questionei sobre tais razões e a essa instituição continuo a guardar o carinho e o respeito que me merece. Por outro lado, a Presidência da República convida todos os anos figuras quer intelectuais quer políticas da oposição para os seus banquetes e eu, tal como muitos colegas de escrita, faz tempo que não faço parte desse“ lisonjeado grupo de eleitos”. No entanto, julgo, mas porém não me admiraria do contrário, que tal pormenor não faz dessas figuras simpatizantes ou filiados do Partido onde milita e dirige o Presidente da República. Em suma, ridicularidades que não cabem no meu patriotismo, não afectam o amor que sinto ao meu País e nem direito dão a que pessoas ou organizações políticas ou não,se me ponham a catalogar.



De modo que, como sempre o disse, o meu lugar, se o tiver na história literária da minha Pátria, não dependerá das minhas simpatias políticas, mas do meu trabalho e do valor da minha obra. Em igualdade de circunstâncias,independentemente das suas cores partidárias, o Manuel Araújo continuará a merecer a minha amizade e o meu respeito, como o tem merecido desde sempre,até que deles não seja digno e disso me der provas. Admiro-o bastante, ao contrário do desprezo que nutro por alguns militantes oportunistas, chulos e sem carácter nenhum, que adoentam, desvirtuam e empobrecem o Partido com o qual me identifico. Eu nasci diferente, amo e respeito a minha diferença e, deste modo, quero e fui educado a respeitar a diferença. É este princípio que transmito aos meus filhos, a cada um deles, igualmente, diferente e, sobre as suas diferenças, grandiosamente IRMÃOS.



Ora, postas as cartas na mesa e não as retractações, bardamerda às retractações, pergunto ao meu querido amigo se não lhe apetecia ir beber uma boa nipa e comer um apetitoso mucadje à casa de um outro conterrâneo na Sinacura. Ele olhou para mim meio espantado e atirou-me:



- Tu és fotito, múzugo! Se fosse aqui, na Província, mandavam-te prender, juro. Claro que eu olhei para ele e ri-me.



Meio embasbacado, fiquei a pensar se a democracia no nosso País se cingia unicamente à capital, pois que não era a primeira vez que ouvia tal afirmação, nem, também, essa restritividade de opiniões me era manifestada. E comecei a pensar inúmeras coisas. Coisas como essa angústia que as pessoas devem guardar a morderem-nas no mais íntimo. Tal como o terem medo de dar ou emitir uma opinião sobre factos de que são autoras e sujeitos ou, então, de respeitarem e conviverem, abertamente, com alguém da oposição. De tão mau para ser verdade, eu acho tudo aquilo incrível. Se isto acontece, ainda, nos tempos que correm, nunca seremos dignos de futuro nenhum. Portanto, penso e deduzo que o fato de Quelimane, como outras províncias, certamente, não sentir, com visibilidade, o papel fundamental e educativo dos órgãos de informação no exercício de democratização da opinião pública esteja a ser fulcral para que assistamos aos cidadãos a atrofiarem-se nessa ideia de que no País ainda se é proibido ser e falar livre e manifestamente. Dentro, como é evidente, das bases do respeito pelos valores dos outros. Mas é tão verdade que eu próprio o estava ali a testemunhar.



Porém, como esta conversa tem pano para mangas, fiquem, agora, com o meu afectuoso abraço e as desculpas desses entretantos da minha crónica. Julgo que concordarão que o que é para se dizer tem que ser dito. Ou escrito, aqui no caso.

Eduardo White

Wednesday, 14 March 2012

Aos de dentroe aos de fora! Margarida Talapa

Na minha modesta opiniao, algo d grav esta acontecendo no nosso parlamnto ou entao no "glorioso"! Se u parlamnto se torna imune as pressoes de grupos de interesse, a classes sociais e a outros interesses intrnos enta para que serve? Sera que o mano formiga nao pode assessorar a mama? Ou tud  qe aprend  ciencia politica nao vale um tostao furado? onde andam os cientistas politicos ancorados na Pereira d Lago?

um abraco, MA

Tuesday, 13 March 2012

Discurso de Abertura da Chefe de Bancada da RENAMO na Assembleia da Republica

Sua Excelência Presidente da Assembleia da República


Sua Excelência Primeiro-Ministro do Governo de Moçambique

Suas Excelências, Mandatários do Povo

Suas Excelências Membros do Conselho de Ministros

Respeitados Convidados

Minhas Senhoras e Meus Senhores



Excelências



Ao iniciarmos esta V sessão que marca a contagem regressiva do nosso mandato, permitam-me que saúde o Povo Moçambicano, do Rovuma ao Maputo, do Zumbo ao Indico, em especial os membros e simpatizantes do Partido Renamo, pela tolerância perante a carestia da vida, a política de exclusão a que são sujeitos.

Aos desmobilizados de guerra da Renamo, pela paciência, tolerância e obediência em cumprir e fazer cumprir os propósitos da Paz.





Aos profissionais da comunicação social, pela tomada cada vez crescente de consciência da necessidade de informar e formar na verdade e sempre verdade, embora alguns ainda o façam de forma muito discreta, mas no cômputo geral a informação é trazida ao pacato cidadão moçambicano. Por outro lado, pelo esforço em enveredar por um jornalismo profissional, investigativo. Este esforço deve ser contínuo, aprofundando as notícias, abdicando do sensacionalismo, por um jornalismo isento e imparcial. Só assim, se formará uma classe capaz de unir forças para lutar contra o dito jornalismo amarelo, contra a espionagem.

Pela colaboração com esta Magna Casa, na divulgação das suas actividades, que esperamos que melhore cada vez mais, combatendo o medo da discriminação. A todos vós compatriotas de luta vão as nossas saudações.

Á comunidade internacional pelo apoio que tem prestado para que este país possa dar alguns passos num momento em que vós vivéis uma crise económica sem precedente, vão os nossos agradecimentos e saudações.

Pela passagem de mais um 8 de Março dia Internacional da Mulher, permitam-me que parabenize e saúde a todas as Mulheres Moçambicanas, minhas compatriotas em particular, e a todas as Mulheres deste vasto planeta em geral , pela luta e somas vitórias.

De forma muito especial saúdo Sua Excelência, Afonso Macacho Marceta Dhlakama, pela sua tolerância, firmeza na manutenção da Paz, pela sábia visão de previlegiar sempre o diálogo na busca de soluções, hoje como ontem, dos grandes problemas que apoquentam a maioria dos moçambicanos, mesmo cercado e atacado por um aparato contingente armado, não cala a sua voz.

Pois, tem a plena consciência, de que hoje como ontem o Povo confia nele para a busca de soluções dos grandes problemas como a exclusão, a partidarização, a discriminação, a miséria, a fome, apenas para citar alguns exemplos.

É graças a essa confiança, que prestes a celebramos os vinte anos da assinatura do AGP, Acordo Geral de Paz, jamais se ouviu o disparar de um único tiro, sob sua voz de comando,

Após quase vinte anos fala-se de suposto terror que a guarda, a segurança de Sua Excelência Presidente Dhlakama semeia. Nunca fizeram mal a ninguém.

Os espiões, os enviados, quando colocados sobre investigação esperneiam-se porque temem represálias dos mandantes, quando denunciados.

Há mais de dois anos que Sua Excelência Presidente do Partido Renamo vive sob vigia de um contingente armado até aos dentes e nunca ninguém ousou dizer que estavam a semear terror. Hoje, são os mesmos que circulando pela cidade capital de Nampula, semeiam terror e anunciam os piores momentos por vir.

O momento não tardou. O sonho de há muitos anos materializou-se o de voltar a ouvir o som da arma.

Como a segurança de Sua Excelência Presidente Afonso Dhlakama não atacava, e ávidos de ver sangue eis que na madrugada do dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher as Forças de Intervenção Rápida, há muito estacionadas à volta da Sede Política Provincial da Renamo em Nampula, onde se encontrava um grupo de desmobilizados e numa atitude belicista, evadem a Sede e a queima roupa puseram-se a disparar atacando os desmobilizados indefesos e ocupando a Sede.

E nós perguntamos porquê?

Afinal o armamento desembarcado em Dezembro último, adquirido com os nossos impostos, com o suor do nosso trabalho era para nos matar a nós mesmos?

Como não puderam usá-lo em manifestações acabaram organizando manifestações, no dia dedicado à Mulher.

Por isso, Sua Excelência, Presidente Afonso Macacho Marceta Dhlakama siga em frente, está no caminho certo, Siga em frente na defesa dos oprimidos, assim como o fez ontem quando venceu a guerra dos 16 anos, pela Democracia. Siga em frente na busca de melhores soluções sem derramento de sangue.



Caros Colegas

Excelências

O uso de blindados para atacar indefesos, desarmados, demonstra, claramente, que o governo e o Partido Frelimo estão a votar para o esquecimento os entendimentos de Roma e a todo o custo pretendem mergulhar o país no caos. É uma vergonha Nacional.

Os acontecimentos de 8 de Março em Nampula, demonstram, claramente, que a Frelimo pretende acabar com a Democracia, a Paz e a dita unidade nacional.

Os encontros havidos entre Sua Excelência Presidente Afonso Dhlakama e o Chefe do Estado, não passaram de um acto de entretenimento pois, por um lado dialogava-se e por outro um contingente armado era enviado para atacar indefesos e desarmados.



Prezados Colegas

Excelências



A Renamo e o seu líder Afonso Dhlakama continuam e continuarão a primar pela paz e a dizer não à guerra, com acções que o mundo viu e viveu.

Perante estas atrocidades, perante estas provocações bem notórias e de domínio público a nível (interno e externo), comunicamos aos Moçambicanos, às Confissões Religiosas, aos Intelectuais, á Comunidade internacional, que fica bem claro que o Partido Frelimo e o seu Governo, pretendem a guerra e não a Paz em Moçambique.

Assim, como deputados desta Magna Casa do Povo, aguardaremos pelos esclarecimentos da situação de Nampula e pela decisão da Direcção Máxima do nosso Partido RENAMO, na busca de melhores vias para salvar a Democracia tão duramente conquistada e preservar a Paz aspirada por todos nós.



Senhora Presidente da Assembleia da República

Prezados Colegas, Mandatários do Povo

Senhores Membros do Conselho de Ministros

Respeitados Convidados

Minhas Senhoras e Meus Senhores





Excelências



A terminar, votos de óptimo trabalho para a Sessão que hoje inicia.

A todos os cristãos votos de uma Quaresma frutífera de oração e partilha, de silêncio e jejum, com a esperança de viver a alegria Pascal.



Pela Vossa prestimosa atenção o meu muito obrigada.





Maputo, aos 12 de Março de 2012

Maria Angelina Dique Enoque



(Chefe da Bancada Parlamentar da Renamo)



















Monday, 12 March 2012

A OPINIAO DE MIA OUTO

Um Dia Isto Tinha Que Acontecer, por Mia CoutoExiste mais do que uma! Certamente! Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida. Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações. A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.Foi então que os pais ficaram à rasca.Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!Novos e velhos, todos estamos à rasca.Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

DISCURSO DE ABERTURA DO CHEFE DE BANCADA DO MDM POR OCASIÃO DA CERIMÓNIA DE ABERTURA DA 5ª SESSÃO DA VII






SENHORA PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA,



SENHORES MEMBROS DA COMISSÃO PERMANENTE DA ASSEMBLEIA DA

REPÚBLICA,



SENHOR PRIMEIRO-MINISTRO DO GOVERNO DE MOÇAMBIQUE,



SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS,



SENHORES MINISTROS,



SENHORES VICE MINISTROS,



DIGNÍSSIMAS AUTORIDADES CIVIS, MILITARES E RELIGIOSAS,



SENHORES MEMBROS DIRIGENTES DOS ÓRGÃOS JUDICIAIS DE

MOÇAMBIQUE,



SENHOR PRESIDENTE DO CONSELHO MUNICIPAL DA CIDADE DE

MAPUTO,



SENHORA GOVERNADORA DA CIDADE DE MAPUTO,



SENHORES REPRESENTANTES DE PARTIDOS POLITICOS,



SENHORES MEMBROS DO CORPO DIPLOMÁTICO,



SENHORES MEMBROS DOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL,



CAROS CONVIDADOS,



2

MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES,



EXCELÊNCIAS,





Iniciamos hoje a jornada da V Sessão Ordinária da Assembleia da República com uma

agenda de 24 pontos, com maior destaque para a Eleição do Provedor da Justiça,

Informação da Comissão da Administração Pública, Poder Local e Comunicaçao Social

relativa à Revisão da Legislação Eleitoral e Informações do Governo a pedido das

Bancadas Parlamentares.



Excelências,



Esta Sessão realiza-se depois de um período de chuvas anormais e ciclones que além de

ter ceifado vidas humanas, destruiram casas e bens de nossos concidadãos, incluindo

algumas infra-estruturas com maior destaque do troço da estrada nacional que liga as

duas provincias de Gaza e Maputo, cuja interrupção afectou a economia, o turismo, o

comércio, a circulação de pessoas e bens, os serviços de interesse público e privado.



A partir deste pódio queremos manifestar a nossa solidariedade para com as vítimas

destas intempéries naturais.



Reconhecemos o papel desempenhado pelos nossos serviços meteorológicos por terem

demonstrado alguma competência na divulgação da previsão do tempo. Tal permitiu que

os cidadãos estivessem alertados e as instituições credenciadas para prevenção das

calamidades naturais estivessem preparados para socorrer as populações e minimizar os

estragos.



Esta situação cíclica de ciclones que destroem infra-estruturas e casas melhoradas e

convencionais remete-nos para a análise e tomada de medidas visando melhorar os

padrões das nossas infra-estruturas. É preciso construir melhor com padrões e normas de

segurança admissíveis, com acabamentos de qualidade, inspecção periódica e sistemática

das estradas, pontes e edifícios públicos. As entidades responsáveis para velar pelas obras

públicas, edifícios e estradas, devem ser responsabilizadas pela má qualidade das obras.



Persiste a atitude de não haver intervenções periódicas e sistemáticas de manutenção das

nossas estradas e pontes. A erosão que se testemunha ao longo das nossas estradas

nacionais é uma indicação de ausência de fiscalização seria durante as obras da

reabilitação destas.





3

Excelências,



A presente sessão inicia um mês depois de ter iniciado o ano lectivo no nosso país. Os

problemas organizacionais e administrativos persistem no nosso ensino. Os alunos com

direito a livros gratuitos continuam à espera de recebê-los. O sistema da distribuição do

livro gratuito até agora tem provado que não é eficiente, nem abrangente. Urge encontrar

um modelo mais correcto e eficente, em parceria com entidades que têm a tradiçao de

distribuiçao de materiais ou outros semelhantes.



A problemática de crianças a frequentarem aulas nos cursos nocturnos preocupa-nos.

Temos a consciência de que há diferenças notaveis entre o curso diurno e nocturno. O

curso nocturno ao nivel primario e secundário do ensino é, por excelência, destinado a

adultos que por várias razões não puderam estudar a seu devido tempo.



Tem que haver vontade política de envolver a comunidade e as entidades religiosas de

encontrar soluçoes para este problema grave, para evitar no futuro consequências

negativas na formaçao e atitude comportamental desta geração especifica.



As comunidades e entidades religiosas devem ser encorajadas a promover escolas de

acordo com o regime curricular moçambicano. Esta abertura vai agilizar o

descongestionamento nas escolas públicas, dará uma outra dinámica ao ensino,

concorrendo para uma melhoria de qualidade.



Há que promover condições e ambiente de trabalho aos nossos professores. O Professor

devidamente motivado é um factor conducente para uma educaçao de qualidade. É

preciso respeitar e cumprir os principios estabelecidos quanto à progressão nas carreiras,

aos salários e à carga horária do professor. O mesmo deve acontecer quanto aos critérios

para a nomeação a cargos da direcção das escolas, não devendo estes se pautarem pela

militância partidária mas sim competência pedagógica e pela experiência.



Excelências,



Continuamos a manifestar a nossa preocupação quanto à forma de gestao dos st oc k s de

medicamentos nos hospitais públicos, assim como no tocante ao crescimento das taxas de

prevalência do HIV/SIDA.





A gestão e a conservação dos medicamentos nos hospitais públicos deve ser uma

prioridade a ser encarada com muita seriedade e profissionalismo. A falta de

medicamentos nos hospitais públicos e farmácias sob gestão do Estado põe em causa o

4

tratamento de moçambicanos com rendimentos baixos, pois os preços praticados nas

farmácias privadas só podem ser suportados por uma minoria.



O Governo do dia, na qualidade de gestor e garante da saúde pública, deve assumir as

suas responsabilidades de forma proactiva e com objectividade, para que o nosso povo

tenha acesso aos medicamentos.



Esta casa aprovou o Orçamento do Estado que tem uma rubrica para a aquisição de

medicamentos. Por isso, esperamos que nos Hospitais Públicos e Farmácias Estatais haja

medicamentos.



A HIV/SIDA continua, sem piedade, a reduzir a capacidade humana e a aumentar o

número de órfãos no nosso País. Devemos assumir esta realidade com seriedade, tomar as

medidas necessárias de prevenção da eclosão de doenças oportunistas, e garantir a

medicação.



Os pacientes portadores de HIV/SIDA merecem o tratamento adequado e personalizado.

Por isso, esperamos que ainda este ano, a tão esperada fábrica de produção de

medicamentos para o tratamento anti-retroviral comece a fornecer aos centros de saúde

estes preciosos medicamentos. Por outro, lado a motivação do pessoal de saúde deve ser

considerada como uma necessidade, de forma a garantir a qualidade que se pretende ter

nos serviços hospitalares públicos.





Excelências,



Como país elegemos a produção nacional, e até foi introduzida a marca “ Made in

Mozambique”. Esta medida visa promover a produção nacional, colocar o produto

nacional a preços competitivos. O princípio de isentar os insumos necessários para a

produção de ração para produção do frango nacional, não deve prejudicar a produção de

insumos que no território nacional podem ser produzidos.



Isentar o pagamento do Imposto sobre o Valor Acresentado na importação do milho e

soja, a curto prazo, prejudicará a produção local destes produtos.



Forçará os produtores a transformarem-se em importadores, e os maiores lesados serão os

produtores familiares com consequências negativas na estrutura familiar, nos rendimentos

e na estabilidade social.



5

Deve-se estabelecer um mecanismo da recompensa e incentivos reais aos produtores

locais, para garantir a produção local. O País tem de consumir o que produz, e com uma

estratégia devidamente direccionada e assistida, com medidas multissectoriais e

construção de infra-estruturas. Queremos consumir o nosso tomate, arroz, farinha do

nosso milho e o nosso sumo. Queremos ter acesso à nossa madeira, queremos ter acesso

aos nossos recursos minerais.



Produzindo estes produtos em grande escala estaremos a criar oportunidades de emprego

e mercado para os nossos concidadãos. Nao é com slogans que será vencida a pobreza!





Senhor Primeiro Ministro,

Excelências,



Há sensivelmente oito meses que os Transportes Públicos de Maputo, agora Empresa de

Transporte Rodoviario de Maputo tinham uma frota renovada de 150 autocarros,

adquiridos com fundos públicos. Hoje 1/3 desta frota está fora de serviço, isto é, 50

autocarros nao estão circular.



Esta situaçao é mais uma revelação clara da ausência de uma política de transporte

urbano por parte do Governo do dia, e uma manifestação de falta de interesse em

minimizar a crise que se vive neste sector tão vital na vida quotidiana da população

urbana. Não é concebível nas relações comerciais de hoje, que sejam importados

equipamentos, neste caso concreto autocarros, sem acessórios e garantia de mautenção.



Face a esta situação podemos dizer que a aquisição destes autocarros não obedeceu aos

procedimentos admissiveis, prejudicando assim o Estado e tornando o público em geral

no principal lesado.



Excelências,



A transferência de responsabilidades da gestão do transporte para os governos municipais

nestas condiçoes só pode traduzir uma fuga de responsabilidades. Precisa-se um

transporte urbano eficiente, em quantidade e qualidade.



Senhora Presidente da Assembleia da República,

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Excelências,



6

Na presente sessão haverá interacção com o Procurador-geral da República. Nesta

interacção espera-se que o Procurador-geral da República informe com honestidade a

situaçao real do Estado da Justiça, e como o guardião da legalidade tem a

responsabilidade acrescida, deverá informar a esta casa os constrangimentos que

entravam o cumprimento da sua nobre missão.



Nós como a Bancada Parlamentar do MDM, defendemos uma sociedade segura, livre e

próspera. Este objectivo é possivel de alcançar com um comprometimento sério das

instituiçoes responsáveis pela segurança pública, associado a campanhas de educação

para a cidadania.



Para que isso aconteça é necessario:



 Dotar as instituições responsaveis pelo combate ao crime dos meios materiais,

técnicos, humanos e outros para um efectivo combate;



 Reformular a estrutura orgânica e operativa da Polícia da República de

Moçambique com áreas bem distintas de actuaçao;



 Libertar a Policia de Inverstigaçao Criminal do Ministerio do Interior, uma

posiçao sempre defendida;



Obviamente o Código Penal e demais legislaçao penal em revisão na sede da primeira

Comissao da Assembleia da República deve adequar-se à realidade actual moçambicana

e os desafios do combate a corrupção.



Ainda na interacção com o PGR aguardamos com expectativa a abordagem sobre os

últimos sequestros e actuação da polícia moçambicana em torno destes. Em todo este

processo, além da integridade de individuos preocupam-nos os valores monetários

envolvidos e os moldes da sua transacção, se é numa praça bancária ou ao vivo.



Será, igualmente, do nosso interesse nesta interacção com o PRG saber do trabalho do

Gabinete de Combate a Corrupção, quantos casos de corrupção foram esclarecidos e

quantos já foram julgados.





Excelências,



Pela segunda vez está agendada para esta sessão a possibilidade de eleição do Provedor

de Justiça, que de acordo com o dispositivo constitucional tem a responsabilidade de

7

garantir os direitos dos cidadãos, a defesa da legalidade e da justiça na actuação da

administração pública.



Conforme o artigo 257 da Constituição da República, o Provedor da Justiça é eleito pela

Assembleia da República por maioria de dois terços dos deputados.



A Bancada Parlamentar do MDM, consciente da composição parlamentar vigente,

defende que a independência e transparência na actuação do futuro Provedor da Justiça

no âmbito das competências fixadas pela Constituição da Republica só são possíveis com

uma personalidade que não tenha vínculos com o Partido no Poder. É preciso dar a

credibilidade da justiça ao Povo. A diversificação de personalidades provenientes de

escolas diferentes na gestão da Justiça será um passo gigantesco na edificação da Justiça

no nosso país.



Esperamos que na interacção das Bancadas sobre esta matéria haja de facto um consenso

real. Como Bancada Parlamentar, já depositamos a proposta de candidato ao cargo de

Provedor da Justiça da República de Moçambique.



Excelências,



A Plenária da Assembleia da República na última Sessão mandatou as Chefias das

Bancadas para sanar as divergências em torno dos trabalhos da revisão do pacote eleitoral

que estão sendo desenvolvidos na Comissão de Administração Pública, Poder Local e

Comunicação.



De facto as Chefias reuniram-se em duas sessões e deram indicações dos

posicionamentos. Acreditamos que a Comissão saberá completar a aproximação destes

posicionamentos na busca de uma lei eleitoral possível.



Continuaremos a defender que a decisão final do Pacote Eleitoral seja encontrada

tomando em conta a legitimidade democrática existente no quadro político actual da

República de Moçambique. A responsabilidade e competência de revisão do Pacote

Eleitoral residem na Assembleia da República, a única instituição democrática e

representativa de Moçambique.



Como Bancada, lutaremos para que a revisão do pacote eleitoral seja conducente as

eleiçoes livres, justas, transparentes e participativas. Repudiamos tentativas de querer

transferir a discussão e decisão do pacote eleitoral para fora do âmbito parlamentar.



Caros Convidados,

8

Excelências,



Com o falecimento do Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Inhambane Sr.

Lourenço Macul ( Paz a sua alma), a Comissão Nacional de Eleições teve que criar as

condições para a realização de eleições intercalares marcadas para o dia 18 de Abril do

corrente ano.



Os Partidos políticos no quadro legal moçambicano são criados para conquistar o poder

democraticamente e participar na vida política do país. É neste quadro, com todos

problemas possíveis e imaginários, que o Partido MDM vai participar nas eleições

intercalares da Cidade de Inhambane com um manifesto eleitoral de governação

municipal virado para a satisfação das necessidades básicas dos residentes deste

município, com uma forma de governação assente no dinamismo, no realismo e numa

visão para melhor servir, devolvendo a dignidade e honra aos munícipes.



A partir deste pódio apelamos aos órgãos de gestão e administração eleitorais que dirijam

o processo com transparência, honestidade, imparcialidade e verticalidade.



Ao nosso candidato, Fernando Amelia Nhaca desejamos muita coragem, força e empenho.





Excelências,



No dia 7 de Março foi celebrado mais um aniversário da criação do Movimento

Democratico de Moçambique, fundado em 2009. Apraz-nos felicitar a Direççao do MDM,

os membros e militantes pelos êxitos, entrega e determinação.



Bem-haja o MDM.



Senhora Presidente da Assembleia da Republica,

Senhor Primeiro Ministro,

Senhores Ministros,

Senhores Vices Ministros,

Senhoras Deputadas e Senhores Deputados,

Caros Convidados,

Minhas Senhoras e Meus Senhores,



A Paz em Moçambique deve ser consolidada. Precisamos de paz como a condição

necessária para continuamente desenvolvermos o espirito da irmanidade, como factor de

promoçao da reconciliaçao nacional.

9



A paz é um bem comum que deve ser alimentado com acções e políticas de inclusao,

opurtunidades sem discriminaçao, discursos livres de arrogância, intimidaçao ou

violência.



A paz assemelha-se a uma planta que diariamente deve ser regada. A nossa atitude

negativa e mau estar na sociedade pode perigar a paz. Se incitamos ao ódio, à vingança e

a chantagens estaremos a minar a paz que todos moçambicanos precisam para garantir a

estabilidade das suas familias e vencer os constrangimentos.



Os acontecimentos ocorridos em Nampula aterrorizam os homens amantes de paz, e

obrigam-nos a uma reflexão profunda. Afinal, em que direcção se pretende caminhar?



Nós, os partidários do MDM, queremos democracia e paz. Queremos um Estado de

Direito onde todos se sintam livres e independentes. Acreditamos que somente com

instituições políticas, sociais e económicas, independentes, inclusivas,

responsabilizadoras, é possível defender o interesse comum, em conformidade com o

estabelecido na Constituiçao da Republica e demais legislaçao em vigor no país.



Para isso, a liberdade e a igualidade de condiçoes entre os moçambicanos,

consubstanciados no respeito pela diferença e no estímulo à criatividade individual e

colectiva, devem constituir os alicerces fundamentais para a nossa democracia, o Estado

de Direito, o desenvolvimento humano e a justiça social.



Neste contexto lutaremos para edificação de uma Naçao Moçambicana plural,

diversificada, inovadora e harmonizadora da riqueza de expressoes políticas e culturais

diversas.



Defendemos a unidade nacional, mas uma unidade com conteúdo real, múltiplo, inclusivo

e agregador da diversidade de identidades culturais, políticas e sociais.



Os militantes e simpatizantes do MDM nao podem cruzar os braços e permitir que os

moçambicanos percam o que com muito esforço e sacrificio conquistaram.



Temos a consciencia de que a construção de um projecto político e social alternativo

exige de cada um de nós, um enorme empenho, responsabilidade individual e colectiva.



Tal como o sol brilha para todos, os Moçambicanos devem trabalhar para que todos

sejamos beneficiários das conquistas da Independencia de 1975 e da Democracia de 1992.



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Este é o nosso compromisso com Moçambique e os moçambicanos.



Senhora Presidente da Assembleia da Republica

Minhas Senhoras e Meus Senhores

Caros Convidados,



Excelências,





Nesta V Sessão Ordinária da Assembleia da Republica que inicia hoje, a Bancada

Parlamentar do MDM renova o seu compromisso de trabalhar em prol do

desenvolvimento democrático da nossa instituição, e estará sempre em defesa de uma

liderança política democrática, seriamente comprometida com os principios democráticos;

uma liderança que aposta na transparência em tudo quanto se relacione com a

distribuição do poder politico e utilização dos recursos do Estado.



A todos desejamos bom trabalho.



Muito obrigado pela atenção dispensada.





Lutero Chimbirombiro Simango



Chefe da Bancada do MDM



12 de Março de 2012.











MDM COMEMOROU TERCEIRO ANIVERSÁRIO



No último sábado



-Delegada Maria Luísa antecipou propósito do partido de arrebatar o município de Nampula nas próximas eleições.



O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) comemorou no passado sábado o terceiro aniversário da sua criação em 2009. Ao nível da cidade de Nampula, os membros daquela formação política realizaram várias actividades alusivas à efeméride, dentre as quais se destacaram um desfile por diversas artérias da cidade e um comício popular bastante concorrido realizado no mercado do “Galo”, situado em frente da padaria Nampula.



Na ocasião, a delegada do MDM na cidade de Nampula, Maria Luísa, depois de relatar exaustivamente o historial da sua formação política, debruçou-se sobre a matriz que distingue o MDM dos demais partidos, em que ressalta a aversão ao uso da violência e guerra.



Para Maria Luísa, a assinatura do acordo geral da paz de 1992, ainda não se faz sentir com a plenitude que seria de desejar no seio do povo. A delegada do MDM referia-se implicitamente aos tumultos desencadeados, na passada quarta-feira, entre ex-guerrilheiros da RENAMO e agentes da polícia, que põe em causa a tão ansiada preservação da paz.



Noutro trecho da sua intervenção, aquela responsável chamou a atenção da população da cidade de Nampula para agir com a necessária clarividência nas próximas eleições autárquicas de 2013, elegendo o MDM porque é o único partido que poderá, de facto, erradicar as anomalias que se registam no município e, consequentemente, proporcionar uma efectiva igualdade de oportunidades aos seus residentes, independentemente do respectivo extracto sócio-económico.



A delegada do MDM afirmou, a propósito, que o seu partido tem já elaboradas as estratégias conducentes à participação vitoriosa no próximo pleito eleitoral das autarquias de 2013.



Nampula será, pois, a próxima cidade a ser governada pelo MDM – garantiu Maria Luísa, referindo que estão já criadas as bases para o efeito em diversos pontos da cidade através da mobilização maciça da população, que assumiu a consciência de que chegou a altura de deixar de continuar espezinhada com a liderança do partido no poder, que nunca cumpre o que promete.

WAMPHULA FAX – 12.03.2012

Edwin Hounnou detido

Por Jame Ac

O Jornalista EDWIN HOUNNOU, do Semanário Canal de Moçambique, detido pela Força Conjunta da Policia de Protecção, Força de Intervenção Rápida e Agentes do SISE, por volta das 12h e solto as 18h, quando se encontrava na Escola Primaria 25 de Setembro, no Bairro de Muelé na Cidade de Inhambane a fazer cobertura ao Processo de Recenseamento Eleitoral. O motivo da detenção baseou-se no facto de HOUNNOU não ter levado consigo uma Credencial que o pudesse permitir trabalhar, segundo argumentaram os Agentes Policiais.



No momento da detenção o Jornalista foi algemado como se de um Criminoso se tratasse. Este acto dos agentes da Policia consubstancia-se numa GRAVE VIOLAÇÃO DA LEI, DA LIBERDADE DE IMPRENSA que permite aos Jornalistas trabalharem em todo o Território Nacional, sem qualquer tipo de limitações nem intimidação.



Refira-se que as Credenciais são passadas aos Jornalistas para fazer cobertura as Eleições e não para verificar o Recenseamento como tem sido a exigência basilar dos Brigadistas do STAE e Policias em Inhambane.



A atitude do Agentes da Policia e da Direcção do STAE local (da Cidade e Província de Inhambane) deixa antever que as Eleições de 18 de Abril poderão ser manchadas para satisfazer a vontade de algum Partido que pretende ganhar esta eleição a qualquer preço.



Se medidas urgentes não forem tomadas no sentido de alterar a mentalidade do STAE e dos Agentes da Policia, Inhambane poderá entrar na história de Moçambique como um mau exemplo de Democracia.



Uma eleição ganha-se convencendo os eleitores com actos concretos e não com ajuda da Policia, nem com o apoio dos Órgãos Eleitorais que parece que venha a ser o caso de Inhambane.



In http://comunidademocambicana.blogspot.com/2012/03/edwin-hounnou-detido.html#more

Thursday, 8 March 2012

MUNICÍPIO DE QUELIMANE




CONSELHO MUNICIPAL




A todos os Municipes de Quelimane



Quelimane

CONVITE



Serve da presente para convidar, a V.Excia a participar numa palestra a decorrer no Salão Nobre do Conselho Municipal, hoje, dia 08 de Março 2012 (Quinta Feira) pelas 10.00horas, orientada por S. Excia Senhora Ulla Andren, Embaixadora do Reino da Suécia em Mocambique, subordinada ao tema "Desafios e Perspectivas da Nova Politica de Cooperação Sueca para o Desenvolvimento - O Caso de Moçambique".

Antecipadamente agradecemos a vossa presença!

Conselho Municipal da Cidade de Quelimane, ao 07 de Março de 2012.

O PRESIDENTE



Manuel A.A.L. de Araújo

(Professor Doutor)

Monday, 5 March 2012

CARTA DE EDUARDO WHITE A QUELIMANE 2




Postscriptum 3



“Uma cidade pode ser

um coração,

um punho.”

Albano Martins, in "Castália e Outros Poemas"

Retomando o texto anterior, peço ao velho Asada para me levar ao Município ao invés da casa onde me irei hospedar nos seis dias que em Quelimane vou permanecer. E, assim, estamos chegados, passados uns ligeiros minutos. Cumprimento o Manuel Araújo, agradeço-lhe o convite e falamos rapidamente da viagem e do programa para aquele dia. Como ele está ocupado, peço-lhe permissão para me ausentar e vou dar um rapidíssimo passeio pela cidade. Todavia, não sem antes avivar-me pelo velho edifício aonde, pelas mãos do velho Freichaut, eu haveria de obter a minha primeira licença de condução para velocípedes sem motor. O grau de dificuldade era fazer, com a bicicleta, um oito sem pôr o pé no chão. Habilitei-me à carteira com direito a fotografia e tudo. Foi uma festa.

Ao lado do Município e destas lembranças, fica a esquadra principal da cidade e a cadeia. Contíguo a ele, mais ainda, o corredor que é composto pelas celas da primeira que dão para o quintal do Conselho e que tem um pequeno vão de entrada, com um banco de cimento, logo ali aonde uma velha árvore se ergue em sua antiquíssima idade. Desta, lembro-me sempre de um episódio triste e que me marcou bastante. Em 77, penso, durante o campeonato provincial de futebol, jogavam o Palmeiras e o Ferroviário de Quelimane no campo da primeira equipa. Partida importante e que incendiava os ânimos da pequena cidade. Portanto, quase todo o mundo aficionado do futebol estava lá. Lembro-me de os meus amigos e, entre eles, o meu irmão, decidirem que ao invés da matiné,naquele Domingo, no cinema Estúdio, compraríamos uns macitos de cigarros e tentar-se-ia, como alternativa, ver o jogo. Presumimos, na altura, que pudéssemos entrar gratuitamente, pois praticávamos basquete no Desportivo de Quelimane.

Contrariado, porque não gosto de futebol, lá fui entusiasmado por poder ir ver jogar o João Onofre, o Cadango, o Pelé, o Chicoco, o Lobo, enfim, os craques dessa altura. Acontece que chegámos ao campo do Palmeiras e foi-nos barrada a entrada. Barafustámos, chateámos-mos e nos desculpámos por não termos connosco os nossos cartões de desportistas. Mas em vão. A decisão dos porteiros manteve-se. Contrariados, resolvemos fazer o que todo o pessoal da nossa idade fazia naquela altura: Saltar o muro. Todavia, as coisas correram-nos mal e fomos apanhados por um dos guardas do clube. Prontamente fomos encaminhados a um dirigente da Associação de Futebol. Eu e o meu irmão, os irmãos Zé Tó e Carlitos Ruas e o Betinho MotyCarimo. Das mãos e das ordens do senhor Pedro Francisco, que nos conhecia bastante bem, partimos, indignados com a atitude, para as mãos de uns pingos de chuva akalachnikovados e achambocados. Não me esqueço nunca mais desse dia em que, como punição, nos mandaram furar o chão rodopiando em volta dos nossos dedos indicadores. Torturante e humilhante para os putos que éramos e para o grau de culpa que nos fora imputado. Depois daquilo, para a esquadra. Na esquadra, o oficial de serviço que nos conhecia os encarregados de educacao nao no permitiu os contactassemos e ordenou-nos que nos sentassemos, todos, no pequeno banco de cimento, expostos aos transeuntes que passavam e até que o jogo acabasse. Foi a humilhação total. Quelimane inteiro a ver-nos presos na entrada da esquadra. Depois, é claro, as tareias valentes em casa e as proibições longas a que fomos sujeitos. Desse episódio haveria de nascer-me uma raiva grande ao velho Pedro Francisco a quem nunca mais falei até sair de Quelimane. Àsua atitude triste e prepotente e ao facto de nos poder ter mandado para casa com uma repreensão e não o ter feito. Mas, passemos a frente que águas passadas não movem moinhos.

Por esta altura.Vou

pela cidade e noto que, embora tenha crescido o número de pedintes, o lixo nas ruas não é uma característica como em Maputo. Por todo o lado senhoras com vassouras tradicionais vão executando a tarefa de manter a urbe afastada dessa fotografia tão desoladora que é uma cidade suja e desarrumada. Contento-me,pois o fato melhora substancialmente o aspecto degradado que Quelimane tem ainda. A cidade envelheceu, descoloriu-se e ficou com um ar abandalhado. Parece, até, que parou negativamente no tempo. Porém, de tudo isso ela se despe como que por magia. A simpatia dos seus citadinos, o característico respeito que não é só peculiar às pessoas que a habitam, mas, substancialmente, também aquelas que vêm dos seus arredores e de outros distritos da Província, têm uma influência restaurativa na impressão com que ficamos de Quelimane, logo à primeira. Ao mesmo tempo, a cidade respira confiança, esperança e atitude. É fácil de constatar que as pessoas sentem a urbe mais sua na maneira como falam e como se referem a ela. Dizem-me que tem a ver com as recentes eleições autárquicas e de estarem, aos poucos, a ultrapassar o descontentamento generalizado em que viviam. Provavelmente estejam a passar por um processo de regeneração social, aliás, que tem que suceder e não tem como não.

OK! Mas Quelimane é uma terra pequena, tão pequena que estou, num ápice, já sentado no Pica. Um café bar pertencente à senhora esposa do velho Picareta, alentejano de gema e africano branco devolvido pelos portugueses às recônditas paragens daqui, quase na idade da pedra. Comercializador de motorizadas, desde os jurássicos tempos, o emblemático Picareta é o único indígena estrangeiro, como costumo dizer, assimilado e com sotaque alentejano na mobília antiga da urbe. Filósofo, político, conselheiro sexual e matrimonial, poeta e sonhador, benfiquista(?) quelimanense ajuramentado, lá vai ele mantendo-se em forma naquela sua figurita pequena e balanceante.Uns abraços ao velho e ao seu colega de mesa, o senhor Conceição, repousado musungo do JB, e logo um whisky, com uma água de lanho que vai a passar, vem deliciar-me o repouso sobressaltado, de subito, por uma estridente sirene numa Land Cruiser da PRM a abrir caminho, em passo de tartaruga, a uma foure bai foure com um único passageiro retorcido a bordo. Recomposto do susto, pergunto: Algum ferido? Não, não, é o Governador, não te preocupes. Bom, deu-me vontade de rir e quase se ia da boca o lanho e o whisky. De rir de mim, primeiro e do fato, depois. De mim. por nunca ter ouvido a sirene de uma ambulância numa cidade onde se diz que os doentes proliferam, os serviços de saúde são péssimos e, por essa razão, os índices de mortalidade elevados. Pelo facto, depois, por tudo ser perto de tudo, toda a gente conhecer toda a gente e o Governador ser mesmo Sua Excelencia, pessoal e intransmissivelmente. Ora uma gritaria com aquelas proporções quase não se justifica desta maneira. E se a questão é protocolar, só precisaria que as serenatas fossem nas esquinas onde aquela espécie de cortejo, de dois carros, corresse o risco de embater contra qualquer outra viatura movida a gasolina ou a tracção humana. Porém, nisso, Maputo é imbatível, até a altas horas da noite e nas vias em que o tráfego é de todo impossível. Mas, como diz a 2M, a nossa cerveja, a nossa maneira. E lá temos sua Excia, com a cidade toda a ouvir-lhe, em velocidade reduzida, a caminho dos despachos no seu Gabinete e gozando do direito que, sem dúvida nenhuma, lhe confere o cargo mas que dispensaria o bom senso. Acontece que nestas coisas de protocolo nem sempre é como a gente quer e, aí, pode Sua Excia não poder pronunciar-se sobre o que lhe impõe a DSR. São as vaidades do Poder e as grandezas da autoridade. Pouco se pode fazer.

Bem, vejo que, a sucapa, o texto já vai longo e eu preciso de terminá-lo aqui. Para a semana eu prometo retomar o tema desta crónica, restada, felizmente, por ainda nao ter esgotado o que ainda tenho para escrever sobre algumas impressões que a minha terra me deixou. Até lá, aquele afectuoso abraço do

Eduardo White

Wednesday, 22 February 2012

Quelimane acordou hoje sem o espectro das chuvas!

O dia promete ser de muito trabalho, iniciando com a entrega dos primeiros comprovativos das transferencias efectuadas pelo Millenium Challenge Account aos abrangidos pela construcao das Drenagens da Cidade de Quelimane! Esta cerimonia tera lugar no Centro Nuticional do Bairro Santagua e contara com a presenca do Director do MCA, o Dr. Paulo Fumane e do Edil de Quelimane, Manuel de Araujo. Esta cerimonia reveste-se de uma importancia peculiar uma vez que marca o inicio da mudanca radical que Quelimane vai imprir - a construcao das valas de drenagem, calcanhar de Aquiles na gestao municipal de Quelimane.

Tuesday, 21 February 2012

Cartas de Eduardo White a terra que o viu nascer!


CARTA A QUELIMANE 2

POST SCRIPYTUM 1



Durante muito tempo, desde o não longínquo ano de 78, eu fiz o percurso Maputo/Quelimane/Maputo devido ao facto de ter que gozar as minhas férias escolares, junto à minha família, na cidade que me viu nascer. Lembro-me que era sempre empolgante, entusiástico, rever os meus pais, avós, irmãos e amigos depois de cumprido o calendário escolar. Era como se fosse empreender uma grande, uma longa viagem.

Na manhã do dia 2 de Fevereiro de 2012, após algum tempo sem ir à terra, parecia-me que revivia de novo aqueles momentos com a diferença de que, desta vez, eu não visitaria mais as pessoas que tanto amei com vida. Não teria,assim, a boa e suculenta galinha assada a cafreal e o copo de alumínio gelado com uma esplêndida nipipa esperando-me na saudosa casa da minha querida avó Amélia e nem sequer a empolgada curiosidade dela a desafiar-me os dotes de contador de histórias perante os olhos arregalados e felizes do meu avô Chico. Tudo isso acabara para mim. A morte cumprira o seu papel regenerativo e essas duas figuras que me foram tão tutelares, já não seriam uma realidade neste fim de viagem.

Mas parti. E parti a convite de um amigo que me havia, anos antes, desafiado a fazer esta jornada para inaugurar um projecto maluco dele. Um lodje em plena praia do Sopinho. Como nunca tal convite se concretizara, com este objectivo, haveria, agora, de se concretizar com um outro: o de lançar os meus dois últimos livros na minha terra natal. A amizade que me proporcionava isso, era a de uma figura que toda gente conhece: o jovem e irreverente intelectual moçambicano Manuel de Araújo.

Portanto, às 12:00 horas, em ponto, do dia 2 de Fevereiro, em vésperas do feriado nacional alusivo aos heróis moçambicanos, lá estava eu, encapulanizado, à espera, com os meu pacotes de livros, do avião que me levaria a Quelimane debaixo de um programa oficial preparado pelo próprio Presidente do Município. A ansiedade e o entusiasmo roíam-me os ossos e, por essa razão, quase nem tomara uma refeição com a atenção devida.

Por volta das 13:15, um avião, a turbo-hélice, maltratava-me, na boca, os dentes a baterem de terem o medo como carrasco. Ventoinhas, eu gostava de as ver por dentro, de modo que, uma aeronave impulsionada daquela maneira nunca me inspirara tão grande confiança. Todavia, o senhor panico trabalhava-me a meio gás pelo facto de saber que a nave haveria de ser comandada pelo Amílcar Polana, amigo e colega do meu irmão (ainda penso eu) nesses mecanicos oficios de voar, o que, de per si, predispunha os nervos um pouco mais à tranquilidade.

Uma hora e tal depois, descarbonizado dos 22 mil pés da altitude de um voo tranquilo, iniciava a descida para o verde geometricamente arrumado lá em baixo e de onde se desarrumavam, também, as palhotas escurecidas, pelo sol, no seu aconchegado caniçado. Os rios serpenteantes, as abóbodas macubarrísticas dos coqueirais, as pessoas, minusculíssimas, trabalhando no que me parecia ser o plantio do arroz revelavam-me, com a paisagem, fotografias antigas que a memória me desengavetizava. Fantástico como aquele facto me surpreendeu e tocou tanto. Duas lágrimas envergonhadas, mas substancialmente nutridas, ensaiaram a sua queda face a baixo, não pelo momento mas pela fria e triste sensação de que naquele dia eu não reveria, viva, a figura terna e carinhosa da minha falecida mãe me esperando. Contive-me, pois a sua morte ainda me esta muito presente.

Um baque surdo e muito técnico, confirmou-me a aterrissagem e, em poucos instantes, corpo e espírito tomavam contacto físico com a terra que me viu nascer. Com um aceno breve despedi-me do comandante da aeronave sentado à janela esquerda da mesma e parti emocionado para o tapete rolante a fim de levantar os livros que a simpatia e a beleza sempre chuabense de uma conterrânica Senhora Dona me haviam feito o favor de despachar. A delicadeza serviu para que eu escapasse ao pagamento do excesso de peso. Se ela me lê, o meu muito obrigado mais uma vez. Não lhe sei o nome, porém, a beleza e a simpatia dispensam-no.

Bom, feitas as dêmarches que tinham que ser feitas, estabeleceu-se o meu primeiro contacto com a cidade e as minhas e suas gentes. Logo ali, no aeroporto, um pequeno restaurante solicitava-me o restabelecimento das emoções e os cumprimentos do seu proprietário: um velho amigo e colega da escola Industrial e Comercial 1º de Maio de Quelimane, o Fernando Amado. Brindamos à ocasião com um temperado“Afonso Djakama” a duas pedras de gelo. Não o Presidente da Renamo, é claro, mas o Famous Grouse, rebatizado desta maneira em alusão à perdiz que leva no rótulo. Para apurar tudo isso, a lentidão caracolesca, mas muito nharinga, do empregado de mesa que se movimentava deselegantemente atrapalhadíssimo com qualquer coisa que não percebi bem o que era. Se o patrão, se eu.

Haveria, após aquilo, de rumar a cidade, posto que o protocolo do Munícipio, pelas mãos mocubenses, creio, da Assunção, já me tinham acomodado, mais as bagagens, no carro que me viera esperar. Aqui, ao lado do motorista, começam, então, as histórias maravilhosas que vos quero contar. O velho senhor que conduz ao meu lado, é-me familiar. Em silêncio, andei cavernoso pela memória a rebusca-lo, a tentar encontrar a razão daquele rosto ser-me tão próximo. Fi-lo durante todo o percurso que me levaria do aeroporto à cidade, entre os transeuntes atravessando-nos e as bicicletas taxeiras a gincanizar-nos. Demorado, mas pacientemente, começo a estruturar as lembranças. Uma por uma. Tinha que ser habilidoso e procura-lo, não no meu círculo de relações mas ou no do meu pai ou no do meu avô. Eu era demasiado jovem na altura. Um adolescente sonhador. Como insistisse no exercício certo território apenumbrado, resolvi delicadamente questioná-lo. Algumas operações de reconhecimento ao passado rapidamente nos fizeram chegar lá:

- Menino Dino? - Hey pá, pensei eu, o que vai sair daqui? Perguntei-me.

Não tardou a resposta fosse-me dada.

- Neto do Francisco do Ó? Meu padrinho de assimilação? E com o espanto ainda vestir-lhe o rosto, o velho arremata:

- O teu avô foi o meu padrinho para a minha caderneta de assimilado. És filho daquele White da Madal? Questionou de novo.

- Sou, sim senhor. O mais velho.

- Como você cresceu! Sentencia o velho.

E o carro voou para dentro do tempo, precipitou-se para aqueles buracos da ternura que as coisas boas avivam, abrandou a marcha e definiu um novo roteiro de viagem. A viagem das viagens às minhas memórias de QUELIMANE, que, em próximas crónicas, vos quero passar a contar. Por agora, ficamos aqui. Retorno breve se Deus quizer e O Pais deixar.

Um afectuoso cumprimento do

Eduardo White

Publicamos com a devida venia a Carta do escritor Eduardo White a Cidade que o viu nascer (Quelimane)

CARTA A QUELIMANE






Quelimane, meu amor.

Assim, por meio em tantas coisas às quais a minha vida se liga a ti, por dentro do cheiro que me corres nas paredes venais do meu corpo, por seres-me, ainda, o meu primeiro chão, o meu primeiro Sol, o meu primeiro ar e, também, o primeiríssimo sopro de vida desde que me conto entre os homens, escr evo-te.

Escrevo-te visceral e consanguíneo a tudo o que me és, ao que antes escreveste em mim, ao que sinto ainda escreveres-me e, sobretudo, ao que nunca de forma alguma poderei ou saberei escrever-te igual à força, ao estremecimento, ao tão pleno e intenso que é o sentimento que acordas no escuro que sou quando me és próxima, táctil e profunda, e doce , aveludada e líquida como só tu o sabes ser.

Esta carta pequena é para beijar-te a delicadeza, para dizer-te que te AMO e para agradecer-te do mais verdadeiro do que me sinto como espírito e, disso, como luz, a ternura com que me convidaste, recebeste e abraçaste-me e pelas carícias suadas que desenhaste em cada rua do meu corpo e pelas mãos que estendeste generosíssimas até as minhas. Voltar a ti como só desta vez voltei, foi como se para os teus braços nascesse uma outra vez para além daquela ao princípio da noite de 21 de Novembro de 1963, no teu pequeno e principal hospital.

Meu chão e meu amor.

Tornar às ruas onde me aprendi e vi crescer, aos cheiros acidulados dos teus calores, às memorias dos amigos ausentes e presentes, aos retratos ainda vivos das casas por onde me fiz, dos meus pais, avós, tios e tias, às velhas árvores onde cacei pássaros que nunca morreram e sobre as quais tantas vezes, igualmente, fui caçado pelos outros pássaros dos beijos das minhas paixões infantis e dos meus frágeis mas autênticos amores adolescentes, tornar ao menino que era, muito embora nunca o tenha matado, tornar à musicalidade cadenciada do falar do meu povo, à sua hospitalidade, ao seu respeito, à sua vocação para a partilha, foi, sem dúvida, uma forma inequívoca de regressar ao mais verdadeiro deste Eduardo que sou.

Esse filho que faz tanto tempo não me sentia e com quem me ajudaste a reencontrar bem no meio desse imenso útero que és, desse colo que conheci desde o meu primeiro grito fora daquele meu outro útero carnal, acendeu dentro todos os matialés que ainda preservo, os marriés que me voam, as togomas que descasco e os velocíssimos carrinhos de rolamento voando nos mais importantes circuitos desautomobilísticos que ganhei e perdi. Lembram-me, tão nitidamente, as Zalalas onde me banhei e chorei, namorei e sonhei-me, também, homem, quando acreditava que ser homem era bom e que o futuro era uma coisa que desejava fosse ontem para que a liberdade ganhasse em mim os espaços que queria conquistar naquele presente a que hoje tantas vezes me apetece voltar.

Cidade que me vives, Quelimane, onde a minha umbilical idade está certamente enterrada com parte do meu passado, eu escrevo-te para lembrar-te que te respeito o presente como te respeito o que foste, com a mesma intensidade e carinho, com a mesma delicadeza e sensatez como te amava e respeitava quando a vida descobriu-te-me como lugar para exercer-me.

Assim, meu amor, visto agora, neste brando papel do lume aonde tempero as palavras, toda a humildade que é sempre bom ter nestas ocasiões, para tocar-te os longos e verdes cabelos dos teus coqueirais, a doçura ímpar das tuas sananas, o melado estalido gustativo das tuas patanícuas, o maresíaco gosto a rio dos teus tôdues e, finalmente, o lanho da frescura dos beijos que são em ti no feminino todas as mulheres ténues como a lã, explosivas como o limão e festivas como as romãs, nossas esbeltas e luminosas chuabenses, para te dizer, uma vez mais, que te amo.

Aos teus filhos todos, sem descriminação nenhuma, a toda essa gente que se veste de humanidade para que todos os dias te façam respirar e continuares a ser Quelimane, à donzela gingada e dengosa que és, quero abraçar-vos na gratidão reconhecida e no respeito eterno que vos tenho. E a ti, meu amor, chão do meu primeiro grito, o meu mais gritado e sentido beijo e a reafirmação de dizer-te que bom lugar a Vida me deu para vir ao Mundo.

Teu Eduardo White

De volta a blogosfera!

Razoes profissionais e familiares fizeram com que deixasse de ser assiduo na blogofera, tno reduzido a minha intrvencao a postagens no facebook. Controlados parcialmente os assuntos que absorviam as minhas atencoes: concepcao, implementacao e monioria da etrategia da campanha eleitoral, preparacao da tomada de posse, montagem do Governo Municipal (nomeacao de Vereadores, Directores e Chefes de Postos, monitoria da situacao provocada pelo ciclone, nascimento do Junior, viagem ao Municipio de Nampula, eis-me de volta a blogsfera!

Friday, 10 February 2012

Carnaval ao rubro na Cidade de Quelimane!

Arranca hoje no Municipio de Quelimane aquele que e considerado o "Melhor Carnaval de Mocambique'! A grande novidades deste ano sao os semaforos colocados em fase experimental em dois pontos estrategicos da Cidade: cruzamento do Mercado Central e cruzamento do aeroporto junto a sede provincial do partido Frelimo! Quelimane hoyeeee! Hoyeee! Nao perca esta festa folica do 'Pequeno Brasil"!

Nasce o Junior (Primeiro varao da familia MA

No dia 06 de Fevereiro de 2012, o Todo Poderoso  deu a bencao a familia Manuel de Araujo, ao trazer ao mundo o primeiro varao desta familia! O bebe que nasceu cerca das 09.15 com 3.800 kgs, recebeu o nome de Junior, neto paterno de Victoriano Lopes de Araujo e de Ines Mario Alculete e materno de Liberato Soares e Arminda Rensamo.

Venho em meu nome pessoal, no da minha esposa e das familias Araujo, Alculete, Soares e Rensamo agradecer a todos os que nos assistiram e connosco estiveram ao longo dos longos e tribulados nove meses!

Que Deus nos abencoe!

Manuel de Araujo

Tuesday, 3 January 2012

Mensagem de Inicio de Ano do Presidente do Municipio de Quelimane




Caros munícipes,
Esta é a primeira mensagem de inicio de ano, que com reiterado orgulho dirijo na minha qualidade de Presidente do Município da Cidade de Quelimane, ao qual jurei servir e a meus concidadãos, a quem devo tudo e a quem dou o pouco que tenho.

No inicio de ano de 2012, que coincide com um novo ciclo no processo de governação do Município de Quelimane, pretendo reafirmar solenemente o meu compromisso de plena dedicação com o futuro do nosso município. Reafirmo, que é com o futuro que me quero comprometer,  olho o futuro com esperança, pois acredito firmemente que não será mera continuação deste presente.

Com o reconhecimento de que em sociedade nada se faz sozinho, o futuro de Quelimane apela ao envolvimento firme de todas e todos.  O velho paradigma de governacao baseado na exclusão social, económica e politica caducou e passou para as paginas da historia. Um novo paradigma baseado na inclusão, na auscultacao, na transparencia, e na participacao de todos os munícipes entrou em vigor! Ao jeito de Rousseau queremos anunciar de viva voz o inicio da implementacao do Novo Contrato Social entre os munícipes de Quelimane e o novo Edil. Este Novo Contracto social , foi rubricado a 7 de Setembro de 2012, e começou a ser implementado no dia 30 de Dezembro de 2011.  Os próximos dois anos serão de muito trabalho, exigirão muita disponibilidade e competência, concentraccao e melhor gesta dos parcos recursos que possuímos, de forma paulatina e selectiva em torno de nosso objectivo comum: a melhoria da qualidade de vida dos munícipes de Quelimane, que bem merecem, e há muito adiada.

O Novo Municipio de Quelimane que no presente ano começamos a edificar, basea-se e tem os seus alicerces delineados no nosso Manifesto Eleitoral, Quelimane Rumo aos Bons Sinais, que será o resultado de uma construção colectiva, independente de  convicções político – partidárias, raciais, étnicas e sociais, pois será fundada na pluralidade de opiniões e na capacidade de construir consensos.

Não permitiremos que pregoeiros da discórdia e desunião fragilizem nosso objectivo comum: a melhoria da qualidade de vida dos munícipes de Quelimane, que bem merecem.

Com a lucidez da razão, da força da inspiração Divina e humana, almejamos transformar radicalmente o modus vivedi dos nossos concidadãos, para melhor. Desejo e com a colaboracao de todos, a pureza dos sentimentos mais altos da natureza humana nos ajude a fazer com que as decepções dos anos que passaram dêem lugar às vitórias aguardadas e que virão por certo. Nas ultimas eleicoes não houve nem vencidos, nem vencedores! Alias o único vencedor foi o Municipio de Quelimane e os munícipes nela residentres!

Caros munícipes, minhas irmãs e meus irmãos,
Minhas mães e meus pais,

A nossa sabedoria milenar ensina-nos que Depois da tempestade vem à bonança’, que seja entao esta a  tão almejada “Era da bonança para os Quelimanenses”.

Aos Quelimanenses, aos Zambezianos, aos Mocambicanos na diáspora queremos assegurar que o vosso lugar neste processo de recuperacao e construcao de Quelimane esta assegurado!

Que o ano de 2012 seja pleno na realizações, superando as amarguras e necessidades porventura ainda vigentes em nosso município.

 "Elabo edji djeewu, ontonga diiiyo!"

Atenciosamente,

Manuel de Araujo