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Sunday, 9 May 2010
Saturday, 8 May 2010

Dear Manuel,
From the bottom of my heart - thank you.
Thank you for voting Conservative on Thursday. Every vote counts and you helped Britain vote for change.
More than that, I want to thank you for fighting and campaigning so hard for the past few weeks. I know how hard every supporter, member and activist worked during this campaign. I know how tough and gruelling it was. I know how tired you all feel now. You'll have blisters from all the pavements you've pounded; paper-cuts from the envelopes you've stuffed; bruised knuckles from the doors you've knocked on.
But I don't want you to doubt for one minute that it has been worth it. First of all, we should be proud not just of how hard we fought, but the way we fought. Our campaign was unremittingly positive and optimistic - and that's just what our country needed.
Second, we should be proud of the results we achieved. We gained more seats than at any election since 1931. We became the largest party in the House of Commons by a considerable margin. And we got two million more votes than Labour - and indeed, more votes than Labour did when they won in 2005. The swing we achieved was massive by historic standards.
By any measure, these are really impressive results and I, the Shadow Cabinet, our MPs old and new, and all our candidates owe each and every one of you a huge thank you.
But however much pride we can take in the enormous advance, we have to accept that we fell short of an overall majority. I know how much you wanted one - I wanted one too. But now we have to work with what we have. As I have been saying these past couple of days, it is vital Britain gets strong, stable and decisive government. The challenges we face - a war in Afghanistan, the debt crisis and an economy that is stuck, deep social problems, political crisis - call for nothing less. So it is in Britain's national interest that the Conservative Party rises to this challenge and works to secure good government for our country.
That's why yesterday, I made a big, open and comprehensive offer to Liberal Democrats. I want - and I believe the country expects - our two parties to work out how we can deliver strong and stable government to tackle Britain's big and urgent problems. Right now, talks are underway. Inevitably, there will be masses of unfounded speculation in the press, but I wanted to tell you my thinking directly, and I hope I'll be able to give you direct updates as we move forward.
So first, I want to make clear that I do not believe any future government should give more powers to Brussels, be weak on immigration or put the country's defences at risk. So we will stand firm on these issues.
But I also believe there are many areas of common ground between us and the Liberal Democrats - such as the need for education reform, building a low-carbon economy, reforming our political system, decentralising power, protecting civil liberties and scrapping ID cards.
There are also areas where I believe we in the Conservative Party can give ground, both in the national interest and in the interests of forging an open and trusting partnership. For example, we want to work with the Liberal Democrats to see how we can afford to reduce taxes on the lowest paid. Of course, we hope to see a similarly constructive approach from the Liberal Democrats - not least on the urgent issue of tackling the deficit.
Inevitably, these negotiations will involve compromise. But that's what working together in the national interest means. I hope we can sort things out as quickly as possible, for the good of the country. But we won't rush into any agreement.
We've got to make sure that anything that results really is the best possible outcome for Britain - that it really is in the national interest. After all, that's what this party has always been about. That's what I'm about. And I know that's what you want, and what the country wants right now too.
Thank you.
Premiados Stars e Pérolas 2009 no Standard Bank
Zainadine Jamaldine e Graciete Alfai foram os grandes vencedores das categorias Star
e Pérola Azul, respectivamente, segundo foi anunciado sábado último (24/4/10), em Maputo, na gala anual das estrelas do Standard Bank- Stars 2009.
Trata-se de colaboradores do banco que mais se destacaram sob o signo de excelência ao longo de 2009. Num ambiente festivo de convívio e glamour à mistura, foram igualmente premiados 10 colaboradores do programa de reconhecimento “Pérola
Azul” e 11 premiados “stars”.
Procederam à entrega dos respectivos diplomas o Administrador Delegado, Dr. António Coutinho, a Directora de Recursos Humanos, Dra. Hélia Campos e Dr. António Macamo, membro do Conselho de Administração do Standard Bank. A super estrela teve como prémio uma viagem ao Rio de Janeiro (Brasil) com direito a acompanhante e todas as despesas pagas pelo Banco, enquanto o vencedor do prémio azulíssimo ganhou uma
viagem a Cape Town também com direito a acompanhante e todas as despesas pagas.
Com cerca de 300 convidados, o evento adoptou a”História do Futebol” como tema da festa, pois o Standard Bank assumiu o compromisso para com o desenvolvimento desta modalidade no continente, sendo, o Banco oficial do Moçambola, a principal prova futebolística nacional.
Mais ainda o tema eleito fez jus ao facto de África finalmente ser o continente que irá acolher o mundial de futebol.
Durante a colorida festa, animada pelas brilhantes actua actuações do músico Valdemiro José e das cheerleaders, foram distribuídas aos convidados as pulseiras da Organização “Unidos Contra a Malária” que simbolizam a solidariedade na luta Contra doença, pois o Standard Bank está comprometido com esta causa social, não só a nível interno, mas também ao nível da sociedade em geral, sendo o apoio do Banco à Feira
do Cidadão realizada recentemente na Cidade da Matola um demonstrativo deste compromisso.
Memórias de Sérgio Vieira - 2
Sobre a «Voz da Quizumba»
Sérgio Vieira deve ser dos poucos autores que após um esforço titânico de trazer à estampa um volumoso livro, acha necessário lançar “avisos à navegação” logo nas primeiras páginas, alertando os incautos de que poderão deparar com “deficiências involuntárias” para depois pedir que seja considerado como “fonte primária”, mas “capaz de errar”, frisando que, se “deturpou”, não o fez “deliberadamente”. Bem escorado, o autor não esclarece, porém, se a memória apenas o atraiçoou à medida que iam recuando nos anos, ou se lhe pregou partidas também em outras épocas.
Mas ao leitor atento, fácil é descortinar que a maleita de que padece o autor é imprevisível, manifestando-se quer quando recorda a fase da adolescência em Tete, dizendo, por exemplo, (p. 57) que a central local “pertencia a um privado, o senhor Serras Pires, que depois a vendeu ao município" (na realidade este velho colono apenas tinha um contrato com a Câmara Municipal, entidade que lhe havia alugado a central); ou quer ainda quando as reminiscências reportam-se à fase de estudante universitário, em que afirma que, ao ir “de férias a Tete de Julho a Setembro de 1961”, Baltazar da Costa Chagonga encontrara-se com ele “por acaso, no bar do Christos & Luskos”. (p. 144) Como assim, se logo após ter saído da cadeia em Maio de 1960, Chagonga passara a viver exilado no Malawi?
Depois de ter metido os pés pelas mãos no concernente à disputa Mondlane-Cuba, o autor de “Participei, por isso testemunho” refere que “o nosso relacionamento com Cuba teve, a meu conhecimento, apenas um momento de inquietação” devido a uma proposta apresentada a Moçambique por um alto dirigente cubano visando a criação de um governo do Zimbabwe no exílio a partir do território moçambicano. (p. 632).
Posteriormente, segundo o autor, veio a saber-se que a proposta não tinha o aval de Fidel Castro.
Na realidade, não foi este o único “momento de inquietação” nas relações entre os dois países. Uns anos depois, Samora Machel ordenaria a expulsão do chefe da missão militar cubana em Moçambique por ter tentado obter informações confidenciais sobre a política do regime da Frelimo em relação ao ANC, servindo-se para tal do contacto que estabelecera com a secretária particular do chefe de Estado moçambicano. De imediato, a secretária alertou a segurança moçambicana para a tentativa de espionagem. Apanhada com a boca na botija, a Embaixada de Cuba em Maputo desfez-se em desculpas, alegando que o chefe da missão militar cubana agia por conta própria, havendo até suspeitas que trabalhava para uma potência estrangeira. Prometeu a embaixada que o irreverente diplomata seria repatriado sob prisão para Havana e destituído dos cargos que desempenhava nas FAR.
Quando, mais tarde, uma delegação do Ministério de Segurança-SNASP efectuou uma visita de trabalho a Cuba viria a constatar que a explicação que havia sido dada pela embaixada era redondamente falsa. Enquanto tomavam uma refeição em Varadero, os membros da delegação moçambicana ficaram perplexos ao reparar que numa mesa uma pouco afastada estava o antigo chefe da missão militar cubana em Moçambique, não mostrando indícios de ter passado por nenhum mau bocado, tendo sido apurado que permanecia no desempenho de funções.
A páginas 420 do seu livro de memórias, o autor afirma que “com o apoio do Governo de Salisbúria, Cristina iniciara violentos ataques de propaganda radiofónica contra o nosso Estado já nos finais de 1975, através da chamada Voz da África Livre, que o povo aqui apodava Voz da Quizumba”. Na página 422, o autor fornece uma data diferente, afirmando que “a Rodésia e o grupo ultracolonial, com Orlando Cristina à cabeça, haviam criado em meados de 1975, umas semanas após a nossa independência, a Rádio Quizumba.”
Na realidade, a emissora não foi criada nem em meados de 1975 nem nos finais deste ano. Nem tão pouco foi Orlando Cristina quem a criou. E contrariamente ao que alega o autor, não foi o povo que “apodou” a estação radiofónica de “Voz da Quizumba”, mas sim o Departamento de Trabalho Ideológico (DTI) da Frelimo. A Voz da África Livre foi para o ar pela primeira vez a 5 de Julho de 1976. Cristina só viria a assumir controlo editorial da rádio em Agosto desse ano.
Retomando a falsidade e a mentira crassas do departamento ideológico da Frelimo, em tempos propaladas através da AIM, o autor afirma que no “indicativo musical dessa rádio surgia uma canção colonial racista, Kanimambo (Obrigado) Como o Negro Diz!” (p. 422)
O indicativo musical da Voz da África Livre era “Moçambique” e não “Kanimambo”, embora esta canção fosse ocasionalmente radiodifundida pela emissora. Ao invés do que escreveu Sérgio Vieira, da versão “Kanimambo” transmitida pela Voz da África Livre não constava “Como o Negro Diz”.
O timbre de “colonial racista” não se ajusta a nenhuma dessas canções nem, por inerência, ao autor das respectivas letras, o poeta moçambicano Reinaldo Ferreira, considerado por figuras como José Régio e Vitorino Nemésio como um dos expoentes da poesia lusófona. Da obra de Reinaldo Ferreira constam poemas como “Menina dos Olhos Tristes”, que inspiraria o famoso cantor antifascista, Zeca Afonso, a compor uma balada contra a guerra colonial, mas que a censura/exame prévio do regime de Marcelo Caetano proibiu.
A publicação póstuma da antologia poética de Reinaldo Ferreira coincidiu com a presença de Sérgio Vieira em Lisboa, pormenor que, pelos vistos, passou despercebido ao autor, provavelmente devido à sua sobrecarregadíssima agenda de universitário, a par das extracurriculares peregrinações noctívagas pela Avenida Duque de Ávila, Praça da Alegria e Rua da Glória. (pp. 134-135) (Redacção)
CANALMOZ – 23.03.2010
Memórias de Sérgio Vieira – 4
Sobre Flechas, GEs e Perdizes
À medida que se progride na leitura de “Participei, por isso testemunho” fica-se com a sensação de que o autor não se preocupou com a sua credibilidade nem das instituições a que está associado, ou até mesmo com o ridículo a que, desnecessariamente, se expôs. Quaisquer que tenham sido os temas por ele abordados, surgem sempre falhas, imprecisões, omissões e, acima de tudo, a fantasia, a mentira crassa, a manipulação e a distorção. Já foram apontados vários exemplos, e no capítulo sobre “O Ocidente e a nossa libertação” (pp 547-574) surge um outro, tão caricato e grotesco como os anteriores.
Afirma o autor que o Agente Laranja, um desfolhante muito usado na guerra do Vietname, foi “previamente” testado em 1965 e 1966 na Província de Cabo Delgado, e que quando esse produto químico “se começou a utilizar em larga escala no Vietname, o Presidente Samora mandou transmitir a nossa observação.” Remata o autor: “Os camaradas do Vietname constataram a eficiência da informação e agradeceram.” (p. 555)
Sucede, porém, que o desfolhante Agente Laranja começou a ser usado na guerra do Vietname antes da formação da Frelimo. A origem desse produto químico data de 1941, passando a ser usado pelas Forças Armadas Americanas a partir dos finais dos anos 40. É pois, descabida, a afirmação do autor de que antes da introdução do produto na guerra do Vietname ele tivesse sido “previamente” testado em Moçambique.
Embora seja por demais conhecida a posição do autor em relação às forças de oposição ao regime de que faz parte, no caso da Renamo ele excedeu-se na forma como deturpou os factos, acabando ele próprio por colocar a sua obra num plano normalmente reservado a livros de pouca ou nenhuma credibilidade, como, aliás, já observou o professor catedrático moçambicano radicado nos Estados Unidos, Luís Bejamim Serapião.
Sobre a formação da Renamo, o autor volta a repetir tudo quanto a máquina de propaganda do seu partido tem propalado. Diz, a páginas 421, que “forças rodesianas heli-transportadas, nos meados de 1976, fizeram um raid contra um centro de reeducação em Sofala”. Nesta operação, acrescenta o autor, “os rodesianos orientados por Orlando Cristina, antigo homem de mão de Jorge Jardim, recolheram entre vários, André Matsangaíssa (sic), que fizera parte dos Grupos Especiais, GE, e depois já em 1971 os Grupos Especiais de Paraquedistas”, acrescentando que estas unidades “funcionavam como um exército privado sob o comando de Jardim e Cristina”.
Como é do conhecimento geral, André Matsangaice fugiu do centro de reeducação de Sacudzo pelos seus próprios meios. A corroborar este facto está o Tenente General das FAM-FPLM, José Phahlane Moiane. Em “Memórias de um Guerrilheiro” (King Ngungunhane Institute, Maputo 2009, 2ª Edição), o Tenente-General Moiane desmente o coronel na reserva, Sérgio Vieira, afirmando que, “Matsangaissa (sic) era um dos nossos soldados que roubou e foi preso, conseguiu fugir da prisão e foi para a Rodésia.” (p. 164) O Tenente-General Moiane que na altura era governador da Província de Manica, portanto em contacto directo com a realidade no terreno, não fala nem em “raids”, nem em “forças rodesianos heli-transportadas”. Em 1971, ano em que o autor afirma que André Matsangaice ter-se-á alistado nos GE e depois nos GEP, ele trabalhava como motorista de máquinas pesadas, tendo sido recrutado pela Frelimo na região de Mungari, Província de Manica
Quanto à alegação do autor feita na já citada página 421, de que os GE e os GEP “funcionavam como um exército privado sob o comando de Jardim e Cristina” (antes, a páginas 397 o autor dizia que estes mesmos grupos eram “um exército semiprivado e sob o controlo” de Jardim...) não corresponde, no mínimo, à realidade. Efectivamente, os GE e depois os GEP eram unidades das Forças Armadas Portuguesas sob a chefia de Costa Campos, um coronel pertencente aos comandos pára-quedistas e que recentemente havia cumprido missão de serviço na Guiné-Bissau. Nem Jardim nem Cristina comandavam essas unidades, nem tão pouco as controlavam. E Cristina nem sequer teve qualquer envolvimento com os GEP dado que pouco depois da formação dos GE ele entrou em desavenças com Costa Campos.
Em mais uma fantasia do autor de “Participei, por isso testemunho”, lê-se a páginas 422 que “até pouco antes das eleições de 1994, a RENAMO guardou como seu aquele emblema que a PIDE-DGS criara para os FLECHAS”. O emblema dos FLECHAS era o arco e a flecha, armas tradicionais dos koisan, ou bosquímanos, do sul de Angola. O emblema da Renamo antes das eleições de 1994 era constituído por 5 flechas simbolizando a resistência secular do povo moçambicano contra a ocupação colonial. Do emblema não constava nenhum arco.
O autor tenta fazer passar como facto a insinuação de que o símbolo da Perdiz constante da nova bandeira da Renamo “só surgiu nas vésperas das eleições de 1994 e, aparentemente, num acto de gratidão de Dhlakhama (sic) em relação a um cantineiro em Chibabava, cognominado localmente como Perdiz...” Para alem do ridículo da insinuação, facilmente desmentida pelos factos, o autor revela uma ignorância atroz da cultura africana. A perdiz simboliza entre a esmagadora maioria dos povos africanos a ave que recusa ficar cativa, símbolo esse intrinsecamente associado a um regime que só em 1994 aceitou tomar parte no jogo democrático.
E em relação ao nome da organização fundada por André Matsangaice, afirma o autor que em 1978 “os moçambicanos autonomizam-se” e “adquiriram o nome de Movimento Nacional de Resistência, MNR, para em 1980, já sob o controlo sul-africano, mudarem o nome a respectiva sigla para Resistência Nacional Moçambicana, RENAMO, sempre sob a direcção de Orlando Cristina”. (pp 422-423)
Desde sempre que o movimento foi conhecido pela designação em língua portuguesa de Resistência Nacional Moçambicana. Toda a documentação existente na altura, e em particular as emissões da Voz da África Livre referiram-se sempre a essa designação em português. “MNR” é a abreviatura da tradução do nome do movimento em língua inglesa: Mozambique National Resistance. Essa abreviatura foi utilizada por iniciativa exclusiva de jornalistas estrangeiros que comentavam sobre a situação em Moçambique. A sigla “RENAMO” existiu antes de 1980. Para se por termo à confusão – involuntariamente criada por jornalistas estrangeiros e manipulada deliberadamente por círculos apostados na desinformação, em que o autor de “Participei, por isso testemunho” se posiciona – a sigla RENAMO passou a ser usada, mas só depois da morte de Orlando Cristina em 1983. (Redacção)
CANALMOZ – 05.05.2010
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Memórias de Sérgio Vieira(3)
Sobre a reconciliação com Domingos Arouca
Embora se tenha dito que “Participei, por isso testemunho” não encerra qualquer acto de contrição formal, como prelúdio de uma verdadeira reconciliação nacional, há a reter o facto de o autor ter ensaiado os primeiros passos nesse sentido e que se espera venham a desembocar em algo de maior vulto, pondo-se assim termo ao dogma dos “bons” e dos “maus” que continua a permear o discurso da Frelimo. É certo que o caminho por trilhar é extenso e enormes os obstáculos a transpor, especialmente se se considerar que a velha guarda da Frelimo ainda conta no seu seio com elementos que não confiam nas capacidades da juventude, pese embora o facto de, para consumo público, enaltecerem o papel da “seiva da nação”; e com os que não reconhecem a existência de uma comunicação social independente, apesar de um dos pilares da democracia que afirmam ter sempre defendido para Moçambique ser constituído por órgãos de informação livres de tutelas partidárias.
Quase meio século após ter confessado a um clérigo em Paris ser ateu (p. 157), o autor reencontra-se finalmente com Cristo, indo à Bíblia (João 8: 1-11) de onde retirou uma das mais lapidares frases do mensageiro de Deus, para afirmar “que atire a primeira pedra quem estiver livre de enganos e erros” (p. 182) quando concluía a sua retracção por tudo quanto antes havia dito e escrito a respeito de Domingos Arouca.
Na retracção o autor faz um historial mais ou menos objectivo do percurso político de Arouca, mencionando de forma cortês as expectativas do advogado moçambicano no contexto de uma evolução interna; a sua crença de que era possível desempenhar um papel de relevo no quadro de transição do sistema colonial, em consequência da aposta que fizera na ala liberal do regime então representada por figuras como Adriano Moreira (em que o Mondlane também acreditou) e Sarmento Rodrigues, a quem o autor se refere como tendo feito parte da conspiração contra Salazar (pp. 180, 181); a aliança “temporária” entre Arouca e Jardim; e a sua recusa em aceitar um convite formulado por Chissano para integrar o Governo de Transição, fazendo depois uma rápida e resumida abordagem ao período que vai da independência ao regresso a Moçambique na sequência do Acordo Geral de Paz.
Frisa o autor que “nunca esteve em causa o patriotismo e anticolonialismo de Domingos Arouca” e que este “merece respeito e soube sempre assumir uma postura de idoneidade e nacionalismo, de que todos estamos reconhecidos”, acrescentando: “Comportou-se com dignidade na longa prisão que sofreu, não renegando em nenhum momento o princípio do patriotismo.” (pp. 181, 182).
Para Sérgio Vieira, os anos pesam e sob os seus ombros poderão já ter começado a desfazer-se as arestas mais salientes de radicalismos, de intolerâncias e de obsessões, substituídas que foram as palas do dogma leninista-stalinista pela vivência democrática graças aos sacrifícios consentidos por irmãos do outro lado da barricada para que esse princípio pudesse vigorar na Lei Fundamental, rasgado que estava o edital aprovado numa praia de Inhambane pelo Comité Central de uma formação política fechada sobre si mesma.
Ao passado pertencem agora as palavras que Sérgio Vieira deixou impressas nas páginas do jornal «Notícias» (17 de Outubro de 1976) num texto intitulado “Arouca: Lacaio do Capitalismo e Magalómono (sic)”. Numa prosa que o autor por vezes deixa escapar para uma publicação irmã no âmbito de “Cartas a Muitos Amigos”, lê-se:
“Sr Director,
“Tenho seguido com atenção a acção correcta do vosso jornal em desmascarar o conhecido latifundiário e traidor Domingos Arouca. [...] Conheci Arouca nos tempos comuns da Faculdade de Direito em Lisboa, no fim dos anos cinquenta. Não o conheci a militar nas Associações de Estudantes onde se encontravam lado a lado portugueses e estudantes patriotas das chamadas colónias. Não o conheci a militar na Casa dos Estudantes do Império, que agrupava os estudantes patriotas e anti-colonialistas de Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Goa, Timor, Macau.”
Prossegue o autor da carta: “Arouca foi preso. Soube que traiu companheiros na prisão. Soube como na prisão era protegido e privilegiado”, para depois concluir:
“Quero apenas como conclusão das minhas experiências com Arouca dizer: devido à sua ambição megalomânica (sic) tornou-se de há muito um pobre triste joguete do colonialismo e do imperialismo. Os seus patrões actuais deitá-lo-ão fora como lixo, tal como fez Sarmento Rodrigues e os antigos patrões, logo que tenha esgotado a sua credibilidade fantoche.
“Muito obrigado.
Sérgio Vieira”
Foi, pois, bonito o autor ter agora recorrido à Sagrada Escritura para limpar os impropérios que havia dirigido a um velho nacionalista que foi coerente para consigo próprio até ao fim. Infelizmente, nas páginas de “Participei, por isso testemunho” não encontramos qualquer retracção para com outros nacionalistas moçambicanos que se bateram pela democracia a que a Frelimo havia renunciado, em violação de um dos princípios basilares do Programa adoptado aquando do 1° Congresso da Frente de Libertação de Moçambique em 1962, designadamente o da “formação de um governo do povo, pelo povo e para o povo”.
O autor explica a renúncia da Frelimo ao ideal democrático em moldes caricatos, começando por dizer que “Do povo, pelo povo e para o povo, fórmula bem lapidada pelos fundadores dos Estados Unidos, fazia parte do ideário transmitido por Mondlane e bem assumido por todos nós.” (1) Explicando a seguir porque é que a Frelimo em 1975 impôs um regime totalitário em vez do princípio democrático enunciado no Programa de 1962, o autor afirma: “A transformação do princípio em práticas e normas nem se fazia automaticamente, nem beneficiava de um manual elaborado que nos guiasse.” E numa posição em tudo reminiscentes das premissas defendidas por ditadores que enchem as páginas da História, Sérgio Vieira diz-nos que não podíamos viver em democracia uma vez que “no continente dominavam as formas monopartidárias de governação, assim como nos países do leste europeu onde se formavam os nossos estudantes e quadros militares.” (p. 306) Por essa ordem de ideias, Salazar – em relação ao qual o autor se evidencia pelas críticas que faz ao regime totalitário imposto pelo ditador aos portugueses – poderia argumentar que em Portugal não era possível viver-se em democracia dado que o vizinho do lado era fascista, e que o vizinho do fascista era aliado do nazismo que imperava no país ao lado. O que é extraordinário é o facto de Sérgio Vieira, um dos arautos da “equidistância”, servir-se das formas de governação existentes nos países do Leste para justificar a negação da liberdade e da democracia ao povo moçambicano, colando-se assim a Salazar para quem o povo não estava “preparado” para viver em democracia.Que Sérgio Vieira esteve sempre de costas viradas para a democracia, é algo que está cristalinamente estampado nas páginas do capítulo sobre “As zonas libertadas e as novas estruturas do poder” (pp. 297-313), em que o autor defende de forma acérrima o “pensamento comum”, pedra de toque do sistema totalitário imposto ao país depois da independência. Isso explica a negação do papel desempenhado pelos moçambicanos que se bateram pelo ideal democrático, e demonstra que o autor conta-se entre os que não acreditam, nem tão pouco estão empenhados na consolidação de um sistema democrático que foi arrancado a ferro e fogo. Explica igualmente as vicissitudes por que a jovem democracia moçambicana tem vindo a passar desde 1994, caracterizadas pela discórdia, tensões e conflitos, o último dos quais merecendo até a intervenção dos que abrem os cordões à bolsa. (Redacção)__________(1) Na realidade, a máxima “Do povo, pelo povo e para o povo” pertence a Abraham Lincoln, e não aos “fundadores dos Estados Unidos”. Foi Lincoln, o 16° presidente americano, quem a proferiu pela primeira vez no famoso discurso de Gettysburg em Novembro de 1863, portanto quase um século depois da proclamação da independência norte-americana.
CANAL DE MOÇAMBIQUE – 28.04.2010
Friday, 7 May 2010
Resultados finais: Conservadores 307, Trabalhistas 258 , Liberais Democratas 57
Governo de Colaboracao?
Acabam de ser anunciados os resultados das eleicoes parlamentares britanicas. Apesar da massiva participacao do eleitorado britanico nenhum partido esta celebrando victoria. Pelo contrario, divulgados os resultados uma incerteza geral paira no horizonte eleitoral e politico da sociedade britanica e negociacoes decorrem entre partidos com o objectivo de criar uma coligacao que possa formar um governo estavel e que responda aos desafios que a sociedade britanica enfrenta. Desde 1974 que a sociedade britanica nao passava por uma exeriencia desta natureza em que nenhum partido consegue maioria suficiente para formar governo.
De acordo com os resultados o partido Conservador obteve maioria parlamentar, tendo arrecadado 307 lugares, mais 90 em relacao a ultima eleicao, o que representa 36% dos votos denotando um crescimento de mais de 4 %. Por sua vez, o partido Trabalhista arrecadou 258 lugares, menos 87 lugares, representando cerca de 29%, denotando uma reducao de -6%. Os Liberais Democratas conseguiram 57 lugares, ou seja 23% do total de votos.
Em Whales os Conservadores tiveram os melhores resultados nas ultimas decadas, tendo aumentado seus lugares no parlamento de tres para oito.
Esta manha, na sua primeira reaccao Nick Clegg lider dos Liberais Democratas disse o seguinte:
'A noite passada foi uma noite de desapontamento. Perdemos valiosos deputados. Voltamos ao parlamento com menos deputados do que quando entramos nesta eleicoes. Reitero o que afirmei durante a campanha eleitoral: o partido que tiver mais votos e por conseguinte mais lugares no parlamento tem o direito de ter a primeira opcao de formar governo. E no caso concreto tal partido e o Conservador, que nos deve provar que e capaz de formar governo que responda aos dictames do interesse nacional' 'Estas eleicoes provaram que o nosso sistema politica esta quebrado. Nao responde aos anseios e aspiracoes da sociedade britanica, pelo que e urgente a sua reforma...'.
Em resposta o lider dos Conservadores, David Cameron agradeceu o pronunciamento de Nick Clegg e afirmou: 'Estou preparado para fazer uma oferta Grande, Aberta e Compreemsiva. Podemos trabalhar juntos nas areas da Economia, Educacao, liberdades individuais, impostos e Reforma do Sistema Politico, incluindo o sistema eleitoral.'.
Dois pesos pesados dos conservadores, nomeadamente o ministro sombra para os negocios estrangeiros, William Hague e o antigo Primeiro Ministro John Major afirmaram que 'ha espaco para acomodar membros do partido liberal democrata num gabinete a ser liderado por David Cameron'.
Por sua vez, O lider dos Trabalhistas, e actual Primeiro-Ministro, Gordon Brown teceu as seguintes consideracoes: 'Compreendo e aceito a posicao do Sr. Clegg de conversar primeiro com os Conservadores. Se as conversacoes entre os Conservadores e Liberais nao produzirem os resultados esperados estou preparado para conversar com o lider de qualquer partido, incluindo os Liberais Democraticos. Essas conversacoes deveriam concentrar-se em duas areas: no plano para assegurar a continua gestao da economia e a reforma do sistema politico e eleitoral. Temos estes assuntos nos nossos manifestos eleitorais'.
No momento em que escrevemos David Cameron entrou ja em contacto com Nick Clegg via telefone e espera-se que o primeiro encontro entre os dois grupos (frente a frente) tera lugar esta noite.
O Partido trabalhista perdeu dois pesos pesados, Jack Smith e Charles Clake, ambos ex-minitros do Interior, que nao conseguiram votos suficientes para manter seus lugares no parlamento. Enquanto que o partido 'Os Verdes' conseguiu eleger o seu primeiro deputado na historia britanica, Caroline Lucas, representando Brighton Pavillion.
Entretando centenas de eleitores nao puderam exercer o seu direito de voto por irregularidades por parte da Comissao Nacional de Eleicoes.
Manuel de Araujo em Londres e Brighton
E Oficial: a partir deste momento e matematicamente impossivel ter uma maioria capaz de formar governo!
O povo britanico decidiu: nao ha super vencedores! Os Conservadores tem maioria parlamentar (290 lugares no parlamento) mas nao suficiente para formar governo. Os Trabalhistas conseguiram 247 lugares enquanto que os Liberais Democratas conseguiram 51 lugares.
De acordo com a 'Constituicao Britanica' que nao esta escrita, nestes casos o partido (vencedor ou perdedor) que conseguir formar uma maioria atraves de uma coligacao, sejam os Trabalhistas e Liberais ou Conservadores e Liberais podera formar governo.Tecnicamente estamos perante um empate com sabor a victoria amarga para os Conservadores e sabor a derrota adocicada para os Trabalhistas e Liberais.
Assim sendo, caso Brown consiga 'seduzir' os Liberais e formar goveno, este tera pedir um encontro a Rainha para informa-la. Se a rainha aceitar encontrar-se com ele entao continuara primeiro ministro!
Aritimeticamente, uma coligacao Trabalhista-Liberais Democratas tera uma maioria parlamentar de mais de metade dos lugares. Mas seria uma coligacao de 'perdedores'!
Caso nao consiga formar coligacao, entao sera a vez de David Cameron formar uma coligacao.
O lider que conseguir formar maioria coligada pedira uma audiencia a rainha e se esta audiencia for concedida entao sera o primeiro ministro.
Formado o governo, os parlamentares terao a possibilidade de votar aprovando ou dando uma mocao de 'nao aprovacao' ao novo Primeiro Ministro. Caso a votacao nao seja favoravel ao novo Primeiro Ministro, entao havera a necessidade de o entao recem-eleito PM demitir-se abrindo espaco para que o outro lider possa criar a sua coligacao!
E um momento historico na longa historia democratica britanica. Um momento simbolico a nao perder!
Caroline Lucas e a primeira deputada do Partido Verde!
Enquanto falta o anuncio de cerca de 42 lugares eis a imagem dos resultados:
Caroline Lucas (Brighton Pavillion) faz historia ao ser eleita como a primeira deputada 'Verde' da Gra-Bretanha, sendo assim a unica deputada do seu partido. A Gra-Bretanha era o unico pais da Europa que nao tinha nenhum deputado 'Verde'!
Os trabalhistas perdem os tres lugares em Brighton, pois os outros dois lugares (Hove) foram para os Conservadores.
Conservadores ganham 14 lugares no parlamento.
Trabalhistas perdem 8;
Desapontamento para os Liberais Democratas: perderam muitos lugares!
Ex-ministra do Interior Jacqui Smith nao conseguiu manter seu lugar.
Conservadores (Nicola Blackhood) vence em Oxford West, arrancando um lugar aos Liberais Democratas enquanto que Andrew Smith dos Trabalhadores conseguiu aumentar a sua maioria em Oxford East. Um voto pessoal e nao partidario.
Em Guilford Conservadores conseguem mais um lugar.
Em Reading Conservadores ganham um lugar, e os Trabalhistas sao empurrados para o terceiro lugar!
Oliver Letwin, um dos gurus Conservadores e proximo de Cameron mantem seu lugar no parlamento, numa regiao que era definida pelo Liberais como prioritario.
Michael Gove manteve o seu lugar com um super maioria.
No geral o sul da Gra-Bretanha votou para os Conservadores: Bournemouth East, Portsmouth North etc.
E assim vao as eleicoes britanicas caminhando para um 'hung parliament'! ou seja apesar de estar claro que os Conservadores sao no geral o partido maioritario, tal maioria nao sera suficiente para formarem governo sem coligacao! Gordon Brown, lider dos Trabahistas, apesar da enorme derrota sofrida nas urnas ainda tem a possibilidade de formar governo, caso consiga coligar-se com os Liberais Democratas.
Conservadores conseguem um lugar em Crawly.
Guilford
Turnout 72%
Labour:
Conservatives:
Liberal Democrats:
E a vez de outro peso trabalhista na TV. Ed Miliband o ministro da energia e ambiente que reforca a ideia de que Brown podera continuar Primeiro Ministro! Minutos antes o ex-ministro da Educacao e tambem ex do Interior David Blanket acabou sendo o primeiro oficial senior dos trabalhistas a 'confirmar' a derrota!
Cidade de Durham: Sera desta que os Liberais levam a cidade?
Labour: 20.496
UKIP : 856
Independent: 172
Kirkaldy, Gordon Brown volta ao parlamento com 29,559 votos pela setima vez (entrando no seu 27 anos no parlamento) pelao Scotist Labour Party! Uma subida de 5% em relacao as eleicoes passadas! Pelo discurso me parece que Gordon Brown ja tomou a sua decisao independentemente dos resultados ele nao sera o Primeiro Ministro: sua voz, seu olhar, o da sua esposa eram de assumida derrota! Uma despedida graciosa!
Ken Clarke volta ao parlamento!
Irland do Norte
Sinn Fein vence primeiro lugar no parlamento!
A Presidente da Comisao Nacional de Eleicoes afirma que os membros da Comissao de eleicoes que nao cumpriram com a lei responderao individualmente!
Witney Count!

David Cameron e esposa Samantha acabam de chegar a sua area eleitoral de carro! Directamente para o pub (bar).
Jeremy Hunt substitui Eric Pickles no debate televisivo!
Ken Clarke, ministro sombra para a area de negocio (Business Shadow Secretary) entra em cena! Clarke afirma que sera um escandalo se Gordon Brown continuar primeiro ministro apesar da derrota!
Entretanto Gordon Brown aparece pela primeira vez em publico desde o encerramento das urnas!
Hung Parliament? A grande duvida!
No sistema britanico existe apenas uma hora entre a cessacao do Primeiro Ministro antecessor e a tomada do poder do sucessor.
A historia eleitoral britanica registou 'hang parliaments' em varios anos, uns mais 'hung' que outros: Eis a sequencia deles:
1910
1923
1929
1974 durou tres dias!
1974 durou 3 meses!
1977 durou 16 meses!
1978 durou 8 meses!
1996 durou 5 meses!
Thursday, 6 May 2010
Durham City
Uma cidade academica e jovem onde se espera que os Liberais Democratas possam eleger um deputado! Sera?
O tempo e o melhor juiz. Ha um dado confirmado: houve uma afluencia as urnas acima das expectativas!
Tessa Jewel substitue Peter Mandelson no painel da televisao!
A Ministra para os jogos olimpicos, Tessa Jowel acaba de substituir o estratega trabalhista Peter Mandelson. A Comissao Eleitoral esta sob pressao pois em algumas estacoes de voto registaram falta de boletins de voto! Interessante pois nao? Penso que teremos que aumentar o numero de observadores africanos as eleicoes britanicas!
O ministro dos negovios estrangeiros David Milliband entra em cena a partir da sua area constitucional afirmando que caso nao haja um vencedor declarado entao Gordon Brown devera continuar primeiro ministro.
Ate ja,
MA