Wednesday, 13 February 2008

A FACE VISIVEL DAS MANIFESTACOES


ELISIO MACAMO

O 'Noticias' de hoje publica um texto interessante do sociologo mocambicano Elisio Macamo. Pela importancia do mesmo e com a devida venia publicamo-lo na integra, pois ajuda-nos se nao a perceber, pelo menos a pensar o nosso 'modus vivendi' :

A face visível das manifestações. As manifestações e os desafios que nos colocam

TERÇA-FEIRA, dia 5 de Fevereiro, é capaz de entrar na história do país como o dia em que deitamos tudo por água abaixo. Não foi o dia da revolta popular; não foi o dia em que o povo perdeu a paciência; não foi o dia em que o povo disse “basta!”. Não, não será por essa via e com essa justificação que o dia vai entrar na história. Se a Frelimo alguma vez deixasse. O dia 5 de Fevereiro é capaz de entrar na história como o dia em que a classe política, os intelectuais e académicos, mas também o povo – ah, o povo! – revelaram a extrema vulnerabilidade do país. Com efeito, a situação é muito mais grave do que eu pelo menos supunha. O país baloiça na ponta de um fio de seda, documentando desse modo a afinidade que une os países africanos – desde o Quénia até ao Chade, passando pelo Ruanda e Burundi. É caso para dizer: avante, camaradas, temos que recuar!Maputo, Quarta-Feira, 13 de Fevereiro de 2008:: Notícias
O que é que aconteceu nesse dia? É difícil dizer com exactidão. Muitos não vêem esta dificuldade porque os factos parecem falar mais alto do que o interesse que cada um de nós tem em produzir versões politicamente aceitáveis do sucedido. Jovens e populares fizeram-se à rua para protestarem contra a subida do preço de transportes. Foi isso mesmo que sucedeu? Ou jovens desordeiros foram à rua destruir a ordem pública? Ou foram pessoas sem sentido cívico que se fizeram à rua para manifestar o seu desacordo em relação ao aumento do custo de vida documentado pela subida do preço do “chapa” e do preço do pão? Ou foram cidadãos normalmente pacatos que, fartos das falcatruas dos governantes, resolveram mostrar ao governo que com o povo não se brinca? O que é que realmente aconteceu nessa terça-feira? Distúrbios? Protesto? Exercício democrático?

Sei que muita gente, quer no interior da classe política, quer no interior da classe intelectual, não gosta de perguntas, sobretudo deste género de perguntas. Vivemos num país curioso pelo facto de se caracterizar por um número enorme de incertezas na vida individual dos moçambicanos, incertezas essas, porém, que não impedem nenhum de nós de partir do princípio de que tudo é certeza. Assim, a hostilidade às perguntas, sobretudo a este género de perguntas, resultaria do efeito nefasto que elas teriam nas certezas às quais nos agarramos firmemente para não nos afogarmos nas incertezas. E, lembrem-se, estamos a falar de um país que baloiça na ponta de um fio de seda. Esse mesmo país oferece-nos certezas, pensamos. Distúrbios, protesto, exercício democrático, ponto final.

Aqui entramos num terreno difícil com duas vertentes. A primeira é simples. Explicar não é justificar, esta máxima é tão velha quanto os problemas que nos afectam no nosso quotidiano. Notei, a partir da leitura de artigos de imprensa, cartas de leitores, comentários em blogues na internet, conversas com amigos, cartas abertas ao Presidente da República, etc., que algumas pessoas se regozijam pelo que aconteceu. Deu-se uma lição ao governo! O governo está a pagar por todas! Bem feito! Agora é que o governo vai ouvir! E como se o governo estivesse a mostrar que está de acordo com estas interpretações, recuou, deu um passo atrás, cedeu, finalmente deu ouvidos ao povo! Diz-se. Explicar não é justificar, mas justificar também não é explicar. Então, o que estamos a fazer quando dizemos que no dia 5 de Fevereiro o povo saiu à rua para protestar contra as injustiças deste governo? Estamos a relatar o que aconteceu? Estamos a explicar o que aconteceu? Ou estamos a justificar o que aconteceu? E, acima de tudo, como é possível uma explicação ou uma justificação sem o relato da própria coisa?

A segunda é complicada. O que foi adiado, não está resolvido. O governo vai subsidiar os “chapa”, muito bem. Mas com que dinheiro? Até quando? E se o povo se fizer à rua também contra o preço do pão? Contra o HIV/SIDA? Contra o frango brasileiro? Contra os parceiros da cooperação? Contra as derrotas dos Mambas? Contra as cheias? Enfim, contra tudo quanto não percebe, mas para o qual precisa de responsabilizar o governo? E aí? O governo vai recuar, dar um passo atrás, ceder e finalmente dar ouvidos ao povo? Adiar uma coisa não é resolver essa coisa, mas também resolver uma coisa não é atacar o problema que criou essa coisa. Então, o que pensa o governo estar a fazer quando reage às manifestações populares com concessões? Está a acalmar os ânimos adiando estrategicamente a solução ou está a criar expectativas evitando reagir ao problema? E que problema? O problema dos ânimos ou o problema na base da manifestação popular?

Os pneus foram o símbolo da fúria (C. BERNARDO)O PROBLEMA

Maputo, Quarta-Feira, 13 de Fevereiro de 2008:: Notícias
Em tempos publiquei neste jornal um texto a comentar um livro de Kumba Yalá com o título pomposo de “pensamentos filosóficos”. Nesse texto escrevia que o povo nunca se engana, mesmo quando está enganado. Escrevi esse texto a pensar – e disse-o também – no exercício do poder político entre nós. Dizia que exercer poder político é uma grande responsabilidade, pois consistia essencialmente em nunca dar ao povo a oportunidade de fazer más escolhas que, naturalmente, nunca constituiriam engano, pois o povo nunca se engana. Na terça-feira fatídica o povo, ou uma parte desse povo, saiu à rua para responder afirmativamente às oportunidades que a nossa classe política e a nossa classe intelectual têm estado pacientemente a criar pela sua recusa persistente em pensar seriamente a relação entre o Estado e a sociedade. Ou por outra, o que aconteceu naquele dia na cidade de Maputo não foi o protesto ou a revolta do povo contra a indiferença e os ouvidos a mercador do governo. Foi algo mais grave ainda. Os manifestantes foram à rua mostrar, por um lado, que o nosso sistema político dança na corda bamba ao alimentar falsas expectativas em relação ao que o Estado pode fazer pelos cidadãos, mas por outro lado mostrar também que este sistema político não tem espaço para a articulação sensata e construtiva de desacordo.

Isto é o que me parece ter acontecido no dia 5 de Fevereiro, dois dias após o aniversário da morte de Eduardo Mondlane, o tal que lutou por Moçambique. Ninguém sabe exactamente por que Moçambique Mondlane lutou e morreu, mas seja qual for a ideia que o motivou, o que aconteceu dois dias após a celebração de mais um aniversário da sua morte parece ter mostrado que essa luta ainda continua. Como diz, e bem, um manifesto da sociedade civil moçambicana em preparação do Fórum Social, “outro Moçambique é possível”. Mas a pergunta persiste: que Moçambique? E, sobretudo, o que torna outro Moçambique possível? Será que a identificação disso nos pode ajudar a ver o problema da terça-feira e, por via disso, esclarecermos sem justificarmos e resolvermos sem adiarmos? Eu acho que sim, mas para esse efeito a classe intelectual podia resistir um bocado à tentação de dizer “dissemos, não dissemos?” e o governo também devia reprimir o seu próprio desejo de esperar por uma boa oportunidade para descarregar a sua fúria sobre os “desordeiros”. A oposição pode continuar a tentar ganhar pontos, é sua tarefa.

Temos, portanto, que olhar para duas coisas em ligação com as manifestações populares. A primeira coisa é a relação entre o Estado e a sociedade. Há muito que predomina no nosso imaginário político a ideia de que o Estado, através do governo, ou vice-versa, está aqui para resolver os problemas do povo. Assim mesmo: resolver os problemas do povo. No período colonial, o Estado de facto tentou resolver os problemas do povo limitando a sua definição de povo e deixando uma boa parte desse povo fora do âmbito da sua definição. Foi por isso que esses que ficaram de fora se revoltaram. Depois veio o período revolucionário bem carregado com uma hipoteca pesada fruto do discurso que legitimou a luta armada de libertação nacional, mas também resultado directo do direito que os fazedores da revolução se arrogaram de tornar o povo feliz. Aqui também o povo se revoltou não só pela instrumentalização externa de alguns elementos como também pelo cinismo com que as pessoas passaram a lidar com os esquemas para nos obrigarem a sermos felizes, curto, o deixa-andar daquele tempo. Ultimamente estamos a braços com uma agenda política cada vez mais fortemente determinada de fora que torna o povo cada vez mais invisível e uma ténue referência dificilmente capturada pela ideia de que vive em pobreza que precisa de ser combatida. Curiosamente, num momento em que factores externos – os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio constituem para mim um dos maiores perigos à estabilidade dos nossos países nas condições actuais de auxílio ao desenvolvimento – intensificam cada vez mais a ideia de que o governo é que resolve os problemas do povo, eles, simultaneamente, vão minando a capacidade desse governo – ou Estado – de corresponder às expectativas que vão nascendo e se multiplicando.

Rescrevi, no último parágrafo, a história de Moçambique em “fast-forward”. E isso era para dizer que temos um problema sério do lado do povo, mas também do lado dos governantes. O povo está na expectativa; o governo não se farta de alimentar essa expectativa. O resultado é previsível: Subiu o preço do trigo e os padeiros têm que aumentar o preço do pão? O governo que encontre solução para isso! Subiu o preço do combustível e os transportadores têm que aumentar o preço dos transportes públicos? O governo que encontre a solução para isso! E o governo, ele, o que faz? Encoraja, pela sua aparente falta de imaginação na abordagem estrutural destes problemas que uma vida moderna nos vai criando, a ideia de que, de facto, ele é que é a solução. Nunca cheguei a perceber porque a frota dos TPM é problema do Ministro dos Transportes. Que seja problema do município de Maputo, tudo bem. Mas do Ministro dos Transportes? Não é que a questão do transporte não deva ser objecto da atenção do governo. Claro que deve ser, mas a questão é de saber a que nível. E este nível não está claro, nem para o governo, nem para o povo. É só ver que para os hospitais funcionarem o Ministro da saúde tem que andar a fazer rusgas. E ainda nos admiramos quando as pessoas vão à rua protestar a subida de preços de combustível contra o governo? Ainda nos admiramos quando as pessoas não agem como consumidores e procurem usar a sua força como tal para forçar os transportadores a gerirem melhor as convulsões normais do mercado? Ainda abanamos a cabeça quando as pessoas não pensam em alterar os seus hábitos de movimentação de acordo com a situação?

A segunda coisa para a qual temos que olhar não tem raízes históricas entre nós, mas faz parte de uma das tarefas mais inadiáveis que se apresentam ao nosso sistema político: a participação política. Num outro país com um sistema político mais maduro e estável ninguém iria à rua reclamar a subida do preço do pão ou do combustível. Só entre nós é que acontecem coisas dessa natureza. Estilo Zâmbia, onde regularmente há tumultos por causa do preço do milho. Noutros países com um sistema político mais maduro e estável as pessoas vão à rua protestar contra a política agrária ou de segurança alimentar do governo quando o preço do pão sobe; vão à rua protestar contra a política de transportes e de emprego do governo quando o preço do combustível sobe. E vão organizados em sindicatos, associações disto mais daquilo. E a oposição? A oposição não escreve cartas abertas ao Presidente da República a exigir que resolva os problemas do povo. A oposição, num país com um sistema político mais maduro e estável, aponta os erros da política agrária e de transportes do governo e diz que política colocaria no seu lugar.

Mas, lá está, o povo não se engana num sistema democrático. O povo reconhece simplesmente as oportunidades que os políticos criam. A oposição, por sua vez, faz o que a oposição deve fazer: desferir golpes ao inimigo fragilizado. Em política, ao contrário do boxe, pode se bater num adversário que está no chão. A questão, portanto, seria de saber como devemos fazer política em Moçambique para que haja espaço de articulação de protesto de forma construtiva e sensata. Um e outro ainda vão fazer recurso à violência, vão identificar mal o inimigo, etc., mas a esmagadora maioria pode ficar aliada da classe política na defesa da ordem republicana. É sintomático, por exemplo, que o protesto tenha, na linguagem metafórica dos gloriosos tempos, saltado estruturas da base directamente para a nação. Ninguém está a falar da responsabilidade do município ou do governo de Maputo, nada. É o governo central que tem que reagir. Nenhum deputado foi porta-voz das preocupações populares, nada disso. Nenhuma organização da sociedade civil foi usada para canalizar as preocupações populares, nada mesmo. Foi o povo e a nação, tudo directamente. E isto está mal, creio.


A polícia tentou controlar os revoltosos, mas acabou revelando a sua impotênciaA SOLUÇÃO?

Maputo, Quarta-Feira, 13 de Fevereiro de 2008:: Notícias
Há solução? Solução para que problema? Para o problema da manifestação? É problema? A manifestação de 5 de Fevereiro foi problema? Foi a manifestação que foi problema ou a ausência de outras formas de articulação de protesto é que constitui problema no nosso sistema político? Existe um quadro substancial de referência que sustente a discussão política ou dependemos todos da vaga e perniciosa ideia de que o governo resolve os problemas do povo? Existe espaço – o governo cria espaço? – para que cada um de nós assuma a responsabilidade pela sua sorte e saiba como interpelar a classe política para que lhe crie essas oportunidades tão necessárias à condução de uma vida responsável? Existem mecanismos políticos suficientemente robustos que dêem ao povo o poder de disciplinar o governo que se desleixe nessa tarefa sem, contudo, colocar em perigo a viabilidade de todo o sistema político? Há gente nas hostes políticas e nas hostes académicas a reflectir sobre esse tipo de questões? Ou o oportunismo se enraizou assim tanto entre nós que preferimos cada vez mais o conforto de hoje em troca da consciência de problemas futuros, problemas que vão ultrapassar qualquer um de nós quando as coisas começarem realmente a aquecer? Ou o hábito das explicações que justificam, mas não esclarecem, ocupou tanto as nossas mentes que o único que conta é dizermos, triunfalmente, que tínhamos razão quando gritávamos, uma vez mais, que o governo está contra os pobres e que um dia o povo vai se revoltar? Que mecanismo genético é este que atrai os homens da nossa terra às vitórias pírricas e ao regozijo quando o país se afunda?

Que fazer? Pensar, pensar a sério. O campo político precisa de se tornar mais transparente e aqui não me refiro ao fim da corrupção. Refiro-me à criação de um quadro de discussão política que envolva o cidadão na resolução dos seus próprios problemas e na transformação da máquina estatal no instrumento que cria as condições para que cada indivíduo ganhe a sua liberdade mesmo ao estilo de Amartya Sen, o Prémio Nobel de Economia, na sua ideia de que desenvolvimento é liberdade. Isso mesmo. O indivíduo precisa de gozar da liberdade de interferência e obstrução por parte de seja quem for e poder contar com um Estado que pelo menos protege essa liberdade. Só depois de garantida essa liberdade negativa é que o cidadão pode começar a exigir uma liberdade mais positiva que lhe permita formular e executar seus próprios planos. Isso pressupõe uma maior autonomia ao nível local. O município de Maputo, por exemplo, é demasiado grande, nunca poderá ter a capacidade de responder às exigências que essa urbe-monstro lhe coloca. A urbe tem que ser repartida em unidades mais pequenas, onde instituições mais perto das pessoas vão fazer, coisas básicas que incluem coordenar, por iniciativa dos moradores, tarefas elementares como garantir a limpeza, gerir escolas, controlar o crime, proporcionar ocupação aos jovens, atrair investimentos, projectos e infra-estruturas e, porque não, entreter sociólogos que vierem saber da sua vida. Precisamos de um maior associativismo que não se coordene via sms, mas sim em condições de comunicação humana em presença e aberta. Precisamos de descer do pedestal das grandes soluções para o fundamento das pequenas coisas da vida.

Os desafios que o nosso país nos coloca não são segredo para quem presta atenção ao que outros andam a dizer por aí. Nunca a fórmula “small is beautiful” fez mais sentido do que agora. James C. Scott, um cientista político americano, produziu uma lista de princípios que me parecem essenciais para este momento num livro de 1998 com o título “Seeing Like a State”. Foram quatro: (1) dar sempre passos pequenos para podermos fazer compasso de espera para vermos que passo dar a seguir; (2) preferir o que pode ser revertido para podermos corrigir erros sem causar grandes comoções; (3) contar com surpresas, isto é fazer planos que tenham espaço para o que é difícil de prever; finalmente, (4) ter sempre em mente a criatividade das pessoas, pois entre o que nós planeamos e o que as pessoas fazem disso há sempre uma grande distância. É uma lista que não é directamente relevante para as manifestações, mas, ao mesmo tempo, de alguma maneira é. Nós somos provavelmente vítimas dos nossos assomos de grandeza. O povo pensa que é grande e que vive num país diferente do país real em que vive; o governo “sabe” que é grande e movimenta-se pelo mundo em nome de um país mais pequeno do que imagina; os intelectuais, esses, sobretudo os que pensam que falam em nome do povo, julgam que podem prescindir da reflexão quando as coisas aquecem para simplesmente tirarem conclusões: portanto, portanto, portanto. Parece o “porque eu, porque eu...” do Ta Basilly.

Estamos a recuar a passos gigantescos.

ELÍSIO MACAMO - Sociólogo/Nosso colaborador

COMICHE REPUDIADO PELA POPULACAO



Ecos da greve relativa aos «Chapas 100»


O presidente do município de Maputo foi repudiado durante a sua presidência aberta no Distrito Urbano nº5 por ter criticado a população da cidade de Maputo pela forma como se manifestou no passado dia 5 de Fevereiro, terça-feira de Carnaval.

Maputo (Canal de Moçambique) - O presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM), Dr. Eneias Comiche foi, esta semana, repudiado por populares, quando durante a uma por si chamada “presidência aberta”, no distrito municipal no. 5, tentou atirar com as culpas à FEMATRO como entidade que atiçou as manifestações que tiveram lugar no passado dia 5 de Fevereiro por supostamente, segundo o edil, ter sido o responsável pelo aumento das tarifas dos «Chapa 100».
A população descontente chegou mesmo a exigir que o Edil, caso continuasse a ter o mesmo fio de pensamento, abandonasse o local e os deixasse. Para muitos o que Eneias Comiche dizia não passava de disparates.
Os tumultos que aconteceram no passado dias 5 de Fevereiro levaram o edil da cidade de Maputo, Eneas Comiche, a acusar, nesse encontro, a Federação dos Transportadores Rodoviários de Moçambique, de ter sido responsável pelo agravamento das tarifas.
Eneas Comiche, fez os mencionados pronunciamentos durante um comício popular que orientou no Bairro George Dimitrov , distrito Municipal n.º5. Nesse encontro no âmbito do que designa por “Presidência Aberta” estiveram presente populares oriundos dos diversos bairros daquele distrito municipal.
Na ocasião, o presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo confrontado por populares tentou atirar a batata quente à Federação Moçambicana dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO). Segundo Comiche a FEMATRO tentou agravar a tarifa dos chapas sem que antes tenha feito uma avaliação das consequências que disso adviriam. Contudo não explicou aos presentes que alternativa restava aos próprios transportadores perante os sucessivos agravamentos aos preços dos combustíveis que o Governo central vem aprovando sem ter em conta a carestia de vida que sentem os cidadãos de todo o país com particular ênfase para os da cidade de Maputo que é dirigida por Eneias Comiche.
Comiche também não explicou aos presentes a razão de ser de uma diferença da ordem de 10 meticais entre os preços dos combustíveis em Moçambique e os da vizinha África do Sul, ali mais baratos.
Eneas Comiche optou no seu discurso por criticar a população que, já desesperada decidiu na terça-feira, de forma violenta em certos casos, manifestar-se para repudiar os preços dos chapas que acabavam de subir por imposição dos preços dos combustíveis.
Durante o comício e perante o discurso “absurdo e insultuoso” de Comiche, alguns populares, ainda com os ânimos perturbados, pedirem para que Edil se retirasse daquele lugar, protagonizando desta forma algo que até aqui era inimaginável na relação dos cidadãos com as individualidades governamentais que estão no poder desde a Independência Nacional.
“O povo já está cansado das injustiças cometidas por este Governo”, gritavam os populares deixando antever uma luta renhida nas eleições autárquicas que se avizinham e se presume possam vir a ser marcadas pelo chefe de estado para meados ou segunda metade do corrente ano.
Recorde se que o agravamento da tarifa dos chapas provocou no passado dia 5 uma manifestação popular na capital do país em que o povo pôs à prova a capacidade do Governo vencendo claramente o round em que conseguir fazer vergar o Governo e obrigar o Conselho de Ministros a rever as políticas que impuseram aos chapas o agravamento das tarifas.
Durante o comício popular dirigido por Eneias Comiche a população ainda em tensão efectuou duras criticas ao seu executivo pela forma como este tem governado o município de Maputo. Foi salientado que tem sido notório que de tudo o que foi prometido durante a campanha eleitoral das autarquias de 2002 pouco foi feito até agora quando se está praticamente em fim de mandato.
A população, claramente insatisfeita e por vezes indignada, falou da falta de estradas melhoradas nos bairros residenciais daquele distrito Municipal; falta de iluminação pública alegando que isso concorre para a prática de crimes pela calada da noite; deficiente recolha dos resíduos sólidos urbanos, entre outros aspectos que não abonam a continuidade de Comiche como candidato à sua sucessão nas próximas eleições autárquicas, nem ajudam a candidatura de um seu correligionário que eventualmente se venha a posicionar para render Comiche como Edil de Maputo.
Alguns munícipes que se pronunciaram durante o encontro, a pedido do Edil Eleias Comiche, apontaram ainda o mau funcionamento dos secretários dos bairros, a escassez de água potável em alguns bairros e mercados daquele distrito Urbano; a necessidade da expansão das redes bancária e hospitalar; e a necessidade ainda de instalação do sistema pré-pago de energia eléctrica (CREDILEC) para que cada cidadão use a energia segundo as suas capacidades.
Os munícipes criticaram ainda os aumentos de preços de alguns produtos básicos tais como o pão, o arroz e apelaram para a necessidade de se criarem locais de diversão para jovens, com especial enfoque no desporto.
Um dos intervenientes, que se identificou como Elias Mazive e residente no Bairro 25 de Junho, pediu a Eneas Comiche para que envidasse esforços no sentido de evitar que a Escola Primária Unidade 30, localizada naquela zona desabe sobre as crianças em plenas aulas, dada a degradação em que as suas infra-estruturas se encontram presentemente.
“Mais vale montarem-se tendas em substituição da escola porque cada dia que passa fica mais claro que a escola vai ruir”, disse aquele interveniente.

(Alexandre Luís)




Somente para os transportadores urbanos

Combustível vai custar 31 Meticais por litro

— Anunciou ontem o Ministro dos Transportes e Comunicações, que entretanto não soube dizer quando e como será aplicado este subsídio

• O subsídio será apenas concedido aos transportadores urbanos. Aos que trabalham nos distritos “Deus dará”!

Maputo (Canal de Moçambique) – Finalmente está alcançado o acordo entre a Federação dos Transportadores de Moçambique (FEMATRO) e o Governo no que diz respeito ao subsídio que o governo promete agora conceder aos transportadores para estes compensarem as perdas resultantes da manutenção das tarifas dos transportes semi-colectivos de passageiros, vulgo “Chapa 100”, que não puderam aumentar devido ao levantamento popular havido na última semana na região do Grande Maputo.
O Acordo foi alcançado sábado último entre o Ministério dos Transportes e Comunicações e a FEMATRO e aguardava pela aprovação do Governo. O Conselho de Ministros, reunido ontem na segunda sessão ordinária, aprovou o acordo. Cinge-se no seguinte: “o Governo vai aplicar uma compensação aos transportadores semi-colectivos de passageiros a operarem nas cidades, que vai consistir na redução do actual preço de combustível para 31.00MT, devendo o governo pagar o resto” correspondente ao preço de mercado retalhista aplicável a qualquer automobilista consumidor. Estas garantias foram dadas pelo Ministro dos Transportes e Comunicações, António Munguambe que falava aos jornalistas ontem no final da segunda sessão ordinária do conselho de ministros.
Quando é que o acordo entra em vigor? Esta foi a questão central colocada ao ministro. No entanto, o governante não soube respopnder, alegando que “o governo deverá se reunir novamente com a FEMATRO, não só para discutir sobre a data da entrada em vigor do acordo, assim como para se abordar a forma como este subsídio será concedido aos transportadores”.
Até lá pode ser que os combustíveis de uma forma geral baixem de preço, apurou o «Canal de Moçambique» de fontes paralelas.
O ministro António Munguambe garantiu ontem, no entanto, que uma das probabilidades da concessão do subsídio aos transportadores será a criação de um “fundo de combustível” para esta classe, devendo para tal as associações de transportadores se organizarem de modo “a prestarem contas ao governo” no final de um determinado período de actividade.

De onde virá o dinheiro

Uma das preocupações dos jornalistas foi procurar saber de onde o governo irá tirar o dinheiro para subsidiar os transportadores, visto que esta medida não estava prevista no Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2008.
António Munguambe também não soube responder a esta questão: “Não sei dizer de onde virá o valor para o subsídio dos transportadores, mas o geverno deve tirá-lo de algum lugar”.
Entretanto, respondendo a uma pergunta que o «Canal de Moçambique» lhe colocou, o ministro Munguambe disse que “o subsídio concedido pelo governo não abrange todos os transportadores do País”. “É somente para os transportadores urbanos”, ou seja, os que fazem transportes das sedes distritais para as localidades não irão receber este subsídio do governo.
Questionado se esta situação não iria obrigar o agravamento das tarifas nas zonas rurais e/ou mais manifestações populares, Mungambe disse que “o governo vai abordar esta questão oportunamente, mas para já está a trabalhar de modo a buscar soluções nas zonas urbanas”.

(Borges Nhamirre)


Smurfit: I'll have to quit UK over changes
By Edmund Conway, Robert Winnett and James Kirkup


Dermot Smurfit, um dos residenes mais ricos da Gra-Bretanha, anunciou que caso as medidas propostas pelo ministro das Financas Britanico venham a ser aprovadas nao tera outra escolha senao mudar-se para a Suica ou Monaco!

One of Britain's richest residents says he will leave the country if the Government brings in its controversial new charges for non-domiciles.

Comment: Darling's tax will sully our welcome mat
Non-doms to vote with their feet


In the balance: Dermot Smurfit will relocate to Switzerland or Monaco if the Government brings in its controversial new charges for non-domiciles


Dermot Smurfit, the Irish paper tycoon, is investigating moving to Monte Carlo or Switzerland if the Treasury brings in its promised changes to the tax treatment of foreign workers in the UK, he told The Daily Telegraph.

"If these changes come in I would probably leave the UK," he said. "This is no easy decision. I have five children in England all at private school — I don't place any burden on the state. I have contributed huge amounts to the country and pay significant taxes, about £150,000 a year. If they bring these changes in, it's goodbye, thanks very much. They would end up with nothing."

The Treasury is planning a £30,000 levy on non-doms as well as taxing UK assets held in offshore trusts, which will involve a significant increase in tax bills. The move has caused consternation in the City and a backlash from business leaders..

However, the Treasury seemed undecided on the details yesterday. A spokesman said: "There is some ambiguity over the draft clauses on these proposals. There was no intention to require additional disclosure of assets. This is not a rethink but we will make clarifications."

However, he said that with the Treasury planning a £30,000 levy on non-doms, as well as making far-reaching changes to the tax treatment of offshore trusts for non-doms, which will involve a significant increase in tax bills, he now intends to leave.

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Mr Smurfit, who has a share in a family fortune estimated to be worth almost half a billion pounds, part of which was generated when he and his brothers sold Jefferson Smurfit to private equity in 2002, is currently chairman of paper group, Powerflute. He has lived in the UK as a non-dom for 20 years but is now considering leaving. "This is a very difficult decision, since I would be leaving my wife and children behind," he said.

What are non-domiciles?
Non-doms: City reaction
Mr Smurfit, who has given £1.5m to charities including the NSPCC, said both he and a number of his friends had investigated moving to Monte Carlo and Switzerland, where the tax rules for resident foreigners are more lenient.

"We are seriously mobile people; we all pay significant taxes," he added. "The UK has been able to attract the best brains in the world. Then all of a sudden they are throwing this away. Are they doing this for the money or the ideology? It has to be the latter."

Some of Labour's biggest financial donors also attacked the plans, with Lord Paul, the Indian-born steel tycoon, who is Gordon Brown's most generous personal backer, saying: "We need to look at it very carefully or we will drive Britain back into being a tiny little country. I agree with [Lord] Digby Jones. This idea has been around for more than 10 years and it's a pity that someone should wake it up now. I have never seen such an unfair levy. The Labour Party has jumped into it."

Sir Gulam Noon, who has backed Labour with more than £450,000 and was nominated for a peerage by Tony Blair, said: "The economy is doing fine — why do you want to impact that? It's a political agenda, totally political. Everyone is against it. I will stay in the UK but a lot of people are watching and waiting with anxiety. The City will be hit by these cumbersome rules."

Although the Conservatives have backed a levy on non-doms, shadow chancellor George Osborne yesterday wrote to Mr Darling, saying: "It is not too late to abandon your ill-thought out and badly conceived plans."


A fiscal fiasco
O Editorial de hoje do Financial Times traz-nos uma analise interessante sobre politica fiscal. Alistair Darling, o Ministro Britanico das Financas e duramente criticado por ter sugerido, e mais tarde se retratado, que o seu 'estado maior' levaria a cabo uma campanha contra estrangeiros ricos que vivem na Gra-Bretanha e nao pagam o fisco neste pais.

A consequencia imediata destas declaracoes foi um mal estar no distrito financeiro de Londres, que pode levar a uma saida galopante de recursos financeiros de Londres para outras capitis financeiras competitivas como Monaco e Suica, considerados 'paraisos fiscais'.


Uma licao para nossos decision-makers!

Para mais pormenores nada melhor do que beber a agua de lanho no proprio envolucro:


If you let your opponent write the script, you cannot expect to enjoy the story. This is the harsh truth for Alistair Darling from the fiasco over plans for a tax crackdown on wealthy foreigners. Tuesday’s climbdown on the new regime for residents who claim “non-domiciled” status is the latest episode in a humiliating saga that began when the government allowed the opposition Conservative party to shape its financial statement last autumn. Gordon Brown and his chancellor of the exchequer cannot afford to make the same mistake in next month’s Budget.

Under fire over plans to impose an annual charge of £30,000 on non-doms who have lived in the UK for seven years, along with changes to residency rules and offshore trusts, the Treasury has gone some way to meet its critics. Works of art for public display will not be hit, and the new regime will not require extra financial disclosures. These are welcome moves. But some basic points have yet to be settled, such as whether the US authorities will allow the charge to be creditable against US tax and about the treatment of trusts. These unanswered questions are unacceptable in a tax that is due to take effect so soon.

The shambles has much in common with the botched reform of capital gains tax. In both cases, there was too little thought about how the changes would work in practice. Announcing the moves before consulting produced uncertainty, making it harder for individuals to plan their affairs. Meanwhile, the Treasury has looked too weak to make the argument in principle for reform.

In the midst of this mess, Mr Darling must use the Budget to carry out some repairs to the government’s damaged reputation.

He should draw on outside expertise to adopt a new set of fiscal rules to replace his predecessor’s self-imposed limits, which have lost credibility. He also should tackle the fiscal deficit, preferably by lowering growth in public spending but otherwise by a phased, multi-year tightening of fiscal policy.

Third, Mr Darling should aim for simplicity. This is difficult, since a genuinely simpler fiscal regime involves an underlying clarity about the purposes of the tax system. Fourth, though it is an advance on the Blair-Brown years that the prime minister’s office takes part in pre-Budget discussions, Mr Darling must make sure that tax policy is written not in Downing Street but in the Treasury.

The government’s claim to competence has been so discredited that Mr Darling’s Budget cannot alone recover it. But it should be a start.
Copyright The Financial Times Limited 2008


US elections 2008
Obama and McCain score triple victories
By FT Reporters

Barack Obama venceu facilmente tres mais tres estados (Virginia, Maryland e a capital dos EUA, Washington D.C), somando desta forma oito vitorias consecutivas sobre a sua mais directa rival, Hilar Rhodam Clinton. Pela primeira vez, Obama conseguiu superar o numero de delegados da sua rival! Nesta ultima vitoria Barack conseguiu superar Hilary no voto das mulheres em 60-40. Apercebendo-se da aproximacao de mais uma tempestade, Hilary Clinton dispensou o seu gestor de campanha no Domingo, substituindo-o pela sua ex-chefe do staff na Casa Branca.

Barack parece imparavel na sua corrida a nomeacao pelo partido democrata! Para mais pormenores viajemos na companhia do Financial Times:

Barack Obama on Tuesday night easily won all three Potomac primaries, bringing his eighth consecutive win over Hillary Clinton since Super Tuesday and adding to the mounting view that the Democratic presidential nomination could be slipping away from her.

Mr Obama’s decisive victories in Virginia, Maryland and Washington were delivered with overwhelming support from almost all demographic groups. Women broke almost 60-40 in Mr Obama’s favour.

Mr Obama won all three primaries by wide margins. In Virginia, he garnered 63 per cent of the vote compared to Mrs Clinton’s 36 per cent. In Maryland, he beat the New York senator 63-34 per cent and in the District of Columbia by 76-24 per cent.

”The change we seek swept through Chesapeake and over the Potomac,” the Illinois senator told supporters at a victory rally on Tuesday night. ”We won the state of Maryland. We won the commonwealth of Virginia. And though we won in Washington DC, this movement won’t stop until there is change in Washington DC, and tonight we’re on our way.”

For the first time, Mr Obama took the lead over Mrs Clinton in delegates. According to CNN estimates, Mr Obama now has 1,195 pledged delegates. Mrs Clinton has 1,178.

Mrs Clinton’s string of defeats heightens the pressure on her to hold up her core demographic support – or “firewalls” – among Latinos and white working class voters in the Texas and Ohio primaries in three weeks’ time.

Next Tuesday Mrs Clinton faces what most forecasts suggest is likely defeat in Wisconsin and Hawaii – Mr Obama’s birthplace.

Mrs Clinton was holding a rally in Texas as Tuesday night’s results came in, highlighting the critical importance of the Lone Star state to her hopes of a rebound.

”I’m tested, I’m ready, let’s make it happen,” she yelled to cheering supporters, avoiding any mention of her defeats in the Potomac contests.

In the Republican race, Mr McCain won by wide margins in Maryland and the District of Columbia but faced a strong challenge from Mike Huckabee, the former Arkansas governor, in Virginia, eventually prevailing by 50-41 per cent.

Although Mr McCain still needs about 300 more delegates to seal the nomination, Tuesday night’s results make that a virtual formality.

In his victory speech on Tuesday night, the senator shifted focus to his next challenge: beating Mr Obama or Mrs Clinton in November.

“We do not yet know for certain who will have the honour of being the Democratic Party’s nominee for president,” he said. “But we know where either of their candidates will lead this country, and we dare not let them.”

Mr McCain has been the presumptive nominee since opening an almost insurmountable lead in the Republican race after last week’s Super Tuesday contests, prompting Mitt Romney, his closest challenger, to drop out.

His coronation was delayed by defeats to Mr Huckabee in Kansas and Louisiana at the weekend. A loss in Virginia would have been a serious embarrassment. Instead, he won by 9 percentage points in the state and by a wider margin in Maryland and Washington.

Mr Huckabee has vowed to keep the race alive until the nomination is mathematically out of reach – a threshold that could take several more weeks to reach.

The McCain campaign said the senator welcomed the spirited and good-natured competition from Mr Huckabee but made clear his focus would now turn to the general election in November.

Despite Tuesday’s defeats, Mr Huckabee vowed to remain in the race until it was mathematically impossible for him to win. ”The nomination is not secured until somebody has 1,191 delegates,” he said. ”That has not yet happened. We’re still continuing to work and to give voters in these states a choice.”




Copyright The Financial Times Limited 2008



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Can Obama Keep the Momentum? By JAY NEWTON-SMALL/WASHINGTON




On the heels of larger-than-expected victories in three states this weekend, Barack Obama is heading into Tuesday's primaries in Virginia, Maryland and the District of Columbia with momentum, money and a small but growing lead in the delegate count. As much as he prefers to play the underdog role, three decisive wins on Tuesday could make him, at least for now, the undisputed Democratic front-runner.


That has been a dubious honor in this year's chaotic Democratic race, especially for Hillary Clinton, who comes into the so-called Potomac Primaries after a challenging week. Not only did she admit to loaning her cash-strapped campaign $5 million in order to keep pace with Obama ahead of Super Tuesday, but on Sunday Clinton replaced her campaign manager Patti Solis Doyle with long-time confidante Maggie Williams, and Monday she had to reassure some nervous donors and endorsers that the nomination was still within her reach. Still, Clinton is nowhere near being counted out: she has raised more than $10 million online since Super Tuesday, she still leads in most national polls and is making a big push to be competitive in Virginia, where her campaign has been headquartered for nearly a year.


Both campaigns, as has been customary in recent weeks, sought to lower expectations ahead of the contests. Virginia Governor Tim Kaine, an Obama supporter, warned reporters on a conference call over the weekend that Clinton "has a lot of significant Virginia expertise on her campaign team," including some of his former advisers. Added David Plouffe, Obama's campaign manager in another conference call with reporters: "We expect these to be very, very competitive races. In the Virginia primary, her headquarters are there, her senior staff is very steeped in Virginia elections. And in Maryland, Senator Clinton has the support of the governor and a lot of political support in the state."


Conversely, the Clinton campaign has stressed that both states' large African-American populations, a demographic Obama has won by large margins in every state so far, would make Obama hard to beat. Mo Elleithee, a Clinton campaign spokesperson, said that "Senator Obama's got a lot of built-in advantages across the region. Having said that, we will be able to do well enough to win our fair share of delegates."


Clinton herself has already started to shift the focus away from this week's contests to Ohio and Texas, which vote on March 4. With their large Hispanic and working-class populations, Clinton's staff and many observers have believed the two delegate-rich states will be more friendly territory for her campaign, but increasingly they are viewed as must-wins, her last chance at the nomination - so much so that she is traveling to Texas on Tuesday. "I believe if you look at the states ... upcoming, I am very confident," Clinton told reporters after touring a General Motors plant outside Baltimore, before turning her fire on the media. "Before Super Tuesday you all were reporting on all the momentum. It didn't turn out to be true. Let's have the elections. Instead of talking about them, pontificating and punditing, let's let people actually vote."


At the same time, Mark Penn, her chief strategist, held a conference call this afternoon to try out a new attack line against Obama, underlining Clinton's electability and her proven record of having withstood the glare of the public eye for so many years as First Lady. "The G.O.P. attack machine skewed the perceptions of such distinguished public servants as Al Gore and John Kerry," he said adding the Obama would "evaporate relatively quickly once he faced the Republicans."


Regardless of the spin coming from both camps, there is no denying that Obama holds double-digit leads in most polls of Maryland and Virginia likely voters. "Maryland and Virginia both seem likely to go for Obama," said Clyde Wilcox, a political science professor at Georgetown University in Washington. "Both have substantial African-American populations, and although not all blacks vote for Obama he certainly does well in that group. Both states are relatively well educated, which is a demographic that Obama has carried very well in past primaries. Both states have done relatively okay financially the past several years, which again makes them more likely to go for Obama."


After the first 26 contests Obama and Clinton remained neck-and-neck in the pledged delegate count. But this past weekend Obama won by wide margins in Washington State, Nebraska, Maine and the U.S. Virgin Islands, in addition to a tight but impressive victory in Louisiana. If he overwhelmingly wins the so-called Potomac Primaries, where 237 delegates are at stake, he could start to break away from Clinton, especially since he's also favored in the next two states due to vote on February 19, his native Hawaii and Wisconsin, next door to his home state of Illinois. If Clinton can pull off a stronger-than-expected showing - or even a win - in Virginia, it could give her a much-needed boost in the run-up to Texas and Ohio. Obama now actually leads Clinton in delegates 1,143 to 1,138; it takes 2,025 delegates to win the nomination. Not counting Super delegates - fickle lawmakers and party leaders who may endorse a candidate but often change their minds - Obama leads Clinton 1,004 to 925, according to Real Clear Politics, a website that is tracking the delegate count.


In addition to investing in television and radio ads here, Clinton, her husband, former President Bill Clinton, and their daughter Chelsea spent the weekend campaigning across the Chesapeake Bay area. "Right now polls have Obama with a lead in the state, but the Clinton campaign is putting a lot of effort here, indicating that they have not given up on Virginia," said Mark Rozell, a political science professor at George Mason University in Arlington, Virginia. "Certainly the immediate schedule favors building some momentum for Obama, and that could help him solidify his existing advantages in the Potomac primary states."


The Maryland and Virginia contests, which are open to all voters, could also have general election implications, testing Obama's appeal to independent and Republican voters. The Republican front-runner, Arizona Senator John McCain, is expected to win both G.O.P. primaries, but pundits and analysts will be examining the results to see how many Republicans may have switched over and which way the independents went: for Obama or McCain, who also has a history of appealing to voters across the aisle.

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Clinton pins '08 hopes on Texas rebound By BETH FOUHY and JIM KUHNHENN, Associated Press Writers




EL PASO, Texas - Trying to overcome a string of losses and a staff shake-up, Hillary Rodham Clinton sought new energy Tuesday night from a boisterous crowd of about 12,000 in a state she hopes will provide a rebound in her quest for the Democratic presidential nomination.



Clinton, whose rallies had been overshadowed by rival Barack Obama's huge crowds, arrived at the packed University of Texas at El Paso basketball arena as voters were giving Obama victories in Maryland, Virginia and Washington, D.C.

But her sights were set on the March 4 Texas and Ohio primaries and on President Bush.

"I'm tested, I'm ready, let's make it happen," she yelled to cheering supporters.

She slipped into a "you all" and criticized Bush, the former Texas governor.

"There's a great saying in Texas," she said, "all hat and no cattle. Well after seven years of George Bush, we need a lot less hat and lot more cattle."

Clinton did not mention Tuesday's results, but there were lingering signs of the disquiet in her campaign.

Her deputy campaign manager resigned Tuesday, the latest departure in a staff shake-up follows string of losses to Barack Obama.

In an e-mail message to staffers, Mike Henry said he was stepping down to allow campaign manager Maggie Williams to build her own team. Williams replaced Patti Solis Doyle during the weekend. Solis Doyle had recruited Henry to join the campaign last year.

"Out of respect for Maggie and her new leadership team, I thought it was the best thing to do," Henry wrote. "As someone who has managed campaigns, I share the unique understanding of the challenges that the campaign will face over the next several weeks. Our campaign needs to move quickly to build a new leadership team, support them and their decisions and make the necessary adjustments to achieve the winning outcome for which we have all worked so hard for over a year now."

It was unclear whether Henry was forced out.

Obama continued to rack up wins Tuesday, beating Clinton by a nearly 2-to-1 margin in Virginia and also winning easily in Maryland and the District of Columbia.

Henry was the campaign's main field architect and was best known for writing a memo in the spring urging Clinton not to compete in Iowa, "our consistently weakest state." The memo was leaked to the news media, which embarrassed Clinton as she was beginning to build an organization in Iowa.

Clinton placed third in Iowa, behind Obama and John Edwards, who has since left the race. Her campaign has struggled since then.

Guy Cecil, another top field strategist, was expected to succeed Henry.

Clinton did not spend much time or money in the Potomac River region. She canceled a tentative event in the Washington area as voting was under way Tuesday.

Instead, she spent about an hour in a makeshift television studio in her Arlington, Va., national headquarters conducting interviews via satellite with 10 television stations in Texas, Ohio and Wisconsin.

She made it clear that the March 4 primaries in Ohio and Texas were crucial milestones in her campaign.

"Ohio is really going to count in determining who our Democratic nominee is going to be," she told WCPO in Cincinnati. She reminded Texans that her first job in politics was for the Democratic Party in 1972 registering Hispanic voters in South Texas. "I still have friends from those experiences," she said.

Clinton also planned to campaign in Wisconsin, which holds its primary on Feb. 19. But she told one interviewer in Milwaukee that the race there was "an uphill challenge."

"I'm the underdog candidate in that race," she said.

She is airing television ads statewide in Ohio and Texas. She also is placing Spanish language ads in Texas. On Tuesday she also began airing ads in Wisconsin. She planned to go to Ohio late Wednesday and then to Wisconsin on Saturday.


Obama wins 3 primaries for delegate lead By DAVID ESPO, AP Special Correspondent




WASHINGTON - Barack Obama powered past Hillary Rodham Clinton in the race for Democratic convention delegates Tuesday on a night of triumph sweetened with outsized primary victories in Maryland, Virginia and the District of Columbia.

"Tonight we're on our way," Obama told cheering supporters in Madison, Wis. "But we know how much further we have to go," he added, celebrating eight straight victories over Clinton, the former first lady now struggling in a race she once commanded.

The Associated Press count of delegates showed Obama with 1,210. Clinton had 1,188, falling behind for the first time since the campaign began. Neither was close to the 2,025 needed to win the nomination.

His victories were by large margins — he was gaining about 75 percent of the vote in the nation's capital and nearly two-thirds in Virginia. In Maryland, he was winning close to 60 percent.

By contrast, Clinton was attempting to retool her campaign in the midst of a losing streak. Her deputy campaign manager resigned, the second high-level departure in as many days.

Campaigning in Texas, where she hopes to triumph on March 4, she said she was looking ahead, not back.

"I'm tested, I'm ready. Now let's make it happen," she said.

Republican front-runner John McCain won all three GOP primaries, adding to his insurmountable lead in delegates for the Republican nomination. He congratulated Mike Huckabee, his sole remaining major rival and a potential vice presidential running mate, then turned his focus on the Democrats.

"We know where either of their candidates will lead this country, and we dare not let them," he told supporters in Alexandria, Va. "They will paint a picture of the world in which America's mistakes are a greater threat to our security than the malevolent intentions of an enemy that despises us and our ideals."

Interviews with voters leaving the polls showed Obama split the white vote with Clinton in Virginia, though she won it by 10 percentage points in Maryland. He won 90 percent of the black vote in Virginia and almost as much in Maryland. She won a majority of white women in both states, though by less than she is accustomed to. He won among white men in Virginia, and they split that vote in Maryland.

In all, there were 168 Democratic delegates at stake Tuesday.

Obama moved past Clinton in the delegate chase on the basis of the day's primaries and newly released results from last Saturday's Washington caucuses. Additional delegates still to be allocated from his new victories were certain to add to his lead.

McCain's victory in Virginia was a relatively close one, the result of an outpouring of religious conservatives who backed Huckabee.

Four in 10 Republican voters said they were born again or evangelical Christians — twice as many as called themselves members of the religious right in 2000 — and nearly 70 percent of them supported Huckabee, an ordained Baptist minister.

Virginia voters could vote in either primary in their state. In a twist, Huckabee was running slightly ahead of McCain among independents, who cast about a fifth of the Republican votes there.

There were 113 delegates at stake in the three GOP races.

The AP count showed McCain with 789 delegates. Former Massachusetts Gov. Mitt Romney, who dropped out of the race last week, had 288. Huckabee had 241 and Texas Rep. Ron Paul had 14.

It takes 1,191 delegates to clinch the Republican nomination, and McCain appears to be on track to reach the target by late April.

"Until someone gets that magic number, we still have an election process and there is no nominee," Huckabee said. "And once that happens, we've got a nominee, it's time to rally around him."

The Democratic race was the definition of unsettled, with Clinton surrendering her long-held lead in delegates, having shed her campaign manager and lent her campaign $5 million in recent days, and facing defeats next week in Wisconsin and Hawaii.

As the votes were counted in her latest setbacks, her deputy campaign manager stepped down. Mike Henry announced his departure one day after Patti Solis Doyle was replaced as campaign manager with Maggie Williams, a longtime confidante of the former first lady.

Clinton hopes to respond with victories in Texas and Ohio on March 4, states where both candidates have already begun television advertising.

Since last week's Super Tuesday contests in 22 states, Obama had won a primary in Louisiana as well as caucuses in Nebraska, Washington and Maine, all of them by large margins.

Obama has campaigned before huge crowds in recent days, and far outspent his rival on TV advertising in the states participating in the regional primary in Maryland, Virginia and the District of Columbia.

He began airing commercials in the region more than a week ago, and spent an estimated $1.4 million. Clinton began hers last Friday, at a cost estimated at $210,000.

With Clinton facing a series of possible defeats, and Obama riding a wave of momentum, the two camps debated which contender is more likely to defeat McCain in the general election.

An Associated Press-Ipsos poll found Obama with a narrow lead over the Arizona senator in a potential match-up, and Clinton running about even.

"We bring in voters who haven't given Democrats a chance" in the past, said Obama pollster Cornell Belcher, citing support from independents.

Mark Penn, Clinton's chief strategist, countered that she holds appeal for women voters and Hispanics. "Hillary Clinton has a coalition of voters well-suited to winning the general election," he said.

Tuesday, 12 February 2008

Depois de Maputo e Chokwe!


Protestos populares esta manhã no Chibuto


Houve esta manhã, com desfile por artérias da vila do Chibuto, uma manifestação popular com moradores protestando contra o preço da comida e das matrículas. A polícia controlou a manifestação. Não há registo de mortos nem de feridos (informação prestada por Salomão Moyana, director do semanário "Magazine Independente", há momentos, via celular, a meu pedido).
Depois de Maputo, Chókuè, Bobole e Maracuene, foi agora a vez do Chibuto. Parece assim generalizar-se no Sul de Moçambique o surto de sismos sociais moderados. E este parece ser um fenómeno novo na história de Moçambique. In (www.oficinadesociologia.blogspot.com


Australian troops arrive in East Timor
By GUIDO GOULART, Associated Press




DILI, East Timor - Australian troops and a warship arrived in East Timor to boost security Tuesday after rebel attacks on the country's two top leaders left the president in "extremely serious" condition with gunshot wounds.

The troops landed in the capital hours after the government declared a state of emergency amid fears of more unrest triggered by the assassination attempts Monday against President Jose Ramos-Horta and Prime Minister Xanana Gusmao — the country's independence heroes.
Surgeons operated on Ramos-Horta for three hours overnight to remove bullet fragments and repair his chest wounds, Dr. Len Notaros, the general manager of the Royal Darwin Hospital, told the Australian Broadcasting Corp. Tuesday.
"His condition remains extremely serious but by the same token, stable," Notaros said. "The next few days will be the telling point. I believe he is extremely lucky to be alive."
East Timor, a desperately poor nation of 1 million people, won independence from Indonesia in 2002 after a U.N.-sponsored ballot. It has struggled to emerge as a stable nation, especially since an outbreak of violence and political turmoil in 2006.
The first of a planned contingent of 120 Australian troops landed in Dili to strengthen a foreign military peacekeeping mission that has been in the country since the 2006 unrest.
Earlier, about 30 Australian police officers arrived to boost a U.N. force already in the country. A Navy warship was also moored off the coast in sight of Dili harbor.
Ramos-Horta, who won the 1996 Nobel Peace Prize for his nonviolent resistance to the decades-long Indonesian occupation, was shot in the chest and stomach outside his home by gunmen in two cars around dawn Monday, officials said.
Rebel soldiers separately attacked Prime Minister Xanana Gusmao's motorcade an hour later. The former guerrilla fighter escaped unhurt.
The country's top fugitive, Alfredo Reinado, and one of his men were killed in the attack on the president. One of the president's guards also died.
Acting President Vicente Gutterres announced the two-day emergency in an address on national television. The order bans demonstrations, gives police extended powers of search of arrest and calls for a nighttime curfew.
"Our country is right now in an extraordinary situation where a state of emergency will bring us back to normality," Gutterres said. "I ask for your help."
As he spoke, international soldiers and police patrolled the streets of Dili and searched cars at roadblocks. By midday, most shops and businesses were open and traffic was normal. There were no immediate reports of unrest.
East Timor's army chief Taur Matan Ruak questioned how the attack happened given the heavy presence of foreign police and troops on the tiny island.
"How is it possible that cars transporting armed people have entered the city and executed an approach to the residences of the prime minister and president without having been detected?" he asked journalists.
Ramos-Horta, 58, first underwent surgery at an Australian army hospital in East Timor before being sedated, attached to a ventilator and airlifted to the hospital in the northern Australian city of Darwin.
Notaros said Ramos-Horta's wounds indicated he had been shot two or three times. The most serious wound was to the lower part of his right lung near his liver, and would likely require more surgery. There was also a risk of sepsis infection, Notaros said.
The bullet fragments will be handed to Australia Federal Police for the investigation into the shooting, Notaros said. At least one fragment was being left in his body, and was not thought to be life-threatening.
Reinado was among 600 mutinous soldiers dismissed by the government in 2006 — a move that triggered gunbattles between security forces that later spilled over into gang fighting and ethnic unrest.
At least 37 people were killed and more than 150,000 people forced from their homes in the unrest, which also led to the resignation of the country's first post-independence prime minister.
Reinado was arrested but escaped from prison after several months.
He was charged with murder in connection with the 2006 violence, but remained in hiding and threatened insurrection against the government — a stance that made him popular among some disaffected East Timorese youth.
"What we are going do now is try to get back our confidence after the loss of our commander, our teacher and our guide," said Joao Zito Marques, a 24-year-old student. "He was a good revolutionary struggling to find truth and justice."
Despite the outstanding charges, Ramos-Horta had met with Reinado on several occasions in recent months to try to persuade him to surrender.
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Associated Press reporters Rohan Sullivan in Canberra, Australia, and Edith M. Lederer at the United Nations contributed to this report.


Obama hopes to rout Clinton in primaries
By BETH FOUHY, Associated Press



WASHINGTON - Democrat Barack Obama hopes to rout Hillary Rodham Clinton in presidential primaries in Virginia, Maryland and the District of Columbia while Republican John McCain seeks to put more distance between himself and Mike Huckabee.

Coming off weekend victories in five contests, Obama was favored to win the Tuesday trio of primaries thanks to a blend of black and better educated voters in those areas, blocs that have aided his wins in earlier matchups against Clinton. Likewise, McCain was favored on the GOP side.
"We need something new," Obama told a huge rally at the University of Maryland on Monday, dismissing the former first lady's suggestions that he is not tough enough for the rigors of the presidency.
The Illinois senator was traveling late Tuesday to Wisconsin, which votes next week, along with Hawaii, where Obama grew up.
With the Clinton campaign all but conceding losses Tuesday, as well as in other primaries during the month, the New York senator prepared to fly to Texas, which holds its primary on March 4. She is banking on strong showings there and in Ohio, which votes the same day, to blunt Obama's momentum.
"I wouldn't be doing this if I didn't think I would be the best candidate," Clinton told reporters Monday as she campaigned near Baltimore. "So I'm going forward — every day, we get to make our case to the American people."
On the Republican side, McCain hoped to rebound with three wins Tuesday en route to his likely nomination. The Arizona senator lost contests in Kansas and Louisiana during the weekend, but managed a narrow win in Washington state caucuses that Huckabee is now challenging.
Both the Clinton and Obama campaigns prepared to launch television ads in Ohio and Texas on Tuesday, and added another debate to their schedule — Feb. 21 in Austin, Texas.
In hypothetical general election matchups, a new AP poll conducted after last week's Super Tuesday contests found Obama edging McCain, 48 percent to 42 percent, while Clinton and the Arizona senator were tied — 46 percent for Clinton to 45 percent for McCain.
Despite what the poll numbers suggest, Clinton's strategists argued that she would be the stronger competitor against McCain because she has stared down Republicans throughout her career in politics and public service.
Clinton "has withstood the full brunt of this kind of attack and will be able to neutralize what is likely to happen particularly with a nominee who is not as well known," said strategist Mark Penn
"In a general election the Republicans would spring into action and quickly, if he were the nominee, roll out his full record," Penn said of Obama.

RIR FAZ BEM A SAUDE!

Um velhote de Namacata está em sua sala, com um amigo, quando um menino passa por ali. Ele chama: - Diploma, vai falar para sua avó trazer uma cafézinho aqui para a visita!

E o amigo estranha: - Mas que nome engraçado tem esse menino!!! É seu parente?? - É meu neto! Eu chamo ele assim porque mandei minha filha estudar em Maputo e ela voltou com ele...


Canal de Opinião, por João Chamusse
O Rei vai nu


Maputo (Canal de Moçambique) – O coronel Sérgio Viera brinda os leitores do semanário «Domingo», na sua crónica «Carta a muitos amigos» na última edição, com uma prosa de fazer bradar aos céus. No meio de tantos subterfúgios, porque não vai direito ao assunto, o coronel divaga à volta do tema que o semanário «Zambeze» tem levantado sobre a situação do actual Procurador Geral da República (PGR), Dr. Augusto Raul Paulino ter sido nomeado estando numa situação de arguido num processo crime especial (12/2007) que continua a correr os seus trâmites no Tribunal Supremo a cargo do juiz-conselheiro João Trindade. Na sua fúria o coronel que é agora o DG do Gabinete do Plano do Zambeze (GPZ) chega a chamar o Semanário «Zambeze» “um panfleto” e apela a quem de direito, nomeadamente, ao Conselho Superior da Magistratura Judicial, Ordem dos Advogados e o Conselho Superior da Comunicação Social para agirem. Suponho que eufemisticamente, o camarada coronel, o pretende dizer, é que o Semanário Zambeze» deve ser fechado para não mais dizer que o actual PGR é um arguido. Mas será que não é verdade que é mesmo arguido? Acho eu que esse é que é o ponto fundamental. É aqui onde o debate deve-se concentrar. Eu pelo menos como contribuinte, pagador de impostos que sinto que investidos na luxúria de uns poucos que os posso cada vez mais ter apenas como uns levianos atrevidos praticantes de usura do erário público tal a gritante falta de retorno do que consomem do suor dos cidadãos contribuintes, sinto vergonha de ter um PGR que é arguido em processo onde é suspeito de ter desviado e usado indevidamente fundos do Estado, onde acredito que pelo menos um centavo desse montante me pertence ou a algum dos que agora me lêem. Eu que mal consigo pagar os livros dos meus filhos, alguns ainda a estudar no nível em que se diz que o livro é gratuito mas que nunca aparece nas escolas e no fim do enredo sou obrigado a ir comprá-los nas esquinas do Grande Maputo onde são vendidos nas “barbas” das autoridades que nem tugem nem mugem!, que poderei pensar e dizer de um Estado que se permite ter um arguido como defensor da legalidade. Como pode um arguido, que é precisamente um cidadão sob suspeita, ser simultaneamente o defensor da legalidade? Não será ele o homem certo no lugar certo para limpar processos que incomodam quem o lá pôs e seus quejandos? “Acusa-se, sem provas, especulando e condena-se sem factos, mas porque a coscuvilhice se vende bem”, (...), diz na sua prosa o coronel que já confessou um crime em plena Assembleia da República e até hoje continua impune coisa que não poderia passar em branco se vivêssemos num Estado que saiba dar-se ao respeito. Afinal que provas quer o camarada coronel? Será que ainda não se apercebeu que o «Semanário Zambeze» apenas está a divulgar aquilo que muitos entenderam não divulgar? Pensa o camarada coronel que o «Zambeze» é que instaurou o aludido processo contra o actual PGR? O que o «Zambeze» levanta é que no mínimo quem de direito, condene ou então absolva o actual PGR. O «Zambeze» está a questionar como é que o actual PGR foi nomeado para esse cargo na condição de arguido? Eis a questão camarada coronel. É simplesmente isso. E se assim não for quem estará a contribuir para o “assassinato de carácter” é quem está a querer impedir a justiça de funcionar como está estipulado que deve funcionar em qualquer Estado que se preze. Assassinam não só o carácter como a Justiça, mas os cegos não podem ver… “Não se trata de restringir o direito à informação e o dever de informar, mas sim de se impor uma informação responsável pois dela necessita este povo e este Estado (...), refere o camarada coronel. Pergunto eu, que informação responsável é essa? Será aquela dos tempos em que o camarada coronel era chefe-mor do famigerado SNASP (Serviço Nacional de Segurança Popular) onde tudo tinha que estar no mesmo diapasão do sistema monopartidário que triste memória deixou a muitos moçambicanos. Pergunto ainda: a tal “informação responsável” é aquela que anda a encher páginas de jornais como ocorre por aí, a dizer que Guebuza inaugurou este mais aquele poço. Será aquela que não deve dizer que enquanto no vale do Zambeze, no âmbito das cheias, apenas existem dois helicópteros a funcionar e um dos quais está avariado, o Presidente Guebuza dá-se ao luxo de ir para o mesmo local com uma comitiva de cerca de oito helicópteros? É “informação responsável” omitir que o governador de Sofala, Alberto Vaquina, foi visitar as zonas de cheias e apenas limitou-se a ver os desgraçados das vítimas à lupa e lá do ar? Brada aos céus! Os tempos são outros senhor coronel. Pelo menos desde 1992, com os acordos de Roma tudo mudou. Não deu por isso? Ainda não percebeu que acabou o tempo em que o camarada coronel enfiava beatas nos testículos dos chamados reaccionários como nos contava Miguéis Lopes Júnior? Não percebeu que acabou o tempo em que, enquanto todo mundo vivia das bichas o camarada coronel e seus apaniguados eram abastecidos nas lojas dos responsáveis. Estou a falar do tempo em que punham todo mundo a comer repolho e carapau e que quem quisesse andar de BMW era um reaccionário imperialista, colonialista, fascista e todos esses adjectivos que o camarada coronel tinha sempre na ponta da língua e agora usa ainda sem se ver ao espelho. “A tinta do despeito, da frustração, da inveja, da ganância alimenta as penas de certos jornaleiros, desprestigiando a profissão, dinheiros vindos de fascistas e colonialistas, ultrapassados na sua terra, financiam publicações em Moçambique. (...)”, desabafa o camarada coronel das reservas. A primeira pergunta que coloco ao camarada coronel gira à volta daquilo que chama de jornaleiros que desprestigiam a profissão. O que é isso de “jornaleiros”? Os que trabalham, jorna a jorna, e não vivem montados no erário público a fazer patavina como os que fingem fazer pelas bandas de Tete onde não se consegue vislumbrar obra sua? O jornalismo para o camarada coronel é o que existe, sobretudo nos órgãos públicos que nunca puxam para os destaques assuntos que põem em evidência os sentimentos contra o Governo dos cidadãos mesmo quando as evidências são cristalinas e indesmentíveis? Será que jornalismo para o “camarada coronel das beatas”- como o grande jornalista Miguéis Lopes Júnior gostava de lhe chamar - é andar a dizer que “o estado da Nação é bom”, quando milhões de cidadãos estão no desemprego e com tudo o que é fábrica está encerrado e cheio de teias de aranha? Num país em que até colchão, com tanta palha de côco que temos, tem que ser importado; onde 87% da economia é informal, o Estado da Nação é bom? É esse o jornalismo puxa-saco que o nosso “coronel das beatas” quer? Quando os sindicalistas viram governadores e ministros e deixam os pobres trabalhadores ao Deus dará? Quando anualmente o Estado gasta milhões a comprar viaturas para os responsáveis e não consegue sequer comprar uma única viatura para os bombeiros? Quiçá porque a zona dos responsáveis no Lhanguene ainda tem espaço este Estado não consegue entender que esse cemitério já está tão esgotadíssimo? Até cães removem cadáveres enterrados na vala comum e os governantes que temos não conseguem resolver este assunto num país com 750 mil quilómetros quadrados não há espaço? Afinal a terra não é do Estado? O bom samaritano e camarada coronel atreve-se a falar de colonialistas? Esquece-se que são os tais “colonialistas” que anualmente desembolsam milhões para que o Governo funcione em Moçambique? Esquece-se que é lá na terra dos “colonialistas” onde frequentemente morrem os dirigentes deste país e só voltam as respectivas carcaças para serem enterradas no Lhanguene? Não estará lembrado o camarada coronel que é lá na terra dos “colonialistas” onde muitos dos seus apaniguados guardam as suas fortunas? Quer o nosso “coronel das beatas” uma imprensa que não veja que enquanto os filhos de quem anda montado no erário público estudam nas terras dos ditos “colonialistas” os meninos da “arraia-miúda” sucumbem com as políticas da educação impostas no país por governantes ineptos? Quem é fascista nisto tudo? Algum jornalista do Zambeze matou alguém tal como o camarada coronel fê-lo nos tempos do SNASP? Esquece o camarada coronel que os tais colonialistas, no mínimo, deixaram algo para ser nacionalizado? O que fizeram os seus apaniguados com a refinaria da Matola? Com a Cometal-Mometal? Vidreira? E outras outras unidades de produção? E mais não disse camarada coronel. Apenas lembrar-lhe camarada coronel, uma coisa: os tais colonialistas, ao longos dos ditos 500 anos mataram tão pouco comparado com as mortes que aconteceram ao longo dos últimos 25 anos da história de Moçambique que o senhor devia ter vergonha e estar calado. E já agora em tom de desafio: quando é que convida a Imprensa para o Vale do Zambeze para mostrar aos “jornaleiros” as obras que o camarada coronel já lá fez para justificar os mais de dez mil dólares americanos que vence por mês no GPZ?
(João Chamusse)

Dramas tramas traumas Sociais
(Ao Azagaia, também)

Maputo (Canal de Moçambique) ...e nós, mesmo mergulhados numa corrupção infernal ainda alimentamos a demência social alienando as mentes na televisão ignorando o que na sociedade há de destruição Da hipocrisia política, já poucos querem saber somos escravos da mídia que exerce seu poder e, algemados na ignorância, excremento mental vivemos como restos de uma sociedade canibal A ganância humana, enterrada numa vida mundana: brota a arrogância como veneno na veia cultiva violência na vida alheia gerando riquezas com guerra escorraçando pobres de seus bocados de terra Por desespero e dinheiro, crianças são sequestradas, mortas no cativeiro pois seus órgãos, são as grandes boladas Assassinos brutais desfilam sem punições desde que a (in)Justiça dos Homens tenha alguns tostões Do político fétido com discurso incipiente o Povo mostram-se cada vez mais descrente pois quem neste país é dirigente não quer saber da sua gente As igrejas, vivem repletas de pecados albergando padres tarados que escondidos na cristandade vivem sem misericórdia nem piedade fomentando a pedofilia dentro da própria sacristia damn! Debaixo deste drama que a alma consome chora a pobre mamana, mas não só de fome nem da revoltada dor do seu destino... mas do enorme vazio no ventre de seu pequenino E, antes que a força que lhe resta fuja retira do pote um copo de água suja e diz para seu pequenino que há dias nada come - Teu chá, filhinho! - Toma e dorme
(Muronga Paço)


Miliband: UK has moral duty to intervene

British foreign secretary will warn of China's impact on world democracy.

The foreign secretary, David Miliband, will today set out the clearest exposition yet of Labour's recast foreign policy when he will argue that mistakes made in Iraq and Afghanistan must not cloud the moral imperative to intervene - sometimes militarily - to help spread democracy throughout the world.
He will warn that the rise of China means that the world can no longer take "the forward march of democracy for granted", and that Britain must unambiguously be on the side of what he describes as "civilian surges" for democracy.
In a speech in Oxford today entitled The Democratic Imperative, Miliband will say that he believes the debate about the Iraq war "has clouded the debate about promoting democracy around the world. I understand the doubts about Iraq and Afghanistan, and the deep concerns at the mistakes made." But he will add: "My plea is not to let divisions over those conflicts obscure our national interest, never mind our moral impulse, in supporting movements for democracy." Miliband, who is due to travel to China in a fortnight, will also argue that people inside China and outside are rightly concerned about the next stages in its political development.
Among a string of practical proposals to support democracy, the foreign secretary will suggest:
· encouraging economic openness as a means of tackling corruption and increasing transparency, including in China;
· a new round of provincial elections in Iraq, to help to bind in former insurgents who want proof of their local influence, and the chance to join the Iraqi security force;
· organisations like the UN or Nato should consider offering "security guarantees" to new but fragile governments, conditional on them abiding by democratic rules;
· support for "civilian surges" for democracy led by "literate, better-educated people able to access information and communicate with others".
The foreign secretary will argue that fostering democracy in the Middle East "is the best long-term defence against global terrorism and conflict".
He will also warn that the spread of democracy is far from guaranteed, and that since the millennium, "there has been a pause in democratic advance ... countries with new democratic systems are struggling to establish roots.
"After the end of the cold war it was tempting to believe in the 'end of history' - the inevitable process of liberal democracy and capitalist economics. Now with the economic success of China, we can no longer take the forward march of democracy for granted."
Miliband's broad-ranging speech reflects his deep concern that a combination of factors, including widespread distaste for the American neo-conservative movement, disillusionment at the practical failures in Iraq, and a feeling that some underdeveloped countries, such as Kenya, are simply too tribal for democracy, is storing up a powerful isolationist mood in Britain.
The foreign secretary, who has just returned from Afghanistan and Bangladesh, believes there is an urgent need to restate the case for the universal value of democracy.
He will argue that interventions in other countries must be more subtle, better planned, and if possible undertaken with the agreement of multilateral institutions. But "we must resist the argument of the left and the right to retreat into a world of realpolitik".
Miliband believes that in the 1990s "something strange happened.
"The neo-conservative movement seemed more certain about spreading democracy around the world. The left seemed conflicted between the desirability of the goal and its qualms about the use of military means.
"In fact, the goal of spreading democracy should be a great progressive project; the means need to combine both soft and hard power. We should not let the debate about the how of foreign policy obscure the clarity about the what."

Monday, 11 February 2008

José Ramos-Horta
CPLP condena atentados a Ramos-Horta e Xanana
A COMUNIDADE dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) condenou ontem os atentados de que foram alvo o Presidente e o Primeiro-Ministro de Timor-Leste, José Ramos-Horta, e Xanana Gusmão, respectivamente, sublinhando que se “vivem horas de grande inquietação e angústia”.
Maputo, Terça-Feira, 12 de Fevereiro de 2008:: Notícias

Numa declaração à Imprensa, Luís Fonseca, secretário executivo da CPLP, organização de que Timor-Leste faz parte, manifesta o desejo de um “rápido restabelecimento do Presidente (timorense, José) Ramos-Horta”, transferido para Darwin, Austrália, depois de ter sido alvejado com uma bala nas costas que se alojou no estômago.
Nesse sentido, Luís Fonseca enviou mensagens de solidariedade aos gabinetes do presidente timorense e do primeiro-ministro, que acabou por sair ileso, repudiando o ataque de que foram alvos. “Foi com choque e a mais profunda consternação que tomei conhecimento dos atentados perpetrados contra o Dr. José Ramos-Horta (...), personalidade eminente da vida internacional e da nossa Comunidade, e contra o primeiro-ministro, Xanana Gusmão”, sublinhou Fonseca.
Para o secretário executivo da CPLP, “o atentado é tanto mais condenável quanto é sabido que a não-violência, o diálogo e o respeito pelos direitos do Homem têm sempre norteado a vida e a acção política do Dr. Ramos-Horta”.
“Nesta hora de grande inquietação e angústia para os povos e autoridades dos Estados que integram a CPLP, quero associar-me aos votos expressos pelos seus dirigentes e por representantes da sua sociedade civil, de uma rápida recuperação (…) de Ramos-Horta, para que possa reassumir em breve as suas funções como Presidente da República”, disse.
Luís Fonseca manifestou também a “solidariedade” dos Estados-membros da CPLP para com o povo e autoridades de Timor-Leste, fazendo votos para que a situação política no país se estabilize rapidamente e que as instituições possam funcionar normalmente, para a resolução dos “imensos desafios que se colocam ao país”.
Além de Timor-Leste, a CPLP integra também Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e S. Tomé e Príncipe.
Face aos acontecimentos de ontem, o primeiro-ministro timorense decretou um recolher obrigatório e decretou estado de emergência de 48 horas em todo o país.
Ramos-Horta foi internado em estado grave num hospital na cidade de Darwin, na Austrália, depois de ter sido gravemente ferido no ataque contra si perpetrado.
O presidente estava do lado de fora da sua casa, quando ouviu tiros e tentou retornar para dentro da residência. Foi durante este trajecto que ele teria sido alvejado por três tiros, um no abdómen e dois no peito.
O fugitivo major Alfredo Reinado, que poderá estar por detrás do ataque e outro integrante do seu grupo, ainda não identificado, foram mortos na troca de tiros. Um soldado das forças de segurança teria ficado gravemente ferido.
Reinado foi um dos protagonistas da onda de violência que varreu o país em 2006, após a sua expulsão, por indisciplina, do Exército timorense juntamente com outros 598 militares. Na ocasião, pelo menos 37 pessoas foram mortas em várias semanas de combates e mais de 150 mil timorenses foram obrigados a deixar as suas casas.

Capital

Balanço final dos tumultos dos “chapas” : Quatro mortos e 98 feridos
QUATRO pessoas morreram e outras 98 contraíram ferimentos, entre graves e ligeiros, em consequência da greve resultante do agravamento das tarifas dos transportes semi-colectivos de passageiros, “chapa-100”, havida semana passada na cidade e província de Maputo. Parte destes feridos, segundo o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) a nível da cidade, Arnaldo Chefo, encontram-se no Hospital Central de Maputo (HCM), a receber tratamentos médicos.
Maputo, Terça-Feira, 12 de Fevereiro de 2008:: Notícias

Do universo dos feridos, trinta foram vítimas de armas de fogo disparadas pela PRM.
Falando a jornalistas no habitual balanço semanal, Chefo disse que as manifestações resultaram igualmente na danificação total de três motorizadas da Polícia e seis viaturas de singulares, para além da destruição parcial de 23 carros também de singulares.
Indicou que dez infra-estruturas em diferentes pontos da cidade foram “vítimas” de destruição e oito estabelecimentos comerciais foram saqueados pelos supostos manifestantes, com destaque para o armazém da Delta Trading, na Praça dos Combatentes e o Complexo Turístico Thinhiko no Bairro do Zimpeto.
Arnaldo Chefo ajuntou que houve sabotagem de infra-estruturas públicas, como as escolas primária de Malhazine e Emílio Guebuza, no bairro de Chamanculo.
Neste momento, 56 pessoas recolheram às celas por terem danificado viaturas e estabelecimentos comerciais durante a manifestação.
Entretanto, durante a semana passada a PRM registou 38 casos criminais, sendo que sete dos quais foram possíveis com recurso a armas de fogo e durante as suas operações a polícia recuperou quatro viaturas que haviam sido roubadas nas arteiras da cidade também com recurso a armas de fogo.
A PRM na cidade, conforme Arnaldo Chefo, deteve 35 pessoas indiciadas de praticar vários tipos de assaltos a residências e estabelecimentos comerciais, apreendeu 846 blusas, 76 vestidos e 640 randes que haviam sido roubados num estabelecimento comercial.

Administração distrital: o cartão-de-visitas de Mocuba (César Bila)
Mocuba assinala 37 anos e constrói cemitério

O MUNICÍPIO de Mocuba, província da Zambézia, assinala hoje 37 anos. A cidade está em festa. Foi no ano de 1971 que a então vila de Mocuba foi promovida à categoria de cidade. Trata-se da segunda maior depois de Quelimane. Mas esta efeméride não teria o impacto de grande significado se o mesmo não registasse algo de importante: que é da construção de um novo cemitério. Um estudo orientado nesse sentido, indicou a zona da Pedreira de Mocuba para implantar o novo cemitério. Neste momento a área foi já terraplenada e em Março, iniciam as obras de construção do muro de vedação.
Maputo, Terça-Feira, 12 de Fevereiro de 2008:: Notícias

O actual cemitério encontra-se sem espaço para a realização de mais enterros. E quando o futuro cemitério abrir, só ficará aberto para visitas e manutenção das campas.
Entretanto, enquadrado no âmbito desta celebração, as autoridades municipais agendaram para o dia de hoje uma série de actividades culturais, recreativas e desportivas tendo como o ponto mais alto a deposição de uma coroa de flores no Monumento aos Heróis Moçambicanos local onde o edil Rogério Gaspar, presidente do município de Mocuba orienta um comício popular.
O encontro pretende-se que seja uma ocasião para traçar um balanço sobre as actividades traçadas no seu manifesto cujo cumprimento atingiu 90 por cento, segundo Rogério Gaspar falando ao nosso Jornal.
O edil de Mocuba refere que o seu Governo municipal cumpriu no ano passado com quase todas as prioridades desde a abertura de escolas do EP1; a conclusão de residências para enfermeiros no Bairro Samora Machel; o inicio da construção de um novo cemitério municipal; uma obra de raiz para água e a reabilitação do depósito actual; aumento da capacidade dos mercados e feiras actuais, entre outras.
Para a implementação deste programa, o Conselho Municipal contou com os fundos do próprio município, e diversos parceiros que têm financiado em muitas das obras executadas naquela cidade.
Entretanto, se o programa do Governo municipal de Gaspar Rogério não foi cumprido a 100 por cento, tal deve-se ao facto de que o crónico problema da erosão dos solos continua a inquietar os munícipes desta urbe. Neste momento, o edil e seu elenco assistem impotentes este fenómeno cuja solução ultrapassa-lhes de longe.
Enquanto isso, os munícipes que pagam os seus impostos continuam a reclamar por uma solução rápida, já que este problema possui já “barbas brancas”.
Quando questionado sobre este assunto Rogério Gaspar mostra-se preocupado, declarando que “falta-nos financiamento para solucionar este mal. Para sanar esta questão, nós precisamos de verbas avultadas e, localmente não temos capacidade para fazer frente. Volto a afirmar que a resolução deste problema só será possível com o apoio e intervenção do Governo central”.
Nesta data de festa, o edil aproveitou a ocasião para endereçar uma mensagem de saudação a todos os munícipes, amigos e simpatizantes de Mocuba, exortando para que todos se engajem na busca de soluções exequíveis e pragmáticas, por forma a que Mocuba continue a ser aquela cidade, “onde todos os caminhos se cruzam e toda a Zambézia se abraça”.
Albino Moisés

Machado da Graca

O rebentar da caldeira

No momento em que escrevo Maputo acaba de sair de um pesadelo duplo: a selvajaria que ocupou as estradas e as vias de acesso ao centro da cidade e a total incompetência das forças policiais para enfrentarem os acontecimentos. Tudo isto me lembra uma caldeira, numa fábrica, a que um grupo de incapazes foi dando cada vez mais pressão sem ter nenhuma ideia de qual era a capacidade de aquela caldeira aguentar sem rebentar.
Para os aprendizes de governantes da nossa classe política se a caldeira não rebentou até agora, é possível continuar a aumentar a pressão porque ela não vai rebentar nunca. Erro crasso, como acabamos de verificar. E, é sabido, quando a caldeira rebenta, as vítimas não são apenas aqueles que, irresponsavelmente, estiveram a aumentar a pressão. As vítimas são todos os que estão perto e mesmo aqueles que só por acaso iam a passar por ali.
E creio que foi isso que aconteceu. Desde há muito que andamos a demolir os direitos dos trabalhadores, conquistados depois da independência.
Desde há muito que ninguém se preocupa com o crescente abismo entre os que nada têm e aqueles que esbanjam riqueza, de forma ostensiva, à frente de todos nós. Desde há muito que o Governo não se preocupa, ao tomar medidas que pioram a situação da população, com a forma como essas medidas irão ser encaradas.
A tese tem sido de que o povo moçambicano é um povo pacífico e, portanto, pode-se fazer tudo contra ele que ele vai manter-se humilde e sossegado.
Mas, não há muito, o Dr. Lourenço do Rosário levantava a dúvida: Será que o povo moçambicano é um povo pacífico?
Hoje, a resposta a essa pergunta é, obviamente, não. Qualquer pessoa atenta ao que se passa no mundo tem assistido à subida dos preços dos combustíveis no mercado internacional. E, parece óbvio, deveria ter percebido que isso se iria reflectir entre nós, mais tarde ou mais cedo.
Mas as nossas autoridades não parecem ser pagas para prever situações. Preferem deixar as coisas explodirem para depois começarem a pensar em possíveis soluções.
Ninguém se preocupou em pensar qual seria o efeito desta subida no preço dos "chapas", tão pouco tempo depois da subida forte do preço do pão.
Como a maior parte desses dirigentes tem o pão, e a manteiga, pagos por todos nós e, no carro do Estado, nem sabem quem paga o combustível nem quanto é que ele custa, é-lhes muito difícil pensar que isso possa ser um problema para alguém. Para muitos alguéns.
Para muitos milhares de alguéns.
Além disso, se formos ver com atenção quem são os donos dos "chapas", vamos verificar que são os mesmos, ou amigos e camaradas, de quem se senta do outro lado da mesa, representando o Governo, nas negociações sobre os preços dos transportes. Negoceiam lá entre eles.
Mas as medidas de fundo que poderiam resolver os problemas vão ficando eternamente adiadas, para não ferir os interesses dos camaradas empresários.
Será que os comboios a partir da periferia continuam a funcionar, como foi prometido depois da última crise deste tipo?
Porque será que os Transportes Públicos de Maputo têm uma frota que é menos de um terço do que seria necessário para servir devidamente a população?
Isto para não irmos a questões mais de fundo. Por exemplo, no preço que o cidadão paga pelos
combustíveis, que percentagem é formada por taxas e impostos? Não se poderia baixar essas taxas e impostos para diminuir a subida dos preços?
Eram estas questões que gostaríamos de ver respondidas em vez da desculpa simplista de que,
subindo os preços internacionais, não temos nenhuma outra solução senão subir os preços internos.
Mas tudo isto implica tempo para pensar em soluções e estes nossos dirigentes pouco tempo têm
para isso, dado que a maior parte do dia é gasta a pensar no seu enriquecimento pessoal.
E, nesse tipo de pensamentos, a população pouco mais conta do que se fossem mão-de-obra gratuita, como há bem pouco tempo verificámos numa tristemente famosa empresa de exportação de flores.
Enquanto a mentalidade de grande parte dos que vão para o Governo for governarem-se em vez de ser governar, não nos admiremos com a repetição deste tipo de explosões populares, com todo o seu cortejo de vandalismo e oportunismo.
As coisas atingiram um ponto em que, dificilmente, poderão voltar completamente para trás.
E, é bom não esquecer, as forças policiais mostraram uma completa incapacidade para defender o "status quo".
E quem esteve na rua deve ter percebido bem essa fraqueza.