Música: Povo no poder
Artista: Azagaia
Label: Cotonete Records
Já não caímos na velha história
Saímos p`ra combater a escória
Ladrões
Corruptos
Gritem comigo p´ra essa gente ir embora
Gritem comigo pois o povo já não chora
I
Isto é Maputo, ninguém sabe bem como
O povo que ontem dormia hoje...perdeu o sono
Tudo por causa desse vosso salário mísero
O povo sai de casa e atira pra o primeiro vidro
Sobe o preço do transporte sobe o,
Preço do pão
Deixam o meu povo sem Norte deixam o,
Povo sem chão
Revolução verde, só vemos na nossa refeição
Agora pedem o que?...Ponderaçã o
Pondera tu, antes de fazeres a merda
De subires o custo de vida
E manteres baixa a nossa renda
Esse governo não se emenda mesmo...NÃo
Vai haver uma tragédia mesmo...SIM
Mesmo...
Que venham com gás lacrimogénio
A greve tá cheia de oxigénio
Não param o nosso desempenho
Eu vou lutar, não me abstenho
Malhazine-PRESENTE
Magoanine-PRESENTE
Urbanização-PRESENTE
Jardim
Coro:
POVO NO PODER (16X)
II
Senhor presidente, largaste o luxo do teu palácio
Finalmente te apercebeste que a vida aqui não está fácil
E só agora é que reunes esse conselho de ministros
O povo nem dormiu, já tamos há muito reunidos
Barricamos as estradas
Paralisamos esses chapas
Aqui ninguém passa
Até as lojas estão fechadas
Se a policia é violenta
Respondemos com violência (O quê?)
Muda a causa pra mudares a consequência
Mais de metade do meu salário vai pra impostos e transporte
Se o meu filho adoece fica entregue a sua sorte
Enquanto isso, esse teu filho está saudável e forte
Vive na fartura leva uma vida de lord
Viver aqui é um luxo, o custo é elevadissimo
Trabalhamos como escravos e entregamos tudo no dízimo
Baixa a tarifa do transporte ou sobe o salário minimo
Xeeeeeeeee.. .isso é o que deves fazer no minimo
À não ser que queiras fogo nas bombas de gasolina
Assaltos a padarias, ministérios, imagina
Destruir os vossos bancos comerciais,a vossa mina
Governação irracional parece que contamina
Que tenham aprendido a lição
E não esperem pela próxima
Aviso-vos meus senhores que terão pela próxima
O Norte-PRESENTE
O Centro-PRESENTE
O Sul-PRESENTE
MOÇAMBIQUE
Coro:
POVO NO PODER (16X)
Monday, 11 February 2008
Thursday, 7 February 2008
DAVID VERSUS GOLIAS OU SEJA QUANDO O PRESIDENTE DO BANCO MUNDIAL APLAUDE PROGRESSO ECONOMICO EM MOCAMBIQUE! E O POVO DIZ QUE NAO HA PROGRESO!
Presidente do BIRD aplaude progresso económico de Moçambique. Enquanto sso populares da Cidade de Maputo saem a rua para manifestar sobre a falta de progresso! Quem tem razao? David ou Golias?
O Presidente do grupo Banco Mundial, Robert Zoellick, que ontem terminou a sua visita de três dias ao nosso país, disse ter ficado impressionado com o progresso económico e social alcançado em Moçambique nos últimos anos.
So qe depois de 24 horas da partida do chefe da maior instituicao financeira do mundo, a populacao da Ciadade de Maputo decide desdizer ao pota voz do capital mundial. Afinal quem tem razao? Estaremos a falar do mesmo pais? e que ha menos de dois meses o chefe de estado veio ao publico e e plena Casa do Povo anunciar qe o Estado da Nacao era bom!
Sera que de facto estado da nossa nacao e bom?
Para que nao restem duvidas sobre o que disse o chefe do Banco Mundial aqui vai uma reproducao fiel dos fidelissims TVM e Noticias!
'Para o dirigente do Banco Mundial, os progressos alcançados resultam fundamentalmente do processo de reformas bem sucedidas que têm vindo a ser implementadas pela liderança do país.Segundo Robert Zoellick, o sucesso das reformas conduziu a que Moçambique se transformasse num destino privilegiado de investimento nacional e estrangeiro, o que, por sua vez, contribui para o crescimento económico.Apesar de a economia moçambicana estar, na sua óptica, no bom caminho, Robert Zoellick entende que o país precisa de continuar a implementar reformas no capítulo da governação, por forma a que se tire maior proveito dos novos investimentos. `Desta forma, o crescimento contribuirá para o melhoramento das condições de vida de todos os moçambicanos´.Robert Zoellick falou também da necessidade de uma maior transparência na gestão dos recursos naturais, criando condições para que a sua exploração seja não só sustentável, como também beneficie os cidadãos, como, por exemplo, através de oportunidades de emprego.Acrescentou que como forma de estabelecer uma complementaridade entre os sectores, a exploração de recursos naturais deve ser associada a outras áreas. `Nem sempre as indústrias que lidam com os recursos naturais criam emprego, como acontece noutras áreas. É preciso que haja ligação com outros sectores, como, por exemplo, levando parte dos ganhos para investir em projectos de impacto social´, disse o novo presidente do grupo Banco Mundial, que na sua primeira deslocação a África visitou quatro países, incluindo Moçambique.Refira-se que no atinente à transparência na gestão dos recursos naturais, o Governo moçambicano tomou já a dianteira, nomeadamente pelo facto de recentemente ter sido aprovada uma lei sobre a concessão de recursos minerais, especialmente no domínio do petróleo, gás e carvão mineral.A propósito, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia, explicou que o que se pretende com estes dispositivos legais é que as negociações para a concessão de exploração de recursos naturais não sejam feitas de forma discricionária.`O que estamos a fazer é reflectir as receitas que obtivemos através de concessões nessas áreas (recursos naturais) no Orçamento do Estado´, explicou o ministro, falando numa conferência de Imprensa conjunta com o presidente do Banco Mundial. Durante a sua estadia em Moçambique, Zoellick foi recebido em audiência pelo Presidente da República, Armando Guebuza, e pela Primeira-Ministra, Luísa Diogo. Visitou a província de Sofala, onde testemunhou os trabalhos de reconstrução da linha férrea de Sena, para além de ter visitado algumas áreas afectadas pelas inundações provocadas pelo rio Zambeze.Actualmente o Banco Mundial está a financiar 17 projectos de investimento e a providenciar apoio ao Orçamento do Estado. Está também a apoiar dois projectos regionais e quatro financiados pelo Mecanismo Global para o Ambiente.
fonte: TVM/Notícias
Afinal quem esta a leste o Povo ou Zoellick?
Um Editorial que me faz recordar o tempo da ditadura!
Tera o meu amigo sociologo perdido a razao?
EDITORIAL
AS cidades de Maputo e Matola viveram terça-feira e ontem momentos de grande agitação, quando manifestantes saíram à rua para protestar contra a subida dos preços dos transportes semicolectivos de passageiros, popularmente conhecidos por “chapa 100”. Como foi largamente divulgado, os estragos foram enormes, com pelo menos três mortos, centenas de feridos e danos materiais avultados.
Maputo, Quinta-Feira, 7 de Fevereiro de 2008:: Notícias
Se a reivindicação poderia, em grande medida, ter um fundo de justeza, um aspecto que saltou à vista foi que, uma vez mais, ficou provado que é preciso ter atenção com o aproveitamento de diverso tipo que é dado a este tipo de acontecimentos por pessoas com outras agendas que não o problema de fundo.
Com efeito, quando na manhã de terça-feira começaram os tumultos, muitos pensaram que seria coisa de pouca duração, que as autoridades iriam agir de imediato no sentido de se repor a ordem e que tudo acabaria em bem. Engano! Em poucas horas praticamente todos os bairros suburbanos de Maputo e Matola, e depois os de cimento, foram literalmente tomados por vândalos movidos por outros interesses, que não o de ver resolvido o problema do preço do transporte. Não é apanágio do moçambicano pacato, mesmo quando se sente com a razão do seu lado, agir no sentido de prejudicar cidadãos que não tenham nada a ver com a questão em discussão.
De uma simples manifestação popular contra o agravamento da tarifa dos “chapa”, os acontecimentos cedo evoluíram para um estágio de violência, destruição e saque, ao extremo de a dado momento não haver lugar nenhum que fosse seguro para a circulação.
O Governo, na voz do ministro dos Transportes e Comunicações, disse ter sido apanhado de surpresa. Só que acontecimentos parecidos já se haviam registado antes, o que, quanto a nós, deveria ter servido de alerta. Ocorre-nos o exemplo de 1993, quando os operadores do transporte semicolectivo de passageiros decidiram agravar a tarifa de 300 para mil meticais (velha família), decisão que esteve na origem de uma das mais violentas e inéditas manifestações urbanas até então vistas no país independente. Talvez tal devesse ter servido de alerta.
Aparte tudo isso, há que reconhecer o esforço que o Executivo desenvolveu e tem vindo a desenvolver para que o agravamento das tarifas não seja excessivamente pesado para o cidadão. Há que reconhecer o espírito de diálogo que sempre norteou o Governo em situações como esta (estamo-nos a recordar dos casos “madjermane” e salário mínimo). Há que louvar o trabalho do Governo no sentido de, vistas as consequências do agravamento do preço do “chapa” e no espírito de manutenção da paz e segurança que todos pretendemos, persuadir a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores a suspender a entrada em vigor da medida, dando tempo a mais negociações para se encontrar uma solução que sirva a todos.
Há, por outro lado, que chamar a atenção daqueles cidadãos que se manifestam por motivos até justos, para estarem alerta contra os que se vão sempre aproveitar da situação para satisfazer os seus interesses.Há, ainda, que exigir do Governo que, tendo tido uma atitude de alguma tolerância no primeiro dia dos incidentes, não permita que os vândalos aproveitadores continuem a provocar distúrbios, como aconteceu ontem, depois de suspensa a medida que basicamente esteve na origem do problema. Tolerar, sim. Mas não admitir abusos e muito menos crimes
A Cobertura jornalistica da TVM e RM da Revolta de Maputo!
Por Bayano Valy
Já não me recordo bem qual era o aniversário da Rádio Moçambique, mas recordo-me que em 2006 participei num debate nos estúdios da rádio nacional sobre os seus longos anos de serviço à nação moçambicana. Recordo-me também que quando chegou a tal altura do “way forward” eu levantei a questão de querer ver um “ombudsman (provedor de informação)” tanto na RM como na Televisão de Moçambique (TVM).
Para mim, não faz sentido que paguemos taxas de radiofusão (e quiça a TVM vai também mais dia menos dia nos cobrar uma taxa de teledifusão) e não haja nenhum representante do povo nos conselhos de administração desses órgãos públicos – aliás, não é só a taxa de radiofusão que pagamos para que a RM exista. (Apesar do Notícias e o Domingo não serem considerados órgãos públicos, a sua estrutura accionista mostra que quem detém mais acções é o Estado moçambicano através do Banco de Moçambique).
Como é que o “ombudsman” seria escolhido não é matéria de debate aqui. O que me faz lembrar o “ombudsman”? É sobretudo a ausência da RM e TVM nos momentos cruciais das violentas manifestações de ontem (5/02/2008). Enquanto os manifestantes tomavam conta da cidade de Maputo e periferia e acompanhávamos através da STV (canal televisivo privado), tanto a RM como a TVM “fingiam” que tudo era “business as usual” em Maputo.
Que eu saiba a RM apenas começou a reportar sobre as manifestações no seu noticiário das 12.30. A TVM abriu o seu relejornal com uma peça sobre as cheias. Não quero dizer que a informação sobre as cheias não seja importante, mas o que estava a acontecer ontem em Maputo era uma emergência – também não sei porquê razão o Chefe de Estado ou a Primeira Ministra não falaram à Nação limitando-se o governo a falar através do Ministro dos Transportes e telecomunicações.
O que me pareceu ter acontecido ontem foi que mais uma vez os órgãos de comunicação públicos furtaram-se de cumprir com uma das suas obrigações de informar o público sobre questões de interesse público. E me parece que as manifestações de ontem eram de interesse público. Ao furtarem-se do dever e obrigação de reportar sobre o que estava a acontecer não terão os nossos órgãos públicos contribuido para que mais pessoas se pusessem à rua com todas as consequências que daí podiam advir?
Porquê é que a RM e a TVM só reagiram mais tarde e não se fizeram ao local logo quando as manifestações espontâneas iniciaram? Estariam a RM e TVM a tentar abafar as manifestações? Não seria novidade: quando das manifestações subsequentes às explosões do paiol de Mahlazine os órgãos públicos não noticiaram o evento em que mais de uma dezena de jovens foram detidos numa das esquadras de Maputo. Não encontro resposta e nem percebo o porquê do comportamento dos nossos colegas.
A razão pela qual estou de novo a pensar no “ombudsman” é justamente para que tenhamos alguém onde dirigirmos as nossas queixas quando os órgãos públicos não desempenham as suas funções de informar, educar e entreter com profissionalismo. A quem servem essas omissões?
Sera que o Estado da Nacao e mesmo BOM?
Ha dois meses, o Chefe do Estado, disse na Casa do Povo, de que o Estado da nacao era BOM!. O Presidente do Banco Mundial, veio a Maputo, dizer para quem o quis ouvir, que Mocambique era mais do que bom aluno! A populacao da Cidade de Maputo deu o seu veridito: nem o Chefe de Estado, nem o presidente de Banco Mundial sabiam do que estava a dizer. Afinal de contas Maria Moreno tinha razao: Afinal de contas o Estado da Nacao nao era assim tao bom! Alias o Estado da Nacao e MAU!
Senaovejamos:
Na cidade e arredores de Maputo População revolta-se contra aumento de preços de transportes * Anunciado recuo nos preços ao fim da noite de ontem
* Governo agradece recuo de preços anunciado pelos transportadores
* Rogério Manuel da FEMATRO dá 3 dias ao Governo para se negociar uma solução
Maputo (Canal de Moçambique)– A cidade de Maputo e arredores estiveram durante o dia ontem sem transportes devido ao facto da população ter-se revoltado em protesto contra o aumento, ontem, das tarifas anunciadas pelos transportadores de passageiros
vulgarmente conhecidos por «Chapa 100». Foram levantadas barricadas e incendiados pneus em vários pontos da cidade.
Todos os acessos à cidade estiveram bloqueados e tal facto paralisou totalmente a vida na capital moçambicana. Vários voos nacionais e internacionais foram cancelados. As escolas foram encerradas e várias empresas fecharam ou nem sequer
conseguiram abrir. Houve também viaturas incendiadas, vários feridos e mesmo até uma morte confirmada. A polícia não usou a força mas usou balas de borracha e gás lacrimogéneo. A sede, na Av. de Angola, do Comité da Cidade do Partido Frelimo, no poder, chegou mesmo a ser atingida com fogo posto pelos populares indignados com a
política imposta ao sector de transportes rodoviários de passageiros pelo do
governo.
Cerca das 23 horas foi anunciado que as tarifas que haviam sido aumentadas para vigorarem a partir da manhã de ontem deixassem imediatamente de vigorar para voltarem a vigorar as anteriores.
Ao princípio da manhã de hoje, no entanto, ainda não havia chapas em circulação, sinal de que a decisão do presidente da FEMATRO poderia vir a não ser acatada pelos operadores de transportes de passageiros, vulgo “chapas”.
O anúncio da regressão provisória na tabela tarifária para os anteriores preços
foi feito cerca das 22h30 de ontem, por Rogério Manuel, presidente da Federação
dos Transportares de passageiros (FEMATRO), na presença do ministro dos Transportes e Comunicações, António Mungambe, e do Presidente da CTA, confederação das associações empresarias do País, Salimo Abdul.
“O momento é excepcional, a decisão é excepcional”, disse Rogério Manuel presidente da FEMATRO na conferência de imprensa que teve lugar no gabinete da Primeira-ministra, na baixa da capital moçambicana.
“Temos de encontrar outras soluções que não prejudiquem, nem os transportadores, nem o governo, nem os transportados”, frisou o presidente da FEMATRO.
Interrogado por que razão os transportadores estavam a recuar nas tarifas que foram ontem introduzidas e acabaram por gerar a fúria da população, Rogério Manuel disse claramente: “esta solução foi imposta pelo vandalismo na cidade”.
Mas a solução ontem encontrada ao fim da noite não é certamente a solução definitiva. “Aguentámos três anos (sem aumentos), desde 2005, podemos
aguentar mais dois dias”, afirmou Rogério Manuel para acrescentar que “foi
prometido pelo Governo que em 3 dias, no máximo, teremos uma solução”.
O ministro dos Transportes António Munguambe agradeceu o recuo dos transportadores mas não anunciou soluções definitivas pelo que é provável que os preços voltem a aumentar ou pura e simplesmente os transportadores deixem de operar se não chegarem a um entendimento com o Executivo liderado por Armando Guebuza e Luisa Diogo,
respectivamente Presidente da República e Primeira-Ministra.
A Oposição Falando ontem aos meios de comunicação social Fernando Mazanga da
Renamo disse que “o governo deveria ajustar o custo de vida ao bolso do pacato
cidadão porque na verdade são eles que sofrem mais”.
“Os privados aproveitam com estes aumentos para enterrar mais o pacato
cidadão”, observou de seguida Mazanga falando em nome de Afonso Dhlakama que
se encontrava na altura de visita ao Vale do Zambeze onde as populações continuam a
sofrer as consequências das cheias provocadas pelas descargas de Cahora
Bassa e fortes chuvadas que se têm feito sentir na região.
Vida asfixiada “Com estes aumentos nada se vai resolver. A vida do pacato cidadão vai ficar cada vez mais asfixiada”, diz Mazanga.
Segundo o porta-voz do presidente da Renamo “o povo está saturado com os
constantes aumentos” de preços.
Questionado pelo «Canal de Moçambique» sobre a situação de instabilidade na cidade e arredores de Maputo devido o aumento dos “Chapas 100”,
Fernando Mazanga disse que “apesar da onda de vandalismo na cidade e arredores
de Maputo devido o aumento dos chapas cem a «PRM – Polícia da República de Moçambique» não deveria usar armas para dispersar a população”. “Com as armas
podemos assistir a mortes e sangue derramado”.
Fernando Mazanga afirma ainda que “o governo da Frelimo não procura soluções
alternativas para estabilizar a vida do povo moçambicano. A única preocupação reside
em mostrar números inflacionados para advogar o crescimento económico que não
se reflete na vida do cidadão comum”.
O porta-voz da Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique, afirmou ainda o seguinte: “Reconhecemos que não produzimos petróleo. O petróleo que usamos é importado. É por isso que alguns governos sérios planificam-se e usam essa medida para não prejudicar os seus cidadãos”.
Mazanga diz mais que “os países que criam reservas de petróleo tem condições
para controlar sem sobressaltos a subida e descida dos preços dos combustíveis”.
Fernando Mazanga nas suas críticas ao Governo disse ainda que “os dois
produtos que permitem a sobrevivência dos pobres subiram neste caso concreto
o pão e os chapas.
O preço do pão e dos chapas subiu ao mesmo tempo”. “O pão é alimento base das
populações de poucas posses como também o chapa serve como meio de transporte para os mesmos”, disse o orador da Renamo.
Por outro lado Fernando Mazanga deixou claro que “o Estado não assegura transportes públicos para dar vazão aos utentes daí que se abriu espaço para os privados colmatar a lacuna de transporte deixada pelo governo”.
Os “Chapas 100” passaram ontem a custar 7.5,00MT para uma distância de 5 quilómetros contra os anteriores 5,00MT, e 10,00MT para 9 quilómetros contra os 7,50MT.
Com a decisão anunciada ao fim da noite tudo voltou à primeira forma, isto é
5,00 MT para distâncias até 5 quilómetros e 7,50 MT por cada 9 quilómetros
subsequentes. (Redacção com Conceição Vitorino)
Senhor Presidente da Republica, sera que o Estado da Nacao ainda e BOM?
A 14 de Dezembro de 2007 o Chefe de Estado dizia na casa do povo de que o Estado da Nacao era bom. Sera que o Chefe de Estado continua com a mesma opiniao depois dos acomntecimentos de Maputo? Eis o discurso do Chefe do Esatdo ha menos de dois menos!
CARO TRABALHADOR!
PESE EMBORA CONSTRANGIMENTOS:
O Estado da Nação é Bom
(Maputo) Apesar dos constrangimentos, o Estado da Nação moçambicana é Bom, segundo disse o Presidente da República (PR), Armando Emílio Guebuza, na prestação do informe da Situação Geral da Nação, referente ao ano de 2007, ontem, na Assembleia da República(AR). Entretanto, o Chefe de Estado moçambicano, no princípio do seu discurso, lamentou sobre aspectos negativos que ocorreram
em 2007, tais como, as calamidades naturais, nos primeiros três meses, por
exemplo, as inundações causadas pelo transbordo dos principais rios das Bacias
do Zambeze, no centro "O nosso glorioso Povo reconhece que o dia de hoje é melhor que o de ontem e, por isso, aumenta as suas certezas de que o dia de amanhã será melhor que o de hoje", Armando Guebuza, Presidente da República(PR), prestando ontem à Assembleia da República(AR), o tradicional informe annual do país, afectando mais de 163.045 pessoas; o ciclone tropical Fávio, que fustigou os distritos de Vilankulo, Inhassoro, Govuro, Massinga, no
norte da província de Inhambane, e Machanga e Chibabava na província de Sofala, afectando também mais de 133.670 pessoas.
SAÚDE
No sector da Saúde, Armando Guebuza deplorou as doenças com maior expressão nos serviços de saúde, nomeadamente, a Malária e o HIV/SIDA, salientando que "a malária
representa 40% de todas as consultas externas", ou melhor, "60% de admissões às enfermarias de pediatria e 30% da mortalidade infra-hospitalar, pese embora medidas
de prevenção, tais como, a pulverização intra-domiciliária e distribuição gratuita de redes mosquitérias".
O HIV/SIDA, conforme o Chefe de Estado, "também continua sendo uma das principais causas de internamento nas unidades sanitárias, sendo a taxa de seroprevalência de
16% na população adulta com idades compreendidas entre os 15 a 49 anos", quer dizer, "em cada 100 pessoas, 16 encontram-se infectadas pelo vírus que causa a sida".
"A redução de 0,2% da prevalência do HIV e SIDA", segundo o Presidente Guebuza, "resulta da entrega colectiva, mas ainda preocupa, sobretudo, pelo facto de 16% ser ainda um nível de prevalência muito alto e segundo, porque algumas províncias registaram um crescimento nos níveis de infecção.
CRIME
Armando Guebuza condena o crime, porque frusta os esforços no combate à pobreza absoluta, debilita a imagem e dignidade do Esatdo: "Não podemos pactuar com o crime.
Ele deve ser repudiado com veemência e combatido com vigor por todos nós", mas, por outro lado, Guebuza desencoraja "qualquer forma de justiça pelas próprias mãos pois, o Estado é responsável pela manutenção da ordem e segurança públicas".
A seguir, o Presidente da República (PR) apontou como outro constrangimento
aos esforços do seu executivo, na luta contra a pobreza, "as trágicas explosões do PAIOL das Forças Armadas de Defesa de Moçambique(FADM), localizado no bairro de Mahlazine, ocorrido a 22 de Março passado que afectou mais de 1.000 famílias, causando 103 óbitos e mais de 515 feridos, para além da destruição total e parcial de importantes infra-estruturas sociais e económicas".
HCB
No arrolamento de factos positivos, Guebuza vanglorizou-se pela reversão do Complexo Hidroeléctrico de Cahora Bassa do Estado português para o moçambicano, dizendo que "no dia 27 de Novembro de 2007, do Rovuma ao Maputo e do Índico ao Zumbo, a Nação Moçambicana gritou para a região e para o mundo que "Cahora Bassa" já é mesmo nossa". Portanto, quanto àquele Segundo maior empreendimento do género a nível do continente africano, Guebuza acrescentou que "a passagem
do mesmo ao Estado moçambicano, representava o culminar de um movimento de celebração daquilo que "nós moçambicanos, consideramos a nossa segunda Independência Nacional. Com o devido simbolismo político, a celebração da remoção
do último reduto da dominação esstrangeira".
"Reconhecemos a dívida e reiteramos a nossa certeza de que a Hidroeléctrica de Cahora Bassa(HCB) vai cumprir com os seus compromissos.
Porém, a dívida não deve corroer em nenhum de nós o sentido de vitória e de propriedade desta infra-estrutra", sublinhou Armando Guebuza, acrescentando que "o
contrário seria pensar que se alguém pediu um empréstimo no banco para adquirir uma moageira; esta não lhe pertence, mas ao banco que concedeu o crédito, pertence".
De acordo com o estadista moçambicano, "a HCB já começou a contribuir para o erário público nacional, pagando cerca de 3.5 milhões de dólares norte-americanos
no próprio dia da reversão, a título de imposto de selo".
Numa outra fase do seu discurso, Guebuza congratulou o seu Executivo pela realização com sucesso do 3º Recenseamento Geral da População e Habitação, que decorreu
de 1 a 15 de Agosto passado, dando uma estatística de 20.5 milhões de
habitantes, sendo este universo, divido em 9.8 milhões de moçambicanos do sexo masculino e 10.7 milhões do sexo feminino. E, em curso, apontou a realização
desde 24 de Setembro passado do Recenseamento Eleitoral de Raiz, cuja previsão é o alcance de 10.140.696 cidadãos e, visando, igualmente, a determinação de número
das assembleias de voto e os mandatos por cada círculo eleitotal.
Num outro contexto político, a Informação da Situação Geral da Nação refere a aprovação pela Assembleia da República(AR) do Plano Económico e Social e o respectivo
Orçamento do Estado para 2008, o Código do Imposto sobre Rendimento de Pessoas Singulares (IRPS), do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas (IRPC), Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA), Lei das Finanças e Património das Autarquias Locais, Legislação Eleitoral, Lei da Organização Judiciária do Ministério Público
e do Trabalho.
Armando Guebuza recordou aos mandatários do Povo, em particular, e a população em geral, que no quadro da sua Presidência Aberta e Inclusiva, escalou todas as capitais
provinciais, as 42 sedes distritais, nove sedes de Postos Administrativos e nove Povoações, onde testemunhou mudanças na vida do Povo.
Portanto, frisou o Chefe de Estado:
" a grande lição a reter desta Presidência Aberta e Inclusiva é o facto de o nosso Povo estar a notar e a saudar as mudanças que se estão a registar com a sua participação directa".
EDUCAÇÃO
Na área da Eduação, o Presidente da República disse que o seu Executivo continua a priorizar a expansão da rede escolar, em resultado do crescimento escolar em
10,4%, comparativamente aos índices de 2006.
Por exemplo, Guebuza disse que "o Ensino Secundário registou uma explosão na ordem dos 33,6% e o ensino primário do 2º grau com 24,2%, uma capacidade que desafia
a capacidade de provisão de mais salas de aula e de professores qualificados".
Ainda na Educação, o Chefe de Estado disse haver uma aposta no Maputo, 14.12.2005 vertical nº 1474, pag. 3/4 Ensino técnico profissional, "tendo em conta a necessidade de produzir graduados com capacidades e habilidades que lhes conferem maior relevência no desenvolvimento sustentável para competirem no mercado
de emprego da África Austral, no contexto da integração regional da SADC".
Na área da cultura, Guebuza apontou como maiores realizações de 2007, "o reconhecimento, eleição e proclamação do "NYAU" como Património Mundial da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura
(UNESCO)".
NEGÓCIOS
A Informação do Presidnte Guebuza aponta para o melhoramento do ambiente de negócios e de investimento nacional e estrangeiro, com destaque para consolidação dos Balcões
de Atendimento Único(BAÙ), registo comercial por um dia, a administração fiscal e das Alfândegas e reactivação dos corredores de Desenvolvimento: "nesta área specífica, passamos da posição de 140 para 134, no relatório do Banco Mundial(
BM) referente ao ano 2006", congratulou-se.
TRANSPORTE
Nesta área, o destaque vai para a aquisição de 65 autocarros para os serviços públicos e distribuídos pelas cidades de Pemba, Nampula, Quelimane, Beira, Inhambane e Maputo Cidade, para além da reabilitação do corredor de Maputo, através
da restauração da linha-férrea de Ressano Garcia, a conclusão das obras na linha de Sena, entre Marromeu, Cheringoma e Muanza, onde o comboio voltará a circular.
Destaca-se ainda reabilitação de vários troços da Estrada Nacional Nº 1(EN1), como espinha dorsal e uma das impusionadoras da Unidade e consciência nacionais, segundo Armando Guebuza, entre outras obras de construção de pontes, tal como a de Guijá e Chokwé, que será inaugurada hoje, pelo Presidente da República.
ECONOMIA
"A produção global no decurso do 1º Semestre de 2007, registou um crescimento na ordem de 8,8%, em relação aos níveis registados em igual período de 2006. Para Armando Guebuza, esta tendência é encorajadora e, a manter- se, "será alcançada a meta de crescimento de 7% prevista para o ano".
O Chefe de Estado ajuntou que contribuiu para alcance daquele crescimento da produção agrícola com cerca de 9%, da construção com 11%, o comércio com 14%, os
transportes e comunicações com 16%. Por outro, a taxa de inflação acumulada,
situou-se "em 5,3% " e segundo Guebuza, "dá boa indicação para o cumprimento do objectivo pretendido de uma inflação de apenas um dígito".
As viagens do Chefe de Estado ao estrangeiro, constam do seu Informação anual, primeiro ao Vietname, Japão, Noruega, Estados Unidos da América (EUA), onde assinou
o Compacto da Conta do Milénio, no valor de 506,9 milhões de dólares, ao Brasil, Alemanha e Itália e Portugal, onde à margem da Cimeira África/União Europeia, também assinou o acordo do Programa Indicativo Nacional, no valor de 622 milhões de Euros, com a União Europeia.
DIPLOMACIA
O destaque neste sector vai para a entrada de Moçambique para a zona Livre do Comércio da SADC, a partir de Janeiro de 2008.
(Aurélio Muianga)
Wednesday, 6 February 2008
CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA REPUBLICA A PROPOSITO DA REVOLTA POPULAR EM MAPUTO!
Excia,
Dirijo-me a si, na sua qualidade do mais alto magistrado da nacao!
Excia,
Um acontecimento sem precedentes registou-se ontem na capital do pais. Pela primeira vez depois da independencia nacional a populacao de Maputo saiu a rua com um unico proposito- dizer de forma clara e inequivoca de que ja esta farto das instituicoes estatais e que pelo menos desta vez, iria resolver os seus problemas, usando as suas proprias maos! Trazendo para si, a solucao dos seus problemas! E para surpresa de todos, RESOLVEU!
Excia, como deve se recordar os manuais da teoria do estado, dizem que o estado nasceu quando o povo decidiu passar parte da sua soberania para uma entidade propria, em troca de bens publicos -seguranca, estradas, justica entre outras. E que tal entidade exerceria o poder e a soberania 'emprestada' em nome desse povo, estabelecendo assim uma especie de contrato social, com direitos e deveres de ambas as partes!
So que no nosso caso Excia, parece que o contrato social se rompeu, ou esta em vias de se romper. Uma das partes, o povo, cansou-se da ineficiencia da outra. Cansou-se e parece que quer recuperar, se nao toda, pelo menos uma parte dos poderes 'emprestados'. So que Excia, a historia mostra-nos que quando o poder cai na rua, as consequencias podem ser catastroficas, porque muitas as vezes ao inves de usar a razao, o povo pode decidir baseado em emocoes, com consequencias catastroficas para ele proprio e para o estado.
Excia, dizia eu, que um acontecimento sem precedentes se registou ontem. Um acontecimento que a seu ver pode parecer minusculo, uma pequena ranhura no edificio da democracia. Mas essa ranhura pode ser apenas a ponta do iceberg! Oxala estejamos enganados.
Este acontecimento deve ser analisado de forma franca e fria pela sociedade mocambicana. Pela classe academica, empresarial e politica, porque pode vir a ter consequencias graves para a legitimidade e sobevivencia do estado mocambicano.
Uma coisa e a populacao de um bairro fazer justica pelas proprias maos, aticando um pneu na rua, ou no corpo de um suspeito ladrao ou assassino. Outra coisa, e a nosso ver, a populacao de varios bairros, quase que de forma espontanea sair das ruas e dizer nao a uma medida social.
Criou-se um precedente. E o 'recuo' do governo ou de quem quer que tenha tomado a decisao, mostrou inequivocamente e feliz ou infelizmente, que a solucao, por mais racional ou irracional que pareca , FUNCIONA!
Ora funcionando entao, a logica dita que pode vir a ser re-activada! E ao ser reactivada, quando as circumstancias assim o obrigarem, estara consumada a des-legitimizacao do estado, que infelizmente iniciou a anos, mas que ontem atingiu um ponto sem retorno!
Excia,
Os sinais de uma possivel convulsao social nao sao de hoje. A justica pelas proprias maos, a nao participacao nos actos eleitorais ou seja o elevado numero de abstencoes em momentos eleitorais, o crescimento da criminalidade, os niveis de corrupcao endemica, a fraca produtividade, sao sinais inequivocos de uma sociedade amordacada que clama sem ser ouvida. Ou por outra, de uma sociedade que no minimo nao tem mecanismos para ser ouvida e influenciar decisoes. E isso e grave Excia.
Como deve saber Excia, nao e por acaso que as tampas das panelas tem furos. Furos esses que permitem que parte da energia proveniente do calor se va libertando aos poucos. Infelizmente, parece que a tampa da nossa panela social tem tais furos entupidos. E cabe a si, entanto que magistrado mais alto da nacao e por imperativo constitucional, tomar conta e ordenar a limpeza de tais 'furos sociais' para que a forca, a energia se va libertando de forma ordeira.
A nosso ver, este aspecto deve ser analisado com algum cuidado. Recordemo-nos dos varios estudos sobre a situacao social e a possibilidade de erupcao de conflitos violentos em Mocambique, feitos por entidades quer nacionais quer internacionais(DfID, Swuiss Peace e outros).
Excia,
Gostaria de chamar a sua atencao para um outro ponto. O grau de violencia das manifestacoes, que nao pouparam as suas vitimas fossem elas agentes do estado ou privados. Ou seja a panela estava tao quente (e a populacao tao 'aborrecida') que nao lhe interessavam as consequencias dos seus actos. Foram partidas montras, partidos vidros de carros publicos e particulares, e mesmo um posto de abastecimento de combustivel nao foi poupado! E como mandam as regras de qualquer estado que se pretende de direito, a responsabilidade por estes danos cabe ao estado, pois e o estado que detem o monopolio da volencia e tem o dever de garantir a seguranca quer dos bens como dos individuos. E ontem o esatdo falhou nessa garantia.
Mas para mim, acima de tudo isto ficou, uma mensagem clara e indelevel para a sociedade Mocambicana e quica para a comunidade internacional. O velocimetro que estamos a usar para medir a nossa velocidade nacional; o termometro que estamos a usar para medir a temperatura do nosso corpo nacional, nao e nosso e nem foi feito para seres humanos da nossa especie! A medida para os nossos problemas, o juiz do nosso progresso social nao e, e nao deve ser o Banco Mundial!
Explico-me Excia,
Os disturbios acontecem um dia depois de o presidente do Banco Mundial em pessoa, ter visitado o pais (Maputo, Sofala e Inhambane)e ter dado nao apenas uma nota positiva ao governo, mas sim uma nota de despensa!
Estao Excia, como e que se explica que depois de despensar com nota de luxo, menos de 24 horas passadas temos a convulsao que temos?
Para mim Excia, o povo, esse 'animal' soberano chumbou nao apenas a despensa dos senhores do mundo como dos seus colaboradores nacionais, que V. Excia representa, dizendo com voz propria e bem audivel-BASTA!
Reflictamos pois mocambicanos sobre os caminhos a seguir! Tenhamos a coragem e destreza necessaria para longe de emocoes momentaneas ou Mandraianas, dicutirmos a sombra da mafurreira ou da mangueira o pais real- o nosso pais real e nao o pais deles. Sim, o pais real, e nao o ficticio ou das aritimeticas de Bretton Woods.
Ja dissemos em varios foruns para quem nos quis ouvir que 'crescimento economico nao e igual a desenvolvimento'!
Nao permitamos que o nosso estado se des-legitimize ao ponto de nao servir para resolver os problemas mais elementares da sobrevivencia humana! O povo soberano falou, falta sabermos se os detentores do poder, a classe academica, empresarial e sobretudo a politica tem ouvidos para ouvir! Falta saber se havera destreza necessaria para diagnosticar o mal pela raiz ou entao, se uma vez mais, esconderemos a cabeca deixando o rabo de fora, dizendo que o 'povo foi instrumentalizado', que o povo foi 'usado' que as manifestacos foram 'organizadas' por forcas externas, os tais e eternos 'inimigos do povo e da nacao mocambicana'. Afinal 'Quem e o inimigo?
Excia,
Chega de Quenias, chega de Chades, chega de Liberias, chega de Serra Leoas, Eritreias, Congos!
Defendamos a nossa sobrevivencia entanto que NACAO mocambicana! O senhor, como o mais alto magistrado da nacao, tem uma palavra a dizer na forma como e gerida a 'coisa publica'! O seu silencio em momentos de convulsao social como esta preocupa-nos!
Nao nos esquecamos nunca de que a soberania reside no povo e nao na comunidade internacional ou entao nas instituicoes de Bretton Woods, por mais uteis que sejam a nossa sobrevivencia!
Aguardamos o seu pronunciamento e quica o cachimbo da paz social!
Sabemos que recentemente fez anos. Tambem sabemos que acaba de celebrar tres anos do seu mandato. Seria de mau tom terminarmos esta carta sem lhe desejarmos parabens e 'bom apetite' no consumo da prenda que o povo de Maputo lhe ofereceu ontem!
E mais nao disse!
Manuel de Araujo
REVOLTA POPULAR EM MAPUTO!
Com a devida venia, voltamos a actualizar o nosso blogue com base na cronologia do Prof. Serra (www.oficinadesociologia.blogspot.com)
Maputo fantasmada hoje
Esta manhã Maputo está ainda sem chapas. E também sem os autocarros dos TPM. Uma senhora do Bairro de Inhagóia disse-me que há muita gente na estrada, mas que não há chapas, embora circulem viaturas. Um jornalista confirmou o facto e acrescentou que alguns chapistas afirmaram que o preço dos combustível tem de baixar. Alguns interprovinciais arrancaram de forma tímida. Enquanto isso, há escolas e lojas encerradas. Ar desolador por todo o lado, com inúmeros contentores de lixo ocupando estradas ou tombados, muito lixo espalhado. O diário "Notícias" não exibe hoje a sua versão online. A cidade está fantasmada.
1.ª adenda às 8:57: tal como afirmei à STV e à BBC, tivemos ontem um sismo social de magnitude eventualmente moderada numa hipotética escala social de Ritcher. Deixem-me propor-vos que fizemos face a tremor social com uma magnitude digamos que entre 5 e 6, algo que provocou muitos danos, mas que não abalou edifícios sociais. Todavia, o sismo revelou uma coisa: a criação de uma área vulcânica definitiva, apontando para futuros sismos sociais caso surjam medidas estatais impopulares. Ontem, o vice-ministro do Interior afirmou que o Estado agiria duramente em caso de perturbação da ordem. Mas uma acção policial musculada em nada vai resolver os problemas dos quais os preços dos chapas e do pão foram e são apenas a ponta do iceberg - tal como afirmei à STV. E temos agora o Estado entalado, refém das suas próprias medidas e a contas com uma impopularidade que importará estudar no futuro: por um lado, correu tardia e receosamente em socorro dos revoltosos (as eleições estão próximas e temos uma Maputo que, a braços com uma urbanização imparável e inúmeros problemas sociais, guarda ainda a memória dorida das explosões de Malhazine) e voltou à estaca anterior no tocante às tarifas dos chapas, quando antes não teve qualquer pejo em autorizar a subida. Por outro, tem agora de fazer face à aparente greve dos chapistas, que não aceitam o retorno às tarifas anteriores. A greve dos chapistas paraliza empresas e funcionalismo público. Enquanto isso, o preço do pão mantém-se.
2.ª adenda às 9:18: falo amanhã, a partir das 7:30, no programa "café da manhã" da Rádio Moçambique, a propósito da revolta popular em Maputo.
3.ª adenda às 9:21: chamei ontem a atenção na STV para o facto de que a revolta popular tinha grandes contingentes de jovens e de mulheres. Tentar atribuir a esses jovens e a essas mulheres o papel de arruaceiros irracionais é ofender quem sofre, é ofender o povo, é defender que o povo é bovino, que é carneiro, que é fácilmente manipulável por "forças externas". Tentar atribuir à revolta popular o selo de uma determinada cor política é uma maneira penosamente pouco inteligente de fugir à realidade dos problemas. Tentar vestir a revolta com cores étnicas não tem qualquer indicador comprovante. Quem se revoltou tinha apenas uma etnia: a do protesto, a da dor, a do sofrimento. Tentar remeter para os preços internacionais do petróleo e da farinha de trigo a razão de ser dos preços internos tem obviamente lógica em cima, mas não tem lógica em baixo, lá ou cá onde vive quem passa dificuldades.
4.ª adenda às 9:34: tal como coloquei como hipótese ontem na STV, a geografia da revolta de ontem estava e está préfigurada nos linchamentos urbanos, na privatização da justiça que eles representam, especialmente em Maputo e Beira. São exercícios de insatisfação, de protesto popular contra um Estado distante ou impopular. Veja-se o caso do Bairro de Inhagóia. Este é um campo que tentarei trabalhar no futuro.
5.ª adenda às 9:41: quais foram os alvos dos descontentes? Tudo aquilo que simbolizava propriedade, poder, símbolo de mal-estar: lojas, bombas de gazolina, padarias, bancas de venda de pão, viaturas, chapas, etc.
6.ª adenda às 9:47: atiram pedras às viaturas na estrada nacional n.º 1, informação que me acaba de ser prestada via celular.
7.ª adenda às 9:59: cenário dantesco, parece que saiu de um filme de guerra, ali na estrada nacional n.º 1, logo a seguir ao Hospital José Macamao para quem vai para a Matola: muitos obstáculos na estrada, sinais de destruição por todos os lados.
8.ª adenda às 10:08: filas enormes na portagem de Maputo, que funciona a meio-gás.
Tuesday, 5 February 2008
REVOLTA POPULAR EM MAPUTO!
Com a devida venia publicamos a cronologia do Prof. Serra (publicada no seu blog www.oficinadesociologia.blogspot.com) sobre a revolta popular hoje em Maputo.
Para ja o nosso agradecimento a coragem do Professor ao nos trazer em primeira mao (especialmente aos mocambicanos e amigos de Mocambique nas provincias e na diaspora) e quase em tempo real aquilo que de outra forma saberiamos horas senao dias depois!
De facto estamos no mundo da globalizacao!
Um abraco, MA
Parece haver uma revolta popular em certos bairros periféricos da cidade de Maputo devido ao aumento dos preços do pão e das viagens em chapas. Cidadãos por mim ouvidos disseram-me que em certas zonas os chapistas não circulam com receio dos habitantes, havendo mesmo zonas com barreiras erguidas. Esta manhã um carro com polícias armados foi visto a dirigir-se para a zona de Malhazine. Tudo leva a crer que há uma relação do fenómeno com o aumento das novas tarifas, em vigor desde hoje.
Recorde postagens aqui e aqui.
1.ª adenda às 10:00: acabaram de me informar que a STV está a noticiar o fenómeno. Por outro lado, uma colega disse-me há momentos que não conseguiu passar na zona do Jardim por haver populares nas ruas muito exaltados e a destruir carros. Uma outra fonte deu-me conta de que a estrada nacional n.º 1 está encerrada por populares.
2.ª adenda às 10:20: um jornalista acaba de me informar via celular que crianças estão agitadas na Praça da OMM e que guardas da segurança privada Alfa evitaram que as bombas de gazolina ali existentes fossem incendiadas. Uma outra fonte disse-me que há tumultos na Avenida Eduardo Mondlane.
3.ª adenda às 10:25: segundo um jornalista falando-me via celular, populares estão agora, na Praça da OMM, a transformar bancas e vendedores de pão em alvos. E estão a dirigir-se para a Av.ª Kenneth Kaunda.
4.ª adenda às 11:00: um jornalista acaba de me informar via celular que está interrompida a circulação na estrada internacional n.º 1 junto ao Cemitério de Lhanguene, com muitos pneus barricando a via. Viaturas do transporte interprovincial estão estacionadas por precaução junto à 18.ª esquadra da área.
5.ª adenda às 11. 22: estrada barricada na zona do Bairro do Jardim, a polícia disparou para dispersar manifestantes, uma ambulância passou a caminho de Maputo.
6.ª adenda: a versão online de "O País" reporta o fenómeno da seguinte maneira: "Actos de vandalismo estão a acontecer em vários pontos da cidade de Maputo em protesto contra o agravamento da tarifa dos transportes semi-colectivos, vulgo “chapa cem”, a vigorar a partir de hoje, 5 de Fevereiro. Um número ainda não especificado de viaturas, incluindo particulares e da Polícia da República de Moçambique, encontram-se danificadas e várias vias de acesso, como a que liga a capital às restantes províncias do país, foram bloqueadas (a foto do pneu a arder numa estrada é desse jornal)."
7.ª adenda às 11:30: uma psicóloga acaba de me informar que há fogueiras e tiros em frente ao Hospital Central de Maputo, pessoal médico e paramédico intranquilo. Ambulâncias, pancadaria, gente a correr.
8.ª adenda às 11: 43: situação tensa em frente ao antigo Instituto de Educação Física, na Av.ª Eduardo Mondlane. Professores e estudantes inquietos. Uma professora acaba de me informar que já não se pode sair do edifício e que teme pelo seu carro.
9.ª adenda às 11:45: linhas telefónicas da empresa de telefonia móvel Mcel começam a ficar congestionadas.
10.ª adenda às 11:55: o sociólogo Carlos Bavo acabou de escrever o seguinte em comentário a esta postagem: "Caro prof., presenciei cenas de vandalismo na zona de Xiquelene. Neste momento, esporadicamente, ouvem-se tiros nos bairros Ferroviário, Hulene e Mavalane, provavelmente disparados pela polícia a partir da estrada que liga Xiquelene a Hulene. Impressionante é o envolvimento de jovens ainda menores em tais estragos na via pública. A agitação por estes lados do DU 4, particularmente nas terminais de chapas, é enorme. Carlos Bavo".
11.ª adenda às 12:00: um jornalista informou-me que manifestantes tentaram assaltar a agência do Banco Austral no Bairro do Jardim, mas que foram dispersos pela polícia, que disparou para o ar e usou gás lacrimogéneo.
12.ª adenda às 12:07: a Rádio Moçambique está a transmitir notícias da Taça das Nações de futebol que se realiza no Gana.
13.ª adenda às 12:10: um dos meus assistentes ligou-me por celular do Bairro de Inhagóia e disse-me que um polícia escapou ao linchamento por populares devido ao socorro prestado por colegas. Situação muito tensa lá.
14.ª adenda às 12: 20: oiço tiros, não faço a mínima ideia de onde partem, dificuldades no envio de mensagens via Mcel.
15.ª adenda às 12:25: comentário de um leitor nesta postagem, há momentos colocado: "Av. 25 de Setembro assaltado, zona de 33 andares, colocaram contentores de lixo na estrada e foram marchando em direcção ao Banco de Moçambique, não temos notícias sobre o que estarás se passando mais a frente."
16.ª adenda, às 12:32: A Rádio Moçambique começou o seu noticiário das 12:30 dizendo que em alguns bairros da cidade de Maputo houve agitação devido ao "aludido" (sic) aumento das tarifas de chapas. Igualmente disse haver problemas na Matola, onde há confusão, com a polícia tentando evitar o caos.
17.ª adenda às 12. 39: Rádio Moçambique informa que uma viatura da polícia foi queimada; carros de assalto presentes; retiradas as barricadas pela polícia, manifestantes voltam a colocá-las; tentativa de assalto às bombas de combustível da Total; ministro dos Transportes e Comunicações pede serenidade à população e disse que os preços dos chapas hoje entrados em vigor foram tudo o que o Governo conseguiu obter; confrontação directa entre populares e polícia em Malhazine; montras partidas.
18.ª adenda às 12: 40: mulheres e crianças estão em massa nos protestos.
19.ª adenda às 12: 43: vice-ministro do Interior, José Mandra, deverá fazer uma declaração dentro de minutos.
20.ª adenda às 12:46: vice-ministro do Interior, José Mandra, fala na Rádio Moçambique e pede calma às pessoas. Diz que preços de combustíveis subiram e por isso os preços do chapas subiram também; fala em estragos diversos, mas a situação está sob controlo; cinco feridos.
21.ª adenda às 12:47: um morto por baleamento segundo a Rádio Moçambique, que informou também que os chapas não circulam hoje na cidade do Xai-Xai, a cerca de 200 quilómetros de Maputo.
22.ª adenda às 12: 51: um dos meus assistentes acaba de me informar que populares queimaram a casa de um polícia que, no Bairro de Inhagóia, baleou três moradores do bairro. Esse polícia escapou ao linchamento, tal como referi em adenda anterior.
23.ª adenda às 13:00: um jornalista emocionado, ouvindo tiros (também os ouvi), acaba de me informar via celular que dois jovens (ela de 19 anos, ele de 22) foram baleados em sua casa por um polícia à paisana no Bairro de Inhagóia: moradores foram a casa do polícia para lhe queimar a casa, mas surgiu a polícia a disparar para o ar. Ligeira correcção da adenda anterior, portanto.
24.ª adenda às 13: 05: tiros na Av.ª 25 de Setembro.
25.ª adenda às 13:07: um dos meus assistentes comunicou-me via celular que jovens atacaram um chapa na Praça do Museu, partindo-lhe os vidros, atacando depois os vendedores de pequenas bancas locais.
26.ª adenda às 13:15: um amigo ligou-me via celular para me dizer que na Av.ª Eduardo Mondlane, quase a chegar ao "Ponto Final", populares atiravam pedras para os carros que passavam, partindo vidros, com a polícia a disparar para o ar. A cidade parece deserta.
27.ª adenda às 13: 25: polícia lança gás lacrimongéneo no Bairro de Inhagóia; o polícia que baleou dois jovens parece que, afinal, baleou cinco, chama-se Balate; barricadas removidas pela polícia na estrada, barricadas recolocadas pelos populares (informação via celular de um dos meus assistentes no terreno).
28.ª adenda às 13:40: lojas fechadas, cidade sem chapas agora.
29.ª adenda às 13:52: circulam viaturas na Av.ª Eduardo Mondlane, mas poucas e muito devagar. Parece estarmos num fim-de-semana ainda mais fim-de-semana do que é habitual.
30.ª adenda às 14:15: informa-me um jornalista via celular que um carro da Electricidade de Moçambique foi queimado no Bairro do Benfica.
31.ª adenda às 14:20: BBC em linha, falo para a emissora, canal em português, mais logo, 19 horas locais.
32.ª adenda às 14:25: chegará a altura em que procurarei analisar o que se está a passar. Assim respondo aos que me têem telefonado e enviado emails a perguntar quando analiso a situação.
33.ª adenda às 14;35: estão encerrados: bombas de combustível, escolas, comércio formal e informal. Situação inédita na cidade de Maputo, faz lembrar um pouco, em termos de agitação popular, a transição para a independência.
34.ª adenda às 14:37: STV em linha, falo para essa estação televisiva logo a partir das 19:44.
35.ª adenda às 14:45: acabam de me informar que a portagem da Matola foi encerrada.
36.ª entrada às 15:08: BBC reporta "revoltas nas ruas de Maputo", veja aqui, com link para este diário.
37.ª adenda às 15:20: um assistente meu em Inhagóia e alguém que quis falar comigo do Bairro do Choupal disseram-me que a situação está tensa, com as pessoas muito coléricas. Que se aguarda um informe governamental às 16 horas, que no Bairro do Choupal se cortaram árvores e se abriram valas nos passeios para barricar a estrada, que apenas passou um carro, de uma funerária, levando um morto. Moradores de Inhagóia continuam agastados com o polícia que baleou pessoas (vide adendas anteriores).
38.ª adenda às 15:36: um jornalista informa-me que as SAA, linhas aéreas sul-africanas, cancelaram os seus voos para Maputo.
39.ª adenda às 16:05: em comunicado conjunto, o Conselho de Ministros e o Conselho Municipal da cidade de Maputo apelaram à calma na cidade e falaram de "interesses que não são benéficos para as populações". Por sua vez, o vice-ministro do Interior, José Mandra, afirmou que nada se resolve com tumultos e que não é procedendo com tumultos que a situação dos preços se vai resolver (Rádio Moçambique, noticiário das 16 horas).
40.ª adenda às 16:10: um jornalista no terreno neste momento deu-me conta de existirem enormes filas de gente na Avenida 24 de Julho e de haver uma situação tensa defronte do edifício da Assembleia da República.
41.ª adenda às 16:15: um portal português afirma que "os protestos em Maputo foram convocados por sms". Confira aqui.
42.ª adenda às 17:00: jornalista informou-me que a polícia escolta viaturas na Av.ª 24 de Julho, depois de ter removido contentores de lixo que barricavam a avenida entre o edifício da Assembleia da República e a praça 16 de Junho.
43.ª adenda às 17:45: há indícios de aparente normalização em algumas áreas de Maputo. Mas há ainda bairros com problemas: Inhagóia, por exemplo. Um jornalista viu há momentos um chapa circular em Maputo, paragens têm gente à espera de chapas. Mas muita gente, a maioria, circula a pé. Para quem vai para a Matola pode notar isso, uma fila caminhando para lá, outra para cá.
44.ª adenda às 18:07: ao longo da Av.ª de Moçambique, nos bairros Luís Cabral e do Jardim, forte aparato policial, disparos sucessivos e tentativas de barricar estradas por parte de populares. Por outro lado, num outro ponto, a caminho do aeroporto, vários populares queixaram-se de terem sofrido atentados quando procuravam lá chegar, especialmente apedrejamento das viaturas. A Avenida do Trabalho está barricada com troncos de árvore, a polícia chegou, ouvem-se disparos (fontes de crédito por celular).
45.ª adenda às 18:45: prometo-vos que há-de chegar a altura em que procurarei analisar o fenómeno.
46.ª adenda às 20:50: regressado da STV, acabo de ser informado de que na Beira, para se evitarem tumultos, foi adiada a entrada em vigor da nova tarifa dos chapas após acordo alcançado entre o Governo e a Associação de Tranportes Semi-Colectivos (notícia da Rádio Moçambique que me foi enviada via celular por um jornalista).
47.ª adenda às 21:oo: fiquei muito impressionado por ver os vídeos da revolta em Maputo enquanto permanecia no estúdio da STV onde fui entrevistado. Mesmo muito impressionado.
48.ª adenda às 21:15: continuo a receber via email e via celular o pedido para iniciar a análise da revolta popular. Por agora não, estou algo extenuado. Mas posso desde já adiantar que a farei e que, fazendo-o, usarei alguns termos de que fiz uso em entrevista hoje para a BBC e para STV, a saber: sismo social, terramoto social, escala social de Ritcher, zona vulcânica social. Etc.
49.ª adenda às 21:20: um jornalista acaba de me mandar a seguinte mensagem: "Acabo de chegar. Situação drmática no troço J. Macamo-Matola. Portagem escancarada. Rede vandalizada. Pessoas a dormir no pátio da portagem. Pneus a arder. Polícia impotente. Não tenho palavras para descrever. É guerrilha urbana ou seja terramoto social".
50.ª adenda às 21:25: acho que vou parar um pouco, sinto-me extenuado. Perdoem-me.
Friday, 1 February 2008
Livrança em Moçambique: Embaraço ou Vergonha Nacional?
Por: Raúl Chambote, 28.01.2008
Email: raulchambote@hotmail.com
O meu assessor jurídico assegurou-me que o entendimento que se deve ter quando se fala de Livrança é que essa, é uma promessa de pagamento de uma certa quantia, em dadas circunstâncias de tempo e lugar, dada por uma determinada pessoa, subscritor, a uma outra, o beneficiário ou seu portador legítimo vencimento. Um entendimento semenlhante a esse deriva do Direito Comercial , que define Livrança como “um título de crédito, contendo uma promessa de pagamento. O eminente, subscritor do título, declara-se ele próprio obrigado a pagar ao tomador ou à sua ordem a quantia mencionada no mesmo”.
Para não perder tempo com definições, sejam elas jurídicas, comerciais ou de carácter fiscal, acho que a explanação acima seja suficiente para os propósitos deste texto. Vou directo ao assunto que me leva a escrever esse artigo. Dirija-se a Repartição de Finanças de 1º Bairro Fiscal de Maputo e compre uma Livrança e, leia simplesmente o que está nela escrito: República Portuguesa. Confira a ilustração acima.
Não se pode imaginar o impacto que essas letras, timbradas na Livrança, tem nos cidadãos que pela primeira, segunda ou terceira vezes se dirijem àquela Repartição de Finanças para adquirir livranças. Incrível que pareça, Moçambique ficou independente de Portugal há quase 33 anos e, parecia que com a reversão de Cabora Bassa para o Estado Moçambicano, estava removido o último sinal do Colonialismo Português. A fazer fé as inúmeras afirmações oficiais reportadas nos órgãos de comunicação social sobre a remoção da última marca colonial na Pátria Amada, então o que é que o Ministério das Finanças e o Banco de Moçambique tem a dizer aos moçambicanos sobre a não mudança na impressão de Livrança de, “República Portuguesa” para República de Moçambique.
Os cidadãos que andam na azáfama de pedir crédito aos bancos em Moçambique, especificamente em Maputo, deparam-se com essa situação. Quem o faz pela primeira vez é simplemente colhido de surpresa, porque a República de Moçambique não é a República Portuguesa. Quem se dirije acompanhado de um estrangeiro à aquela repartição para obter Livrança fica embaraçado e com o ferido orgulho de ser moçambicano, porque afinal a República Portuguesa significa alguma coisa em Moçambique, pelo menos, para o Ministério das Finanças e Banco de Moçambique, que parece estarem a ignorar esse facto, 32 anos após a Independência Nacional. Certamente o estrangeiro anotará o embaraço que o Ministério das Finanças e o Banco de Moçambique submete aos moçambicanos. Quem se dirije pela terceira vez para comprar Livrança timbrada “República Portuguesa” para efeitos de acesso ao crédito na República de Moçambique, se apercebe que os assessores do Ministro das Finanças e do Governador do Banco Central, ou sofrem de conjuntivite, que estão sempre a esfregar os olhos por causa de comichão, por isso não conseguem ver com nitidez o que está escrito nas livranças e propor aos seus assessorados mudanças; ou ignoram a importância política e económica e a necessidade das livranças serem timbradas com letras República de Moçambique e não República Portuguesa, como a scan acima ilustra.
Quando redigia este artigo, o Banco de Moçambique realizava o seu XXXII Conselho Consultivo, na cidade da Matola, no esteio da implementação do plano estratégico da instituição, que vai vigorar de 2008 a 2010, instrumento que se enquadra nas estratégias do Banco Central para fazer face a integração regional da África Austral. Segundo alguma imprensa nacional, o Banco de Moçambique elege excelência nas suas competências. O irreversível processo de integração regional na SADC tem sido oficialmente apontado como momento de oportunidades que Moçambique não deve desperdiçar para a sua afirmação económica, uma vez que é inquestionável a afirmação política de Moçambique na SADC. Na minha opinião a mudança das letras, a moeda e o emblema na Livrança de, República Portuguesa para, República de Moçambique é politica e economicamente urgente e fundamental para se colher os dividendos da integração regional. Não se deve confundir os Estados membros da SADC de que na Constituição somos República de Moçambique mas, quando vamos aos bancos pedir crédito, só por causa de Livrança que pode ser impressa em qualquer gráfica em Moçambique, somos República Portuguesa.
Admita-se que estou equivocado sobre as competâncias do Banco Central quanto a questão de emissão de livranças em Moçambique. Mas é inaceitável que o Banco Central não supervisione o selo, o emblema e o que está escrito na Livrança vendida nas Repartições das Finanças e algumas tabacarias em Moçambique. Prestando um pouco de atenção ao scan da Livrança que fiz, nota-se que a moeda é o Escudo Português e não Metical Moçambicano; o fundo está impressa emblema Portuguesa e não emblema Moçambicana. Longe de procurar os culpados do embaraço de que somos submetidos quando vamos à Repartição de Finanças comprar Livrança, urge perguntar para quando Sr. Ministro das Finanças e Sr. Governador do Banco de Moçambique, vamos ter livranças impressas com letras República de Moçambique?
Por Raúl Chambote
“Livrança em Moçambique: Embaraço ou Vergonha Nacional?” é um texto de autoria de Raúl Chambote. Em honra e agradecimento aos comentadores do artigo, transcreve-se fielmente o conteúdo e forma dos comentários dos Drs. Machatine, Sérgio Vieira e Ilídio Nhantumbo. Todavia, Raúl Chambote assume a responsabilidade de retoque quanto à acentos e retirada de letras a mais nos textos dos comentadores.
Boa leitura
Dr. Machatine Ndlovu comenta nos seguintes termos:
VESTÍGIOS E SAUDOSISMO PARA SOBREVIVER
Caros amigos,
Tentei resistir comentar o óbvio. Mas depois decidi comentar o artigo roubando comentários.
Chambote tem que ser felicitado de facto por ter-nos alertado mais uma tarefa no processo da descolonizacão. Fiquei profundamente emocionado com o Ilídio a recordar o Saudoso Marechal Samora Machel e suas perspectivas da remocão dos vestígios do colonialismo. Essa figura lendária sabia da complexidade da descolonizacão, sobretudo das suas fases. A fase que exigia mudanças bruscas e penosas = A REVOLUCÃO, requeria homens de postura, bravura e carregados de humanismo raro. A outra fase, segundo o Marechal, é a mais difícil e requer homens de paciência rara, astutos pensadores, estrategas afinados de fazer inveja a Clawzewitz, Sun Tsu e o General Vietnamita Giap = DESENVOLVIMENTO. Cada uma destas fases tinha de permeio a CONSOLIDACÃO dos ganhos.
Samora Machel não cantava A LUTA CONITNUA, sentia-na. Tinha conteúdo esta palavra que hoje não passa de onomatopeia para muitos e, pronunciada com receio pelos contemporâneos de Samora. Uma "cobardia" forçada para não ferir quem desembolsa os fundos hoje e que não nutria simpatias com o nacionalismo Samoriano. Qual é o conteúdo deste conceito inocente (A LUTA CONTINUA) mas vivo e resistende da caducidade? Creio que o que o Raúl Meneses Chambote lembrou, porque não descobriu, faz parte de um lote de coisas que a geracão de Samora, Mabote, Dik Tongane (Fernando Matavele), Tazama e outros herois não cantados não sei porquê, deixaram para as geracões do respeitoso camarada Sérgio Vieira (coristas da música Samoriana) e os mais recentes produtos do Samorismo como Ilídio Nhantumbo e Raúl Chambote, deve CONTINUAR a remover como parte do processo da descolonizacão. De facto há muitas coisas ainda por fazer. Não nos devemos vacilar. O caminho é longo e terá mártires. Tentamos na toponímia. Ainda não concluímos.
Quanto aos hábitos gastronómicos... lembro -me de um dirigente Africano detestado no Ocidente e sorrateiramente detestado entre Africanos quando cossados com a Diplomacia de Cheque Branco. Esse dirigente, numa conferência mundial sobre o desenvolvimento sustentável dizia, e parafraseio, podem ir com o seu trigo, arroz e bife à metrópole que ficaremos a comer massa de milho com vegetais locais. (Let them go with wheat, rice and metropolitan beef. We shall remain eating maize pap and vetetables) ou em lingual materna desse dirigente, Ngavaende zvavo ne hwit. Tino sara te chidga sadza ne chomoria (Shona/Manyica). Lembro-me também de um dirigente desta região da SADC tentando vender a ideia do Panafricanismo moderno buscando a filosofia do Renascimento. Ele advogava o valor do saber do Africano, de seus hábitos alimentares e de vestir, que eram muito económicos e querendo pouco inputs internacionais. Criticava gravata enquanto ele próprio estava engravatado. Que saudades dos irmanos Cubanos!!!!! gravata não é com eles. Ora, de facto temos muito de valor em nós mas, que descobrimos graças as conquistas da cultura dos outros. A Lingua Portuguesa não é um vestígio do colonialismo; o prato do bacalhau não é vestígio; apreciar um bom vinho seja ele do Porto ou Alentejano (sei lá onde isto fica), não é vestígio do colonialismo. Tudo isto são conquistas culturais que só aperfeiçoando nos vingamos dos Portugueses por alguma vez terem ousado usar isto para nos estorquir da nossa terra. Mas há coisas que atentam o cerne da nossa soberania. A Livrança e o Selo Fiscal que dá a autenticidade de que sou cidadão desta terra (Moçambique) ... ah isso não. Por favor Ministério das Finanças e sua Inspeccão não procurem apenas prevericadores nacionais, procurem também o que atenta contra a honra do cidadão.
Temos que nos lembrar do Gunner Murdal e o Drama Asiático: o poder do discurso na perpetuacão da dependência. É verdade que conquistamos o Português. Mas através dele mantemos certas ligacões umbilicais com Portugal. CPLP e PALOP orgulho de quem? As palavras existem para serem dado conteúdo. Falamos Português, mas cantamos com ele a Marrabenta, e o Hino que exalta a derrota dos Portugueses em Moçambique. Não cantamos Fados e Herois do Mar. Os Portugueses de hoje são tão bons que muitos deles nem querem saber da sua recente história. Mas se não nos precavermos, as nossas línguas correm o risco de sumir e não saberemos escrever o nome original de Kahora Bassa (vá ganhar emprego).
Quanto as Cahora Bassa, Khabora Bassa.... Antes de eu ir me juntar aos Chissanos, Chipandes, Hama Thais e Sérgios Vieiras e muitos outros que foram meus mentores (MUITO OBRIGADO CAMARADA SÉRGIO) na primeira metade dos anos 1970s, meu pai havia sido preso por recusar trabalhar para pagar imposto, JETI em minha língua Ndau, e preferir ir COHORA BASSA (receber trabalho ou emprego) onde se faziam bichas mensalmente para ser contratado. Este lugar situava-se em Tete. Esta última palavra já era sinónimo de Turras pois a guerra já estava quente lá. Corrijam-me os compatriotas Nyungwe, mas para mim Cahora Bassa rima a ENDA UKAHORA BASSA - Vai receber emprego. Os Portugueses no seu estilo característico de corromper as nossas línguas, rimava bem KAHORA BASSA ou Cabora Bassa. Será? Acho que o novo PCA de HCB entanto que historiador, poderá nos ajudar a curar esta amnésia imperdoável.
Funerais, ah... isso já é característica do Africano. Sabem que no Ghana as urnas tem diferentes formatos? Sabem que no Botswana os bancos comerciais ganham mais dinheiro pelos empréstimos para funerais e casamentos? Moçambicano que não demora copiar, exibe riqueza obtida honesta ou duvidosamente, nos funerais. A humanidade vive de mitologia. Sem ela enfrenta-se uma crise de identidade. O mito ou enigma, é fabricacão do Homem na sua infindável curiosidade. O que não sabe pertence ao indizível residente no transcendental (Lembre-se do Russel e Kierkgaard). Ora o vinho marcou geracões que testemunharam eventos de dimensão civilizacional - a escravatura e a invasão dos homens do além mar. Ora, os símbolos mais característicos eram a sua gastronomia peculiar que se regava de um líquido animador e despertador das conversas - o Vinho. A melhor forma de lembrar esses seres humanos invadidos, é oferece-los o que a sua vivência testemunhou. Daí o vinho, meu caro Ilídio. Desculpe o Professor Luis Covane, Arlindo Chilundo e Fransciso Kossa (Hungulane ba ka Kossa) por não me lembrar bem da história. Não é culpa deles. Mas creio que o vinho, e Canhu cumprem este dever sagrado para com os defuntos. Por isso não é vestígio... é uma conquista.
O mais importante nisto tudo é que o Raúl Chambote acabou se revelando soldado no combate prolongado pela descolonizacão efectiva, antónimo de ocupacão efectiva. Respondeu a vóz de Comando do Marechal Samora Machel: CAMARADAS, A LUTA CONTINUA!
Até breve, aquele abraco amigo
João Machatine Laimone NDLOVU
Quarta-Feira 30.01.2008
Dr Sérgio Vieira comenta nos seguintes termos
Meus amigos,
Praticamente não se utilizam as letras ou livranças hoje, na actividade bancária.
De todo o modo a observação do Chambote está correcta, porque nada justifica que o Estado mantenha essa herança e ainda por cima ao preço dum já inexistente escudo que sucessivamente se substituiu pelo MT em Moçambique e pelo Euro em Portugal. Hoje, 1$00 não dá para pagar sequer o papel. O Ministério das Finanças herdou toneladas desse papel inútil. Felicito o Chambote e agradeço por esse alerta.
Nas impostas ou não impostas micesgenações étnicas e culturais nada guarda a sua pureza original.
Na povoação tirávamos o calçado ao entrar na palhota ou sentarmo-nos na esteira, pois ninguém põe o sapato por cima da cama, ou da mesa em que come. Na cidade, quando se entra para se dar os pêsames tiramos o sapato, os donos retiraram a cama e cadeiras tudo substituindo por esteiras e as senhoras põem capulana fazendo desta um traje de luto.
Na povoação quando se ia a um funeral, porque se caminhava muitas horas ou dias, cada um levava a esteira e manta para descansar e comida para se sustentar.
Hoje, na cidade, instalam-se na casa do defunto durante 8 dias e come-se e bebe-se do melhor, fazendo do tomar um chá ou do lavar as mãos um banquete festivo.
Nos funerais e casamentos o moçambicano gasta o que não tem e depois das cerimónias que se avenham os donos que quiseram exibir!
Não sendo muito adepto do vinho do porto, prefiro um bom tinto alentejano, mas lembrando-me sempre que os vinhos viajam mal e para se conservarem, os tintos, devem estar deitados, às escuras e a 12º de temperatura no máximo. Por isso os guardo na geleira.
Ignoro as razões que levam os linguistas a substituírem o português C pelo britânico K quando se escreve Cahora, por isso até necessitam do KH. Talvez, porque os portugueses só tardiamente estudaram as nossas línguas, enquanto os missionários protestantes queriam levar a bíblia para os nativos na sua língua quotidiana. Enfim, vamos moldando a passos à frente e para trás o futuro.
Um abraço,
Sérgio Vieira -----Quarta-Feira 30.01.2008///
Raúl Chambote responde a Ilídio dizendo:
Caro Ilidio
Muito obrigado e meus parabens pelo comentário. Você tem sido a pessoa que mais vezes comenta, analisando parágrafo por parágrafo o que escrevo. Olha que o ISRI nos providenciara esse tempo de debates. Mantenhamos viva a chama. Tenho mais subsídios para mais um artigo. Mas antes disso, deixa dizer-te:
Seu comentário revela maturidade de análise, que duma forma ou doutra ou, nos torna conformistas com a situação ou, nos leva a questionar com vigor e rigor o quadro averiguado de situações: língua, moeda, vestuário, bebidas....uhmm selos também, me esqueci de fazer scan destes para mostrar onde e como navegamos,...biblia também. Meu, vais dizer que já estou a pisar linha-vermelha.
Caro Ilídio, o que acha dos Funerais Festivos em Moçambique? Sabes que come-se e bebe-se do bom e do melhor na maioria dos funerais em Moçambique. É vestígio colonial ou um vício que surgiu do nada? Consta-me dos escritos de Eça de Queirós, que havia carpideiras em Portugal. Era um grupo de senhoras contratadas para carpir/chorar o morto porque os familiares não podiam chorar, ou porque não tinham como produzir tais lágrimas, ou havia outra razão qualquer que nem sei.
Voltarei
Raul Chambote -----Quarta-Feira 30.01.2008
Ilídio Nhantumbo comenta nos termos seguintes:
Caro Chambote,
Em primeiro lugar queria solidarizar-me com as pessoas vítimas deste embaraço/ vergonha? Nacional, particularmente consigo.
Achei impressionante a maneira súbtil como procurou buscar um facto, sem argumento contra, para provar que existem ainda vestígios do colonialismo português em Moçambique. Seria interessante procurar saber quem continua interessado em manter vestígios tão fáceis de remover que não precisam de endividar o Estado como aconteceu com Cahora Bassa.
Penso que em algum momento os assessores dos nossos dirigentes deviam assinar os discursos que fazem ou a co-autoria dos mesmos. Os nossos dirigentes também deviam rigorosamente examinar os discursos que leêm. Na verdade, gostaria de conhecer a perspectiva do assessor que inventou esse discurso de último reduto/vestígio do colonialismo português em Moçambique com a compra, dita reversão, da Hidroeléctrica de Cahora Bassa.
Me parece tarefa desenquadrada estar a falar da remoção de vestígios do colonialismo em Moçambique e mesmo em África no geral. Vamos sim capitalizar a satisfação do interesse nacional/geral com actos e investir menos nesse discurso. Alguns dos vestígios do colonialismo que se pretendem removidos são parte do nosso dia-a-dia. Não nos esqueçamos que a LAM estave interdita de sobrevoar o espaço francês. Que espaço francês? Se não estou em erro, são as Ilhas Francesas do Índico. Que vestígios pretendemos remover? Aqueles que nos lembram dominação ou humilhação? Aqueles que põem, ferem com a soberania do Estado? Que soberania?
(In)felizmente, estou usando um vestígio do colonialismo para comentar o seu artigo. Gostaria muito de comentar em Sena, Chope, Macua ou qualquer outra língua nacional. Sei que Cahora Bassa é uma tentativa de aportuguesamento, localmente não se diz assim. Deve ser algo como Khabora Basa. Contudo me orgulho de também poder expressar-me num vestígio do colonialismo que se pretende removido.
Se o meu caro Chambote teve informação sobre este vestígio do colonialismo (Livrança), muito provavelmente, depois foi pedir empréstimo bancário de capital não nacional. Não sei se constitui ou não vestígio de alguma coisa. Será mesmo altura para falarmos da remoção de vestígios do colonialismo? Se for na perspectiva Macheliana, mesmo Cahora Bassa ainda constitui vestígio do colonialismo. Pois, para o saudoso Marechal, a dominação não devia vir nem do ultramar, nem da vizinhança.
O vinho consumido em Moçambique (lembre-se que até nossos antepassados exigem vinho nas cerimónias tradicionais), não sei se devia ser removido. O vinho que os nossos antepassados beberam e sob seu efeito aceitaram ou foram manipulados a aceitar determinados pactos, parece ser da mesma proveniência. Por favor, caro Chambote, a próxima que convidar-me para um jantar, ignore o que estou a dizer e sirva-me bom vinho, de preferência, o do Porto.
Mais não disse,
Saudações académicas!
Nhantumbo -----30.01.2008
Compilado por: Raúl Meneses Chambote
P.S. Envie seus comentários para: raulchambote@hotmail.com
The rules of attraction
By The Associated Press
This isn't a popularity contest... but it still helps for presidential candidates to be likable.
Forty percent found Hillary Rodham Clinton likable, compared to 54 percent for Barack Obama, 45 percent for John McCain and 31 percent for Mitt Romney. Clinton's rating has not changed since the first AP-Yahoo News poll in November, while the others' have grown slightly.
Partisan prisms
People's views of the candidates' characteristics are deeply influenced by which party they belong to. Sixty-four percent of Democrats and 11 percent of Republicans think Clinton is honest. Obama is seen as refreshing by 65 percent of Democrats and 38 percent of Republicans. Fifty-seven percent of Republicans and 42 percent of Democrats see McCain as ethical, while 44 percent of Republicans and 25 percent of Democrats view Romney as strong.
Looking good (kind of)
Party allegiances also seem to shape how attractive people think the candidates are—though in some cases there is bipartisan agreement.
Sixty-three percent of Democrats say Clinton is attractive compared to 17 percent of Republicans, with Democratic women slightly likelier to say so than men. Obama is viewed as attractive by 58 percent of Democrats, 41 percent of Republicans. Romney is considered attractive by 46 percent of Republicans and 32 percent of Democrats. As for John McCain, he is seen as attractive by about a quarter of those from both parties.
Something personal
Asked what came to mind when they think about the candidates, 61 percent of people's answers about Clinton dealt with personal qualities, such as her gender. Fifty-six percent of the responses about Obama, 39 percent about McCain and 42 percent about Romney were also personal traits.
Are we voting?
Fifty-five percent say they're interested in news about the presidential campaign, up from 45 percent in November. Eighty-four percent say they've given at least some thought to the candidates, while 76 percent said so in November.
- - -
The survey of 2,016 adults was conducted from Jan. 18-28, and had a margin of sampling error of plus or minus 2.2 percentage points. Included were interviews with 943 Democrats, for whom the margin of sampling error was plus or minus 3.2 points, and 740 Republicans, with a margin of sampling error of plus or minus 3.6 points.
The poll was conducted over the Internet by Knowledge Networks, based on reinterviews of a nationally representative sample of adults initially contacted in November. The respondents were first contacted using traditional telephone polling methods and followed with online interviews. People chosen for the study who had no Internet access were given it for free.
REFLEXÕES DO PRESIDENTE FIDEL CASTRO
O presente do Dia de Reis
OS cabogramas anunciaram-no com antecedência. Em 6 de janeiro informaram que Bush viajaria para o Oriente Médio assim que terminasse seu cristão descanso de Natal. Visitaria as terras dos muçulmanos, de outra religião e cultura à qual os europeus que se converteram em cristãos, declararam guerra, por infiéis, no século 11 d. C.
Os próprios cristãos mataram-se uns aos outros, tanto por motivos religiosos quanto por interesses nacionais. Parecia que tudo tinha sido superado pela história. Ficavam as crenças religiosas, que deviam ser respeitadas, e suas lendas e tradições, fossem ou não cristãs. Neste lado do Atlântico, mesmo como em muitas outras partes do mundo, as crianças ansiosas esperavam cada 6 de janeiro procurando rações suficientes para os camelos dos Reis. Eu também experimentei essa sensação de esperança nos primeiros anos de minha vida, pedindo o impossível aos afortunados Reis, com as mesmas ilusões com as quais alguns compatriotas esperam milagres de nossa perseverante e digna Revolução.
Não tenho a fortaleza física necessária para conversar diretamente com os vizinhos do município onde fui proposto candidato para as eleições do domingo próximo. Faço o que posso: escrevo. Para mim é uma nova experiência: não é o mesmo falar do que escrever. Hoje, que disponho de mais tempo para me manter informado e meditar sobre aquilo que vejo, apenas o tempo me dá para escrever.
O bom é esperado, o mau surpreende e desmoraliza. Preparar-se para o pior, é a única forma de preparar-se para o melhor.
Parece irreal ver Bush, o conquistador das matérias-primas e dos recursos energéticos de outros povos, impondo normas ao mundo sem se importar com as centenas de milhares ou milhões de pessoas que morrem e com a quantidade de cárceres clandestinos e centros de torturas que devem ser criados para atingir seus objetivos. "Sessenta ou mais escuros cantos do planeta" devem ficar à espera de ataques preventivos ou inesperados. Não fechemos os olhos, Cuba é um desses cantos escuros. Assim o disse textualmente o chefe do império e adverti disso mais de uma vez a comunidade internacional.
Em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, a poucas milhas do Irã, a AP informou: "O presidente estadunidense George W. Bush disse no domingo que o Irã ameaça a segurança do mundo, e que os Estados Unidos e seus aliados árabes devem unir-se para enfrentar o perigo antes de que seja tarde demais.
"Bush acusou o governo de Teerã de financiar terroristas, debilitar a paz no Líbano, e de enviar armas à milícia religiosa afegane Talibã. Acrescentou que o Irã tenta intimidar seus vizinhos com uma retórica alarmante, desafia as Nações Unidas e desestabiliza totalmente a região ao não querer esclarecer as intenções de seu programa nuclear."
"Bush disse 'As ações do Irã ameaçam a segurança das nações em toda parte'. Portanto os Estados Unidos fortalecem nossos compromissos de segurança assumidos há muito tempo com nossos amigos no golfo Pérsico e convocam seus amigos para enfrentarem este perigo."
"Bush falou no hotel Emirates Palace, construído a um custo de US$3 bilhões de dólares e onde uma suíte custa US$2.450 cada noite. Tem um quilômetro de comprimento e uma praia de areia branca de 1,3 quilômetros de comprimento. Segundo Steven Pike, um porta-voz da embaixada dos Estados Unidos nos Emirados Árabes Unidos, cada grão da areia dessa praia foi importado da Argélia."
Todo mundo sabe que ele quer a guerra contra o Irã, é sua guerra. Promete, além disso, que as tropas norte-americanas permanecerão pelo menos mais 10 anos no Iraque.
O pior é a incapacidade dos principais candidatos dos partidos, que vão sucedê-lo, de retificar. Nenhum deles atreve-se a roçar com a pétala de uma rosa essa prática imperial, sob o pretexto de lutar contra o terrorismo, engendrado pelo próprio sistema e seu colossal e insustentável consumismo, pretendendo o impossível: crescimento sustentável, emprego pleno e sem inflação.
Esses não foram os sonhos de Martin Luther King, de Malcolm X e de Abraham Lincoln, nem de nenhum dos grandes sonhadores que a humanidade teve ao longo de sua azarada história.
Aquele que tiver tempo para ler e analisar as notícias que chegam através da Internet, cabogramas e livros, pode comprovar as contradições às quais foi levado o mundo.
Num artigo publicado pelo jornal El País, órgão de imprensa espanhol muito acompanhado, se faz referência ao tema dos preços dos alimentos e ao combustível. Escrito por Paul Kennedy, professor de história e diretor de Estudos Internacionais sobre Segurança na Universidade de Yale, um dos intelectuais de maior influência nesse país, o artigo assevera que "o petróleo é o maior elemento de dependência que têm os Estados Unidos com forças externas".
"Em meados do século 18, a Grã-Bretanha possuía a maior indústria de construção de veleiros do mundo. Contudo, ao passo que seus estaleiros construíam centenas e, inclusive, milhares de veleiros por ano, uns inventores ingleses criavam a máquina a vapor, que produzia enormes quantidades de energia, garantida pelas jazidas especialmente betuminosas do sul de Gales. O máquina a vapor e o carvão impulsionaram o desenvolvimento do império britânico durante mais 150 anos."
Mais em diante, salientava o ponto de vista que mais nos interessa: a interconexão cada vez maior entre o petróleo e os alimentos. As razões são bem conhecidas: a enorme demanda energética entre as grandes economias asiáticas e a incapacidade dos países mais ricos — os Estados Unidos, o Japão e a Europa — para reduzirem seu consumo.
"Porém, também aumenta a demanda mundial de soja, sobretudo por causa do aumento do consumo na Ásia. As dezenas de milhões de porcos existentes na China devoram uma incrível quantidade de soja durante o ano. Os preços futuros da soja são 80% superiores neste ano (dezembro de 2007) aos do ano passado (2006)."
"Ninguém pode estar certo, mas o lógico é que o crescimento contínuo da população mundial e o aumento das rendas reais para mais de 2 bilhões de pessoas nos últimos anos signifiquem uma demanda cada vez maior de proteínas — mais carne de boi, mais porco, mais frango, mais peixe — e, por conseguinte, mais cereal para alimentar os animais."
O professor de Yale poderia ter acrescentado: mais ovo e mais leite, visto que suas produções precisam de consideráveis quantidades de ração. Porém, um pouco mais para frente faz referência a um artigo publicado no The Economist, principal órgão das finanças européias, qualificando- o de "excelente, muito detalhado e aterrorizador" , intitulado O fim da comida barata. "A revista começou seu índice de preços dos alimentos nada menos que em 1845. O índice de preços dos alimentos é o maior em 162 anos".
O Brasil, que já se auto-abastece de petróleo e possui abundantes reservas, sem dúvida, poderá fugir desse dilema. Erigido sobre um pequeno planalto, de entre 300 e 900 metros de altura, possui 77 vezes a superfície de Cuba. Essa irmã república possui três climas diferentes. Ali são cultivados quase todos os alimentos. Não é açoitada por furacões tropicais. Junto à Argentina, as duas poderiam ser tábuas de salvação para os povos da América Latina e do Caribe, incluindo o México, embora jamais garantia de segurança para eles, porque estão a mercê de um império que não admite essa união.
A escrita, como muitas pessoas sabem, é um instrumento de expressão que carece da rapidez, do tom e da mímica da linguagem falada, que não utiliza sinais de pontuação. Emprega-se muitas vezes mais tempo do pouco disponível. A vantagem da escrita é que pode ser feita numa hora qualquer do dia e da noite, mas a gente não sabe quais pessoas vão lê-la, muito poucos podem resistir à tentação de melhorá-la, incluir o que não disse e riscar parte do já dito; às vezes a gente tem vontade de jogá-la no lixo por não ter o interlocutor na frente. Durante toda minha vida transmiti idéias sobre os acontecimentos tal como os via, desde a mais escura ignorância até hoje em que disponho de mais tempo e possibilidades para observar os crimes que são cometidos contra nosso planeta e nossa espécie.
Aos revolucionários mais jovens, recomendo especialmente exigência máxima e disciplina ferrenha, sem ambição de poder, auto-suficiência, nem vanglórias. Cuidar de métodos e mecanismos burocráticos. Não cair em simples palavras de ordem. Ver os procedimentos burocráticos como o pior obstáculo. Usar a ciência e a computação sem cair na linguagem tecnicista e ininteligível de elites especializadas. Ter sede de conhecimento, constância, exercícios físicos e também mentais.
Na nova era em que vivemos, o capitalismo não presta nem como instrumento. É como uma árvore com raízes podres, da qual só brotam as piores formas de individualismo, de corrupção e de desigualdade. Também não se deve dar nada de presente aos que podem produzir e não produzem ou produzem pouco. Devemos premiar o mérito daqueles que trabalham com suas mãos ou sua inteligência.
Conseguimos universalizar os estudos superiores, então devemos universalizar o trabalho físico simples, que pelo menos ajuda a fazer parte dos infinitos investimentos que todos exigem, como se existisse uma enorme reserva de divisas e de força de trabalho. Cuidem-se especialmente daqueles que inventam empresas do Estado sob qualquer pretexto e depois administram os fáceis lucros como se tivessem sido capitalistas toda a vida, semeando egoísmo e privilégios.
Enquanto as pessoas não conscientizarem essas realidades, nenhum esforço poderá ser realizado para "impedir a tempo", como disse Martí, que o império, ao qual viu surgir porque viveu em suas entranhas, destrua os destinos da humanidade.
Ser dialéticos e criadores. Não há outra alternativa possível.
Agradeçamos a Bush seu papel de Rei, visitando o lugar onde nasceu o filho do carpinteiro José, se alguém conhece o lugar exato do humilde presépio onde nasceu o Nazareno. Nesta ocasião, o chefe do império leva de presente aos países árabes dezenas de bilhões de dólares para comprar armas provenientes do complexo militar industrial, e ao mesmo tempo dois dólares para cada um dos que fornece a estes a fim de armar o estado do Israel, onde a agência das Nações Unidas, que trata do tema, afirma que 3,5 milhões de palestinos foram privados de seus direitos o expulsos desse território.
Seu instrumento obsessivo é ameaçar o mundo com uma guerra nuclear. Só ele é capaz de levar consigo esse presente dos Reis.
Fidel Castro Ruz
14 de janeiro de 2008
19h12 •
NOT CHILD TRAFFICKING, BUT RELIGIOUS INDOCTRINATION
Maputo, 31 Jan (AIM) – The Mozambican police have detained seven people in connection with the alleged abduction of 40 children.
The children are from the northern provinces of Nampula and Cabo Delgado, and the central province of Zambezia. The truck carrying them to the south was seized by the police on Monday, after one child escaped and denounced the alleged kidnapping. It was feared that the children had fallen into the hands of child traffickers.
However, those arrested, according to a report on Thursday's issue of the Maputo daily "Noticias", include not only the driver of the truck, but three Moslem leaders, Abdula Garcia, Amade Mussa Bilaule and Amade Rachid Alfane, who run a madrassa (koranic school) in Nampula city.
They told "Noticias" that the children had not been kidnapped and were being taken to continue their religious studies in other madrassas in the western city of Tete, and in Maputo and the adjoining city of Matola. The two girls in the group, they claimed, were going to Catembe College in Maputo, an Islamic institution set up for female students of the Koran.
.The three madrassa officials declared "we took the children with the consent of their parents, in order that they could be trained to memorise the Koran".
Furthermore, the parents had put this in writing, and had paid for the journey and for the children's meals. The three said that a list of the children had been issued by the Department of Religious Affairs of the Nampula provincial registry office.
They demanded that the police contact Sheik Aminuddin Mohamad, director of the Matola madrassa (and chairperson of the Islamic Council of Mozambique), and an imam of the Tete madrassa, since "these are the people who would have received the children, and channel them to the Islamic colleges to learn the Koran".
They suggested that the police contact the parents of the children who would confirm that they are innocent of the crimes of trafficking or kidnapping.
From the interviews a "Noticias" correspondent undertook with three of the children, who are being looked after in the Manica provincial orphanage, the madrassa officials appear to be telling the truth. The children all said their parents had authorized them to travel to Maputo or Tete to study the Islamic religion, and had paid for the journey and their meals.
The independent newsheet "Mediafax" contacted Sheik Aminuddin, who said he had been out of the country and knew nothing about this group of children.
It added that brigades of the Criminal Investigation Police (PIC) who worked with the children concluded that the parents had indeed "authorized the children to be taken by this group of Moslem leaders".
The head of public relations in the Manica Provincial Police Command, Pedro Gemusse, said "Some parents explained their behaviour saying that this was the only way to educate their children because they are disobedient and don't want to study".
But study what ? These children, aged between seven and 16, are not going to any school recognized by the Mozambican national education system. Instead of studying the normal school curriculum, they are being sent to memorise a seventh century book written in a language (classical Arabic) that none of them understand.
Representante das NU condena tentativa de tráfico
De acordo com o mediafax de hoje, "O Coordenador Residente das Nações Unidas, NU, em Moçambique, Ndolamb Ngokwey, repudiou ontem a tentativa de tráfico de um total de 40 crianças das províncias de Cabo Delgado, Nampula e Zambézia salvas quando a polícia interceptou um camião na região de Inchope, enquanto seguiam viagem, alegadamente para os centros de instrução religiosa (muçulmana) em Maputo e Tete. Para Ndolamb Ngokwey esta situação vem, mais uma vez, chamar atenção para a necessidade de o Governo moçambicano melhorar os instrumentos legais de protecção da criança."
Lei de recursos minerais deve ser revista
– António Mutoua, director executivo da ADECOR
Nampula (Canal de Moçambique) - A Associação para o Desenvolvimento da Comunidade Rural (ADECOR) vai desenvolver nos próximos meses uma campanha de divulgação, para a possível revisão da Lei dos Recursos Minerais, tudo porque, alegadamente, a referida legislação não faz alusão aos benefícios da população onde é feita a exploração daqueles recursos.
De acordo com António Mutoua, director executivo daquela agremiação, “a iniciativa surge na medida em que das explorações minerais que têm vindo a ser feitas em diversas zonas do país, as comunidades locais não têm beneficiado em nada”.
“A Lei dos Recursos Minerais não é clara. Ela não protege as comunidades que detém a terra, por isso deve ser revista e para o efeito nós vamos lançar uma forte campanha” – sublinhou Mutoua.
O entrevistado do «Canal de Moçambique» disse ainda que a referida Lei tem muitas lacunas, pois “ela não preconiza nenhum benefício para os donos das terras, apenas regula a indemnização às populações residentes nas áreas onde será feita a exploração e mais nada”.
A lei actual, sublinha Mutoua, “em termos de responsabilidade social não contém nada”.
“Em projectos desta natureza”, defende o director executivo da ADECOR, “a população devia ser accionista, pois ela é dona da terra onde é desalojada para locais impróprios em relação as suas práticas tanto culturais como económicas”.
Segundo Mutoua, a Lei dos Recursos Minerais, devia fazer algumas alusões a beneficios da população, como no caso da Lei Florestal que mesmo não dispondo de nenhuma alínea que refira a responsabilidade social, obriga a fazer-se reverte 20% das receitas da exploração para as comunidades locais.
Mais adiante, o director executivo da Associação para o Desenvolvimento da Comunidade Rural afirmou que “em termos de responsabilidade social, o país está bastante oco, pois os legisladores desta pátria têm agido como se de estrangeiros se tratasse, esquecendo-se do seu eleitorado, daí toda necessidade de se reverter a situação, começando por advogar aquilo que não está correcto”.
Mutoua, acrescentou que “pelo facto da lei não proteger as comunidades, os investidores levam pouco tempo para reaver o seu capital”.
Este interlocutor do «Canal de Moçambique» propõe entretanto que se “imagine um projecto de 20 anos” e diz que “em menos de cinco anos o investidor pode reaver o seu capital” pelo que pergunta “e porque nos restantes 5 anos não se pensa em servir também a comunidade?”.
Se por um lado nos empreendimentos se fazem investimentos materiais, por não se investe também em capital humano, como forma de valorização do investimento, evitando desta maneira que projectos de longa duração continuem a importar quadros, quando o país, sobretudo, as áreas de exploração, podem produzir os mesmos?, interroga António Mutoua, director executivo da ADECOR.
Este entrevistado, salienta em seguida que “o impacto da responsabilidade social em Moçambique ainda é nulo” pelo que sugere que “é necessário começar a chamar atenção às pessoas para a mudança no sentido de a população passar a ser accionista nos referidos investimentos”.
Começar no projecto de Areias Pesadas de Moma
Para o projecto da responsabilidade social em Moçambique, sobretudo na província de Nampula, onde opera a ADECOR, as actividades vão arrancar com a análise daquilo que é o cumprimento da responsabilidade social do projecto de exploração das areias pesadas de Moma.
Segundo António Mutoua, director executivo da Associação para o Desenvolvimento da Comunidade Rural, em Abril próximo as actividades poderão arrancar no terreno, tendo em conta que actualmente decorrem negociações com o parceiro de cooperação afim de definir as estratégias de actuação na base.
Para o arranque do referido projecto, primeiro serão capacitadas as associações locais em matéria da legislação mineira para depois seguir-se a fase de actuação, advogando os princípios que regem a mesma e mais tarde promovendo debates para o lançamento da proposta da revisão da lei, os quais envolverão parlamentares, governo provincial, sociedade civil e académicos, contando com o financiamento do Pão Para o Mundo, (PPM), uma organização religiosa alemã.
Mutoua fez saber que “por exemplo dentro da área de actuação daquele empreendimento existe um hospital, mas o mesmo não beneficia as comunidades circunvizinhas”. “Isso não é correcto”, opina. Depois acrescentar que “isto mostra o quão é necessário acomodar a responsabilidade social no país”.
O director executivo da ADECOR mostrou-se ainda agastado com o facto das condições de vida naquele distrito não serem adequadas. “Não se justifica que um distrito com mais de dois projectos de grande envergadura as condições continuem a piorar cada vez mais” – disse.
“Por exemplo, para chegar à vila-sede daquele distrito é necessário fazer sete horas na estrada, num total de pouco mais de duzentos quilómetros de estradas, pelo estado avançado de degradação da mesma”, refere António Mutoua, em tom de chamada de atenção para se comece por aí a defesa da responsabilidade social dos grandes empreendimentos.
A Associação para o Desenvolvimento das Comunidades Rurais, foi criada recentemente, congrega técnicos agro-pecuários, e tem como principais parceiros a Sociedade Civil, académicos e outros.
(Aunício da Silva)
2008-02-01 05:47:00