O fim do Terceiro Mundo?
Há décadas os estudiosos da segurança e política internacional vêm debatendo o surgimento de um sistema multipolar. É chegado o momento de reconhecer um novo paralelo econômico.
Maputo, Sexta-Feira, 14 de Maio de 2010:: Notícias
Se 1989 presenciou o fim da “Segunda Guerra” com o desaparecimento do comunismo, 2009 viu o fim do que era conhecido como o “Terceiro Mundo.” Estamos agora em uma economia mundial nova, multipolar e em rápida evolução – na qual alguns países em desenvolvimento surgem agora como potências econômicas; outros caminham no sentido de se tornarem polos adicionais de crescimento; e outros ainda lutam para alcançar seu potencial neste novo sistema – no qual o Norte e o Sul, o Leste e Oeste agora orientam novos navegadores econômicos sem identificar modelos econômicos antigos.
A pobreza continua e deve ser enfocada. Estados fracassados permanecem e devem ser enfocados. Os desafios globais se estão intensificando e devem ser enfocados. Mas a maneira de enforcarmos estas questões está mudando. As categorizações ultrapassadas de Primeiro e Terceiro Mundos, doadores e suplicantes, dirigentes e dirigidos, não se enquadram mais.
As implicações são profundas: para o multilateralismo, para a ação cooperativa global, para as relações de poder e para as instituições internacionais.
O MULTILATERALISMO É IMPORTANTE
A crise econômica global demonstrou que o multilateralismo é importante. À beira do abismo, os países uniram-se para salvar a economia global. O moderno G-20 nasceu da crise. Mostrou seu potencial agindo rapidamente para reforçar a confiança. A questão agora é saber se isso foi uma distorção ou um vislumbre.
Ao refletirem sobre 2009, os historiadores considerarão o episódio como um caso isolado de cooperação internacional ou o início de algo novo? Agora alguns consideram a tentativa de Woodrow Wilson de criar um novo sistema internacional após a Primeira Guerra Mundial como uma oportunidade perdida que deixou o mundo à deriva entre perigos. Será este um momento semelhante?
O perigo agora é o seguinte: quando diminuir o medo da crise, também diminuirá a disposição de cooperar. Já sentimos as forças gravitacionais trazendo um mundo de Estados-nação de volta à busca de interesses mais estreitos.
Isso seria um erro. As placas tectônicas, tanto econômicas como políticas, estão se deslocando. Podemos deslocar-nos com elas ou continuar a ver um novo mundo através do prisma do antigo. Precisamos reconhecer as novas realidades. E agir baseados nelas.
O QUE É DIFERENTE?
O mundo em desenvolvimento não foi a causa da crise, mas pode ser parte importante da solução. Nosso mundo terá aspecto diferente em 10 anos e a demanda virá não somente dos Estados Unidos mas de todo o mundo.
Já podemos perceber as mudanças. A parcela da Ásia na economia global em termos de paridade do poder aquisitivo tem aumentado constantemente, passando de 7 porcento em 1980 a 21 porcento em 2008. As bolsas de valores da Ásia representam agora 32 porcento da capitalização do mercado global, 30 porcento à frente dos Estados Unidos e 25 porcento da Europa. No ano passado a China superou a Alemanha, tornando-se o maior exportador do mundo. Superou também os Estados Unidos, tornando-se o maior mercado de automóveis do mundo.
Os números das importações contam uma história diferente: o mundo em desenvolvimento está se tornando um impulsor da economia global. Grande parte da recuperação do comércio mundial é devida a uma forte demanda de importações entre os países em desenvolvimento. As importações desses países já estão 2 porcento acima do ponto mais alto antes da crise em Abril de 2008. Em contraste, as importações dos países de alta renda ainda estão 19 porcento abaixo do ponto mais alto anterior. Embora as importações do mundo em desenvolvimento sejam apenas cerca de metade das importações dos países de alta renda, estão crescendo a uma taxa muito mais rápida. Como resultado, representam mais da metade do aumento da demanda de importações mundiais desde 2000. (Continua).
Robert B. Zoellick – Presidente Grupo Banco Mundial
Sunday, 20 June 2010
A Opiniao de Robert B. Zoellick
Restrições nas comunicações afectam oito províncias
OITO províncias do país estão a sofrer restrições nas comunicações de telefonia móvel e fixa e nos serviços de voz, dados e Internet devido a problemas técnicos na fibra óptica em Xai-Xai, província de Gaza.
As províncias afectadas por este problema, de acordo com informações da empresa Telecomunicações de Moçambique (TDM), são de Inhambane, Sofala, Tete, Manica, Zambézia, Nampula, Cabo Delgado e Niassa. A fonte acrescentou que desde que foi registada a avaria, equipas técnicas estão no local para proceder à rápida reposição das comunicações. Pelos transtornos causados, a empresa TDM apresenta aos seus clientes e ao público em geral as suas sinceras desculpas.
Maputo, Sexta-Feira, 18 de Junho de 2010:: Notícias
Friday, 18 June 2010
Primeiro-ministro de Moçambique na China para negociar financiamento de 2 mil milhões de dólares para infra-estruturas

O primeiro-ministro de Moçambique, Aires Ali, iniciou quinta-feira uma visita à China para negociar um financiamento de 2 mil milhões de dólares para 26 "projectos prioritários", de acordo com o jornal moçambicano O País.
Na China, Aires Ali vai tentar garantir o financiamento para a construção da barragem Moamba-Major, no sul de Moçambique, no montante de 600 milhões de dólares, a segunda fase de expansão do Aeroporto Internacional de Maputo, de 104,7 milhões de dólares, a conclusão do Estádio Nacional e infra-estruturas adjacentes, avaliada em 50,2 milhões de dólares, e a construção do centro de sessões do Conselho de Ministros, orçado em cerca de 17 milhões de dólares, escreve ainda o jornal.
O governo moçambicano quer também interessar a Sinohydro (empresa pública chinesa vocacionada para grandes obras públicas, como estradas, pontes e barragens) para financiar e, eventualmente, construir Moamba-Major.
A Sinohydro está actualmente envolvida na elaboração do projecto da nova fábrica de cimento a ser erguida em Magude e, por isso, o executivo moçambicano quer que esta empresa chinesa assegure a mobilização de financiamentos para este projecto, bem como a sua execução.
Nos últimos anos, a China tem-se assumido como um parceiro económico de peso para Moçambique, importando matérias-primas, essencialmente madeira, e financiando o sector de infra-estruturas.
Empresas de construção civil chinesas têm estado envolvidas em obras de vulto, como a construção da maior sala de conferências do país - o Centro de Conferências Joaquim Chissano - do edifício-sede da Assembleia da República, do Bairro Militar, para oficiais do exército, do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Estádio Nacional, já em fase de acabamentos.
Na visita à China, acompanham Aires Ali os ministros das Finanças, Manuel Chang, Obras Públicas e Habitação, Cadmiel Muthemba, dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula e Recursos Minerais, Esperança Bias.
fonte: Macauhub
QUATRO MESES DE PRISÃO PARA JORNALISTA VASCO DA GAMA
- A pena, já recorrida, foi convertida em multa, mas tem de pagar 50 mil
meticais de indemnização á ofendida
A terceira secção do Tribunal Judicial da Cidade de Nampula condenou, ontem, o jornalista Vasco da Gama, correspondente do semanário Magazine Independente, a
uma pena de quatro meses de prisão, convertida, no entanto, em multa a uma
taxa máxima diária, alegando ter ficado provado que cometeu o crime de
difamação contra Lúcia Xavier Afate, actualmente deputada da Assembleia da
República pela bancada da Renamo.
Em sentença de 12 páginas, que levou cerca de 45 minutos de leitura pausada, o Juiz da causa, Fausto Rangarizai, disse que o Tribunal provou que o jornalista Vasco da Gama, ao escrever o artigo em alusão, agiu premeditadamente com intuito de difamar
Lúcia Afate, com agravante de ter cometido uma fraude, ao ter usado um cartão falso da Renamo para obter informações referentes a concretização do tal matrimónio, tradicional vulgo “nikah”, entre Lúcia Afate e Afonso Dhlakama.
A condenação de Vasco da Gama inclui o pagamento de uma indemnização a favor da vitima no valor de 50 mil meticais (contra um milhão de meticais pedidos pela ofendida), por alegada violação da Lei de Imprensa, em vigor no país.
Entretanto, David Augusto Chiconela, técnico jurídico do Instituto de Patrocínio
e Assistência Jurídica (IPAJ) e defensor do jornalista, requereu a interposição do
recurso, facto prontamente aceite pelo Tribunal, com a condição de apresentar
as suas alegações no prazo de cinco dias.
O defensor de Lúcia Afate manifestou-se satisfeito com a sentença que deverá servir de lição para os demais jornalistas e constitui uma porque inequívoca de que os
tribunais deixaram de ser dos “camaradas”.
Para Vasco da Gama, o julgamento pecou por ter se transformado numa sessão de “abate” à sua pessoa, alegadamente por o representante do Ministério Público, advogado da Lúcia Afate, bem como o próprio juiz, insinuarem uma variedade de factos, que, no final, pesaram contra ele.
Os autos referem que eu fui confrontado com a declarante Inzaia Xavier, irmã da Lúcia Afate, para confirmar se me reconhecia como a pessoa a quem ela deu a informação sobre o casamento da irmã com Afonso Dhlakama, o que não corresponde à
verdade, afirmou Gama.
O caso foi despoletado pelo facto de Vasco da Gama ter publicado na edição de 1 de Julho de 2009 do semanário Magazine Independente um artigo intitulado ”Deputada da Renamo Casa-se com Dlhakama e formaliza relação de há 15 anos”.
Por discordar com o conteúdo da supracitada peça, Lúcia Afate que, igualmente, exerce as funções de delegada provincial da Renamo, em Nampula, intentou uma acção judicial contra o referido jornalista, aconselhado pelo próprio líder do partido, Afonso Dhlakama.
Desde a aprovação da Lei de Imprensa, é o primeiro caso, em Nampula, de condenação de um jornalista pelo crime de difamação, embora existam muitos outros processos, no entanto sem desfecho. Wf
Department Will Take Arizona to Court
Speaking in Ecuador today, Secretary of State Hillary Clinton let slip that the Justice Department plans to file suit against Arizona for its controversial immigration law. "President Obama has spoken out against the law because he thinks that the federal government should be determining immigration policy," Clinton said. "And the Justice Department, under his direction, will be bringing a lawsuit against the act." The statement is the first acknowledgement that the administration plans to take Arizona to court, and while the Department of Justice didn't confirm Clinton's remarks, it didn't deny them, either. "The department continues to review the law," a spokesman told the Huffington Post. The news comes only several days after Obama met with Arizona Gov. Jan Brewer about the law, which makes it easier for police to question people about their immigration status. On Thursday, Brewer launched a fundraising Web site, keepazsafe.com, to pay for a legal defense fund to fight challenges to the law. But despite government opposition, polls suggest that the public may be on Arizona's side: A recent ABC News/Washington Post poll found that six out of 10 Americans support the law, and 46 percent think that states should be in control of their own immigration laws.
Read original story in The Right Scoop | Thursday, June 17, 2010
Boycott Hurts Independent Station Owners, Not BP
BP doesn't own the 11,000 BP-branded stations across the United States. While it gets a small cut as a franchise owner, all big oil companies started getting out of the retail gas-selling business years ago. Because oil is a globally traded commodity, a boycott of BP-branded gasoline isn't likely to hurt the oil giant responsible for the Gulf of Mexico spill at all. Instead, boycotts only hurt the independent station owners. "If sales volume drops and BP gets stuck with unpurchased gasoline, it can quickly and easily wholesale the excess to stations that sell gas without a brand name," the Chicago Tribune reported. Regardless, public advocacy groups -- and hundreds of thousands of Facebook users -- have called for a boycott of BP. "The 'mob mentality' forming against BP station owners is frightening, said Paul Fiore, executive vice president of the Service Station Dealers of America and Allied Trades," the Tribune reported. According to Fiore, business is down 20 percent recently at some BP stations. "It's a totally misguided attempt by frustrated people," he said. "They are not going to harm BP, I guarantee you." Stations owners in the Chicagoland area that the Tribune spoke to said that sales were down, but not so much that they would be forced to shut down. Most customers, owners said, recognize that they have little connection to the spill in the Gulf of Mexico. "It's an accident," one BP customer said. "It could have happened to anybody. I want them to fix the problem, I want our government to be more proactive, but I don't see any reason to boycott." A representative with the advocacy group Public Citizen, which is promoting a boycott, said that the point isn't to hurt sales but to harm the company's image.
Read original story in The Chicago Tribune | Friday, June 18, 2010
A par de britânicos e americanos Moçambicanos são líderes em compras na África do Sul
- revelam estatísticas da "Visa"
Maputo (Canalmoz) - Na lista dos cidadãos estrangeiros que mais gastam em compras na Africa do Sul, os moçambicanos estão na terceira posição, superados apenas por britânicos e norte-americanos. Os dados são da "Visa", que contabilizou as compras efectuadas no "país do rand", no primeiro trimestre deste ano.
Segundo as estatísticas da "Visa", no primeiro trimestre de 2010 o volume de compras de cidadãos estrangeiros, através de cartões de crédito / débito, atingiu 566 milhões de dólares. Deste valor, os britânicos contribuíram com 26%, seguidos por norte-americanos, com 15%, enquanto os moçambicanos contribuíram com 5% dos 566 milhões de USD, superando cidadãos de países ricos tais como a Alemanha (4%) e a França (4%).
A "Visa" é uma associação de cerca de 21 mil instituições financeiras de todo o mundo, que fornecem cartões crédito / débito com a marca "Visa".
Além disso, no "Top 5" da lista dos cidadãos estrangeiros que mais gastam em compras na RSA, os moçambicanos são os únicos provenientes de um país africano. Os outros são britânicos, norte-americanos, alemães e franceses, todos de nações ricas e membros do G8 - o grupo dos 8 Estados mais industrializados do mundo.
A publicação da "Visa" foi para mostrar o quanto aumentou o volume de
compras com a aproximação do campeonato mundial de futebol na África do Sul, mas, a partir dos dados, é possível tirar a conclusão de que uns certos moçambicanos não são tão pobres como se afirma nos discursos políticos internos.
Na verdade, os dados podem ser uma revelação da nua e crua realidade da disparidade de rendimento entre os moçambicanos. Enquanto uns são tão pobres que não sabem o que irão comer no dia seguinte, ou nem conseguem pagar a corrupção para serem atendidos atempadamente nos Serviços de Urgências do HCM, outros são tão ricos que lideram as compras no estrangeiro.
(Borges Nhamirre)
Fogões de serradura e lenha alternativa para famílias de baixa renda
Improvisados para minimizar gastos com carvão vegetal, lenha, gás e energia eléctrica
O fogão de fabrico caseiro tem ainda a vantagem de a serradura usada não se compra e usar pequena quantidade de lenha, o que confere os utentes confeccionarem alimentos a custo zero
Beira (O Autarca) – Com vista a minimizar os custos no processo de confecção de alimentos domésticos, algumas famílias sobretudo de baixa renda na Cidade da Beira tem privilegiado o uso de fogões de serradura e lenha que constituem alternativa viável em relação a fogões de carvão vegetal, lenha, gás e eléctrico. A improvisação
desses fogões que não exigem dispêndio na sua aquisição visto serem de fabrico
caseiro é impressionante e vala pena apostar na sua massificaçao visto que permite os seus utentes confeccionarem alimentos praticamente a custo zero. Se não vejamos: o próprio fogão pode ser feito por uma lata qualquer sem outra utilidade dependendo do tamanho (pode ser de dois ou até litros) e não exige nenhuma técnica e isso está
ao alcance de qualquer família. A serradura usada também não se compra, geralmente é recolhida junto as lixeiras das serrações. Normalmente são as mulheres e ou crianças que procedem a recolha da serradura no período da tarde depois da limpeza das serrações. O seu aproveitamento serve também para evitar a concentração de grandes quantidades desse tipo de lixo nas serrações,constituindotambém um ganho
para a própria atmosfera que deixa de contar com mais um elemento poluente,
sobretudo quando faz vento uma vez que a serradura apresenta-se em forma de partículas muito finas, uma espécie de farinha. A lenha não precisa ser muita, basta pequenos pedaços de paus ou ramos secos que facilmente podem ser retirados das árvores, reduzindo igualmente pressão a flora, pois deixa de ser necessário o abate de árvores.
Os fogões de serradura também não libertam muito fumo, representando menos poluição ao ambiente. Por não libertarem muito fumo também sujam menos as panelas, acilitando a higiene da cozinha. De acordo com experiências e algumas famílias utentes desse fogão, abordadas pelo nosso jornal, o seu uso tem permitido sobremaneira poupar dinheiro que acaba servindo para cobrir outros encargos em casa,
como por exemplo a compra de alimentos.
Consideram igualmente esse tipo de fogão bastante eficiente, justificando que basta a
serradura pegar fogo não apaga e nem se gasta facilmente. Contaram-nos ainda que
uma cozinha com esse tipo de fogão chega a levar menos tempo em relação a outros tipos de fogão. Uma dona de casa residente no Bairro da Manga-Mascarenha, que disse
chamar-se Maria Inês, disse-nos que esse tipo de fogão tem trazido enormes vantagens a sua família, pois ajuda a poupar recursos. Referiu que quem preparou o fogão foi o seu marido e disse que tendo assistido o processo ela própria está em condições de fazer também.
Revelou que algumas vezes tem sido ela própria quem vai recolher a serradura e outras tem sido as filhas na companhia de suas amigas vizinhas quando regressam da escola. Disse que desde que descobriram o uso desse tipo de fogão, deixaram por exemplo comprar carvão que era o combustível que vinham usando, recordando que um saco de carvão em alguns períodos do ano chega a ser vendido por duzentos a
duzentos e cinquenta meticais, e não dura mais de duas semanas. Um fogão de carvão, refira-se, também chega a custar o mesmo preço. Alem disso o uso intensivo de carvão vegetal impulsiona a devastação florestal, pois a sua produção é com recurso a troncos de árvores que acabam sendo abatidas de forma discriminada para alimentar essa indústria. Maria Inês disse, no entanto, ser uma pena que esse tipo de fogão na
sua maioria é usado apenas por famílias que residem próximo as serrações.
Disse que no seu bairro residencial existem pelo menos duas serrações.
Fogão de carvão mais usado devido a factores culturais Entretanto, numa ronda efectuada pela nossa reportagem junto de várias famílias residentes nos diversos
bairros da Cidade da Beira, incluindo mesmo aqueles considerados de elite, constatamos que o fogão de carvão é o mais usado. Quase todas famílias visitadas
pela nossa reportagem, num universo de cinquenta nos bairros da Manga-Mascarenha, passagem de Nível, Alto da Manga, Pioneiros, Matacuane, Macurungo, Ponta-Gea, Palmeiras e
Macúti constatamos que possuem fogão de carvão e todas elas tinham alguma
quantidade desse tipo de combustível em stock. Quando questionadas da importância que dão ao fogão de carvão em detrimento de outros tipos de fogões, algumas famílias responderam que é uma questão de habito da acessibilidade do próprio carvão no mercado.
Lúcia Margarida, residente no Bairro de Matacuane, docente de profissão, disse que na sua casa sempre usaram carvão, justificando por vários factores.
O primeiro referiu-se ao preço acessível do próprio fogão no mercado, que tal como referimos anteriormente, um de uma boa ronda duzentos a duzentos e cinquenta meticais e a facilidade do seu manuseamento. Em segundo lugar disse que o carvão é mais fácil adquirir do que outro tipo de combustível, indicando que no seu bairro a semelhança do que acontece em quase todos existem estaleiros de venda de
carvão que nunca esgotam. Disse também que mesmo que a pessoa não consiga comprar um saco de carvão, existem em abundância indivíduos que vendem carvão a molho, até de cinco meticais cada, uma quantidade suficiente para confeccionar algum alimento.
Suzete Costa, residente nas Palmeiras, contou-nos que o fogão de carvão foi sempre importante na sua casa, sobretudo nas alturas em que não havia gás no mercado e o fornecimento de energia eléctrica era feito com bastante irregularidade. Katija Ussene, residente na Ponta-Gea, afirmou por seu turno que a sua família usa bastante o fogão de carvão para fazer grelhados. O fogão de carvão geralmente é fabricado
de metal ferro.
A sua durabilidade, quando o seu uso for intenso, chega a levar seis meses, mas quando não muito pressionado pode durar mais. Os utentes desse tipo de fogão lamentam, entretanto, a subida constante e galopante do custo de carvão no mercado, a
ponto de algumas famílias não terem certeza se é mais viável usar esse tipo
de fogão ou de gás e ate mesmo eléctrico.
Famílias preterem fogões a gás e eléctrico devido a sua complexidade, fragilidade e onerosidade Quanto aos restantes dois tipos de fogões cujo uso também é significativo
pelo menos na zona urbana da Cidade da Beira, referimo-nos nomeadamente aos fogões de gás e eléctrico, muitas famílias do universo contactado pelo nosso jornal afirmaram estar a preterir esse tipo de fogões devido a sua complexidade, fragilidade e onerosidade.
Em relação a fogão de gás, as famílias afirmaram que esse tipo e pouco perigoso sobretudo numa casa onde existem muitas crianças. “O gás requer muito cuidado senão pode provocar desgraça na família” – afirmou Joana Low, residente no Macúti, referindo-se a perigos de explosão quando mal manuseado. No entanto, ela reconheceu
tratar-se de um tipo de fogão mais rápido e higiénico, apenas exige muita atenção. Por seu turno, Antonieta Pacheco, residente no Macurungo disse que outro grande problema em relação a esse tipo de fogão e o facto de ser vendido a preço alto, chegando a custar cinco mil meticais por cada unidade.
Outro senão por ela apontado tem a ver com o facto de algumas vezes o gás escassear no mercado. Uma botija de gás custa aproximadamente seiscentos meticais. Em relação a fogão eléctrico, é consenso por parte das famílias por abordadas pelo nosso jornal
que o seu uso é bastante oneroso, devido o elevado custo de energia eléctrica.
Também indicaram que os fogões que ultimamente aparecem no mercado não oferecem tanta garantia, são muito frágeis, ou seja, passado pouco tempo deixam de aquecer o normal e quando é assim gastam maior quantidade de energia por permanecerem
durante muito tempo ligado.
Um kWhr de energia custa aproximadamente três meticais ao preço actualmente praticado pela EDM, e uma dona de casa disse-nos que no mínimo precisa de dez kWhr para confeccionar uma refeição normal para o mínimo de cinco pessoas. (Francisco
Esteves)
Cabo Verde apoia implementação de "Janela Única" em Moçambique
O NOSi tenciona agora colocar a experiência adquirida com a implementação dessas acções ao serviço de outros países africanos, nomeadamente os de língua oficial portuguesa Da RePraia – Cabo Verde vai participar na implementação de uma "Janela Única" para o setor do Turismo em cinco províncias de Moçambique, no quadro de um protocolo de cooperação assinado recentemente.
O protocolo de cooperação e parceira para este projecto foi assinado sexta-feira (11) entre o Núcleo Operacional da Sociedade de Informação (NOSi) de Cabo Verde e o Ministério moçambicano do Turismo.
O NOSi, enquanto Agência para a Governação Eletrónica e Promoção da Sociedade de Informação em Cabo Verde, tem como atribuições e competências a promoção e execução
de medidas de política que mobilizem a sociedade e os sectores privado e público
para o advento da sociedade de informação.
Neste sentido, esta instituição pública tem também a atribuição de implementar medidas que visem a modernização da estrutura organizacional da administração pública cabo-verdiana rumo à governação electrónica.
Várias iniciativas em torno dos objectivos de massificação do acesso e utilização da Internet de banda larga tais como os projectos Konekta e SNIAC, entre muitos outros, fazem igualmente parte das suas acções.
O NOSi tenciona agora colocar a experiência adquirida com a implementação dessas acções ao serviço de outros países africanos, nomeadamente os de língua oficial portuguesa, como acontece agora com a Moçambique.
Banco de Moçambique lança brochuras educativas
Maputo (O Autarca) – O Banco de Moçambique (BM) procedeu anteontem em Maputo o lançamento de uma nova série de brochuras de carácter educativo designada “Cadernos do Banco de Moçambique”. Trata-se de uma série que está integrada num projecto mais amplo de educação financeira em processo de desenvolvimento, que visa esclarecer ao público, numa linguagem mais simples e clara, os mais diversificados conceitos do domínio económico-financeiro.
O lançamento da referida série foi no quadro das comemorações do trigésimo aniversário da criação da moeda nacional, o Metical, ontem assinalado. (R)
A Opinião de Borges Nhamirre
Jornalismo vergonhoso
Maputo (Canalmoz) – Evito, sempre que possível, criticar publicamente os erros dos colegas, porquanto entendo que somos uma classe e “roupa suja não se lava fora”. Mas, quando um comportamento desonesto e deliberado de um colega se confunde com o “modus operandi” de toda a classe e atira areia aos olhos do povo, é preciso repudiá-lo publicamente.
Escrevo a propósito da peça apresentada no telejornal da TVM, do dia 10 de Junho de 2010. Escuso-me a citar o nome do seu autor, pois não é meu objectivo atacá-lo pessoalmente, mas sim criticar o seu trabalho. E, neste, partilha as responsabilidades com a direcção editorial da TVM.
No mesmo dia em que o director do Gabinete de Controlo de Bens Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA, Adam Szubin, concedeu uma vídeo-conferência na Embaixada norte-americana em Maputo, para explicar os contornos do “caso MBS”, o jornalista da TVM exibiu uma peça produzida na sala de estar do empresário Momade Bachir Sulemane – ressalvo que não tenho nada contra nem a favor dele. Na peça, Bachir aparece a chorar perante as câmaras da TVM, com os membros da sua família reunidos. Até se confundia com uma telenovela ou comédia televisiva!
Com toda a naturalidade, o jornalista dizia, no primeiro “RM” da sua peça, qualquer coisa como o seguinte: “Surpreendemos o empresário na sua residência a chorar pela degradação da sua imagem”.
Tenho imensas dificuldades de escrever se aquilo foi uma peça jornalística ou um vídeo de comédia passado num programa informativo.
O jornalista tentou fazer acreditar aos telespectadores da TVM, que ele e o seu “camara-man” invadiram a mansão do empresário Momade Bachir Sulemane, foram até à sala de estar, e apanharam de surpresa ele e a sua família a chorarem. Será isso possível? Mesmo quem não conhece a residência de Bachir, julga possível um jornalista invadir uma residência de um cidadão e pôr-se a filmar tudo e todos, sem autorização prévia dos donos da casa?
Como se a casa do tal empresário não fosse protegida por armas e canhões. Como se o jornalista se tivesse deslocado à casa do tal empresário sem prévio contacto entre ambos. Como se todos os moçambicanos fossem tolos e acreditassem nas histórias de almanaques “Tio Patinhas”.
O que o jornalista da TVM, com o beneplácito da sua direcção editorial, apresentou, foi uma verdadeira vergonha para ele como profissional que se preze, vergonha para a televisão onde trabalha – a qual, para piorar a situação, é pública e funciona com contribuições de cidadãos.
Não posso afirmar que aquilo foi vergonha para todos jornalistas, mas foi, para alguns, grande angústia. Uma revelação pública da indignidade da profissão. Foi burla para os contribuintes que pagam impostos para o funcionamento da televisão pública.
E o choro diante das câmaras?! Não estou a dizer que Bachir não sofre pela situação que está a passar. Seja ele inocente ou “narcotraficante”, tem motivos para chorar. Ninguém gosta de ser acusado por algo que não fez, assim como ninguém gosta de ver os seus actos ilícitos tornados públicos. Estou simplesmente a duvidar da originalidade do choro de Bachir.
É que quem chora de verdade não o faz nos telejornais. Quem chora de verdade não interrompe o pranto para falar perante as câmaras.
(Borges Nhamirre)
A Opiniao de Machado da Graça
18 de Junho de 2010
A TALHE DE FOICE
Machado da Graça
Companheiros de cama
A recente acusação, por parte do Governo dos Estados Unidos, de que o cidadão nacional Momade Bachir é um importante traficante internacional de droga, é uma coisa grave.
E não é apenas grave para o directamente visado. É, talvez, mais grave ainda para quem com ele tem vindo a manter um relacionamento abertamente amistoso e de aproveitamento da sua aparente generosidade.
Estou a falar, é claro, do Partido Frelimo.
Porque não é segredo para ninguém, pelo contrário tem sido amplamente divulgado, que Momade Bachir tem financiado muito generosamente as campanhas eleitorais do Partido Frelimo. O que quer dizer que, se forem verdadeiras as acusações americanas contra ele, isso significa que as vitórias eleitorais do Partido Frelimo têm sido significativamente financiadas com dinheiro proveniente do tráfico de droga.
O que é uma enorme vergonha para aquele Partido, para o Governo que saiu das eleições e, verdade seja dita, para todo o povo moçambicano.
Todos nós somos sujos por uma tal acusação.
Mas há que começar a ver a situação pelo princípio.
Não é de agora que o Partido Frelimo partilha a cama com o crime organizado.
Foi conhecida a foto em que o anterior Presidente Joaquim Chissano aparecia, lado a lado com Nini Satar, segurando um tapete de luxo, oferecido por Nini para ser leiloado a favor do Partido Frelimo. Nini Satar que está, desde há uns anos, na BO como um dos assassinos do jornalista Carlos Cardoso.
Outra foto, que deu que falar, mostra o mesmo Joaquim Chissano, de boquinha aberta, a receber uma colherada de bolo que lhe é dada por quem? Pois, pelo próprio Momade Bachir.
Momade Bachir que, sempre que há um pedido de financiamento eleitoral do seu Partido, se desfaz de quantias enormes em troca de cachimbos e canetas de Armando Guebuza que, depois, devolve à esposa do mesmo dirigente.
E Armando Guebuza tem retribuído estas atenções. Não foi uma nem duas vezes que visitou o Maputo Shoping Center até à sua inauguração. Aceitou, mesmo, que o seu nome fosse dado a uma praceta no interior das instalações daquela unidade comercial.
Podem-me dizer que tudo isso foi feito na mais completa inocência, na total ignorância da origem do dinheiro tão generosamente entregue por Bachir à máquina partidária.
Pode ser e eu, sem provas, recuso-me a afirmar o contrário.
Não posso, no entanto, deixar de notar a coincidência de tudo isto se passar ao mesmo tempo que nenhum, nem um só, traficante de droga foi punido em Moçambique de há muitos anos a esta parte. Foram encontradas quantidades enormes de droga (só de uma vez foram 40 toneladas!!!) mas nunca se soube quem era o dono. Houve assassinatos em série, num caso até mesmo o massacre de uma família inteira, em que o ar à volta dos casos cheirava a droga por todos os lados. Só que ninguém foi sequer acusado desses crimes, quanto mais levado a tribunal e condenado.
Disse-me, há dias, um passarinho que pousou no meu ombro, que há mais de dez anos o Banco de Moçambique tem, na Procuradoria Geral da República, uma queixa contra Momade Bachir por lavagem de dinheiro ilegal. É verdade que nem sempre se pode confiar nos passarinhos que nos pousam no ombro mas será isso verdade? E, se for, porque será, que os sucessivos Procuradores não deram andamento a tal queixa?
Os meus colegas Nachote e Hanlon publicaram, já há alguns anos, interessantes trabalhos sobre este tema. Que sequência tiveram junto das autoridades? Perante o escândalo, agora, Marcelo Mosse e Paul Fauvet voltaram ao tema com destaque. Resultados?
Pondo sempre no condicional o saber-se se estas acusações são verdadeiras ou não, eu pergunto: Nesta altura do campeonato, entre os barões da droga e o Governo do país, quem são os patrões e quem são os empregados?
E não sejamos ingénuos a pensar que o caso se resume a Momade Bachir. Há muito mais quem se mova como motor alimentado a pó, fumos, comprimidos ou líquido para seringas. Um olhar atento às movimentações de propriedade na área da indústria hoteleira poderia dar resultados interessantes. A recente explosão de uma motorizada em Maputo também pode estar ligada ao tema.
Mas uma coisa me incomoda, Será que no interior do Partido Frelimo não há quem tenha nojo disto tudo? Onde estão aqueles dirigentes respeitados por todos, quando estas coisas acontecem? Ficam mudos? Falta-lhes a voz?
Será que o preço de quebrarem a unidade dentro da sua Organização (ou será seita?) é menos grave do que o preço de verem os seus filhos e netos nas garras da droga?
E os partidos da oposição? Ainda não se deram conta do que se está a passar? Por vezes me pergunto para que serve termos uma oposição...
Pelo menos os membros da Comunidade Maometana obrigaram Momade Bachir a demitir-se da sua presidência. Demitiu-se ele e o vice-presidente, por sinal o seu próprio filho...
Gostava que a resposta a todas estas questões não fosse o silêncio, pesado e opressor, que tem sido até agora.
C O M U N I C A D O D E I M P R E N S A
Peritos da Marinha dos E.U.A. Partilham Experiências com Engenheiros das FADM num Curso sobre Desminagem e Engenhos Não-Detonados
Uma equipa formada por dois peritos da Marinha dos E.U.A., Destruição de Engenhos Explosivos, do Comando dos E.U.A. para África treinou com 30 (trinta) engenheiros de desminagem das FADM num curso intensivo de duas semanas sobre engenhos explosivos não-detonados e desminagem, que decorreu de 17 a 28 de Maio último.
Durante a formação, os engenheiros de desminagem das FADM trabalharam com os seus colegas dos Estados Unidos partilhando experiências e técnicas respeitantes à remoção efectiva de engenhos explosivos não-detonados, salvaguardando ao mesmo tempo residentes locais dos efeitos destas munições.
O grupo também realizou um exercício prático de como remover engenhos explosivos não-detonados de paióis imediatamente após a explosão dum arsenal.
Esta formação é o segundo de três cursos durante o ano, com um enfoque em operações de remoção de minas e de destruição e gestão de engenhos não-detonados, e vem também equipado com novos computadores a fim de auxiliar no planeamento destas operações.
Este curso faz parte das relações de cooperação militar activa entre os E.U.A. e Moçambique e apoia um objectivo do Governo de Moçambique de ser livre do impacto de minas terrestres até 2014.
Maputo, 16 de Junho de 2010.


