Pedi a opiniao de um amigo sobre meu blog. Um daqules amigo de verdade, daqueles que nao hesitam em dizer-nos a verdade. Ele foi premptorio: 'Nada de desculpas esfarrapadas! Tens que ter um blog a altura!' Aceitei o desafio! Prometo trazer esse blogue a altura em 2010! Um blogue onde partilho algumas reflexoes sobre mim, sobre o nosso pais (Mocambique) , o nosso continente (Africa) e quica sobre o mundo! Desde ja estao convidadas/os a troca e debate de ideias, pois cogito ergo sum!
Tuesday, 25 June 2013
Recebi de um amigo a sms que transcrevo com a devida venia, na esperanca que seja autentica!
' 'Fui militante da Frelimo ate uma altura em que houve esquecimento reciproco. Eles se esqueceram de mim e eu deles. tenho um cartao em casa ... adormecido" Esta frase e atribuida a Mia Couto Alguem confirma?
Monday, 24 June 2013
A Opiniao de Mia Couto: Guebuzistao
Era uma vez, nas
longínquas terras africanas, existia um reino para lá do comum. Algumas
pessoas chamavam-no “Pérola do Índico” e outras
simplesmente “Pátria de Heróis”. Mas havia uns que preferiam designá-lo “Guebuzistão”. Pouco importa o nome, bem poderia ser “Pátria Amada” ou “Pátria Qualquer Coisa”, mas tinha de ter um Rei.
O Soberano, de nome desconhecido, tinha quatro paixões (só não se sabe se é nesta ordem), designadamente helicóptero, piripiri, cachimbo e ampliar o seu património (financeiro) pessoal para lá de insuportável, adquirindo participações nas poucas empresas que movimentavam a economia daquele reino. Mas há quem fala de uma quinta paixão: adorava ser bajulado.
Como todo o Rei, ele tinha os seus funcionários – verdadeiros mestres em reproduzir o discurso da sua majestade – que fingiam estar a preocupados com o bem-estar do povo, quando, na verdade, acomodavam a corrupção e o nepotismo.
Diga-se, o reino parecia um covil de abutres com as unhas cravadas na garganta dos súbditos que eram forçados a viver à intempérie, sem transporte, um sistema de saúde condigno e uma educação decente.
Apesar de as estatísticas mostrarem, vezes sem conta, o crescimento da economia local, os súbditos continuavam a morrer de fome, miséria (i) merecida e doenças curáveis. Mas o Rei cinicamente continuava a repetir até à náusea – qual um robô programado – qualquer coisa como : “Estamos no bom caminho, rumo à prosperidade”.
Quando o povo pedia pão e água, o Rei e os seus sequazes serviam excessivamente NADA, quando não eram overdoses de promessas e discursos cheios de nada e de nenhuma coisa.
Nas suas habituais brincadeiras e com o apoio dos seus títeres, começou por falar de “Revolução Verde” que morreu antes de nascer, inventou a história de “Jatropha” que continua sem pernas para andar e, mais tarde, forjou uma tal de “Cesta Básica” que ninguém chegou a ver.
Aliás, para entreter e domesticar o povo, compôs uma canção intitulada “Auto-estima” e decidiu dividir o reino em três gerações. Engendrou ainda uma guerra que denominou “Combate à Pobreza Absoluta” e, até então, ninguém sabe em que estágio se encontra a luta. Mas uma coisa é certa: ninguém deu o primeiro tiro, até porque os soldados de ontem não têm motivos para lutar, uma vez que levam uma vida abastada.
Cansado de receber o atestado de estupidez que era passado a todos os súbditos daquele reino, um jovem desconhecido decidiu rebelar-se. Sem
escudo, apenas com uma azagaia, dispôs-se a fazer frente à monarquia e todos os meios de repreensão modernos ao seu dispor. Chamaram o rapaz à razão, mas ele fez orelhas moucas.
Inebriado pelo apoio que recebia do povo, o jovem seguia, sem escudo (apenas com azagaia), desferindo violentos golpes ao regime. Num certo dia, quando se preparava para arremessar mais uma lança, caiu nas mãos dos carrascos. Foi encarcerado.
Motivo: levava consigo uma erva que naquele reino era proibida.
Paradoxalmente, prenderam-no por transportar apenas quatro gramas de uma planta proibida, mas ninguém prende os guardiões do Rei que exportam impune e sistematicamente FLORESTAS DE MADEIRA PROIBIDA para o reino de Bruce Lee.
Contudo, há quem acredite que foi mesmo por causa do instrumento de combate. Dois dias depois, o rapaz foi liberto, mas não se sabe se ele viverá feliz para sempre.
PS: Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
simplesmente “Pátria de Heróis”. Mas havia uns que preferiam designá-lo “Guebuzistão”. Pouco importa o nome, bem poderia ser “Pátria Amada” ou “Pátria Qualquer Coisa”, mas tinha de ter um Rei.
O Soberano, de nome desconhecido, tinha quatro paixões (só não se sabe se é nesta ordem), designadamente helicóptero, piripiri, cachimbo e ampliar o seu património (financeiro) pessoal para lá de insuportável, adquirindo participações nas poucas empresas que movimentavam a economia daquele reino. Mas há quem fala de uma quinta paixão: adorava ser bajulado.
Como todo o Rei, ele tinha os seus funcionários – verdadeiros mestres em reproduzir o discurso da sua majestade – que fingiam estar a preocupados com o bem-estar do povo, quando, na verdade, acomodavam a corrupção e o nepotismo.
Diga-se, o reino parecia um covil de abutres com as unhas cravadas na garganta dos súbditos que eram forçados a viver à intempérie, sem transporte, um sistema de saúde condigno e uma educação decente.
Apesar de as estatísticas mostrarem, vezes sem conta, o crescimento da economia local, os súbditos continuavam a morrer de fome, miséria (i) merecida e doenças curáveis. Mas o Rei cinicamente continuava a repetir até à náusea – qual um robô programado – qualquer coisa como : “Estamos no bom caminho, rumo à prosperidade”.
Quando o povo pedia pão e água, o Rei e os seus sequazes serviam excessivamente NADA, quando não eram overdoses de promessas e discursos cheios de nada e de nenhuma coisa.
Nas suas habituais brincadeiras e com o apoio dos seus títeres, começou por falar de “Revolução Verde” que morreu antes de nascer, inventou a história de “Jatropha” que continua sem pernas para andar e, mais tarde, forjou uma tal de “Cesta Básica” que ninguém chegou a ver.
Aliás, para entreter e domesticar o povo, compôs uma canção intitulada “Auto-estima” e decidiu dividir o reino em três gerações. Engendrou ainda uma guerra que denominou “Combate à Pobreza Absoluta” e, até então, ninguém sabe em que estágio se encontra a luta. Mas uma coisa é certa: ninguém deu o primeiro tiro, até porque os soldados de ontem não têm motivos para lutar, uma vez que levam uma vida abastada.
Cansado de receber o atestado de estupidez que era passado a todos os súbditos daquele reino, um jovem desconhecido decidiu rebelar-se. Sem
escudo, apenas com uma azagaia, dispôs-se a fazer frente à monarquia e todos os meios de repreensão modernos ao seu dispor. Chamaram o rapaz à razão, mas ele fez orelhas moucas.
Inebriado pelo apoio que recebia do povo, o jovem seguia, sem escudo (apenas com azagaia), desferindo violentos golpes ao regime. Num certo dia, quando se preparava para arremessar mais uma lança, caiu nas mãos dos carrascos. Foi encarcerado.
Motivo: levava consigo uma erva que naquele reino era proibida.
Paradoxalmente, prenderam-no por transportar apenas quatro gramas de uma planta proibida, mas ninguém prende os guardiões do Rei que exportam impune e sistematicamente FLORESTAS DE MADEIRA PROIBIDA para o reino de Bruce Lee.
Contudo, há quem acredite que foi mesmo por causa do instrumento de combate. Dois dias depois, o rapaz foi liberto, mas não se sabe se ele viverá feliz para sempre.
PS: Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
Thursday, 20 June 2013
De Guebuza a Museveni - os perigos da Escola de Dar Es Salam para a Democratizacao de Africa
De visita de trabalho a alguns municipios da Africa Oriental sou bafejado por quatro noticias que me preocupam! Alias que preocupam a qualquer mocambicano. Estamos a falar do assalto ao Chefe do Estado Maior das Forcas Armadas (e consequente perda de um computador e de tres pistolas), a perseguicao dos medicos grevistas mesmo depois de terem parado com a greve, o anuncio de quase retorno a guerra pela lideranca de Renamo e a continuacao das avarias propositadas no recenseamento eleitoral. A somar a estas inquetacoes e para contrastar com a 'Paz de Kigali', recebo no meu celular a noticia do espancamento do meu colega e amigo, Erias Lukwago, Presidente do Municipio de Kampala a semelhanca dos espancamentos que o actaul Primeiro Ministro do Zimbabwe, Morgan Tsvanguirai recebeu ha alguns anos atras. Estas noticias, que parecem separadas parece terem algo em comum - A escola politica de Dar es Salam, onde tanto Guebuza, Mugabe como Museveni beberam a 'arte da violencia'!
Ha dois meses reportei neste blog algo estranho - a realizacao de uma conferencia de governos locais da Commonwealth em Kampala, sem que Erias Lukwago, o Presidente do Municipio de Kampala, a cidade anfitria, fosse convidado! como e que uma organizacao do calibre da Commonwealth pode cometer uma 'gaffe' destas?
Para perceber os contornos desta aberracao visitei o meu colega, que explicou em primeira mao o que estava a acontecer em Kampala e pelos vistos nao foram precisos mais de dois meses para que a leitura do meu colega se consubstanciasse! Ha duas semanas tambem em Kampala, Yoweri Museveni mandou o seu filho, que e o chefe das forcas especiais, invadir dois jornais de Kampala (O Monitor e Red Pepper) mantendo-os encerrados por mais de duas semanas, alegadamente por terem publicado uma carta do seu Chefe de inteligencia que se encontra foragido algures em Londres!
Em casa, noto que definitivamente Armando Emilio Guebuza inspirado nas tacticas de Museveni, que tambem nao quer abdicar do poder (e tem a sua esposa como ministra) e de Mugabe, nao quer (tambem) abdicar do poder! Para isso vem ensaiando varias estrategias, (1) lancou a esposa no terreno para testar a sua popularidade no intuito de emular o modelo (Argentino) Kisner (esqueceu-se que O Kisner morreu logo depois da esposa tomar posse), (2) projectou a milionaria filha (Museveni tem o seu irmao bem como o filho bem posicionados na hierarquia militar) e o testa de ferro no Comite Central, (3) ensaiou um balao de oxigenio que pomposamente chamou de 'Revisao da Constituicao', com o intuito de tentar forcar um terceiro termo ou entao ensaiar um 'Modelo Putin', e para tal colocou Mulembwe como bode espiatorio, (4) 'provocou' a Renamo em Muxungue, (5)mandou prender e espancar o Secretario Geral da Renamo, com o intuito de arranjar um pretexto para uma possivel reaccao da Renamo que o possibilitaria a declarar um 'Estado de emergencia' e assim adiar quer as autarquicas quer as parlamentares e presidenciais, (6) ensaiou negociacoes para testar a possibilidade de um acordo com a Renamo para instituir um governo de transicao adiando assim sine die as eleicoes, (7) infiltrou seus sequazes da ONP e outros da securocracia na CNE e no STAE, (8)nomeou governadores e ministros de pe descalso e sem medula espinal, (9) acantonou no congresso de Pemba todos os que ousavam usar seus cerebros... e (10) expurgou a lideranca da ala juvenil do seu partido abrindo assim caminho para a sua consagracao vitalicia no comando da Frelimo e quica do pais!
O que nos preocupa nesta sequencia de eventos nao e o 'barulho dos maus', incluindo Guebuza, Paunde, Pacheco e companhia mas o silencio "dos bons" dentro (Mulembwe, Comiche, Katupha, Gamito, Jorge Rebelo) e fora da Frelimo, da Sociedade Civil, Os Bispos, os Sheiks, os jornalistas, a Comunidade Internacional, dos academicos e outros que em qualquer sociedade sa deveriam no minimodistanciar-se de tais praticas! Parec que nos esquecemos todos de que Hitler, foi eleito democraticamente e pouco a pouco foi construindo um estado monstruoso que acabou destruindo a Alemanha!
Nao menosprezemos a capacidade destruidora da Escola de Dar Es Salam desde Guebuza, Museveni, Mugabe, Zuma e companhia limitada! Quando pessoas da 'craveira' de Mazula fazem corro a estes atropelos e porque de facto o doente esta em coma!... e como para bom entendedor meia palavra basta, ficamos por aqui lembrando ovelho ditado- 'diga-me com quem andas que te direi quem es'!
E mais nao disse! Assante Sana!
Um abraco de Nairobi, Manuel de Araujo
Ha dois meses reportei neste blog algo estranho - a realizacao de uma conferencia de governos locais da Commonwealth em Kampala, sem que Erias Lukwago, o Presidente do Municipio de Kampala, a cidade anfitria, fosse convidado! como e que uma organizacao do calibre da Commonwealth pode cometer uma 'gaffe' destas?
Para perceber os contornos desta aberracao visitei o meu colega, que explicou em primeira mao o que estava a acontecer em Kampala e pelos vistos nao foram precisos mais de dois meses para que a leitura do meu colega se consubstanciasse! Ha duas semanas tambem em Kampala, Yoweri Museveni mandou o seu filho, que e o chefe das forcas especiais, invadir dois jornais de Kampala (O Monitor e Red Pepper) mantendo-os encerrados por mais de duas semanas, alegadamente por terem publicado uma carta do seu Chefe de inteligencia que se encontra foragido algures em Londres!
Em casa, noto que definitivamente Armando Emilio Guebuza inspirado nas tacticas de Museveni, que tambem nao quer abdicar do poder (e tem a sua esposa como ministra) e de Mugabe, nao quer (tambem) abdicar do poder! Para isso vem ensaiando varias estrategias, (1) lancou a esposa no terreno para testar a sua popularidade no intuito de emular o modelo (Argentino) Kisner (esqueceu-se que O Kisner morreu logo depois da esposa tomar posse), (2) projectou a milionaria filha (Museveni tem o seu irmao bem como o filho bem posicionados na hierarquia militar) e o testa de ferro no Comite Central, (3) ensaiou um balao de oxigenio que pomposamente chamou de 'Revisao da Constituicao', com o intuito de tentar forcar um terceiro termo ou entao ensaiar um 'Modelo Putin', e para tal colocou Mulembwe como bode espiatorio, (4) 'provocou' a Renamo em Muxungue, (5)mandou prender e espancar o Secretario Geral da Renamo, com o intuito de arranjar um pretexto para uma possivel reaccao da Renamo que o possibilitaria a declarar um 'Estado de emergencia' e assim adiar quer as autarquicas quer as parlamentares e presidenciais, (6) ensaiou negociacoes para testar a possibilidade de um acordo com a Renamo para instituir um governo de transicao adiando assim sine die as eleicoes, (7) infiltrou seus sequazes da ONP e outros da securocracia na CNE e no STAE, (8)nomeou governadores e ministros de pe descalso e sem medula espinal, (9) acantonou no congresso de Pemba todos os que ousavam usar seus cerebros... e (10) expurgou a lideranca da ala juvenil do seu partido abrindo assim caminho para a sua consagracao vitalicia no comando da Frelimo e quica do pais!
O que nos preocupa nesta sequencia de eventos nao e o 'barulho dos maus', incluindo Guebuza, Paunde, Pacheco e companhia mas o silencio "dos bons" dentro (Mulembwe, Comiche, Katupha, Gamito, Jorge Rebelo) e fora da Frelimo, da Sociedade Civil, Os Bispos, os Sheiks, os jornalistas, a Comunidade Internacional, dos academicos e outros que em qualquer sociedade sa deveriam no minimodistanciar-se de tais praticas! Parec que nos esquecemos todos de que Hitler, foi eleito democraticamente e pouco a pouco foi construindo um estado monstruoso que acabou destruindo a Alemanha!
Nao menosprezemos a capacidade destruidora da Escola de Dar Es Salam desde Guebuza, Museveni, Mugabe, Zuma e companhia limitada! Quando pessoas da 'craveira' de Mazula fazem corro a estes atropelos e porque de facto o doente esta em coma!... e como para bom entendedor meia palavra basta, ficamos por aqui lembrando ovelho ditado- 'diga-me com quem andas que te direi quem es'!
E mais nao disse! Assante Sana!
Um abraco de Nairobi, Manuel de Araujo
Kampala mayor Erias Lukwago 'beaten by Uganda police'
Video footage appears to show a canister being thrown into the mayor's vehicle, which then fills with smoke
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The
mayor of the Ugandan capital, Kampala, says he has been beaten by
police, who fired rubber bullets to disperse crowds of his supporters.
Mayor Erias Lukwago said he collapsed after tear gas was thrown into his car.
Mr Lukwago is an opponent of President Yoweri Museveni, and government critics saw the incident as an attempt to stifle criticism of Mr Museveni.
Meanwhile, Ugandan opposition leader Kizza Besigye was arrested for holding an unsanctioned rally.
'I collapsed'
Mr Lukwago was due to appear before a tribunal on Thursday, for the first day of a hearing which could possibly impeach him for abuse of office.
According to the BBC's Catherine Byaruhanga, police surrounded his home and then escorted him towards the building where the tribunal was being held.
But on the way, a tear gas canister was thrown into his vehicle.
"All I could inhale was just the smoke - it went deep into my lungs. I have a problem of high blood pressure... I collapsed there. So they picked me, dumped me into the waiting van and drove away at a terrific speed," Mr Lukwago said in an interview with the BBC from his hospital bed.
He said that police officers hit him in the chest and tore his clothes.
"Those people were accusing me of all sorts of things - incitement to violence. They hit me in the chest, tore my shirt and treated me in a very rough manner," he said.
Kizza Besigye has been accused by police of inciting a crowd to rally in support of Mr Lukwago.
"We were surprised to see Besigye appear there. Then he started addressing and inciting people as usual, yet he had no police permission to do that," deputy police spokesman Patrick Onyango told Reuters.
Conferência de Imprensa da RENAMO
Tema:
Acontecimentos de Savane
Orador:
Brigadeiro Jerónimo Malagueta
Funções:
Chefe do Departamento de Informação
Data:
19 de Junho de 2013
Prezados
e estimados jornalistas, parceiros inestimáveis da nossa acção política,
convidámo-los para vos alertar que o país está doente.
O nosso
Moçambique está enfermo pelos maus tratos infligidos pelo partido FRELIMO e seus
dirigentes que adoptam políticas de exclusão económica, política e social, o
que descamba num descontentamento generalizado, fragmentando-o, por
consequência.
O país
caminha vertiginosamente para o abismo, com sinais apocalípticos que urge ser
travado para evitarmos uma hecatombe. A RENAMO, precursor da democracia
multipartidária, sente-se na obrigação de se posicionar na linha da frente para
salvar o país. Os pronunciamentos dissonantes da nomenclatura do partido no
poder aliados a algumas acções práticas no terreno convocam a RENAMO para pôr
travão aos camaradas que perderam o norte e pretendem arrastar o país para o
abismo.
Negócios
inconfessáveis, desde o tráfico de drogas, tráfico de armas, tráfico de
madeiras, de órgãos humanos, de menores, de pescados marinhos, entre outros,
passaram para dicionário activo dos dirigentes deste país. Por via desses
negócios obscuros os moçambicanos começam a ficar directamente afectados. Os
acontecimentos de Savane, ou por outra, o ataque ao paiol de Savane não tem
nada a ver com as forcas de defesa e segurança da RENAMO. O Governo e o partido
no poder sabem muito bem disso; sabem quem foram os atacantes, porém, para
enganarem a comunidade moçambicana e internacional aparecem a balbuciar de
forma dissonante e sempre com a RENAMO na ponta da língua. Sua Excelência
General Afonso Macacho Marceta Dhlakama já o disse repetidas vezes que a RENAMO
não é dona da guerra em Moçambique. O descontentamento generalizado causado
pela exclusão pode fazer surgir outros moçambicanos a recorrerem ao uso das
armas para desalojar este governo que descrimina os moçambicanos, criando uma
oligarquia que se torna opulenta a olhos vistos em contraposição com a maioria
dos moçambicanos. O ataque ao paiol de Savane é o espelho clarividente das
contradições que existem no seio do partido FRELIMO, que dia após dia se torna
mais visíveis. A RENAMO quando atacou o quartel da FIR em Muxúngue assumiu e
elencou as motivações que originaram tal acção.
Os
moçambicanos não devem perder de vista a crise instalada no seio do partido no
poder que lança faúlhas para fora do fórum partidário. Basta prestar atenção à
forma como quadros históricos do partido no poder foram avacalhados no
Congresso, praticamente silenciados e amordaçados. De algum lado teriam que
reagir...o País não está bem, o país vai de mal a pior. Quando o chefe do
Estado Maior General das Forças de Defesa do país e o seu ADC são desarmados em
plena capital do país, e suas armas bem como o computador onde se presume
existirem informações importantes para a defesa e segurança do país,
desaparecem, é porque o governo está moribundo. Savane não é o primeiro paiol a
ser assaltado. Nos outros assaltos a estratégia foi silenciosa, daí que parece
ser este o primeiro...
Mesmo
assim, e porque a RENAMO constata no terreno movimentos belicistas na província
de Sofala, tudo apontado para Sathundjira, onde se encontra o Presidente Afonso
Dhlakama, a segurança da RENAMO vai ampliar o seu raio de defesa. A partir da
Quinta-feira, 20 de Junho de 2013 o raio de segurança vai partir do Rio Save
até Muxúngue.
Nesta
área as forças da RENAMO VÃO SE POSICIONAR PARA IMPEDIR A CIRCULAÇÃO DE
viaturas transportando pessoas e bens, porque o governo usa essas viaturas para
transportar armamento e militares à paisana, para se concentrarem nas
proximidades de Sathundjira para o ataque ao presidente da RENAMO. Ontem
Terça-feira partiram de Maputo, mais de 35 camiões militares e 5 autocarros
transportando elementos das Forças Armadas e de Intervenção Rápida, bem como material
de guerra com destino a Gorongosa, Maríngue e Inhaminga com o fim de atacar as
Forças da RENAMO. Parte desse material foi descarregado na noite da última
Sexta-feira no porto de Maputo.
A
RENAMO e o seu Presidente, estão informados que o Comandante em Chefe das
Forças de Defesa e Segurança, o Senhor Armando Guebuza ordenou uma ofensiva
militar nas zonas de Maríngue e Inhaminga para atacar as Forças de protecção do
Partido RENAMO naqueles distritos.
Paralelamente
aos ataques, ordenou também o aumento dos efectivos militares que cercam o
distrito de Gorongosa, em especial o local onde se encontra o Presidente do
Partido. Prova disso é a chegada de mais forças especializadas, como Comandos
na pista Kangalitole, a famosa Casa Banana e Posto de Vanduzi, distrito de
Gorongosa. Para confirmar estas nossas declarações, encontram-se neste momento
em Sofala, para além do Tenente General Macaringue, Chefe do Estado Maior
General das (FADM) Forças Armadas de Defesa de Moçambique o Comandante do
Exército, Major General Mussa e outras patentes superiores para orientarem a
ofensiva.
A
RENAMO, vai igualmente paralisar a movimentação dos comboios na linha férrea de
Beira-Moatize e Beira-Marromeu; Interditar todos os movimentos da Força de
Intervenção Rápida (FIR) nas proximidades da residência de Sua Excelência
Senhor Presidente Dhlakama em Sathundjira- Gorongosa.
A
RENAMO chegou à conclusão que atacar quartéis da FIR não resolve o problema,
pois, não são os filhos nem parentes dos dirigentes da FRELIMO que morrem. Os
seus filhos estão à frente das grandes empresas e ou a estudarem no
estrangeiro. Os jovens da FIR que morrem nesses combates são inocentes, seus
familiares nem são informados, muito menos indemnizados. São pais que ficam sem
seus filhos, esposas, namoradas, que ficam sem os seus parceiros, crianças que
perdem seus pais e por consequência perdem o futuro, enfim, são mortes
injustificáveis, indesejáveis, desnecessárias, despropositadas, em plena paz.
Assim, o que será feito a partir da Quinta-feira, dia 20 de Junho de 2013,
serão acções para fragilizar a logística dos que fazem sofrer os moçambicanos,
sujeitando-os à escravatura. A morte de um jovem da FIR para o governo não
representa absolutamente nada, pois, em seguida recruta mais 100 para os mandar
para o campo da guerra sem nenhuma preparação militar adequada. Assim, a RENAMO
não pretende eleger os jovens militares ou para - militares como seus alvos,
até porque não queremos guerra, o que queremos é um país de inclusão em todas
as esferas da vida no nosso país. Chega de hipocrisias do governo. Aceitamos
tudo para o bem dos moçambicanos. Apelamos a todos os utentes da estrada
nacional número 1 troço Save/ Muxúngue para se absterem de usá-lo a partir da
Quinta-feira, 20 de Junho de 2013.
Amamos
a paz, somos pela paz, lamentamos chegarmos a estas posições extremas, porém o
governo não nos dá outra opção. A ambição, arrogância, prepotência do Guebuza e
dos seus camaradas, exigem que a RENAMO aceite arcar sacrifícios para o bem dos
moçambicanos.
Reconhecemos
que é um caminho difícil mas é estes que escolhemos porque só este é que pode
dar tranquilidade aos moçambicanos.
Continuaremos
a privilegiar uma solução negociada, mas não como mendigos porque o que
exigimos é transparência na gestão da coisa pública, do bem comum e de
processos eleitorais livres, justos e transparentes.
Temos
dito e muito obrigado
Tuesday, 18 June 2013
5 mortos e 2 feridos confirmados em assalto a Paiol na Linha de Sena
Renamo não reivindicou o ataque entre Savane e Muanza, mas tudo indica que se trata de uma operação dos seus homens armados
Maputo
(Canalmoz) – O Canalmoz noticiou ontem em última hora que cerca das 03
horas da madrugada de segunda-feira, homens armados atacaram um Paiol
das FADM na estrada de Inhaminga, na província de Sofala, para se
apoderarem de armamento ligeiro e pesado ali armazenado.
Fonte do Hospital Central da Beira confirmou ao repórter da delegação do
Canalmoz naquela cidade que deram entrada no banco de socorros, cinco
mortos das forças militares do Governo e dois feridos graves.
Governo confirma
Ao
início da noite foi o ministro da Agricultura, José Pacheco a confirmar
o ataque e atribuiu a acção militar a homens da Renamo.
“Queremos
aproveitar esta oportunidade para informamos que fomos surpreendidos
com a notícia trágica de que a Renamo desencadeou um ataque armado”
anunciou José Pacheco numa conferência de Imprensa no Centro
Internacional de Conferência Joaquim Chissano onde participava do
diálogo entre Governo e Renamo.
“Repudiamos
o ataque e avisamos que essa atitude não ajuda a democracia. Apesar
disso, o ataque não vai influenciar o curso do nosso diálogo. Mas os
autores serão encontrados para responder por este acto” concluiu o
ministro sem entrar em mais detalhes.
Renamo “não tem conhecimento”
Por sua vez, o chefe da delegação da Renamo Saimone Macuiana, disse não ter conhecimento sobre o tal ataque.
“Eu
não tenho conhecimento sobre esse ataque, por isso não posso responder o
que não conheço. Em momento algum na sala o Governo abordou sobre o
assunto” disse Macuiana.
Confirmação do hospital
Ao
Canalmoz, o porta-voz do Hospital Central da Beira, que se identificou
apenas como Jamal, acrescentou disse que os mortos e feridos eram
provenientes de Muanza, uma vila ferroviária na Linha de Sena que serve
de escoamento ao carvão de Moatize, em Tete.
Em
Muanza, a cerca de 80 quilómetros da Beira, existe uma importante
pedreira de calcário que é vital para o funcionamento da fábrica de
cimentos do Dondo, mais conhecida por Nova Maceira.
Os
comboios da Vale Moçambique e da Rio Tinto estão paralisados a noroeste
de Muanza, os descendentes, e entre Muanza-Dondo e Beira, os
ascendentes, segundo fontes na Beira que não querem ser identificadas.
Mateus
Mazibe, porta-voz do Comando Provincial da Polícia da República de
Moçambique em Sofala, disse ao nosso repórter na Beira que não confirma
nem desmente que tenha havido qualquer incidente na zona entre Savane,
localidade que se situa a cerca de 30 quilómetros do Dondo e Muanza.
Muanza,
o local citado pelo porta-voz do Hospital Central da Beira como sendo a
proveniência dos cinco mortos e dois feridos que deram entrada naquela
unidade de saúde, situa-se a 80 quilómetros do Dondo.
Na
Beira, na delegação provincial da Renamo em Sofala, o chefe do Gabinete
do Delegado, Jorge Mussa Mutita, disse ao nosso repórter que não dispõe
de qualquer informação sobre o incidente já confirmado há momentos pelo
porta-voz do Hospital Central da Beira ao nosso correspondente na
Beira, Adelino Timóteo.
Fontes
informais devidamente identificadas reportaram-nos há momentos que
houve dois ataques a depósitos de armamento militar, o primeiro às 03
horas e o último às 11 horas na manhã de ontem, mas fontes oficiais
apenas admitem ter havido um ataque ao Paiol das FADM, entre Derunde e
Muanza, para onde foram transferidos os artefactos do ex-Paiol de
Inhamizua, na Beira, que há uns anos explodiu e ardeu.
No
Dondo e na Beira – cidades que distam entre si cerca de 30 quilómetros –
fontes civis com familiares na zona de conflito, disseram-nos que os
seus parentes abandonaram a zona em debandada, tendo o mesmo acontecido
com os efectivos policiais e militares ali estacionados.
A zona afectada abrange Savane, a 20 milhas do Dondo, Galinha, Derunde e Muanza, 80 quilómetro do Dondo.
Na Beira reina agora uma grande instabilidade militar e policial, segundo o nosso repórter.
O
nosso repórter acaba de nos confirmar que no Quartel de Matacuane, das
Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), há “grande agitação” e o
mesmo acontece no centro da cidade, no Quartel da FIR, ao lado do
Conselho Municipal da Beira onde foram vistos blindados a circular.
Ainda
nenhuma fonte da Renamo assumiu a responsabilidade do ataque, mas tudo
indica que foram homens armados desta organização que empreenderam o
assalto ao Paiol, às 03 horas da manhã de ontem.
Quanto
ao ataque ao segundo paiol, que se diz ter ocorrido cerca das 11 horas
da manhã de ontem, não há fontes fidedignas que o confirmem.
Monday, 17 June 2013
Médicos suspendem greve em nome do povo
“E assim, sem que tenhamos alcançado nenhum acordo, estando deveras insatisfeitos, a AMM e a CPSU, em respeito pela dor e sofrimento do povo solidário, declaram, hoje, dia 15 de Junho de 2013, a suspensão da greve geral dos profissionais de saúde!”
Maputo (Canalmoz) – Ao fim de 27 dias consecutivos de greve, os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e outros técnicos) anunciaram a “suspensão” da paralisação no Sistema Nacional de Saúde, sem que tenham chegado ao consenso com o Governo. No documento enviado ao Canalmoz pela Associação Moçambicana dos Médicos (AMM) não se especifica se as negociações que vinham decorrendo com o Governo continuam ou não com a suspensão da greve. Alega-se “respeito pela dor e sofrimento do povo solidário” para a suspensão da greve.
Eis o documento na íntegra
A Associação Médica de Moçambique (AMM) e a Comissão dos Profissionais de Saúde Unidos (CPSU) convocaram no dia 20 de Maio uma greve geral dos funcionários de saúde, como último recurso legalmente consagrado na Constituição da República (CR) para fazer valer os seus direitos e resgatar a dignidade dos profissionais de saúde. Respeitando todos os dispositivos legais, incluindo um pré-aviso de 7 dias, a AMM e CPSU, pautaram sempre pela transparência, legalidade e abertura total e completa a um diálogo franco, aberto e concreto, que foi traduzido num diálogo infrutífero por parte do Governo.
Garantindo sempre os serviços mínimos, os profissionais de saúde souberam agir de forma solidária a esta causa que tinha, tem e terá sempre interesses colectivos, lícitos e legítimos como prioridade. Cedo, nos apercebemos que a causa transcendia as fronteiras do sector saúde, abarcando todas as outras classes de profissionais do sector público. Percebíamos, a cada dia que passava, que, de uma forma ou de outra, a dignidade era e é um horizonte nosso que pretendemos alcançar.
O apoio e solidariedade dos moçambicanos sobressaiu e esteve visivelmente patente ao longo destas quatro semanas, sendo exemplos as várias manifestações que tiveram lugar e, mostrou o quão somos unidos e temos ideais herdados e bem patentes, ideais estes que remontam da luta de libertação nacional, cujo exemplo foi a marcha pela dignidade realizada hoje.
O primeiro passo para o alcance de algo é sempre sonhar. Sonhamos, acreditamos e fizemos! Fizemos chegar nossos ensejos à toda nação moçambicana. Nem as ameaças e intimidações destruíram nossos sonhos.
Assim, queremos aqui agradecer publicamente todo este apoio e solidariedade dos moçambicanos aos profissionais de saúde. Souberam cuidar de quem cuida! Souberam cuidar de quem salva!
A justiça social e equidade não é um sonho utópico. De utópico apenas tem a arrogância de quem não percebe. O carácter oculto e aparentemente inexistente de uma atitude insensível sobressaíram. Ouvimos, vimos e testemunhamos actos que só sabíamos existir nos livros da história universal e em particular de Moçambique.
A dor de um profissional de saúde em greve jamais deverá ser interpretada de forma leviana. A nós nos dói esta situação! É uma dor incalculável, que nos atrevemos a comparar à dor de um bisturi rasgando nossa pele sem a devida preparação psicológica e sem anestesia. Mas sentimos esta dor, minuto após minuto, hora após hora, dia após dia, durante estes 27 dias.
No entanto, também percebemos e compreendemos a dor dos Moçambicanos, que sempre mostraram a sua solidariedade, e de forma paciente souberam esperar pela resolução deste diferendo que opunha os profissionais de saúde e a entidade patronal.
E assim, sem que tenhamos alcançado nenhum acordo, estando deveras insatisfeitos, a AMM e a CPSU, em respeito pela dor e sofrimento do povo solidário, declaram, hoje, dia 15 de Junho de 2013, a suspensão da greve geral dos profissionais de saúde!
Apelamos que não se deixem intimidar por levantamentos de processos disciplinares. A greve é legal, sendo um direito constitucionalmente consagrado. As faltas marcadas são justificadas! Estas tentativas de intimidação devem ser imediatamente reportadas quer à CPSU, quer à AMM, a todos os níveis, que para o efeito tem um departamento jurídico para o devido tratamento.
Felicitamos a todos os profissionais de saúde, pela coragem e determinação que tiveram e mantém, dando os primeiros passos rumo à dignidade e à valorização da nossa classe.
Maputo, aos 15 de Junho de 2013
(Redacção)
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Semanário

Jornal Semanário Nº 204 - 12/06/2013
No seu ardina habitual
Saturday, 8 June 2013
A Opiniao de Nicolau Parruque
Solução da greve dos médicos está no diálogo
SR. DIRECTOR!Permita-me, Excia, fazer chegar aos meus compatriotas a questão de fundo nos últimos dias que é a greve dos profissionais da Saúde, com o objectivo de reflectirmos sobre as suas causas e as respectivas implicações.
Maputo, Sábado, 8 de Junho de 2013:: Notícias
Triste
é o que estamos a assistir nestes dias nas nossas unidades sanitárias. O
sector da Saúde está tendo um retrocesso sem precedentes nestes últimos
anos. É notória a falta de motivação nos seus profissionais não só por
razões de compensação, mas também por escassez de equipamentos e
material de protecção individual, pois clamam por melhores condições de
trabalho, salários justos e pela erradicação das diferenças entre os
trabalhadores.
“Um Governo que não tem uma perspectiva clara para o futuro perderá o rumo e fatalmente sucumbirá face ao inesperado”, dizia um dos meus professores. É o que estou a assistir actualmente.
Estamos mergulhados num dilema muito grande, e ainda temos problemas de governação. Ninguém responde pelo desempenho dos Recursos Humanos do MISAU. Basta! Não podemos permitir que a política interfira nas acções da Saúde.
O MISAU veio a público, através da sua porta-voz, insultar os profissionais que lidam com vidas humanas como se se tratasse de estivadores. Não é possível os nossos dirigentes usarem um meio-termo não pejorativo para os seus subordinados?
Os nossos governantes bem com os profissionais da Saúde devem pôr a mão na consciência. Porque estão em jogo VIDAS HUMANAS e não vejo razões para que se demora tanto a resolver este conflito.
Continuamos a assistir situações bárbaras de atropelo da ética e direitos de qualquer trabalhador, o que, de certa maneira, desmotiva o pessoal da Saúde.
Suponho que o Governo está à espera que a greve complete 30 dias para levantar processos disciplinares contra os faltosos de modo a expulsá-los, o que vai aumentar ainda mais a escassez de quadros e complicar tudo o que já foi feito e previsto. Isso vai aumentar casos de cobranças ilícitas. Muitas coisas poderão sair mal no MISAU e complicar-se ainda mais a vida do povo. Dialogar é muito bom e parece que os nossos dirigentes não têm essa cultura.
O bom senso deve prevalecer entre o Governo e os profissionais da Saúde. Para tal é necessário, de facto, diálogo, que vai culminar com o retorno dos grevistas aos seus postos de trabalho o mais urgente possível.
Tenho dito.
“Um Governo que não tem uma perspectiva clara para o futuro perderá o rumo e fatalmente sucumbirá face ao inesperado”, dizia um dos meus professores. É o que estou a assistir actualmente.
Estamos mergulhados num dilema muito grande, e ainda temos problemas de governação. Ninguém responde pelo desempenho dos Recursos Humanos do MISAU. Basta! Não podemos permitir que a política interfira nas acções da Saúde.
O MISAU veio a público, através da sua porta-voz, insultar os profissionais que lidam com vidas humanas como se se tratasse de estivadores. Não é possível os nossos dirigentes usarem um meio-termo não pejorativo para os seus subordinados?
Os nossos governantes bem com os profissionais da Saúde devem pôr a mão na consciência. Porque estão em jogo VIDAS HUMANAS e não vejo razões para que se demora tanto a resolver este conflito.
Continuamos a assistir situações bárbaras de atropelo da ética e direitos de qualquer trabalhador, o que, de certa maneira, desmotiva o pessoal da Saúde.
Suponho que o Governo está à espera que a greve complete 30 dias para levantar processos disciplinares contra os faltosos de modo a expulsá-los, o que vai aumentar ainda mais a escassez de quadros e complicar tudo o que já foi feito e previsto. Isso vai aumentar casos de cobranças ilícitas. Muitas coisas poderão sair mal no MISAU e complicar-se ainda mais a vida do povo. Dialogar é muito bom e parece que os nossos dirigentes não têm essa cultura.
O bom senso deve prevalecer entre o Governo e os profissionais da Saúde. Para tal é necessário, de facto, diálogo, que vai culminar com o retorno dos grevistas aos seus postos de trabalho o mais urgente possível.
Tenho dito.
- Nicolau Parruque in Noticias, 08 de Junho 2013
A Opiniao de Pedro Nacuo

DIZER POR DIZER… - Sonhando num reencontro médicos grevistas/doentes
Sonhando, como sonhar não é proibido e, sobretudo, porque é gratuito, num reencontro entre os médicos grevistas e os seus doentes (pacientes), vou cá desfilando um sem número de ideias sobre como será a conversa entre estas partes, sempre juntas, depois de quase um mês de divórcio forçado.
Maputo, Sábado, 8 de Junho de 2013:: Notícias
Sonhando
com o médico que encontra o seu paciente, cujas complicações de saúde
conhecia muito bem e sempre recomendou o seguimento das suas
orientações, que sempre controlou, uma das quais é apresentar-se
regularmente ao médico para controlar a sua evolução, sem o que a sua
saúde poder-se-ia deteriorar, dando lugar, inclusive, à sua morte
precoce ou evitável.
Sonhando com o doente que olhando para o seu médico dirá (sem dizer) que, entretanto, este meu médico abandonou-me durante este período em que não fui nem controlado nem medicado, por o Doutor ter estado numa manifestação a que se deu o nome de greve e, assim, de facto, para além da dor que sentia aqui, agora também sinto ali, bem como deste lado… que pode ser o prolongamento da mesma doença. Ela cresceu, visto que também as doenças crescem.
Sonhando na dificuldade de o médico convencer ao paciente que gosta dele, que o acarinha, que estava em greve contra outras pessoas ou grupo de pessoas, que não ele, porque o salário que lhe é dado, apesar de ser, por hoje, dos mais gordos das classes profissionais da Função Pública, é, mesmo assim, muito magro.
Sonhando na dificuldade de o médico dizer ao doente que estava a lutar para que o Governo aumentasse mais o seu salário, por isso teve de abandonar quem precisava dele, o seu querido doente, a quem sempre disse que lhe estava a ajudar para que a morte demorasse a vir, que morresse mais tarde e não tão já.
Sonhando na dificuldade que o doente terá para fazer a ligação entre a sua doença e o tal governo, para que se convença que de facto é ao governo que se tem de atribuir a culpa de não ter sido tratado pelo médico durante um mês, sabendo que não terá sido o governo a faltar ao serviço, a fechar as enfermarias, os consultórios, as farmácias, as morgues, nem os cadeados que fecharam as portas de acesso ao seu hospital terão sido comprados e colocados pelo tal governo.
Sonhando num doente, que é simples POVO, a obrigar-se a compreender que na qualidade de pobre haverá outros mais pobres ainda que na sua luta contra essa pobreza não lhes importam os meios, ainda que outros passem pelo sacrifício de vidas humanas, desde que o fim seja o ser menos pobre que a maioria dos pobres.
Sonhando também na modéstia de um médico que dirá ao seu doente: estava enganado, tu não tens culpa, a culpa é de quem nem sequer passa por esta porta por onde entraste e, provavelmente, precisa de serviços de outros médicos, normalmente de fora deste país. Se calhar nem esse, mas precisamos de trabalhar mais para que o pão não falte a ninguém nesta casa.
Sonhando com aquele médico, mais modesto ainda, que dirá: a minha/nossa luta vai prosseguir, mas esta batalha foi perdida, justamente porque fizemos contas na terra, olhando para o céu, lá onde possivelmente é possível esquecer os outros, dando-nos a nós mesmos a importância que achamos ter…
Sonhando com aquele médico que dirá: fui e sou criança (como o são todos perante o POVO), por isso só agora faço as contas e descubro que o resultado é ter feito sofrer o meu POVO, não o governo, porque este, como todos outros governos, passa, mas sempre ficarei com o POVO, donde vim e aonde vou! Desculpe-me, POVO, meu pai, minha mãe, que me fizeste e me educaste! Eu também tenho família que sofreu neste período turbulento!
Sonhando numa organização de Direitos Humanos que defenda os direitos humanos, que numa situação litigiosa que envolva qualquer coisa e o direito à vida defenda este, por saber que é o mais importante de todos os direitos humanos (esqueçam a repetição).
Sonhando com o médico e doente a reconciliarem-se, ambos chegando a algumas conclusões interessantes, menos egoístas, menos exclusivistas do tipo se nós estamos zangados com o dinheiro que recebemos e significa o tecto dos funcionários do Estado, pelo menos em comparação com os professores, polícias… na verdade a nossa luta deve ser direccionada para outros objectivos, que incluem fazer com que o governo não mais se engane a dar muitíssimo dinheiro de ordenamento a uns e pouquíssimo a outros.
Sonhando numa culpa, sim, dada ao governo que em vez de ir tentando equilibrar os salários, conforme as competências e qualificações dos cidadãos, pelo contrário vai procurando cavar mais abismos que, num futuro próximo, podem tornar o país ingovernável, exactamente por causa das diferenças injustificáveis.
Sonhando num Estado que tratará os seus cidadãos, tal como ele mesmo disse, de forma igual, para que não se prolongue a ideia que fez dos cursos de Medicina e Direito os mais concorridos, porque é lá onde há muito dinheiro. Para que não se prolongue a ideia de que trabalhar nas Alfândegas, ainda que não se seja muita coisa do ponto de vista de formação, significa ser muito diferente dos outros moçambicanos com o mesmo número de anos escolásticos e competências equiparáveis.
Sonhando, enfim, num Estado que promove a formação dos seus cidadãos, mas para abraçarem profissões para as quais têm vocação, não à guisa de muito dinheiro, porque para ter muito dinheiro há muitos caminhos, alguns dos quais, infelizmente, passam por cometer crimes de toda a ordem.
Sonhei demais? Não é proibido, tal como foi dito acima. Ainda há lugar para sonhar em mordomias para os nossos dirigentes, mas apenas as justificáveis. São essas que não lhes desligam do rabo-de-palha, que fazem com que os comparsas façam e desfaçam, porque eles sabem quem são e de que vivem. Vamos sonhar o altruísmo, a moralidade, a consciência plena de que somos pobres, mas todos, para que todos lutemos contra a pobreza! Pena, o espaço só dava para dizer, quase sem dizer!
Sonhando com o doente que olhando para o seu médico dirá (sem dizer) que, entretanto, este meu médico abandonou-me durante este período em que não fui nem controlado nem medicado, por o Doutor ter estado numa manifestação a que se deu o nome de greve e, assim, de facto, para além da dor que sentia aqui, agora também sinto ali, bem como deste lado… que pode ser o prolongamento da mesma doença. Ela cresceu, visto que também as doenças crescem.
Sonhando na dificuldade de o médico convencer ao paciente que gosta dele, que o acarinha, que estava em greve contra outras pessoas ou grupo de pessoas, que não ele, porque o salário que lhe é dado, apesar de ser, por hoje, dos mais gordos das classes profissionais da Função Pública, é, mesmo assim, muito magro.
Sonhando na dificuldade de o médico dizer ao doente que estava a lutar para que o Governo aumentasse mais o seu salário, por isso teve de abandonar quem precisava dele, o seu querido doente, a quem sempre disse que lhe estava a ajudar para que a morte demorasse a vir, que morresse mais tarde e não tão já.
Sonhando na dificuldade que o doente terá para fazer a ligação entre a sua doença e o tal governo, para que se convença que de facto é ao governo que se tem de atribuir a culpa de não ter sido tratado pelo médico durante um mês, sabendo que não terá sido o governo a faltar ao serviço, a fechar as enfermarias, os consultórios, as farmácias, as morgues, nem os cadeados que fecharam as portas de acesso ao seu hospital terão sido comprados e colocados pelo tal governo.
Sonhando num doente, que é simples POVO, a obrigar-se a compreender que na qualidade de pobre haverá outros mais pobres ainda que na sua luta contra essa pobreza não lhes importam os meios, ainda que outros passem pelo sacrifício de vidas humanas, desde que o fim seja o ser menos pobre que a maioria dos pobres.
Sonhando também na modéstia de um médico que dirá ao seu doente: estava enganado, tu não tens culpa, a culpa é de quem nem sequer passa por esta porta por onde entraste e, provavelmente, precisa de serviços de outros médicos, normalmente de fora deste país. Se calhar nem esse, mas precisamos de trabalhar mais para que o pão não falte a ninguém nesta casa.
Sonhando com aquele médico, mais modesto ainda, que dirá: a minha/nossa luta vai prosseguir, mas esta batalha foi perdida, justamente porque fizemos contas na terra, olhando para o céu, lá onde possivelmente é possível esquecer os outros, dando-nos a nós mesmos a importância que achamos ter…
Sonhando com aquele médico que dirá: fui e sou criança (como o são todos perante o POVO), por isso só agora faço as contas e descubro que o resultado é ter feito sofrer o meu POVO, não o governo, porque este, como todos outros governos, passa, mas sempre ficarei com o POVO, donde vim e aonde vou! Desculpe-me, POVO, meu pai, minha mãe, que me fizeste e me educaste! Eu também tenho família que sofreu neste período turbulento!
Sonhando numa organização de Direitos Humanos que defenda os direitos humanos, que numa situação litigiosa que envolva qualquer coisa e o direito à vida defenda este, por saber que é o mais importante de todos os direitos humanos (esqueçam a repetição).
Sonhando com o médico e doente a reconciliarem-se, ambos chegando a algumas conclusões interessantes, menos egoístas, menos exclusivistas do tipo se nós estamos zangados com o dinheiro que recebemos e significa o tecto dos funcionários do Estado, pelo menos em comparação com os professores, polícias… na verdade a nossa luta deve ser direccionada para outros objectivos, que incluem fazer com que o governo não mais se engane a dar muitíssimo dinheiro de ordenamento a uns e pouquíssimo a outros.
Sonhando numa culpa, sim, dada ao governo que em vez de ir tentando equilibrar os salários, conforme as competências e qualificações dos cidadãos, pelo contrário vai procurando cavar mais abismos que, num futuro próximo, podem tornar o país ingovernável, exactamente por causa das diferenças injustificáveis.
Sonhando num Estado que tratará os seus cidadãos, tal como ele mesmo disse, de forma igual, para que não se prolongue a ideia que fez dos cursos de Medicina e Direito os mais concorridos, porque é lá onde há muito dinheiro. Para que não se prolongue a ideia de que trabalhar nas Alfândegas, ainda que não se seja muita coisa do ponto de vista de formação, significa ser muito diferente dos outros moçambicanos com o mesmo número de anos escolásticos e competências equiparáveis.
Sonhando, enfim, num Estado que promove a formação dos seus cidadãos, mas para abraçarem profissões para as quais têm vocação, não à guisa de muito dinheiro, porque para ter muito dinheiro há muitos caminhos, alguns dos quais, infelizmente, passam por cometer crimes de toda a ordem.
Sonhei demais? Não é proibido, tal como foi dito acima. Ainda há lugar para sonhar em mordomias para os nossos dirigentes, mas apenas as justificáveis. São essas que não lhes desligam do rabo-de-palha, que fazem com que os comparsas façam e desfaçam, porque eles sabem quem são e de que vivem. Vamos sonhar o altruísmo, a moralidade, a consciência plena de que somos pobres, mas todos, para que todos lutemos contra a pobreza! Pena, o espaço só dava para dizer, quase sem dizer!
- Pedro Nacuo
GREVE NA SAÚDE - Médicos escrevem ao chefe do Estado
Uma
carta assinada pelo médico ginecologista Pascoal Mocumbi e subscrita
por outros 84 médicos especialistas de diversas áreas e mais antigos do
Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi enviada ao Presidente da República,
Armando Guebuza, para manifestar a sua indignação face à actual situação
na Saúde e apela à sua intervenção para a solução deste problema.
Maputo, Sábado, 8 de Junho de 2013:: Notícias
A
missiva, a que o “Notícias” teve acesso, refere-se, entre outras
coisas, que as condições de trabalho e a vida dos profissionais da Saúde
têm estado a se deteriorar de forma acentuada nos últimos tempos, com
faltas básicas de medicamentos e equipamentos nas unidades sanitárias,
condições péssimas de habitação, sobretudo para os jovens médicos e para
os pós-graduados e com salários de miséria.
A carta contesta o facto de o Orçamento do Estado para a Saúde ter baixado nos últimos seis ou sete anos em cerca de 50 por cento enquanto em alguns sectores aumentou 10 vezes mais.
O documento afirma também que a actual situação em que se encontra o SNS deriva do silêncio dos governantes face às preocupações reiteradamente apresentadas pelos profissionais da Saúde, que se sentem desconsiderados, injustiçados, desmoralizados e revoltados.
Os subscritores da carta denunciam ainda situações de coacção, intimidação, demissão e repressão exercidas sobre os profissionais da Saúde envolvidos na greve e, segundo a carta, são medidas contraditórias com o reconhecimento da legitimidade da greve e não aceitáveis num Estado de Direito, o que contribui para o agravamento da situação.
Revela também que este grupo associa-se à Ordem dos Médicos de Moçambique e outras instituições no repúdio à detenção do presidente da AMM, Jorge Arroz.
A referida missiva lamenta e condena a minimização da gravidade da situação da greve, ocultando os problemas existentes e denegrindo as justas e legítimas reivindicações dos profissionais da Saúde.
Segundo o documento, este grupo constatou que, contrariamente ao que se tem propalado, os serviços mínimos têm sido assegurados na quase totalidade dos hospitais do país, embora com algumas deficiências que é necessário colmatar.
É com base nestas questões que os médicos apelam à intervenção do Chefe do Estado, na qualidade do mais alto magistrado da nação, no sentido de se encontrar uma solução para as preocupações dos médicos.
A carta contesta o facto de o Orçamento do Estado para a Saúde ter baixado nos últimos seis ou sete anos em cerca de 50 por cento enquanto em alguns sectores aumentou 10 vezes mais.
O documento afirma também que a actual situação em que se encontra o SNS deriva do silêncio dos governantes face às preocupações reiteradamente apresentadas pelos profissionais da Saúde, que se sentem desconsiderados, injustiçados, desmoralizados e revoltados.
Os subscritores da carta denunciam ainda situações de coacção, intimidação, demissão e repressão exercidas sobre os profissionais da Saúde envolvidos na greve e, segundo a carta, são medidas contraditórias com o reconhecimento da legitimidade da greve e não aceitáveis num Estado de Direito, o que contribui para o agravamento da situação.
Revela também que este grupo associa-se à Ordem dos Médicos de Moçambique e outras instituições no repúdio à detenção do presidente da AMM, Jorge Arroz.
A referida missiva lamenta e condena a minimização da gravidade da situação da greve, ocultando os problemas existentes e denegrindo as justas e legítimas reivindicações dos profissionais da Saúde.
Segundo o documento, este grupo constatou que, contrariamente ao que se tem propalado, os serviços mínimos têm sido assegurados na quase totalidade dos hospitais do país, embora com algumas deficiências que é necessário colmatar.
É com base nestas questões que os médicos apelam à intervenção do Chefe do Estado, na qualidade do mais alto magistrado da nação, no sentido de se encontrar uma solução para as preocupações dos médicos.
Tuesday, 4 June 2013
Mensagem do Presidente do Municipio de Quelimane em solidariedade aos Doentes em todo o territorio nacional, aos Municipes de Quelimane, a Classe Medica e a todos os Funcionarios do Sistema Nacional de Saude
CONSELHO MUNICIPAL DA CIDADE DE
QUELIMANE
Gabinete do Presidente
Mensagem do Senhor Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Quelimane,
Professor Doutor Manuel de Araujo, em solidariedade a todos os Doentes, aos Munícipes da Cidade
de Quelimane, à classe Médica, e a todos funcionários do Serviço Nacional da Saúde
Caras Munícipes da Cidade de Quelimane,
Caros Munícipes da Cidade de Quelimane,
Minhas Irmãs, Meus Irmãos, Minhas Mães, Pais, Irmãos,
amigos, moçambicanos e moçambicanas residindo nos diferentes cantos deste Município
da Cidade de Quelimane,
Em meados de Janeiro de 2013, depois de nos termos
surpreendido com uma greve dos médicos, regozijamo-nos ao saber que tanto o Ministério
da Saúde (em representação do Governo de Moçambique) como a Associação Médica de
Moçambique (em representação dos Médicos) tinham celebrado um Memorando de Entendimento
que visava o retorno da harmonia social entre a classe médica e a sua entidade
patronal. O Memorando de Entendimento assinado entre as partes esclarecia que com
o fim da greve dos Médicos deveriam ser respeitados três pontos principais: i)
ausência de represalias aos médicos e médicos estagiários; ii) estabelecimento
de uma grelha salarial digna e diferenciada no sector públicos, tendo em conta
o princípio de equidade com efeitos a partir de Abril de 2013 e aprovação do
Estatuto do Médico na primeira sessão da Assembleia da República (recentemente
terminada); e iii) existência de uma plataforma contínua de diálogo, e uma
matriz de acções com prazos bem definidos.
Naquela altura, os munícipes da Cidade de Quelimane, em
particular, e os moçambicanos no geral, protestaram o facto da demora no
alcance dos três pontos do Memorando de Entendimento ter posto em causa muitas
vidas humanas e associaram este sentimento à inflexibilidade, a insensibilidade
e a arrogância do Governo moçambicano, que recusava dialogar imediatamente e
alcançar consensos com a Associação Médica de Moçambique. Entretanto, não
tínhamos apercebido que as partes tinham alcançado um consenso no qual o
Governo não se interessava em respeitar. Contudo, apreciamos singelamente os
esforços abnegados da Liga dos Direitos Humanos que, sem medir esforços, se
desdobrou na busca de caminhos e soluções alternativas para que as partes se
sentassem a mesma mesa e depois de longo período de negociação fumassem o cachimbo da paz.
Por causa da importância que damos a paz, a concórdia, a
harmonia, a sociedade inteira apelou a necessidade de adopção de uma plataforma
de diálogo, que deveria ser seguida como um pressuposto básico e imperativo de uma
sociedade que se quer construir com base nos pressupostos bem-nascidos da
democrática moderna e da boa governação. Ouvimos na altura um conjunto de apelos
feitos pelos Munícipes de Quelimane, situados em diferentes cantos da autarquia,do pais e do mundo, para
a necessidade de construção de instituições moçambicanas fundamentadas nos valores
e princípios de respeito pela vida humana. Os apelos que advertia-se ao poder
político e económico para o imperactivo primordial da criação de condições
condignas e da indispensabilidade de cuidar
de quem cuida a vida humana.
Para os católicos e muitas outras organizações
religiosas, o mês de Maio é o mês de Maria, mãe de Jesus. Maria é a mãe que dá
a vida, Maria é a mãe acolhedora e protectora dos homens. Recordamos das
palavras de um munícipe quando dizia: quem
nos dera que as virtudes de Maria, Mãe de Jesus estivessem encarnadas naqueles
que dirigem as políticas da saúde deste país! Entretanto, (sem querer dizer
que existem momentos ou meses específicos para surgimento de greve, e aceitando
que as greves surgem quando as condições para o efeito estão criadas), ficamos
surpreendidos, ao sabermos através da diretrizes
da segunda greve geral dos médicos em Moçambique e pelos órgãos de
comunicação social de que, nenhum dos três pontos definidos no Memorandum de
Entendimento assinado em Janeiro entre o Ministério da Saúde (em representação
do Governo de Moçambique) e a Associação Médica de Moçambique (em representação
dos Médicos), tinham sido respeitados como anunciados pelo Governo aos
Munícipes da Cidade de Quelimane, em particular e a sociedade moçambicana, em
geral! Ficamos mais atónitos e chocados quando perante os factos que revelam o
não cumprimento do Memorando de Entendimento assinado entre as partes, não
houve medidas correctivas imediatas, por parte de quem de direito, para
salvar o Memorando de Entendimento e satisfazer o interesse daquela classe de
profissionais que cuidam de vidas humanas. Em menos de 06 meses, de forma precipitada
e desnecessária, sentimo-nos mergulhados numa segunda greve geral dos Médicos, o
que ao nosso ver poderia ser evitada, caso o Governo tivesse assumido as
responsabilidades acordadas em Janeiro com aquele grupo de profissionais
dedicados e motivados em salvar vidas humanas.
Caras Munícipes
da Cidade de Quelimane,
Caros Munícipes
da Cidade de Quelimane,
Minhas Irmãs,
Meus Irmãos, Minhas Mães, Pais, Irmãos, amigos, moçambicanos e moçambicanas
residindo nos diferentes cantos deste Município da Cidade de Quelimane,
No mundo moderno, os compromissos que assumimos,
estabelecemos, celebramos para a melhoria das condições sociais, económicas,
laborais, profissionais e demais, constitui um dever inalienável, no qual os
decisores políticos devem perseguir com o risco de deitarmos toda uma sociedade
ao abismo e descredibilizarmos o Governo e as instituições do Estado. Por isso,
achamos ser de bom senso a obrigatoriedade das partes cumprirem, com rigor, os
termos do Memorando de Entendimento alcançado em Janeiro de 2013. Em outras
palavras, estamos dizendo ser de bom-tom que o Governo não reprima os Médicos e
Médicos estagiários envolvidos na greve; que o Governo deveria ter já estabelecido
uma grelha salarial digna e deveria ter aprovação o Estatuto do Médico na Primeira
Sessão da Assembleia da República (recentemente terminada); e que as partes
devem definir uma plataforma contínua de diálogo, e uma matriz de acções com
prazos definidos. Compromissos que não foram alcançados
Fazemos aqueles apelos imbuídos nos fundamentos básicos
dos valores éticos e morais, através dos quais definimos a
vida humana como sendo uma dádiva sagrada que contem um duplo significado. O
primeiro significado que atribuímos à vida humana resulta do reconhecimento da
suprema transcendência do ser divino: O Doador da Vida, de quem a vida do Homem
depende em seu ser e em sua acção. A vida humana, na qual todos os moçambicanos
detém o direito, é revestida de santidade porque é percebida como um dom
derivado de um ser divino, que, por sinal deve ser aceite como tal por todos.
Em segundo lugar, afirmamos que a santidade da existência do homem significa
proclamar o valor único da vida humana em si, uma afirmação que se traduz, no
Plano Ético e se circunscreve nas políticas sociais e governativas, que moldam
o princípio segundo o qual, a vida humana é uma realidade inviolável e que
merece admiração, estima, consideração e respeito incondicional.
Por isso, achamos que o desrespeito aos termos do
Memorando de Entendimento assinado entre as partes é uma vexatória situação de um
atrevimento irresponsável de quem de direito para com os princípios mais nobres
da vida humana e dos Direitos Humanos, do qual, todas as moçambicanas e moçambicanos,
independentemente da raça, religião, origem, filiação política, social ou
cultural, merecem a protecção do Governo.
Caras Munícipes
da Cidade de Quelimane,
Caros Munícipes
da Cidade de Quelimane,
Minhas Irmãs,
Meus Irmãos, Minhas Mães, Pais, Irmãos, amigos, moçambicanos e moçambicanas
residindo nos diferentes cantos deste Município da Cidade de Quelimane,
Achamos
que o Governo ao não respeitar o Memorando de Entendimento assinado entre as
duas partes violou de forma flagrante um compromisso que visava não só
beneficiar a classe dos profissionais da saúde como também, acautelar a
protecção das vidas humanas de todos aqueles que se beneficiam dos Serviços
Nacionais de Saúde. Perante esta demonstração de atrevimento,
irresponsabilidade e insensatez do Governo, manifestamos
o nosso profundo respeito e sublime solidariedade para com todos os Médicos, Farmacêuticos,
Enfermeiros, Técnicos, Serventes e todo o pessoal do Serviço Nacional
da Saúde, que no dia-a-dia dedicam todo seu esforço físico e
espiritual para salvar vidas humanas. Embora não ouvimos até ao momento nenhum
posicionamento sério, estruturante da parte do governo, para superar a crise
institucional que se instalou entre Ministério da Saúde e a Associação Médica
de Moçambique deploramos e desencorajamos alguns pronunciamentos irresponsáveis
e não abonatórios proferidos por alguns segmentos da elite política nacional que,
de forma arrogante, desrespeitosa e menos elegante, posicionaram-se contra a
classe médica que tem a responsabilidade de cuidar pela vida, tanto dos
Munícipes da Cidade de Quelimane como dos Moçambicanos em geral.
Preocupa-nos também quando verificamos que anualmente o
Chefe do Estado, através do parlamento, tem-se dirigido publicamente a nação
moçambicana para apresentar o estado da nação. Nos discursos proferidos à Nação, pelo Chefe do Estado temos sido confrontados com chavões falaciosos, que
ao nosso ver não condizem com a realidade do país, como por exemplo: “moçambicanos e moçambicanas o País esta a
crescer”, “moçambicanos e
moçambicanas estamos a desenvolver o país”, “moçambicanos e moçambicanas o País esta no Caminho Certo”, “moçambicanos e moçambicanas o País está
bem”. Com base nos indicadores que suportam e sustentam aqueles chavões usados repetidamente
pelo Chefe do Estado quando se dirige a nação moçambicana, e tendo um país a cresce, a desenvolver, no bom
caminho, não entendemos o porque de tanta insensibilidade na criação de
melhores condições de vida e salariais dos funcionários e agentes da saúde! Se
os discursos do Chefe de Estado dirigidos à nação espelham a dinâmica crescente
da economia do país, no contexto da greve geral dos Médicos, porque o Estado
não adoptar com a devida brevidade, políticas salariais e estratégias de
remuneração ajustadas às realidades micro e macroeconómicas do País? Com um País
num bom caminho, a crescer e a desenvolver, como sempre diz o Chefe do Estado,
que medidas políticas estão sendo adoptadas para satisfazer as moçambicanas e
os moçambicanos, e em particular os Munícipes da Cidade de Quelimane que,
através de um abnegado esforço físico e intelectual trabalham nas diferentes
áreas ou sectores do País procurando salvar vidas?
Caras Munícipes
da Cidade de Quelimane,
Caros Munícipes
da Cidade de Quelimane,
Minhas Irmãs,
Meus Irmãos, Minhas Mães, Pais, Irmãos, amigos, moçambicanos e moçambicanas
residindo nos diferentes cantos deste Município da Cidade de Quelimane,
Não deixaremos de reconhecer e mencionar o quanto ficamos
surpreendidos quando nos apercebemos pelos órgãos de comunicação social o
exercício infeliz para busca, captura e detenção do Doutor Jorge Arroz, Presidente
da Associação Médica de Moçambique! Ao recebermos aquela notícia ficamos
abatidos e assolados de arrepios estremecentes e tudo indicou que o País não
esta no bom caminho. Por isso, repudiamos com veemência a prisão ilegal e
inconstitucional do Doutor Jorge Arroz, perpetrada pela Polícia de Investigação
Criminal. Não temos dúvidas que a decisão de mandato de captura e prisão do
Doutor Jorge Arroz colocou o País no mau caminho. Não nos restam dúvidas que
aquela prissão constitui violação flagrante aos pressupostos básicos da
democracia, a liberdade de expressão, e de associativismo, consagrados na
Constituição da República de Moçambique. Decorrente do potencial de risco que
aquela prisão arbitrária, ilegal e inconstitucional causou à nossa jovem
democracia moçambicana, apelamos a quem de direito (as instituições da justiça
moçambicana) que se desdobre na busca de responsabilização dos mandantes e
autores da captura e prisão ilegal do Doutor Jorge Arroz.
Através desta mensagem, no contexto da greve dos médicos,
da inflexibilidade do governo dialogar e encontrar velozmente uma solução,
venho em meu nome pessoal e em nome de todos os Munícipes da Cidade de
Quelimane lamentar os seguintes pontos:
·
A manifesta incapacidade do Governo da República de Moçambique na condução
de um diálogo construtivo e producente com a Associação Médica de Moçambique, em
prol dos interesses daquela classe de profissionais, e dos mais diversos
sectores do Sistema Nacional da Saúde e do Estado Moçambicano. Deploramos
porque esta incapacidade do Governo de Moçambique dialogar com os diferentes
sectores esta sendo sistematicamente repetida o que prejudica os esforços na
construção da paz, da estabilidade política, económica e social do País.
·
A arrogância demonstrada em alguns circuitos políticos que
intervém nos órgãos de comunicação social, com argumentos esvaziados de fundamentos
legalistas e numa estratégia de revelar existir uma mão externa que alimenta o
movimento dos médicos, desrespeitando o papel das Agências Internacionais de
Desenvolvimento, que, não só financiam o Orçamento Geral do Estado Moçambicano,
como também, investem em diferentes sectores políticos, económicos, sociais e
culturais do País.
·
A incoerência e a resistência em dar uma resposta imediata
às reivindicações dos médicos, quando diariamente registamos abusos excessivos
e delapidação do tesouro público, envolvendo uma elite (predadora) do Estado, que se revela
completamente irresponsável às dificuldades da maior parte da população humilde
deste País, mesmo quando se trata de um assunto sensível como é a vida humana.
·
A forma irresponsável do Governo da República de
Moçambique não priorizou uma estratégia adequada de diálogo/comunicação, a
importância e o valor que damos a vida humana dos Munícipes da Cidade de
Quelimane, das Moçambicanas e dos Moçambicanos, o que ajudaria o alcance de um
consenso e resposta imediata ao caderno reivindicativo apresentado pela Associação
Médica de Moçambique e ao memorando de Entendimento assinado entre as partes.
·
A onda de intimidação perpetrada pelos Senhores/as
Directores/as Provinciais da Saúde, pelos Governadores Provinciais,
Administradores Distritais, e muitos outros que se opõem as reivindicações dos
médicos, o que revela fragrante violação dos valores democráticos que assumimos
e nos comprometemos a construir na sociedade moçambicana.
·
A instrumentalização de certos sectores da imprensa
moçambicana, que estão impedidos de provar a sua competência e capacidade profissional
na disseminação de informação verdadeira referente a greve dos médicos
registada nas várias unidades sanitárias do País. Esta instrumentalização,
controlo e asfixia, constitui uma violação dos princípios da liberdade de
imprensa e da ética jornalística.
Neste momento, em que nos dirigimos as Munícipes e aos
Munícipes da Cidade de Quelimane manifestamos profunda preocupação pela perda
de vidas humanas e pela insensibilidade do Governo da República de Moçambique
em encontrar uma solução imediata que, por via de diálogo, possa respeitar os
termos do Memorando de Entendimento assinado entre as partes em Janeiro de
2013. Insistimos mais uma vez que o respeito aos princípios do Memorando de
Entendimento assinado entre as partes em Janeiro de 2013 deve ser considerado
como sendo uma abordagem idónea e responsável a ser seguida para salvaguardar vidas
humanas dos Munícipes da Cidade de Quelimane e demais cidadãos moçambicanos.
Diante desta preocupação, apelamos
todos para o envolvimento das mais diversas forças vivas da sociedade
moçambicana: a) as Confissões Religiosas; b) a Comunidade de Santo Egídio;
c)
as Organizações da Sociedade Civil; d) as Agências Internacionais de
Desenvolvimento que actuam em Moçambique, e) os partidos políticos, e muitas
outras, para que, o mais urgente possível, facilitem a construção de uma
plataforma de diálogo e negociação entre o Governo da República de Moçambique e
a Associação dos Médicos de Moçambique, e encontrem resposta ao diferendo que
os opõe, em prol da salvação das vidas dos Munícipes da Cidade de Quelimane,
dos moçambicanos e da defesa dos interesses da classe médica moçambicana.
Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Quelimane,
Manuel de Araujo
