
Caso do deputado Mascarenhas continua por esclarecer
Beira (Canal de Moçambique) – O caso do assassinato do deputado da Assembleia da República, José Mascarenhas, continua sem desfecho judicial e fontes da Assembleia da República admitem que estão a ocorrer pedidos diplomáticos às autoridades moçambicanas para esclarecimento do caso do malogrado que esteve exilado vários anos durante a guerra civil, em Portugal.
O então deputado pela Bancada da Renamo desta legislatura foi assassinado na Beira em Março de 2006. Mascarenhas era deputado à Assembleia da República desde que foi instituído o parlamento multipartidário após as eleições que se seguiram ao Acordo Geral de Paz em Roma. Estava a cumprir a terceira legislatura.
O corpo do deputado pela bancada da Renamo e membro da Comissão de Defesa e Segurança da Assembleia da República, José Gaspar de Mascarenhas, foi identificado na morgue do Hospital Central da Beira (H.C.B.) no dia 09 de Março de 2006. O seu cadáver foi reconhecido às primeiras horas da manhã por amigos e correligionários, entre os quais o secretário-geral do seu partido, general Ossufo Momade. Informações obtidas então pelo «Canal de Moçambique» na principal unidade de saúde da capital da província de Sofala, círculo pelo qual o malogrado foi eleito, indicavam que o cadáver dera entrada na morgue na segunda-feira, 06 de Março, tendo ali estado até quinta-feira, 09 de Março, sem que fosse identificado. Correra-se inclusivamente o risco dele ter sido sepultado em vala comum por se desconhecer a sua identidade.
O corpo de José Mascarenhas foi removido pela Polícia de Investigação Criminal (PIC) das imediações das ruínas do que em tempos foi a esplanada «O Veleiro» na Praça da Independência (ex-Praça da Índia), segundo o pessoal da morgue. “Foi encontrado na segunda-feira, morto, despido, só com meias e sapatos e com marcas de agressão física e perfuração de bala na nuca”, revelou na altura ao «Canal de Moçambique» uma fonte da morgue do Hospital Central da Beira.
O deputado encontrava-se na Beira há vários dias.
Na recepção do Hotel Miramar, o «Canal de Moçambique» apurou na circunstância que o deputado estivera lá hospedado do dia 2 a 5 de Março e “pagou e saiu do hotel por volta das 10 horas da manhã de domingo”.
O jornalista «free lancer» José Chitula também apurara na altura que José Mascarenhas se despedira dos amigos indicando-lhes que iria partir para Caia e Quelimane “na 2.ª feira” mas que não lhe fora possível apurar onde ele teria ido pernoitar de domingo para segunda.
José Mascarenhas ia frequentemente a Caia por ser aquele o seus distrito de afectação pelo seu partido.
Na Beira o deputado assassinado foi visto pela última vez na companhia de Luís Carrelo, irmão de Fernando Carrelo uma figura proeminente da Renamo na capital de Sofala que acabaria por cair em desgraça ao entrar em conflito com o seu partido pelo facto deste ter optado por apoiar a candidatura do engenheiro Daviz Simango em vez da sua ao cargo de presidente do Município da capital de Sofala de que este último é hoje o Edil. A “amizade” entre os Carrelos e o malogrado foi referida como sendo “de longa data”.
Entretanto, na sequência do assassinato, a Policia de Investigação Criminal ouviu nos autos vários cidadãos próximos do malogrado, entre os quais parte da família Carrelo. Entre as várias pessoas sob investigação foram notificados pela 2.ª Esquadra da PRM na Cidade da Beira, Fernando Carrelo, tido como um dos amigos pessoais do falecido deputado, para além do seu irmão, Luís Manuel Carrelo e do filho mais velho de Fernando Carrelo.
(Redacção)
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